Tag: Romantismo

Idade Média é tema de palestra de Letras

 

Professora destacou referências medievais na produção cultural contemporânea

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

O curso de Letras das FIC voltou no tempo para entender a influência de um importante período europeu nas produções culturais da atualidade. A palestra “Signos medievais na contemporaneidade”, ministrada pela professora Caroline Reis e que aconteceu na noite de sexta-feira, dia 10, trouxe diversos exemplos de como o imaginário de herói e nobreza entre os séculos X e XV na Europa continuam presentes.

Professora Caroline: "Gosto de mostrar como a literatura é circular". (Foto: Gian Cornachini)

Professora Caroline: “Gosto de mostrar como a literatura é circular”. (Foto: Gian Cornachini)

Segundo Caroline, foi no período medieval que houve a formação das línguas e literaturas nacionais na Europa, e o cavaleiro tornou-se o personagem mais usado como símbolo do homem heroico durante o Romantismo (período datado entre os séculos XVIII e XIX). “Embora já tivesse passado muito tempo, o cavaleiro medieval continuava representando o período importante na formação identitária dos países europeus”, disse ela.

No entanto, esse imaginário continua sendo reconfigurado nas mais variadas formas de expressão artística, como explicou a professora: “Gosto de mostrar como a literatura é circular. Os filmes de super-heróis, videoclipes, séries e jogos exploram o universo medieval quando vemos suas roupas inspiradas nos cavaleiros. Em ‘Os Vingadores’, tem o herói que usa armadura, tem o arqueiro… Ou seja, o arquétipo dos personagens é o mesmo. Só estamos recontando as histórias”, analisou a professora.

Um exemplo atual e brasileiro da presença cultural da Idade Média é o videoclipe da música “Beijinho no ombro”, da cantora Valesca Popozuda. Caroline apresentou o clipe na palestra e comentou as referências: “A história se passa em um castelo medieval em Itaipava, na região serrana do Rio. No começo a gente vê a ideia da guerra, da força. E depois a legitimidade dela como rainha”, destacou. “A mensagem dela é para as inimigas — um estilo ainda do Trovadorismo, do século XI, quando surgiu a primeira literatura portuguesa com as cantigas de amigo, de escárnio e maldizer. Aliás, o nosso funk tem muito do Trovadorismo ainda, porque é uma tradição da nossa formação literária e artística, e a gente vê que isso ainda se mantém”, concluiu.

 

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