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Arte, emoções e talentos marcam a 26ª Semana de Letras da FEUC

 

Evento tradicional do curso revelou muita criatividade do público interno e externo; livro de poesias foi lançado

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Uma bela edição da Semana de Letras aconteceu entre os dias 31 de maio e 2 de junho, na FEUC, e cumpriu com o propósito de trazer estudantes e visitantes da comunidade para compartilhar conhecimento, arte e emoções. Além das tradicionais palestras e oficinas, o número 26 do evento contou, este ano, com apresentações teatrais, declamações de poesia e dança típica, regados de muita criatividade e sensibilidade de quem foi a público expor seus trabalhos.

A começar por uma das apresentações de trabalhos que mais chamou a atenção dos estudantes. A aluna Marina Monteiro, do curso de Letras da UFRRJ, veio compartilhar com os alunos da FEUC suas análises sobre o funk carioca, que tem se mostrado um exemplo de resistência feminina no cenário artístico-musical.

Marina exibiu algumas letras de cantores homens que, segundo ela, sexualizam e objetificam mulheres, como em “Vem todo mundo“, de MC Catra. Em seguida, apresentou letras de funkeiras que retratam, também a partir de conotações sexuais, a resistência feminina ao machismo, como a música “A P**** da B***** é minha“, da Gaiola das Popozudas.

Estudante da UFRRJ apresenta análise sobre machismo no funk. (Foto: Gian Cornachini)

Estudante da UFRRJ apresenta análise sobre machismo no funk. (Foto: Gian Cornachini)

“O homem trata de uma forma baixa o corpo da mulher, como um objeto. Ele só quer sexo. E a mulher também vem com o mesmo discurso, mas para retratar a forma de liberdade que ela trata com seu corpo”, ressaltou Marina.

No quesito emoção, tanto a educação quanto a arte foram expressadas com angústia, dúvidas e esperança no evento. A professora de Língua Brasileiras de Sinais (Libras) Ana Carla Ziner Nogueira, da UFRRJ, tem uma irmã surda e vivencia a experiência de entender, de perto, os desafios enfrentados pela comunidade surda no Brasil. Na Semana de Letras, ela deu uma palestra sobre a importância da educação de surdos com o objetivo de chamar a atenção dos alunos para um grupo ainda tão excluído das possibilidades de crescimento profissional, intelectual e social.

Professora Ana Carla Ziner, da UFRRJ, chama a atenção para o ensino de surdos. (Foto: Gian Cornachini)

Professora Ana Carla Ziner, da UFRRJ, chama a atenção para o ensino de surdos. (Foto: Gian Cornachini)

“Cerca de 85% a 90% dos surdos nascem em famílias de ouvintes. Eles não aprendem, desde cedo, uma língua primária. Na escola, são expostos à Língua Portuguesa e ensinados fonemas”, apontou Ana Carla. “Língua de Sinais é encarada como recurso pedagógico e não linguístico. E isso é lamentável, porque língua não é um recurso, mas uma necessidade humana”.

E a humanidade, controversa e repleta de dúvidas, foi tema do poema “Ser humano?”, escrito pelo estudante Lucas Hermsdorff, do 3º ano do técnico em Administração do CAEL. O jovem aproveitou um sarau da Semana de Letras para levantar questionamentos por meio da arte das palavras: “Um ser que se denomina racional, mas possui atitudes irracionais, pode se considerar pensante?”, lançou Lucas, interpretando o poema que mantinha bem decorado.

O que é ser humano? Poema de Lucas Hermsdorff, estudante do 3º de Administração do CAEL, levantou questionamentos em sarau. (Foto: Gian Cornachini)

O que é ser humano? Poema de Lucas Hermsdorff, estudante do 3º de Administração do CAEL, levantou questionamentos em sarau. (Foto: Gian Cornachini)

O poema do jovem divide páginas com outros textos no livro “Vozes em Construção”, organizado, escrito e confeccionado por alunos de Literatura Brasileira e Poesia do turno da noite (2017.1) e que conta, também, com textos de convidados, como o de Lucas. Em meio ao sarau, a obra — idealizada e coordenada pelo professor Erivelto Reis — foi lançada sob declamações dos textos que integram a antologia poética.

“Era um sonho muito grande que esse livro acontecesse”, revelou o professor Erivelto. “Foi um grupo que uniu ideais em torno da literatura, ao redor da poesia, com vivências tão diferentes, gente que teve coragem de tirar um poema do fundo da gaveta e colaborar”, destacou ele, emocionado.

Professor Erivelto idealizou livro "Vozes em Construção", lançado na Semana. (Foto: Gian Cornachini)

Professor Erivelto idealizou livro “Vozes em Construção”, lançado na Semana. (Foto: Gian Cornachini)

O livro “Vozes em Construção” esta disponível, gratuitamente, para download. Clique aqui para baixar o e-book.

Inspirando esperança e alegria por uma formação que valoriza as raízes históricas da população, alunos da disciplina de Literaturas Africanas, orientados pela professora Norma Maria, fizeram um jogral a partir do poema “Grito Negro”, do autor moçambicano José Craveirinha e, em seguida, cantaram e dançaram a música zulu “Siyahamba”, todos caracterizados com vestimenta de influência africana.

A aluna Ingra de Assis, do 3º período, explicou a mensagem que Craveirinha quis passar em seu poema: “Ele queria transmitir a angústia e o sofrimento da escravidão na época; a vontade de encerrar algo que ele não queria mais”, disse Ingra.

A estudante Ingra explicou poema moçambicano que inspirou jogral no evento. (Foto: Gian Cornachini)

A estudante Ingra explicou poema moçambicano que inspirou jogral no evento. (Foto: Gian Cornachini)

A professora Norma, visivelmente empolgada com a apresentação, fez questão de elogiar os estudantes: “Vocês me surpreenderam e mostraram quanta capacidade, criatividade e amor pela arte vocês têm. É isso que queremos fazer, mostrar aos alunos a diversidade, mistura do indígena, do português e do africano, porque somos um único povo e não podem existir diferenças e discriminação”, ponderou Norma, pedindo um bis com apoio do público: “Queremos ver de novo, porque é só uma vez ao ano!”. Sob o som de um belo batuque, tudo virou alegria de novo.

Com direito a bis, dança, canto e batuque africano alegraram o público. (Foto: Gian Cornachini)

Com direito a bis, dança, canto e batuque africano alegraram o público. (Foto: Gian Cornachini)

Saindo de casa para conquistar o mundo!

 

Aprovados em seleção de mestrado para diversos programas da Universidade Federal Fluminense (UFF), alunos e egressos de Letras festejam e dividem sucesso com professores

 
Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

Se para um docente de graduação é maravilhoso quando um aluno dá a notícia de que foi aprovado para o mestrado numa universidade de prestígio, imagina quando cinco deles chegam juntos com a mesma novidade? Foi exatamente assim o novembro dourado dos professores de Letras da FEUC ao contabilizarem a aprovação para o mestrado da UFF de três alunos do 7º período e mais dois recém-formados. E isso por enquanto, pois há outros em processos de seleção. “Acho que nós vibramos tanto quanto eles ou até mais”, conta a professora Arlene Fonseca, coordenadora do curso de Letras.

Meire Lucy Cunha, do 7º período de Português-Literaturas, e João Armando Henriques Gonçalves, formado em Português-Inglês em 2013, foram aprovados para o programa de Literatura Africana de Língua Portuguesa; Thiago Rodrigues, do 7º período de Português-Inglês, conquistou vaga no programa de Literatura Inglesa; Joyce Silva dos Santos Monforte, do 7º período de Português-Literaturas, e Thamyres Gonçalves Gomes, formada ano passado em Português-Espanhol e aluna da nossa pós-graduação em Língua Portuguesa, ingressarão no programa de Estudos da Linguagem.

Temas das monografias de fim de curso foram ampliados na elaboração de projetos para o mestrado

Meire conta que o processo de seleção foi tenso: “Os candidatos iam chegando, falando uns com os outros, os professores também conheciam diversos deles pelo nome. Acho que eu era a única desconhecida”, brinca a estudante. A prova tinha 4 questões e o candidato deveria escolher uma para desenvolver no prazo de 4 horas. Ela escolheu falar sobre uma obra literária que acabara de ler, o que certamente influiu em seu bom desempenho e classificação para a etapa final. Na entrevista, foi questionada sobre a escolha de uma obra da autora guineense Odete Costa Semedo para nortear sua pesquisa: “Disseram não ser usual o conhecimento daquela autora na graduação, pois normalmente os estudantes são apresentados a ela na pós. E elogiaram muito meu projeto”, alegra-se Meire, revelando que sua proposta de pesquisa para o mestrado – “Silêncio eloquente: tradições, feminino, silenciamento e retomada de discurso numa narrativa guineense” – foi uma ampliação do escopo de sua monografia de conclusão da graduação, orientada pela professora Norma Jacinto, na qual abordou apenas um dos contos de Odete, enquanto no mestrado analisará cinco.

Thiago e Meire Lucy: tensão durante seleção substituída por alegria da classificação. (Foto:  Pollyana Lopes)

Thiago e Meire Lucy: tensão durante seleção substituída por alegria da classificação. (Foto: Pollyana Lopes)

Thiago teve a mesma sensação de Meire, de que era um estranho no ninho entre os 25 candidatos que disputaram com ele as 5 vagas de Literatura Inglesa, pois a maioria se conhecia. No seu caso, a questão da prova foi sorteada e não escolhida. E o pior: o ponto sorteado foi justamente o que era total novidade e, portanto, não estava entre os assuntos abordados em provas passadas e que ele chegou a estudar. “Após o sorteio, 5 candidatos desistiram imediatamente, nem começaram a prova. No fim, 9 passaram para a entrevista. Fui o último a ser entrevistado, e acho que a segurança com que defendi meu projeto foi uma das razões de ter entrado”, avalia Thiago, atribuindo tal segurança à qualidade do projeto, e dividindo os créditos desta com seu orientador, professor Victor Ramos: “Ele foi fundamental para que eu soubesse exatamente o que estava fazendo”, diz o estudante, que no mestrado vai se debruçar sobre a insuficiência de gênero em “Orlando”, de Virginia Woolf.

Joyce: Atividades acadêmicas, como seminários e PIBID, ajudaram na preparação. (Foto: Gian Cornachini)

Joyce: Atividades acadêmicas, como seminários e PIBID, ajudaram na preparação. (Foto: Gian Cornachini)

Quando pensa na tranquilidade que teve para passar pelo processo seletivo, apesar de toda a dificuldade, Joyce logo se dá conta do tanto que as atividades realizadas no PIBID ajudaram nessa preparação. “Além das atividades em si nas escolas, teve os seminários, as semanas de Letras, a oportunidade de levar nossos trabalhos a outras universidades, a congressos, a interação com outros graduandos. Sempre com muito incentivo dos professores. Tudo isso deu muita força e experiência”, avalia a estudante, que pesquisará no mestrado a relação entre imagem e texto verbal. Sobre a prova, ela conta que chegou a estudar alguma coisa da bibliografia proposta no processo seletivo, mas acabou usando principalmente a base de conhecimentos vistos ao longo da graduação.

João Armando: livro oferecido por professor inspirou projeto de mestrado. (Foto: Gian Cornachini)

João Armando: livro oferecido por professor inspirou projeto de mestrado. (Foto: Gian Cornachini)

Anteriormente graduado em Psicologia, João Armando se formou aqui em Inglês, mas no mestrado da UFF entrou para o programa de Literatura Africana de Língua Portuguesa. O interesse, segundo ele, surgiu numa aula do professor Bruno Ferrari, que o apresentou à literatura de Mia Couto – autor que inspira sua pesquisa de mestrado – e se intensificou com as aulas das professoras Arlene e Norma. “Inclusive, quando me perguntaram na entrevista que sementinha é essa que tem na FEUC, eu logo pensei nelas. E em todos os outros professores, pois a formação que tive aqui foi de excelência. E fiquei muito feliz de ver que a qualidade da FEUC é reconhecida em todo canto”, elogia João Armando.

Thamyres diz que sempre sonhou com o mestrado, desde antes de entrar para a graduação. Por saber que seria muito difícil, vinha estudando há bastante tempo: “Estudei pelos meus cadernos da FEUC e não pelos livros da bibliografia. Cheguei a comprar alguns livros, mas com a falta de tempo, pois estou cursando a pós aqui, preferi

Thamyres: estudo feito a partir dos cadernos da graduação foi suficiente

Thamyres: estudo feito a partir dos cadernos da graduação foi suficiente. (Foto: Gian Cornachini)

estudar pelos meus antigos cadernos, e foi suficiente”, revela. Em sua pesquisa, Thamyres vai analisar o uso dos recursos pragmáticos na aquisição da linguagem por parte das crianças, dando continuidade ao que pesquisou na graduação. Ela agradece a seus professores da FEUC, especialmente à professora Lia, que foi sua orientadora na graduação e repete a parceria na pós em Língua Portuguesa. Diz que esse estímulo constante dos professores é crucial, pois lá fora as pessoas dizem que não vale a pena se esforçar pra fazer um mestrado, diante da situação do país: “Dizem que valorizam pouco, que eu não vou ter um emprego futuramente por conta dessa reforma do ensino médio… Mas eu acho muito interessante, até porque eu não estou estudando para o governo, não estou estudando para outras pessoas, estou estudando para mim”, afirma Thamyres, mandando um recado para quem gostaria de seguir o mesmo rumo, mas tem dúvidas: “Que os alunos confiem mais em si, porque falta essa confiança. Então é ter foco e pensar ‘quero passar’, e vai conseguir. Estuda e se esforça que consegue”.

Gratidão foi o sentimento mais mais expressado pelos alunos e alunas ao se referir a seus professores da graduação. Além dos respectivos orientadores, lembraram muito das aulas do professor Valmir Oliveira: “Quem mergulha com vontade no conteúdo que ele oferece não tem como não fazer um bom projeto”, pontua Meire. E Thiago revela outro grande prazer que teve durante a entrevista com a banca da UFF: “Me perguntaram o que que é FIC, e se a FEUC era uma federal. Aí eu pude falar bastante da nossa faculdade, pois eles viram a qualidade que os candidatos daqui apresentaram”.

“O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê”

Evento na FEUC debate inclusão e acessibilidade para pessoas cegas ou com baixa visão e o papel do professor de português nesse processo

Por Pollyana Lopes

Aconteceu na FEUC, na última quarta-feira, dia 6 de julho, o “I Encontro de Educação, Acessibilidade, Arte e Inclusão”, um evento para oficializar a participação da FEUC na Rede de Leitura Inclusiva, um dos projetos da Fundação Dorina Nowill, e celebrar o primeiro aniversário da Lei Brasileira de Inclusão.

A parceria da FEUC com o projeto é mais um fruto das atividades do PIBID Letras que, por meio da Produção de Acervo de Áudio, aproximou-se da Fundação Dorina, uma instituição que há 70 anos trabalha pela inclusão social de pessoas com deficiência visual. O objetivo era fazer com que as gravações de textos de domínio público lidos por estudantes de escolas públicas, sob a orientação de bolsistas das FIC, chegassem a cegos e portadores de baixa visão. Com a integração da FEUC à Rede, a parceria entre as instituições se fortalece e reforça o compromisso de ambas em promover ações voltadas para pessoas com deficiência visual.

"Não dá para pensar educação sem pensar em amor, em fraternidade. Não dá para pensar em inclusão, em acessibilidade sem também pensar em amor, em fraternidade, em respeito", declarou o professor Erivelto Reis, sobre o tema do debate, "Incluir com Qualidade e Amor". (Foto: Pollyana Lopes)

“Não dá para pensar educação sem pensar em amor, em fraternidade. Não dá para pensar em inclusão, em acessibilidade sem também pensar em amor, em fraternidade, em respeito”, declarou o professor Erivelto Reis, sobre o tema do debate, “Incluir com Qualidade e Amor”. (Foto: Pollyana Lopes)

“Esse encontro faz de todos os presentes cofundadores, testemunhas, parceiros também desse compromisso que a FEUC já vem trabalhando há algum tempo e que, a partir de agora, está assumindo definitivamente, tornando público para a comunidade de estudantes e para a comunidade externa”, frisou o professor Erivelto Reis.

O evento contou com a projeção do documentário “Janela da Alma”, um filme dos diretores João Jardim e Walter Carvalho, com depoimentos de homens e mulheres com diferentes níveis de deficiência visual. E também com falas do professor das FIC e psicólogo Marco Antônio Chaves, da professora da rede estadual Tatiana Reis, e do estudante do 3º ano do Colégio Albert Sabin Jeanderson Baptista, que é cego.

Tatiana falou sobre os desafios dos professores e das escolas em estar atender pessoas com deficiências. (Pollyana Lopes)

Tatiana falou sobre os desafios dos professores e das escolas em estar atender pessoas com deficiências. (Pollyana Lopes)

Tatiana falou sobre o papel de professores de português nos processos de inclusão, e declarou que o objetivo do educador é sensibilizar os estudantes para o texto e desenvolver neles autonomia para o aprendizado. Jeanderson, que foi aluno de Tatiana há dois anos, comentou sobre o seu processo de aprendizagem, alguns métodos e sua experiência como monitor na Sala de Recursos, um espaço, no Colégio Albert Sabin, que conta com materiais e atividades pedagógicas complementares orientadas por um Núcleo de Apoio Pedagógico Especializado, com o objetivo de apoiar estudantes cegos, surdos e portadores de síndromes. O professor e psicólogo Marco Antônio destacou que, na qualidade de psicólogo, a prática de consultório o fez acreditar que uso da palavra deficiência reforça a diferença como algo pejorativo na sociedade e prefere o uso de outros termos, como disfunção.

 

Jeanderson está terminando o Ensino Médio, atua como monitor na Sala de Recursos auxiliando colegas e contou que acabou de passar em um concurso para o INSS. (Foto: Pollyana Lopes)

Jeanderson está terminando o Ensino Médio, atua como monitor na Sala de Recursos auxiliando colegas e contou que acabou de passar em um concurso para o INSS. (Foto: Pollyana Lopes)

Por fim, a fala do poeta Manoel de Barros no documentário “Janela da Alma” poetiza a ação cotidiana de quem atua no sentido de incluir socialmente pessoas com deficiências visuais, principalmente por meio da leitura. Jeanderson e os demais cegos não contam com o olho para ver, mas as palavras faladas podem inspirar as lembranças a serem revistas e, assim, o conhecimento a ser produzido por meio da imaginação, que transvê um mundo mais acessível, inclusivo e justo. Como complementa o poeta, “É preciso transver o mundo”.

Testando a didática com Cambridge

Incentivados por professor, estudantes do curso de Letras se preparam para fazer prova internacional que avalia conhecimentos pedagógicos

Por Pollyana Lopes

Uma avaliação que atesta internacionalmente que o professor é qualificado para dar aulas de inglês: assim é o Teaching Knowledge Test (TKT), um exame aplicado pela Universidade de Cambridge em diversas partes do mundo. Para quem já atua como professor de inglês, o certificado é um reconhecimento das habilidades e experiências do profissional; para quem está prestes a se formar, pode ser um diferencial na hora de disputar uma vaga.

Sabendo disso, o professor Victor Ramos, ao lecionar a disciplina Didática do Ensino de Língua Portuguesa e de Língua Inglesa, incentivou os alunos a fazerem o teste, oferecendo, inclusive, aulas preparatórias aos sábados para os interessados. Quem aceitou o desafio foi liberado de fazer apenas a prova escrita, tendo que cumprir, como avaliação da disciplina, outros instrumentos como fichamentos, resumos críticos e a produção de uma videoaula.

Professor utiliza material didático específico nos encontros de preparação dos alunos, que acontecem aos sábados. (Foto: Pollyana Lopes)

Professor utiliza material didático específico nos encontros de preparação dos alunos, que acontecem aos sábados. (Foto: Pollyana Lopes)

Victor explica que os conteúdos da disciplina estão de acordo com o que é exigido no teste, e por isto este seria um bom momento para os alunos se submeterem ao TKT: “basicamente, tudo o que é cobrado na avaliação, a disciplina foi um preparatório. E não só esta disciplina, como todas as outras. A gente sempre levanta a questão nos nossos encontros ‘Lembra do conteúdo do primeiro período? É cobrado na avaliação! Lembra do conteúdo do terceiro período?’… Quer dizer, as questões que foram trabalhadas ao longo da graduação são recorrentes para a prova TKT”.

Os alunos concordam que a formação que tiveram ofereceu bases sólidas para que eles estivessem preparados para o teste. Mesmo assim, as estudantes se surpreenderam: “Eu achei tão fácil que eu não acreditei. Mas é por isso, toda a bagagem que a gente tem das outras disciplinas desde o início da graduação”, declarou Tainá Souza de Oliveira Tavares, do 5º período. “A prova é muito mais fácil do que eu pensei que seria. Porque quando eu ouço o nome Cambridge eu acho que é uma coisa dificílima, mas vendo e estudando o livro preparatório, dá para ver que é bem possível”, complementou Lorena Stellet de Lima, estudante do 7º período.

Enquanto os demais estudantes inscritos na disciplina fazem a prova escrita e concluem o semestre, o grupo de dez alunos continua tendo aulas, já que a prova será realizada no dia 22 de julho, e os encontros preparatórias continuam aos sábados. Mas, eles acreditam que vale a pena:

“Não está fácil conseguir emprego. Eu fiz várias entrevistas e não passei, pela falta de experiência. Eu acredito que o peso dessa prova no meu currículo vai fazer a diferença, vai fazer com que eu tenha mais oportunidades”, concluiu Nayara Martins de Almeida, do 5º período.

Letras: Semana Acadêmica do curso completa 25 anos com dezenas de atividades

 

Durante quatro dias de evento o público pôde enriquecer seus conhecimentos com palestras, mesas-redondas, oficinas e diversas outras programações

Por Gian Cornachini e Pollyana Lopes

Há quem diga que parece ter sido ontem que o curso de Letras das FIC promoveu, pela primeira vez, sua Semana Acadêmica. Mas o fato é que o evento já está na 25ª edição, garantindo o sucesso de sempre, seja por meio de suas ricas palestras ou por relatos e experiências de estudantes e professores com um único objetivo: fortalecer o saber teórico, técnico e humano do universo das Letras. E, neste ano, para comemorar seu Jubileu de Prata, a temática central foi “Práticas, teorias e talentos no cenário literário e linguístico contemporâneo” — fio condutor de quase meia centena de atividades, entre comunicações científicas, palestras, mesas-redondas, oficinas, exposições e muito mais. Um resumo da Semana Acadêmica — que aconteceu de 31 de maio a 3 de junho, nos períodos da manhã e da noite — você confere a seguir.

Reencontro com a FEUC: ex-alunos relembram trajetória acadêmica

Para introduzir os graduandos no clima dos 25 anos da Semana, uma mesa-redonda foi organizada com a presença de ex-alunos de destaque. Ao público, eles contaram um pouco sobre como foi seu percurso acadêmico e as experiências pós FEUC.

Longe da Polícia Militar, Rodrigo Torres se apaixonou por dar aula. (Foto: Gian Cornachini)

Longe da Polícia Militar, Rodrigo Torres se apaixonou por dar aula. (Foto: Gian Cornachini)

O ex-agente da Polícia Militar Rodrigo Torres está apaixonado por dar aula e valoriza a mudança de carreira: “Graças a Deus eu saí da PM. Hoje eu faço o que gosto, e isso não tem preço. Não desistam e não parem de estudar. Tem que chegar em casa, sentar e pesquisar, preparar a sua aula, porque o aluno não vai engolir tudo o que você disse”.

Ramayana Del Secchi Linhares se formou recentemente e já atua como professora no Município, tendo dicas a oferecer: “Na maioria das vezes o aluno não acredita que é capaz porque os pais também não acreditam. Cabe a vocês, que tiveram uma boa formação, mostrar que esse aluno é capaz, porque se a educação não for para fazer diferença, então ela não valerá a pena”, ressaltou. Armando de Carvalho, que trabalha com educação para presidiários, concorda com Ramayana e procura, assim como a professora, transformar a vida dos detentos por meio da educação: “É muito importante atuar como incentivador, estimulador daquela criatura à sua frente que está ansiosa para ouvir o que você tem a dizer. O segredo todo é inspirar”, afirmou.

Grupo destacou, em geral, os desafios e importância de ser professor. (Foto: Gian Cornachini)

Grupo destacou, em geral, os desafios e importância de ser professor. (Foto: Gian Cornachini)

Embora não pretenda ser professora, a atriz Gui Soarrê, também formada recentemente em Letras nas FIC, valoriza a profissão dos colegas: “Lecionar não é a minha grande paixão, mas eu acho uma profissão heroica. Vou usar a poesia e o teatro para também tocar as pessoas, usar o poder humanizador da arte para tocar essa essência humana”, disse Gui.

A coordenadora do curso, Arlene da Fonseca Figueira, fez uma análise das falas, destacando o respeito de todos pela figura do educador: “Nem todos são professores, mas todos são ex-alunos bem sucedidos, cada um com suas escolhas. E a voz que me encantou aqui é o respeito ao professor. Nossa sociedade e os políticos não têm esse mesmo respeito, mas só conseguiremos ir à frente quando respeitarem o professor e valorizarem a educação”.

CD “No caminho das Letras” é lançado no evento

Os professores Erivelto da Silva Reis e Arlene da Fonseca Figueira, à frente do subprojeto “Produção de Acervo de Áudio” (Letras/Português) do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) nas FIC, aproveitaram a Semana Acadêmica para apresentar aos estudantes o CD “No Caminho das Letras”. A produção, destinada a deficientes visuais, reúne diversas gravações de clássicos da literatura em domínio público, além da obra do poeta Primitivo Paes, lidas por estudantes do Ensino Fundamental II da Escola Municipal Euclides da Cunha, em Guaratiba. Erivelto revelou a satisfação de ter concluído o trabalho: “Esse CD é um motivo de orgulho para nós. Despertamos a leitura e compreensão do que os alunos liam e discutiam. Eles se tornaram sujeitos de sua própria leitura e entendiam que a pessoa cega que ouvirá os áudios dependerá da emoção, boa leitura e interpretação do texto”.

CD é destinado a deficientes visuais e tem textos literários lidos por crianças do Ensino Fundamental. (Foto: Gian Cornachini)

CD é destinado a deficientes visuais e tem textos literários lidos por crianças do Ensino Fundamental. (Foto: Gian Cornachini)

A aluna Joyce da Silva dos Santos, uma das alunas bolsistas do subprojeto e que apresentou um resumo do trabalho aos licenciandos, contou o que aprendeu com a atividade do Pibid: “Eu não posso simplesmente chegar na escola e apresentar Machado de Assis sem contextualizar e mostrar o que posso tirar dali. A gente tem que puxar um ganchinho com as nossas experiências para perceber os efeitos da literatura em nossa vida e ver o que ela tem em comum com a gente”, destacou ela.

Joyce da Silva dos Santos é bolsista do Pibid e apresentou o projeto e resultados para os alunos. (Foto: Gian Cornachini)

Joyce da Silva dos Santos é bolsista do Pibid e apresentou o projeto e resultados para os alunos. (Foto: Gian Cornachini)

Homenagem póstuma à ex-coordenadora do curso

A 25ª Semana de Letras também dedicou uma atividade a relembrar uma figura bastante importante para o curso das FIC: a professora Miriam da Silva Pires, falecida em fevereiro de 2013, quando era professora do curso de Letras da UFRRJ. Antes de passar no concurso para aquela instituição (em 2010), Miriam foi, durante anos, coordenadora de Letras das FIC. Ela esteve na organização de diversas edições da Semana Acadêmica, colaborando com a consolidação de um dos eventos mais importantes da FEUC.

Professores Erivelto Reis e Flávio Pimentel relembraram trajetória de Miriam da Silva Pires na FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Professores Erivelto Reis e Flávio Pimentel relembraram trajetória de Miriam da Silva Pires na FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Os professores Erivelto Reis — que teve a oportunidade de ser aluno de Miriam — e Flávio Pimentel — que teve a honra de compartilhar mesas-redondas com a professora — contaram os momentos mais marcantes que tiveram com ela e destacaram sua importância para o curso de Letras das FIC: “Você ficava impressionado de onde vinha tanto conhecimento e as relações que ela estabelecia entre as diferentes áreas do saber. Celebrar a memória dela é celebrar o legado de uma pessoa que lutou a vida toda para que a educação transformasse a vida das pessoas”, ressaltou Erivelto. “Em nossas conversas entre filosofia e literatura havia uma proximidade muito grande [dos saberes], até o ponto de que eu nunca mais deixei de apresentar alguma coisa na Semana de Letras”, lembrou Flávio.

Antes de partir para os EUA, uma colaboração com a Semana

André Nascimento se formou em Letras (Português/Inglês) nas FIC em 2014, emendou na pós-graduação em Língua Inglesa, também na FEUC e, agora, ruma aos Estados Unidos para cursar, com bolsa integral, o mestrado em Português e Literaturas pela The University of New México (leia a reportagem “Da FEUC para o mundo” sobre a conquista do mestrando). Durante os próximos anos, André vai pesquisar a relação entre a masculinidade latino-americana e a violência em regiões periféricas, mas, antes de partir para terra dos ianques, ele deu uma “palinha” dos seus estudos como convidado a palestrar na Semana de Letras. “O Carandiru e o medo: a masculinidade e a violência social em voga (des)cortinados pela narrativa fílmica” foi o tema de sua apresentação, que buscou esclarecer a relações machistas e de masculinidade no filme brasileiro Carandiru (2003).

André Nascimento vai estudar, no exterior, a relação entre a masculinidade latino-americana e a violência em regiões periféricas. (Foto: Gian Cornachini)

André Nascimento vai estudar, no exterior, a relação entre a masculinidade latino-americana e a violência em regiões periféricas. (Foto: Gian Cornachini)

Segundo André, a lógica de estupro dentro do presídio passa por um conceito de “herói” de uma “mitologia invertida”, além da constante necessidade de se autoafirmar como forte e macho: “Para que um detento tenha status de homem, ele precisa diminuir o outro. No banho, eles nunca ficam de bunda para o outro, ou seja, uma questão de autoafirmação”, ponderou André. “Um prisioneiro precisava fazer uma cirurgia, mas o médico disse que seria muito arriscado. E, ainda assim, o homem afirmou ter duas balas no corpo e que, portanto, aguentaria. Mesmo em meio à dor, afirmar-se como homem era altamente relevante”.

Para o estudante, esses fenômenos acontecem porque o homem latino-americano segue um padrão do que é ser homem, por diversas vezes carregado de valores sexuais: “É preciso ter uma habilidade sexual como maratonista para se aprovar e nunca pode dizer não ao sexo com uma mulher, porque aí a sua masculinidade seria confrontada”, explicou.

O Ciclo do Café e a produção literária

Em um intercâmbio entre História e Literatura, os professores Erivelto Reis, de Letras, e Márcia Vasconcellos, do curso de História, articularam contexto histórico e a produção artística e literária durante o Ciclo do Café no Vale do Paraíba.

Márcia falou das condições específicas que tornaram essa região privilegiada para a produção de café, na época, e forjaram os grandes barões do período. Além de mostrar o desejo deles em integrar a nobreza:

“Ao contrário de outras áreas, onde os cafeicultores investem em grandes inventários e casas opulentas para demonstrar riqueza e poder, em Vassouras não vai ficar só nisso, e como consequência surge uma vida urbana e cultural”, explicou. O professor Erivelto complementou: “Para eles, apenas ser rico não era suficiente, eles queriam fazer parte da elite. Conhecer a história desse período ajuda a gente a entender a ideia de elite no Brasil”, revelou.

Professora Márcia, do curso de História, apresentou o contexto social e político que permitiu que produtores de café do Vale do Paraíba se tornassem grandes barões. (Foto: Pollyana Lopes)

Professora Márcia, do curso de História, apresentou o contexto social e político que permitiu que produtores de café do Vale do Paraíba se tornassem grandes barões. (Foto: Pollyana Lopes)

Também foi colocado por ambos os professores o papel da escravidão nessa sociedade. Márcia destacou as estratégias de sobrevivência e leitura dos escravos como sujeitos históricos. Erivelto, que faz pesquisa na região, contou que o tema é ausente nas visitas guiadas e museus do local, e fez um apelo aos estudantes: “Fica o convite para a galera de Literatura para, quando estudar romantismo, discutir essas relações, sobretudo aquela geração condoreira, Castro Alves, Gonçalves Dias. É preciso perceber o que esses homens estão vendo para escrever literatura. E eles estão vendo isso aí, sofrimento, escravidão, poderio econômico, opulência, esses homens achavam que não iam empobrecer nunca”.

A literatura dentro dos livros e no palco

Além de palestras, mesas-redondas e comunicações coordenadas, a Semana de Letras também apostou no lúdico como forma de conhecimento. Em sintonia com o tema do evento, “Práticas, teorias e talentos no cenário literário e linguístico contemporâneo”, o espetáculo teatral “De dentro dos livros” arrancou risadas e também levou à reflexão. A peça fez uma oposição entre leitura e tecnologia, na qual personagens dos livros se materializaram em busca de novos leitores, já que estão desaparecendo devido ao interesse das crianças pela tecnologia.

Lara (ao centro) é uma menina apaixonada por livros e por brincar ao ar livre, mas sua prima só quer saber de jogos digitais. Então, os personagens favoritos de Lara saem dos livros na tentativa de conquistar novamente as crianças a lerem. (Foto: Pollyana Lopes)

Lara (ao centro) é uma menina apaixonada por livros e por brincar ao ar livre, mas sua prima só quer saber de jogos digitais. Então, os personagens favoritos de Lara saem dos livros na tentativa de conquistar novamente as crianças a lerem. (Foto: Pollyana Lopes)

A ideia de apresentar a obra partiu da estudante do 3º período de Letras Amanda Barboza, que também foi monitora da Semana. Ela, que é atriz e integra o Grupo Pipa, disse ter se surpreendido com o resultado, já que o espetáculo é mais voltado para o público infantil. “Eu até chamei uns alunos do CAEL para assistirem, mas as pessoas mais velhas também gostaram muito e riram bastante, porque mesmo as peças infantis têm apelo para outros públicos. O teatro foi a minha primeira profissão, conseguir a arte com a minha segunda profissão, que é ser professora, eu achei ótimo”, disse.

“As minhas raízes são aqui”

Pelos corredores da FEUC, no último dia da Semana de Letras, o professor Gustavo Adolfo da Silva  poderia passar despercebido pelo pátio não fosse o cumprimento dos mestres do curso de Letras acolhendo-o, agradecendo sua presença e parabenizando-o. Convidado a palestrar, ele não pôde participar por conta de outros compromissos, mas fez questão de prestigiar o evento. Gustavo, que é professor aposentado pela UERJ, cursou mestrado e doutorado na UFRJ e tem 13 livros publicados — sendo três de poesia — garante que a FEUC é a sua casa: “A minha graduação foi aqui, minha primeira especialização foi na FEUC, sou morador de Campo Grande. Eu dei aulas aqui durante dez anos, as minhas raízes são aqui”, disse.

Professor Gustavo Adolfo se formou nas FIC e trabalhou como professor aqui por dez anos. (Foto: Pollyana Lopes)

Professor Gustavo Adolfo se formou nas FIC e trabalhou como professor aqui por dez anos. (Foto: Pollyana Lopes)

Entre 1974 e 1984 Gustavo lecionou disciplinas de Filologia, Sintaxe e Estilística. Sua atuação como professor, no entanto, foi passada adiante por meio de seus livros e das histórias de colegas. O professor Erivelto foi um dos que o encontraram e não perdeu a oportunidade de agradecê-lo: “Querido mestre, que satisfação reencontrá-lo. Seja bem-vindo a esta casa mais uma vez, é uma inspiração para nós. A sua presença nos honra muito e nos incentiva a continuar, porque os seus ensinamentos são importantes e a sua trajetória profissional é de inspiração para todos nós”, saudou.

Ligeiramente tímido, ele agradeceu o reconhecimento e o dedicou ao magistério: “Quando a gente está nessa idade, eu tenho 70 anos, sempre dedicado ao magistério, o magistério foi minha vida, é muito bom ouvir isso. É muito gratificante, para mim, ter o reconhecimento de ex-alunos, daqueles que leram os meus trabalhos. São coisas que a gente pode dizer que valeu a pena. A atividade docente vale a pena pelo reconhecimento de todos aqueles que eu convivi ao longo da minha vida”, acentuou.

Enquanto esperava sua neta que estuda no CAEL, ele aproveitou para mostrar, aos estudantes, seus livros que estavam à venda na banca do evento. Desconhecido da maioria, mas fundamental para a história do curso de Letras das FIC.

Mais fatos e fotos:

Professora Norma apresentou sua pesquisa de doutorado, na qual ela elaborou um livro didático bilíngue em português e guarani. (Foto: Pollyana Lopes)

Professora Norma apresentou sua pesquisa de doutorado, na qual ela elaborou um livro didático bilíngue em português e guarani. (Foto: Pollyana Lopes)

Viviane Barbosa, Michele Santos, Dandara Ignácio e Raissa Lima compuseram a mesa-redonda "Letramento literário como ferramenta de inclusão", na qual apresentaram análises sobre as experiências vivenciadas no projeto Pibid. (Foto: Pollyana Lopes)

Viviane Barbosa, Michele Santos, Dandara Ignácio e Raissa Lima compuseram a mesa-redonda “Letramento literário como ferramenta de inclusão”, na qual apresentaram análises sobre as experiências vivenciadas no projeto Pibid. (Foto: Pollyana Lopes)

Raissa Rizetto, Juliana Conceição e Gustavo da Silva apresentaram a mesa-redonda "Pibid na formação continuada do docente" e debateram o como o projeto contribui no processo de formação dos futuros professores. (Foto: Pollyana Lopes)

Raissa Rizetto, Juliana Conceição e Gustavo da Silva apresentaram a mesa-redonda “Pibid na formação continuada do docente” e debateram o como o projeto contribui no processo de formação dos futuros professores. (Foto: Pollyana Lopes)

Estudantes tiveram protagonismo em várias atividades. Na foto, as estudantes Ana Carolina de Aguiar (esquerda), Fabiane Souza (ao centro) e Andreza da Silva (direita) entre as professoras Ana Paula Cypriano e Lucy Julião após o mini-curso "Aprendendo a Ensinar, uma jornada Quixotesca", que elas apresentaram conjuntamente. (Foto: Pollyana Lopes)

Estudantes tiveram protagonismo em várias atividades. Na foto, as estudantes Ana Carolina de Aguiar (esquerda), Fabiane Souza (ao centro) e Andreza da Silva (direita) entre as professoras Ana Paula Cypriano e Lucy Julião após o mini-curso “Aprendendo a Ensinar, uma jornada Quixotesca”, que elas apresentaram conjuntamente. (Foto: Pollyana Lopes)

Uma das atividades da Semana de Letras fez a alegria de amantes da culinária portuguesa e famintos de planto. Estudantes das turmas de Teoria Literária Portuguesa prepararam uma mesa culinária com pratos típicos como bacalhoada, quindim, pastéis de belém, pães de centeio, entre outros. (Foto: Pollyana Lopes)

Uma das atividades da Semana de Letras fez a alegria de amantes da culinária portuguesa e famintos de planto. Estudantes das turmas de Teoria Literária Portuguesa prepararam uma mesa culinária com pratos típicos como bacalhoada, quindim, pastéis de belém, pães de centeio, entre outros. (Foto: Pollyana Lopes)

Da FEUC para o mundo

Estudante das FIC na graduação e na pós irá para os EUA cursando mestrado com bolsa integral

Por: Pollyana Lopes

Concluir um curso de graduação já é uma conquista e tanto – pois, de acordo com o Censo do IBGE de 2010, apenas 7,9% dos brasileiros possuem ensino superior. Mas há quem não se contente com o diploma e busque sempre mais. Para essas pessoas, as fronteiras não são empecilhos, e a busca por conhecimento e estudo alcança o mundo. É o caso de André Nascimento, que se formou em Letras (Português-Inglês) nas FIC em 2014, emendou na pós-graduação em Língua Inglesa, também na FEUC, e agora ruma aos Estados Unidos para cursar, com bolsa integral, o mestrado em Português e Literaturas pela The University of New México. Durante os próximos anos, André vai pesquisar a relação entre a masculinidade latino-americana e a violência em regiões periféricas.

André no pátio da FEUC, quando foi o terceiro colocado no Premio FEUC de Literatura na categoria Aluno da instituição. (Foto: Gian Cornachini)

André no pátio da FEUC, quando foi o terceiro colocado no Premio FEUC de Literatura na categoria Aluno da instituição. (Foto: Gian Cornachini)

Ele conta que ainda era criança quando se interessou pela língua inglesa. Com apoio dos pais, entrou para um curso de idiomas e, no contato com americanos que frequentavam sua igreja, ele pôde praticar a língua, o que só fez aumentar o seu interesse. “Com 13 para 14 anos eu já lia livros em inglês, achava-os mais baratos nos sebos, e com essa idade comecei a dar aulas particulares para vizinhos”, conta o jovem que, a respeito da pouca idade, acrescenta “Que maluquice, mas eu era bem responsável”.

O sistema de ensino nos EUA é diferente do brasileiro, principalmente no que tange aos custos. Mesmo as universidades públicas não são totalmente gratuitas, em alguns casos elas são apenas mais baratas do que as instituições particulares. Além disso, no país não é comum que sejam disponibilizadas bolsas para mestrandos, pois elas são mais frequentes nos programas de doutorado. Neste contexto, conseguir uma bolsa como a de André, que cobre todos os gastos, já é uma vitória, mas ele conquistou mais: “Na minha situação, ganhei a bolsa integral dos custos da universidade para não precisar pagar e fui convidado a ministrar dois cursos no setor de extensão do departamento, recebendo, assim, uma outra bolsa em dinheiro”.

O histórico profissional de André foi importante: desde os 18 anos ele atua profissionalmente como intérprete em congressos e encontros políticos e culturais, além de fazer traduções de artigos para revistas acadêmicas. Mas o estudante valoriza e reforça o quanto a sólida formação acadêmica que obteve aqui foi importante.

André (à esquerda) junto de colegas da The Sate University of New York (SUNY), onde ele é pesquisador convidado e membro do grupo de Estudos Latino-americanos. (Foto: Arquivo Pessoal)

André (à esquerda) junto de colegas da The Sate University of New York (SUNY), onde ele é pesquisador convidado e membro do grupo de Estudos Latino-americanos. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Minha formação na FEUC foi essencial. Vivia falando para os meus amigos: ‘ah, não posso, eles são bons demais’. Mas quando sentava e analisava, via que todos os tópicos tinham sido abordados na graduação. Tive uma formação de ponta, que não deixa a desejar a nenhuma instituição em nível global das que tive a oportunidade de conhecer”, revelou.

Mais que os conteúdos dados durante o curso, André também destaca a boa relação com os mestres: “O compromisso dos professores e a fé que eles têm em nós é singular nesse processo de construção da autoestima. Quando você vem de família pobre, você passa a vida achando que o ‘qualquer coisa’ é a única opção que você tem. Até que você descobre que você pode sim lutar contra uma hegemonia que não quer que o filho do operário seja doutor e que pobre não esteja na universidade”. Para finalizar, ele expressa sua gratidão. “Agradeço muito à FEUC e aos professores por essa educação excelente. Os mestres viraram meus amigos”

Coisa que a gente nem imagina que é, é

 

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Natácia Evilen Queiroz Araújo
Graduanda do 6º período de Letras/Literaturas e bolsista do Pibid/FIC

 

Era uma vez um menino chamado Masala. Ele era pretinho da cor do café. Ele se achava diferente porque os meninos de sua escola eram branquinhos da cor do leite. O cabelo de Masala era duro que nem água entrava, e os dos outros meninos eram molinhos que da água escorria.

Um dia, vó Antônia, sentada na sala, mostrava toda orgulhosa as fotos de família.

— Quem é essa gente toda vestindo esquisito, vó?

Vó Antônia riu e pôs-se a explicar:

— Essa gente pretinha e bonita é nossa família. Todos de um país muito lindo na África: Guiné-Bissau. Sua velha vó aqui veio de lá, sabia?

Masala olhou… Olhou… Olhou…

Até que o olho parou pra olhar um menino na fotografia. O menino que ele via tinha seu tamanho e era tão pretinho como ele, da cor do café. Masala o achou risonho e até parecido. Ele ficou curioso pra saber mais:

— Vó Antônia… E esse aqui?

— Ah, meu brotinho… Esse? Esse é Masala, meu irmão e seu tio-avô.

Masala ficou mais abismado ainda: que diabo! Como podia aquele menino tão pretinho da cor do café ser tão parecido com ele e ainda ter seu nome?

Vó Antônia, que não era boba, percebeu o estranhamento e os dois olhos arregalados do moleque, e começou a contar:

— Seu tio-avô foi um menino muito corajoso como você. Ele era da tribo Fula, toda nossa família veio de lá.

E continuou:

— A noite da África é a mais bonita do mundo, sabia? E veja bem que o mundo é bem grande! Os nossos dentes são brancos como as estrelas e nosso cabelo é forte como as árvores de nossa terra! Um dia, tivemos de sair de lá, viemos para o Brasil, e muitos de nós para outros países para que o nosso povo colorisse os outros povos.

— Igual no arco-íris, vó?

— Sim, filho. Tem um bocadinho da tinta que pintou nossa cor em cada pedacinho desse mundão. Tem fruta nossa, tem músicas, instrumentos, histórias, brincadeiras e muito mais! Até coisa que a gente nem imagina que é, é.

— Vó… Meu cabelo é forte igual de árvore?

— Sim, filho.

— Minha cor é cor da noite?

— Sim, filho. É sim.

— E meus dentes, vó? São as estrelas da minha noite?

— Sim, meu pequeno. E da minha noite também. Seu sorriso “alumeia” que chega a arrepiar minha noite — disse vó Antônia, apontando pra pele.

— Vó…

— Diga, meu pequeno…

— A água que sai do olho da gente é igual à dos brancos porque a gente chora amor, né?!

— Sim, meu filho… É sim. (A essa altura, vó Antônia era puro orgulho).

— E o amor não tem cor, né vó?!

E vó Antônia, emocionada, lavou a noite dela de amor enquanto Masala brincava feliz exibindo suas estrelas branquinhas.

Interdisciplinaridade casada com incentivo à docência

 

Graduando de Letras oferece oficina sobre cinema a estudantes do Ensino Médio na rede pública, levado por professor de seu curso

Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

Victor Ramos, professor do curso de Letras, fez de modo totalmente informal em novembro passado algo que o Pibid vem realizando programaticamente nas FIC: levou um aluno do 2º período de Inglês para experimentar a iniciação à docência interagindo com estudantes do Colégio Estadual Amazonas, onde ele também leciona. Diego Gomes, que atua na área de design gráfico voltado para o cinema de animação, ofereceu aos jovens alunos da segunda série do Ensino Médio uma oficina de produção de filmes de curta-metragem.

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“Falei um pouco sobre as etapas de produção nessa área, dando o passo a passo de um curta desde o roteiro, a estrutura do filme, efeitos especiais, edição etc.”, conta Diego, que no passado cursou alguns semestres da graduação em Cinema, mas não concluiu o curso. Justamente por seu interesse em escrever roteiros, ele decidiu se graduar em Letras e posteriormente tentar um mestrado na área de cinema. E ficou feliz com o resultado de sua primeira incursão como professor: “As turmas interagiram bastante, e eu me senti bem à vontade explicando o tema, tirando dúvidas. Foi muito bom”.

... e ao lado de Victor: aprendendo com quem é fera! (Foto: Gian Cornachini)

… e ao lado de Victor: aprendendo com quem é fera! (Foto: Gian Cornachini)

A atividade, segundo Victor, explorou o tema de gênero textual, que faz parte do currículo mínimo. E foi possível ainda integrar na conversa temas transversais como mercado de trabalho e cultura popular. E – o mais importante – passar a mensagem de que todo caminho profissional é possível de ser trilhado, quando se tem um objetivo de vida e disposição para trabalhar por ele.

Victor festejou o sucesso da iniciativa: “Sou filho da escola pública, estando nela desde os sete anos. Apesar de certas vezes ter penado pelas ‘falhas do sistema’, tive alguns ótimos modelos que me fizeram crer na qualidade do trabalho pedagógico e no quanto podemos contribuir para vida de nossos alunos”, disse o professor, sentindo-se também agradecido pelo brilho nos olhos que Diego foi capaz de despertar em “sua garotada”.

E o professor não tem dúvidas de que bons frutos brotarão a partir daí: “Depois da oficina, estou certo dos excelentes filmes que estão por vir de meus ‘alunos cineastas’!”, completou.

Às vésperas da AV2, professor de Letras dá ‘dicas’ preciosas

Não… ele não resolveu contar o que vai cair na prova, mas sim compartilhar com os estudantes alguns tópicos que ajudam muito na hora de fazer redações ou responder questões discursivas

Da Redação
emfoco@feuc.br

Atento às necessidades de seus alunos, o professor Victor Ramos, do curso de Letras, preparou uma espécie de manual para ajudá-los a se preparar melhor para as provas – tanto com relação à AV2, que começa no final deste mês de novembro, quanto aos concursos e outras provas que eventualmente venham a fazer agora e ao longo de suas carreiras acadêmicas. As sugestões do professor valem tanto para a produção de textos quanto para a análise de enunciados de questões discursivas.

Segundo Victor, escrever academicamente é um processo 80% mecânico e 20% criativo. Ele diz que essa mecânica é adquirida com prática constante dentro dos gêneros textuais (resumo, resenha, relatório etc.):

“Ler e escrever bastante é fundamental! Já a criatividade vem com o seu grau de envolvimento com o tema e aplicação deste no mundo. Exemplificar e contrastar ideias vem dessa essência criativa”, afirma o professor, para quem dedicação e positividade é tudo: “Devemos acreditar mais em nossas capacidades e quebrar esses tabus de ‘eu escrevo bem’ e ‘eu escrevo mal’. Você escreve, e é isso! O ‘bem’ e o ‘mal’ serão determinados pelo uso adequado da mecânica do texto e por seu envolvimento com o tema”.

 

Victor Ramos: não ferir coesão e coerência é fundamental para um bom texto (Foto: Gian Cornachini)

Victor Ramos: não ferir coesão e coerência é fundamental para um bom texto (Foto: Gian Cornachini)

Enfim, vamos ao conteúdo preparado por ele:

Quando escrevemos, devemos ter o máximo de cuidado para não ferir a coesão (ordenamento de elementos textuais) e coerência (sentido e lógica das assertivas). Para tanto, devemos ficar atentos às estruturas individuais dos parágrafos:

1. O parágrafo deve evitar, ao máximo, a repetição de uma palavra ou termo (para isso lançaremos mão de sinônimos e outros recursos estilísticos). Se sentirmos muito a necessidade de repetir o termo, é bem provável que já esteja na hora de encerrar o parágrafo e iniciar outro.

2. Uma ideia por parágrafo! Sempre que a perspectiva mudar, você deve trocar… A estrutura chamada TÓPICO FRASAL diz respeito ao tema central daquele parágrafo. Recomenda-se listar os tópicos frasais e, a partir deles, começar a escrever.

3. Usamos elementos textuais para mostrar concatenação de ideias: “SENDO ASSIM”, “PORTANTO”, “EM OPOSIÇÃO” etc.

4. Apoie TODAS as suas declarações específicas (conceitos fechados) em autores da área. Afirmativas muito abertas, sem arcabouço (embasamento) teórico, não são bem vistas.

5. Reflita sobre a ordem de seu texto. Um princípio mais geral é o do “partir do geral para o específico” – ou seja: as considerações mais abrangentes e pouco profundas virão ANTES dos pormenores e conclusões.

6. Cada parágrafo é um universo em particular que é conectado aos demais por meio de operadores discursivos. Sendo assim, sua estrutura também deve apresentar início, meio e fim.

 O professor continua com suas dicas:

Quando nosso texto é resposta a uma pergunta, devemos seguir os princípios indicados acima e, mais ainda, ficar atentos aos tópicos apresentados abaixo:

1. Se a banca, ou o professor, solicitar que você redija uma resposta curta, seu parágrafo único perderá algumas das características apontadas acima. Contudo, a lógica do texto deve ser a mesma: para marcar os “espaços” entre aquilo que você consideraria o término de um parágrafo e o início de outro, use termos como “POR OUTRO LADO”, “DESSA FORMA”, “OUTRA QUESTÃO”, “CONTUDO” etc.

2. Ainda sobre textos redigidos em um único parágrafo, atente para a repetição de termos. Como a estrutura é maior, é bem provável que não tenhamos termos suficientes para evitar a repetição, e necessitemos usar, mais de uma vez, a mesma palavra, mas busque sempre uma maneira de evitar isso.

3. Antes de começar a escrever, leia, pelo menos 4 vezes, a proposta da questão. Em função de adequações metodológicas contemporâneas, a maioria das questões segue a estrutura INTRODUÇÃO AO ASSUNTO > PROBLEMATIZAÇÃO > PROPOSTA. Então, a parte que “dá as ordens” aparece nas últimas linhas da proposta da questão, mas isso não quer dizer que você não deva prestar atenção ao início, pois é justamente essa parte inicial que vai lhe indicar como você deve abordar o assunto.

4. Você deve ir marcando cada uma das partes do enunciado, puxando setas e escrevendo palavras ou frases que ativem os conceitos. A partir dessas anotações, você elabora os tópicos frasais (frases essenciais que compõem cada um dos seus parágrafos, ou de seu grande parágrafo, no caso dos textos curtos).

5. Após elaborar, em rascunho, os tópicos frasais, leia-os comparando com o enunciado e verifique se: a) eles atentem a todos os itens que foram pontuados ao longo das últimas linhas da proposição contida no enunciado; b) eles seguem o olhar apresentado na parte inicial da questão; c) eles terão teóricos que fundamentem seu desmembramento.

6. Dos tópicos frasais, você lista tudo o que deverá tratar em cada um e a confirmação dos teóricos que sustentam as ideias.

7. Já em sua folha final, redija o texto – ISSO MESMO! SEM RASCUNHAR O TEXTO TODO! Você sabe exatamente o que deve trabalhar em cada parágrafo. Se errar alguma palavra, basta fazer um risco contínuo sobre ela, ou colocar, depois dela, o termo “digo” (I mean, em inglês).

8. Não esqueça que, apesar de uma certa independência, os parágrafos têm uma relação entre si. E você expressa isso por meio dos operadores discursivos que comentei, e usando referências de uns aos outros, como “CONFORME EXPLICITADO ACIMA”, “COMO VISTO ANTERIORMENTE” etc.

9. Vá direto ao assunto e ao que lhe foi pedido no enunciado! Nada de floreios, exemplos longos, linguagem demasiadamente rebuscada, linguagem informal ou repetição de ideias ao longo do texto.

10. Feche sempre o texto com uma conclusão que sintetiza os conceitos tratados ao longo do texto. A ideia é que a conclusão atenda a proposta do enunciado – ou seja: responda a pergunta de forma muito direta e sem exemplos.

Uma nova perspectiva de vida a partir da Educação

 

Às vésperas de se formar em Letras, estudante já tem seu próprio curso de inglês e preparatório para concursos em Mangaratiba

Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

Marcus no pátio da FEUC: “estudar aqui mudou minha vida”. (Foto: Gian Cornachini)

Marcus no pátio da FEUC: “estudar aqui mudou minha vida”. (Foto: Gian Cornachini)

Até o dia em que iniciou o curso de Letras nas FIC, em 2011, a vida de Marcus Petini já lhe tinha dado mostras suficientes de que nada seria moleza: sobreviveu a um câncer violento aos 5 anos de idade e chegou ao fim do Ensino Médio aos trancos e barrancos, sempre enfrentando longas caminhadas até a escola, em Mangaratiba, e a recorrente falta de professores. O desestímulo o fez mergulhar um ano inteiro na “vagabundagem” – como ele mesmo definiu – que só foi interrompida quando o pai insistiu para que fizesse uma faculdade, e ele aportou na FEUC.

E continuou sendo dureza, pois Marcus acordava às 3h30m da madrugada em Mangaratiba para se aprontar, pedalava dois quilômetros e meio até o ponto de ônibus e embarcava rumo a Campo Grande para trabalhar das 7h às 16h. Daí vinha para a FEUC, ficava um tempo no pátio lendo ou descansando, depois assistia às aulas até 21h50m e novamente pegava o ônibus para Mangaratiba, onde mais uma vez iria se exercitar na bicicleta até chegar em casa para finalmente tomar um banho, comer e dormir – já depois de meia-noite.

“Essa batida pesada durou mais de um ano e serviu para me fazer valorizar tudo o que tenho hoje”, diz o estudante, que está cumprindo a última disciplina para finalmente ter seu diploma do curso superior. E ele já começa a colher os frutos, pois abriu este ano em sua cidade o seu próprio curso de línguas, o Explica Show, em que leciona inglês e também português e redação para concursos, realizando assim dois antigos sonhos: ter o próprio negócio e dar oportunidade às pessoas de menor poder aquisitivo que não conseguem pagar o único outro curso de inglês da cidade.

Marcus começou em abril com 4 alunos e agora já tem 15. “Consigo oferecer um custo menor porque uso uma sala emprestada e eu mesmo preparo o material didático”, diz o jovem, que também leciona em uma escola particular da cidade. “Fui o primeiro da minha família a fazer faculdade, e estudar aqui realmente mudou minha vida. Tive tão bons professores na FEUC que tomei como meta um dia ser um professor assim”, finaliza.