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Estudantes de Meio Ambiente do CAEL visitam manguezal

 

Atividade de campo na APA de Guapimirim serviu para alunos verem na prática os impactos ambientais na Baía da Guanabara e as medidas para preservação dos manguezais

Grupo posa em frente à placa da APA de Guapimirim

Grupo posa em frente à placa da APA de Guapimirim. (Foto: Gian Cornachini)

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Das salas de aula para um manguezal em plena Baía de Guanabara. Este foi o destino de estudantes do curso de Meio Ambiente do CAEL, no último dia 14 de junho, em atividade de campo na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim — local que abrange parte dos municípios de Magé, Guapimirim, Itaboraí e São Gonçalo, e que conta com aproximadamente 140 km2, algo como 19,6 mil campos de futebol. Durante um dia todo, os alunos puderam visitar o ecossistema que é considerado, hoje, a área mais conservada de toda a Baía da Guanabara, com nível de preservação próximo ao período anterior à vinda dos portugueses ao Brasil.

Localização da Área de Proteção Ambiental de Guapimirim, na Baía da de Guanabara. (Imagem: ESEC da Guanabara)

Localização da Área de Proteção Ambiental de Guapimirim, na Baía de Guanabara. (Imagem: ESEC da Guanabara)

Pescador Malafaia tira seu sustento a partir de atividades sustentáveis no manguezal, como ecoturismo e palestras de educação ambiental. (Foto: Gian Cornachini)

Pescador Malafaia tira seu sustento a partir de atividades sustentáveis no manguezal, como ecoturismo e palestras de educação ambiental. (Foto: Gian Cornachini)

Recebidos na sede da Estação Ecológica da Guanabara, em Magé, pelo pescador Alaildo Malafaia, os alunos assistiram a vídeos sobre o manguezal da região e a importância de sua preservação. “Toda vez que um grupo vem aqui, é importante, porque sai um soldado da salvação. Nada melhor do que vocês conhecerem esse lugar para respeitá-lo”, disse Malafaia, que preside a Cooperativa Manguezal Fluminense, e que sobrevive, assim como os membros da cooperativa, de atividades econômicas voltadas para o desenvolvimento sustentável da região, como a pesca controlada, o artesanato e o ecoturismo.

Malafaia: "Nada melhor do que vocês conhecerem esse lugar para respeitá-lo". (Foto: Gian Cornachini)

Malafaia: “Nada melhor do que vocês conhecerem esse lugar para respeitá-lo”. (Foto: Gian Cornachini)

Malafaia levou o grupo de estudantes a uma área do manguezal que tem entrada permitida. No local, os alunos puderam materializar o conhecimento que aprenderam na Estação Ecológica, como os diferentes tipos de árvores encontrados somente nos manguezais (mangue branco, preto e vermelho), e entender melhor a importância desse tipo de ecossistema.

Estudantes puderam visitar área de manguezal e ver espécies de perto. (Foto: Gian Cornachini)

Estudantes puderam visitar área de manguezal e ver espécies de perto. (Foto: Gian Cornachini)

Típico de áreas de maré em zonas tropicais e subtropicais, os manguezais são formados em locais onde há a mistura de água doce dos rios com a água salgada do mar, como as saídas de um rio, baías e lagoas costeiras. No Brasil, é considerado um dos mais complexos e importantes ecossistemas devido à característica de desempenhar várias funções, como abrigo para dezenas de espécies de animais — entre as mais famosas, o caranguejo —; como filtro biológico, retendo material poluente e limpando as águas; como filtro do ar, retendo até cinco vezes mais gás carbônico que outras florestas da região; e como fonte de alimento e sustento humano.

Professor Roberto Camello idealizou atividade de campo para completar ainda mais a formação dos alunos. (Foto: Gian Cornachini)

Professor Roberto Camello idealizou atividade de campo para completar ainda mais a formação dos alunos. (Foto: Gian Cornachini)

O professor Roberto Camello, quem ministra aulas de Direito Ambiental para o curso de Meio Ambiente do CAEL, decidiu desenvolver essa atividade de campo com os estudantes com o intuito de analisarem o impacto da ação humana na natureza e as medidas de preservação de áreas ambientais importantes: “O conhecimento que os alunos adquiriram em sala de aula, eles vivenciaram na atividade de campo, e isso facilita muito o aprendizado. Eles puderam ver todas as ações de mobilização para redução dos impactos ambientais e, como técnicos em meio ambiente, entender as atribuições do profissional em áreas de preservação e na educação ambiental”, explicou o professor.

Os manguezais são formados em locais onde há a mistura de água doce dos rios com a água salgada do mar. (Foto: Gian Cornachini)

Os manguezais são formados em locais onde há a mistura de água doce dos rios com a água salgada do mar. (Foto: Gian Cornachini)

Os estudantes Augusto Dias Neto, do 2º ano, e Ana Gabrielle Rocha de Oliveira, do 3º ano, aprovaram a visita técnica: “Foi uma experiência nova. Descobri muitas coisas e vi o quanto as pessoas que estão lá se importam com o meio ambiente”, contou Augusto. “A atividade não acrescentou apenas conhecimento científico, mas social. Vimos o pessoal da região se unindo para cuidar de lá, e também o quanto um pescador, com muito conhecimento, pôde passar informações que não sabíamos. Foi uma atividade que foi além e investiu no social”, ressaltou Ana Gabrielle.

O álbum de fotos completo da atividade de campo está disponível na página da FEUC, no Facebook. Clique aqui para acessá-lo.

JURA: Agricultores defendem direito à terra e à alimentação saudável

 

Encontro fez parte da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária e contra-argumentou crítica do ministro da Justiça

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Mais uma atividade da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA)— evento nacional do qual a FEUC participa anualmente —, aconteceu ontem, dia 10 de maio, trazendo à instituição diversos agricultores da região para esclarecer os estudantes sobre a luta por terras e pela produção de alimentos saudáveis. A partir da crítica do novo ministro da Justiça, Osmar Serraglio, direcionada aos índios em entrevista à Folha de São Paulo, na qual ele declarou que terras “não enchem barriga de ninguém”, o encontro pautou o debate na temática “Terra enche barriga sim: a terra por quem nela trabalha e produz alimento e vida”.

"[Terras] não enchem barriga de ninguém", diz o ministro Osmar Serraglio, em empasse com índios. (Foto: Gian Cornachini)

“[Terras] não enchem barriga de ninguém”, diz o ministro Osmar Serraglio, em empasse com índios. (Foto: Gian Cornachini)

Bernadete Montesano, representante da Rede Carioca de Agricultura Urbana, grupo que agrega produtores em defesa de uma produção e consumo de alimentos de forma ética e responsável, iniciou a mesa-redonda rechaçando a crítica do ministro, que é ligado ao agronegócio: “A luta pela terra não é só para encher barriga, mas para alimentar de forma saudável quem a gente convive. Comer é um ato político, e quando escolhemos o que vamos comer, você está decidindo entre contribuir com o agronegócio ou com a agroecologia”, destaca “Berna”, como é conhecida.

Bernadete: "A luta pela terra não é só para encher barriga, mas para alimentar de forma saudável quem a gente convive". (Foto: Gian Cornachini)

Bernadete: “A luta pela terra não é só para encher barriga, mas para alimentar de forma saudável quem a gente convive”. (Foto: Gian Cornachini)

Produtores ligados ao movimento agroecológico criticam o modelo de produção e de economia do agronegócio, que abusa dos pesticidas e fertilizantes, além de concentrar grandes quantidades de terras nas mãos de poucos e tornar a produção de pequenas famílias cada vez mais difícil.

Luciana Sales, agricultora de 21 anos, moradora de Magé e estudante de licenciatura em Educação do Campo na UFRRJ, contou justamente sobre os desafios que enfrenta sendo jovem e trabalhadora da terra: “A juventude do campo vive em constante processo de territorialização, desterritorialização e reterritorialização. A gente afirma que é agricultor, mas em alguns momentos a gente quer ir para o mercado de trabalho e ter um salário fixo. Mas, então, nos reterritorializamos, pois nossa forma de produção de vida é no campo, é onde a gente resiste e faz luta, enche a barriga de terra, ar limpo e água pura”, ressaltou a agricultora.

JURA - FEUC 2017 - 07

Essa conexão com a terra também foi defendida por Tania Regina Prado das Neves, bióloga ligada à Pastoral da Criança e que colabora com a Horta da Brisa — um espaço de cultivo de alimentos naturais e sem agrotóxicos voltado para crianças carentes, em Guaratiba.

“A nossa terra é tudo isso aqui, e a gente tem que cuidar para poder plantar e colher alimentos saudáveis. Pode ser até dentro de um vasinho, no seu quintal. Não tem essa de não ter tempo”, apontou Tania, que também desmotivou a compra de produtos industrializados: “Temos que ter coragem de não comprar coisas em caixinhas, porque é tudo agrotóxico”.

Tania: "A nossa terra é tudo isso aqui, e a gente tem que cuidar". (Foto: Gian Cornachini)

Tania: “A nossa terra é tudo isso aqui, e a gente tem que cuidar”. (Foto: Gian Cornachini)

Preocupados com a relação harmônica entre alimento, produção e ambientes urbanos, representantes do grupo Permacultura Lab também participaram do evento contando a experiência da agrofloresta coletiva que está sendo cultivada na praça Edgar do Amaral, em Campo Grande, e conhecida como praça do Pistão por possuir uma pista de skate. “A gente quer mostrar o valor do alimento e conscientizar as pessoas sobre isso”, disse Diogo Majerowicz, membro do Permacultura Lab.

A agrofloresta conta com dez espécies frutíferas, flores ornamentais, ervas, temperos e plantas medicinais. A colheita é livre, podendo ser feita por qualquer pessoa, e a manutenção do espaço também é coletiva e de forma colaborativa.

Matheus Rosa, do CIEP Rubem Braga, ajuda a preparar horta em seu Colégio e troca experiências durante o evento. (Foto: Gian Cornachini)

Matheus Rosa, do CIEP Rubem Braga, ajuda a preparar horta em seu Colégio e troca experiências durante o evento. (Foto: Gian Cornachini)

Prestes a finalizar uma horta consciente e livre de pesticidas no colégio, estudantes do CIEP Rubem Braga, em Senador Camará, vieram assistir ao debate sobre o tema e trocar experiências com os participantes. Matheus Reis, 17 anos, do 2º ano do Ensino Médio, contou que sempre gostou do contato com a natureza, e que discutir a sua preservação é fundamental para os jovens:

“Falar sobre agricultura ajuda a conscientizar as pessoas sobre a nossa alimentação. E é muito bom saber que podemos plantar em casa, ter menos custos, mais saúde, além de se divertir em plantar e ver o seu alimento”, comentou Matheus, aproveitando a entrevista para pedir que fosse divulgada a Roda Cultural que ele está organizando na Casa Brasil de Imbairê, em Duque de Caxias, no dia 20 de maio, às 19h: “É uma roda cultural, com rep, para os jovens da Baixada se expressarem contra a violência policial”.

Encontro de Ciências Sociais e Geografia traz violações socioambientais no Rio para o centro do debate

 

Evento, que reuniu professores e estudantes da casa e recebeu pesquisadores e militantes, terminou com divulgação de carta em repúdio às intervenções que o Rio vem sofrendo 

Por Gian Cornachini, Pollyana Lopes e Tania Neves
emfoco@feuc.br

Os cursos de Ciências Sociais e de Geografia das FIC mantiveram a parceria na produção de seus eventos em 2015. O XVII Encontro de Ciências Sociais e a XVI Semana de Geografia e Meio Ambiente anconteceram conjuntamente nos dias 1, 2 e 3 de junho, nesta semana. Com o tema “Intervenções e violações socioambientais no estado do Rio de Janeiro no século XXI”, o evento contou com profissionais de diferentes áreas, que trouxeram distintas abordagens sobre a geografia, a política, as questões sociais e econômicas do estado do Rio de Janeiro.

Geotecnologias e espacialidades fluminenses

A primeira palestra foi mais voltada para as questões da Geografia. Com o tema “Geotecnologias e espacialidades fluminenses”, a mesa-redonda teve a participação do professor da UERJ Vinicius da Silva Seabra, do professor da FAETEC Elton Simões Gonçalves e do geógrafo do Instituto Pereira Passos (IPP) João Grand Júnior. Os dois primeiros apresentaram análises sobre a geografia do leste fluminense: Vinícius mostrou diferentes pesquisas sobre a região feitas sob distintos aspectos (hidrográfico, físico, socioeconômico) que utilizam algum tipo de geotecnologia, principalmente o Sistema de Informações Geográficas (SIG); e Elton mostrou um pouco da sua pesquisa para a dissertação de mestrado sobre a Bacia do Rio São João e explicou como o trabalho só foi possível com o uso de determinas geotecnologias. Já João Grand expôs algumas ferramentas geotecnológicas aplicadas nas pesquisas do instituto.

A relação da geografaia rural com as geotecnologias foi o tema do mestrado de Elton Simões Gonçalves, que ele apresentou no evento. (Foto: Pollyana Lopes)

A relação da geografaia rural com as geotecnologias foi o tema do mestrado de Elton Simões Gonçalves, que ele apresentou no evento. (Foto: Pollyana Lopes)

Tratando assuntos diferenciados, sob olhares heterogêneos, os participantes da mesa foram unânimes em defender o uso das geotecnologias, lembrando que estas são facilitadoras do trabalho dos geógrafos e que elas têm aplicação em várias outras áreas do conhecimento. “Eu costumo dizer que as geotecnologias não trazem nenhum tipo de dado novo para as questões que são geográficas, porque essas questões sempre existiram e sempre foram trabalhadas na geografia. O que acontece é que as geotecnologias otimizam os processos mercadológicos utilizados pelas geografia”, explicou o professor Victor.

Marildo pontuou ao longo do século XX o processo de expansão do capitalismo e suas consequências arrasadoras na vida urbana. (Foto: Gian Cornachini)

Marildo pontuou ao longo do século XX o processo de expansão do capitalismo e suas consequências arrasadoras na vida urbana. (Foto: Gian Cornachini)

“Uma cidade em que todos não cabemos não vale a pena”

A noite do primeiro dia do encontro rendeu bastante discussão entre os palestrantes convidados e os estudantes presentes. Pós-doutor em Filosofia e professor da UFRJ, Marildo Menegat iniciou o debate sobre a temática “O papel do Estado e da sociedade civil na atual fase de mercantilização da cidade”. Didaticamente, ele pontuou ao longo do século XX o processo de expansão do capitalismo e suas consequências arrasadoras na vida urbana. De acordo com o professor, esse modelo econômico se apropria das grandes cidades para realizar imensas obras de infraestrutura, tornando o Estado endividado e dependente de financiamentos do capital: “Na medida em que o capitalismo não se torna mais rentável apenas nas quatro paredes de uma fábrica, ele precisa tornar o espaço urbano rentável”, sugeriu Marildo. “Estados Unidos, Japão e Grécia hoje estão com dívidas acima do seu PIB. Eduardo Paes vai deixar o Rio de Janeiro com uma grande dívida. Uma vez que o capital se torna financeirizado, ele vai forçar o Estado a se endividar. O problema não é o dirigente do Estado, mas esse modo de vida social, e que a gente não pode aceitar de forma natural, porque uma cidade em que todos nós não cabemos não vale a pena”, criticou o professor.

Marildo também lembrou que vivemos uma situação de liberdade se comparado ao mundo escravista, mas que ainda continuamos reféns de um sistema segregador: “A reprodução dessa sociedade já não cabe a todos nós. Uma parte significativa está sendo esmagada, e suas vidas não valem nada. No Brasil, morrem de forma violenta 54 mil pessoas por ano: jovens de 15 a 25 anos, do sexo masculino e negros. E a sociedade não se comove porque incorporou a ideia de que a vida dessas pessoas marginalizadas não vale nada”, destacou o professor. “Diante de um mundo em que não cabemos todos, ele produz vários mecanismos inteligentes que fazem uma seleção por meio de assassinatos, moradias… A realidade não é nada razoável, é péssima. E podemos ser pessimistas, porque isso nos deixa lúcidos para percebermos o mundo”, apontou.

Sandra sugeriu que a luta e resistência são as maiores armas para mudar a história. (Foto: Gian Cornachini)

Sandra sugeriu que a luta e resistência são as maiores armas para mudar a história. (Foto: Gian Cornachini)

Diante deste cenário desenhado por Marildo, a economista Sandra Quintela, do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS), sugeriu que a luta e resistência ainda são as maiores armas para tentar mudar os rumos da história: “O grande desafio da gente é a luta nos territórios para fortalecer as resistências que existem e garantir modos de viver diferentes desse imposto pelo capital, que passa por cima de tudo”, lançou ela. O estudante André Germano, do 3º período de Geografia, expôs sua frustração em não conseguir ver em sua região grupos se manifestando: “A gente não consegue reunir essas pessoas para a resistência. Parece que nada vai dar certo. Queria que vocês falassem para a gente o modo como podemos fazer isso, porque para mim é dar um tiro no escuro”, lamentou ele.

Um caminho proposto para driblar o cenário atual foi belamente sugerido pela aluna Rosangela Godinho, do 7º período de Ciências Sociais. Emocionada, ela não quis fazer pergunta aos palestrantes, mas externar a sua esperança na educação como fator de transformação da sociedade: “O capital quer nos amedrontar e dizer que a nossa luta não vai dar em nada, mas temos que nos unir. Tentar ouvir tudo o que foi dito em uma palestra é o começo do começo. Essa oportunidade que a gente tem aqui é de ouro. Somos um curso de licenciatura e a gente vai estar em sala de aula, e é lá que vão começar os primeiros passos de uma modificação, que é possível sim!”, apontou Rosangela. “Se o mundo mais justo se chama ‘loucura’, então celebro essa loucura e digo que sou louca todos os dias”, concluiu a estudante.

Rosangela: "O capital quer nos amedrontar e dizer que a nossa luta não vai dar em nada". (Foto: Gian Cornachini)

Rosangela: “O capital quer nos amedrontar e dizer que a nossa luta não vai dar em nada”. (Foto: Gian Cornachini)

Violações socioambientais: lutas e resistências

Outro momento de destaque durante a Semana de Geografia e Ciências Sociais foi a noite do segundo dia do evento, que trouxe para o debate “Resistências rurais e urbanas aos impactos socioambientais no Estado do Rio de Janeiro”. O palestrante Luiz Otávio Ribas, representante do coletivo nacional de Direitos Humanos do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), chamou a atenção dos estudantes para populações que sofrem com obras arbitrárias do Governo com a promessa de solucionar questões hídricas. Ele destacou a barragem no rio Guapiaçu, no município de Cachoeiras de Macacu (RJ), como um projeto repleto de irregularidades que afetam diretamente a vida e propriedades de 3 mil pessoas, além de 15 mil trabalhadores.

Assista ao curta “Guapiaçu: Um Rio (de Janeiro) Ameaçado”

“As barragens são construídas com escolhas que envolvem uma política pública e de desenvolvimento econômico. Privilegiam áreas do estado que são terras onde o povo trabalha e que ficam bastante afastadas das políticas de incentivo à produção agrícola”, observou Luiz. “O MAB entende que é a luta que transforma, mas ainda assim não há segurança de que a mobilização possa garantir os direitos das pessoas atingidas. Só que a Justiça tem usado dos nossos relatórios para fazer as indenizações, e isso já é motivo para festejar”, destacou ele.

E nada melhor que uma vítima direta dos impactos socioambientais para contar seus dilemas diários de resistência. O pescador Alexandre Anderson, da Associação Homens do Mar da Baía da Guanabara (AHOMAR), apresentou o vídeo “Rio: Baía de todos os perigos!” – que resume a luta de sua comunidade – e relatou os impactos que os pescadores vêm sofrendo com a poluição e industrialização da Baía de Guanabara, e a presença da Petrobras com seus terminais, refinarias e dutos.

Assista ao documentário “Rio: Baía de Todos os Perigos”

Alexandre luta pelo direito de continuar pescando na Baía da Guanabara. (Foto: Gian Cornachini)

Alexandre luta pelo direito de continuar pescando na Baía da Guanabara. (Foto: Gian Cornachini)

“No final dos anos 90, a gente ocupava 70% do espelho d’água da Baía de Guanabara. Depois de 2010, a gente passou a ocupar só 12%. Hoje, pesca-se 80% menos que pescava em 2000. A Baía de Guanabara está sendo tomada por uso industrial, e o que queremos é o direito de continuar fazendo o que os nossos avós e tataravós faziam de maneira digna, em nosso ambiente local”, ressaltou Alexandre.

O pescador mostrou fotos de manifestações da AHOMAR e lembrou da perseguição que sofrem na luta pelo direito a um meio ambiente limpo e um mar próspero para o exercício de sua profissão: “’Só’ fui preso 12 vezes, e absolvido as 12. Tive cinco companheiros assassinados, quatro em militância. Mas a gente não para, e por isso que um dos únicos lugares que não deixo de ir para dar palestra é na academia, porque é daqui que sai a nossa voz”, valorizou ele.

Gratificada com a militância de Alexandre, a estudante Gabriela Barboza da Silva, do 3º período de Geografia, solicitou um espaço para agradecê-lo: “O que seria da sociedade sem um Alexandre? O que seria do mundo sem aquele que grita pela natureza? Eu não tenho a garra de sofrer um tiro como ele, mas tenho de chegar na sala para instruir o meu aluno a não poluir. Na minha vida acadêmica vou falar eternamente sobre você. Meus parabéns!”.

A aluna Gabriela agradeceu ao pescador Alexandre pela resistência de sua comunidade. (Foto: Gian Cornachini)

A aluna Gabriela agradeceu ao pescador Alexandre pela resistência de sua comunidade. (Foto: Gian Cornachini)

Nas sessões dedicadas a trabalho de alunos… o dedicado trabalho de alunos!

A manhã e a noite do último dia ficaram reservadas para as apresentações de trabalhos de alunos – que foram muitos e de extrema qualidade, como frisou a professora Gisele Miranda, que coordenou um dos eixos temáticos na terça à noite: “Vocês estão todos de parabéns. Fizeram uma belíssima participação neste encontro acadêmico. É este mesmo o momento de fazerem suas primeiras apresentações, perderem a timidez. Estou orgulhosa”, disse.

Como não se orgulhar vendo o entusiasmo de estudantes que saíram das salas de aula e foram pesquisar a história e os problemas do entorno de onde vivem, já pensando em como sensibilizar seus futuros alunos para a preservação do meio ambiente e a produção de conhecimento sobre sua região e sua condição? Foi o caso do grupo de Daniele Lourenço, Leyduane Paula, Priscila Ribeiro e Tamiris Sena, graduandos de geografia, que apresentaram o trabalho “Dinâmica fluvial e a escola: o ensino da educação ambiental através da Geomorfologia fluvial”, em que mostraram a situação de degradação do rio Cabuçu e contaram sobre o trabalho desenvolvido com alunos da região, levando-os para observar o rio e entenderem que aquele é o resultado do que as pessoas fazem com a natureza – mas que pode ser diferente.

Pedro e Rosangela apresentam trabalho sobre barra de Guaratiba

Pedro e Rosangela apresentam trabalho sobre barra de Guaratiba. (Foto: Tania Neves)

Pedro Pimenta e Rosangela Goldinho, graduandos de Ciências Sociais, abordaram “Guaratiba – Aspectos urbanos numa região rural”, levantando um pouco da história e mostrando como uma espécie de “urbanização forçada” pode ser a raiz da maior parte dos problemas vistos hoje na região. Na pesquisa, os estudantes observaram lá nos anos 1940, quando foi construído o polígono de tiro e a ponte da Marambaia, o mesmo tipo de discurso que hoje justifica as grandes obras em andamento: “Lá era um discurso sobre proteger o litoral, e com isso construíram a ponte e o polígono e mudaram completamente a cara da região. Antes havia pescadores que trocavam produtos com agricultores. Para realizar essas grandes construções, usaram esses pescadores como mão de obra, e as colônias de pescadores praticamente acabaram, descaracterizando completamente a região. Ao fim das obras, foram abandonados”, relatou Pedro.

Lançamento da Khóra e Carta de Repúdio para as redes

A noite de encerramento XVII Encontro de Ciências Sociais e a XVI Semana de Geografia e Meio Ambiente contou ainda com o lançamento do segundo número da Revista Khóra, que já pode ser acessada no link http://www.site.feuc.br/khora. Os professores Flávio Pimentel (Pedagogia), Mauro Lopes (Ciências Sociais), KhoraRosilaine Silva (Geografia) e Natália Faria (História), citaram os artigos de professores e alunos de seus  cursos incluídos na revista e fizeram um chamamento geral para que todos enviassem propostas de artigos e outras contribuições para o terceiro número, que deve ser lançado durante o Fórum de Educação, Ciência e Cultura, no segundo semestre: “Estamos de braços abertos para receber publicações tanto de professores quanto de alunos”, disse Flávio. “Vamos aproveitar este momento: quem está entregando suas monografias, converse com o orientador sobre a possibilidade de submeter uma parte para publicação na Khóra”, convidou Mauro.

Por fim, a professora Célia Neves, coordenadora do curso de Ciências Sociais, fez um balanço do evento, considerando que o Encontro de Ciências Sociais e a Semana de Geografia mostraram um grande vigor ao mergulhar na produção de conhecimento feito de forma coletiva , ressaltando que esta é a única boa ferramenta para a luta e a militância por um mundo mais justo. “Saímos daqui esperançosos, do verbo esperançar, como Paulo Freire nos ensinou”, disse a professora, que em seguida leu a “Carta em repúdio às intervenções e violações no Rio de Janeiro” (título provisório), escrita a muitas mãos na tarde de quarta-feira, como fruto das intensas discussões realizadas no encontro e tentando refletir o sentimento de indignação coletiva que envolveu todos os que presenciaram os relatos sobre as violações ambientais que o Rio vem sofrendo. A carta será digitada e divulgada nas redes sociais nos próximos dias.

Cada qual no seu quadrado

 

Nova etapa do projeto FEUC Ecoeficiente implanta coletores de lixo identificados para separar com mais facilidade os resíduos recicláveis e os não recicláveis

Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

Alguma coisa começa a mudar na paisagem de pátios e corredores da FEUC por esses dias: a instalação dos novos coletores de lixo, agora em duas versões — uma para resíduos recicláveis e outra para resíduos não recicláveis. Trata-se de mais uma etapa do projeto FEUC Ecoeficiente, que visa a adequar as ações da instituição aos preceitos da sustentabilidade. Os novos coletores trarão mais eficiência ao processo de reciclagem do lixo produzido internamente. “Em um ano de funcionamento da Unidade de Processamento e Tratamento de Resíduos – a UPTR, como chamamos — conseguimos separar do lixo comum mais de 16 toneladas de resíduos recicláveis que puderam ser vendidas no mercado, reduzindo assim nosso gasto com coleta de lixo”, relata Álvaro Martins, chefe do setor de Patrimônio e Segurança.

Coletores identificados para diferentes tipos de resíduos. (Foto: Gian Cornachini)

Coletores identificados para diferentes tipos de resíduos. (Foto: Gian Cornachini)

A conta é animadora: com a venda dessas 16 toneladas de recicláveis, a FEUC obteve cerca de R$ 5 mil; além disso, como a reciclagem significou redução do lixo geral, a conta mensal de R$ 3 mil que era paga a uma empresa terceirizada da Comlurb para o recolhimento do lixo da instituição caiu pela metade, passando a R$ 1,5 mil. Somando a economia na conta com os ganhos da reciclagem, chega-se a um valor anual de R$ 23 mil. Junto com o funcionário Eremilton Lacerda, responsável pela implantação e dinamização da UPTR, Álvaro Martins já planeja tornar o setor autossuficiente e até lucrativo: “A primeira meta é que essa economia e a renda obtida sejam suficientes para pagar a infraestrutura investida e o salário de quem lá trabalha. Mas, se continuarmos nos aperfeiçoando, a reciclagem poderá ser, no futuro, uma fonte de recursos financeiros para a instituição”.

Eremilton explica como: “Aumentando o volume de reciclados. Hoje, uma parte do que poderia ser reciclado acaba sendo perdida, pois a mistura de lixo molhado com lixo seco danifica principalmente o papel. Os novos coletores devem trazer melhorias para o processo, pois o usuário terá recipientes diferentes para descartar cada tipo de resíduo”. E Álvaro completa: “Além disso, quando o esquema estiver bem ajustado, podemos passar a recolher material reciclável de nossos vizinhos e processar aqui”. Ele mesmo já começou a trazer de casa latinhas de alumínio, embalagens plásticas e papelão para descartar na FEUC, e tem estimulado outros funcionários a também fazê-lo: “Teremos também um tonel para recolher óleo de cozinha usado, e quem quiser poderá trazer o óleo de casa para descartar aqui”, diz.

Os novos coletores estarão em pontos estratégicos das áreas comuns. Nos de resíduos recicláveis devem ser descartados plásticos, alumínio, ferro, papéis e papelões limpos e secos; papéis sujos e/ou molhados, assim como restos de comida, devem ser descartados nos coletores de resíduos não recicláveis. Por exemplo, ao terminar de fazer um lanche na cantina, nada de enfiar o restinho do sanduíche dentro do copo plástico e jogar fora tudo junto: descarte o copo no coletor de recicláveis e o guardanapo com o resto do sanduíche no outro. E nunca jogue o copo ou a latinha de refrigerante ainda com líquido dentro, pois isso danificará os papéis secos que estiverem no coletor.

Nesse primeiro ano da UPTR, os campeões na reciclagem foram o papel (4,5 toneladas), o papelão (3,5 toneladas) e o plástico PP dos copos de guaraná natural (1,3 tonelada), mas garrafas PET, ferro, latinhas de alumínio, jornal e óleo de cozinha também apareceram bastante na lista.

Silvinho em ação na tarefa diária de separar os recicláveis. (Foto: Gian Cornachini)

Silvinho em ação na tarefa diária de separar os recicláveis. (Foto: Gian Cornachini)

Sílvio Gomes da Silva — um dos funcionários mais antigos da FEUC, há 27 anos na casa — é hoje o responsável por fazer a separação dos resíduos recicláveis. Ele conta que a maior dificuldade advém justamente do lixo molhado e dos restos de comida misturados. E já comemora a chegada dos novos coletores: “O trabalho vai render mais”, diz Silvinho, conhecido de todos pelos dotes de dançarino e a animação nas festas internas. “Dançar é muito bom, faz bem. Dançar e caminhar são as melhores coisas para a saúde”, ensina o funcionário, que atribui às caminhadas diárias seu bom humor e o vigor para o trabalho.

Consciência ambiental em pauta

 

FEUC realiza I Feira de Desenvolvimento Sustentável e Economia Solidária

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

O Dia Mundial do Meio Ambiente tem uma entrada anual no calendário: 5 de junho. Instituída em uma assembleia promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, na Conferência de Estocolmo, na Suécia, a data tem o objetivo de estimular o debate e a conscientização acerca de temáticas relacionadas à conservação do Meio Ambiente. Neste ano, a FEUC aderiu à mobilização e realizou, no dia 5 de junho, a I Feira de Desenvolvimento Sustentável e Economia Solidária, levantando a bandeira da Justiça Ambiental — que, segundo a organização do evento, refere-se “ao tratamento justo e ao envolvimento pleno de todos os grupos sociais, independentemente de sua origem ou renda, nas decisões sobre o acesso, ocupação e uso dos recursos naturais em seus territórios”.

Impactos da CSA

Dentre as diversas atividades programadas para a Feira, um dos destaques foi a palestra de Karina Kato, assessora técnica do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS) e pós-doutoranda em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Karina levantou um debate sobre os impactos ambientais e sociais da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), pertencente à ThyssenKrupp e instalada na Baía de Sepetiba, na Zona Oeste. Segundo ela, a empresa que derrete minério de ferro e fabrica placas de aço para exportação está em atividade há 6 anos e sem licença de operação devido a uma série de mais de 130 pontos irregulares, que precisam ser corrigidos para que se enquadre à legislação. Karina ainda apontou alguns problemas, entre eles a poluição do ar na região da CSA, onde já foi detectada e emissão de um pó preto contendo diversas substâncias tóxicas nocivas à saúde: “Essa empresa explora nosso minério e nosso território, e os problemas dessa operação não recaem de maneira igualitária na sociedade. Todos temos direitos a um ambiente saudável, e merecemos isso. Então, por que é que quem mora em Guaratiba e Santa Cruz tem que ser obrigado a conviver todos os dias com essa poluição?”, criticou Karine, lembrando de um comentário que o presidente da CSA fez, comparando o ar do entorno da empresa com o ar de Copacabana. Na ocasião, ele afirmou que o ar desse bairro à beira da praia é muito mais poluído que o local onde a CSA está inserida. “E por que não constroem, então, uma siderúrgica na Zona Sul?”, apontou a palestrante, indicando que a empresa foi justamente instalada em um local mais periférico e com um menor Índice de Desenvolvimento Humano, visto que, segundo ela, a classe mais pobre sempre acaba sendo a maior vítima desses megaempreendimentos.

Karina Kato: “Todos temos direito a um ambiente saudável”. (Foto: Gian Cornachini)

Karina Kato: “Todos temos direito a um ambiente saudável”. (Foto: Gian Cornachini)

Agenda 21 local

Vânia Sueli da Costa, professora de Biogeografia e Metodologia do Ensino de Ciências nos cursos de Geografia e Pedagogia, respectivamente, conversou com estudantes do curso técnico de Meio Ambiente do CAEL com o objetivo de lançar uma Agenda 21 local na FEUC. A Agenda 21 é o principal documento da Conferência Rio-92, que instaurou diretrizes ambientais e de desenvolvimento humano para os 197 participantes do encontro. No entanto, para que elas sejam aplicadas, são necessárias intensas ações em prol de tais causas.

A professora acredita que só é possível atingir a Agenda 21 global se cada região aplicar as diretrizes em âmbitos locais: “Nossa realidade é muito diversa, e cada lugar nesse mundo tem sua especificidade. Cabe um planejamento participativo de um determinado território que envolva a implementação da Agenda 21 para alcançar a sustentabilidade dentro daquele ambiente”, disse ela.

O que Vânia planeja para a FEUC, agora, é a formação de um grupo que detecte problemas ambientais e de sustentabilidade na instituição, com o objetivo de erradicá-los ou minimizá-los: “Esse é o ponto mais difícil de qualquer projeto que se relacione com o meio ambiente. É a adesão e o compromisso de cada um em concluí-lo. É exaustivo, mas todo dia temos que falar a mesma coisa, até se acostumarem, porque aí as ações passam a ser automáticas e conscientes”, concluiu a professora Vânia.

Girassóis à vista

Uma ação simbólica marcou a manhã do encontro na FEUC. Estudantes do curso técnico de Meio Ambiente plantaram, no jardim da instituição, sementes de girassol. O ato, segundo o coordenador do curso, professor Luiz Carlos Moura, foi realizado para incentivar os jovens a sentir a natureza.

Estudantes plantam sementes de girassol no jardim da FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Estudantes plantam sementes de girassol no jardim da FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

A aluna Karine Ribeiro, de 15 anos, do 2º ano do técnico, adorou a experiência: “Eu nunca tinha plantado nada. Foi lindo colocar a mão na terra”, disse ela. Giulia Vianna, de 16 anos, do 2º ano do técnico, também aprovou o ato e revelou seus projetos futuros: “Eu quero fazer esse tipo de coisa para a vida toda, mexer com plantio, com reciclagem. Vou estudar Biologia e trabalhar com a ‘mão na massa’, porque eu não quero ficar apenas sentadinha e esperando as coisas acontecerem”, ressaltou a estudante.

 

Redes de saúde, sustentabilidade e solidariedade

 

Desenvolvimento sustentável e economia solidária são a bandeira que dá nome à Feira. E, para fazer jus à proposta, a organização do evento convidou expositores para contribuir no processo de formação social em prol da sustentabilidade, saúde e solidariedade.

Pela primeira vez expondo na FEUC, a agricultora Dalila Silva de Oliveira, de 64 anos, trouxe a alimentação orgânica para a instituição. Proprietária de um sítio no Rio da Prata, em Campo Grande, e integrante da Associação de Agricultores Orgânicos da Pedra Branca – Agroprata, Dalila fez questão de explicar as qualidades dos produtos desta rede de pequenos produtores: “A gente precisa acabar com esse negócio de veneno. O orgânico é bom, e com o selo de garantia, dá para confiar”, afirma a agricultora, que vende hortaliças e mudas, todas cultivadas sem o uso de agrotóxicos. Aos sábados, das 7 às 12h, os produtores da Agroprata comercializam seus produtos na feira ao lado da Escola Santa Bárbara, na Avenida Marechal Dantas Barreto, próximo ao West Shopping.

Dalila expõe produtos orgânicos pela primeira vez na FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Dalila expõe produtos orgânicos pela primeira vez na FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Saberes compartilhados

As artesãs da Rede de Socioeconomia Solidária da Zona Oeste também estiveram na FEUC com suas criações a partir de produtos reciclados. São produtos como bolsas, carteiras, colares, pulseiras, porta-joias, todos fabricados com o reaproveitamento de materiais como retalhos de panos, copos de vidro, latas de extrato de tomate, rolos de papel toalha e papel higiênico.

A Rede foi fundada em 2003 e, há mais de 10 anos, tem uma parceria com o Núcleo de Estudos Urbanos Josué de Castro (NEURB), da FEUC. A instituição cede um espaço do pátio para as artesãs exporem seus trabalhos mensalmente, e também uma sala para se reunirem e promoverem oficinas e trocas de saberes.

A artesã Edna Maria da Costa, de 51 anos, conta que um dos objetivos do grupo é justamente o de se unir para desenvolver um trabalho socioeconômico mais solidário: “A gente junta experiências, dá força uma para a outra. Mostra que o lixo pode ser utilizado para fazer diversas coisas e nos ensinamos a como fazer os produtos”, relata Edna. Ela também ressalta que esses saberes são compartilhados com quaisquer interessados em reutilizar materiais que seriam jogados no lixo: “Nós sempre passamos o conhecimento adiante na feira. Se você chegar e quiser saber como é que se faz tal produto, a gente explica, e até marca um momento para te ensinar”, afirma Edna, que completa valorizando o trabalho: “Eu sou feliz fazendo isso. Eu me vejo útil na comunidade. Dou oficinas, fico entrosada com as pessoas e distraio minha cabeça”, garante ela.

Edna comercializa produtos criados com materiais recicláveis. (Foto: Gian Cornachini)

Edna comercializa produtos criados com materiais recicláveis. (Foto: Gian Cornachini)

Saberes teóricos convertidos em olhares práticos

 

Cursos de História, Geografia e Ciências Sociais das FIC têm apostado bastante em atividades além das salas de aula; em um mês, quatro roteiros foram marcados com o objetivo de visualizar na prática as teorias aprendidas no ambiente acadêmico

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

Os cursos de Geografia, Ciências Sociais e História das FIC estiveram bastante movimentados nos meses de maio e junho. Os três marcaram atividades de campo em fins de semana seguidos, e sempre com o mesmo objetivo: converter o saber teórico aprendido em sala de aula para um olhar prático fora da faculdade.

Região portuária e Vila Recreio II

Como extensão da XV Semana de Geografia e Meio Ambiente e do XVI Encontro de Ciências Sociais (realizados em conjunto entre os dias 12 e 14 de maio), estudantes dos dois cursos tiveram a oportunidade de ver de perto as transformações na região portuária do Rio de Janeiro com as obras do Porto Maravilha — apresentado pela Prefeitura como um projeto de revitalização da área — e também a situação da Vila Recreio II, comunidade do Recreio dos Bandeirantes removida para abrir espaço às obras da Transoeste.

Geografia: Grupo visita a região portuária do Rio; na foto, estudantes na Pedra do Sal. (Foto: Gian Cornachini)

Geografia: Grupo visita a região portuária do Rio; na foto, estudantes na Pedra do Sal. (Foto: Gian Cornachini)

Quem conduziu os alunos pelo trajeto na região portuária foi Tatiane Vaz, mestre em Geografia e professora do Colégio Pedro II de Realengo. O principal objetivo do trabalho foi levar os estudantes para o local a fim de questionarem a chamada “revitalização” da área: “Quando a gente diz que vai revitalizar um lugar, pressupõe-se que lá não tem vida, e que você quer levar vida de novo. Mas a região portuária tem muita vida sim, e precisamos entender qual é esse planejamento urbano dessa cidade”, afirma Tatiane.

O grupo percorreu locais como o Cais da Imperatriz, o Cemitério dos Pretos Novos, a Pedra do Sal, o Centro Cultural José Bonifácio, as proximidades do Morro da Providência e subida ao Morro da Conceição. O trajeto pôde dar um panorama de como a região foi se estruturando nos últimos séculos, e como está sendo a transformação atual que, segundo Tatiane, vem se adaptando para atender, majoritariamente, as classes sociais com maior poder aquisitivo, uma vez que a meta é tornar a região um solo economicamente ativo: “A gente não é contra a renovação e a qualidade de vida, mas contra a maneira como as ações são feitas. A população está alheia ao projeto, fora desse processo. Queremos um Porto Maravilha para todos, e não só para turista, e que a cultura e presença da população local sejam mantidas, sem que ela tenha que se mudar por não conseguir mais sobreviver em um lugar que irá se valorizar com a conclusão dessas obras”, explica Tatiane.

Mapa no Centro Cultural José Bonifácio ilustra as mudanças na região portuária. (Foto: Gian Cornachini)

Mapa no Centro Cultural José Bonifácio ilustra as mudanças na região portuária. (Foto: Gian Cornachini)

A estudante Nilcilene Santos Vieira, de 27 anos, do 4º período de Geografia, ficou surpresa ao ver as diversas transformações na região: “Foi muito interessante ter esse contato de perto com as mudanças, os tombamentos, a história da formação da zona portuária e a retirada forçada de famílias do morro da Providência. Isso me fez refletir sobre essa coisa de interferir no dia a dia das pessoas para mudar o que já existe em função dos interesses do capital”, observa Nilcilene.

Em Vila Recreio II, o jardineiro José Jorge de Oliveira Santos, de 53 anos, morador da comunidade removida para a passagem da Transoeste — uma das quatro vias expressas que estão sendo construídas na cidade — acompanhou o grupo de alunos de Ciências Sociais e os professores Célia Neves, Mauro Lopes e Artur Sérgio. Ele contou que as remoções começaram em 2010, com a justificativa de que era necessário abrir espaço para o traçado da Transoeste, mas o fato é que muitas das casas — como a dele próprio — poderiam ter ficado, pois a avenida não foi construída sobre o local onde elas estavam. Para Jorge, isso levanta dúvidas sobre se, de fato, o projeto é voltado para a melhoria do bem-estar da população — como vende a Prefeitura — ou se serviu apenas como desculpa para varrer a pobreza de uma área que se torna cada vez mais valorizada e de interesse para o grande capital.

De acordo com a professora Célia Neves, esse tipo de atividade em campo é muito importante para subsidiar os graduandos nas necessárias reflexões que devem fazer, tanto academicamente, com amparo na teoria que estudam em sala de aula, quanto a respeito de sua atuação social. “Especialmente em nossa região, mas também em outras partes do Rio e do Brasil, o território vem sofrendo com o racismo ambiental, a violação dos direitos e a segregação cada vez maior dos pobres. O profissional de Ciências Sociais precisa estar atento para interpretar isso e dar sua contribuição na discussão e, também, construir formas de ação na sociedade”, afirma a professora.

Quilombo Sao Jose-17-05-14 008Quilombo São José

Ainda no dia 17 de maio, estudantes do curso de História foram para uma atividade de campo no Quilombo São José da Serra, em Valença, no interior do Estado do Rio. No local, a turma pôde observar a estrutura da comunidade criada por volta de 1850 e que, segundo o professor Oswaldo Bendelack, pouco se modificou depois da abolição da escravatura, em 1888: “Os quilombos são comunidades independentes criadas por negros escravos durante o Período Colonial e Imperial. Eles são vistos como locais de resistência e preservação da cultura africana, e no Quilombo São José pudemos conhecer um pouco da história e memória dessa comunidade”, conta o professor.

Elba Gaya, do 5º período de História, define como “mágica” a visita ao local: “Os quilombolas estavam atordoados com tanta gente, mas pudemos todos nos socializar com delicadeza e consideração. Sentimos o clima, a paisagem, a emoção de estarmos em plena natureza. Tudo foi um grande aprendizado”, ressalta a estudante.

História: alunos observam Monumentoao Marechal Floriano Peixoto, na Cinelândia. (Foto: Gian Cornachini)

História: alunos observam Monumento
ao Marechal Floriano Peixoto, na Cinelândia. (Foto: Gian Cornachini)

Trajeto por monumentos

A professora Vivian Zampa, coordenadora do curso de História, esteve com um grupo de estudantes, no dia 31 de maio (um sábado), em uma atividade de campo chamada de “Caminhada Cultural”, que teve o objetivo de percorrer a região central do Rio de Janeiro por um trajeto que contemplasse a observação de monumentos e espaços históricos. A caminhada se iniciou no Chafariz da Pirâmide, obra de Mestre Valentim criada em 1789 para abastecer com água a região da Praça XV de Novembro; passou pelas estátuas de D. João VI e João Cândido, também na Praça XV; Arco do Telles; Paço Imperial; Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé; o Monumento ao Marechal Floriano Peixoto, na Cinelândia, entre outros. Os lugares percorridos tiveram uma lógica dentro da história do país: possibilitar que os estudantes observassem diversos fatos da virada do Brasil Imperial para o Brasil República.

“No Monumento ao Marechal Floriano Peixoto, fica claro a ideia do que se esperava para o Brasil a partir do século XX: um país militarizado, que celebra valores iluministas e que tenta trabalhar a noção de patriotismo e nacionalidade, convertidos na figura da bandeira do Brasil atrás de Marechal Floriano, e na mulher de braços abertos, que representa a república”, explica Vivian.

Entre rochas e natureza

A I Feira de Desenvolvimento Sustentável e Economia Solidária, que aconteceu no dia 5 de junho, também resultou em uma atividade de campo no dia 7 (um sábado). Os professores Alexandre Teixeira e Vânia Sueli da Costa, ambos do curso de Geografia, levaram estudantes para visualizarem a formação geológica do morro do Pão de Açúcar e a biodiversidade do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, espaço fundado em 1808 pelo príncipe regente D. João de Bragança — que viria e ser coroado rei D. João VI — e que fez daquelas terras o “Real Horto”.

“A formação rochosa do Pão de Açúcar e de todo o Rio de Janeiro contribuiu para a paisagem da cidade. E esse é o objetivo da atividade, observar como os aspectos geológicos e a biodiversidade interagem com a paisagem, pois são conceitos fundamentais da Geografia para entender o espaço geográfico”, diz Alexandre.

Professor Alexandre reúne alunos no Pão de Açúcar para aula de Geomorfologia. (Foto: Gian Cornachini)

Professor Alexandre reúne alunos no Pão de Açúcar para aula de Geomorfologia. (Foto: Gian Cornachini)

Sobre a formação geológica do Pão de Açúcar, o professor explicou, durante a atividade, que todos os continentes eram apenas um, chamado de Pangeia. Com o passar de milhares de anos, eles foram se desconectando e se deslocando. Essa movimentação possibilitou, segundo Alexandre, que atividades vulcânicas e dobramentos da crosta terrestre dessem origem aos morros do Rio de Janeiro. E que chuva, sol forte e a brisa marítima foram desgastando, por exemplo, o Pão de Açúcar, dando a ele o formato que podemos observar hoje.

Todo o conteúdo aprendido durante o dia foi bastante significativo para Cristiano Escobar Ramos, de 24 anos, estudante do 2º período de Geografia. O jovem valoriza a oportunidade de participar de atividades de campo: “Eu acredito que o aprendizado não acontece só na sala de aula, ainda mais em Geografia, que tem muita observação dos espaços”, afirma Cristiano.  Ele ainda avalia a possibilidade de utilizar a metodologia futuramente, quando se tornar professor: “É um tipo de trabalho que é muito bom para poder aplicar com seus alunos do Ensino Fundamental e do Médio. Vai ajudá-los a entender melhor e dar sentido ao que o professor explica, porque vendo na prática fica mais fácil de compreender”, ressalta.

Professora Vania contribui na discussão sobre a formação biológica sobre as rochas. (Foto: Gian Cornachini)

Professora Vania contribui na discussão sobre a formação biológica sobre as rochas. (Foto: Gian Cornachini)

O álbum de fotos completo das atividades de campo está disponível na página da FEUC no Facebook. Clique aqui para acessá-lo.

Semana de Geografia e Meio Ambiente: 14º edição do evento começou hoje

Até sexta-feira serão debatidas questões ligadas ao ensino de Geografia e a formação de professores; atividade de campo será realizada no sábado

Da redação
emfoco@feuc.br

Começou hoje a XIV Semana de Geografia e Meio Ambiente (XIV SG&MA), que acontece entre os dias 5 e 8. O tema dessa edição é “Geografia e Meio Ambiente – repensando a prática do ensino em Geografia e a formação docente”. O evento acontece nas manhãs e noites dos dias 5, 6 e 7, das 8h às 12h e das 19h às 21h40min; e no sábado, dia 8, das 7h às 18h. Estão ocorrendo hoje – e se estendem até sexta-feira – diversas palestras sobre o tema proposto. No sábado haverá um trabalho de campo em Sepetiba, na cidade do Rio de Janeiro. Todas as palestras acontecem no Auditório FEUC e a participação nas atividades pode render até 32 horas de atividades complementares. As inscrições são realizadas no setor de Cursos Livres e o investimento é de R$ 20,00. Para assistir às palestras é necessário chegar com uma hora de antecedência e fazer o credenciamento.

"O livro tem seu discurso ideológico, muitas vezes associado à classe dominante" - Narayana Fernandes. (Foto: Gian Cornachini)

“O livro tem seu discurso ideológico, muitas vezes associado à classe dominante” – Narayana Fernandes. (Foto: Gian Cornachini)

Duas palestras abriram a 14ª edição da SG&MA. A primeira, proferida pela professora Narayana Fernandes de Sousa (Geografia/FEUC), teve como tema “O livro didático e a prática docente”. Narayana debateu o uso do livro didático em sala de aula e a necessidade de o professor não se ater somente a este objeto de ensino: “A gente não pode ter o livro como verdade, pois a verdade deve ser questionada. O livro tem seu discurso ideológico, muitas vezes associado à classe dominante. Portanto, o papel do professor é utilizar esse livro como mais um recurso para a sua aula, ou seja, uma espécie de apoio, e fazer uma análise crítica das questões abordadas pelo autor”, afirmou a professora.

Já a segunda palestra teve como tema “Do trabalho de campo à aula passeio” e foi proferida por Leandro Tartaglia, mestre em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e professor da rede pública do Rio. Falando para uma plateia de graduandos, Leandro ensinou como o professor deve planejar uma atividade de campo e debateu a importância de uma iniciativa dessa aplicada nas escolas: “O professor não precisa ir longe para explicar sobre o meio ambiente. Se a escola não dispuser de recursos, sugiro que você use sua criatividade e conhecimento geográfico do entorno em que você está inserido e aproveite esses espaços para promover atividades de campo”, destacou Leandro.

"O professor não precisa ir longe para explicar sobre o meio ambiente" - Leandro Tartaglia. (Foto: Gian Cornachini)

“O professor não precisa ir longe para explicar sobre o meio ambiente” – Leandro Tartaglia.
(Foto: Gian Cornachini)

Coordenador do curso explica a XIV Semana de Geografia e Meio Ambiente

Luiz Mendes de Carvalho Filho, coordenador do curso de Geografia das FIC, elaborou um texto explicativo sobre a XIV SG&MA. Confira abaixo:

O curso de Geografia da FEUC\FIC ao organizar a XIV Semana de Geografia & Meio Ambiente (XIV SG&MA) que ocorrerá entre os dias 05 e 07 de junho de 2013, nas dependências da FEUC, vai ao encontro dos anseios expostos pelo corpo discente na enquete realizada na XIII SG&MA: uma semana centrada na formação do docente, realidade do contexto escolar e perspectiva profissional do Magistério, em particular da Geografia. Desta forma a XIV SG&MA traz o tema: GEOGRAFIA & MEIO AMBIENTE – repensando a prática do ensino em Geografia e a formação docente.

Na construção dos objetivos e finalidades da XIV SG&MA teve-se a preocupação em pensar o ensino em Geografia e a formação docente não constrito ao modelo, ao didatismo desprovido de conteúdo e da percepção sem crítica ao mundo.  Ao contrário, ao refletirmos sobre a relação do livro didático com a prática docente estamos sinalizando a compreensão do papel e limite deste como instrumento formador.  O que qualifica ações que ao incorporarem o lúdico como recurso didático permitem a percepção do tempo e do espaço em sua dimensão cotidiana, sempre dinâmica, seja em escala histórica ou geológica.

A formação docente pressupõe o reconhecimento e posicionamento diante da relação entre a educação e as políticas públicas para as licenciaturas. Como também o qualificar “fazer ciência” como objeto e campo da prática docente, seja através da reflexão sobre a relação entre os projetos pedagógicos e ação do professor pesquisador, desembocando em procedimentos imprescindíveis para ensinar Geografia, tais como o trabalho de campo e a aula passeio. Tais enfoques e assuntos permeiam a XIV SG&MA.

Assim, contribuímos para a formação de um docente cidadão, crítico, capaz de contribuir para uma vida mais plena de sentidos e de solidariedade; consciente que os instrumentos utilizados na prática docente necessitam de constante reflexão, visando à eficácia dos processos de ensino e aprendizado.

É importante a participação do aluno, pois neste evento serão apresentados e debatidos temas de interesse à prática docente em Geografia comumente não trabalhada em sala de aula, além disto, muitos dos palestrantes atuam na rede de ensino municipal e estadual do Rio de Janeiro.  Outro ponto forte é a participação de ex-alunos do Curso informando suas experiências, expectativas e atuação no Magistério, sua continuidade de formação e titulação (Mestrado e Doutorado), apresentando sua visão como alunos e atualmente como profissionais de ensino, focando na importância da IES em sua formação e o esforço pessoal na busca de aprimoramento profissional e acadêmico.

A XIV SG&MA está organizada em diversas atividades: Conferência de Abertura, Palestras, Colóquios, Exposições, Trabalho de Campo, Atividades Cultural e Musical; distribuídas entre os dias 5 a 8 de junho.  Nos dias 5 a 7 de junho o evento acontecerá das 7h40min até 12h e das 18h até ás 21h50min. No sábado, dia 8 de junho, ocorrerá o Trabalho de Campo para a Baixada de Sepetiba (passando pelo Porto de Itaguaí, Ilha da Madeira e Guaratiba) com previsão de saída às 8h e retorno previsto às 18h. A temática do Trabalho será a evolução urbano-rural da Baixada.

A Comissão Geral, a Comissão Executiva e Monitores do evento, em concordância com a Coordenação do Curso, são responsáveis pela organização XIV SG&MA.  A Comissão Geral é composta pelos professores Artur Sérgio Lopes, Isaac Gabriel Gayer Fialho da Rosa, Rosilaine de Sousa Araújo e Heleno Getúlio Paulo.  A Comissão Executiva é composta pelos alunos Adilson Almeida Guimarães, Gisele de Freitas Berriel, João Carlos Cabral; os Monitores são representados pelos alunos Anice Duarte Lopes Montes, Danieli de Azevedo Gomes,  Eduardo Cândido das Neves, Flaviane Ferreira de Almeida, Marcella Gabi Caetano Santanna, Luma Pereira da Silva, Mirella Alves Porto de Oliveira, Rafaella de Lima Costa e Thiago de Oliveira Ribeiro.  Além disto, o aluno Nilton Santos é responsável pela “Exposição de Rochas” que ficará exposta durante todo o evento, e também atuará junto com os colegas Vinícius Barbosa Vianna da Mata e Thiago de Oliveira Ribeiro na atividade musical que acontecerá na sexta-feira, à noite.

A profa. Rosilaine de Sousa Araújo e o Prof. Artur Sérgio apresentarão trabalhos, sob a forma oral e pôster, junto com seus alunos, respectivamente, das disciplinas de Geografia Física do Brasil e Geografia Agrária.

As inscrições devem ser feitas no Setor de Cursos Livres/Cepope, o aluno que participe de todo o evento (manhã, noite e trabalho de campo) poderá obter até 32h/a.  O valor do investimento é de R$20,00/aluno para inscrições individuais, para grupos de dez alunos a inscrição será de apenas R$10,00.  O Trabalho de Campo será cobrado à parte, uma vez que só temos 40 vagas e o custo será de aproximadamente R$12,00/aluno.

O programa geral é apresentado a seguir:

Clique na imagem para visualizar a programação completa

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Curso de Sistemas de Informação traz palestrante para discutir as aplicações das geotecnologias, no próximo dia 4

 

Tais sistemas informatizados são utilizados para fazer mapeamento de solo e diagnósticos de áreas de risco para enchentes ou deslizamentos, por exemplo

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

O Núcleo de Estudos em Sistema de Informação (NESI) promoverá, no dia 4 de junho, a palestra “As Geotecnologias e Suas Aplicações”. O evento acontecerá no Auditório FEUC, das 19h às 20h, e é voltado para alunos do curso de Sistemas de Informação, mas está aberto aos demais estudantes e também ao público externo.

Palestrante

O palestrante convidado é Tiago Marino, professor assistente do Departamento de Geociências da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Tiago é graduado em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em Engenharia de Transportes pela Universidade de São Paulo (USP), além de ser especializado em Engenharia de Redes e Sistemas de Comunicação pelo Instituto Nacional de Telecomunicações (INATEL). O professor ainda colabora com o Centro de Apoio Científico a Desastres da Universidade Federal do Paraná (CENACID/UFPR) e é representante brasileiro da ONU para atendimento a desastres ambientais na América.

Geotecnologias em pauta

As geotecnologias são sistemas informatizados que gerenciam informações geográficas. A palestra sobre o tema tem o objetivo de mostrar aos estudantes de Sistema de Informação a aplicabilidade dessas tecnologias, conforme explica o coordenador do curso, Rodrigo Neves: “As geotecnologias estão em alta no mercado. A ideia é apresentar aos alunos a aplicação da informática nesses sistemas ligados à geociência e ao meio ambiente”, diz o professor.

As aplicações das geotecnologias vão desde mapeamento de solo até diagnósticos de áreas de enchentes ou deslizamentos, entre outros fins. Como o palestrante Tiago Marino está envolvido nas questões geográficas, ele foi escolhido para explicar o universo das tecnologias aplicadas ao meio ambiente.

O evento faz parte do ConectaFEUC, um ciclo de palestras dos cursos de Licenciatura em Computação e Bacharelado em Sistemas de Informação. O ConectaFEUC foi criado com o objetivo de apresentar as tendências do mercado para a formação do profissional de Tecnologia da Informação.

A palestra renderá duas horas de atividade complementar aos estudantes participantes. Para acessar o cartaz de divulgação do evento, clique aqui.