Tag: Literatura

“O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê”

Evento na FEUC debate inclusão e acessibilidade para pessoas cegas ou com baixa visão e o papel do professor de português nesse processo

Por Pollyana Lopes

Aconteceu na FEUC, na última quarta-feira, dia 6 de julho, o “I Encontro de Educação, Acessibilidade, Arte e Inclusão”, um evento para oficializar a participação da FEUC na Rede de Leitura Inclusiva, um dos projetos da Fundação Dorina Nowill, e celebrar o primeiro aniversário da Lei Brasileira de Inclusão.

A parceria da FEUC com o projeto é mais um fruto das atividades do PIBID Letras que, por meio da Produção de Acervo de Áudio, aproximou-se da Fundação Dorina, uma instituição que há 70 anos trabalha pela inclusão social de pessoas com deficiência visual. O objetivo era fazer com que as gravações de textos de domínio público lidos por estudantes de escolas públicas, sob a orientação de bolsistas das FIC, chegassem a cegos e portadores de baixa visão. Com a integração da FEUC à Rede, a parceria entre as instituições se fortalece e reforça o compromisso de ambas em promover ações voltadas para pessoas com deficiência visual.

"Não dá para pensar educação sem pensar em amor, em fraternidade. Não dá para pensar em inclusão, em acessibilidade sem também pensar em amor, em fraternidade, em respeito", declarou o professor Erivelto Reis, sobre o tema do debate, "Incluir com Qualidade e Amor". (Foto: Pollyana Lopes)

“Não dá para pensar educação sem pensar em amor, em fraternidade. Não dá para pensar em inclusão, em acessibilidade sem também pensar em amor, em fraternidade, em respeito”, declarou o professor Erivelto Reis, sobre o tema do debate, “Incluir com Qualidade e Amor”. (Foto: Pollyana Lopes)

“Esse encontro faz de todos os presentes cofundadores, testemunhas, parceiros também desse compromisso que a FEUC já vem trabalhando há algum tempo e que, a partir de agora, está assumindo definitivamente, tornando público para a comunidade de estudantes e para a comunidade externa”, frisou o professor Erivelto Reis.

O evento contou com a projeção do documentário “Janela da Alma”, um filme dos diretores João Jardim e Walter Carvalho, com depoimentos de homens e mulheres com diferentes níveis de deficiência visual. E também com falas do professor das FIC e psicólogo Marco Antônio Chaves, da professora da rede estadual Tatiana Reis, e do estudante do 3º ano do Colégio Albert Sabin Jeanderson Baptista, que é cego.

Tatiana falou sobre os desafios dos professores e das escolas em estar atender pessoas com deficiências. (Pollyana Lopes)

Tatiana falou sobre os desafios dos professores e das escolas em estar atender pessoas com deficiências. (Pollyana Lopes)

Tatiana falou sobre o papel de professores de português nos processos de inclusão, e declarou que o objetivo do educador é sensibilizar os estudantes para o texto e desenvolver neles autonomia para o aprendizado. Jeanderson, que foi aluno de Tatiana há dois anos, comentou sobre o seu processo de aprendizagem, alguns métodos e sua experiência como monitor na Sala de Recursos, um espaço, no Colégio Albert Sabin, que conta com materiais e atividades pedagógicas complementares orientadas por um Núcleo de Apoio Pedagógico Especializado, com o objetivo de apoiar estudantes cegos, surdos e portadores de síndromes. O professor e psicólogo Marco Antônio destacou que, na qualidade de psicólogo, a prática de consultório o fez acreditar que uso da palavra deficiência reforça a diferença como algo pejorativo na sociedade e prefere o uso de outros termos, como disfunção.

 

Jeanderson está terminando o Ensino Médio, atua como monitor na Sala de Recursos auxiliando colegas e contou que acabou de passar em um concurso para o INSS. (Foto: Pollyana Lopes)

Jeanderson está terminando o Ensino Médio, atua como monitor na Sala de Recursos auxiliando colegas e contou que acabou de passar em um concurso para o INSS. (Foto: Pollyana Lopes)

Por fim, a fala do poeta Manoel de Barros no documentário “Janela da Alma” poetiza a ação cotidiana de quem atua no sentido de incluir socialmente pessoas com deficiências visuais, principalmente por meio da leitura. Jeanderson e os demais cegos não contam com o olho para ver, mas as palavras faladas podem inspirar as lembranças a serem revistas e, assim, o conhecimento a ser produzido por meio da imaginação, que transvê um mundo mais acessível, inclusivo e justo. Como complementa o poeta, “É preciso transver o mundo”.

Pães, livros, músicas e conhecimento

 

Professora de espanhol do CAEL aposta em cafés literários para incentivar os alunos a aprenderem de forma lúdica

Por Pollyana Lopes
emfoco@feuc.br

Com apenas um tempo por semana, as aulas de espanhol são repletas de conteúdo. Para escapar um pouquinho da rotina das aulas formais e se aproximar mais dos alunos, porém, a professora Natália Coelho introduziu em suas turmas uma novidade: o café literário, realizado ao final de cada bimestre. A ideia é que os alunos cantem, leiam poesias, dancem músicas em espanhol e interajam entre si e com a “maestrina”. Além, é claro, de saborearem diferentes tipos de pães, bolos e salgados.

Refrigerantes, misto quente, sucos de caixinha, pães e bolos estão no cardápio dos cafés. (Foto: Pollyana Lopes)

Refrigerantes, misto quente, sucos de caixinha, pães e bolos estão no cardápio dos cafés. (Foto: Pollyana Lopes)

Natália, que estudou nas FIC, conta que conheceu essa metodologia com o professor Adriano Oliveira Santos, que fazia cafés literários depois das provas. “Ele foi meu orientador na graduação e na pós. Um grande amigo e um professor perfeito. Eu me espelho nele para trabalhar e sempre dá certo”, conta. Ela também explica suas motivações para tocar a iniciativa: “Como eu só tenho um tempinho de aula por semana, decidi fazer este projeto para termos um momento de aprendizagem diferenciado do formal. Neste café, além de todas as informações transmitidas, batemos papo, tiramos fotos e é uma forma para eu me aproximar dos meus alunos e eles de mim. Dá super certo! Começamos um bimestre mais relaxados e dispostos para aprender melhor, fora que é uma delícia!”, empolga-se.

Os estudantes, apesar de nem sempre prepararem algo para apresentar no evento, aprovam a iniciativa. Paola Maia, do 1º ano do técnico em Informática, comenta o café: “É legal, dá tempo de conversar e a gente sai da rotina de pegar apostila, ficar quieto e assistir a aula. A última vez foi melhor porque teve dança e duas pessoas cantaram. E também dá mais intimidade com a professora. Ela abre espaço para a gente conversar com ela”, diz.

Apesar de ter gostado da edição do evento que teve mais apresentações, Paola se justifica da mesma maneira que a maioria dos colegas quando questionada sobre o porquê de não ter preparado nenhuma apresentação. “Só lembrei ontem à noite e tinha que fazer outro trabalho, por isso não deu tempo de preparar nada”, alega.

Mesmo assim, isso não é desculpa para cancelar a atividade. Os alunos improvisam, dançam “Macarena”, cantam músicas da novela para adolescentes “Rebelde” e apresentam os times espanhóis. E, mesmo no improviso, alguns se destacam.

Aluno do 2º ano do técnico em Administração, João Pedro Consoli foi instigado pela turma a ler uma de suas poesias. Esquivando-se do espanhol e da exposição de seus escritos próprios, ele entoou um rap crítico e ritmado chamado “O que separa os homens dos meninos”, do rapper Sant: “É minha vida e o beat em cima / Ó, imagina. Eu já passei por cada coisa, mano / Explica o que é divórcio pra uma criança de 3 anos / Sem rumo e sem plano / Minha família é minha coroa, se tu entende o que eu tô falando”.

Alunos do 2º ano de Administração improvisaram com apresentação stand up e cantando “Rebelde”. (Foto: Pollyana Lopes)

Alunos do 2º ano de Administração improvisaram com apresentação stand up e cantando “Rebelde”. (Foto: Pollyana Lopes)

O jovem do rap elogia a iniciativa do sarau e apresenta outra explicação para a tímida adesão dos colegas: “Eu acho que é vergonha. Eu mesmo, a maioria das coisas que eu escrevo, só o meu irmão lê”, revela.

Mas a professora insiste em promover a literatura e o conhecimento em ambientes menos formais. Quando um estudante questiona “se é literário, cadê o livro?”, enfática, ela esclarece: “Desde quando a literatura se prende em papel? Ela não se prende apenas no papel ou em um momento da história”. Literatura não é só papel, e aula não é só “cuspe e giz”. É com esse espírito que Natália continua organizando os cafés literários, para que os alunos aprendam, às vezes, sem perceber.

Idade Média é tema de palestra de Letras

 

Professora destacou referências medievais na produção cultural contemporânea

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

O curso de Letras das FIC voltou no tempo para entender a influência de um importante período europeu nas produções culturais da atualidade. A palestra “Signos medievais na contemporaneidade”, ministrada pela professora Caroline Reis e que aconteceu na noite de sexta-feira, dia 10, trouxe diversos exemplos de como o imaginário de herói e nobreza entre os séculos X e XV na Europa continuam presentes.

Professora Caroline: "Gosto de mostrar como a literatura é circular". (Foto: Gian Cornachini)

Professora Caroline: “Gosto de mostrar como a literatura é circular”. (Foto: Gian Cornachini)

Segundo Caroline, foi no período medieval que houve a formação das línguas e literaturas nacionais na Europa, e o cavaleiro tornou-se o personagem mais usado como símbolo do homem heroico durante o Romantismo (período datado entre os séculos XVIII e XIX). “Embora já tivesse passado muito tempo, o cavaleiro medieval continuava representando o período importante na formação identitária dos países europeus”, disse ela.

No entanto, esse imaginário continua sendo reconfigurado nas mais variadas formas de expressão artística, como explicou a professora: “Gosto de mostrar como a literatura é circular. Os filmes de super-heróis, videoclipes, séries e jogos exploram o universo medieval quando vemos suas roupas inspiradas nos cavaleiros. Em ‘Os Vingadores’, tem o herói que usa armadura, tem o arqueiro… Ou seja, o arquétipo dos personagens é o mesmo. Só estamos recontando as histórias”, analisou a professora.

Um exemplo atual e brasileiro da presença cultural da Idade Média é o videoclipe da música “Beijinho no ombro”, da cantora Valesca Popozuda. Caroline apresentou o clipe na palestra e comentou as referências: “A história se passa em um castelo medieval em Itaipava, na região serrana do Rio. No começo a gente vê a ideia da guerra, da força. E depois a legitimidade dela como rainha”, destacou. “A mensagem dela é para as inimigas — um estilo ainda do Trovadorismo, do século XI, quando surgiu a primeira literatura portuguesa com as cantigas de amigo, de escárnio e maldizer. Aliás, o nosso funk tem muito do Trovadorismo ainda, porque é uma tradição da nossa formação literária e artística, e a gente vê que isso ainda se mantém”, concluiu.

 

De gari a escritor, uma trajetória feliz

 

Campo-grandense por opção, Odir Ramos da Costa é autor de várias peças de teatro, dirigiu o Arthur Azevedo e teve importante atuação no jornalismo e na cultura em nossa região

Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

Sabe aquelas pessoas sobre quem a gente diria “a vida de fulano rende um romance”? O campo-grandense por opção Odir Ramos da Costa é uma dessas pessoas. E o melhor de tudo: talentoso escritor, ele mesmo tascou no livro “Buquê para Faceira”, lançado há alguns meses, pinceladas do muito que viu e viveu ao longo de seus 79 anos, embora não se trate explicitamente de uma história autobiográfica. “O narrador fala na primeira pessoa, mas não se identifica. É um garoto que descobre o mundo num ambiente pesado que era a limpeza urbana na época ainda da tração animal”, revela Odir.

Esse garoto, fosse o autor, teria nascido em Rio Bonito e chegado em Campo Grande aos seis meses de idade, junto com a mãe, que se separara do pai. Odir foi criado pela mãe e o padrasto, que se tornou seu melhor amigo e exemplo de vida. E pelas mãos de quem foi parar na limpeza urbana (hoje Comlurb), aos 18 anos, depois de “sobrar” na seleção para o Exército e não ter como voltar para o trabalho que fazia desde os 14 numa agência de publicidade, de onde saíra para cumprir o dever cívico.  “Sem emprego, me restou ir trabalhar com meu padrasto, que então varria ruas no Méier. Encarei por um ano e pouco essa função, depois passei para a parte administrativa, em Bangu, onde fiquei por mais uma década”, conta.

Odir Ramos da Costa teve importante atuação no jornalismo e na cultura em nossa região. (Foto: Tania Neves)

Odir Ramos da Costa teve importante atuação no jornalismo e na cultura em nossa região. (Foto: Tania Neves)

O padrasto de Odir, Atílio, fora por muitos anos um bem-sucedido gerente de um barracão de laranjas em Campo Grande, quando esta era praticamente a única atividade econômica da região. Com esse trabalho, deu uma vida confortável à família. Mas a Segunda Guerra Mundial e a fumagina, que dizimou os laranjais, quebraram a atividade, e Atílio mudou-se com a família para a Ilha do Governador, onde se tornou padeiro. Foi assim que Odir se iniciou na vida do trabalho, aos 7 anos, ajudando o padrasto nas entregas: enquanto o homem conduzia a carroça, o menino deixava o pão e o leite nas portas, numa jornada que ia das 5h às 6h40m da manhã, e dali ele emendava na escola.

“Tempos depois voltamos para Campo Grande, e eu continuei meus estudos no Almirante Saldanha. Aos 14 anos comecei a trabalhar no Centro, numa agência de publicidade dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Eu vi nascer a TV no Brasil”, relembra. A primeira função de Odir era praticamente de boy: ele levava os clichês com os anúncios publicitários para os jornais e depois levava as publicações para os anunciantes verem. Transferido para o setor de anúncios fúnebres, passou ele mesmo a redigir as notas, depois que descobriram que sabia datilografar. “Eu adorava a palavra féretro. E fazia com a maior dedicação os comunicados fúnebres, que seriam lidos na Rádio JB. Pensava assim: ‘graças a mim esse cara não cairá no esquecimento’. Considerava importante”.

Voltando à limpeza pública, foi ainda paralelamente ao trabalho como gari que Odir começou a colaborar em jornais da região — Tribuna Rural foi um deles — e a escrever suas peças de teatro, ramo em que conquistou reconhecimento público e acumulou prêmios, entre eles o 2º lugar no concurso do Serviço Nacional de Teatro, em 1975, com “Sonhos de uma noite de velório”. Ele então já era repórter do Jornal de Campo Grande, onde trabalhou por 17 anos.

Seu livro está à venda em www.livrariacultura.com.br. (Imagem: Divulgação)

Seu livro está à venda em www.livrariacultura.com.br. (Imagem: Divulgação)

No vasto currículo de Odir, além de 7 peças escritas e uma em andamento, consta ainda a direção do Teatro Arthur Azevedo, nos anos 80, e uma passagem como editor pelo Jornal de Hoje, de Nova Iguaçu, nos anos 90. Uma vida dedicada ao jornalismo e ao teatro, e sempre envolvido com as questões culturais e sociais da Zona Oeste. Casado com Ana Maria, tem quatro filhos (dois do primeiro casamento), dois netos e um bisneto. Hoje aposentado, dedica-se somente à literatura e à dramaturgia. Seu mais recente livro, “Buquê para Faceira”, foi lançado pela portuguesa Chiado Editora, e pode ser comprado no site da Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br). “Se passar de mil exemplares vendidos, será revertido para o espanhol e o inglês, e ganhará o resto do mundo”, avisa, orgulhoso.

Leitura para agitar o cérebro

 

Biblioteca montada pelos próprios integrantes disponibiliza diversos livros a quem participa da UNATIL

Por Pollyana Lopes

emfoco@feuc.br

Na Universidade Aberta à Terceira Idade Leda Noronha (UNATIL), os idosos têm a oportunidade de manter o corpo dinâmico em aulas de yoga, dança, canto etc. Para manter “mente sã em corpo são”, porém, é preciso trabalhar também o cérebro, o raciocínio, o espírito. Nesse quesito, a leitura pode ser um grande aliado. Para quem já passou dos sessenta e está sujeito a uma série de agravos que podem levar embora até mesmo as lembranças, não há melhor remédio. Por isso a leitura é incentivada entre os integrantes do grupo da terceira idade, por meio de uma biblioteca própria.

DSC_0277Entre uma atividade e outra, nas tardes de terça, quarta e quinta-feira, quem passa em frente à sala da coordenação da UNATIL, na FEUC, encontra uma banca cheia de livros.

A iniciativa de montar a biblioteca partiu de Maria José da Silva, que teve a intuição depois de uma das atividades culturais organizadas pela universidade. Em uma visita ao Castelo Mourisco, o prédio principal da Fundação Oswaldo Cruz, ela e os colegas conheceram o projeto de troca de livros daquela instituição. Zezita, como carinhosamente é conhecida, acreditou que algo parecido poderia ser implementado na UNATIL. Então ela e as colegas, com apoio da FEUC, saíram em busca de doações de livros — e prontamente foram atendidas. Hoje, a pequena biblioteca conta com mais de 150 publicações.

“Eu trouxe a ideia porque vi na Fiocruz uma coisa de troca de livros, nem era uma biblioteca. Lá eles levam um livro, pegam outro e levam pra casa. Eu gostei da ideia e trouxe pra cá, mas aqui nós modificamos. Eu falei com os outros componentes para trazerem livros e doarem para a gente formar uma pequena biblioteca. Assim, nós emprestamos: uns doam e outros levam emprestados, ficam sete dias com o livro e, se não conseguirem ler, é só renovar”, explica Zezita.

Entre as mais empolgadas com a leitura e cativadas pelo projeto está Waldea Bernardo. Apesar de ter a possibilidade de adquirir livros por outros meios, seu nome aparece frequentemente na lista de empréstimos. Ela, que prefere os romances clássicos de Eça de Queiroz, Machado de Assis, José de Alencar e Luis Fernando Veríssimo, destaca a importância da leitura e alerta que o hábito deveria ter mais adeptos: “Ler é importantíssimo, leitura acrescenta tudo na nossa vida. De tudo o que a gente lê, a gente aprende um pouco. Eu acho que as pessoas deveriam ter mais interesse. Quinze, vinte minutinhos que você tira para ler um capítulo, dois, três, não vão ocupar tanto o seu tempo, e só tem a acrescentar, ainda mais na nossa idade”, incentiva Waldea. “A gente tem que ler, procurar sempre atividades pra mente não parar, porque senão ela para e a gente fica só pensando em coisas que não deve. A leitura é o melhor caminho, qualquer tipo de leitura, até gibi eu leio. Eu gosto mesmo!”, enfatiza.

A professora Leda Noronha, fundadora e diretora da UNATIL, ressalta o protagonismo do grupo que teve a iniciativa: “A ideia da biblioteca da UNATIL surgiu dos próprios integrantes. As doações foram feitas por diversas pessoas e não há nenhuma restrição”, esclarece a diretora. “A pessoa doa o que quiser, e o outro lê o que quiser. Livros religiosos, científicos, literatura, tem um pouquinho de tudo porque é um esforço coletivo, um esforço deles. Isso é incentivado por nós porque a gente sempre dá muita importância às atividades que brotam do próprio aluno”, diz.

A banca impressiona pela variedade de livros em oferta. (Foto: Pollyana Lopes)

A banca impressiona pela variedade de livros em oferta. (Foto: Pollyana Lopes)

Tímida, é preciso um pouco mais de conversa para que Zezita conte suas motivações mais íntimas em propor a biblioteca. “Eu adoro ler, por isso eu tive essa ideia. Já li muito na minha vida”, revela. Pensando nos colegas, ela se solidariza: “Às vezes você gosta de ler, mas não tem como, até comprar, porque livro é caro”, pondera Zezita.

O projeto cumpre seu papel, como diz a própria Zezita: “Foi um sucesso. Sempre tem alguém pegando livro”, alegra-se.

Por dentro da biblioteca

 

Tudo o que há e o que está por vir

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

Mais de 16 mil títulos impressos estão disponíveis para consultas e empréstimos. (Foto: Gian Cornachini)

Mais de 16 mil títulos impressos estão disponíveis para consultas e empréstimos. (Foto: Gian Cornachini)

Do impresso ao digital, a Biblioteca Joaquim Ribeiro, fundada na FEUC em 1966, oferece hoje um vasto número de livros e publicações que atendem a todos os cursos da instituição, além de serviços e atividades para complementar a formação acadêmica dos estudantes. Peça fundamental para a avaliação das graduações junto ao MEC, o setor é responsável também por contribuir com as boas notas atribuídas aos cursos, como explica o bibliotecário Guilherme Carneiro Santos: “Os avaliadores do MEC ficam encantados em verificar que uma instituição pequena na Zona Oeste tem investimento pesado em conteúdo digital e ferramentas que em instituições de ensino públicas, inclusive nas de origem dos avaliadores, às vezes não tem”, ressalta Guilherme. “Nessa dimensão, eles dão nota máxima na avaliação setorial, e isso potencializa muito as notas finais dos cursos”, afirma ele.

Conheça, a seguir, os serviços e futuras atividades desenvolvidas na biblioteca da FEUC.

Acervo físico e digital

Mais de 16 mil títulos impressos estão disponíveis para consultas e empréstimos. Há também assinaturas de 45 revistas e periódicos específicos por área, como a revista Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as publicações da Sociedade Brasileira de Computação e a Revista Brasileira de Educação. A disponibilidade do exemplar é consultada por um sistema informatizado na entrada do setor. Basta inserir informações como o nome do livro ou autor para fazer a verificação. O uso do acervo se faz por meio de um cadastro na biblioteca para obter uma carteirinha de acesso. O valor da emissão do documento é de R$ 4,00 (bolsistas do Pronatec estão isentos da taxa). Os empréstimos são gratuitos.

Acervo digital possui mais de 8 mil títulos diferentes e completos. (Foto: Gian Cornachini)

Acervo digital possui mais de 8 mil títulos diferentes e completos. (Foto: Gian Cornachini)

Em 2010, a FEUC implementou a Biblioteca Virtual Universitária, um ambiente on-line que sozinha oferece hoje 3.200 livros digitais de editoras associadas, como Contexto, Papirus, Scipione, e Companhia das Letras, entre outras. A partir de 2014, o acervo mais do que dobrou de tamanho com a inserção da “Minha Biblioteca”, um outro ambiente virtual de publicações digitais de editoras diferentes da Biblioteca Virtual Universitária, como Saraiva, Atual, Santos, Artmed. O acervo digital passa hoje dos 8 mil títulos, podendo ser acessado pelos interessados a partir de qualquer computador, celular ou tablet conectado à internet. Para isso, é só se “logar” na área restrita do aluno pela página da FEUC (www.feuc.br) e verificar no menu as opções “Biblioteca Virtual Universitária” e “Minha Biblioteca”, que automaticamente o usuário será redirecionado para o acervo das editoras. É possível ler o livro completo e imprimir uma quantidade restrita do arquivo, visto que a lei de direitos autorais não permite a reprodução completa da obra. O acervo digital oferecido pelas duas bibliotecas on-line está contemplado, em média, com 50% a 70% do acervo físico por curso.

Bibliografia e normas ABNT

A fim de minimizar erros de formatação de trabalhos com base na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a biblioteca dispõe de uma assinatura direta com a Associação para oferecer as diretrizes de referências mais recentes para consultas. Outra ferramenta para ajudar a montar, por exemplo, monografias, é o “More”, um sistema que cria automaticamente todos os tipos de referência bibliográfica, bastando inserir os dados dos livros. A referência, então, é gerada e, depois, é só copiá-la e colá-la no editor de texto. Informações sobre como utilizar esses recursos podem ser consultadas com os funcionários do balcão de atendimento da biblioteca.

Cabines individuais e salas de estudo em grupo no segundo andar. (Foto: Gian Cornachini)

Cabines individuais e salas de estudo em grupo no segundo andar. (Foto: Gian Cornachini)

Cursos de capacitação

Dois cursos serão ofertados ainda neste semestre pela biblioteca: “Introdução à pesquisa bibliográfica”, voltado para estudantes do primeiro período de quaisquer cursos; e “Seminários de monografia” para alunos matriculados na disciplina. A primeira capacitação terá como objetivo apresentar os recursos da biblioteca e ensinar a utilizar as ferramentas digitais. A segunda funcionará como uma atividade para tirar dúvidas sobre formatação do trabalho monográfico. Ambas serão gratuitas e renderão horas de atividades complementares. Assim que estiverem disponíveis, os alunos serão informados. A ideia é que a partir do próximo semestre os cursos sejam sempre oferecidos no início de cada período letivo.

A biblioteca também está planejando lançar dois cursos de extensão em agosto: “Metodologia da Pesquisa Educacional”, que tem a proposta de tornar o aluno apto a preparar projetos científicos e tomar ciência dos diferentes métodos de pesquisa; e “Tecnologia de Informação Aplicada à Educação”, que capacitará futuros professores a utilizar tecnologias em sala de aula. Os cursos ainda estão em fase de planejamento, portanto sem carga horária, datas e valores definidos.

Núcleo do IBGE

Recentemente, a FEUC assinou um termo de cooperação técnica com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que fará da instituição um núcleo base do IBGE na Zona Oeste. A biblioteca receberá este ano todas as publicações editadas pelo Instituto e se tornará referência na região para o acesso ao conteúdo oficial do IBGE.

Com vocês, os vencedores de 2014

 

Premiados dois estreantes na categoria Aluno e uma veterana – todos poetas de longa data

Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

Muitas semelhanças unem os vencedores da edição de 2014 de nosso Prêmio de Literatura na categoria Alunos da FEUC: os três são atores, escrevem poesia desde a adolescência e vieram buscar, nas Letras e na Pedagogia, suporte para melhor desenvolver suas atividades nas artes.  Júlio Corrêa, que faz pós-graduação em Estudos Literários, ficou em 1º lugar; Helton Tinoco, aluno de Pedagogia, em 2º; e Suely Resende Oliveira (Gui Soarrê), que está se formando em Letras, cravou o 3º lugar.

Júlio e Helton: semelhanças físicas, de idade e na paixão por teatro e poesia. (Foto: Gian Cornachini)

Júlio e Helton: semelhanças físicas, de idade e na paixão por teatro e poesia. (Foto: Gian Cornachini)

Na categoria Âmbito Nacional os vencedores foram Wesley Moreira de Almeida, da Bahia, em 3º lugar; Manoela Frances, de Pernambuco, em 2º; e Alcir Pimenta, aqui de Campo Grande, que conquistou o primeiríssimo lugar com um soneto em homenagem ao poeta Manuel Bandeira. Nas páginas seguintes, publicamos um perfil deste ilustre morador da Zona Oeste.

De acordo com o poeta e professor Américo Mano, que coordena o Prêmio FEUC junto com a também poeta e professora Rita Gemino, o nível da competição cresce a cada ano, tanto em quantidade de inscritos — foram 571, nas duas categorias — quanto na qualidade dos poemas: “O aumento do número de inscrições permite uma seleção de textos com mais apuro, tanto na parte objetiva, técnica, quanto na parte subjetiva, causadora da emoção”.

Voltando aos alunos premiados, nosso encontro com os dois primeiros colocados foi curioso. Constatamos que Júlio e Helton têm a mesma idade (40 anos), ambos são atores e escritores, guardam uma incrível semelhança física entre si e concorreram na categoria Alunos pela primeira vez. Mas as coincidências terminam aí, porque Helton é absoluto estreante em concursos, ao tempo que Júlio é assíduo em disputas desse tipo, foi finalista do Prêmio FEUC em Âmbito Nacional por diversas vezes, venceu vários outros concursos e tem três livros publicados. E os dois ainda não se conheciam!

Gui Soarrê: premiada nos três anos da graduação de Letras. (Foto: Arquivo Pessoal)

Gui Soarrê: premiada nos três anos da graduação de Letras. (Foto: Arquivo Pessoal)

Júlio é oficial da Marinha, formou-se em Letras, estuda Artes Cênicas e escolheu a pós em Estudos Literários por causa da atividade como escritor.  É conhecido no meio literário da região e saudado como destaque da nova geração de poetas. Já Helton é ator e dramaturgo, e cursava Teatro na UniRio antes de se transferir para Pedagogia na FEUC, à cata de mais subsídios para sua prática dramatúrgica, pois escreve e monta pelo menos uma peça infantil por ano.

Gui Soarrê, detentora do primeiro lugar nas duas edições anteriores do Prêmio FEUC, recebeu a notícia da terceira colocação em 2014 com surpresa. Não por ter caído de posição, mas por figurar entre os vencedores. A atriz e maquiadora — que cursa Letras por uma satisfação pessoal — conta que escolheu de última hora um poema para inscrever, mas sem esperanças, pois não o considerava bom para concurso: “Pelo inesperado, a premiação teve um sabor diferente. E também porque é o meu último período e estou feliz por ter tido meus versos premiados durante os três anos que aqui estive”, conclui.

 

[1º] SUPER-HERÓI EM QUADRINHOS (Júlio Correa)

Reconto os azulejos do banheiro
Perco a conta das gotas
que nascem da torneira prateada

Minhas ideias se confundem
com as idas e vindas das formigas negras
que esbarram nos meus pés

A toalha esticada sobre o basculante
o sabonete amarelo
o papel higiênico
o chuveiro elétrico
Sou a única peça estranha
no quadrado pintado de salmão

A porta não está trancada
mas tenho medo de girar a maçaneta

Deito no chão frio
Abraço o vazio
Beijo a pedra marrom

Sou flor só na pintura

Sou eu só por dentro

Sou super-herói só em quadrinhos.

 

[2º] RADIOGRAFIA (Helton Tinoco)

Bicho-homem, difuso, re-cheio de desejos.
Olho-te de fora como se eu fosse uma estrela.
Olho-te por dentro como se eu fosse uma veia.
Bicho, homem repleto de certezas e ilusões.
Olho-te para além dos olhos com compaixão.
Atravesso membranas, egos, ecos, elos, ímã.
Bicho, homem, triste, gente, carne da alegria.
Bicho-homem, eu vim te ver. Conhecer-te. Amar-te!
Vim como você, nu!
Quase sem limites. Como tu. Sem tirar nem pôr. Vim assim.
Sem temor! Sem morte! Sem sentir nada. Frio. Seco.
Bicho da terra, homem do barro, de eternos brados.
Vim ver-te. Verter meu dom. Vasculhar-te profundo.
Enraizar minhas próprias dores.
Conhecer-te, sendo tu. De carne e osso…
De mil amores, vim “ser-te” agora, hoje, sempre!
Exatamente igual, seu pai, seu filho.
Vim roubar-te o espírito e mostrá-lo às aves.
Vim amar-te e pousar sob o teu coração, tocar-lhe a mão.
Pegar os pesos dos sonhos, os sons de instrumentos.
Dizer-te palavras e desnudar-te a alma.
Vim ser poeta.
Inventar almas, vivas e mortas.
Reinventar a vida numa rima explícita.
Fazer coloridos, criar lágrimas e dar alegrias.
Vim ser artista com acento agudo.
Vim ser apenas uma radiografia que revela o cálcio,
Mas deixa passar o espírito!

 

[3º] É  (Gui Soarrê)

Entre o desespero e o grito
Convivem em afinado desacordo
O mudo discurso caduco,
A eloquência do destempero
E um rosilho que escoiceia
Entre as lâminas de dois punhais.
Certa vez me contaram
Que os duelos sangrentos se dão
No caminho sem curvas,
Entre a pele e o coração.
Hoje eu sei.

 

É de Campo Grande o vencedor de Âmbito Nacional

 

Professor e político aposentado, Alcir Pimenta escreve poesias desde seus 40 anos

Escrever poesias, inscrevê-las em concursos e ser premiado não é novidade para o professor de português e político aposentado Alcir Pimenta, mas esta vitória teve gosto especial: “Foi meu primeiro soneto premiado”, diz Alcir, que sempre foi leitor de poesias, mas só ousou escrever as primeiras depois dos 40 anos. Dono de memória invejável, aos 81 anos, ele recita de cor os versos alexandrinos que aprendeu ainda menino, com o avô. E comenta sobre o soneto em homenagem a Bandeira: “É minha resposta a ‘Renúncia’, que li na adolescência”.

Aluno da primeira turma de Letras Neolatinas da antiga Sociedade Universitária Campograndense (SUC — precursora da FEUC), o professor Alcir Pimenta lembra com saudades seus tempos de universitário: “Além do português, tínhamos aulas de francês, latim, italiano e espanhol. A professora de francês, dona Guida, era tradutora do Itamaraty. E tínhamos também nomes como o José Ricardo da Silva Rosa, um erudito de cultura vastíssima. Para ver a qualidade do corpo docente”, recorda.

Poetas e amigos: Mano, o coordenador, festejou vitória de Alcir no Âmbito Nacional. (Foto: Gian Cornachini)

Poetas e amigos: Mano, o coordenador, festejou vitória de Alcir no Âmbito Nacional. (Foto: Gian Cornachini)

Sua carreira no Magistério se iniciou em 1953, no Colégio Belizário dos Santos. Também lecionou no Cesário de Melo e depois ingressou no ensino público estadual, tornando-se, em 1962, chefe do Distrito Educacional de Santíssimo a Santa Cruz. E conta que mais do que triplicou o número de escolas em cinco anos. “Quando assumi, havia pouquíssimas escolas aqui, principalmente na região do Mato Alto. Diziam que era bobagem construir escolas ‘nesses cantões que nem gente tem’, mas eu ia nos lugares, consultava a comunidade e levava à chefia uma lista de famílias com filhos querendo estudar. E assim conseguia abrir as escolas”, conta.

A admiração conquistada nas comunidades onde “plantou” escolas foi o que alavancou a carreira política do professor. Ao constatar o quanto ele era querido, um alto dirigente do MDB sugeriu que saísse candidato a deputado estadual. Ele consultou a família e topou, mas por fim o que lhe restou foi a vaga para concorrer a deputado federal, disputa muito mais difícil. A população, porém, abraçou sua candidatura e ele conseguiu se eleger, em 1970, para o primeiro dos três mandatos que cumpriria em Brasília.

Casado há 57 anos com Marina dos Santos Pimenta, pai de duas filhas — a jornalista Tereza Cristina e a economista Dila Maria — e avô de Luiza (filha de Dila), o professor Alcir Pimenta hoje se dedica a escrever poesias e memórias, tem vários livros editados e planeja em breve lançar uma autobiografia. Os convites para palestras e homenagens ele já não atende com tanta frequência: “A idade trouxe certa dificuldade de locomoção, por isso saio pouco”, diz. E quando sai — quem revela é o amigo Américo Mano — costuma ter momentos de superstar: “Certa vez, saímos de um evento no Calçadão e tivemos que andar umas quadras até o carro. No caminho, as pessoas com quem cruzávamos dirigiam saudações a ele. Nem dava tempo de abaixar o braço e já era preciso acenar de novo. E ele comentava, a cada aceno: ‘foi meu aluno’, ‘foi minha aluna’, ‘esse também’…”, conta Mano.

Seu legado? “Meu projeto mais importante foi o do Estágio Profissional, transformado em Lei Ordinária em 1977, e que deu aos estudantes de cursos técnicos e superiores a possibilidade de complementar seus conhecimentos em atividades práticas. Em meus mandatos, sempre me empenhei muito pela nossa região, mas minha maior alegria mesmo é ter sido professor. Tudo de bom que me ficou na vida veio a partir da minha atividade como professor”, completa.

 

UM VERSO DE BANDEIRA (Alcir Pimenta)

Segue comigo pela vida afora
Uma dor tão grande, tanta tristura,
Que sempre temo nunca vá embora,
Transformando-se em perene amargura.

Lembra-me, então, um verso de Bandeira:
“Só a dor enobrece e é grande e é pura”,
O que parece colossal asneira
Do bardo sempre ao pé da sepultura.

Por que vamos amar um mal sem cura,
Se o mundo não tolera choradeira,
Antes sendo feliz que sofredor?

Quem pensa seja, pois, esse Bandeira:
Um simples vate da fama à procura,
Ou de Cristo na terra sucessor?

Prêmio FEUC divulga resultado final da edição de 2014

Na categoria Aluno da FEUC, vencedores são da Pós de Literatura e das graduações de Pedagogia e Letras; na Âmbito Nacional, os premiados são do Rio, de Pernambuco e da Bahia

 
Da redação
emfoco@feuc.br

Os alunos Júlio Correia, da Pós-Graduação em Literatura; Helton Tinoco, de Pedagogia; e Suely Resende Oliveira (Gui Soarrê), de Letras, são os vencedores da edição de 2014 do Prêmio FEUC de Literatura na categoria Aluno da FEUC, respectivamente em 1º, 2º e 3º lugares.

Na Âmbito Nacional, a primeiríssima colocação coube a um campograndense ilustre: o professor e ex-deputado Alcir Pimenta. Em 2º e 3º lugares, respectivamente, ficaram os concorrentes Manoela Frances, de Pernambuco; e Weslley Moreira de Almeida, da Bahia.

O Prêmio FEUC de Literatura 2014 recebeu um total de 571 poemas, sendo 37 de alunos da FEUC e 534 de participantes na categoria Âmbito Nacional.

Coordenador do concurso, ao lado de Rita Gemino, o poeta Américo Mano festejou a extrema qualidade das obras inscritas: “Parabéns a todos os participantes. O talento, a emoção e a criatividade de vocês constituem o verdadeiro troféu deste concurso, que se vê agraciado pela qualidade dos seus trabalhos”, disse ele, acrescentando que, ao ler  o poema do professor Alcir, de imediato se encantou e percebeu que ele poderia ser um dos vencedores. “O professor Alcir Pimenta é um dos mais ilustres moradores de nossa região. Ele já participou algumas vezes do Prêmio FEUC de Literatura. Foi vencedor há alguns anos na modalidade conto. Também já foi premiado com a 3ª colocação em poesia”.

Os vencedores serão informados diretamente pelos coordenadores sobre a data e a forma de recebimento dos prêmios de R$ 500 (1º lugar), R$ 350 (2º lugar) e R$ 250 (3º lugar), uma vez que não haverá cerimônia de premiação.

Conheça os poemas:

 

CATEGORIA ALUNO DA FEUC

 

     1º lugar: Júlio Correia (Pós-Graduação em Literatura)

SUPER-HERÓI EM QUADRINHOS

Reconto os azulejos do banheiro

Perco a conta das gotas

que nascem da torneira prateada

Minhas ideias se confundem

com as idas e vindas das formigas negras

que esbarram nos meus pés

A toalha esticada sobre o basculante

o sabonete amarelo

o papel higiênico

o chuveiro elétrico

Sou a única peça estranha

no quadrado pintado de salmão

A porta não está trancada

mas tenho medo de girar a maçaneta

Deito no chão frio

Abraço o vazio

Beijo a pedra marrom

Sou flor só na pintura

Sou eu só por dentro

Sou super-herói só em quadrinhos.

 

2º lugar: Helton Tinoco (Pedagogia)

RADIOGRAFIA

Bicho-homem, difuso, re-cheio de desejos.

Olho-te de fora como se eu fosse uma estrela.

Olho-te por dentro como se eu fosse uma veia.

Bicho, homem repleto de certezas e ilusões.

Olho-te para além dos olhos com compaixão.

Atravesso membranas, egos, ecos, elos, ímã.

Bicho, homem, triste, gente, carne da alegria.

Bicho-homem, eu vim te ver. Conhecer-te. Amar-te!

Vim como você, nu!

Quase sem limites. Como tu. Sem tirar nem pôr. Vim assim.

Sem temor! Sem morte! Sem sentir nada. Frio. Seco.

Bicho da terra, homem do barro, de eternos brados.

Vim ver-te. Verter meu dom. Vasculhar-te profundo.

Enraizar minhas próprias dores.

Conhecer-te, sendo tu. De carne e osso…

De mil amores, vim “ser-te” agora, hoje, sempre!

Exatamente igual, seu pai, seu filho.

Vim roubar-te o espírito e mostrá-lo às aves.

Vim amar-te e pousar sob o teu coração, tocar-lhe a mão.

Pegar os pesos dos sonhos, os sons de instrumentos.

Dizer-te palavras e desnudar-te a alma.

Vim ser poeta.

Inventar almas, vivas e mortas.

Reinventar a vida numa rima explícita.

Fazer coloridos, criar lágrimas e dar alegrias.

Vim ser artista com acento agudo.

Vim ser apenas uma radiografia que revela o cálcio,

Mas deixa passar o espírito!

 

3º lugar: Gui Soarrê (Letras)

É

 Entre o desespero e o grito

Convivem em afinado desacordo

O mudo discurso caduco,

A eloquência do destempero

E um rosilho que escoiceia

Entre as lâminas de dois punhais.

Certa vez me contaram

Que os duelos sangrentos se dão

No caminho sem curvas,

Entre a pele e o coração.

Hoje eu sei.

 

CATEGORIA ÂMBITO NACIONAL

 

1º lugar: Alcir Pimenta, Rio de Janeiro

UM VERSO DE BANDEIRA

Segue comigo pela vida afora

Uma dor tão grande, tanta tristura,

Que sempre temo nunca vá embora,

Transformando-se em perene amargura.

Lembra-me, então, um verso de Bandeira:

“Só a dor enobrece e é grande e é pura,”

O que parece colossal asneira

Do bardo sempre ao pé da sepultura.

Por que vamos amar um mal sem cura,

Se o mundo não tolera choradeira,

Antes sendo feliz que sofredor?

Quem pensa seja, pois, esse Bandeira:

Um simples vate da fama à procura,

Ou de Cristo na terra sucessor?

 

2º lugar: Manoela Frances (Pernambuco)

EJACULE!

Você não suporta

Quando eu abro a porta

Da sua devassidão

Quando eu tiro a máscara

Que cobre a sua pele áspera

E repleta de simulação

Você me julga

Você me culpa

Mas nunca soube responder

A razão da sua ira

O motivo de eu estar na mira

Da sua constante necessidade de ofender

Mas nada disso realmente importa

Já que eu ainda não estou morta

E sou peça principal nessa perturbação

Porém, por favor, não se anule

Respire fundo e ejacule

A dor de toda essa frustração.

 

3º lugar: Weslley Moreira de Almeida (Bahia)

DO LUTO DAS PEQUENAS COISAS

Visto preto

em

funerais de pequenas coisas.

Perco um poema e me entristeço

por uma semana

e alguns versos.

Assassinei, distraído, uma formiga.

Taciturnei-me

minúsculo

por grandes instantes.

Quando descompassei numa dança

deixei

    desequilibrado

                        o sorriso.

Agora mesmo

valoro o ínfimo

por colossais importâncias.

E lagrimo

de mínimas gotas

todas

enchentes

          de risos.

Matemática compreensível

 

Professor das FIC lança livro sobre ensino de Geometria com significados

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

Professor das FIC lança livro sobre ensino de Geometria com significados. (Foto: Gian Cornachini)

Professor das FIC lança livro sobre ensino de Geometria com significados. (Foto: Gian Cornachini)

Roberto Rivelino, professor do curso de Matemática das FIC, lançou o livro “Construções Geométricas Significativas na Educação Básica” durante a XXI Octobermática, que aconteceu entre os dias 6 e 10 de outubro. A obra, que é a primeira de outras que ele ainda pretende escrever, é direcionada a docentes e surgiu a partir de uma experiência de ensino que Rivelino teve com estudantes do 8º ano da Escola Municipal Evaristo de Moraes, onde também é professor: “Esse livro é a possibilidade de divulgar um trabalho que deu certo através de uma metodologia que destaca o respeito e a cumplicidade entre professor e aluno, bem como as devidas justificativas, os porquês”, conta ele, que escreveu sobre a importância de contextualizar a Matemática utilizando exemplos do mundo real e da natureza para contribuir com a aprendizagem da Geometria. “Há uma escassez de professores que escrevem sobre esse assunto, e mais raro ainda quando se trata de construções significativas, isto é, quando se deve justificar cada decisão tomada”, afirma.

Segundo Rivelino, essa metodologia permitiu aos alunos estabelecer conexões entre a Matemática e outras áreas do conhecimento, ajudando-os a desenvolver uma visão crítica e interpretar melhor as situações cotidianas. A prática pedagógica funcionou tão bem que, de acordo com o professor, o colégio recebeu a maior nota no IDEB entre as Escolas do Amanhã do Rio de Janeiro.

No livro de 144 páginas, o autor discorre sobre conceitos como construções de retas paralelas, perpendiculares, circunferências, ângulos e bissetrizes. A obra, lançada pela editora Appris, custa R$ 54,00. É possível encontrá-la no próprio site da editora (www.editoraappris.com.br), na Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br) e na Saraiva (www.saraiva.com.br).

Prêmio FEUC recebe inscrições até dia 30 de setembro

 

Edição de 2014 do tradicional concurso de poemas dará prêmios de R$ 500, R$ 350 e R$ 250 para os três primeiros colocados em cada uma de suas duas categorias

 

Da Redação
emfoco@feuc.br

Já estão abertas as inscrições para a 21ª edição do Prêmio FEUC de Literatura. Até o dia 30 de setembro os interessados poderão enviar seus poemas – somente por e-mail – para a Comissão Organizadora, que promete anunciar os classificados na primeira etapa até o fim da segunda quinzena de novembro. Os vencedores serão conhecidos na segunda quinzena de dezembro.

Os organizadores do Prêmio FEUC, Américo Mano e Rita Gemino, informam que os integrantes da comissão julgadora serão anunciados em breve.

Inscrições abertas para a edição de 2014

Inscrições abertas para a edição de 2014

Regulamento

Você pode acessar AQUI o regulamento completo do Prêmio FEUC, mas conheça logo as principais informações sobre o concurso:

As categorias são duas: 1) Aluno da FEUC (matriculados na Faculdade, na Pós-graduação, no CAEL ou no Colégio Magali); 2) Âmbito Nacional (todos que não estejam matriculados na FEUC).

A modalidade é única: poema.

O tema é livre para ambas as categorias.

Cada candidato pode inscrever apenas 1 poema.

Apresentação: a obra deve ser digitada em Word; fonte Times New Roman, tamanho 14, espaço simples, máximo de 30 linhas incluindo espaço entre as estrofes, quando houver.

Endereço de e-mail para envio: premio@feuc.br.

Premiação: em cada categoria serão escolhidos três ganhadores, que receberão certificados e os valores de R$ 500 (1º lugar); R$ 350 (2º lugar) e R$ 250 (3º lugar).

A cada ano concurso ganha mais fôlego

Na edição de 2013, o Prêmio FEUC bateu recorde de inscrições, com 30 concorrentes na categoria Aluno da FEUC e 534 na categoria Âmbito Nacional. De acordo com Américo Mano e Rita Gemino, não apenas a quantidade foi grande como também o nível dos poemas foi elevadíssimo, o que acabou acarretando um pequeno atraso na divulgação dos resultados.

Quer conhecer os poemas vencedores da 20ª edição? Acesse o link http://migre.me/l9I1P.