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Semana de Pedagogia: 27ª edição aborda os desafios de educar

 

Com o objetivo de fortalecer a formação dos professores, evento trouxe para o debate as possibilidades de desenvolver uma prática de ensino de forma reflexiva e crítica

Por Pollyana Lopes e Gian Cornachini

Há 27 anos acontece a semana acadêmica de um dos cursos mais tradicionais da FEUC: Pedagogia. E as demandas atuais da educação merecem discussões específicas, com o objetivo de fortalecer o ensino. É por isso que a XXVII Semana de Pedagogia abordou, entre os dias 16 e 18 de maio, a temática “Desafios, possibilidades, experiências e dilemas da Pedagogia contemporânea”, por meio de diversas palestras, oficinas, mesas-redondas e relatos de experiências. Na abertura do evento, o estudante Helton Tinoco já adiantou a importância da Semana para a formação dos alunos: “A gente, mesmo em espera, sem ter tantas possibilidades, deve buscar os desafios da nossa autonomia. A gente pode construir e deve construir um fazer pedagógico que estimule a reflexão e o pensamento de cada um dos alunos”. As 25 atividades da Semana, além das apresentações de trabalhos e lançamentos de livros, reuniram diversas experiências sobre esse fazer pedagógico apontado por Helton, e separamos, a seguir, um pouquinho do que aconteceu no evento.

Helton: "A gente pode construir e deve construir um fazer pedagógico que estimule a reflexão e o pensamento de cada um dos alunos". (Foto: Gian Cornachini)

Helton: “A gente pode construir e deve construir um fazer pedagógico que estimule a reflexão e o pensamento de cada um dos alunos”. (Foto: Gian Cornachini)

Mesa-redonda: Currículo, diversidade étnico-racial e formação de professores

O debate sobre “Currículo, diversidade étnico-racial e formação de professores” contou com a participação das professoras Janice Souza e Jane Souza, das FIC, e da professora da Secretaria Municipal de Educação do Rio, formada em Pedagogia também nas FIC, Luciana das Neves Rosa Costa.

Jane e Janice apresentaram a proposta do subprojeto Interdisciplinar do Pibid FEUC, que desenvolve ações didático-pedagógicas a partir da utilização de livros de literaturas africanas e afro-brasileira, e contaram suas experiências no Instituto de Educação Sarah Kubitschek (IESK). O colégio foi escolhido por abrigar o curso de formação de professor e, dessa forma, elas acreditam que o trabalho desenvolvido lá seja multiplicado quando os estudantes forem atuar profissionalmente.

Professora Jane apresentou o projeto Pibid Interdisciplinar e convidou duas alunos do IESK para relatarem suas experiências participando do programa. (Foto: Pollyana Lopes)

Professora Jane apresentou o projeto Pibid Interdisciplinar e convidou duas alunos do IESK para relatarem suas experiências participando do programa. (Foto: Pollyana Lopes)

A professora convidou duas alunas do IESK a assistirem à palestra, e elas aproveitaram para relatar ao público presente como o projeto modificou o olhar que elas tinham sobre o continente africano: “Participar do projeto mudou muito o meu pensamento, porque… acho que como todo mundo que vê a África através da mídia, eu pensava em um país pobre, um país que só tem coisas ruins, doenças. Mas quando a gente olha por um outro ponto de vista, que o projeto mostrou a nós, a gente vê que a África tem coisas boas, sim, tem riquezas, tem belezas e é um continente inteiro”, apontou Deise da Silva Francisco de Lima, estudante do 2º ano do Ensino Médio no IESK.

Deise da Silva Francisco de Lima é estudante do Instituto de Educação Sara Kubitschek e participa do projeto Pibid Interdisciplinar. (Foto: Pollyana Lopes)

Deise da Silva Francisco de Lima é estudante do Instituto de Educação Sara Kubitschek e participa do projeto Pibid Interdisciplinar. (Foto: Pollyana Lopes)

Já Mirian Piedade dos Santos, também aluna do 2º ano no IESK, destacou a importância de sentir orgulho de seus antepassados: “A gente viu que é um lugar com muita história. Em todos os países aparecem histórias de guerreiros, de lutadores, e a gente não dá o valor devido aos africanos. Tem gente que até alisa o cabelo com vergonha, com vergonha da cor da minha pele. Mas a gente tem que ver que não é vergonha, é orgulho, orgulho do povo que sempre lutou pela sua liberdade e, de um ponto de vista, para mudar a sociedade”.

A sala de aula é o que Luciana Costa escolheu para fazer sua parte na construção de uma sociedade diferente. A professora de Educação Infantil mostrou como inclui a diversidade étnico-racial nas aulas cotidianas. Ela também destacou sua formação na FEUC e a disciplina de História da Cultura Africana no Brasil: “A nossa faculdade é uma das pouquíssimas que tem isso no currículo, ainda mais enquanto obrigatório. É um privilégio que quem estuda na FEUC tem. Eu percebi isso quando comecei a ir para os espaços para discutir as relações étnico-raciais”, destacou.

Desafios da Educação Brasileira

Na palestra sobre “Desafios da Educação Brasileira”, as professoras Lúcia Baroni e Cristina Maia elencaram aspectos pedagógicos e administrativos que desafiam os profissionais na melhora efetiva da educação no Brasil. No quesito pedagogia, Lúcia Baroni destacou a falta de apoio da família e a necessidade de uma prática mais inclusiva:

“Qual é a diferença entre integração e inclusão? Integrar é colocar a criança dentro do ambiente escolar, incluir é preparar o ambiente escolar para receber a criança. Não existe professor inclusivo, existe escola inclusiva. A inclusão se dá desde o porteiro, o inspetor, porque todo mundo tem que se adaptar, o ambiente tem que estar pronto para a inclusão, senão, não é inclusão”, explicou.

Lúcia Baroni, Cristina Maia e a coordenadora do curso de Pedagogia, Maria Lícia, na palestra sobre os "Desafios para a Educação Brasileira". (Foto: Pollyana Lopes)

Lúcia Baroni, Cristina Maia e a coordenadora do curso de Pedagogia, Maria Lícia, na palestra sobre os “Desafios para a Educação Brasileira”. (Foto: Pollyana Lopes)

Já sobre os aspectos administrativos, Cristina Maia elencou a falta de apoio da família e formação docente fragilizada como pontos que precisam de mais atenção e esforço: “A gente precisa rever essa ideia de que a nossa formação está terminada. Não, nós estamos em um processo permanente. E precisamos sair dessa zona de conforto e não ficar aguardando que as coisas aconteçam. Nós precisamos fazer, apesar das condições adversas”.

Atendimento educacional especializado em pauta

Estudantes de Pedagogia foram protagonistas de algumas atividades da Semana. Os que já têm práticas educacionais puderam compartilhar suas experiências com os alunos. Foi o caso da formanda Edvane Cabral de Lima, que trabalha na direção geral do Centro Municipal de Atendimento Educacional Especializado (CEMAEE) de Itaguaí e que coordenou uma mesa-redonda com a participação de outras funcionárias do Centro. À plateia, ela mostrou fotos dos estudantes em atividades e contou como funciona o trabalho do CEMAEE, quais seus objetivos e a rotina de atendimento a alunos especiais: “A gente trabalha com a perspectiva de dar um suporte ao aluno especial regular, de acordo com as suas necessidades. Temos pedagogas, fonoaudiólogas e psicólogas apoiando não com um trabalho clínico, mas educacional, com o objetivo de que o aluno consiga se socializar na escola regular e não ficar segregado em uma escola especial, como uma ‘escola dos diferentes’”, esclareceu Edvane.

A aluna Edvane trabalha em instituição de apoio à estudantes especiais. (Foto: Gian Cornachini)

A aluna Edvane trabalha em instituição de apoio à estudantes especiais. (Foto: Gian Cornachini)

Educação emancipadora

Uma outra mesa-redonda também trouxe experiências para compartilhar com os graduandos das FIC, mas desta vez sobre uma escola municipal de Duque de Caxias que experimenta as possibilidades de um modelo educacional diferente do proposto pela Secretaria de Educação daquela cidade. O professor de ensino básico Eduardo Oliveira apresentou o dia a dia da escola Barro Branco, localizada no bairro de mesmo nome, onde trabalha desde 2007 com uma perspectiva de “educação emancipadora”.

Segundo o professor, a escola pretende formar alunos críticos e, para isso, precisa seguir um Projeto Político-Pedagógico diferente do praticado em outras escolas sob tutela da Secretaria Municipal de Educação de Duque de Caxias: “A gente quer que o aluno consiga ler o editorial recente de O Globo sobre a CPFM e fazer um link com um outro editorial do mesmo jornal, que anteriormente ‘metia o malho’ na CPFM. Queremos que eles sejam minimamente críticos da realidade para além da ideologia, e críticos e sujeitos do que eles irão produzir”.

Professor Eduardo compartilhou experiências de uma educação crítica e democrática na escola municipal Barro Branco, em Duque de Caxias. (Foto: GIan Cornachini)

Professor Eduardo compartilhou experiências de uma educação crítica e democrática na escola municipal Barro Branco, em Duque de Caxias. (Foto: GIan Cornachini)

Para isso se tornar possível, os estudantes são politicamente ativos na escola, que possui gestão democrática. Lá, não existe a figura do diretor. Tudo é decidido em conjunto, em contraponto a outras escolas que são subordinadas a diretores indicados por vereadores da cidade. Há eleição para representantes de turma, que participam ativamente do Conselho de Classe com os professores. A parte financeira da instituição que, a princípio, a gente imagina ser de responsabilidade dos adultos, passa pelo crivo das crianças, que ajudam a decidir o destino das verbas. Os professores também visitam as casas das famílias dos alunos com o intuito de entender a realidade imediata de cada estudante e como funciona a comunidade local. Com isso, eles conseguem se mobilizar pelas próprias causas, realizar passeatas e protestar por direitos.

“A gente está aqui para mostrar um outro tipo de educação, que é oposição ao que tentam impor a nós. Vai demandar mais força, mais trabalho, mas vai ser possível. O paraíso não é lá, mas o nosso Projeto Político-Pedagógico não é utopia. A gente tem o prazer de fazer algo ser de todo mundo, junto”, destacou Eduardo.

Contação de histórias

Tia Aninha (Ana Oliveira) já é uma figura conhecida na FEUC. Formada em Pedagogia nas FIC, ela sempre participa de eventos do curso, seja dando palestra ou oferecendo um curso sobre o que ela mais gosta de fazer: trabalhar com crianças e contar histórias. Nesta edição do evento, a pedagoga foi convidada a ministrar uma oficina para compartilhar seus conhecimentos sobre contação de histórias, e não faltou conteúdo para ajudar os futuros professores a aperfeiçoar suas habilidades na prática.

Tia Aninha deu dicas para alcançar objetivos educacionais por meio de contação de histórias. (Foto: Gian Cornachini)

Tia Aninha deu dicas para alcançar objetivos educacionais por meio de contação de histórias. (Foto: Gian Cornachini)

Para a profissional, o trabalho de contação de histórias requer que o professor seja sempre simpático, alegre, empático, e que receba seus alunos com sorriso e amor nos olhos, pois isso gera troca de confiança. Em relação à prática, Tia Aninha recomenda utilizar a voz em tons diferentes para marcar a mudança entre as figuras do conto. É necessário ter clareza e objetividade, além de usar palavras de fácil entendimento. É possível dar mais vivacidade à história munindo-se de artifícios corporais, como andar, correr e abusar de expressões faciais, pois, segundo a pedagoga, o corpo tem muito a falar, e isso ajuda a prender a atenção dos alunos: “Ao atrair a atenção, você terá bons resultados em seus objetivos, pois nenhuma contação de história é feita por fazer. A gente faz porque quer alcançar objetivos pedagógicos”, ressaltou Tia Aninha.

Orientação educacional atrelada às perspectivas profissionais nas escolas

Outra oficineira no evento foi a professora Selma Rosa de Oliveira, que ministrou a atividade “A orientação educacional da escola: uma possibilidade concreta de despertar perspectivas de vida profissional. O objetivo, com o trabalho, foi atentar para a importância do profissional de orientação educacional nas escolas e como ele pode auxiliar os alunos levando até eles um pouco do universo laboral, colaborando com suas futuras escolhas profissionais.

Selma: "O ideal é falar sobre o mundo do trabalho desde que os alunos são crianças". (Foto: Gian Cornachini)

Selma: “O ideal é falar sobre o mundo do trabalho desde que os alunos são crianças”. (Foto: Gian Cornachini)

A professora listou diversas práticas que podem ser adotadas na orientação educacional, e lembrou que trabalhar é praticamente uma regra de sobrevivência no modelo de sociedade em que vivemos, portanto é preciso que cada um seja feliz realizando suas tarefas: “O trabalho é nossa fonte de sustento, mas não nascemos para ser infelizes nele. É nessa perspectiva que o orientador educacional precisa trabalhar desde cedo na escola, e não deixar para fazer isso apenas no último ano do Ensino Médio. O ideal é falar sobre o mundo do trabalho desde que os alunos são crianças, não para ajuda-los desde cedo a fazer uma escolha, mas para que eles compreendam a sociedade em que estão inseridos e despertem sonhos”, propôs Selma.

Bonecas de barbante

O lúdico também se fez presente no universo adulto dos graduandos, enquanto despertava lembranças infantis em uma atividade oferecida por Célia Neves, coordenadora do curso de Ciências Sociais das FIC. Na Brinquedoteca, em meio a rolos de barbantes, retalhos de tecidos, lãs e outros materiais, a professora convidou as alunas a retomar suas histórias passadas enquanto confeccionavam bonecas com os fios e tecidos. A proposta era a de ligar o fazer pedagógico com as histórias pessoais das alunas: “Construindo bonecas de barbante, podemos retomar nossas histórias e pensar as diferentes identidades de cada uma presente na atividade. Isso é importante para lembrar como vamos tecendo nossas identidades e, no momento em que a gente for lidar com as crianças, também ajudá-las a trabalhar com isso”, destacou Célia.

Professora Célia Neves, do curso de Ciências Sociais, ensinou estudantes a confeccionarem bonecas de barbante enquanto relembram histórias infantis. (Foto: Gian Cornachini)

Professora Célia Neves, do curso de Ciências Sociais, ensinou estudantes a confeccionarem bonecas de barbante enquanto relembram histórias infantis. (Foto: Gian Cornachini)

Manifestações culturais regionais na Educação Infantil

Uma das oficinas mais animadas foi a “Manifestações culturais regionais na Educação Infantil”, ministrada pela professora Roberta Asa Branca e pelo estudante de Pedagogia  Helton Tinoco. Depois de uma apresentação teórica sobre as possibilidades da utilização de cirandas, cantigas e brincadeiras regionais, os estudantes foram à brincadeira e, ao som do atabaque e do pandeiro da professora, dançaram e cantaram sobre jacaré, mulheres rendeiras, caranguejos, entre outros temas.

“As brincadeiras e as manifestações regionais estabelecem canais de comunicação, de interação social, promovem o acolhimento de diferentes culturas, religiosidades e valores. Não é só colocar a musiquinha, tem uma construção, tem um porquê, faz parte de um contexto”, explicou Helton.

Na oficina de "Manifestações culturais regionais na Educação Infantil", os estudantes aprenderam a importância das cirandas, cantigas e brincaram. (Foto: Pollyana Lopes)

Na oficina de “Manifestações culturais regionais na Educação Infantil”, os estudantes aprenderam a importância das cirandas, cantigas e brincaram. (Foto: Pollyana Lopes)

Experiências em exposição no pátio

O pátio da FEUC também esteve movimentado durante a XXVII Semana, com apresentações de trabalhos e exposições de experiências realizadas por professores e alunos nos domínios da pedagogia. A professora e poeta Rita Gemino, por exemplo, este ano optou por trocar as palestras e discussões por uma atividade mais lúdica: levou para o pátio, em momentos diferentes, três dos muitos projetos que já desenvolveu de tecedura de painéis literários – “Fuxicos e poesias: tecendo a leitura de versos”, “A Dona Contrariada (a tecedura de versos)” e “A tecedura do poema infantil de Mário Quintana”. Essa é a proposta de Rita para se trabalhar a poesia em sala de aula – segundo ela, uma dificuldade sempre relatada pelos professores. “Nós preparamos os tecidos com trechos das poesias e espalhamos pelo chão. Enquanto a poesia é falada, os alunos vão encontrando os versos e montando o painel, pois os pedaços de tecido se unem com velcro. É uma forma lúdica de penetrar no universo da poesia”, explica.

Professores da casa relançam livros na FEUC

Jairo Campos e Luiza Alves apresentaram suas publicações na semana de Pedagogia. (Foto: Gian Cornachini)

Jairo Campos e Luiza Alves apresentaram suas publicações na semana de Pedagogia. (Foto: Gian Cornachini)

A vice-coordenadora de Pedagogia, Luiza Alves, e o professor Jairo Campos lançaram, no início deste ano, seus livros de estudo — frutos de teses de doutoramento. Durante a Semana do curso, eles aproveitaram para relançar as publicações na FEUC, de modo a compartilhar com os estudantes suas análises sobre o universo docente.

“Sobre Fios de Identidades Docentes na Escrita Profissional dos Professores” é a publicação de Luiza. O livro discorre sobre a escrita do professor em seus registros de classe e cadernos pessoais de plano, a partir da implementação de políticas públicas da Secretaria de Educação do Município do Rio que visaram a padronizar o modelo de ensino. “O professor não precisa mais planejar a aula, pois tudo já vem pronto. Cadê a sua autonomia, o protagonismo desse professor?”, criticou Luiza. O livro está disponível na livraria Saraiva ao valor de R$ 39,90 (cliqueaqui para conferi-lo).

Já a publicação do professor Jairo Campos se aprofunda nas políticas públicas voltadas para a educação do Rio de Janeiro. Sob o título “A Gestão Gerencial da Educação Pública da Cidade do Rio de Janeiro”, a pesquisa demonstra as controversas faces dessas políticas, que surgiram com objetivo de acabar com o analfabetismo funcional dos alunos gastando menos recursos financeiros. Porém, na prática, isso não tem acontecido. O livro está disponível na Paco Editorial ao valor de R$ 53,91 (cliqueaqui para conferi-lo).

XXVI Semana de Pedagogia das FIC discute práticas pedagógicas

A 26ª edição de um dos eventos mais tradicionais das Faculdades Integradas Campo-Grandenses teve três dias de atividades voltadas para a troca de experiências em sala de aula

Por Gian Cornachini e Pollyana Lopes
emfoco@feuc.br

“O professor e as práticas pedagógicas” foi o tema da XXVI Semana de Pedagogia, que aconteceu esta semana nas FIC, entre os dias 18 e 20. Durante as manhãs e noites do evento, os estudantes puderam participar de palestras, minicursos, rodas de conversa, oficinas e apresentações teatrais. O afeto para além da relação de ternura e carinho, citado em diversas palestras como necessário para a prática docente, escapou da fala e se materializou no decorrer do evento.

Homenagem arrancou lágrimas de professores. (Foto:  Pollyana Lopes)

Homenagem arrancou lágrimas de professores. (Foto: Pollyana Lopes)

Logo na abertura, após a apresentação de uma música em Libras por alunas do segundo período, comandadas pela professora Maria José Brum, o protocolo do cerimonial foi quebrado para uma homenagem às professoras Maria Licia Torres e Luiza Alves de Oliveira. Estudantes do terceiro período de Pedagogia cantaram e tocaram a música “O Professor”. Em seguida, o mestre de cerimônias, professor Marco Antonio Chaves de Almeida, também foi reverenciado com uma música cantada pelo grupo.

Palestras

O evento contou com diversas palestras de professores da casa e convidados de outras instituições. A doutora em Educação pela UFRJ Bruna Molisani Alves, chamada a abordar a temática “Práticas pedagógicas na Educação Infantil”, apresentou sua pesquisa de doutorado recém-finalizada, na qual ela analisou os discursos de professores em formação sobre o trabalho com a linguagem da educação infantil. Como trabalhou apenas com o discurso das professoras, Bruna ressaltou que sua pesquisa tem valor acadêmico, mas que cabe aos professores conhecer a fundo a realidade das escolas. “A gente tem filosofias, a gente tem pressupostos, a gente tem teorias, mas é preciso abrir a janela. No meu entender é preciso entrar na escola. É preciso olhar o cotidiano, é preciso ver o que acontece”, disse.

O percurso profissional da professora Maria Licia Torres foi o tema da sua palestra: “Eu (professor), a sala de aula e os desafios da prática docente na atualidade”. Maria Licia contou que os muitos anos de experiência em diversas modalidades de ensino a ensinaram que não existe fórmula para a atuação de um professor, e que o trabalho deve ser valorizado pelos profissionais. “Todas as trajetórias que a gente passa, que vocês com certeza vão passar também em municípios e estados, não tem como a gente dizer ‘faz isso’ ou ‘faz aquilo’. A teoria é fundamental, ela me ajudou e eu fui buscar outras teorias. Mas é no estudar, no ler, que se faz o profissional. Nós temos que ser eternos aprendizes”, sublinhou Maria Licia.

Trazendo exemplos de práticas pedagógicas que funcionam,  Talita demonstrou que, muitas vezes, o esforço dos professores não é reconhecido nos indicadores instituídos pelos governos. (Foto: Pollyana Lopes)

Trazendo exemplos de práticas pedagógicas que funcionam, Talita demonstrou que, muitas vezes, o esforço dos professores não é reconhecido nos indicadores instituídos pelos governos. (Foto: Pollyana Lopes)

A doutora em educação pela UERJ Talita Vidal Pereira falou sobre as alternativas para o Ensino de Ciências Naturais e reforçou as relações entre os pesquisadores e os professores do ensino básico. Sobre sua pesquisa, ela explicou: “Como eu pesquiso alternativas no ensino de ciências nos anos iniciais, pode parecer que eu tenho aqui uma proposta para melhorar a atuação do professor. Pelo contrário, eu fui na escola para ver o que esse professor está fazendo que os pesquisadores e os gestores estão olhando de fora e estão falando que ele não sabe trabalhar, mas que são práticas que funcionam, que os alunos entendem”, explica a professora. Talita fez críticas aos modelos de avaliação da qualidade do ensino público, mas advertiu: “Na hora que a gente vai analisar as políticas que estão sendo propostas para a escola, ajuda muito se a gente não pensar que tem alguém tramando isso contra nós”, pondera.

Na palestra “O domínio das práticas pedagógicas na sala de aula”, a mestre em educação Dimarina Lima falou sobre a postura, os métodos e o papel do professor na sua atuação cotidiana. Com experiência de quem já trabalhou em diferentes funções dentro das escolas, a professora aponta de onde podem vir as melhorias na educação. “Não espere mudança de governo. As secretarias de educação não pensam, historicamente falando, educação para a população. Eles pensam em educação em benefício próprio. Somos nós, professores, na nossa sala de aula, que vamos mudar alguma coisa, e isso tem que começar pelas práticas”, disse. Dimarina também lembrou as responsabilidades dos professores: “Ter um discurso comprometido politicamente é estar comprometido com a qualidade da educação. Começando com você, professor, começando pela qualidade da aula que você vai apresentar ao seu aluno.”

Professor Marco Antônio: "Você não é importante pelo o que sabe, mas pelo o que faz com o que sabe". (Foto: Gian Cornachini)

Professor Marco Antônio: “Você não é importante pelo o que sabe, mas pelo o que faz com o que sabe”. (Foto: Gian Cornachini)

O professor da casa Marco Antonio Chaves, psicólogo por formação, também foi um dos palestrantes da Semana. Ele abordou a temática do processo de construção de conhecimento em sala de aula, e apontou o professor como o principal responsável pela não aprendizagem do aluno. “Meu papel enquanto educador é de me desgastar, tentar encantar ao máximo, ser o facilitador, para que o aluno não saia daqui ignorando toda a minha fala”, explicou ele. “Fazer aprender é sempre muito difícil, porque depende da sua vontade. Seu aluno irá aprender se você quiser, porque você não é importante pelo que sabe, mas pelo que faz com o que sabe”, destacou.

Gilda Alves Batista, também professora do curso de Pedagogia das FIC, retomou algumas falas de Marco Antonio para lembrar a importância de o docente mudar suas práticas pedagógicas com o objetivo de trocar conhecimento com todos os estudantes: “Temos que buscar meios possíveis para que o aprendizado seja eficaz e efetivo no lugar em que você está exercendo a sua profissão”, recomentou ela, que abordou em sua palestra o tema “O professor e a diversidade na sala de aula”. Segundo Gilda, é dever do professor reconhecer que os alunos têm tempos e estilos de aprender diferentes e, portanto, é preciso também diferenciar o modo de ensinar: “As diferenças na sala de aula foram vistas durante muito tempo como algo negativo. Mas se o aluno não aprendeu, é a minha metodologia que está equivocada. Então, a partir da minha reflexão, eu tenho que mudar meus hábitos”, ressaltou Gilda.

Professora Gilda discutiu a pedagogia diferenciada, que prevê diferentes modos de ensinar, visto que salas de aulas são heterogêneas. (Foto: Gian Cornachini)

Professora Gilda discutiu a pedagogia diferenciada, que prevê diferentes modos de ensinar, visto que salas de aulas são heterogêneas. (Foto: Gian Cornachini)

Oficinas

Em oficina, professora de artes ensinou técnicas de como aproveitar a linguagem do cinema como ferramenta pedagógica. (Foto: Gian Cornachini)

Em oficina, professora de artes ensinou técnicas de como aproveitar a linguagem do cinema como ferramenta pedagógica. (Foto: Gian Cornachini)

O evento contou ainda com oficinas oferecidas por diversos profissionais a fim de compartilhar conhecimento com os futuros pedagogos. Jordana Seixas, professora de artes da rede estadual e municipal de ensino e mestranda em Teatro na Unirio, ofereceu uma atividade sobre o cinema em sala de aula. Ela deu dicas de como criar um roteiro, storyboard e cenários para fazer um curta-metragem com estudantes do Ensino Fundamental e Médio. “Eu percebi que o cinema é uma linguagem de muito interesse dos jovens, e que eu poderia estar trabalhando de forma a utilizar os conteúdos curriculares e ampliar o repertório cultural dos alunos”, disse Jordana.

A professora mostrou trabalhos realizados com seus alunos, como histórias feitas em Stop Motion – vídeo produzido a partir de uma sequência de fotos, mexendo o objeto a cada intervalo para criar a sequência da ação – e lembrou que é possível trabalhar o cinema em sala de aula, ainda que o professor não saiba utilizar recursos tecnológicos e fazer edição de vídeo: “Você pode passar um filme e trabalhar o pensamento crítico dos alunos, trabalhar desenhos, a parte textual. O importante é buscar alternativas que seduzam os estudantes”, sugeriu ela.

Valdemar terminou oficina com desafio para ilustrar planejamento em equipe. (Foto: Gian Cornachini)

Valdemar terminou oficina com desafio para ilustrar planejamento em equipe. (Foto: Gian Cornachini)

Já o professor Valdemar Silva, que também é coordenador Acadêmico das FIC, deu uma oficina sobre a importância do planejamento como eixo central da prática pedagógica. No início de sua atividade, ele apresentou slides com imagens do livro Zoom, de Istvan Banyai (acesse-o aqui), para explicar que nosso entendimento sobre os fatos depende sempre do nosso ponto de vista, e que “verdades que carregamos como verdades absolutas nos levam a um único caminho a seguir”. A frase dita por Valdemar serviu pala ilustrar a mensagem principal de sua atividade: “Não tem receita de bolo na pedagogia. É preciso meter a mão na massa e fazer. E o planejamento vai permitir prever o futuro e evitar a improvisação”, afirmou Valdemar. “O ator de planejar é, em primeiro de tudo, respeito ao aluno”, frisou o professor, terminando sua oficina com um grande círculo formado pelos presentes. De mãos dadas e com o corpo virado para o centro da roda, o objetivo era que todos virassem para fora sem que os braços se cruzassem – um desafio para fomentar o planejamento em equipe.

Apresentação teatral

Para finalizar a Semana de Pedagogia, o professor de teatro da FEUC, Adriano Marcelo, fez uma encenação teatral nos encerramentos da manhã e da noite, no último dia do evento. A peça narrou o desenvolvimento do processo criativo e de formação crítica de um sujeito que era o arquétipo de um pedagogo. No ambiente com pouca iluminação, as luzes coloridas – ora acesas, ora apagadas – representavam a transição de momentos muitas vezes vividos simultaneamente. Produzir um objeto em massinha e encontrar novos significados para o mesmo item é parte do processo de amadurecimento da personagem, que finaliza a apresentação chamando a plateia para o exercício da pedagogia.

Entre outros objetos, compunham o cenário uma luminária de coruja, símbolo da educação, e uma fotografia de Paulo Freire, renomado pedagogo brasileiro. (Foto: Pollyana Lopes)

Entre outros objetos, compunham o cenário uma luminária de coruja, símbolo da educação, e uma fotografia de Paulo Freire, renomado pedagogo brasileiro. (Foto: Pollyana Lopes)

De acordo com Adriano, o objetivo da peça foi estimular os futuros professores e alertá-los para a importância do papel que eles exercem na vida de um cidadão em construção. Se o propósito foi atingido? O próprio Adriano comenta: “O resultado de estimular esse sentimento, essa consciência de quem está assistindo: ‘caramba, foi para isso mesmo que fui chamado’, essa certeza de ser educador, foi alcançado. As pessoas vieram falar comigo e disseram que realmente tiveram aceso o estímulo de continuar a seguir na educação.”XXVI Semana de Pedagogia FEUC (2)

Luiza Alves e Maria Licia Torres, respectivamente coordenadora e vice-coordenadora de Pedagogia, assistem à homenagem. (Foto: Pollyana Lopes)

Luiza Alves e Maria Licia Torres, respectivamente coordenadora e vice-coordenadora de Pedagogia, assistem à homenagem. (Foto: Pollyana Lopes)

XXVI Semana de Pedagogia FEUC (1)

25ª edição da Semana de Pedagogia traz para o debate a avaliação de ensino

 

Durante as manhãs e noites dos dias 22, 23 e 24 de setembro, evento proporcionou a abertura para debater temas como a padronização de avaliações e a cultura da escola

Por Tania Neves e Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

A XXV Semana de Pedagogia embarcou na onda do Enade – Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, prova que tem por objetivo medir o rendimento dos formandos em relação ao conteúdo programático previsto em seus cursos superiores – e abordou em suas diversas atividades programadas o tema da avaliação. Em três dias – de 22 a 24 de setembro – o evento contou com diversas palestras que tinham o objetivo de discutir, entre tantos temas, o ensino tradicional, a educação do campo, a educação inclusiva e a importância de pensar e repensar a avaliação para todos os tipos de estudantes e culturas nas quais a escola está inserida.

Segunda-feira, dia 22

Já na abertura, após uma belíssima participação das alunas de 3º período da professora Maria José Brum, que cantaram e encenaram em Libras a música “Aos olhos do pai”, o doutorando em Educação pela UFRJ Jairo Campos dos Santos instigou o auditório com a palestra “A influência do gerencialismo na avaliação escolar”. Ele trouxe alguns dados de sua pesquisa para debater com os estudantes o modo como hoje se faz a avaliação dos alunos, e o que isso representa em um projeto de Educação. A começar por uma charge que ele exibiu, mostrando que uma avaliação padronizada não tem o poder de detectar as naturais diferenças entre os alunos, o assunto rendeu.

Charge mostrada no começo da palestra representa problemas da avaliação padronizada.

Charge mostrada no começo da palestra representa problemas da avaliação padronizada.

“O sistema gerencial se preocupa com metas, padrões, regularidades, mas Educação não é isso. Há coisas que não podem ser medidas pelo sistema gerencial”, disse o professor, que logo depois ilustrou sua fala com o exemplo de uma escola em que os professores “treinaram” seus alunos para fazer uma boa prova do Ideb, mas momentos antes da prova houve um forte tiroteio na comunidade e todos ficaram muito abalados, o que se refletiu nas notas, baixas.

De modo geral, as intervenções de alunos e professores presentes na plateia chamaram a atenção para a importância do papel do professor para a mudança do quadro atual, em que os aspectos de produtividade e meritocracia estão se sobrepondo aos preceitos de uma educação libertadora e com aporte de elementos críticos para que os estudantes possam refletir sobre a realidade em que vivem. Por fim o professor fez uma projeção animadora: “Acredito que o Magistério, mais do que nunca, é uma profissão do futuro. E um futuro não muito longe, está aí batendo na porta. É uma profissão que está muito próxima de ser novamente valorizada como já foi um dia. Por isso, estudem!”, conclamou Jairo.

Em outro espaço – com plateia lotada – a professora Rosana Benatti conduziu a mesa-redonda “A escola atual e suas nuances no processo de ensino aprendizagem. De quem é a culpa?”. Após a exposição de um quadro sobre a Educação pública muito parecido com o abordado por Jairo em sua palestra – em que as secretarias impõem um projeto fechado, sem muito espaço para o professor interferir – Rosana insistiu que o papel do professor tem que ser justamente achar as brechas para interferir. A tecla principal em que a professora batia era: “A gente precisa mudar isso. Vocês estão se formando para mudar isso”.

Em suas participações, alguns estudantes relataram experiências que tiveram como pais de alunos ou já como professores na rede, confirmando que é possível sim fazer a sua parte para mudar, mesmo quando o sistema obriga à aceitação do status quo: “Eu começo por refletir sobre a nossa realidade hoje, a nossa formação. Vejo colegas se queixando, ‘ah, essa matéria é chata’, mas eu não sinto assim: busco complementar com outros saberes, passei o fim de semana vendo filmes que têm a ver com a gente. Quero crescer, quero que meu vocabulário mude, quero aproveitar a faculdade. Tem gente que só reclama, que começa [a faculdade] e termina do mesmo jeito. Que profissional vai ser lá na frente?”, questionou a aluna Flávia.

À noite, no Auditório FEUC, uma mesa-redonda com a professora Gabriela dos Santos Barbosa, doutora em Matemática e coordenadora da pós-graduação das FIC, e a professora Rosilda Benacchio, doutora em Educação e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), foi proposta para debater a temática “Educação no Campo”. Gabriela contou sobre os dez anos de experiência que teve com o ensino de matemática na aldeia indígena Sapukai, em Angra dos Rios, no litoral sul do Rio de Janeiro. A professora fez parte de um curso para formação de agente de saúde local, e foi nesse projeto que ela percebeu ainda mais o quanto a matemática também é uma produção cultural. “Eu perguntava: quantos quilômetros tem daqui até o centro de Angra? E eles respondiam ‘três dias’. Mas, como assim três dias? Vocês acham que isso é uma unidade de medida de distância?”, questionou Gabriela. “Sim, e associada à velocidade, ao tempo e a algum outro elemento que a minha matemática não está envolvendo”, destacou ela, propondo que cada grupo social, inclusive aqueles afastados dos centros urbanos, tem o seu próprio modo de ver o mundo.

Professora Rosilda Benacchio, da UFF, e Gabriela Barbosa, da pós-graduação da FEUC, discutem Educação do Campo. (Foto: Gian Cornachini)

Professora Rosilda Benacchio, da UFF, e Gabriela Barbosa, da pós-graduação da FEUC, discutem Educação do Campo. (Foto: Gian Cornachini)

Aproveitando o gancho do assunto, a professora Rosilda ressaltou que populações do campo, ribeirinhas e caiçaras sempre foram vistas pela ótica das populações urbanas como atrasadas, e as escolas que as atendem muitas vezes não dialogam com a realidade cultural dessas regiões: “Há comunidades que trabalham com a prática da alternância. Os pescadores, por exemplo, precisam estar no mar em alguns períodos. As escolas desses lugares não podem ter a mesma organização de tempo e espaço como a da escola regular”, frisou a professora. Portanto, de acordo com Rosilda, a educação do campo pressupõe que o estudante compreenda quais são as suas implicações locais e a realidade do seu território: “Eles têm um modo diferente de ver o território e a natureza em que estão inseridos. E a escola tem que ter uma abertura para o conhecimento construído dentro da própria comunidade”, afirmou.

Após a mesa-redonda de Educação no Campo, Miriam de Oliveira Santos, pós-doutora em Sociologia e professora do mestrado em Ciências Sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), destacou a importância de o professor se sentir responsável pelo desenvolvimento do estudante. Segundo Miriam, a avaliação está ligada muito mais ao planejamento do professor do que ao desempenho do estudante: “A gente avalia a partir dos nossos objetivos. Antes de atingi-los, eu preciso pensar que tipo de aluno eu tenho e o que é relevante para ele aprender, pois é a partir dele que eu vou definir o conteúdo que será trabalhado ao longo do bimestre e do semestre”, disse a professora.

Miriam também reforçou que avaliação não é um instrumento de tortura, mas uma ferramenta para nortear o trabalho do professor: “Se a gente não avaliar, não consegue replanejar e seguir em frente, ter um norte para alcançar nossos objetivos”, ponderou.

Antes de concluir sua fala, Miriam fez uma crítica ao atual modelo de educação que pensa economicamente o utilitarismo das disciplinas, ou seja, se aquilo que é aprendido na escola tem utilidade para o mercado. “Na reunião do conselho de classe, sempre há aquela visão de que português e matemática são importantes, mas educação física, não. Apesar de a gente viver num mundo utilitarista, as coisas que não têm valor de mercado também são importantes”, constatou ela.

Terça-feira, dia 23

Ex-aluna das FIC, pedagoga Roselia faz dinâmica com estudantes. (Foto: Gian Cornachini)

Ex-aluna das FIC, pedagoga Roselia faz dinâmica com estudantes. (Foto: Gian Cornachini)

Uma das palestras que se destacaram na manhã do segundo dia do evento foi a de Roselia Miguez Nascimento, formada em Pedagogia nas FIC e hoje agente local de inovação do SEBRAE/RJ, onde atua realizando treinamento de pessoal em empresas. Com muito bom humor, Roselia deu a palestra “A Pedagogia Empresarial: a atuação dos profissionais de Educação no treinamento do colaborador/equipe” e cativou o público ao aplicar uma dinâmica que consistiu em uma espécie da famosa brincadeira “batata-quente”. Ela escolheu duas pessoas aleatórias entre o público e pediu que fossem passando para os colegas ao lado os dois recipientes entregues a eles, de maneira que aqueles que ficassem com os objetos nas mãos quando ela anunciasse o fim dos repasses deveriam revelar o conteúdo dos recipientes. Antes disso, muitos repassaram os objetos sem nem tocá-los, visivelmente expressando medo de serem os escolhidos.

“Quando eu propus a dinâmica, ouvi todo mundo falando ‘ai, meu Deus’, ‘ai, Jesus’. Eu propus uma dinâmica, e não para que se matassem”, brincou a pedagoga, pedindo para que os dois estudantes finais revelassem o conteúdo misterioso. “Trufas de maracujá. Se eu falasse que eram trufas, ninguém iria passar para ninguém. Vocês agem assim porque têm medo do desconhecido. Se vocês estão em um treinamento, isso tudo é avaliado”, alertou Roselia.

Em seguida, a descontração deu lugar a um assunto bem sério para aquela manhã. A organização da XXV Semana de Pedagogia não deixou de incluir na programação do evento um momento para se discutir a temática “Avaliação e inclusão: uma questão em aberto”. A doutora em Eucação Marcia Denise Pletsch, professora da UFRRJ, debateu a escolarização de estudantes com deficiências físicas e cognitivas e as avaliações desses alunos.

Marcia Denise Pletsch, professora da UFRRJ, debateu a escolarização de estudantes com deficiências físicas e cognitivas. (Foto: Gian Cornachini)

Marcia Denise Pletsch, professora da UFRRJ, debateu a escolarização de estudantes com deficiências físicas e cognitivas. (Foto: Gian Cornachini)

Marcia apontou que ainda hoje não existe clareza nas propostas do ensino inclusivo: “Cada escola desenvolve um trabalho da maneira que acha que deve ser. Os estados e municípios não sabem ao certo sobre os instrumentos de avaliação a serem utilizados”, disse ela. Porém, a professora reforçou que o Brasil tem produzido muito conhecimento em relação ao assunto, mas falta vontade política para que esse conhecimento saia da teoria e se aplique às salas de aula: “Vários países já adotaram um modelo de escolarização levando em conta o desenvolvimento do próprio sujeito, que se dá pela perspectiva dele para ele, e não o comparando com o colega ao lado. Já temos produção acadêmica para mudar a realidade do nosso ensino, mas o descompasso entre o que é produzido e o que é aplicado é muito grande, graças aos nossos governantes”, lamentou ela.

Quarta-feira, dia 24

José Henrique Freitas: "Em Educação, as coisas custam a mudar". (Foto: Gian Cornachini)

José Henrique Freitas: “Em Educação, as coisas custam a mudar”. (Foto: Gian Cornachini)

Esse descompasso apontado pela professora Marcia ficou ainda mais claro para o público do evento durante a palestra final da XXV Semana de Pedagogia, que aconteceu na noite de quarta-feira. O professor José Henrique Freitas, da Secretaria Municipal de Educação (SME), deu a palestra “Educação Multicultural: percurso para revisitar princípios e objetivos na avaliação escolar”, e insistiu fortemente na relação da cultura com a educação pedagógica.

Para ele, a mudança na Educação é difícil de acontecer por se tratar de uma cultura praticada há anos, ou seja, desde que todos nós passamos a frequentar a escola vemos o mesmo modelo conteudista de ensino e de avaliação replicados em todos os lugares: “Em Educação, as coisas custam a mudar. Então, a gente fica discutindo as mesmas coisas há muito tempo, porque discutimos assuntos arraigados na cultura”, explicou ele. “Não estamos mexendo apenas com procedimentos técnicos, funcionais. Estamos mexendo com valores de pessoas, com a ideia do que elas têm de educação”, completou. Ainda assim, ele vê na própria educação a possibilidade de surgir mudanças: “O ato cultural de educar é um ato legitimamente de libertação e transformação”, concluiu o professor.

Antes que se desse por encerrada a Semana de Pedagogia, os professores Flávio Pimentel, na guitarra acústica, e Umberto Eller, no vocal, abrilhantaram a última hora do evento com uma apresentação de música ao vivo, que pode ser conferida em resumo aqui embaixo, em um vídeo que a FEUC em Foco preparou especialmente para os leitores:

Professores fazem apresentação musical no encerramento da XXV Semana de Pedagogia [VÍDEO]

Balanço geral do evento

A coordenadora de Pedagogia, professora Maria Licia Torres, afirmou que 382 pessoas se inscreveram para o evento. Apesar de o número representar mais que 50% do total de estudantes do curso nas FIC, Maria Licia espera que nas edições futuras a participação aumente: “O total de alunos este ano ainda não é o que desejamos. Muitos não entenderam que participar da Semana de Pedagogia tem o mesmo peso de participar de uma aula, pois as palestras também ensinam”, relatou a professora. “Esse evento não é dos coordenadores e dos professores, é de todos nós. E eu saio daqui gratificada por esse trabalho tão belo e com o desejo de que mais professores e alunos participem”.

Maria Licia ainda contou uma novidade: a partir deste ano, um caderno de resumos digital e com número de registro ISBN será publicado ao fim de cada Semana de Pedagogia, contendo os resumos das palestras escritas pelos próprios palestrantes. Para a professora, todos saem ganhando com a conquista: “Os estudantes que participaram da Semana irão receber um CD com o caderno de resumos, que também contará muito para o Currículo Lattes de cada palestrante”, destacou ela.

XXV Semana de Pedagogia discute ‘Avaliação’

 

Programação completa do evento já está disponível; inscrições vão até o dia 22

Da Redação
emfoco@feuc.br

Acontece na semana que vem a XXV Semana de Pedagogia da FEUC, nos dias 22, 23 e 24 de setembro. Com a aproximação do Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade), a prova do Ministério da Educação (MEC) virou tema do evento, que discutirá “Avaliação: reflexões e práticas”. No entanto, a proposta da Semana é ir além do assunto Enade e abrir o leque para questões como avaliação institucional e avaliação de aprendizagem. A Semana contará com atividades como palestras, mesas-redondas, filmes seguidos de debates, apresentações de trabalhos e oficinas. O encerramento será abrilhantado com música ao vivo, protagonizada pelos professores Flávio Pimentel e Umberto Eller.

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Para a professora Maria Licia Torres, coordenadora do curso de Pedagogia das FIC, a avaliação é tema corriqueiro nas atividades de um futuro pedagogo, que pode trabalhar em diferentes esferas de gerenciamento na área da educação, além de desempenhar constantemente o papel de avaliador de seus estudantes: “Não há qualidade sem avaliação, que é parte do processo de aprender, e o pedagogo precisa compreender a importância disso”, aponta a professora. “A avaliação não deve ser encarada como punição, mas como um instrumento que ajuda a medir a qualidade do ensino e do trabalho, e é isso que queremos debater nesse encontro”, ressalta Maria Licia.

Para conferir a programação completa da XXV Semana de Pedagogia da FEUC, clique aqui. As inscrições estão abertas até o dia 22 e podem ser feitas pela área restrita dos alunos ou no setor de Cursos Livres. O investimento é de R$ 15,00 e o evento rende 30 horas de atividades complementares, com direito a certificado.

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Professores, diretores de colégios e estudantes contaram suas experiências com a educação no cotidiano escolar

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

A XXIV Semana de Pedagogia da FEUC começou na segunda-feira, dia 23, e se encerrou ontem, dia 25. Durante três dias, palestrantes, professores e alunos discutiram o tema “Educação Ambiental e Direitos Humanos: qual o papel do pedagogo neste contexto?”. O objetivo foi debater as ações do pedagogo a partir dos direitos básicos do homem, da responsabilidade de preservação do meio ambiente e do respeito à vida. O evento contou com palestras, oficinas, debates, exibição de filmes, rodas de conversas e apresentação de trabalhos dos estudantes, espalhados por toda a instituição, durante os três turnos do dia.

Abertura

A 24ª edição da Semana de Pedagogia se iniciou no Auditório da FEUC com uma notícia muito positiva. Em suas primeiras palavras, a professora Maria Lícia Torres, coordenadora de Pedagogia, expressou sua satisfação com a reavaliação do MEC, que brindou o curso com a nota 4: “Tenho uma satisfação imensa em abrir esta semana, ainda mais com a nossa nota 4”, disse Maria Lícia. “Temos a responsabilidade de conservá-la e ir além para proporcionar o que esta casa sempre fez: educação de qualidade”, ressaltou.

Em seguida, um grupo de estudantes coordenado pela professora Maria José da Gama Brum fez uma apresentação da música “Maior que as muralhas”, da banda Fresno, na Língua Brasileiras de Sinais (Libras). O auditório esteve todo escuro enquanto uma luz negra fazia brilhar somente as luvas brancas dos alunos vestidos com roupas pretas. O efeito dessa técnica criava uma ilusão de mãos dançantes, que levitavam e expressavam a letra da música em Libras.

A abertura da XXIV Semana de Pedagogia contou com uma apresentação musical em Libras.(Foto: Gian Cornachini)

A abertura da XXIV Semana de Pedagogia contou com uma apresentação musical em Libras.
(Foto: Gian Cornachini)

Depois da apresentação, houve uma breve cerimônia de Ação de Graças em memória do professor Wilson Choei, presidente da FEUC nos últimos 21 anos e que faleceu em agosto passado. Luiza Alves de Oliveira, vice-coordenadora de Pedagogia, leu uma carta escrita por ela e por Maria Lícia. O texto lamentava a morte do professor e o colocava como exemplo a ser seguido: “Mais do que educador, gestor, pesquisador e cientista, Choeri também era um ser humano íntegro e comprometido com valores sociais e humanos como respeito, dignidade, humildade, sabedoria e a crença na esperança para construir uma nova história humana”, afirmou Luiza, reforçando que a comunidade acadêmica deve ter os mesmos sonhos de Choeri: “Esperamos construir uma nova história para nossas vidas e para a história desse país”, concluiu ela.

Vídeo homenageou professor Wilson Choeri.(Foto: Gian Cornachini)

Vídeo homenageou professor Wilson Choeri.
(Foto: Gian Cornachini)

Após a leitura da carta, foi feita uma oração ecumênica e a apresentação de um vídeo com fotos de Choeri, elaborado pela professora Maria Lícia. O vídeo poético descrevia a pessoa de Choeri e fazia uma reflexão sobre a vida. “A carta e o vídeo são nossa singela homenagem para uma pessoa que deixa um legado de sabedoria e ensinamento para nós”, reconheceu Maria Lícia.

O pedagogo bem intencionado

No primeiro dia do evento, a pedagoga Sonia Norberto Gama, uma figura conhecida na FEUC, abriu a XXIV Semana de Pedagogia com a palestra “Infância e Desenvolvimento – uma questão de direito”. Sonia dá aula na pós-graduação em Pedagogia na FEUC e foi coordenadora da graduação até 2009. Durante dez anos, foi diretora da Creche Municipal Sempre Vida Professora Eugenea Maria Veloso Marchese, localizada na comunidade Aguiar Torres, em Inhoaíba, na Zona Oeste. A palestra foi proferida em cima de experiências e lutas diárias que a pedagoga teve na creche.

Sobre a atuação do pedagogo, Sonia fez algumas considerações: “Todas as nossas ações não são neutras. Elas têm intenções. Se o pedagogo tem uma boa formação e sabe das suas intenções, vai formar pessoas melhores e esclarecidas”, afirmou ela, lançando uma pergunta crítica em seguida: “Temos a intenção de transformar ou manter o que está?”, provocou.

Pedagoga Sonia experiências profissionais como diretora de uma creche. (Foto: Gian Cornachini)

Pedagoga Sonia contou suas experiências como diretora de uma creche. (Foto: Gian Cornachini)

Como exemplo prático do educador que transforma as pessoas, Sonia contou a história de uma criança com limitação de movimentos que ela atendeu na creche em que era diretora. O garoto tinha necessidades educativas especiais e a escola não dispunha de vaga para ele. “Aquela criança, como todas, tinha o direito à educação, mas não foi contemplada pelo sorteio entre os inscritos na lista de espera”, relatou Sonia.

A pedagoga, ciente de suas intenções, se esforçou e conseguiu fazer com que o menino entrasse para a creche e recebesse toda a atenção necessária para o seu desenvolvimento: “O conhecimento tem que me tornar melhor para ajudar o outro, se não ele não tem valor. Eu não poderia brigar diretamente com a secretaria de Educação porque eu estava na direção da creche, mas poderia orientar a mãe sobre como agir”, explicou Sonia.

Estudos da mente para a área da Educação

Na terça-feira, uma palestra da manhã se repetiu à noite devido ao teor da temática, que é novidade no campo teórico da Pedagogia: “A neurociência como ferramenta pedagógica na ação do pedagogo”. Quem falou sobre o tema foi o convidado Robson Cavalcante, mestre em Educação, Cultura e Comunicação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisador dos campos do letramento, alfabetização, leitura e escrita.

O pesquisador Robson apresentou chamou a atenção para o estudo da neurociência aplicado às práticas pedagógicas. (Foto: Gian Cornchini)

O pesquisador Robson apresentou chamou a atenção para o estudo da neurociência aplicado às práticas pedagógicas. (Foto: Gian Cornchini)

A neurociência é o estudo científico do sistema nervoso e, segundo Robson, esses estudos ainda são pouco aproveitados pela educação: “Quem aqui se interessar por isso estará em uma vanguarda”, indicou ele. “Nós, professores, estamos mais atrasados que os médicos e psicólogos. Nós não estudamos tanto os comportamentos que envolvem a aprendizagem”, lamentou o pesquisador.

Um dos exemplos ligados à neurociência e aplicados à educação é a postura de elogiar o estudante. Alunos que recebem elogios tornam-se motivados a ampliar e incrementar seu conhecimento, e a crítica em excesso atrapalha o aprendizado. Mas, de acordo com Robson, a escola desqualifica o campo das emoções, que são essenciais para o aprendizado: “O próprio professor que ensina com uma cara de desanimado e sem dar um sorriso passa uma imagem que gera uma emoção aos estudantes. Como é que eles vão aprender melhor com alguém que não passa tranquilidade e motivação?”, questionou o pesquisador. “Por isso, precisamos estudar a neurociência para que a gente possa ensinar mais e de maneira melhor, e promover mudanças na aprendizagem do aluno”, orientou Robson.

Rodas de conversas e experiências

Na noite de encerramento, rodas de conversas estimularam os professores, convidados e o público participante a debater e trocar experiências sobre o dia a dia nas salas de aula.

Aparecida Tiradentes Santos, doutora em Educação e professora há 20 anos na pós-graduação em Pedagogia na FEUC, montou a roda de leitura “A superação do fracasso escolar como Direito Humano fundamental”. Na atividade, Aparecida utilizou seu livro “Listrinho – crônicas para professores” (à venda na Livraria Cultura) para discutir questões ligadas aos problemas com os quais o professor se depara em salas de aula. As crônicas do livro são sobre histórias vividas pela própria autora em escolas de locais carentes na região do bairro de Campo Grande.

Professora montou uma roda de leitura para conversar sobre situações vividas no dia a dia em sala de aula. (Foto: Gian Cornachini)

Professora montou uma roda de leitura para conversar sobre situações vividas no dia a dia em sala de aula. (Foto: Gian Cornachini)

A partir da leitura em grupo de trechos do livro, foi discutido o problema do fracasso escolar, ou seja, alunos que repetem vários anos e ficam por muito tempo nas mesmas séries, tendo que conviver com crianças mais novas que eles e, até mesmo, utilizar carteiras que não são feitas para seus tamanhos.

Para Aparecida, o educador precisa ter olhar sensível sobre essas crianças: “O educador tem que buscar entender qual o problema do seu aluno e ajudá-lo a quebrar o rótulo de que ele é incapaz de aprender”, ressaltou.

Em outra roda de conversa, a professora Janice Rosane Silva Souza trouxe ex-alunos, professores e o diretor do CIEP Major Manoel Gomes Arches, no Jardim Palmares, para exporem suas experiências com o Programa de Educação de Jovens e Adultos (PEJA).

Adenir ficou 52 anos longe das salas de aula e voltou a estudar na escola em que ajudou a construir. (Foto: Gian Cornachini)

Adenir ficou 52 anos longe das salas de aula e voltou a estudar na escola em que ajudou a construir. (Foto: Gian Cornachini)

Adenir Alves da Silva, de 65 anos, se formou recentemente no PEJA e contou como foi voltar aos estudos: “Passei 52 anos sem entrar em uma sala de aula. Trabalhei como pedreiro e ajudei a construir essa escola. Sou velho, mas não quis ficar parado no sofá assistindo televisão. Foi muito bom voltar à escola depois de cinco décadas”, disse, contente, Adenir.

Alguns professores também externaram a satisfação em educar adultos e idosos. Foi o caso de Stanislaw Perezynski, que dá aulas de História e Geografia para o PEJA no CIEP. “A gente tem o aluno mais como um companheiro de trabalho do que como um adversário, que é o caso dos adolescentes no Ensino Regular. Mesmo assim, é um desafio, porque trabalhamos com pessoas que têm mais experiência de vida que a gente. Mas todas as dificuldades são superadas com a boa vontade”, esclareceu o professor.

Francisco Liberato do Nascimento, diretor do colégio, revelou que é mais fácil educar adultos e idosos do que crianças: “A criança vai obrigada para a escola, sem interesse. Muitas vezes não sabe nem por que está indo para lá. Já com a turma do PEJA é diferente. O aluno está lá porque tem interesse em ir à escola, pois tem um sonho a ser realizado. E quando ele chega, o ambiente muda. Se alguém quiser fazer bagunça, os outros chamam a atenção porque são pessoas maduras. O professor fica mais à vontade para ensinar e até mesmo brincar”, avaliou o diretor.

Ao fim do encontro, os ex-alunos do PEJA cantaram o arranjo musical gospel “Oh happy day”, de Edwin Hawkins Singers. Ouça abaixo a apresentação musical:

Ex-alunos do PEJA apresentaram uma canção na noite de encerramento da Semana de Pedagogia. (Foto: Gian Cornachini)

Ex-alunos do PEJA apresentaram uma canção na noite de encerramento da Semana de Pedagogia.
(Foto: Gian Cornachini)

A professora Janice encerrou a roda de conversa reforçando o papel do pedagogo: “Para que serve o nosso conhecimento adquirido na faculdade? Para passar nas provas e fazer concurso?”, provocou ela. “Devemos entender a educação como forma política e de luta pelas camadas mais excluídas. Quando estivermos em sala de aula, seja trabalhando com crianças, adolescentes ou com adultos, temos que perceber qual o nosso papel social, político e como profissionais da educação”, concluiu Janice.

Para fechar a XXIV Semana de Pedagogia com chave de ouro, os professores Umberto Eller, do curso de Ciências Sociais, e Flávio Pimentel, do curso de Letras, presentearam o público com uma performance musical. Umberto no vocal e Flávio no violão apresentaram seis músicas do repertório nacional: “Tocando em frente” (Almir Sater), “As coisas tão mais lindas” (Nando Reis), “O segundo sol” (Cássia Eller), “Partir, andar” (Os Paralamas do Sucesso), “Comportamento geral” (Gonzaguinha) e “Primeiros erros” (Capital Inicial). As canções podem ser ouvidas logo abaixo:






Os professores Umberto Eller e Flávio Pimentel fecharam o evento com canções do repertório nacional.(Foto: Gian Cornachini)

Os professores Umberto Eller e Flávio Pimentel fecharam o evento com canções do repertório nacional.
(Foto: Gian Cornachini)

Organização difícil

Nem tudo ocorreu como o esperado pela coordenadora do curso, a professora Maria Lícia. A comissão de avaliação do MEC visitou recentemente a instituição para reavaliar o curso de Pedagogia e, por conta disso, tanto Maria Lícia quanto a vice-coordenadora, Luiza, precisaram se dedicar ao compromisso com o MEC. A programação foi fechada em cima da hora e os alunos tiveram pouco tempo para se inscrever em cada atividade.

Apesar da correria, Maria Lícia considerou o resultado positivo: “Se os alunos fizerem reclamações, nós iremos assumi-las. Foi difícil organizar tudo com as questões da reavaliação do curso para resolver. Vimos até que não deu muito certo colocar atividades durante a tarde, porque não apareciam mais que cinco alunos. Mas estamos contentes com o resultado, ainda mais com a notícia do nosso merecido 4 na nota do MEC”, comemorou Maria Lícia.

XXIV Semana de Pedagogia começa na próxima segunda

Evento contará com palestras, oficinas, debates, exibições de filmes e muitas outras atividades que exigem inscrição prévia, por isso é importante conferir logo a programação e escolher

Da Redação
emfoco@feuc.br

De segunda a quarta-feira da próxima semana – 23 a 25 de setembro – acontecerá na FEUC a XXIV Semana de Pedagogia, com o tema “Educação Ambiental e Direitos Humanos: qual o papel do pedagogo neste contexto?”. Estão programados para os auditórios e salas de aulas diversas palestras, oficinas, debates, apresentação de filmes, roda de conversa e minicurso, além de exibições nos pátios de trabalhos como pôsteres e banners, mostra de livros, totens poéticos e varal de desenhos, entre outros.

A abertura do evento – às 8h de segunda-feira no Auditório da FEUC – contará com uma celebração de Ação de Graças e a apresentação da música “Maior que as muralhas”, na Língua Brasileira de Sinais (Libras), pela professora especialista Maria José da Gama Brum. Em seguida será exibido um vídeo em homenagem ao professor Wilson Choeri. Esta atividade (que se repete à noite) e o show de música ao vivo do encerramento, na noite de quarta-feira, serão de acesso livre, mas para todos os demais itens da programação será necessário fazer inscrição prévia, no setor de Cursos Livres, devido ao número limitado de vagas.

As palestras e oficinas acontecerão nos turnos da manhã, tarde e noite, sendo que algumas terão apresentação única e outras se repetirão em diferentes turnos.

Para ver a programação completa e escolher as atividades de seu interesse, clique aqui.