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Semana de Pedagogia revela oportunidades em hospitais, prisões e organizações militares

 

28ª edição do evento mais tradicional do curso mostrou que o pedagogo pode atuar em espaços além de creches e escolas regulares

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Mais uma edição da Semana de Pedagogia aconteceu este ano, trazendo, desta vez, profissionais de diferentes áreas de atuação no mercado para apresentar aos estudantes os diversos rumos de um pedagogo além de salas de aula tradicionais. Com o tema “Aspectos Identitários do Pedagogo: da formação inicial à prática”, a XXVIII Semana de Pedagogia foi realizada entre os dias 15 e 18 de maio, e reuniu 25 atividades, entre mesas-redondas, palestras, oficinas, além de apresentação de trabalhos no pátio da FEUC. Entre as diversas áreas de atuação reveladas na Semana Acadêmica do curso de Pedagogia, destacamos as cinco principais. Confira:

1. Pedagogia empresarial

Vania Matiello Fazolo: "Geralmente, esse profissional atua dentro da área de recursos humanos". (Foto: Gian Cornachini)

Vania Matiello Fazolo: “Geralmente, esse profissional atua dentro da área de recursos humanos”. (Foto: Gian Cornachini)

Convidada a palestrar na primeira noite da Semana Acadêmica, a pedagoga empresarial e ex-aluna da FEUC Vania Matiello Fazolo explicou o papel de um profissional de pedagogia em uma empresa ou indústria: “Geralmente, esse profissional atua dentro da área de recursos humanos, promovendo a interação do funcionário com tudo o que tem na empresa, e entre os diversos níveis hierárquicos”, contou ela. Vania também relatou que trabalhar com pessoas é difícil, uma vez que muitas podem não entender exatamente o papel deste profissional e a mensagem que ele quer falar: “As pessoas confundem o seu trabalho com o de um psicólogo, e a depender do nível de estudo delas, elas acabam levando suas observações para o lado pessoal”, apontou.

2. Pedagogia no terceiro setor

Jaqueline Almeida da Costa: "A gente quer fazer com que eles saiam de lá com o gosto pela leitura, por ir à escola". (Foto: Gian Cornachini)

Jaqueline Almeida da Costa: “A gente quer fazer com que eles saiam de lá com o gosto pela leitura, por ir à escola”. (Foto: Gian Cornachini)

Ainda no primeiro dia do evento, a pedagoga Jaqueline Almeida da Costa, do abrigo A Minha Casa, de Campo Grande, compartilhou a experiência de estar à frente do trabalho pedagógico de um abrigo para crianças e adolescentes. Atualmente, A Minha Casa conta com 43 crianças que passaram por diversos traumas até chegarem lá. E é devido a esse sofrimento prévio que Jaqueline afirmou lutar para transformar os pequenos por meio da educação: “A gente quer fazer com que eles saiam de lá com o gosto pela leitura, por ir à escola, e com a certeza de que são capazes de continuar, de seguir em frente e conseguir”. Para quem deseja trabalhar em um abrigo, Jaqueline recomendou: “Tudo o que você busca de conhecimento é válido, mas é a vivência que vai fazer você sair dos conflitos”.

3. Pedagogia nas organizações militares

1ª Tenente Jaqueline: "Nosso papel é dar sentido a tudo". (Foto: Gian Cornachini)

1ª Tenente Jaqueline: “Nosso papel é dar sentido a tudo”. (Foto: Gian Cornachini)

Uma das palestras que mais chamou a atenção dos estudantes foi a da 1ª Tenente Carla Pereira e da 1ª Tenente Jaqueline, ambas pedagogas na Força Aérea Brasileira (FAB). As militares apresentaram a hierarquia da Universidade da Força Aérea (UNIFA) e os papeis delas dentro da estrutura de ensino acadêmico da FAB, que passam por coordenação de cursos de carreira e estágio, preparação de material didático, planejamento curricular das aulas, formação de instrutores e, inclusive, ministração de aulas. “Nosso papel é dar sentido a tudo, mostrar que a educação é capaz, e que dentro da sala de aula, minha aula é minha aula, e que queremos um aluno reflexivo. Por isso, somos muito valorizadas”, disse a 1ª Tenente Jaqueline.

Para fazer parte da equipe pedagógica da FAB, a 1ª Tenente Carla Pereira orientou os interessados com menos de 32 anos a tentarem o concurso do QOAP (Quadro de Oficiais de Apoio), que é voltado para candidatos com nível superior. Os que passarem no concurso, formam carreira militar até se aposentarem.

1ª Tenente Carla Pereira: "nosso dia a dia de trabalho é muito gostoso, e às vezes não me remete a um quartel". (Foto: Gian Cornachini)

1ª Tenente Carla Pereira: “nosso dia a dia de trabalho é muito gostoso, e às vezes não me remete a um quartel”. (Foto: Gian Cornachini)

Já os interessados com idade entre 33 e 45 anos entram pelo QOCON (Quadro de Oficiais Convocados), por meio de análise curricular, teste psicológico, inspeção de saúde. Têm vantagem aqueles que tiverem mais especialização e produção acadêmica, além de saúde física adequada. No entanto, a carreira tem duração de 8 anos nessa modalidade, porém com as mesmas responsabilidades e exigências de um Oficial de Apoio.

“A gente rala muito, aprende a manusear uma arma, passa por exames rotineiros. A gente entende que isso é necessário porque é uma outra realidade, e a gente precisa ser forjado, aprender a ter disciplina, e mesmo assim nosso dia a dia de trabalho é muito gostoso, e às vezes não me remete a um quartel, à uma hierarquia tão vertical”, afirmou a 1ª Tenente Carla Pereira.

4. Pedagogia em ambiente prisional

Maria de Cassia Mendes Serrano: "Nunca fui, em toda minha vida, tão respeitada e valorizada". (Foto: Gian Cornachini)

Maria de Cassia Mendes Serrano: “Nunca fui, em toda minha vida, tão respeitada e valorizada”. (Foto: Gian Cornachini)

A professora Maria de Cassia Mendes Serrano tem um grande desafio: colaborar com a ressocialização de detentos por meio da educação. Esta missão é realizada diariamente na unidade educacional do Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão, onde a professora ministra aula para aproximadamente 250 prisioneiros.

“A Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que as pessoas têm direito à educação. Quem está preso, perde os direitos políticos, mas não à educação”, já deixou claro Maria, no início da palestra do último dia do evento. “Me perguntam se eu não tenho medo de dar aula para detentos, mas eu nunca fui, em toda minha vida, tão respeitada e valorizada como sou agora”, contou ela.

Segundo a professora, muitos detentos entram para a escola para tentar diminuir a pena, mas acabam se envolvendo de tal maneira que abraçam os projetos educacionais, seguem firme e adiante nos estudos e se formam, chegando até a ter casos de alunos passando no vestibular para universidades públicas.

5. Pedagogia em classes hospitalares

Karla Silva da Cunha Bastos: "Estamos ali para fazer valer o direito dessa criança". (Foto: Gian Cornachini)

Karla Silva da Cunha Bastos: “Estamos ali para fazer valer o direito dessa criança”. (Foto: Gian Cornachini)

As pedagogas Karla Silva da Cunha Bastos, do Hospital Municipal Souza Aguiar, e Rosane Martins dos Santos, do Instituto Nacional do Câncer (INCA), finalizaram a XXVIII Semana de Pedagogia da FEUC apresentando seus trabalhos nas classes hospitalares onde atuam com crianças internadas. “O nosso objetivo é o desenvolvimento da criança que, mesmo internada, não pode parar, pois o acesso à educação é um direito, e estamos ali para fazer valer o direito dessa criança”, relatou a professora Karla.

Rosane Martins dos Santos: "Mesmo em um hospital de câncer, a gente tem vida e tem produção de conhecimento". (Foto: Gian Cornachini)

Rosane Martins dos Santos: “Mesmo em um hospital de câncer, a gente tem vida e tem produção de conhecimento”. (Foto: Gian Cornachini)

Questionando os estudantes sobre a especificidade do pedagogo nesta área, Rosane apontou a flexibilidade que a Pedagogia dá aos alunos para atuarem em diversos lugares e os desafios que encontram em cada um desses espaços: “Precisa ser um especialista? O curso de vocês dá condições de estar em um hospital ou vocês acham que um pedagogo é um pedagogo em qualquer lugar?”, indagou ela, adiantando: “As especificidades do lugar a gente aprende lá, e trabalhar com diferentes níveis de aprendizado em um só ambiente é um grande desafio para mim. Mas, o maior deles ainda é o de lidar com a morte. Porém, mesmo em um hospital de câncer, a gente tem vida e tem produção de conhecimento”, revelou a pedagoga do INCA.

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O álbum de fotos completo, com os diversos momento da XXVIII Semana de Pedagogia da FEUC, está disponível em nossa página no Facebook. Clique aqui para acessá-lo.

Semana de Pedagogia: 27ª edição aborda os desafios de educar

 

Com o objetivo de fortalecer a formação dos professores, evento trouxe para o debate as possibilidades de desenvolver uma prática de ensino de forma reflexiva e crítica

Por Pollyana Lopes e Gian Cornachini

Há 27 anos acontece a semana acadêmica de um dos cursos mais tradicionais da FEUC: Pedagogia. E as demandas atuais da educação merecem discussões específicas, com o objetivo de fortalecer o ensino. É por isso que a XXVII Semana de Pedagogia abordou, entre os dias 16 e 18 de maio, a temática “Desafios, possibilidades, experiências e dilemas da Pedagogia contemporânea”, por meio de diversas palestras, oficinas, mesas-redondas e relatos de experiências. Na abertura do evento, o estudante Helton Tinoco já adiantou a importância da Semana para a formação dos alunos: “A gente, mesmo em espera, sem ter tantas possibilidades, deve buscar os desafios da nossa autonomia. A gente pode construir e deve construir um fazer pedagógico que estimule a reflexão e o pensamento de cada um dos alunos”. As 25 atividades da Semana, além das apresentações de trabalhos e lançamentos de livros, reuniram diversas experiências sobre esse fazer pedagógico apontado por Helton, e separamos, a seguir, um pouquinho do que aconteceu no evento.

Helton: "A gente pode construir e deve construir um fazer pedagógico que estimule a reflexão e o pensamento de cada um dos alunos". (Foto: Gian Cornachini)

Helton: “A gente pode construir e deve construir um fazer pedagógico que estimule a reflexão e o pensamento de cada um dos alunos”. (Foto: Gian Cornachini)

Mesa-redonda: Currículo, diversidade étnico-racial e formação de professores

O debate sobre “Currículo, diversidade étnico-racial e formação de professores” contou com a participação das professoras Janice Souza e Jane Souza, das FIC, e da professora da Secretaria Municipal de Educação do Rio, formada em Pedagogia também nas FIC, Luciana das Neves Rosa Costa.

Jane e Janice apresentaram a proposta do subprojeto Interdisciplinar do Pibid FEUC, que desenvolve ações didático-pedagógicas a partir da utilização de livros de literaturas africanas e afro-brasileira, e contaram suas experiências no Instituto de Educação Sarah Kubitschek (IESK). O colégio foi escolhido por abrigar o curso de formação de professor e, dessa forma, elas acreditam que o trabalho desenvolvido lá seja multiplicado quando os estudantes forem atuar profissionalmente.

Professora Jane apresentou o projeto Pibid Interdisciplinar e convidou duas alunos do IESK para relatarem suas experiências participando do programa. (Foto: Pollyana Lopes)

Professora Jane apresentou o projeto Pibid Interdisciplinar e convidou duas alunos do IESK para relatarem suas experiências participando do programa. (Foto: Pollyana Lopes)

A professora convidou duas alunas do IESK a assistirem à palestra, e elas aproveitaram para relatar ao público presente como o projeto modificou o olhar que elas tinham sobre o continente africano: “Participar do projeto mudou muito o meu pensamento, porque… acho que como todo mundo que vê a África através da mídia, eu pensava em um país pobre, um país que só tem coisas ruins, doenças. Mas quando a gente olha por um outro ponto de vista, que o projeto mostrou a nós, a gente vê que a África tem coisas boas, sim, tem riquezas, tem belezas e é um continente inteiro”, apontou Deise da Silva Francisco de Lima, estudante do 2º ano do Ensino Médio no IESK.

Deise da Silva Francisco de Lima é estudante do Instituto de Educação Sara Kubitschek e participa do projeto Pibid Interdisciplinar. (Foto: Pollyana Lopes)

Deise da Silva Francisco de Lima é estudante do Instituto de Educação Sara Kubitschek e participa do projeto Pibid Interdisciplinar. (Foto: Pollyana Lopes)

Já Mirian Piedade dos Santos, também aluna do 2º ano no IESK, destacou a importância de sentir orgulho de seus antepassados: “A gente viu que é um lugar com muita história. Em todos os países aparecem histórias de guerreiros, de lutadores, e a gente não dá o valor devido aos africanos. Tem gente que até alisa o cabelo com vergonha, com vergonha da cor da minha pele. Mas a gente tem que ver que não é vergonha, é orgulho, orgulho do povo que sempre lutou pela sua liberdade e, de um ponto de vista, para mudar a sociedade”.

A sala de aula é o que Luciana Costa escolheu para fazer sua parte na construção de uma sociedade diferente. A professora de Educação Infantil mostrou como inclui a diversidade étnico-racial nas aulas cotidianas. Ela também destacou sua formação na FEUC e a disciplina de História da Cultura Africana no Brasil: “A nossa faculdade é uma das pouquíssimas que tem isso no currículo, ainda mais enquanto obrigatório. É um privilégio que quem estuda na FEUC tem. Eu percebi isso quando comecei a ir para os espaços para discutir as relações étnico-raciais”, destacou.

Desafios da Educação Brasileira

Na palestra sobre “Desafios da Educação Brasileira”, as professoras Lúcia Baroni e Cristina Maia elencaram aspectos pedagógicos e administrativos que desafiam os profissionais na melhora efetiva da educação no Brasil. No quesito pedagogia, Lúcia Baroni destacou a falta de apoio da família e a necessidade de uma prática mais inclusiva:

“Qual é a diferença entre integração e inclusão? Integrar é colocar a criança dentro do ambiente escolar, incluir é preparar o ambiente escolar para receber a criança. Não existe professor inclusivo, existe escola inclusiva. A inclusão se dá desde o porteiro, o inspetor, porque todo mundo tem que se adaptar, o ambiente tem que estar pronto para a inclusão, senão, não é inclusão”, explicou.

Lúcia Baroni, Cristina Maia e a coordenadora do curso de Pedagogia, Maria Lícia, na palestra sobre os "Desafios para a Educação Brasileira". (Foto: Pollyana Lopes)

Lúcia Baroni, Cristina Maia e a coordenadora do curso de Pedagogia, Maria Lícia, na palestra sobre os “Desafios para a Educação Brasileira”. (Foto: Pollyana Lopes)

Já sobre os aspectos administrativos, Cristina Maia elencou a falta de apoio da família e formação docente fragilizada como pontos que precisam de mais atenção e esforço: “A gente precisa rever essa ideia de que a nossa formação está terminada. Não, nós estamos em um processo permanente. E precisamos sair dessa zona de conforto e não ficar aguardando que as coisas aconteçam. Nós precisamos fazer, apesar das condições adversas”.

Atendimento educacional especializado em pauta

Estudantes de Pedagogia foram protagonistas de algumas atividades da Semana. Os que já têm práticas educacionais puderam compartilhar suas experiências com os alunos. Foi o caso da formanda Edvane Cabral de Lima, que trabalha na direção geral do Centro Municipal de Atendimento Educacional Especializado (CEMAEE) de Itaguaí e que coordenou uma mesa-redonda com a participação de outras funcionárias do Centro. À plateia, ela mostrou fotos dos estudantes em atividades e contou como funciona o trabalho do CEMAEE, quais seus objetivos e a rotina de atendimento a alunos especiais: “A gente trabalha com a perspectiva de dar um suporte ao aluno especial regular, de acordo com as suas necessidades. Temos pedagogas, fonoaudiólogas e psicólogas apoiando não com um trabalho clínico, mas educacional, com o objetivo de que o aluno consiga se socializar na escola regular e não ficar segregado em uma escola especial, como uma ‘escola dos diferentes’”, esclareceu Edvane.

A aluna Edvane trabalha em instituição de apoio à estudantes especiais. (Foto: Gian Cornachini)

A aluna Edvane trabalha em instituição de apoio à estudantes especiais. (Foto: Gian Cornachini)

Educação emancipadora

Uma outra mesa-redonda também trouxe experiências para compartilhar com os graduandos das FIC, mas desta vez sobre uma escola municipal de Duque de Caxias que experimenta as possibilidades de um modelo educacional diferente do proposto pela Secretaria de Educação daquela cidade. O professor de ensino básico Eduardo Oliveira apresentou o dia a dia da escola Barro Branco, localizada no bairro de mesmo nome, onde trabalha desde 2007 com uma perspectiva de “educação emancipadora”.

Segundo o professor, a escola pretende formar alunos críticos e, para isso, precisa seguir um Projeto Político-Pedagógico diferente do praticado em outras escolas sob tutela da Secretaria Municipal de Educação de Duque de Caxias: “A gente quer que o aluno consiga ler o editorial recente de O Globo sobre a CPFM e fazer um link com um outro editorial do mesmo jornal, que anteriormente ‘metia o malho’ na CPFM. Queremos que eles sejam minimamente críticos da realidade para além da ideologia, e críticos e sujeitos do que eles irão produzir”.

Professor Eduardo compartilhou experiências de uma educação crítica e democrática na escola municipal Barro Branco, em Duque de Caxias. (Foto: GIan Cornachini)

Professor Eduardo compartilhou experiências de uma educação crítica e democrática na escola municipal Barro Branco, em Duque de Caxias. (Foto: GIan Cornachini)

Para isso se tornar possível, os estudantes são politicamente ativos na escola, que possui gestão democrática. Lá, não existe a figura do diretor. Tudo é decidido em conjunto, em contraponto a outras escolas que são subordinadas a diretores indicados por vereadores da cidade. Há eleição para representantes de turma, que participam ativamente do Conselho de Classe com os professores. A parte financeira da instituição que, a princípio, a gente imagina ser de responsabilidade dos adultos, passa pelo crivo das crianças, que ajudam a decidir o destino das verbas. Os professores também visitam as casas das famílias dos alunos com o intuito de entender a realidade imediata de cada estudante e como funciona a comunidade local. Com isso, eles conseguem se mobilizar pelas próprias causas, realizar passeatas e protestar por direitos.

“A gente está aqui para mostrar um outro tipo de educação, que é oposição ao que tentam impor a nós. Vai demandar mais força, mais trabalho, mas vai ser possível. O paraíso não é lá, mas o nosso Projeto Político-Pedagógico não é utopia. A gente tem o prazer de fazer algo ser de todo mundo, junto”, destacou Eduardo.

Contação de histórias

Tia Aninha (Ana Oliveira) já é uma figura conhecida na FEUC. Formada em Pedagogia nas FIC, ela sempre participa de eventos do curso, seja dando palestra ou oferecendo um curso sobre o que ela mais gosta de fazer: trabalhar com crianças e contar histórias. Nesta edição do evento, a pedagoga foi convidada a ministrar uma oficina para compartilhar seus conhecimentos sobre contação de histórias, e não faltou conteúdo para ajudar os futuros professores a aperfeiçoar suas habilidades na prática.

Tia Aninha deu dicas para alcançar objetivos educacionais por meio de contação de histórias. (Foto: Gian Cornachini)

Tia Aninha deu dicas para alcançar objetivos educacionais por meio de contação de histórias. (Foto: Gian Cornachini)

Para a profissional, o trabalho de contação de histórias requer que o professor seja sempre simpático, alegre, empático, e que receba seus alunos com sorriso e amor nos olhos, pois isso gera troca de confiança. Em relação à prática, Tia Aninha recomenda utilizar a voz em tons diferentes para marcar a mudança entre as figuras do conto. É necessário ter clareza e objetividade, além de usar palavras de fácil entendimento. É possível dar mais vivacidade à história munindo-se de artifícios corporais, como andar, correr e abusar de expressões faciais, pois, segundo a pedagoga, o corpo tem muito a falar, e isso ajuda a prender a atenção dos alunos: “Ao atrair a atenção, você terá bons resultados em seus objetivos, pois nenhuma contação de história é feita por fazer. A gente faz porque quer alcançar objetivos pedagógicos”, ressaltou Tia Aninha.

Orientação educacional atrelada às perspectivas profissionais nas escolas

Outra oficineira no evento foi a professora Selma Rosa de Oliveira, que ministrou a atividade “A orientação educacional da escola: uma possibilidade concreta de despertar perspectivas de vida profissional. O objetivo, com o trabalho, foi atentar para a importância do profissional de orientação educacional nas escolas e como ele pode auxiliar os alunos levando até eles um pouco do universo laboral, colaborando com suas futuras escolhas profissionais.

Selma: "O ideal é falar sobre o mundo do trabalho desde que os alunos são crianças". (Foto: Gian Cornachini)

Selma: “O ideal é falar sobre o mundo do trabalho desde que os alunos são crianças”. (Foto: Gian Cornachini)

A professora listou diversas práticas que podem ser adotadas na orientação educacional, e lembrou que trabalhar é praticamente uma regra de sobrevivência no modelo de sociedade em que vivemos, portanto é preciso que cada um seja feliz realizando suas tarefas: “O trabalho é nossa fonte de sustento, mas não nascemos para ser infelizes nele. É nessa perspectiva que o orientador educacional precisa trabalhar desde cedo na escola, e não deixar para fazer isso apenas no último ano do Ensino Médio. O ideal é falar sobre o mundo do trabalho desde que os alunos são crianças, não para ajuda-los desde cedo a fazer uma escolha, mas para que eles compreendam a sociedade em que estão inseridos e despertem sonhos”, propôs Selma.

Bonecas de barbante

O lúdico também se fez presente no universo adulto dos graduandos, enquanto despertava lembranças infantis em uma atividade oferecida por Célia Neves, coordenadora do curso de Ciências Sociais das FIC. Na Brinquedoteca, em meio a rolos de barbantes, retalhos de tecidos, lãs e outros materiais, a professora convidou as alunas a retomar suas histórias passadas enquanto confeccionavam bonecas com os fios e tecidos. A proposta era a de ligar o fazer pedagógico com as histórias pessoais das alunas: “Construindo bonecas de barbante, podemos retomar nossas histórias e pensar as diferentes identidades de cada uma presente na atividade. Isso é importante para lembrar como vamos tecendo nossas identidades e, no momento em que a gente for lidar com as crianças, também ajudá-las a trabalhar com isso”, destacou Célia.

Professora Célia Neves, do curso de Ciências Sociais, ensinou estudantes a confeccionarem bonecas de barbante enquanto relembram histórias infantis. (Foto: Gian Cornachini)

Professora Célia Neves, do curso de Ciências Sociais, ensinou estudantes a confeccionarem bonecas de barbante enquanto relembram histórias infantis. (Foto: Gian Cornachini)

Manifestações culturais regionais na Educação Infantil

Uma das oficinas mais animadas foi a “Manifestações culturais regionais na Educação Infantil”, ministrada pela professora Roberta Asa Branca e pelo estudante de Pedagogia  Helton Tinoco. Depois de uma apresentação teórica sobre as possibilidades da utilização de cirandas, cantigas e brincadeiras regionais, os estudantes foram à brincadeira e, ao som do atabaque e do pandeiro da professora, dançaram e cantaram sobre jacaré, mulheres rendeiras, caranguejos, entre outros temas.

“As brincadeiras e as manifestações regionais estabelecem canais de comunicação, de interação social, promovem o acolhimento de diferentes culturas, religiosidades e valores. Não é só colocar a musiquinha, tem uma construção, tem um porquê, faz parte de um contexto”, explicou Helton.

Na oficina de "Manifestações culturais regionais na Educação Infantil", os estudantes aprenderam a importância das cirandas, cantigas e brincaram. (Foto: Pollyana Lopes)

Na oficina de “Manifestações culturais regionais na Educação Infantil”, os estudantes aprenderam a importância das cirandas, cantigas e brincaram. (Foto: Pollyana Lopes)

Experiências em exposição no pátio

O pátio da FEUC também esteve movimentado durante a XXVII Semana, com apresentações de trabalhos e exposições de experiências realizadas por professores e alunos nos domínios da pedagogia. A professora e poeta Rita Gemino, por exemplo, este ano optou por trocar as palestras e discussões por uma atividade mais lúdica: levou para o pátio, em momentos diferentes, três dos muitos projetos que já desenvolveu de tecedura de painéis literários – “Fuxicos e poesias: tecendo a leitura de versos”, “A Dona Contrariada (a tecedura de versos)” e “A tecedura do poema infantil de Mário Quintana”. Essa é a proposta de Rita para se trabalhar a poesia em sala de aula – segundo ela, uma dificuldade sempre relatada pelos professores. “Nós preparamos os tecidos com trechos das poesias e espalhamos pelo chão. Enquanto a poesia é falada, os alunos vão encontrando os versos e montando o painel, pois os pedaços de tecido se unem com velcro. É uma forma lúdica de penetrar no universo da poesia”, explica.

Professores da casa relançam livros na FEUC

Jairo Campos e Luiza Alves apresentaram suas publicações na semana de Pedagogia. (Foto: Gian Cornachini)

Jairo Campos e Luiza Alves apresentaram suas publicações na semana de Pedagogia. (Foto: Gian Cornachini)

A vice-coordenadora de Pedagogia, Luiza Alves, e o professor Jairo Campos lançaram, no início deste ano, seus livros de estudo — frutos de teses de doutoramento. Durante a Semana do curso, eles aproveitaram para relançar as publicações na FEUC, de modo a compartilhar com os estudantes suas análises sobre o universo docente.

“Sobre Fios de Identidades Docentes na Escrita Profissional dos Professores” é a publicação de Luiza. O livro discorre sobre a escrita do professor em seus registros de classe e cadernos pessoais de plano, a partir da implementação de políticas públicas da Secretaria de Educação do Município do Rio que visaram a padronizar o modelo de ensino. “O professor não precisa mais planejar a aula, pois tudo já vem pronto. Cadê a sua autonomia, o protagonismo desse professor?”, criticou Luiza. O livro está disponível na livraria Saraiva ao valor de R$ 39,90 (cliqueaqui para conferi-lo).

Já a publicação do professor Jairo Campos se aprofunda nas políticas públicas voltadas para a educação do Rio de Janeiro. Sob o título “A Gestão Gerencial da Educação Pública da Cidade do Rio de Janeiro”, a pesquisa demonstra as controversas faces dessas políticas, que surgiram com objetivo de acabar com o analfabetismo funcional dos alunos gastando menos recursos financeiros. Porém, na prática, isso não tem acontecido. O livro está disponível na Paco Editorial ao valor de R$ 53,91 (cliqueaqui para conferi-lo).

A Psicopedagogia em debate

Primeiro Encontro sobre o tema trouxe profissionais da região e atraiu estudantes de outras instituições

Por Pollyana Lopes

A FEUC reforçou, no último sábado, a responsabilidade que mantém com o desenvolvimento da Zona Oeste. A instituição sediou o I Encontro Psicopedagógico, que contou com a participação de profissionais e estudantes de toda a região, debateu métodos e apresentou casos de sucesso. E aproveitou  para celebrar, durante o evento,  o Dia do Psicopedagogo, oficialmente comemorado em  12  de novembro.

As alunas que organizaram o evento junto da professora Leila, homenagearam-la ao final do evento. (Foto: Pollyana Lopes)

As alunas que organizaram o evento junto da professora Leila, homenagearam-la ao final do evento. (Foto: Pollyana Lopes)

“Esse encontro foi organizado pensando na nossa região, a Zona Oeste, Campo Grande, Santa Cruz, Mangaratiba, Seropédica, Itaguaí. Porque o psicopedagogo de Copacabana, Botafogo, da Zona Sul em geral, já tem um nome, é reconhecido, é procurado. Nossa região também tem esses profissionais, mas eles estão quietinhos, escondidos, enquanto fazem um trabalho belíssimo. Nós queremos que vocês conheçam esses trabalhos, para a gente partilhar e crescer”, explicou a professora do curso de Psicopedagogia Clínica e Psicopedagogia Institucional da FEUC e uma das organizadoras do evento, Leila Queiroz Evaristo da Silva.

É da interseção da Pedagogia com a Psicologia que vem a área do saber que se dispõe a identificar e tratar determinadas dificuldades de aprendizagem: a psicopedagogia. A profissão ainda aguarda regulamentação, mas, em geral, o psicopedagogo tem formação em Pedagogia ou em Psicologia, e agrega ao currículo uma pós-graduação especializada, como as oferecidas pela FEUC.

 

Homenagem e casos de sucesso

Depois da bela homenagem preparada pela Orquestra da FEUC, que tocou músicas como “Eu sei que vou te amar” e “Caravan”, as palestras começaram com a apresentação de Elza de Souza Nunes, idealizadora da unidade infantil do Instituto Vida Plena, em Seropédica. Elza, que é pedagoga e psicopedagoga formada pela FEUC, contou como surgiu a necessidade de criar o projeto e como foi a viabilização do mesmo. “Esse projeto surgiu da realidade que me cercava. Desde o período de estágio eu vinha com uma preocupação muito grande especificamente com as crianças da rede pública, que vivem em situação de risco social, como aquelas que não encontram condições familiares e financeiras de ir em buscar de um diagnóstico”, contou ela, que também explicou que a criação de uma unidade voltada para crianças foi possível a partir da parceria com Reni de Souza Silva Teixeira, presidente e fundadora do Instituto Vida Plena de recuperação para mulheres dependentes químicas.

Elza convidou Elanie, mãe de Marcus, portador da Síndrome de Asperger, a falar sobre como identificou a necessidade e encontrou ajuda no projeto Vida Plena. (Foto: Pollyana Lopes)

Elza convidou Elanie, mãe de Marcus, portador da Síndrome de Asperger, a falar sobre como identificou a necessidade e encontrou ajuda no projeto Vida Plena. (Foto: Pollyana Lopes)

Quem também contribuiu com debate foi Marta Maria Silva, pedagoga e psicopedagoga formada pela FEUC. A partir da experiência pessoal ela contou como a psicopedagogia modificou sua própria vida, deu dicas de como atuar e também destacou a importância de trabalhar com parcerias. Marta levou para contribuir com sua fala a gestora da escola parceira do seu consultório em Seropédica. Célia Glória, do Centro Educacional União Seropédica, apresentou brevemente o plano de ação da escola e destacou a necessidade de as escolas terem uma visão psicopedagógica. “Se a escola não atuar para verificar o problema, o psicopedagogo não consegue essa entrada para trabalhar. O aluno vai tendo problemas de repetência e outras dificuldades e ninguém reconhece efetivamente”, explicou.

 

Alunas apresentam temas de congresso nacional

O X Congresso Brasileiro de Psicopedagogia aconteceu em outubro, em São Paulo, e teve como tema “Releituras de Conceitos e Práticas Psicopedagógicas – Aprender em diferentes contextos”. Mesmo sendo do interesse de estudiosos e profissionais da área, não são todos que puderam comparecer ao maior evento nacional sobre o tema. No entanto, as alunas de Psicopedagogia Clínica Isabela Carvalho Costa, Patrícia Bárbara Dias Duarte e Simone Otaviano estiveram lá e trouxeram para o evento da FEUC os principais temas apresentados.

Patrícia Bárbara Dias, professora de Sociologia no Colégio Estadual Albert Sabin apresentou o debate sobre “Psicopedagogia e Neuroaprendizagem: avaliação e intervenção”, feito pela Pedagoga e especialista em Educação Especial, Psicopedagogia e Neuroaprendizagem Irene Maluf.

Público majoritariamente feminino lotou o auditório da FEUC. (Foto: Pollyana Lopes)

Público majoritariamente feminino lotou o auditório da FEUC. (Foto: Pollyana Lopes)

“Estudos mostram que, ao longo do crescimento da criança e do jovem, o desenvolvimento neurológico não ocorre de modo linear nas diferentes áreas do cérebro. Ou seja, em determinadas fases, o sucesso do aprendizado depende da adequação de estratégias de ensino às características daquela etapa específica”, apresentou Patrícia, que também levou um aluno seu, cego, para falar sobre a dificuldade de aprender e a necessidade de acessibilidade nos métodos.

Já Simone Otaviano trouxe para a FEUC o tema debatido pela psicóloga, especialista em psicoterapia infantil, psicopedagogia, sociopsicomotricidade Ramain Thiers, e a mestre em Educação Janete Cárrer, na palestra “Diversificando o campo de atuação em Psicopedagogia. Atuação psicopedagógica e envelhecimento ativo: possibilidades e realizações”.

Isabela contou como foi uma das palestras do X Congresso Brasileiro de Psicopedagogia. (Foto: Pollyana Lopes)

Isabela contou como foi uma das palestras do X Congresso Brasileiro de Psicopedagogia. (Foto: Pollyana Lopes)

“O envelhecimento está ligado às questões biológicas e subjetivas porque é algo natural. Nós perdemos a nossa tonicidade muscular, vamos perdendo a visão, audição, o raciocínio fica mais lento. As funções biológicas influenciam a qualidade de vida do idoso, e a psicopedagogia vem para reabilitar algumas dessas funções cognitivas”, contou.

“Desenvolvimento humano: como a tecnologia e outros produtos impactam o cérebro” foi o tema apresentado por Elvira de Souza Lima no X Congresso Brasileiro de Psicopedagogia e multiplicado por Isabela Carvalho Costa no I Encontro Psicopedagógico.

 

TDAH e encerramento

A professora das FIC, Cláudia Miranda, também participou do evento e falou sobre TDAH, um dos transtornos mais comuns. (Foto: Pollyana Lopes)

Professora das FIC, Cláudia Miranda, falou sobre TDAH. (Foto: Pollyana Lopes)

Para finalizar o evento, a professora das FIC Cláudia Miranda – que é pedagoga, mestre em educação com especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional e em Psicomotricidade  - falou sobre um dos transtornos mais comuns que dificultam o processo de ensino-aprendizagem, o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Cláudia explicou que esse é um dos principais problemas comportamentais crônicos da infância e que constitui cerca de 40% de todos os encaminhamentos para clínicas de orientação infantil.

No início do evento, a professora Leila destacou a participação de estudantes de outras instituições na platéia e explicou que um dos principais objetivos do evento é a formação continuada do profissional da região. “Aqui em Campo Grande nós não temos esses cursos de preparação, de atualização, de formação continuada para o psicopedagogo”, explicou. Com o fim do evento, Leila fez um balanço do encontro e concluiu: “acho que o objetivo foi alcançado e agora as pessoas também conhecem o trabalho da FEUC”.

Orquestra da FEUC homenageou pedagogos e psicopedagogos pelo dia que celebra a profissão. (Foto: Pollyana Lopes)

Orquestra da FEUC homenageou pedagogos e psicopedagogos pelo dia que celebra a profissão. (Foto: Pollyana Lopes)

Carla Silva também esteve presente no evento para apresentar uma forma diferente de alfabetização, o Método das Boquinhas. (Foto: Pollyana Lopes)

Carla Silva também esteve presente no evento para apresentar uma forma diferente de alfabetização, o Método das Boquinhas. (Foto: Pollyana Lopes)

(Foto: Pollyana Lopes)

(Foto: Pollyana Lopes)

 

(Foto: Pollyana Lopes)

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(Foto: Pollyana Lopes)

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Mês intenso e agitado nas Faculdades

 

Uma sequência de quatro grandes eventos acadêmicos ao longo de maio, adentrando por junho, testemunha o vigor das licenciaturas e o entusiasmo dos graduandos

Da Redação
emfoco@feuc.br

Maria Ione cativou público com histórias da Biblioteca Nacional. (Pollyana Lopes)

Maria Ione cativou público com histórias da Biblioteca Nacional. (Pollyana Lopes)

Ao longo do mês de maio e os primeiros dias de junho a FEUC esteve em ritmo de debates, palestras, oficinas, apresentações de pesquisas, trabalhos de campo… A efervescência acadêmica pôde ser observada no Ciclo de História, Encontro de Ciências Sociais e Semanas de Pedagogia, Letras e Geografia, eventos que ao todo contaram com algo em torno de 70 diferentes atividades, a maior parte delas prestigiada por grandes plateias de alunos da casa e visitantes. E o melhor: com participação ativa dos graduandos, seja apresentando trabalhos, fazendo monitoria ou questionando a fundo os palestrantes que trouxeram temas entre instigantes e polêmicos.

Já na abertura do Ciclo de História dava para pressentir que o mês seria bom: com auditório cheio, a primeira palestrante cativou o público com a devoção empreendida no seu trabalho de bibliotecária da Biblioteca Nacional. A comunicação de Maria Ione Caser iniciou o ciclo falando sobre o básico do trabalho de um historiador, a relação com as fontes.

O evento, que teve como tema “Historiador em Perspectiva: dos Arquivos à Sala de Aula”, seguiu abordando os diversos olhares e formas de atuação do profissional. A formação docente e as práticas escolares — tão caras à instituição que é conhecida como a Casa do Professor — tiveram destaque na mesa que abordou a pesquisa sobre o Ensino de História e, também, no lançamento do livro “Ensino de História: usos do passado, memória e mídia”, organizado pelo professor Jayme Ribeiro.

Semana de Pedagogia buscou despertar criatividade e senso crítico

Maria Licia contou um pouco de sua trajetória na educação. (Pollyana Lopes)

Maria Licia contou um pouco de sua trajetória na educação. (Pollyana Lopes)

A Semana de Pedagogia foi marcada pelas emoções. “O professor e as práticas pedagógicas” foi o tema do evento, que começou com uma homenagem à coordenadora e à vice-coordenadora do curso, professoras Maria Licia Torres e Luiza Alves de Oliveira. O professor Marco Antonio Chaves de Almeida também foi homenageado pelos alunos. Nas diversas palestras e oficinas, as condutas docentes foram problematizadas, sempre no sentido de instigar os futuros professores a estarem atentos aos alunos e à adequação de suas técnicas. As palestras trouxeram pesquisas sobre a realidade das escolas, sem perder de vista a responsabilidade dos professores no processo de aprendizagem dos alunos. Os exemplos dos docentes que atuam nas salas de aula em diversos segmentos da educação levaram os estudantes a reflexões e análises críticas, o que pôde ser observado a partir das numerosas perguntas feitas ao final de cada palestra.

Para fechar o evento, uma apresentação dramática encenada pelo professor de teatro da FEUC, Adriano Marcelo, trouxe como personagem principal o arquétipo de um pedagogo. No desenrolar da peça, o personagem vai amadurecendo sua criatividade e senso crítico. A arte expressou o objetivo do evento como um todo.

Língua e literatura no contexto da mídia e redes sociais

Letras, como sempre, realizou a semana com o maior número de atividades: 33, fora as exposições de pôsteres, carrinho literário, apresentações culturais e feirinha de livros. Enlouquecida em meio aos preparativos para a abertura, a professora Arlene Figueira, coordenadora do curso, brincava: “No ano que vem vamos ter uma única atividade e em um único local. Vou juntar todo mundo na quadra e mandar ver!”. Exageros à parte, até que a programação estava enxuta este ano, uma vez que já houve edições com mais de 70 atividades.

Mais do que quantidade, porém, o que marcou foi a qualidade das palestras e das apresentações, assim como a intensa participação dos estudantes nos debates sobre o tema “Língua e Literatura: comunicação, mídia e redes sociais”. Dos clássicos da literatura ao universo das histórias em quadrinhos, os atos de linguagem no Facebook ou o uso do WhatsApp em grupos de estudo, os temas abordados instigaram o interesse das plateias, levando a um clima de muita interação.

Francisco Barbosa receitou o uso de emoção e sinceridade. (Foto: Gian Cornachini)

Francisco Barbosa receitou o uso de emoção e sinceridade. (Foto: Gian Cornachini)

Especialmente a palestra do radialista Francisco Barbosa, na segunda noite do evento, lotou o auditório. Comunicador da Rádio Tupi, ele defendeu ao microfone a tese de que comunicar é emocionar, e convocou os professores a empregarem isso em sala de aula. “Por falta de técnica melhor, sou muito verdadeiro quando estou no ar, sou sempre eu mesmo e não um ator representando. Nada dá mais liga do que sinceridade”, disse Barbosa, emendando numa mensagem para os licenciandos: “Vocês vão mudar a vida de quem cruzar com vocês, para melhor ou para pior. Serão um exemplo a ser seguido. Ou a ser evitado. Mas sempre uma referência. Então façam o melhor”, recomendou ele aos estudantes.

Ciências Sociais e Geografia discutem impactos socioambientais no RJ

Maio estava acabando, mas sua efervescência ainda foi prolongada até o XVII Encontro de Ciências Sociais e a XVI Semana de Geografia e Meio Ambiente que, pelo segundo ano consecutivo, aconteceram concomitantemente, nesta edição sob o tema “Intervenções e violações socioambientais no estado do Rio de Janeiro”. O último sábado do mês (dia 30) tirou os estudantes da cama logo cedo para atividades de campo no bairro Duarte da Silveira, em Petrópolis; no Distrito Industrial de Santa Cruz; e na Ilha da Madeira, em Itaguaí. O objetivo era detectar e analisar impactos nesses lugares decorrentes da apropriação do capital, como a implantação da Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) e da Gerdau (no Distrito Industrial de Santa Cruz) e da construção do Porto Sudeste e da base de submarinos da Marinha (na Ilha da Madeira). Segundo o professor Paulo Barata, do curso de Geografia e responsável pela atividade na Zona Oeste e em Itaguaí, a região próxima à FEUC tem uma grande potencialidade econômica, e é necessário que os estudantes consigam observar as contradições do capital: “Esse recorte espacial de Campo Grande a Itaguaí é muito importante para a economia e indústria do Estado do Rio de Janeiro. Precisamos quebrar esse paradigma de que a Zona Oeste é uma área apenas de carência e analisar nosso espaço de uma maneira crítica. E isso é essencial para que os estudantes deem atenção às problemáticas locais”, explica Paulo.

Estudantes observam construção do Porto Sudeste e seus impactos na Ilha da Madeira, em Itaguaí. (Foto: Gian Cornachini)

Estudantes observam construção do Porto Sudeste e seus impactos na Ilha da Madeira, em Itaguaí. (Foto: Gian Cornachini)

O percurso no Distrito Industrial incluiu paradas paralelas à margem direita do canal de São Francisco, em frente à Gerdau, à TKCSA e à Usina Termelétrica de Santa Cruz – todas com o objetivo de contar a história das empresas e lembrar das violações socioambientais praticadas com liberação do Estado, como a restrição do acesso ao canal de São Francisco pela TKCSA, que antes era naturalmente aberto aos pescadores locais, agora impedidos de continuar suas atividades tradicionais.

Caso parecido acontece na Ilha da Madeira, em Itaguaí, onde empresas como a MMX, do empresário Eike Batista, instalaram-se para dar início à construção do Porto Sudeste, com a finalidade de melhorar o escoamento da produção mineral brasileira, mas inviabilizando a atividade pesqueira, esbarrando em comunidades tradicionais e impondo a desapropriação de diversas moradias. Sério Hiroshi, da Associação de Pescadores e Lavradores da Ilha da Madeira (Aplim), conversou com os estudantes e revelou suas frustrações: “Tentamos de tudo quanto é jeito resistir, mas o governo fala que esses empreendimentos vão gerar mais de 10 mil empregos. O que eu faço? Ajudo os pequenos pescadores e deixo o resto de Itaguaí sem trabalhar? Eles querem nos colocar como vilões”, lamentou ele.

De volta às FIC, durante os dias 1, 2 e 3 de junho, os alunos relataram suas experiências nas atividades de campo durante cada palestra do evento, sempre fazendo conexão com o tema abordado e as cenas que viram. Emocionada, a estudante Rosangela Godinho, do 7º período de Ciências Sociais, externou sua esperança na educação como fator de transformação da sociedade: “O capital quer nos amedrontar e dizer que a nossa luta não vai dar em nada, mas temos que nos unir. A gente vai estar em sala de aula, e é lá que vão começar os primeiros passos de uma modificação, que é possível sim”.

Rosangela Godinho: “O capital quer nos amedrontar “. (Foto: Gian Cornachini)

Rosangela Godinho: “O capital quer nos amedrontar “. (Foto: Gian Cornachini)

Para coroar este último evento e também fechar com chave de ouro a longa jornada de aprendizado e produção coletiva de conhecimento — como definiu com muita propriedade a professora Célia — foi lançado o segundo número da Khóra, revista transdisciplinar dos cursos de Ciências Sociais, Geografia, História e Pedagogia, que pode ser acessada no endereço www.feuc.br/khora. Está imperdível, com muitos artigos de professores da casa e convidados, e também repleta de contribuições de nossos graduandos.

XXVI Semana de Pedagogia das FIC discute práticas pedagógicas

A 26ª edição de um dos eventos mais tradicionais das Faculdades Integradas Campo-Grandenses teve três dias de atividades voltadas para a troca de experiências em sala de aula

Por Gian Cornachini e Pollyana Lopes
emfoco@feuc.br

“O professor e as práticas pedagógicas” foi o tema da XXVI Semana de Pedagogia, que aconteceu esta semana nas FIC, entre os dias 18 e 20. Durante as manhãs e noites do evento, os estudantes puderam participar de palestras, minicursos, rodas de conversa, oficinas e apresentações teatrais. O afeto para além da relação de ternura e carinho, citado em diversas palestras como necessário para a prática docente, escapou da fala e se materializou no decorrer do evento.

Homenagem arrancou lágrimas de professores. (Foto:  Pollyana Lopes)

Homenagem arrancou lágrimas de professores. (Foto: Pollyana Lopes)

Logo na abertura, após a apresentação de uma música em Libras por alunas do segundo período, comandadas pela professora Maria José Brum, o protocolo do cerimonial foi quebrado para uma homenagem às professoras Maria Licia Torres e Luiza Alves de Oliveira. Estudantes do terceiro período de Pedagogia cantaram e tocaram a música “O Professor”. Em seguida, o mestre de cerimônias, professor Marco Antonio Chaves de Almeida, também foi reverenciado com uma música cantada pelo grupo.

Palestras

O evento contou com diversas palestras de professores da casa e convidados de outras instituições. A doutora em Educação pela UFRJ Bruna Molisani Alves, chamada a abordar a temática “Práticas pedagógicas na Educação Infantil”, apresentou sua pesquisa de doutorado recém-finalizada, na qual ela analisou os discursos de professores em formação sobre o trabalho com a linguagem da educação infantil. Como trabalhou apenas com o discurso das professoras, Bruna ressaltou que sua pesquisa tem valor acadêmico, mas que cabe aos professores conhecer a fundo a realidade das escolas. “A gente tem filosofias, a gente tem pressupostos, a gente tem teorias, mas é preciso abrir a janela. No meu entender é preciso entrar na escola. É preciso olhar o cotidiano, é preciso ver o que acontece”, disse.

O percurso profissional da professora Maria Licia Torres foi o tema da sua palestra: “Eu (professor), a sala de aula e os desafios da prática docente na atualidade”. Maria Licia contou que os muitos anos de experiência em diversas modalidades de ensino a ensinaram que não existe fórmula para a atuação de um professor, e que o trabalho deve ser valorizado pelos profissionais. “Todas as trajetórias que a gente passa, que vocês com certeza vão passar também em municípios e estados, não tem como a gente dizer ‘faz isso’ ou ‘faz aquilo’. A teoria é fundamental, ela me ajudou e eu fui buscar outras teorias. Mas é no estudar, no ler, que se faz o profissional. Nós temos que ser eternos aprendizes”, sublinhou Maria Licia.

Trazendo exemplos de práticas pedagógicas que funcionam,  Talita demonstrou que, muitas vezes, o esforço dos professores não é reconhecido nos indicadores instituídos pelos governos. (Foto: Pollyana Lopes)

Trazendo exemplos de práticas pedagógicas que funcionam, Talita demonstrou que, muitas vezes, o esforço dos professores não é reconhecido nos indicadores instituídos pelos governos. (Foto: Pollyana Lopes)

A doutora em educação pela UERJ Talita Vidal Pereira falou sobre as alternativas para o Ensino de Ciências Naturais e reforçou as relações entre os pesquisadores e os professores do ensino básico. Sobre sua pesquisa, ela explicou: “Como eu pesquiso alternativas no ensino de ciências nos anos iniciais, pode parecer que eu tenho aqui uma proposta para melhorar a atuação do professor. Pelo contrário, eu fui na escola para ver o que esse professor está fazendo que os pesquisadores e os gestores estão olhando de fora e estão falando que ele não sabe trabalhar, mas que são práticas que funcionam, que os alunos entendem”, explica a professora. Talita fez críticas aos modelos de avaliação da qualidade do ensino público, mas advertiu: “Na hora que a gente vai analisar as políticas que estão sendo propostas para a escola, ajuda muito se a gente não pensar que tem alguém tramando isso contra nós”, pondera.

Na palestra “O domínio das práticas pedagógicas na sala de aula”, a mestre em educação Dimarina Lima falou sobre a postura, os métodos e o papel do professor na sua atuação cotidiana. Com experiência de quem já trabalhou em diferentes funções dentro das escolas, a professora aponta de onde podem vir as melhorias na educação. “Não espere mudança de governo. As secretarias de educação não pensam, historicamente falando, educação para a população. Eles pensam em educação em benefício próprio. Somos nós, professores, na nossa sala de aula, que vamos mudar alguma coisa, e isso tem que começar pelas práticas”, disse. Dimarina também lembrou as responsabilidades dos professores: “Ter um discurso comprometido politicamente é estar comprometido com a qualidade da educação. Começando com você, professor, começando pela qualidade da aula que você vai apresentar ao seu aluno.”

Professor Marco Antônio: "Você não é importante pelo o que sabe, mas pelo o que faz com o que sabe". (Foto: Gian Cornachini)

Professor Marco Antônio: “Você não é importante pelo o que sabe, mas pelo o que faz com o que sabe”. (Foto: Gian Cornachini)

O professor da casa Marco Antonio Chaves, psicólogo por formação, também foi um dos palestrantes da Semana. Ele abordou a temática do processo de construção de conhecimento em sala de aula, e apontou o professor como o principal responsável pela não aprendizagem do aluno. “Meu papel enquanto educador é de me desgastar, tentar encantar ao máximo, ser o facilitador, para que o aluno não saia daqui ignorando toda a minha fala”, explicou ele. “Fazer aprender é sempre muito difícil, porque depende da sua vontade. Seu aluno irá aprender se você quiser, porque você não é importante pelo que sabe, mas pelo que faz com o que sabe”, destacou.

Gilda Alves Batista, também professora do curso de Pedagogia das FIC, retomou algumas falas de Marco Antonio para lembrar a importância de o docente mudar suas práticas pedagógicas com o objetivo de trocar conhecimento com todos os estudantes: “Temos que buscar meios possíveis para que o aprendizado seja eficaz e efetivo no lugar em que você está exercendo a sua profissão”, recomentou ela, que abordou em sua palestra o tema “O professor e a diversidade na sala de aula”. Segundo Gilda, é dever do professor reconhecer que os alunos têm tempos e estilos de aprender diferentes e, portanto, é preciso também diferenciar o modo de ensinar: “As diferenças na sala de aula foram vistas durante muito tempo como algo negativo. Mas se o aluno não aprendeu, é a minha metodologia que está equivocada. Então, a partir da minha reflexão, eu tenho que mudar meus hábitos”, ressaltou Gilda.

Professora Gilda discutiu a pedagogia diferenciada, que prevê diferentes modos de ensinar, visto que salas de aulas são heterogêneas. (Foto: Gian Cornachini)

Professora Gilda discutiu a pedagogia diferenciada, que prevê diferentes modos de ensinar, visto que salas de aulas são heterogêneas. (Foto: Gian Cornachini)

Oficinas

Em oficina, professora de artes ensinou técnicas de como aproveitar a linguagem do cinema como ferramenta pedagógica. (Foto: Gian Cornachini)

Em oficina, professora de artes ensinou técnicas de como aproveitar a linguagem do cinema como ferramenta pedagógica. (Foto: Gian Cornachini)

O evento contou ainda com oficinas oferecidas por diversos profissionais a fim de compartilhar conhecimento com os futuros pedagogos. Jordana Seixas, professora de artes da rede estadual e municipal de ensino e mestranda em Teatro na Unirio, ofereceu uma atividade sobre o cinema em sala de aula. Ela deu dicas de como criar um roteiro, storyboard e cenários para fazer um curta-metragem com estudantes do Ensino Fundamental e Médio. “Eu percebi que o cinema é uma linguagem de muito interesse dos jovens, e que eu poderia estar trabalhando de forma a utilizar os conteúdos curriculares e ampliar o repertório cultural dos alunos”, disse Jordana.

A professora mostrou trabalhos realizados com seus alunos, como histórias feitas em Stop Motion – vídeo produzido a partir de uma sequência de fotos, mexendo o objeto a cada intervalo para criar a sequência da ação – e lembrou que é possível trabalhar o cinema em sala de aula, ainda que o professor não saiba utilizar recursos tecnológicos e fazer edição de vídeo: “Você pode passar um filme e trabalhar o pensamento crítico dos alunos, trabalhar desenhos, a parte textual. O importante é buscar alternativas que seduzam os estudantes”, sugeriu ela.

Valdemar terminou oficina com desafio para ilustrar planejamento em equipe. (Foto: Gian Cornachini)

Valdemar terminou oficina com desafio para ilustrar planejamento em equipe. (Foto: Gian Cornachini)

Já o professor Valdemar Silva, que também é coordenador Acadêmico das FIC, deu uma oficina sobre a importância do planejamento como eixo central da prática pedagógica. No início de sua atividade, ele apresentou slides com imagens do livro Zoom, de Istvan Banyai (acesse-o aqui), para explicar que nosso entendimento sobre os fatos depende sempre do nosso ponto de vista, e que “verdades que carregamos como verdades absolutas nos levam a um único caminho a seguir”. A frase dita por Valdemar serviu pala ilustrar a mensagem principal de sua atividade: “Não tem receita de bolo na pedagogia. É preciso meter a mão na massa e fazer. E o planejamento vai permitir prever o futuro e evitar a improvisação”, afirmou Valdemar. “O ator de planejar é, em primeiro de tudo, respeito ao aluno”, frisou o professor, terminando sua oficina com um grande círculo formado pelos presentes. De mãos dadas e com o corpo virado para o centro da roda, o objetivo era que todos virassem para fora sem que os braços se cruzassem – um desafio para fomentar o planejamento em equipe.

Apresentação teatral

Para finalizar a Semana de Pedagogia, o professor de teatro da FEUC, Adriano Marcelo, fez uma encenação teatral nos encerramentos da manhã e da noite, no último dia do evento. A peça narrou o desenvolvimento do processo criativo e de formação crítica de um sujeito que era o arquétipo de um pedagogo. No ambiente com pouca iluminação, as luzes coloridas – ora acesas, ora apagadas – representavam a transição de momentos muitas vezes vividos simultaneamente. Produzir um objeto em massinha e encontrar novos significados para o mesmo item é parte do processo de amadurecimento da personagem, que finaliza a apresentação chamando a plateia para o exercício da pedagogia.

Entre outros objetos, compunham o cenário uma luminária de coruja, símbolo da educação, e uma fotografia de Paulo Freire, renomado pedagogo brasileiro. (Foto: Pollyana Lopes)

Entre outros objetos, compunham o cenário uma luminária de coruja, símbolo da educação, e uma fotografia de Paulo Freire, renomado pedagogo brasileiro. (Foto: Pollyana Lopes)

De acordo com Adriano, o objetivo da peça foi estimular os futuros professores e alertá-los para a importância do papel que eles exercem na vida de um cidadão em construção. Se o propósito foi atingido? O próprio Adriano comenta: “O resultado de estimular esse sentimento, essa consciência de quem está assistindo: ‘caramba, foi para isso mesmo que fui chamado’, essa certeza de ser educador, foi alcançado. As pessoas vieram falar comigo e disseram que realmente tiveram aceso o estímulo de continuar a seguir na educação.”XXVI Semana de Pedagogia FEUC (2)

Luiza Alves e Maria Licia Torres, respectivamente coordenadora e vice-coordenadora de Pedagogia, assistem à homenagem. (Foto: Pollyana Lopes)

Luiza Alves e Maria Licia Torres, respectivamente coordenadora e vice-coordenadora de Pedagogia, assistem à homenagem. (Foto: Pollyana Lopes)

XXVI Semana de Pedagogia FEUC (1)

Passaporte carimbado

 

Bolsistas começam a alçar voos maiores ao participar de eventos externos

Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

As alunas Isa Carla Gomes, Myla Clara e a professora Luiza. (Foto: Arquivo Pessoal/Luiza Alves de Oliveira)

As alunas Isa Carla Gomes, Myla Clara e a professora Luiza. (Foto: Arquivo Pessoal/Luiza Alves de Oliveira)

Começou aqui do lado, com o I Seminário Institucional do PIBID/UFRRJ, em outubro, quando bolsistas de todas as licenciaturas das FIC com projetos no PIBID (menos Pedagogia) foram à Universidade Rural, em Seropédica, apresentar resultados preliminares de suas pesquisas. O evento foi descrito pelo coordenador de Matemática, professor Alzir Fourny Marinhos, que acompanhava um grupo de alunos, como inesquecível: “Eu estava lá, e foi fantástico ver nossos alunos se apresentando, falando de suas pesquisas com a maior propriedade, seguros, bem preparados, atuando no mesmo nível que os alunos das universidades federais”, disse Alzir na ocasião.

Daí a distância cresceu: Isa Carla Gomes e Myla Clara, do 6º período de Pedagogia, em seguida desembarcaram em Minas Gerais para participar da II Semana da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), apresentando a pesquisa “Leitura e Formação Docente: A experiência do encontro com a palavra”, orientada pela professora Luiza Alves. Myla também ficou eufórica com a experiência: “A gente sai de uma faculdade pequena e acha que não tem reconhecimento, mas através da aprovação e receptividade das pessoas você percebe que tem potencial para crescer também”.

Alan, Milena e a colega Renata rumo ao Rio Grande do Sul

Alan, Milena e a colega Renata rumo ao Rio Grande do Sul. (Foto: Arquivo Pessoal/Alan Monteiro)

Por fim, em novembro, alunos de Matemática foram ao Rio Grande do Sul participar do Seminário Institucional do PIBID da Universidade Santa Cruz do Sul. Milena Rodrigues Barbosa dos Santos apresentou “O Ensino das Estruturas Multiplicativas por meio da resolução de problemas”, feito em parceria com Ana Cláudia Cabral da Costa, Siliane Menezes de Almeida França e a orientadora Gabriela dos Santos Barbosa. Já Marcos Antônio Carvalho Dias e Alan Monteiro Henriques Silva levaram o trabalho “Jogos como metodologia de ensino para as operações da adição, subtração, multiplicação e divisão”, de autoria deles e de Alexandre Ferreira da Cunha, com orientação do professor Alzir.  Marcos Antônio vibrou: “A recepção foi fantástica, reparei que ao fim da nossa apresentação havia um sorriso maior no rosto das pessoas”, disse o estudante do 4º período, comentando que essas atividades têm feito com que ele e os colegas se sintam mais seguros para a futura docência.

25ª edição da Semana de Pedagogia traz para o debate a avaliação de ensino

 

Durante as manhãs e noites dos dias 22, 23 e 24 de setembro, evento proporcionou a abertura para debater temas como a padronização de avaliações e a cultura da escola

Por Tania Neves e Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

A XXV Semana de Pedagogia embarcou na onda do Enade – Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, prova que tem por objetivo medir o rendimento dos formandos em relação ao conteúdo programático previsto em seus cursos superiores – e abordou em suas diversas atividades programadas o tema da avaliação. Em três dias – de 22 a 24 de setembro – o evento contou com diversas palestras que tinham o objetivo de discutir, entre tantos temas, o ensino tradicional, a educação do campo, a educação inclusiva e a importância de pensar e repensar a avaliação para todos os tipos de estudantes e culturas nas quais a escola está inserida.

Segunda-feira, dia 22

Já na abertura, após uma belíssima participação das alunas de 3º período da professora Maria José Brum, que cantaram e encenaram em Libras a música “Aos olhos do pai”, o doutorando em Educação pela UFRJ Jairo Campos dos Santos instigou o auditório com a palestra “A influência do gerencialismo na avaliação escolar”. Ele trouxe alguns dados de sua pesquisa para debater com os estudantes o modo como hoje se faz a avaliação dos alunos, e o que isso representa em um projeto de Educação. A começar por uma charge que ele exibiu, mostrando que uma avaliação padronizada não tem o poder de detectar as naturais diferenças entre os alunos, o assunto rendeu.

Charge mostrada no começo da palestra representa problemas da avaliação padronizada.

Charge mostrada no começo da palestra representa problemas da avaliação padronizada.

“O sistema gerencial se preocupa com metas, padrões, regularidades, mas Educação não é isso. Há coisas que não podem ser medidas pelo sistema gerencial”, disse o professor, que logo depois ilustrou sua fala com o exemplo de uma escola em que os professores “treinaram” seus alunos para fazer uma boa prova do Ideb, mas momentos antes da prova houve um forte tiroteio na comunidade e todos ficaram muito abalados, o que se refletiu nas notas, baixas.

De modo geral, as intervenções de alunos e professores presentes na plateia chamaram a atenção para a importância do papel do professor para a mudança do quadro atual, em que os aspectos de produtividade e meritocracia estão se sobrepondo aos preceitos de uma educação libertadora e com aporte de elementos críticos para que os estudantes possam refletir sobre a realidade em que vivem. Por fim o professor fez uma projeção animadora: “Acredito que o Magistério, mais do que nunca, é uma profissão do futuro. E um futuro não muito longe, está aí batendo na porta. É uma profissão que está muito próxima de ser novamente valorizada como já foi um dia. Por isso, estudem!”, conclamou Jairo.

Em outro espaço – com plateia lotada – a professora Rosana Benatti conduziu a mesa-redonda “A escola atual e suas nuances no processo de ensino aprendizagem. De quem é a culpa?”. Após a exposição de um quadro sobre a Educação pública muito parecido com o abordado por Jairo em sua palestra – em que as secretarias impõem um projeto fechado, sem muito espaço para o professor interferir – Rosana insistiu que o papel do professor tem que ser justamente achar as brechas para interferir. A tecla principal em que a professora batia era: “A gente precisa mudar isso. Vocês estão se formando para mudar isso”.

Em suas participações, alguns estudantes relataram experiências que tiveram como pais de alunos ou já como professores na rede, confirmando que é possível sim fazer a sua parte para mudar, mesmo quando o sistema obriga à aceitação do status quo: “Eu começo por refletir sobre a nossa realidade hoje, a nossa formação. Vejo colegas se queixando, ‘ah, essa matéria é chata’, mas eu não sinto assim: busco complementar com outros saberes, passei o fim de semana vendo filmes que têm a ver com a gente. Quero crescer, quero que meu vocabulário mude, quero aproveitar a faculdade. Tem gente que só reclama, que começa [a faculdade] e termina do mesmo jeito. Que profissional vai ser lá na frente?”, questionou a aluna Flávia.

À noite, no Auditório FEUC, uma mesa-redonda com a professora Gabriela dos Santos Barbosa, doutora em Matemática e coordenadora da pós-graduação das FIC, e a professora Rosilda Benacchio, doutora em Educação e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), foi proposta para debater a temática “Educação no Campo”. Gabriela contou sobre os dez anos de experiência que teve com o ensino de matemática na aldeia indígena Sapukai, em Angra dos Rios, no litoral sul do Rio de Janeiro. A professora fez parte de um curso para formação de agente de saúde local, e foi nesse projeto que ela percebeu ainda mais o quanto a matemática também é uma produção cultural. “Eu perguntava: quantos quilômetros tem daqui até o centro de Angra? E eles respondiam ‘três dias’. Mas, como assim três dias? Vocês acham que isso é uma unidade de medida de distância?”, questionou Gabriela. “Sim, e associada à velocidade, ao tempo e a algum outro elemento que a minha matemática não está envolvendo”, destacou ela, propondo que cada grupo social, inclusive aqueles afastados dos centros urbanos, tem o seu próprio modo de ver o mundo.

Professora Rosilda Benacchio, da UFF, e Gabriela Barbosa, da pós-graduação da FEUC, discutem Educação do Campo. (Foto: Gian Cornachini)

Professora Rosilda Benacchio, da UFF, e Gabriela Barbosa, da pós-graduação da FEUC, discutem Educação do Campo. (Foto: Gian Cornachini)

Aproveitando o gancho do assunto, a professora Rosilda ressaltou que populações do campo, ribeirinhas e caiçaras sempre foram vistas pela ótica das populações urbanas como atrasadas, e as escolas que as atendem muitas vezes não dialogam com a realidade cultural dessas regiões: “Há comunidades que trabalham com a prática da alternância. Os pescadores, por exemplo, precisam estar no mar em alguns períodos. As escolas desses lugares não podem ter a mesma organização de tempo e espaço como a da escola regular”, frisou a professora. Portanto, de acordo com Rosilda, a educação do campo pressupõe que o estudante compreenda quais são as suas implicações locais e a realidade do seu território: “Eles têm um modo diferente de ver o território e a natureza em que estão inseridos. E a escola tem que ter uma abertura para o conhecimento construído dentro da própria comunidade”, afirmou.

Após a mesa-redonda de Educação no Campo, Miriam de Oliveira Santos, pós-doutora em Sociologia e professora do mestrado em Ciências Sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), destacou a importância de o professor se sentir responsável pelo desenvolvimento do estudante. Segundo Miriam, a avaliação está ligada muito mais ao planejamento do professor do que ao desempenho do estudante: “A gente avalia a partir dos nossos objetivos. Antes de atingi-los, eu preciso pensar que tipo de aluno eu tenho e o que é relevante para ele aprender, pois é a partir dele que eu vou definir o conteúdo que será trabalhado ao longo do bimestre e do semestre”, disse a professora.

Miriam também reforçou que avaliação não é um instrumento de tortura, mas uma ferramenta para nortear o trabalho do professor: “Se a gente não avaliar, não consegue replanejar e seguir em frente, ter um norte para alcançar nossos objetivos”, ponderou.

Antes de concluir sua fala, Miriam fez uma crítica ao atual modelo de educação que pensa economicamente o utilitarismo das disciplinas, ou seja, se aquilo que é aprendido na escola tem utilidade para o mercado. “Na reunião do conselho de classe, sempre há aquela visão de que português e matemática são importantes, mas educação física, não. Apesar de a gente viver num mundo utilitarista, as coisas que não têm valor de mercado também são importantes”, constatou ela.

Terça-feira, dia 23

Ex-aluna das FIC, pedagoga Roselia faz dinâmica com estudantes. (Foto: Gian Cornachini)

Ex-aluna das FIC, pedagoga Roselia faz dinâmica com estudantes. (Foto: Gian Cornachini)

Uma das palestras que se destacaram na manhã do segundo dia do evento foi a de Roselia Miguez Nascimento, formada em Pedagogia nas FIC e hoje agente local de inovação do SEBRAE/RJ, onde atua realizando treinamento de pessoal em empresas. Com muito bom humor, Roselia deu a palestra “A Pedagogia Empresarial: a atuação dos profissionais de Educação no treinamento do colaborador/equipe” e cativou o público ao aplicar uma dinâmica que consistiu em uma espécie da famosa brincadeira “batata-quente”. Ela escolheu duas pessoas aleatórias entre o público e pediu que fossem passando para os colegas ao lado os dois recipientes entregues a eles, de maneira que aqueles que ficassem com os objetos nas mãos quando ela anunciasse o fim dos repasses deveriam revelar o conteúdo dos recipientes. Antes disso, muitos repassaram os objetos sem nem tocá-los, visivelmente expressando medo de serem os escolhidos.

“Quando eu propus a dinâmica, ouvi todo mundo falando ‘ai, meu Deus’, ‘ai, Jesus’. Eu propus uma dinâmica, e não para que se matassem”, brincou a pedagoga, pedindo para que os dois estudantes finais revelassem o conteúdo misterioso. “Trufas de maracujá. Se eu falasse que eram trufas, ninguém iria passar para ninguém. Vocês agem assim porque têm medo do desconhecido. Se vocês estão em um treinamento, isso tudo é avaliado”, alertou Roselia.

Em seguida, a descontração deu lugar a um assunto bem sério para aquela manhã. A organização da XXV Semana de Pedagogia não deixou de incluir na programação do evento um momento para se discutir a temática “Avaliação e inclusão: uma questão em aberto”. A doutora em Eucação Marcia Denise Pletsch, professora da UFRRJ, debateu a escolarização de estudantes com deficiências físicas e cognitivas e as avaliações desses alunos.

Marcia Denise Pletsch, professora da UFRRJ, debateu a escolarização de estudantes com deficiências físicas e cognitivas. (Foto: Gian Cornachini)

Marcia Denise Pletsch, professora da UFRRJ, debateu a escolarização de estudantes com deficiências físicas e cognitivas. (Foto: Gian Cornachini)

Marcia apontou que ainda hoje não existe clareza nas propostas do ensino inclusivo: “Cada escola desenvolve um trabalho da maneira que acha que deve ser. Os estados e municípios não sabem ao certo sobre os instrumentos de avaliação a serem utilizados”, disse ela. Porém, a professora reforçou que o Brasil tem produzido muito conhecimento em relação ao assunto, mas falta vontade política para que esse conhecimento saia da teoria e se aplique às salas de aula: “Vários países já adotaram um modelo de escolarização levando em conta o desenvolvimento do próprio sujeito, que se dá pela perspectiva dele para ele, e não o comparando com o colega ao lado. Já temos produção acadêmica para mudar a realidade do nosso ensino, mas o descompasso entre o que é produzido e o que é aplicado é muito grande, graças aos nossos governantes”, lamentou ela.

Quarta-feira, dia 24

José Henrique Freitas: "Em Educação, as coisas custam a mudar". (Foto: Gian Cornachini)

José Henrique Freitas: “Em Educação, as coisas custam a mudar”. (Foto: Gian Cornachini)

Esse descompasso apontado pela professora Marcia ficou ainda mais claro para o público do evento durante a palestra final da XXV Semana de Pedagogia, que aconteceu na noite de quarta-feira. O professor José Henrique Freitas, da Secretaria Municipal de Educação (SME), deu a palestra “Educação Multicultural: percurso para revisitar princípios e objetivos na avaliação escolar”, e insistiu fortemente na relação da cultura com a educação pedagógica.

Para ele, a mudança na Educação é difícil de acontecer por se tratar de uma cultura praticada há anos, ou seja, desde que todos nós passamos a frequentar a escola vemos o mesmo modelo conteudista de ensino e de avaliação replicados em todos os lugares: “Em Educação, as coisas custam a mudar. Então, a gente fica discutindo as mesmas coisas há muito tempo, porque discutimos assuntos arraigados na cultura”, explicou ele. “Não estamos mexendo apenas com procedimentos técnicos, funcionais. Estamos mexendo com valores de pessoas, com a ideia do que elas têm de educação”, completou. Ainda assim, ele vê na própria educação a possibilidade de surgir mudanças: “O ato cultural de educar é um ato legitimamente de libertação e transformação”, concluiu o professor.

Antes que se desse por encerrada a Semana de Pedagogia, os professores Flávio Pimentel, na guitarra acústica, e Umberto Eller, no vocal, abrilhantaram a última hora do evento com uma apresentação de música ao vivo, que pode ser conferida em resumo aqui embaixo, em um vídeo que a FEUC em Foco preparou especialmente para os leitores:

Professores fazem apresentação musical no encerramento da XXV Semana de Pedagogia [VÍDEO]

Balanço geral do evento

A coordenadora de Pedagogia, professora Maria Licia Torres, afirmou que 382 pessoas se inscreveram para o evento. Apesar de o número representar mais que 50% do total de estudantes do curso nas FIC, Maria Licia espera que nas edições futuras a participação aumente: “O total de alunos este ano ainda não é o que desejamos. Muitos não entenderam que participar da Semana de Pedagogia tem o mesmo peso de participar de uma aula, pois as palestras também ensinam”, relatou a professora. “Esse evento não é dos coordenadores e dos professores, é de todos nós. E eu saio daqui gratificada por esse trabalho tão belo e com o desejo de que mais professores e alunos participem”.

Maria Licia ainda contou uma novidade: a partir deste ano, um caderno de resumos digital e com número de registro ISBN será publicado ao fim de cada Semana de Pedagogia, contendo os resumos das palestras escritas pelos próprios palestrantes. Para a professora, todos saem ganhando com a conquista: “Os estudantes que participaram da Semana irão receber um CD com o caderno de resumos, que também contará muito para o Currículo Lattes de cada palestrante”, destacou ela.

XXV Semana de Pedagogia discute ‘Avaliação’

 

Programação completa do evento já está disponível; inscrições vão até o dia 22

Da Redação
emfoco@feuc.br

Acontece na semana que vem a XXV Semana de Pedagogia da FEUC, nos dias 22, 23 e 24 de setembro. Com a aproximação do Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade), a prova do Ministério da Educação (MEC) virou tema do evento, que discutirá “Avaliação: reflexões e práticas”. No entanto, a proposta da Semana é ir além do assunto Enade e abrir o leque para questões como avaliação institucional e avaliação de aprendizagem. A Semana contará com atividades como palestras, mesas-redondas, filmes seguidos de debates, apresentações de trabalhos e oficinas. O encerramento será abrilhantado com música ao vivo, protagonizada pelos professores Flávio Pimentel e Umberto Eller.

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Para a professora Maria Licia Torres, coordenadora do curso de Pedagogia das FIC, a avaliação é tema corriqueiro nas atividades de um futuro pedagogo, que pode trabalhar em diferentes esferas de gerenciamento na área da educação, além de desempenhar constantemente o papel de avaliador de seus estudantes: “Não há qualidade sem avaliação, que é parte do processo de aprender, e o pedagogo precisa compreender a importância disso”, aponta a professora. “A avaliação não deve ser encarada como punição, mas como um instrumento que ajuda a medir a qualidade do ensino e do trabalho, e é isso que queremos debater nesse encontro”, ressalta Maria Licia.

Para conferir a programação completa da XXV Semana de Pedagogia da FEUC, clique aqui. As inscrições estão abertas até o dia 22 e podem ser feitas pela área restrita dos alunos ou no setor de Cursos Livres. O investimento é de R$ 15,00 e o evento rende 30 horas de atividades complementares, com direito a certificado.

Iraci Gomes Lima: da Unatic para a graduação em Pedagogia

 

Aposentada chegou à FEUC pelos Cursos Livres, tornou-se membro da Unatic e realizou o sonho de entrar para a faculdade

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

“A Iraci é uma pessoa de extrema bondade, e precisava de alguém que confiasse nela, porque ela é muito capaz”. A fala entre aspas é a definição que Cassia Roza dá a uma de suas melhores amigas na Universidade Aberta à Terceira Idade em Campo Grande (Unatic): Iraci Gomes Lima, uma senhora de 64 anos, aposentada, viúva e que sempre sonhou ser professora.

Iraci chegou à FEUC em 2011, junto de seu marido, para fazer o Curso Livre de Informática. No ano seguinte, ficou viúva e parou de frequentar a instituição, pois não se sentia em condições emocionais de continuar os estudos. Mas, em 2013, Iraci voltou à FEUC, e desta vez para ficar.

Iraci: "As atividades que eu faço aqui são muito prazerosas. A Unatic é uma benção para mim". (Foto: Gian Cornachini)

Iraci: “As atividades que eu faço aqui são muito prazerosas. A Unatic é uma benção para mim”.
(Foto: Gian Cornachini)

“Eu estava chorando muito depois que meu marido faleceu. E a professora Edna Solange, que dava aula de ‘Português para concursos’ nos Cursos Livres e que frequenta a minha igreja, pediu que eu fosse conhecer a Unatic. Fizeram uma entrevista comigo, tiraram meu retrato, gostei e já entrei em agosto de 2013”, lembra a aposentada.

Iraci conta que, ao chegar na Unatic, encontrou uma nova família. O acolhimento que recebeu das colegas de aula fez com que se amenizasse a dor da perda do marido e desse um novo ânimo na vida: “Eu era uma dona de casa que só cuidava do meu esposo. Tinha 85 quilos quando vim pra cá. Passei a fazer ginástica, ioga, dançar, cantar. Perdi 10 quilos!”, comemora, agradecendo por ter encontrado esse novo espaço de convivência: “As atividades que eu faço aqui são muito prazerosas. A Unatic é uma benção para mim”.

Outro motivo de agradecimento é a amizade que Iraci tem com Cassia. Quando começou a participar da Unatic, Cassia a incentivou muito a voltar a estudar. Desde pequena, Iraci cultivava o desejo de ser professora, mas sua trajetória de vida não colaborou para que realizasse o sonho. O contato direto com o ambiente de educação da FEUC e o apoio de Cassia acenderam novamente o sonho adormecido de Iraci, que decidiu, no fim do ano passado, fazer o vestibular para o curso de Pedagogia.

“Ela se achava um zero. Mas eu disse que ela não era nada do que estava pensando, só precisava ter confiança nela. Ela começou a estudar, e cada coisa que escrevia, trazia para eu corrigir”, conta a amiga Cassia, que é pedagoga e trabalhou 33 anos no magistério. “Mas quando o aluno é bom, é esforçado, tem meta, ele vai sozinho. O professor acaba sendo apenas um condutor. Iraci fez o vestibular e passou. Fiquei muito contente!”, afirma.

No 1º período de Pedagogia, Iraci ainda espera poder ser professora. (Foto: Gian Cornachini)

No 1º período de Pedagogia, Iraci ainda espera poder ser professora. (Foto: Gian Cornachini)

Passar no vestibular foi maravilhoso para Iraci. Mas também lhe provocou certo entristecimento por não ter mais o esposo ao seu lado para comemorar a conquista. Ainda assim, ela continuou decidida a encarar o Ensino Superior: “Eu nem imaginava que um dia eu ainda iria entrar para uma faculdade, mas eu tive muito incentivo de minhas amigas na Unatic. Se Deus permitir e a minha idade deixar, eu ainda serei professora!”, almeja Iraci, que agora está no 1º período de Pedagogia.

A ideia de terceira idade tranquila e sem rotina não faz parte do dia a dia de Iraci. Toda semana, ela tem energia para participar das atividades da Unatic, ir às aulas da graduação, estudar para provas e ainda frequentar o Curso Livre de Libras aos sábados. A estudante, que é chamada carinhosamente de tia por seus colegas de turma, é apaixonada pela nova vida universitária e é muito grata por fazer parte da Unatic: “Aqui a gente respira educação. Se todas as pessoas da terceira idade pudessem estar aqui dentro, seria uma maravilha. Eu espero que a Unatic continue com suas atividades eternamente”, ressalta Iraci.

Da esquerda para a direta: Carmem Lucia, Iraci, Cassia Roza e Iracy Guimarães; amigas da Unatic sempre apoiaram a aposentada. (Foto: Gian Cornachini)

Da esquerda para a direta: Carmem Lucia, Iraci, Cassia Roza e Iracy Guimarães; amigas da Unatic sempre apoiaram a aposentada. (Foto: Gian Cornachini)

Pedagogia vai a congresso internacional apresentar resultados da pesquisa ‘Onde anda você, professor?’

Levantamento sobre atuação profissional dos formados de 2010 a 2012 está sendo feito por bolsistas de Iniciação Científica, com orientação das professoras Maria Licia e Luiza

 

Maria Luiza e Maria Licia na abertura da Semana de Pedagogia: sorrisos e entusiasmo das coordenadoras com a nota 4 de seu curso. Foto de Gian Cornachini

Luiza e Maria Licia:  pesquisa sobre atuação profissional de graduados nas FIC será apresentada na Argentina. Foto de Gian Cornachini

Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

As professoras Maria Licia Torres e Luiza Alves, respectivamente coordenadora e vice-coordenadora do curso de Pedagogia, tiveram aprovada sua proposta de apresentação de uma comunicação no VIII Congresso Ibero-Americano de Docência Universitária e de Nível Superior, que acontecerá em abril em Rosário, na Argentina, e tem como tema “La construcción de saberes acerca de la enseñanza: un desafío para la docencia universitaria y de nivel superior”.

O trabalho, intitulado “Onde anda você, professor?”, procura mostrar se estão – e onde estão – atuando profissionalmente os graduados nas licenciaturas das FIC entre os anos de 2010 e 2012. Trata-se de uma pesquisa orientada por Maria Licia e Luiza e realizada por bolsistas de Iniciação Científica do curso de Pedagogia.

“Nós submetemos o resumo da pesquisa ao Congresso e fomos selecionadas. Agora precisamos concluir os levantamentos, para levar o melhor material possível para nossa apresentação. Por enquanto temos a totalização de 2010, mas ainda estamos trabalhando no restante”, explica Maria Licia.

A coordenadora lembra que o presente trabalho é um desdobramento de uma pesquisa anterior levada a um congresso em Portugal, na qual foram entrevistados cerca de 500 estudantes de licenciaturas das FIC e outros tantos do Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos, com o intuito de saber se tinham intenção de atuar como professores depois de formados ou não.

Por sua tradição, ‘Casa do Professor’ atrais mais vocacionados para o Magistério

“Naquela pesquisa, vimos que havia uma diferença grande entre os graduandos das FIC e da Moacyr: aqui, a maioria dizia ter foco no Magistério, enquanto lá prevalecia o desejo de ter a certificação para atuar em outras áreas ou simplesmente melhorar o enquadramento profissional nos empregos que já tinham, e que não era no Magistério”, explica Maria Licia.

A professora atribui a diferença ao fato de a FEUC ter maior tradição na formação de professores: “Não por acaso somos conhecidos como ‘a casa do professor’. Acho que quem é da região e tem realmente o desejo de ser professor vê a FEUC como instituição ideal para sua formação”, explica.

Nos resultados preliminares da pesquisa “Onde anda você, professor?”, porém, tem sido observado que nem todos os que pretendiam lecionar estão de fato em sala de aula hoje: “Falta de oportunidade e oferta de salários melhores em outras áreas tem sido a explicação mais comum para essa desistência do Magistério”, diz Maria Licia.