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FEUC além dos muros

 

Evento realizado no Instituto de Educação Sarah Kubitschek levou informações acadêmicas e profissionais aos estudantes e promoveu a troca de saberes entre universidade e escola

Por Tania Neves e Pollyana Lopes

Como parte das atividades do Dia da Responsabilidade Social 2016, a FEUC construiu uma feliz parceria com o Instituto de Educação Sarah Kubitschek (IESK), em Campo Grande, para a realização do “FEUC além dos muros”. Concebido por docentes e graduandos dos cursos da faculdade, o evento levou aos estudantes secundaristas do IESK, no dia 8 de outubro, uma série de atividades voltadas para as áreas de conhecimento acadêmico e os desafios na formação dos futuros profissionais. Foram palestras, oficinas, debates e aulas práticas abordando o conteúdo dos cursos e temas da atualidade, no intuito de compartilhar com os alunos informações que os ajudem a melhor conhecer algumas carreiras profissionais e refletir sobre questões importantes do mundo de hoje.

Estudantes do Sara, após a oficina de Pedagogia, uma das mais concorridas. (Foto: Pollyana Lopes)

Estudantes do Sara, após a oficina de Pedagogia, uma das mais concorridas. (Foto: Pollyana Lopes)

Pedagogia Sob a coordenação das professoras Maria Licia Torres e Cláudia Miranda, os bolsistas do Pibib do curso promoveram duas oficinas, uma sobre o uso das linguagens artísticas como instrumento pedagógico para abordar os gêneros textuais em sala de aula e outra sobre o resgate da tradição oral por meio das cirandas. Apesar de a maior parte dos estudantes que optaram por essas atividades serem do Ensino Médio Regular e não da Formação de Professores, o entusiasmo foi grande.

Na oficina oferecida pelo subprojeto Interdisciplinar do Pibid FEUC, os estudantes conheceram um pouco da literatura africana e confeccionaram pulseiras. (Foto: Pollyana Lopes)

Na oficina oferecida pelo subprojeto Interdisciplinar do Pibid FEUC, os estudantes conheceram um pouco da literatura africana e confeccionaram pulseiras. (Foto: Pollyana Lopes)

“Fiquei encantada com a forma como eles se envolveram com as atividades. Chegaram a pedir um bis da Capoeira”, conta Maria Licia, considerando que o objetivo maior foi alcançado: “Levar os jovens a refletir sobre os processos de ensino e aprendizagem e a reflexão sobre temas sociais e culturais é muito importante, mesmo que eles não pretendam seguir a carreira docente”, avaliou. Professora tanto da FEUC quanto do IESK, Rita Gemino comandou uma oficina de produção de pulseiras, partindo da inspiração de um belíssimo conto africano, que era lido pelos participantes antes de cada um iniciar a montagem de sua pulseira. Também escritora, Rita tem longa experiência no uso do lúdico como meio de abordar os temas literários em sala de aula, e procura munir seus alunos e alunas com essa bagagem: “É importante que o futuro professor conheça a literatura africana para poder quebrar esses estereótipos de um continente que só tem pobreza e coisas negativas. A África tem uma cultura riquíssima, e é plural, são muitas Áfricas”, diz. Matemática Na oficina de Matemática, ministrada por bolsistas do Pibid e professores da FEUC, foram apresentadas aos alunos do IESK métodos de ensino de matemática para crianças que utilizam as mãos, e o chamado material dourado. A atividade foi aprovada pelas alunas do primeiro ano do Ensino Normal do Sara. Andréa Santana de Jesus e Vivian Cristina Barreto dos Santos comentaram:

Na oficina de matemática, os estudantes aprenderam técnicas para utilizar o material dourado, um jogo que facilita o aprendizado de unidades, dezenas e centenas. (Foto: Pollyana Lopes)

Na oficina de matemática, os estudantes aprenderam técnicas para utilizar o material dourado, um jogo que facilita o aprendizado de unidades, dezenas e centenas. (Foto: Pollyana Lopes)

“Eu me interessei pela oficina porque gosto de matemática e eu gostei muito de saber desses métodos mais práticos de se explicar. Quando eu aprendi era mais complexo, então, é bom a gente ficar sabendo de novas formas até para poder ensinar”, contou Vivian. “Eu já conhecia o material dourado, mas não sabia de todas essas formas de usá-lo. É uma coisa mais fácil e dá pra ensinar. E também mexe muito com materiais, com as mãos, é mais didático e a criança se diverte”, reforçou Andréa. Humanas Os cursos da área de Humanas propuseram caminhos bastante instigantes para acessar os conteúdos das disciplinas – como a charge, explorada pelo grupo de Geografia, e as histórias em quadrinhos, abordadas pelo de História. Nas duas salas a atenção e participação dos alunos era intensa. O professor Jayme Ribeiro ia fazendo as conexões entre acontecimentos históricos e os quadrinhos mais em voga naqueles períodos, mostrando como as mensagens políticas são passadas também por meio da cultura e do entretenimento, e os alunos se encantavam com o modo tão saboroso de aprender história. A professora Márcia Vasconcellos, que dividia com ele a apresentação, vibrava: “Ouvi mais de um aluno dizendo ‘puxa, agora já sei o que vou fazer: história!’. Eu, que amo ensinar história, só posso vibrar com isso”, comentou.

Jayme contextualizou histórias em quadrinhos clássicas, como Capitão América, e questionou o papel ideológico e político das imagens. (Foto: Pollyana Lopes)

Jayme contextualizou histórias em quadrinhos clássicas, como Capitão América, e questionou o papel ideológico e político das imagens. (Foto: Pollyana Lopes)

Já na atividade de Ciências Sociais, os alunos tiveram acesso às informações básicas sobre o curso e também conheceram um pouco do trabalho desenvolvido pelo Pibid, na Escola Municipal Amazonas, onde os bolsistas introduzem a Sociologia aos estudantes do 8º e 9º ano. Como forma de exercitar o senso crítico necessário à Sociologia, eles também assistiram um clipe musical e debateram sobre o conteúdo. “A gente também passou o clip da música Minha Alma, do Rappa. O vídeo mostra um pouco do genocídio do povo negro e agora, depois de debate, eles estão fazendo um trabalho expondo no papel o pensamento deles sobre o vídeo e sobre a sociedade em geral, numa forma de manifestação”, explicou Matheus Henrique Vaz, estudante do 3º período de Ciências Sociais e bolsista do Pibid.

Em um dos trabalhos apresentados pelos alunos da oficina de Ciências Sociais os estudantes demonstraram como a televisão pode mascarar a realidade. (Foto: Pollyana Lopes)

Em um dos trabalhos apresentados pelos alunos da oficina de Ciências Sociais os estudantes demonstraram como a televisão pode mascarar a realidade. (Foto: Pollyana Lopes)

Gestão e tecnologia O auditório recebeu palestras de três professores das áreas de gestão e tecnologia da FEUC. Rodrigo Neves, coordenador dos cursos de Informática da FEUC, buscou dar aos alunos um aperitivo do amplo universo que eles poderão encontrar nessa área; Cátia Regina França, coordenadora de Administração, falou sobre o curso mais procurado por estudantes em todo o Brasil, já que o campo de atuação do administrador é muito amplo. E Kattia Eugênia Medeiros, que coordena o tecnólogo em Automação Industrial, abordou características desse curso e também do tecnólogo em Sistemas Elétricos, lembrando que a exploração de novas fontes de energia – como a solar e a eólica – vem revolucionando este mercado e abrindo muitas oportunidades para os formados nessas áreas. “Vimos alunos muito interessados nesses temas, bastante participativos”, disse o professor Rodrigo. “Observamos que eles pouco conhecem sobre a algumas áreas, como sistemas elétricos e automação, e foi muito bom poder esclarecer dúvidas”, completou a professora Káttia. Outros convidados A segunda etapa do evento contou com outros convidados de fora da FEUC, como a graduanda em Biomedicina, Ingrid Verri Pinto, que explicou como proceder nos primeiros socorros em acidentes cotidianos; e da especialista em Literatura, Marcela Guimarães Valle, que falou sobre o fazer pedagógico e o cotidiano do trabalho docente. Também aconteceram palestras sobre temas atuais, educativos e de prevenção, como a discussão sobre os efeitos psicológicos e sociais consequentes do uso de drogas, orientado pela pedagoga e psicopedagoga, Isabella Marques Santos e o debate sobre violência contra a mulher e a Lei Maria da Penha, conduzido pela defensora pública e coordenadora do Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), Arlanza Rebello. Entre outros aspectos, Arlanza apresentou as várias formas de violência contra a mulher além das já conhecidas violência física e sexual, como a violência patrimonial, moral e psicológica. “A violência patrimonial acontece quando a mulher tem seus objetos quebrados, quando ela não tem acesso a nenhum dinheiro porque o companheiro controla tudo; a violência moral, quando ela é caluniada, quando inventam mentiras a respeito dela, chamam de vadia; e a violência psicológica, quando ela é ameaçada, humilhada, quando o homem diz que ninguém gosta dela. E é importante a gente dizer, todas essas são formas de violência e são cobertas pela Lei Maria da Penha, porque elas não são menores”, explicou.

Outro aspecto apresentado por Arlanza foi a compreensão do conceito de mulher pela Lei Maria da Penha, que também abarca mulheres travestis, transexuais, transgêneros. (Foto: Pollyana Lopes)

Outro aspecto apresentado por Arlanza foi a compreensão do conceito de mulher pela Lei Maria da Penha, que também abarca mulheres travestis, transexuais, transgêneros. (Foto: Pollyana Lopes)

Avaliação do evento e da parceria A professora Jane Souza, que atua tanto no IESK quanto na FEUC, e que foi a ponte para esta parceria, mostrou-se eufórica com a participação da garotada: “Tivemos salas cheias em todas as atividades e estudantes empolgadíssimos, muitos pedindo para esticar a atividade, não querendo que acabasse. E professores do IESK também participando, assistindo em várias salas”, disse. A diretora do Instituto, Dayse Duque Estrada, avaliou como positivo o saldo da feira acadêmica e profissional. “Foi um dia diferente, foi uma atividade bastante estimulante que, com certeza, vai ter desdobramentos ao longo do ano com os professores que acompanharam as oficinas”, declarou. Para a FEUC, o dia também foi proveitoso e de aprendizado, como avaliou a professora Célia Neves, coordenadora do curso de Ciências Sociais e uma das organizadoras do evento. “Para nós da FEUC foi uma oportunidade fundamental da gente esclarecer, para os estudantes do Ensino Médio, sobre os cursos universitários. Muitas vezes o estudante chega na universidade e não sabe muito bem o que é aquilo que ele escolheu. Foi um evento muito bacana, uma troca fantástica e eu acho que a gente tem que ampliar essa interlocução entre os diferentes níveis de ensino. Estou muito feliz com isso”, contou.

Sistemas de Gestão Empresarial e sucesso profissional são temas de evento de Administração

Especialistas do mercado vêm à FEUC compartilhar conhecimentos e dicas da área

Por Pollyana Lopes e Gian Cornachini

A II Semana do Administrador aconteceu nos dias 8 e 9 de setembro, no Auditório FEUC, trazendo para a instituição palestras com profissionais de vasta experiência de mercado e sólida formação acadêmica. No primeiro dia, o gerente de Tecnologia de Informação da Guaracamp, Alcione Dolavale, falou sobre Gestão Empresarial na Logística e trouxe exemplos de como a implementação de Sistemas Integrados de Gestão Empresarial, ERP, a sigla em inglês para Enterprise Resource Planning, promove o melhor funcionamento das empresas. Ele, que é graduado em Tecnologia da Informação e tem mestrado em Logística pela PUC-Rio e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV, destacou também a importância de estreitar os laços entre o mercado e as faculdades.

Alcione Dolavale destacou a importância da relação entre o mercado e as faculdades e deixou o e-mail do setor de Recursos Humanos da empresa em que trabalha para os alunos enviarem currículos. (Foto: Pollyana Lopes)

Alcione Dolavale destacou a importância da relação entre o mercado e as faculdades e deixou o e-mail do setor de Recursos Humanos da empresa em que trabalha para os alunos enviarem currículos. (Foto: Pollyana Lopes)

“Para nós, que estamos no mercado, é muito valiosa essa oportunidade de ir às faculdades, de encontrar com alunos. Afinal de contas, é aqui que estão sendo formados os futuros profissionais”.

Já na palestra de Paulo Panesi, convidado a participar do encerramento da II Semana de Administração — que aconteceu na sexta-feira, dia 9 de setembro —, o foco da discussão foi “sucesso” e os caminhos para conquistá-lo. Panesi, que tem especialização em Gestão de Pessoas e Gestão de Marketing, além de pós-graduação em Logística, atuou em grandes empresas como Xerox do Brasil e Polaroid, e afirmou que uma das principais chaves para ter uma carreira promissora é trabalhar com o que gosta: “Escolha fazer alguma coisa que você tenha prazer, porque, segundo Aristóteles, quem faz o que gosta, se diverte a cada dia”.

Panesi: "Escolha fazer alguma coisa que você tenha prazer". (Foto: Gian Cornachini)

Panesi: “Escolha fazer alguma coisa que você tenha prazer”. (Foto: Gian Cornachini)

O administrador acredita que o profissional precisa ter atitude e não esperar as oportunidades aparecerem. Segundo Panesi, a postura de quem está interessado em crescer determina, de fato, o que ele quer: “Quantas pessoas vocês conhecem e que estão no Facebook fazendo absolutamente nada? E depois vão dizer que vocês deram sorte? Nada cai do céu. Se vier uma coisa muito de graça, desconfie do custo que vocês vão ter que pagar por aquilo”, ponderou ele.

“O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê”

Evento na FEUC debate inclusão e acessibilidade para pessoas cegas ou com baixa visão e o papel do professor de português nesse processo

Por Pollyana Lopes

Aconteceu na FEUC, na última quarta-feira, dia 6 de julho, o “I Encontro de Educação, Acessibilidade, Arte e Inclusão”, um evento para oficializar a participação da FEUC na Rede de Leitura Inclusiva, um dos projetos da Fundação Dorina Nowill, e celebrar o primeiro aniversário da Lei Brasileira de Inclusão.

A parceria da FEUC com o projeto é mais um fruto das atividades do PIBID Letras que, por meio da Produção de Acervo de Áudio, aproximou-se da Fundação Dorina, uma instituição que há 70 anos trabalha pela inclusão social de pessoas com deficiência visual. O objetivo era fazer com que as gravações de textos de domínio público lidos por estudantes de escolas públicas, sob a orientação de bolsistas das FIC, chegassem a cegos e portadores de baixa visão. Com a integração da FEUC à Rede, a parceria entre as instituições se fortalece e reforça o compromisso de ambas em promover ações voltadas para pessoas com deficiência visual.

"Não dá para pensar educação sem pensar em amor, em fraternidade. Não dá para pensar em inclusão, em acessibilidade sem também pensar em amor, em fraternidade, em respeito", declarou o professor Erivelto Reis, sobre o tema do debate, "Incluir com Qualidade e Amor". (Foto: Pollyana Lopes)

“Não dá para pensar educação sem pensar em amor, em fraternidade. Não dá para pensar em inclusão, em acessibilidade sem também pensar em amor, em fraternidade, em respeito”, declarou o professor Erivelto Reis, sobre o tema do debate, “Incluir com Qualidade e Amor”. (Foto: Pollyana Lopes)

“Esse encontro faz de todos os presentes cofundadores, testemunhas, parceiros também desse compromisso que a FEUC já vem trabalhando há algum tempo e que, a partir de agora, está assumindo definitivamente, tornando público para a comunidade de estudantes e para a comunidade externa”, frisou o professor Erivelto Reis.

O evento contou com a projeção do documentário “Janela da Alma”, um filme dos diretores João Jardim e Walter Carvalho, com depoimentos de homens e mulheres com diferentes níveis de deficiência visual. E também com falas do professor das FIC e psicólogo Marco Antônio Chaves, da professora da rede estadual Tatiana Reis, e do estudante do 3º ano do Colégio Albert Sabin Jeanderson Baptista, que é cego.

Tatiana falou sobre os desafios dos professores e das escolas em estar atender pessoas com deficiências. (Pollyana Lopes)

Tatiana falou sobre os desafios dos professores e das escolas em estar atender pessoas com deficiências. (Pollyana Lopes)

Tatiana falou sobre o papel de professores de português nos processos de inclusão, e declarou que o objetivo do educador é sensibilizar os estudantes para o texto e desenvolver neles autonomia para o aprendizado. Jeanderson, que foi aluno de Tatiana há dois anos, comentou sobre o seu processo de aprendizagem, alguns métodos e sua experiência como monitor na Sala de Recursos, um espaço, no Colégio Albert Sabin, que conta com materiais e atividades pedagógicas complementares orientadas por um Núcleo de Apoio Pedagógico Especializado, com o objetivo de apoiar estudantes cegos, surdos e portadores de síndromes. O professor e psicólogo Marco Antônio destacou que, na qualidade de psicólogo, a prática de consultório o fez acreditar que uso da palavra deficiência reforça a diferença como algo pejorativo na sociedade e prefere o uso de outros termos, como disfunção.

 

Jeanderson está terminando o Ensino Médio, atua como monitor na Sala de Recursos auxiliando colegas e contou que acabou de passar em um concurso para o INSS. (Foto: Pollyana Lopes)

Jeanderson está terminando o Ensino Médio, atua como monitor na Sala de Recursos auxiliando colegas e contou que acabou de passar em um concurso para o INSS. (Foto: Pollyana Lopes)

Por fim, a fala do poeta Manoel de Barros no documentário “Janela da Alma” poetiza a ação cotidiana de quem atua no sentido de incluir socialmente pessoas com deficiências visuais, principalmente por meio da leitura. Jeanderson e os demais cegos não contam com o olho para ver, mas as palavras faladas podem inspirar as lembranças a serem revistas e, assim, o conhecimento a ser produzido por meio da imaginação, que transvê um mundo mais acessível, inclusivo e justo. Como complementa o poeta, “É preciso transver o mundo”.

Testando a didática com Cambridge

Incentivados por professor, estudantes do curso de Letras se preparam para fazer prova internacional que avalia conhecimentos pedagógicos

Por Pollyana Lopes

Uma avaliação que atesta internacionalmente que o professor é qualificado para dar aulas de inglês: assim é o Teaching Knowledge Test (TKT), um exame aplicado pela Universidade de Cambridge em diversas partes do mundo. Para quem já atua como professor de inglês, o certificado é um reconhecimento das habilidades e experiências do profissional; para quem está prestes a se formar, pode ser um diferencial na hora de disputar uma vaga.

Sabendo disso, o professor Victor Ramos, ao lecionar a disciplina Didática do Ensino de Língua Portuguesa e de Língua Inglesa, incentivou os alunos a fazerem o teste, oferecendo, inclusive, aulas preparatórias aos sábados para os interessados. Quem aceitou o desafio foi liberado de fazer apenas a prova escrita, tendo que cumprir, como avaliação da disciplina, outros instrumentos como fichamentos, resumos críticos e a produção de uma videoaula.

Professor utiliza material didático específico nos encontros de preparação dos alunos, que acontecem aos sábados. (Foto: Pollyana Lopes)

Professor utiliza material didático específico nos encontros de preparação dos alunos, que acontecem aos sábados. (Foto: Pollyana Lopes)

Victor explica que os conteúdos da disciplina estão de acordo com o que é exigido no teste, e por isto este seria um bom momento para os alunos se submeterem ao TKT: “basicamente, tudo o que é cobrado na avaliação, a disciplina foi um preparatório. E não só esta disciplina, como todas as outras. A gente sempre levanta a questão nos nossos encontros ‘Lembra do conteúdo do primeiro período? É cobrado na avaliação! Lembra do conteúdo do terceiro período?’… Quer dizer, as questões que foram trabalhadas ao longo da graduação são recorrentes para a prova TKT”.

Os alunos concordam que a formação que tiveram ofereceu bases sólidas para que eles estivessem preparados para o teste. Mesmo assim, as estudantes se surpreenderam: “Eu achei tão fácil que eu não acreditei. Mas é por isso, toda a bagagem que a gente tem das outras disciplinas desde o início da graduação”, declarou Tainá Souza de Oliveira Tavares, do 5º período. “A prova é muito mais fácil do que eu pensei que seria. Porque quando eu ouço o nome Cambridge eu acho que é uma coisa dificílima, mas vendo e estudando o livro preparatório, dá para ver que é bem possível”, complementou Lorena Stellet de Lima, estudante do 7º período.

Enquanto os demais estudantes inscritos na disciplina fazem a prova escrita e concluem o semestre, o grupo de dez alunos continua tendo aulas, já que a prova será realizada no dia 22 de julho, e os encontros preparatórias continuam aos sábados. Mas, eles acreditam que vale a pena:

“Não está fácil conseguir emprego. Eu fiz várias entrevistas e não passei, pela falta de experiência. Eu acredito que o peso dessa prova no meu currículo vai fazer a diferença, vai fazer com que eu tenha mais oportunidades”, concluiu Nayara Martins de Almeida, do 5º período.

Semana de Pedagogia: 27ª edição aborda os desafios de educar

 

Com o objetivo de fortalecer a formação dos professores, evento trouxe para o debate as possibilidades de desenvolver uma prática de ensino de forma reflexiva e crítica

Por Pollyana Lopes e Gian Cornachini

Há 27 anos acontece a semana acadêmica de um dos cursos mais tradicionais da FEUC: Pedagogia. E as demandas atuais da educação merecem discussões específicas, com o objetivo de fortalecer o ensino. É por isso que a XXVII Semana de Pedagogia abordou, entre os dias 16 e 18 de maio, a temática “Desafios, possibilidades, experiências e dilemas da Pedagogia contemporânea”, por meio de diversas palestras, oficinas, mesas-redondas e relatos de experiências. Na abertura do evento, o estudante Helton Tinoco já adiantou a importância da Semana para a formação dos alunos: “A gente, mesmo em espera, sem ter tantas possibilidades, deve buscar os desafios da nossa autonomia. A gente pode construir e deve construir um fazer pedagógico que estimule a reflexão e o pensamento de cada um dos alunos”. As 25 atividades da Semana, além das apresentações de trabalhos e lançamentos de livros, reuniram diversas experiências sobre esse fazer pedagógico apontado por Helton, e separamos, a seguir, um pouquinho do que aconteceu no evento.

Helton: "A gente pode construir e deve construir um fazer pedagógico que estimule a reflexão e o pensamento de cada um dos alunos". (Foto: Gian Cornachini)

Helton: “A gente pode construir e deve construir um fazer pedagógico que estimule a reflexão e o pensamento de cada um dos alunos”. (Foto: Gian Cornachini)

Mesa-redonda: Currículo, diversidade étnico-racial e formação de professores

O debate sobre “Currículo, diversidade étnico-racial e formação de professores” contou com a participação das professoras Janice Souza e Jane Souza, das FIC, e da professora da Secretaria Municipal de Educação do Rio, formada em Pedagogia também nas FIC, Luciana das Neves Rosa Costa.

Jane e Janice apresentaram a proposta do subprojeto Interdisciplinar do Pibid FEUC, que desenvolve ações didático-pedagógicas a partir da utilização de livros de literaturas africanas e afro-brasileira, e contaram suas experiências no Instituto de Educação Sarah Kubitschek (IESK). O colégio foi escolhido por abrigar o curso de formação de professor e, dessa forma, elas acreditam que o trabalho desenvolvido lá seja multiplicado quando os estudantes forem atuar profissionalmente.

Professora Jane apresentou o projeto Pibid Interdisciplinar e convidou duas alunos do IESK para relatarem suas experiências participando do programa. (Foto: Pollyana Lopes)

Professora Jane apresentou o projeto Pibid Interdisciplinar e convidou duas alunos do IESK para relatarem suas experiências participando do programa. (Foto: Pollyana Lopes)

A professora convidou duas alunas do IESK a assistirem à palestra, e elas aproveitaram para relatar ao público presente como o projeto modificou o olhar que elas tinham sobre o continente africano: “Participar do projeto mudou muito o meu pensamento, porque… acho que como todo mundo que vê a África através da mídia, eu pensava em um país pobre, um país que só tem coisas ruins, doenças. Mas quando a gente olha por um outro ponto de vista, que o projeto mostrou a nós, a gente vê que a África tem coisas boas, sim, tem riquezas, tem belezas e é um continente inteiro”, apontou Deise da Silva Francisco de Lima, estudante do 2º ano do Ensino Médio no IESK.

Deise da Silva Francisco de Lima é estudante do Instituto de Educação Sara Kubitschek e participa do projeto Pibid Interdisciplinar. (Foto: Pollyana Lopes)

Deise da Silva Francisco de Lima é estudante do Instituto de Educação Sara Kubitschek e participa do projeto Pibid Interdisciplinar. (Foto: Pollyana Lopes)

Já Mirian Piedade dos Santos, também aluna do 2º ano no IESK, destacou a importância de sentir orgulho de seus antepassados: “A gente viu que é um lugar com muita história. Em todos os países aparecem histórias de guerreiros, de lutadores, e a gente não dá o valor devido aos africanos. Tem gente que até alisa o cabelo com vergonha, com vergonha da cor da minha pele. Mas a gente tem que ver que não é vergonha, é orgulho, orgulho do povo que sempre lutou pela sua liberdade e, de um ponto de vista, para mudar a sociedade”.

A sala de aula é o que Luciana Costa escolheu para fazer sua parte na construção de uma sociedade diferente. A professora de Educação Infantil mostrou como inclui a diversidade étnico-racial nas aulas cotidianas. Ela também destacou sua formação na FEUC e a disciplina de História da Cultura Africana no Brasil: “A nossa faculdade é uma das pouquíssimas que tem isso no currículo, ainda mais enquanto obrigatório. É um privilégio que quem estuda na FEUC tem. Eu percebi isso quando comecei a ir para os espaços para discutir as relações étnico-raciais”, destacou.

Desafios da Educação Brasileira

Na palestra sobre “Desafios da Educação Brasileira”, as professoras Lúcia Baroni e Cristina Maia elencaram aspectos pedagógicos e administrativos que desafiam os profissionais na melhora efetiva da educação no Brasil. No quesito pedagogia, Lúcia Baroni destacou a falta de apoio da família e a necessidade de uma prática mais inclusiva:

“Qual é a diferença entre integração e inclusão? Integrar é colocar a criança dentro do ambiente escolar, incluir é preparar o ambiente escolar para receber a criança. Não existe professor inclusivo, existe escola inclusiva. A inclusão se dá desde o porteiro, o inspetor, porque todo mundo tem que se adaptar, o ambiente tem que estar pronto para a inclusão, senão, não é inclusão”, explicou.

Lúcia Baroni, Cristina Maia e a coordenadora do curso de Pedagogia, Maria Lícia, na palestra sobre os "Desafios para a Educação Brasileira". (Foto: Pollyana Lopes)

Lúcia Baroni, Cristina Maia e a coordenadora do curso de Pedagogia, Maria Lícia, na palestra sobre os “Desafios para a Educação Brasileira”. (Foto: Pollyana Lopes)

Já sobre os aspectos administrativos, Cristina Maia elencou a falta de apoio da família e formação docente fragilizada como pontos que precisam de mais atenção e esforço: “A gente precisa rever essa ideia de que a nossa formação está terminada. Não, nós estamos em um processo permanente. E precisamos sair dessa zona de conforto e não ficar aguardando que as coisas aconteçam. Nós precisamos fazer, apesar das condições adversas”.

Atendimento educacional especializado em pauta

Estudantes de Pedagogia foram protagonistas de algumas atividades da Semana. Os que já têm práticas educacionais puderam compartilhar suas experiências com os alunos. Foi o caso da formanda Edvane Cabral de Lima, que trabalha na direção geral do Centro Municipal de Atendimento Educacional Especializado (CEMAEE) de Itaguaí e que coordenou uma mesa-redonda com a participação de outras funcionárias do Centro. À plateia, ela mostrou fotos dos estudantes em atividades e contou como funciona o trabalho do CEMAEE, quais seus objetivos e a rotina de atendimento a alunos especiais: “A gente trabalha com a perspectiva de dar um suporte ao aluno especial regular, de acordo com as suas necessidades. Temos pedagogas, fonoaudiólogas e psicólogas apoiando não com um trabalho clínico, mas educacional, com o objetivo de que o aluno consiga se socializar na escola regular e não ficar segregado em uma escola especial, como uma ‘escola dos diferentes’”, esclareceu Edvane.

A aluna Edvane trabalha em instituição de apoio à estudantes especiais. (Foto: Gian Cornachini)

A aluna Edvane trabalha em instituição de apoio à estudantes especiais. (Foto: Gian Cornachini)

Educação emancipadora

Uma outra mesa-redonda também trouxe experiências para compartilhar com os graduandos das FIC, mas desta vez sobre uma escola municipal de Duque de Caxias que experimenta as possibilidades de um modelo educacional diferente do proposto pela Secretaria de Educação daquela cidade. O professor de ensino básico Eduardo Oliveira apresentou o dia a dia da escola Barro Branco, localizada no bairro de mesmo nome, onde trabalha desde 2007 com uma perspectiva de “educação emancipadora”.

Segundo o professor, a escola pretende formar alunos críticos e, para isso, precisa seguir um Projeto Político-Pedagógico diferente do praticado em outras escolas sob tutela da Secretaria Municipal de Educação de Duque de Caxias: “A gente quer que o aluno consiga ler o editorial recente de O Globo sobre a CPFM e fazer um link com um outro editorial do mesmo jornal, que anteriormente ‘metia o malho’ na CPFM. Queremos que eles sejam minimamente críticos da realidade para além da ideologia, e críticos e sujeitos do que eles irão produzir”.

Professor Eduardo compartilhou experiências de uma educação crítica e democrática na escola municipal Barro Branco, em Duque de Caxias. (Foto: GIan Cornachini)

Professor Eduardo compartilhou experiências de uma educação crítica e democrática na escola municipal Barro Branco, em Duque de Caxias. (Foto: GIan Cornachini)

Para isso se tornar possível, os estudantes são politicamente ativos na escola, que possui gestão democrática. Lá, não existe a figura do diretor. Tudo é decidido em conjunto, em contraponto a outras escolas que são subordinadas a diretores indicados por vereadores da cidade. Há eleição para representantes de turma, que participam ativamente do Conselho de Classe com os professores. A parte financeira da instituição que, a princípio, a gente imagina ser de responsabilidade dos adultos, passa pelo crivo das crianças, que ajudam a decidir o destino das verbas. Os professores também visitam as casas das famílias dos alunos com o intuito de entender a realidade imediata de cada estudante e como funciona a comunidade local. Com isso, eles conseguem se mobilizar pelas próprias causas, realizar passeatas e protestar por direitos.

“A gente está aqui para mostrar um outro tipo de educação, que é oposição ao que tentam impor a nós. Vai demandar mais força, mais trabalho, mas vai ser possível. O paraíso não é lá, mas o nosso Projeto Político-Pedagógico não é utopia. A gente tem o prazer de fazer algo ser de todo mundo, junto”, destacou Eduardo.

Contação de histórias

Tia Aninha (Ana Oliveira) já é uma figura conhecida na FEUC. Formada em Pedagogia nas FIC, ela sempre participa de eventos do curso, seja dando palestra ou oferecendo um curso sobre o que ela mais gosta de fazer: trabalhar com crianças e contar histórias. Nesta edição do evento, a pedagoga foi convidada a ministrar uma oficina para compartilhar seus conhecimentos sobre contação de histórias, e não faltou conteúdo para ajudar os futuros professores a aperfeiçoar suas habilidades na prática.

Tia Aninha deu dicas para alcançar objetivos educacionais por meio de contação de histórias. (Foto: Gian Cornachini)

Tia Aninha deu dicas para alcançar objetivos educacionais por meio de contação de histórias. (Foto: Gian Cornachini)

Para a profissional, o trabalho de contação de histórias requer que o professor seja sempre simpático, alegre, empático, e que receba seus alunos com sorriso e amor nos olhos, pois isso gera troca de confiança. Em relação à prática, Tia Aninha recomenda utilizar a voz em tons diferentes para marcar a mudança entre as figuras do conto. É necessário ter clareza e objetividade, além de usar palavras de fácil entendimento. É possível dar mais vivacidade à história munindo-se de artifícios corporais, como andar, correr e abusar de expressões faciais, pois, segundo a pedagoga, o corpo tem muito a falar, e isso ajuda a prender a atenção dos alunos: “Ao atrair a atenção, você terá bons resultados em seus objetivos, pois nenhuma contação de história é feita por fazer. A gente faz porque quer alcançar objetivos pedagógicos”, ressaltou Tia Aninha.

Orientação educacional atrelada às perspectivas profissionais nas escolas

Outra oficineira no evento foi a professora Selma Rosa de Oliveira, que ministrou a atividade “A orientação educacional da escola: uma possibilidade concreta de despertar perspectivas de vida profissional. O objetivo, com o trabalho, foi atentar para a importância do profissional de orientação educacional nas escolas e como ele pode auxiliar os alunos levando até eles um pouco do universo laboral, colaborando com suas futuras escolhas profissionais.

Selma: "O ideal é falar sobre o mundo do trabalho desde que os alunos são crianças". (Foto: Gian Cornachini)

Selma: “O ideal é falar sobre o mundo do trabalho desde que os alunos são crianças”. (Foto: Gian Cornachini)

A professora listou diversas práticas que podem ser adotadas na orientação educacional, e lembrou que trabalhar é praticamente uma regra de sobrevivência no modelo de sociedade em que vivemos, portanto é preciso que cada um seja feliz realizando suas tarefas: “O trabalho é nossa fonte de sustento, mas não nascemos para ser infelizes nele. É nessa perspectiva que o orientador educacional precisa trabalhar desde cedo na escola, e não deixar para fazer isso apenas no último ano do Ensino Médio. O ideal é falar sobre o mundo do trabalho desde que os alunos são crianças, não para ajuda-los desde cedo a fazer uma escolha, mas para que eles compreendam a sociedade em que estão inseridos e despertem sonhos”, propôs Selma.

Bonecas de barbante

O lúdico também se fez presente no universo adulto dos graduandos, enquanto despertava lembranças infantis em uma atividade oferecida por Célia Neves, coordenadora do curso de Ciências Sociais das FIC. Na Brinquedoteca, em meio a rolos de barbantes, retalhos de tecidos, lãs e outros materiais, a professora convidou as alunas a retomar suas histórias passadas enquanto confeccionavam bonecas com os fios e tecidos. A proposta era a de ligar o fazer pedagógico com as histórias pessoais das alunas: “Construindo bonecas de barbante, podemos retomar nossas histórias e pensar as diferentes identidades de cada uma presente na atividade. Isso é importante para lembrar como vamos tecendo nossas identidades e, no momento em que a gente for lidar com as crianças, também ajudá-las a trabalhar com isso”, destacou Célia.

Professora Célia Neves, do curso de Ciências Sociais, ensinou estudantes a confeccionarem bonecas de barbante enquanto relembram histórias infantis. (Foto: Gian Cornachini)

Professora Célia Neves, do curso de Ciências Sociais, ensinou estudantes a confeccionarem bonecas de barbante enquanto relembram histórias infantis. (Foto: Gian Cornachini)

Manifestações culturais regionais na Educação Infantil

Uma das oficinas mais animadas foi a “Manifestações culturais regionais na Educação Infantil”, ministrada pela professora Roberta Asa Branca e pelo estudante de Pedagogia  Helton Tinoco. Depois de uma apresentação teórica sobre as possibilidades da utilização de cirandas, cantigas e brincadeiras regionais, os estudantes foram à brincadeira e, ao som do atabaque e do pandeiro da professora, dançaram e cantaram sobre jacaré, mulheres rendeiras, caranguejos, entre outros temas.

“As brincadeiras e as manifestações regionais estabelecem canais de comunicação, de interação social, promovem o acolhimento de diferentes culturas, religiosidades e valores. Não é só colocar a musiquinha, tem uma construção, tem um porquê, faz parte de um contexto”, explicou Helton.

Na oficina de "Manifestações culturais regionais na Educação Infantil", os estudantes aprenderam a importância das cirandas, cantigas e brincaram. (Foto: Pollyana Lopes)

Na oficina de “Manifestações culturais regionais na Educação Infantil”, os estudantes aprenderam a importância das cirandas, cantigas e brincaram. (Foto: Pollyana Lopes)

Experiências em exposição no pátio

O pátio da FEUC também esteve movimentado durante a XXVII Semana, com apresentações de trabalhos e exposições de experiências realizadas por professores e alunos nos domínios da pedagogia. A professora e poeta Rita Gemino, por exemplo, este ano optou por trocar as palestras e discussões por uma atividade mais lúdica: levou para o pátio, em momentos diferentes, três dos muitos projetos que já desenvolveu de tecedura de painéis literários – “Fuxicos e poesias: tecendo a leitura de versos”, “A Dona Contrariada (a tecedura de versos)” e “A tecedura do poema infantil de Mário Quintana”. Essa é a proposta de Rita para se trabalhar a poesia em sala de aula – segundo ela, uma dificuldade sempre relatada pelos professores. “Nós preparamos os tecidos com trechos das poesias e espalhamos pelo chão. Enquanto a poesia é falada, os alunos vão encontrando os versos e montando o painel, pois os pedaços de tecido se unem com velcro. É uma forma lúdica de penetrar no universo da poesia”, explica.

Professores da casa relançam livros na FEUC

Jairo Campos e Luiza Alves apresentaram suas publicações na semana de Pedagogia. (Foto: Gian Cornachini)

Jairo Campos e Luiza Alves apresentaram suas publicações na semana de Pedagogia. (Foto: Gian Cornachini)

A vice-coordenadora de Pedagogia, Luiza Alves, e o professor Jairo Campos lançaram, no início deste ano, seus livros de estudo — frutos de teses de doutoramento. Durante a Semana do curso, eles aproveitaram para relançar as publicações na FEUC, de modo a compartilhar com os estudantes suas análises sobre o universo docente.

“Sobre Fios de Identidades Docentes na Escrita Profissional dos Professores” é a publicação de Luiza. O livro discorre sobre a escrita do professor em seus registros de classe e cadernos pessoais de plano, a partir da implementação de políticas públicas da Secretaria de Educação do Município do Rio que visaram a padronizar o modelo de ensino. “O professor não precisa mais planejar a aula, pois tudo já vem pronto. Cadê a sua autonomia, o protagonismo desse professor?”, criticou Luiza. O livro está disponível na livraria Saraiva ao valor de R$ 39,90 (cliqueaqui para conferi-lo).

Já a publicação do professor Jairo Campos se aprofunda nas políticas públicas voltadas para a educação do Rio de Janeiro. Sob o título “A Gestão Gerencial da Educação Pública da Cidade do Rio de Janeiro”, a pesquisa demonstra as controversas faces dessas políticas, que surgiram com objetivo de acabar com o analfabetismo funcional dos alunos gastando menos recursos financeiros. Porém, na prática, isso não tem acontecido. O livro está disponível na Paco Editorial ao valor de R$ 53,91 (cliqueaqui para conferi-lo).

Da FEUC para o mundo

Estudante das FIC na graduação e na pós irá para os EUA cursando mestrado com bolsa integral

Por: Pollyana Lopes

Concluir um curso de graduação já é uma conquista e tanto – pois, de acordo com o Censo do IBGE de 2010, apenas 7,9% dos brasileiros possuem ensino superior. Mas há quem não se contente com o diploma e busque sempre mais. Para essas pessoas, as fronteiras não são empecilhos, e a busca por conhecimento e estudo alcança o mundo. É o caso de André Nascimento, que se formou em Letras (Português-Inglês) nas FIC em 2014, emendou na pós-graduação em Língua Inglesa, também na FEUC, e agora ruma aos Estados Unidos para cursar, com bolsa integral, o mestrado em Português e Literaturas pela The University of New México. Durante os próximos anos, André vai pesquisar a relação entre a masculinidade latino-americana e a violência em regiões periféricas.

André no pátio da FEUC, quando foi o terceiro colocado no Premio FEUC de Literatura na categoria Aluno da instituição. (Foto: Gian Cornachini)

André no pátio da FEUC, quando foi o terceiro colocado no Premio FEUC de Literatura na categoria Aluno da instituição. (Foto: Gian Cornachini)

Ele conta que ainda era criança quando se interessou pela língua inglesa. Com apoio dos pais, entrou para um curso de idiomas e, no contato com americanos que frequentavam sua igreja, ele pôde praticar a língua, o que só fez aumentar o seu interesse. “Com 13 para 14 anos eu já lia livros em inglês, achava-os mais baratos nos sebos, e com essa idade comecei a dar aulas particulares para vizinhos”, conta o jovem que, a respeito da pouca idade, acrescenta “Que maluquice, mas eu era bem responsável”.

O sistema de ensino nos EUA é diferente do brasileiro, principalmente no que tange aos custos. Mesmo as universidades públicas não são totalmente gratuitas, em alguns casos elas são apenas mais baratas do que as instituições particulares. Além disso, no país não é comum que sejam disponibilizadas bolsas para mestrandos, pois elas são mais frequentes nos programas de doutorado. Neste contexto, conseguir uma bolsa como a de André, que cobre todos os gastos, já é uma vitória, mas ele conquistou mais: “Na minha situação, ganhei a bolsa integral dos custos da universidade para não precisar pagar e fui convidado a ministrar dois cursos no setor de extensão do departamento, recebendo, assim, uma outra bolsa em dinheiro”.

O histórico profissional de André foi importante: desde os 18 anos ele atua profissionalmente como intérprete em congressos e encontros políticos e culturais, além de fazer traduções de artigos para revistas acadêmicas. Mas o estudante valoriza e reforça o quanto a sólida formação acadêmica que obteve aqui foi importante.

André (à esquerda) junto de colegas da The Sate University of New York (SUNY), onde ele é pesquisador convidado e membro do grupo de Estudos Latino-americanos. (Foto: Arquivo Pessoal)

André (à esquerda) junto de colegas da The Sate University of New York (SUNY), onde ele é pesquisador convidado e membro do grupo de Estudos Latino-americanos. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Minha formação na FEUC foi essencial. Vivia falando para os meus amigos: ‘ah, não posso, eles são bons demais’. Mas quando sentava e analisava, via que todos os tópicos tinham sido abordados na graduação. Tive uma formação de ponta, que não deixa a desejar a nenhuma instituição em nível global das que tive a oportunidade de conhecer”, revelou.

Mais que os conteúdos dados durante o curso, André também destaca a boa relação com os mestres: “O compromisso dos professores e a fé que eles têm em nós é singular nesse processo de construção da autoestima. Quando você vem de família pobre, você passa a vida achando que o ‘qualquer coisa’ é a única opção que você tem. Até que você descobre que você pode sim lutar contra uma hegemonia que não quer que o filho do operário seja doutor e que pobre não esteja na universidade”. Para finalizar, ele expressa sua gratidão. “Agradeço muito à FEUC e aos professores por essa educação excelente. Os mestres viraram meus amigos”

Curso de Geografia reforça o debate sobre o Rio de Janeiro

Durante a aula inaugural do curso, pesquisador falou sobre a abrangência do conceito de território e sobre as possibilidades de atuação política na metrópole fluminense

Por Pollyana Lopes

Aconteceu no Auditório FEUC, na última quarta-feira 16, a aula inaugural do curso de Geografia. Na ocasião, o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Floriano Godinho de Oliveira,  que atua na Faculdade de Formação de Professores, em São Gonçalo, e nos Programas de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana (PPFH/UERJ) e em Geografia (PPGEO/FFP/UERJ), conversou com os calouros e demais estudantes do curso sobre “Território, desenvolvimento e ação política na metrópole fluminense”.

A professora e coordenadora do curso de Geografia, Rosilaine Silva, explica que o objetivo do evento é recepcionar os calouros, mas não apenas: “O primeiro objetivo é receber os alunos que estão chegando, para eles sentirem qual o objetivo do curso, que é discutir o Rio de Janeiro e as diferentes possibilidades de entendimento de alguns conceitos da geografia. E, segundo, para possibilitar um movimento, chamar a atenção para a agenda de eventos do curso, e mostrar que será um ano de trabalho, e o trabalho começa desde o início”, contou.

Professora Rosilaine lembrou que o evento serve para começar o ano de atividades instigando os alunos à refletirem e a participarem das atividades do curso. (Foto: Pollyana Lopes)

Professora Rosilaine lembrou que o evento serve para começar o ano de atividades instigando os alunos a refletirem e a participarem das atividades do curso. (Foto: Pollyana Lopes)

Esta foi a segunda edição, o que coloca a aula inaugural de Geografia na programação fixa de eventos da Instituição, e seguiu debatendo um tema caro à formação dos geógrafos: o território. Em 2015, o pesquisador Rogério Haesbaert falou sobre “Des-territorialização em tempos de in-segurança e contenção territorial”.

Entre outros temas abordados, Floriano diferenciou desenvolvimento social de crescimento econômico. (Foto: Pollyana Lopes)

Entre outros temas abordados, Floriano diferenciou desenvolvimento social de crescimento econômico. (Foto: Pollyana Lopes)

Entre outros temas, as pesquisas do professor Floriano focam as questões administrativas e as possibilidades de ação política nas metrópoles. O conceito de território integra suas análises, pois, de acordo com o pesquisador, se anteriormente o termo estava mais ligado a delimitação do espaço, a propriedade, a pertencimento, a um recorte público, atualmente ele é analisado como um espaço de disputa pelos atores sociais.

“Hoje, quando nós pensamos o território, nós pensamos nos sujeitos que atuam no espaço. E quem são os principais sujeitos? O Estado, os grandes capitais, o capital imobiliário, o capital fundiário, mas, sobretudo, a classe trabalhadora, os sujeitos sociais que atuam na produção desse espaço”, explicou.

Para falar sobre as possibilidades de ação política na metrópole, o professor aproximou a ideia da organização do território com a gestão administrativa das cidades. Já no debate com os alunos, questionado a respeito, o professor citou o exemplo de cidades que, por meio de diferentes mecanismos, fortaleceram a ação política e o exercício da cidadania. O Orçamento Participativo aplicado em Porto Alegre e a elaboração do Plano Estratégico em Piraí foram alguns dos exemplos.

O debate com os alunos tornou evidente que a discussão sobre o Rio de Janeiro é, de fato, presente no curso de Geografia das FIC. Baseadas na experiência de aulas de campo e pesquisas desenvolvidas na região, as questões trazidas abordaram, principalmente, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) em Itaboraí e as mudanças espaciais e violações de direitos na Ilha da Madeira, em Itaguaí, para a construção do Porto Sudeste.

Quem mediou o debate foi Artur Lopes, professor do curso de geografia das FIC há 12 anos. (Foto: Pollyana Lopes)

Quem mediou o debate foi Artur Lopes, professor do curso de geografia das FIC há 12 anos. (Foto: Pollyana Lopes)

Sobre a Ilha da Madeira, Floriano foi categórico: “A questão de Itaguaí é o reflexo da dominação por parte de um Estado autoritário aos interesses do capital, uma administração pública completamente comprometida e a serviço dos interesses de uma acumulação capitalista”. Já sobre o Comperj, o professor fez questão de explicar que o principal motivo da paralisação das obras do complexo foi a crise internacional do petróleo, causada, entre outros motivos, pela exploração poluidora e irresponsável de “shale oil” (óleo não convencional, também chamado de xisto) feita pelos EUA, e não apenas pela dificuldade financeira da Petrobras ou a Operação Lava Jato.

Jaqueline Moutinho, estudante do 1º período, não fez perguntas, mas esteve atenta durante toda a palestra. Ela, que se interessa pela geografia desde o Ensino Médio, acredita que a palestra foi esclarecedora de questões econômicas que vivemos e fez seu interesse pela geografia aumentar. Sobre as expectativas com relação ao curso ela também é taxativa: “as melhores possíveis”.

Público se manteve atento durante todo o tempo e trouxe questões sobre Itaguaí e Itaboraí, principalmente. (Foto: Pollyana Lopes)

Público se manteve atento durante todo o tempo e trouxe questões sobre Itaguaí e Itaboraí, principalmente. (Foto: Pollyana Lopes)

Sobre empoderamento feminino

Evento organizado pelo DCE-FEUC lotou auditório para debater a condição da mulher na sociedade

Por Pollyana Lopes

O Encontro de Mulheres da Zona Oeste foi o primeiro evento do ano organizado pelo Diretório Central dos Estudantes da FEUC e marcou o Dia Internacional da Mulher com informação, debate, argumentos e diálogo. Em comum, todas as palestrantes se mostraram firmes nas premissas, reflexivas sobre consensos e empoderadas na presença. O encontro começou com a exibição do vídeo institucional produzido pela FEUC que homenageia a diversidade e singularidade das mulheres e de um segundo vídeo, feito pela UNE, de cobertura da passeata ocorrida no dia 8 de março, em São Paulo, em defesa de direitos das mulheres e contra a violência de gênero.

Gabriella, Meire, Thiago e Rosineide na mesa do auditório enquanto Domingas e Ingrid continuavam o debate em uma sala de aula. (Foto: Pollyana Lopes)

Gabriella, Meire, Thiago e Rosineide na mesa do auditório enquanto Domingas e Ingrid continuavam o debate em uma sala de aula. (Foto: Pollyana Lopes)

Entre os assuntos em pauta, ficou a cargo de Gabriella Dias, estudante do curso de História das FIC, falar sobre o feminismo de modo geral. A estudante explicou que se trata de um movimento social que luta pela igualdade de gênero, mas que dentro do feminismo existem vertentes que divergem na compreensão das causas da desigualdade, porém dialogam em muitos aspectos, pois têm um mesmo objetivo.

Para falar sobre a imagem da mulher negra, Ingrid Nascimento, também estudante de História nas FIC, apresentou exemplos da sexualização abusiva que atrizes e modelos negras passam com frequência. Ingrid apresentou casos de diferentes épocas, desde a Vênus Hotentote, mulher africana levada à Europa para ser exibida como um animal exótico, até a capa censurada do disco do músico Jonas Sá, que trazia apenas a região pélvica de uma negra nua.

Ao final do evento, mesmo com pouco tempo, as palestrantes comentaram e responderam questões levantadas pelo público. (Foto: Pollyana Lopes)

Ao final do evento, mesmo com pouco tempo, as palestrantes comentaram e responderam questões levantadas pelo público. (Foto: Pollyana Lopes)

Em uma das falas mais longas e contextualizadas, Meire Lucy Cunha, graduanda em Letras e bolsista do PIBID-FIC, apresentou o colorismo ou pigmentocracia, tipo de discriminação muito comum em países colonizados, em que as pessoas são mais excluídas e hostilizadas quanto mais escura for sua pele.

“Precisamos entender que em toda nação, todo povo que foi colonizado, as marcas da colonização vão permanecer. Porque a mais eficaz forma de colonização não é apenas territorial, não é apenas econômica. Ela se torna profundamente eficiente a partir do momento em que você convence aquele indivíduo que ele está incluído naquela condição que eu digo que ele está e, a partir daquele momento, ele acredita naquele papel e encarna aquela condição de dominação”, explicou a estudante.

Para falar sobre transfeminismo, Thiago da Silva Rodrigues, que é transexual, apresentou dados sobre a violência que mata travestis e transexuais cotidianamente e abordou a dificuldade de acesso ao mercado de trabalho por essas pessoas e as duas principais leis sobre pessoas trans: uma que tipifica e pune a discriminação, e outra que permite o uso do nome social em instituições de ensino.

“O Brasil é o país, no mundo, que mais mata pessoas trans. Estima-se que a expectativa de vida de uma travesti ou de uma pessoa trans, no Brasil, é de 30 anos de idade. Ao mesmo tempo, de acordo com uma pesquisa de um site pornográfico mundial, os usuários brasileiros são os que mais procuram por vídeos pornôs de mulheres trans. É o objeto sexual verdadeiro, mas não é objeto sexual declarado, é aquele objeto sexual da escuridão da noite, encoberto, que ninguém pode saber”, enfatizou.

Auditório da FEUC não suportou a quantidade de pessoas e o evento precisou ser dividido. (Foto: Pollyana Lopes)

Auditório da FEUC não suportou a quantidade de pessoas e o evento precisou ser dividido. (Foto: Pollyana Lopes)

Quem também contribuiu foi Domingas Mulenza, Diretora de Mulheres da UEE, que provocou os presentes com temas polêmicos como aborto e o projeto de lei do deputado Eduardo Cunha que dificulta, às mulheres, o acesso a políticas de saúde em caso de abuso sexual.

Por último, a professora das FIC Rosineide Cristina apresentou vídeos produzidos pela Casa da Mulher Trabalhadora (Camtra) sobre a violência contra a mulher, e provocou a reflexão dos presentes com questionamentos e exemplos.

A procura pelo evento foi tamanha que o auditório da FEUC não foi suficiente. Os presentes se dividiram entre o espaço e uma sala de aula, onde as mesmas palestrantes repercutiram o debate. Sobre a grande procura, inclusive de estudantes de outras universidades, Marcella Gouveia, diretora de cultura do DCE e uma das organizadoras do evento destaca:

“Mesmo que algumas pessoas tenham vindo apenas por causa das horas de atividades complementares, eles estavam aqui e participaram de um debate que é muito importante. Porque a gente precisa do debate para reafirmar e repensar certos conceitos que muitas vezes são adquiridos sem nenhum senso crítico, conceitos que vêm sendo construídos desde a infância, com brinquedos, em desenhos. O que não é discutido não é repensado, não tem visibilidade e não tem voz”.

Já Zélia Lemos, diretora de mulheres do DCE e também organizadora do encontro, reforçou o compromisso da FEUC com a formação de professores:

“O que eu penso ser principal para a gente trazer esse debate é porque a gente está em uma faculdade que forma professores. Como a Meire disse durante a palestra, a gente tem que estar constantemente desconstruindo e construindo em cima do que a gente fala, fugir de certos paradigmas, principalmente porque somos professores. A gente vai influenciar pessoas e, mesmo sem querer, a gente pode excluir alguém no discurso”, argumentou.

Na plateia também estiveram presentes estudantes de outras instituições de ensino da Zona Oeste. (Foto: Pollyana Lopes)

Na plateia também estiveram presentes estudantes de outras instituições de ensino da Zona Oeste. (Foto: Pollyana Lopes)

O evento, que aconteceu no dia 10 de março, destacou a condição da mulher negra na sociedade. O tema foi lembrado e debatido por quatro das seis mulheres presentes na mesa, que eram negras. A sensação, principalmente para mulheres que assistiam à palestra (como a repórter que escreve este texto) foi inspiradora. Não é comum assistirmos a mulheres tão diferentes afirmarem suas identidades de forma tão veemente e esbanjarem autonomia em discursos inteligentes e articulados. Ao promover o Encontro de Mulheres da Zona Oeste, o DCE-FEUC cumpre um papel essencial para a promoção da igualdade de gênero e mostra, pelo exemplo, as consequências positivas do empoderamento feminino.

Uma nova perspectiva de vida a partir da Educação

 

Às vésperas de se formar em Letras, estudante já tem seu próprio curso de inglês e preparatório para concursos em Mangaratiba

Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

Marcus no pátio da FEUC: “estudar aqui mudou minha vida”. (Foto: Gian Cornachini)

Marcus no pátio da FEUC: “estudar aqui mudou minha vida”. (Foto: Gian Cornachini)

Até o dia em que iniciou o curso de Letras nas FIC, em 2011, a vida de Marcus Petini já lhe tinha dado mostras suficientes de que nada seria moleza: sobreviveu a um câncer violento aos 5 anos de idade e chegou ao fim do Ensino Médio aos trancos e barrancos, sempre enfrentando longas caminhadas até a escola, em Mangaratiba, e a recorrente falta de professores. O desestímulo o fez mergulhar um ano inteiro na “vagabundagem” – como ele mesmo definiu – que só foi interrompida quando o pai insistiu para que fizesse uma faculdade, e ele aportou na FEUC.

E continuou sendo dureza, pois Marcus acordava às 3h30m da madrugada em Mangaratiba para se aprontar, pedalava dois quilômetros e meio até o ponto de ônibus e embarcava rumo a Campo Grande para trabalhar das 7h às 16h. Daí vinha para a FEUC, ficava um tempo no pátio lendo ou descansando, depois assistia às aulas até 21h50m e novamente pegava o ônibus para Mangaratiba, onde mais uma vez iria se exercitar na bicicleta até chegar em casa para finalmente tomar um banho, comer e dormir – já depois de meia-noite.

“Essa batida pesada durou mais de um ano e serviu para me fazer valorizar tudo o que tenho hoje”, diz o estudante, que está cumprindo a última disciplina para finalmente ter seu diploma do curso superior. E ele já começa a colher os frutos, pois abriu este ano em sua cidade o seu próprio curso de línguas, o Explica Show, em que leciona inglês e também português e redação para concursos, realizando assim dois antigos sonhos: ter o próprio negócio e dar oportunidade às pessoas de menor poder aquisitivo que não conseguem pagar o único outro curso de inglês da cidade.

Marcus começou em abril com 4 alunos e agora já tem 15. “Consigo oferecer um custo menor porque uso uma sala emprestada e eu mesmo preparo o material didático”, diz o jovem, que também leciona em uma escola particular da cidade. “Fui o primeiro da minha família a fazer faculdade, e estudar aqui realmente mudou minha vida. Tive tão bons professores na FEUC que tomei como meta um dia ser um professor assim”, finaliza.

Ensinar números brincando

Com o tema “A Matemática e os Jogos”, a Octobermática deste ano registrou já no primeiro dia uma intensa participação dos alunos

Por Pollyana Lopes

Começou ontem a XXII Octobermática, a semana de atividades acadêmicas do curso de Matemática. O evento é organizado pelos alunos com o apoio dos professores da graduação e conta com uma série de atividades. Os estudantes do 7º período, os mais experientes, são os responsáveis por organizar as palestras e controlar a presença dos alunos; quem está no 6º período prepara e ministra oficinas; os incumbidos pelo teatro são os estudantes do 5º período, e os demais ficam encarregados pelos estandes.

Gisele Rodrigues, do 7º período, destaca o protagonismo dos discentes: “A gente pode dizer que essa é a maior característica da Octobermática, a presença dos alunos nas atividades. A gente escolhe desde a cor da camisa, somos nós quem mandamos fazer, até a escolha dos palestrantes, tudo. O evento também é para isso, para a pessoa se desenvolver. E uma coisa interessante também é que, nas anteriores, as palestras eram feitas pelos professores daqui, e a gente tentou, este ano, chamar pessoas de fora para trazer um pouco da vivência de outros lugares”.

Camisa azul do evento destacou-se no auditório e no pátio da FEUC. (Foto: Pollyana Lopes)

Camisa azul do evento destacou-se no auditório e no pátio da FEUC. (Foto: Pollyana Lopes)

Outra integrante da comissão organizadora, Ana Carla Pimentel de Albuquerque deu as boas-vindas ao público reconhecendo o engajamento dos estudantes: “Eu queria agradecer a presença e participação de todos, porque este evento é um trabalho em equipe. Nós, do sétimo, temos o privilégio de estar à frente organizando, mas isso é um trabalho em conjunto que envolve todos os períodos, porque se um período não compartilhar da mesma ideia, da mesma vontade, já não sai da mesma forma, não sai com aquele brilho”.

Professora Gabriela apresentou características acadêmicas da personalidade da palestrante. (Foto: Pollyana Lopes)

Professora Gabriela apresentou características acadêmicas da personalidade da palestrante. (Foto: Pollyana Lopes)

Já no primeiro dia do evento, a adesão dos alunos pôde ser notada visualmente: no auditório da FEUC, raros eram os que não estavam vestindo a camisa azul da Octobermática para assistir à palestra sobre “História da Educação Matemática na formação de um professor: Para que serve?!”, ministrada pela renomada professora Lúcia Maria Aversa Villela. A professora do curso de Matemática das FIC Gabriela Barbosa, que apresentou a pesquisadora, destacou a formação de Lúcia, com mestrado e doutorado, a atuação dela como professora coordenadora de um programa de Mestrado Profissional e integrante do núcleo nacional da Sociedade Brasileira de Educação Matemática, suas pesquisas, e também algumas de suas características pessoais como, por exemplo, a animação e graça com que instiga os ouvintes a pensar. Nas palavras da própria Lúcia, “Eu sou que nem o Chacrinha, o que eu quero é levantar questões, e não responder”, brinca.

Em sua fala, Lucinha, como é conhecida, diferenciou a história da matemática e a história da educação matemática para apresentar aos futuros professores questões que problematizam o conteúdo que eles ensinarão em sala de aula. “Eu acho que, pelo interesse dos meninos, deu pra perceber que há uma relevância muito grande nesse tema. Existe a necessidade de mostrar o que se ensina, como se ensina, por que se ensina, para que se ensina, a serviço de que se ensina. Nós, enquanto profissionais atuando na área, estamos questionando o nosso papel. Quem somos nós, professores, em cada época, em cada momento da história, da educação?”, provocou.

"A ordem dos tratores não altera o viaduto". Essa e outras frases divertidas deram graça a palestra de Lucinha, como é conhecida Lúcia Villela.

“A ordem dos tratores não altera o viaduto”. Essa e outras frases divertidas deram graça a palestra de Lucinha, como é conhecida Lúcia Villela.

A programação da Octobermática continua com palestras sobre a produção de vídeo-aulas de Matemática com o professor Rafael Procópio e sobre os jogos na matemática terça à noite. Quarta-feira, tanto de manhã quanto à noite, será o dia em que os estudantes farão as comunicações no pátio da instituição, e na quinta-feira acontecerão as oficinas e a apresentação teatral, além da confraternização entre professores e alunos.

Gisele tem expectativas claras sobre o evento: “A minha expectativa particular é obter novas metodologias para quando eu for professora. Pegar dicas de pessoas que estão na área, de coisas que eu posso aplicar quando eu me tornar professora”, mas cada um tem as próprias. Não deixe de participar do evento.