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XVIII Ciclo de História debate questões de Gênero

 

Evento da graduação acontece nos próximos dias 8 e 10 de maio

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Começa na próxima segunda-feira, dia 8 de maio, o XVIII Ciclo de Debates do Curso de História que, nesta edição, discutirá o tema “Gêneros : Novas Perspectivas e Debates”. Nas manhãs e noites dos dias 8 e 10, os estudantes terão oportunidade de participar de mesas-redondas com palestrantes de outras instituições do Rio de Janeiro, como UFRJ e Colégio Pedro II, que virão compartilhar seus conhecimentos e experiências envolvendo o assunto em questão.

De acordo com a professora Marcia Vasconcellos, vice-coordenadora do curso de História das FIC, abordar a temática de gênero é extremamente relevante, dado o contexto de intolerância em que vivemos: “Consideramos esse tema importante porque o preconceito tem ganhado uma dimensão muito grande. Fala-se sobre a questão da reforma do ensino médio e sobre ideologia de gênero nas escolas, mas este já é um conceito equivocado, pois não é uma ideologia, é uma questão real, concreta”, afirma Marcia sobre a existência inquestionável de múltiplas identidades de gênero.

“A gente só vai conseguir ultrapassar o nível da intolerância se debatermos o tema da violência contra a mulher, lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, e ver como trabalhar isso nas escolas, nos colégios, pois a FEUC é a casa do professor e nossos alunos serão futuros professores”, ressalta.

As inscrições para o curso devem ser feita pela internet, na Área Restrita do aluno, ao custo de R$ 5,00. A presença no evento renderá 20 horas de atividades complementares aos participantes.

PROGRAMAÇÃO DO XXVIII CICLO DE DEBATES DO CURSO DE HISTÓRIA

DIA 8 DE MAIO

Manhã – 8h
Abelardo e Heloisa: considerações sobre o corpo, o pecado e a mulher na Idade Media
Palestrante: Manoela Bernardino da Silva (Graduada em História pela Uerj, especialista em Ensino de História/PPGH – Pedro II e professora das redes Municipal e Estadual do Rio de Janeiro)

Noite – 19h
O escola sem partido e a perseguição às discussões de gênero na escola
Palestrante: Fernanda Pereira de Moura (Especialista em gênero e sexualidade pela Uerj e mestra em Ensino de História pela UFRJ)

DIA 10 DE MAIO

Manhã – 8h
Mulheres e a escravidão: passado e presente
Palestrante: Marcia Vasconcellos (Doutora em História Econômica e professora da FEUC  e Uniabeu) – a confirmar

Noite – 19h
Quem tem medo da ideologia de gênero?
Palestrante: Luciana Lins Rocha (Doutora em Linguística Aplicada pela UFRJ e docente do Departamento de Línguas Anglo-Germânicas do Colégio Pedro II)

Com Pós na FEUC e encontro anual, Psicopedagogia ganha visibilidade na Zona Oeste

Com Pós na FEUC e encontro anual, Psicopedagogia ganha visibilidade na Zona Oeste

Curso de especialização da instituição mantém projeto de clínica para atendimento a moradores da região e promove eventos voltados para profissionais que atendem no bairro e adjacências

Por Pollyana Lopes

A partir dos conhecimentos da Psicologia, da Psicanálise e da Pedagogia, a Psicopedagogia é um campo de estudos dedicado aos processos de aprendizagem principalmente de crianças, mas também de adultos. A área é relativamente nova, por isso pesquisas, cursos de formação e atuação profissional chegaram ao Brasil apenas na década de 1970. Também por este motivo, os profissionais ainda batalham juridicamente para ter sua atividade regulamentada. Em 2014, o Senado Federal aprovou o texto que regulamenta a profissão, mas a lei aguarda sanção da Presidência da República.

Apesar de já existirem algumas graduações em Psicopedagogia no Brasil, geralmente, a formação de um psicopedagogo acontece em cursos de pós-graduação especializada, como os oferecidos pela FEUC. Aqui, nós ofertamos os cursos de Psicopedagogia Clínica, mais voltado para a atuação em consultórios e atendimentos individuais; e de Psicopedagogia Institucional, com formação mais direcionada para o trabalho em escolas e empresas, por meio de projetos e prevenção. O curso de Psicopedagogia Clínica conta com carga horária de 660 horas/aulas, já o Institucional tem 360 horas/aulas. Ambos são voltados a portadores de diploma de graduação de uma maneira geral, e, em especial, pedagogos, psicólogos, professores, fonoaudiólogos, médicos, terapeutas e psicanalistas.

 Responsabilidade Social e aprendizado na clínica

 Dentre as disciplinas do curso de pós-graduação em Psicopedagogia Clínica, destacam-se quatro Estágios Supervisionados, que podem ser cumpridos externamente, em consultórios particulares, ou aqui na FEUC. Com acompanhamento da professora Leila Queiroz Evaristo da Silva, coordenadora do curso, estudantes matriculados em estágios III e IV fazem atendimentos gratuitos a crianças da região. Quem faz estágio III trabalha o diagnóstico da criança, e quem cursa estágio IV atua na intervenção do processo de aprendizagem.

"O lúdico desenvolve a afetividade e o cognitivo", explicou a professora Leila. (Foto: Pollyana Lopes)

“O lúdico desenvolve a afetividade e o cognitivo”, explicou a professora Leila. (Foto: Pollyana Lopes)

“Quando nós fazemos o trabalho psicopedagógico, nós fazemos uma análise, que é o que chamamos de diagnóstico, para poder entender como aquele aluno aprende, ou o que dificultou a sua aprendizagem. Podem ser questões emocionais, neurológicas, patológicas. E o psicopedagogo tem essa função, de descobrir, de diagnosticar o que o estudante tem e o que interfere na sua aprendizagem. A partir disso, a gente cria estratégias onde nós vamos trabalhar a intervenção dessa aprendizagem. Isso se dá através de jogos e atividades que façam com que ele desenvolva o aprendizado, principalmente da leitura e da escrita”, explica a professora Leila.

 

O atendimento feito pelas estagiárias acontece individualmente com as crianças. Porém, por entender a importância de trabalhar o comportamento das crianças em coletivo, assim como a proximidade afetiva com os pais, a professora Leila organizou oficinas de brincadeiras. Durante uma hora e meia, crianças e mães que são atendidas pelo projeto brincam de jogo da memória, rabo de foguete, dominó e tangram, entre outros.

Estagiárias, mães e crianças atendidas pelo projeto. Todos se divertiram na oficina. (Foto: Pollyana Lopes)

Estagiárias, mães e crianças atendidas pelo projeto. Todos se divertiram na oficina. (Foto: Pollyana Lopes)

 “Para mim foi bom porque eu brinquei com o meu filho de uma forma que eu não brinco em casa. Eu normalmente não tenho esse tempo, eu tenho outra menina também e eles acabam brigando. E aqui brincamos eu e ele. Para mim foi ótimo, foi uma coisa que não acontecia há bastante tempo”, contou Gisele Ramos Viana, mãe do Ryan Alex Viana Diniz.

“O afeto faz a criança se desenvolver, faz até a gente, enquanto adulto, se desenvolver e perceber quem é o nosso filho, quem somos nós nesse dia-a-dia, nesse corre-corre”, explicou, às mães, a professora Leila. “A gente cresce, mas não devemos deixar de brincar, porque o brincar é importante e essencial na nossa vida. Ele estimula, nos traz alegria, faz com que a gente extravase energias, faz a gente ficar mais leve”, acrescentou.

 Encontro Psicopedagógico

 Mais uma atividade desenvolvida pelo curso é o Encontro Psicopedagógico, que este mês realizou sua segunda edição. Voltado não apenas para os estudantes do curso de pós-graduação da FEUC, mas também psicopedagogos já formados, fonoaudiólogos e professores que atuam na região, o evento debateu temas pertinentes à área, projetos que dão certo e também trouxe histórias de profissionais de êxito.

Público do encontro esteve atento foi participativo. (Foto: Pollyana Lopes)

Público do encontro esteve atento e foi participativo. (Foto: Pollyana Lopes)

“O psicopedagogo de Copacabana, Botafogo, da Zona Sul em geral, já tem um nome, é reconhecido, é procurado. Nossa região também tem esses profissionais, mas eles estão quietinhos, escondidos, enquanto fazem um trabalho belíssimo. Eu tive uma preocupação de escolher profissionais da nossa região, que fazem esse trabalho e que muitas vezes não conhecemos”, explicou a professora Leila.

 Neste ano, no sábado inteiro de palestras, foram discutidos temas como educação especial e inclusiva, dislexia, paralisia cerebral, transtorno de conduta, a nova Lei Brasileira de Inclusão e dificuldades da aprendizagem na escrita.

Professora Leila destacou, durante o encontro, a importância de valorizar o profissional da região. (Foto: Pollyana Lopes)

Professora Leila destacou, durante o encontro, a importância de valorizar o profissional da região. (Foto: Pollyana Lopes)

Uma das palestrantes foi a professora da FEUC Maria José Brum, que é especialista em Libras e em Educação Especial e Inclusiva. Ela falou sobre os temas que estuda e ensina, e explicou o papel da escola na construção de uma sociedade mais igualitária.

 “Tudo parte da escola. A escola é o espaço de formação dos cidadãos, de formar os indivíduos, da cidadania. Mas há aquelas escolas que transformam a realidade do indivíduo, e há aquelas escolas que ainda reproduzem o que existe. Mas quem é a escola? A escola somos nós. E quando falamos sociedade, também somos nós”, analisou Maria José.

Professora Maria José explica a diferença entre exclusão, segregação, integração e inclusão. (Foto: Pollyana Lopes)

Professora Maria José explica a diferença entre exclusão, segregação, integração e inclusão. (Foto: Pollyana Lopes)

Outra palestrante foi Carla Silva, psicopedagoga atuante na região, que é especialista em Educação Infantil e em Educação Especial e Inclusiva. Ela falou sobre a dislexia, um transtorno decorrente de uma formação diferenciada de uma parte do cérebro, que dificulta a decodificação de códigos enviados durante o estudo e, assim, causa problemas na aprendizagem escolar, principalmente na leitura, escrita e soletração. Carla começou mostrando uma imagem que questiona o que não é “dislequisia”, que ela prontamente respondeu:

 “Insuficiência pedagógica não é dislexia. Eu recebo muitas crianças no consultório com queixa de alfabetização. E quando a gente vai investigar, na escola, com os pais, o material escolar, a proposta que o professor está trabalhando, é uma proposta que não atende as necessidades daquela criança. E quando você começa a trabalhar de uma forma que alcança a necessidade da criança, ela começa a aprender. E aí somem todos os problemas. O que a gente percebe é que muitas vezes as propostas pedagógicas não são pensadas para alcançar todos e sim a maioria”, explicou.

Carla Silva, que o I Encontro Psicopedagógico falou sobre o método das boquinha, este ano apresentou alguns aspectos pertinentes à dislexia. (Foto: Pollyana Lopes)

Carla Silva, que o I Encontro Psicopedagógico falou sobre o método das boquinha, este ano apresentou alguns aspectos pertinentes à dislexia. (Foto: Pollyana Lopes)

Serviço

 O atendimento psicopedagógico gratuito acontece às quintas e sextas-feiras, de 16h30 às 19h. Já os cursos de pós-graduação em Psicopedagogia Clínica e Psicopedagogia Institucional irão abrir inscrições em dezembro, com previsão de início das aulas para março.

Psicopedagogia - zona oeste (5)

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Seletro aproxima estudantes do mercado de trabalho

A 6ª Semana dos cursos Técnicos em Automação Industrial e Eletrotécnica do CAEL trouxe temas relevantes e visão de mercado aos estudantes

Por Pollyana Lopes

Aconteceu, nos dias 13 e 14 deste mês, a 6ª Semana dos cursos Técnicos em Automação Industrial e Eletrotécnica do CAEL, a Seletro VI. O evento é mais uma das atividades desenvolvidas pela escola no sentido de debater temas atuais e relevantes para suas áreas de formação, e de aproximar os estudantes do mercado de trabalho. Nas palestras, foram discutidos temas como Sistemas de Posicionamento Dinâmico Offshore, Energias Alternativas e os Sistemas de Interface Homem Máquina.

Luiz Fernando Freire atualmente trabalha em um empresa de automação e falou sobre softwares de Sistemas de Supervisão e Aquisição de Dados. (Foto: Pollyana Lopes)

Luiz Fernando Freire atualmente trabalha em um empresa de automação e falou sobre softwares de Sistemas de Supervisão e Aquisição de Dados. (Foto: Pollyana Lopes)

O objetivo do evento, como explica o professor e coordenador do Técnico em Eletrotécnica, Diógenes Rocha, é apresentar, aos estudantes, a visão de profissionais experientes sobre o mercado. “O objetivo é justamente orientar, mostrar a vida profissional aos estudantes para que eles tenham uma noção do que eles vão encontrar lá fora, do que realmente faz aquele profissional, do que é exigido dele, quais atribuições ele recebe, e quais qualificações são importantes”.

A iniciativa é enaltecida pelos palestrantes. “Eu acho muito bacana essa troca de conhecimento, e deveria ser uma coisa constante. O aluno não precisa se deslocar para fazer uma orientação profissional com psicólogo se na escola ele tem uma semana em contato com diversos profissionais, de diversas áreas, para poderem orientar os jovens”, comentou Artur Cesar de Oliveira Ribeiro, engenheiro de Automação e Controle, que falou sobre Energias Alternativas.

Artur Cesar trouxe, para mostrar aos estudantes, o protótipo de placa de energia solar, que o professor Diógenes Rocha exibe orgulhoso. (Foto: Pollyana Lopes)

Artur Cesar trouxe, para mostrar aos estudantes, o protótipo de placa de energia solar, que o professor Diógenes Rocha exibe orgulhoso. (Foto: Pollyana Lopes)

Artur também defendeu a importância de sua área justificando que o país precisa diversificar a matriz energética para modos de produção com menos impactos ambientais. O tema despertou o interesse de estudantes como Erickson Rafael Villa de Oliveira, do 3º ano de Informática que, ao final da palestra, foi conversar com o palestrante sobre as placas de energia solar que ele viu em Campo Grande e sobre modos mais eficientes de utilizá-las. “Eu me interesso bastante pelo tema energia alternativa, ainda mais para analisar o aspecto político delas no Brasil”, declarou.

Mais um palestrante que aprova e estimula eventos como a Seletro é Luiz Antônio Pereira de Azevedo, que é engenheiro de Sistemas de Computação e trabalha em uma empresa petrolífera com ênfase em aplicações offshore e só este ano conseguiu um espaço na agenda para, enfim, aceitar o convite da professora Kattia Medeiros, Coordenadora dos Cursos Técnicos em Eletrônica e Automação. “Eu não tive, na minha época, essa oportunidade de alguém vir e fazer uma palestra sobre o mercado de trabalho. Então eu acho muito importante tentar passar um pouco da minha experiência, da minha vivência, para os alunos que estão prestes a entrar nesse mercado”, revelou.

Luiz Antônio destacou, em sua fala, a importância da postura profissional ética e pró-ativa dentro no ambiente corporativo. (Foto: Pollyana Lopes)

Luiz Antônio destacou, em sua fala, a importância da postura profissional ética e pró-ativa dentro no ambiente corporativo. (Foto: Pollyana Lopes)

Luiz Antônio também destacou um aspecto importante para os estudantes do CAEL: “A formação em nível técnico é fundamental. Na minha visão, hoje, o Brasil precisa de mais técnicos, não de muitos engenheiros”, avaliou.

A Seletro VI contou, ainda, com um churrasco de confraternização animado e informal, como encerramento.

Dia da Publicidade do CAEL: aprendendo e praticando

Organizado pelos estudantes do terceiro ano, que colocam em prática os ensinamentos aprendidos em sala, o evento contou com palestras, a experiência de “um dia em uma agência publicitária” e um almoço coletivo

Por Pollyana Lopes

Em 1 de fevereiro é comemorado o Dia do Publicitário. Para marcar a ocasião, todos os anos o curso Técnico em Publicidade do CAEL comemora a data. Mas, como o evento é atividade prática da disciplina ministrada no 3º ano, Produção de Eventos, a celebração acontece em outro dia. Este ano, no dia 20 de maio, manhã e tarde dos alunos do curso foram ocupadas com uma série de atividades.

“O objetivo desse evento é que eles coloquem em prática o que eles estão aprendendo em sala de aula. E o objetivo de trazer pessoas de fora é pra mostrar como é a experiência desses profissionais, como eles trabalham”, explicou a professora Luciane de Rezende Souza, coordenadora do curso de Publicidade. “Fica tudo na mão deles! A professora de eventos, Djanira Barbosa, vai gerenciando em sala e eu em paralelo, vendo a parte burocrática. Tudo isso para que eles possam, no futuro, trabalhar nessa área de produção de eventos, que está crescendo muito nos últimos tempos”, complementou Luciane.

Dia da Publicidade - FEUC - CAEL (1)

Após a abertura oficial, as palestras de Hélcio Peynado e Vitor de Oliveira trataram, respectivamente, sobre a fotografia na publicidade e as diferenças entre marketing e publicidade.

Hélcio trabalhou em agências publicitárias por muitos anos e, há treze anos, decidiu montar um curso de fotografia em Campo Grande. Ele levou câmeras antigas adquiridas em feiras, pela internet ou recebidas como presente de amigos e, em sua fala, fez um histórico do uso de fotos pela publicidade, destacando determinadas indústrias que fizeram campanhas inovadoras e marcantes. Ele também ressaltou a importância de se manter investimentos em propagandas no momento em que as empresas estão em baixa no mercado.

“Em época de crise o grande erro que os clientes cometem é parar de fazer propaganda. É um tiro no pé! Quando você tem uma crise, tem problemas econômicos, tem recessão, mas vocês têm que embutir na cabeça do cliente de vocês que a hora que ele mais precisa é justamente quando ele tem menos dinheiro”, reforçou.

Vitor se formou Técnico em Publicidade pelo CAEL em 2008 e hoje trabalha no setor de marketing da Unimed. (Foto: Pollyana Lopes)

Vitor se formou Técnico em Publicidade pelo CAEL em 2008 e hoje trabalha no setor de marketing da Unimed. (Foto: Pollyana Lopes)

A palestra de Vitor de Oliveira, egresso do curso Técnico em Publicidade do CAEL, começou de maneira diferente: logo no primeiro slide que passou, o analista de marketing esclareceu que os estudantes poderiam permanecer com os celulares ligados e explicou a importância, para os profissionais de comunicação, de estarem conectado com o mundo, mas com clareza do que isso significa: “Se conectar é abrir o G1, se conectar é abrir o New York Times, se conectar é se atribuir um conhecimento”, disse.

A partir da contribuição dos estudantes, Vitor também definiu publicidade e diferenciou a atividade do marketing. “Se vocês tiverem que dizer em poucas palavras o que é publicidade, publicidade é a comunicação de uma ideia”, explicou, em oposição a ideia do marketing: “quando eu falo de marketing eu estou falando em provocação de experiência”.

E para colaborar no entendimento dos alunos sobre o próprio papel, Vitor falou sobre a expectativa do mercado em relação aos profissionais de publicidade: “O que a gente precisa aprender nesse curso é entender de comportamento humano, é entender o comportamento do usuário de internet, é entender como as pessoas pensam. É isso que o mercado precisa: pessoas que entendam de pessoas”.

Agência Vermelha foi a vencedora com proposta com fotografia de noiva e carro de luxo. (Foto: Pollyana Lopes)

Agência Vermelha foi a vencedora com proposta com fotografia de noiva e carro de luxo. (Foto: Pollyana Lopes)

Depois das palestras, os estudantes foram divididos em três equipes: as agências Verde, Azul e Vermelha. Cada equipe também foi desmembrada em três grupos, que simulavam os setores de uma agência de publicidade: Atendimento, Criação e Produção, e Mídia. Todos deviam apresentar, ao final de alguns minutos, o projeto de uma campanha publicitária do curso de fotografia Hélcio Peynado. A equipe escolhida foi a Vermelha, que apresentou o cartaz de uma foto de uma noiva junto de um carro antigo e letras brancas em contraste com um fundo preto.

Após a premiação, os estudantes confraternizaram em um almoço preparado por eles mesmos. Muitas fotos, sorrisos e conversas sobre a organização do evento, nas quais era possível “pescar” opiniões como “essa turma se empenhou mesmo”, “o evento desse ano foi mesmo muito bom”.

‘Psico’ o quê?

 

A pergunta, comumente ouvida por quem trabalha na área, esconde a ciência importantíssima para o processo de ensino-aprendizagem

Por Pollyana Lopes
emfoco@feuc.br

Você sabe o que é a Psicopedagogia? Onde atua o profissional formado nessa área e qual a função social dele? Essencial para uma educação mais inclusiva, que atenda crianças e jovens com dificuldades de aprendizagem e/ou síndromes genéticas que impedem o acompanhamento natural na educação formal, o psicopedagogo pode atuar tanto no ambiente institucional, em escolas e empresas, quanto em atendimentos particulares, clínicos.

Leila: "Quando chega uma pessoa com dificuldades, nós temos que diagnosticar ". (Foto: Pollyana Lopes)

Leila: “Quando chega uma pessoa com dificuldades, nós temos que diagnosticar “. (Foto: Pollyana Lopes)

É da interseção da Pedagogia com a Psicologia que surge essa área do saber que se dispõe a identificar e tratar a não-aprendizagem. A profissão ainda aguarda regulamentação, mas, em geral, o psicopedagogo tem formação em Pedagogia ou em Psicologia, e agrega ao currículo uma pós-graduação especializada, como as oferecidas pela FEUC.

No curso estão incluídas disciplinas como Pedagogia como Ciência da Formação Humana; Dinâmica de Grupo e Jogos; A Psicopedagogia e a Neurociência; Introdução à Psicopedagogia: a Epistemologia Convergente; Educação Inclusiva; além de estágios e seminários para produção do Trabalho de Conclusão do Curso.

“O psicopedagogo aprende um procedimento de trabalho. Quando chega uma pessoa com dificuldade, nós temos que diagnosticar onde está a dificuldade dela, se é da leitura, se é da escrita, se é algo orgânico, se é uma questão emocional, se é uma questão familiar, se é algo mental, psicológico, ou se tem algum comprometimento no cérebro. E aí então se desenvolve alguma estratégia para mudar esse quadro”, explica a professora Leila Queiroz Evaristo da Silva, que leciona nos cursos de Psicopedagogia Clínica e Psicopedagogia Institucional da FEUC.

A atuação do profissional só não tem mais notoriedade e reconhecimento devido à ausência de regulamentação. É o que busca a Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp) e os sindicatos recém-criados. Por outro lado, a perspectiva é ampla, pois a necessidade de normatizar a atividade é pungente e, com isso, virão os concursos públicos, como os que já aconteceram em várias cidades, que incluem São Paulo e Nova Iguaçu.

A Psicopedagogia em debate

Com o intuito de reforçar a importância do profissional da área e capacitá-lo ainda mais com debates atuais ligados ao tema, a FEUC promoveu, no dia 14 de novembro, o I Encontro Psicopedagógico, pioneiro na Zona Oeste. O evento trouxe profissionais da região e atraiu estudantes de outras instituições, debateu métodos, apresentou casos de sucesso e aproveitou para celebrar o Dia do Psicopedagogo, oficialmente comemorado em 12 de novembro.

“Esse encontro foi organizado pensando na nossa região, a Zona Oeste, Campo Grande, Santa Cruz, Mangaratiba, Seropédica, Itaguaí. Porque o psicopedagogo de Copacabana, Botafogo, da Zona Sul em geral, já tem um nome, é reconhecido, é procurado. Nossa região também tem esses profissionais, mas eles estão quietinhos, escondidos, enquanto fazem um trabalho belíssimo. Nós queremos que vocês conheçam esses trabalhos, para a gente partilhar e crescer”, explicou a professora Leila, que foi uma das organizadoras do evento.

Dentre as atividades, é possível destacar a participação das alunas do curso de Psicopedagogia Clínica, Isabela Carvalho Costa, Patrícia Bárbara Dias Duarte e Simone Otaviano, que estiveram presentes no X Congresso Brasileiro de Psicopedagogia, realizado em São Paulo, e trouxeram para o evento da FEUC os principais temas lá apresentados. Você pode ler mais sobre isso na cobertura feita pela FEUC em Foco, no link http://www.feuc.br/revista/?s=psicopedagogia.

Isabela contou como foi uma das palestras do X Congresso Brasileiro de Psicopedagogia. (Foto: Pollyana Lopes)

Isabela contou como foi uma das palestras do X Congresso Brasileiro de Psicopedagogia. (Foto: Pollyana Lopes)

Movimento estudantil mostra a que veio

 

Grupo mantém diálogo com administração da FEUC e quer consolidar o movimento estudantil na instituição de ensino

Por Pollyana Lopes
emfoco@feuc.br

Desde que foi formado, o DCE da FEUC vem participando de diversos movimentos em defesa da Educação, como o Congresso da UNE, realizado em Goiânia, de onde partiram em caravana para se manifestar contra o projeto de redução da maioridade penal. “Foi um momento muito único para a gente, porque nós debatemos os rumos que a educação está tomando, falamos sobre o corte de verbas que a educação está sofrendo e tiramos qual seria a nossa pauta, nossa agenda de lutas”, explica Flávio Santana, presidente do DCE da FEUC.

Na ocasião, os estudantes foram recebidos pelo então ministro da Casa Civil, Aloízio Mercadante, e defenderam a manutenção do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). “A gente acredita que o PIBID, aqui na faculdade, é uma forma de assistência estudantil e isso comprova que o governo pode investir em assistência estudantil em universidade privadas. Essa é uma das nossas principais bandeiras”, ressalta.

Representantes do DCE com o ministro Aloízio Mercadante. (Foto: Arquivo Pessoal/DCE FEUC)

Representantes do DCE com o ministro Aloízio Mercadante. (Foto: Arquivo Pessoal/DCE FEUC)

Mas o DCE não está ligado apenas nas questões macro do movimento estudantil, e também fomenta atividades e coletivos dentro da universidade. O grupo promoveu, em parceria com a União Estadual dos Estudantes, a roda de conversa “Juventude Negra e acesso à cidade”, que contou com a participação de estudantes de diferentes instituições, além dos alunos das FIC. O debate acalorado foi facilitado pela educadora do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) Tania Mara Menezes e por TR, integrante do coletivo Embaixada Hip Hop da Cidade de Deus.

O evento foi o primeiro de um ciclo de debates sobre o assunto, e se realizou aqui não por acaso. “O nosso primeiro encontro desta série acontece aqui na Zona Oeste porque a juventude negra daqui é um dos principais alvos de ações que restringem o acesso à cidade como, por exemplo, a retirada de linhas de ônibus que vão para a Zona Sul”, explica Flávio.

O tema era o acesso à cidade por parte dos jovens negros, mas a discussão não se restringiu somente a este ponto, e percorreu assuntos como a redução da maioridade penal, a invisibilidade da mulher negra na sociedade, políticas afirmativas, a formação de professores, o preconceito e a discriminação sofridos pelas religiões de matrizes africanas, entre outros.

Estudantes participaram do debate sobre juventude negra. (Foto: Pollyana Lopes)

Estudantes participaram do debate sobre juventude negra. (Foto: Pollyana Lopes)

A próxima atividade será mais um debate, desta vez sobre feminismo. Os próximos passos do grupo são fomentar grupos permanentes, como o feminista e um ligado à questão racial, além dos centros acadêmicos dos cursos. “O nosso principal objetivo nesse início é estruturar o movimento estudantil aqui na faculdade, fazer a cultura de movimento estudantil”, explica Flávio, que ressalta que o grupo tem tido boa receptividade na FEUC: “A universidade tem sido muito receptiva com a gente. Nós decidimos ter esse diálogo porque precisamos de conquistas, mas a gente vê que em outras universidades, principalmente nas privadas, não existe essa receptividade”.

Flávio está se formando e se preocupa com a continuidade do DCE. (Foto: Pollyana Lopes)

Flávio está se formando e se preocupa com a continuidade do DCE. (Foto: Pollyana Lopes)

Aula de história da África, aprendizados universais

Evento organizado por guineenses que vivem no Rio de Janeiro promove debate sobre continente africano

Por Pollyana Lopes
emfoco@feuc.br

Sete anos depois de sediar o primeiro encontro promovido pela Associação dos Estudantes Guineenses do Rio de Janeiro, a FEUC voltou a ser palco da programação: o IV Encontro Sociocultural e Político a África em Questão, com o tema “De olho na África: Uma herança histórica e seus reflexos na política contemporânea”, está acontecendo nas tardes de sábado na instituição, desde o dia 16, e terminaria hoje. O sucesso da iniciativa, porém, garantiu mais uma sessão, a ser realizada no próximo dia 13, na parte da manhã, de 9h30m às 12h: “O grande interesse do público fez com que o pesquisador Maurício arranjasse mais um dia em sua agenda para vir fechar o panorama histórico que se dispôs a apresentar”, conta a professora Célia Neves, coordenadora do curso de Ciências Sociais e anfitriã do grupo.

Mesa de abertura contou a coordenadora do curso de Ciências Sociais das FIC, presidente da Associação dos Estudantes Guineenses do Rio de Janeiro, e o coordenador do evento. (Foto: Pollyana Lopes)

Mesa de abertura contou a coordenadora do curso de Ciências Sociais das FIC, presidente da Associação dos Estudantes Guineenses do Rio de Janeiro, e o coordenador do evento. (Foto: Pollyana Lopes)

Encontro acontece sempre em maio, por um motivo especial

No dia 25 de maio de 1963, na cidade de Addis Abeba, na Etiópia, foi instituído o Dia da África. A data foi criada junto com a Organização da Unidade Africana, composta por representantes de 32 países. O objetivo, tanto da entidade quanto da data, foi o de unificar os países na luta pela libertação da dominação estrangeira no continente. Mais adiante a data mudou de nome, tornando-se o Dia da Libertação Africana, e a OUA também foi substituída pela União Africana, mas 25 de maio continua demarcando uma série de eventos ao redor do mundo com o objetivo de debater sobre o continente.

O laço dos guineenses com a FEUC existe desde 2006, quando estudantes de Guiné-Bissau vieram, pela primeira vez, para os cursos de graduação das FIC. Por conta disso, a Associação dos Estudantes Guineenses do Rio de Janeiro realizou aqui o seu primeiro encontro, em 2008. Nos anos seguintes, o evento foi promovido em outras instituições, mas em 2015 está de volta, com um minicurso nos sábados 16, 23 e 30 de maio, de 14h às 17h, e uma programação especial no dia 23, data mais próxima do Dia da Libertação Africana.

O minicurso foi programado para a parte da tarde dos três sábados (e mais o sábado extra, em 13 de junho), mas no dia 23 passado o evento incluiu uma palestra pela manhã e um almoço típico antes do curso. Os palestrantes do dia, Maurício Wilson Camilo da Silva e Timóteo Saba M’bunde, falaram sobre a criação do 25 de maio e a participação da África nas relações de cooperação sul-sul, respectivamente.

Tomadas de decisão política anárquicas e verticalizadas

Maurício é pesquisador sócio do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, e pesquisador de história da África associado ao Instituto Nacional de Estudo e Pesquisa em Guiné-Bissau. Em sua fala, o pesquisador caracterizou historicamente as diferenças políticas que, a partir da variedade cultural, das adaptações à natureza e ao clima formaram no continente africano nações com processos produtivos diferentes. Maurício dividiu essas formações em três momentos.

No primeiro momento são caracterizados os países com tomadas de decisão política anárquicas. “A partir do século VII vamos encontrar uma variação, que talvez o estado de Gana, na África ocidental, seja um exemplo muito importante de um estado que teve um processo anárquico. A tomada de decisão política foi estruturada numa base de conselhos, nos quais as decisões não eram tomadas de forma verticalizada. Havia um conselho onde estavam representados diferentes soberanos de diferentes grupos, aldeias ou povoados que eram convocados para tomar as decisões”, explica Maurício. “Esse é um exemplo de sistema político no qual a gente vai encontrar um outro processo de produção econômica muito marcado pela subsistência nomeadamente relacionada com a prática agrícola.  Mas outras profissões vão entrar numa questão muito fundamental que marcava essas sociedades: essas práticas profissionais eram especializadas em determinados grupos, clãs, ou etnias, e havia uma estrutura que possibilitava uma troca dos ofícios em que nenhum deles se destacava em relação ao outro. Isso, de uma certa forma, eliminava o processo de concorrência, que por sua vez impedia que houvesse violência através de competição”, problematiza o pesquisador.

Maurício é arquiteto urbanista por formação, mas oferece cursos relacionados à história da África em importantes universidades brasileiras. (Foto: Pollyana Lopes)

Maurício é arquiteto urbanista por formação, mas oferece cursos relacionados à história da África em importantes universidades brasileiras. (Foto: Pollyana Lopes)

O segundo momento apresentado diz repeito às consequências da expansão do islã pela África e a ocupação islamo-árabe nos países. O Império de Mali é o exemplo que demonstra como o estado passou a adotar uma religião oficial, que verticaliza as decisões políticas e modifica a organização social. “A organização do trabalho vai se alterar, já que nesse período de transição, a exploração é muito marcada. A técnica de guerra utilizada pelos nativos era marcada pela prática de lança de flecha, nesse segundo momento, com a invasão islamo-árabe, virão os grupos de exército da cavalaria, estes já associados com a guerra de espada”. Maurício também reforçou as diferenças nas relações comerciais: “Outra questão que vai marcar esse período é que comerciantes que vinham do norte da África para comercializar nessa região eram muçulmanos, e essa religião vai passar a marcar o processo da comercialização. Ou seja, era mais fácil participar do comércio se convertido ao islã”, explica.

No terceiro momento está o processo de colonização portuguesa nos países da costa africana. Maurício esclarece que, no momento das primeiras incursões coloniais promovidas pelo país, havia poucos séculos que a Península Ibéria tinha sido desocupada pelos árabes, no máximo dois séculos. “A política de colonização portuguesa que vai para a costa da África e da América foi mais relacionada às tomadas de decisão marcadas pela cultura islâmica do que a cultura portuguesa que conhecemos hoje. O que eu quero falar é que os portugueses que vieram aqui num primeiro momento eram o mais árabe possível. Eles são muçulmanos convertidos ou filhos de muçulmanos convertidos”, esclarece o pesquisador.

Para amarrar a história política da África que apresentou, Maurício problematizou as consequências da colonização dos territórios africanos pelos países europeus que, no auge desse processo, realizaram, na conferência de Berlim, a “partilha” do continente. A divisão, que colocava sob a dominação de uma mesma potência territórios próprios das diferentes formações políticas já apresentadas, causou conflitos de fronteira e conflitos internos, principalmente ligados à religião. O 25 de maio foi, então, instituído como uma tentativa de libertação da dominação estrangeira, mas por iniciativa de nações que não tinham estabelecido completamente o estado moderno.

África e as relações de cooperação sul-sul

Já o cientista político Timóteo Saba M’bunde fez uma fala menos histórica e mais política, apresentando as diferenças entre as relações de cooperação norte-sul, entre países desenvolvidos e países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, e a cooperação sul-sul, somente entre países do segundo eixo, seja qual for a dominação.

O cientista explicou que a Organização da Unidade Africana, desde a sua criação era formada por um grupo mais radical, os panafricanistas, que tentavam romper completamente com o imperialismo, e um grupo menos radical, aberto a relações comerciais e políticas com as antigas metrópoles. E também que, geopolítica e ideologicamente, o mundo estava polarizado entre as ideias comunistas e capitalistas. “Esse processo de cooperação dos países em desenvolvimento na verdade nasceu através de uma busca da terceira via. Em um cenário em que você tinha duas vias, Estados Unidos de um lado e do outro lado a União Soviética, com a China ao lado da Indonésia, da Índia, essas foram as principais patrocinadoras dessa terceira via. Ou seja, nós não queríamos ficar, ao longo da história, dependentes do jogo geopolítico que se perpetuava no cenário internacional. Vamos procurar a terceira via”, explica Timóteo.

Enquanto Maurício apresentou um histórico da formação política africana, Timóteo problematizou as relações políticas e econômicas entre os países em desenvolvimento. (Foto: Pollyana Lopes)

Enquanto Maurício apresentou um histórico da formação política africana, Timóteo problematizou as relações políticas e econômicas entre os países em desenvolvimento. (Foto: Pollyana Lopes)

O pesquisador lembrou que o Brasil tem um papel importante nas relações de cooperação sul-sul, mas que, quando a OUA foi criada, o país vivia asfixiado pela política norte-americana, típica da Guerra Fria. Como país em desenvolvimento, o Brasil está incluído nessas relações que são mais que relações econômicas, mas também de solidariedade política. E que, ao menos discursivamente, mantêm a ideia de horizontalidade, ao contrário da relação norte-sul, que reproduz a lógica de dominação e de dependência, principalmente.

“Qual seria, portanto, o lugar da África nesse processo?”, questiona Timóteo. “Essa é a grande questão. Depois desse processo histórico, da normatização, da construção de todo o arcabouço institucional do processo de colaboração sul-sul, qual seria o lugar da África? Se tomarmos essa cooperação como um processo em que dois atores interagem, ambos devem ter uma postura ativa, porque a cooperação não expressa a ideia de doador e beneficiário”, defende.

Para o pesquisador, é necessário que as nações africanas se insiram de maneira mais influente nesse procedimento. “África, praticamente ao longo de toda a história, se coloca como agente passivo desse processo, não tem um papel ativo nas relações de cooperação. A minha fala reivindica a necessidade da África ter um papel mais ativo. Talvez seria esse um mecanismo de libertar com toda a relação de dependência que se cria em torno desse imaginário do comércio. Ou seja, para manter reais relações de independência é necessário que ambos os agentes tenham um papel ativo, se não você reproduz o modelo de cooperação que critica”, argumenta.

A casa do professor pauta a diversidade dos povos

O curso de Ciências Sociais,  que é coordenado pela professora Célia Neves, foi um dos que teve maior adesão pelos primeiros estudantes guineenses que vieram para a FEUC . Desde então, Célia se tornou um elo entre os guineenses e a instituição. A professora participou da mesa de abertura do evento, junto de Ndoy Luís Ie da Silva, estudante de pós-graduação na FEUC e presidente da Associação dos Estudantes Guineenses do Rio de Janeiro, e Delcio Juscelino Menezes Barbosa, integrante da atual gestão da Associação e coordenador do evento.

Em homenagem ao Dia da Libertação Africana, evento também contou com almoço típico. (Foto: Pollyana Lopes)

Em homenagem ao Dia da Libertação Africana, evento também contou com almoço típico. (Foto: Pollyana Lopes)

Em sua fala, Célia destacou o caráter formador de um evento como esse. “Eu quero agradecer em meu nome e em nome da FEUC e dizer que, para nós, não é obrigação fazer isso, é mais que isso, é um dever. É uma dívida histórica que a gente tem, de acolhê-los muito bem. Somos o que somos, não tenho dúvidas, parte por causa do trabalho que eles deixaram aqui. Eu acredito que hoje, estar junto deles, em todas as possibilidades, é um modo de se contribuir para uma sociedade que seja pautada na paz. Só construiremos isso na medida em que a gente reconhecer as diferenças, que a gente reconhecer o valor da vida”, enfatizou.

Egressa do curso de Ciências Sociais da FEUC, a guineense Ivandra Nunes da Silva foi quem preparou o almoço. (Foto: Pollyana Lopes)

Egressa do curso de Ciências Sociais da FEUC, a guineense Ivandra Nunes da Silva foi quem preparou o almoço. (Foto: Pollyana Lopes)

E, para não esquecer o lado professora interessada na formação de seus estudantes, Célia lembrou das novas diretrizes curriculares que colocam o ensino de história da África como obrigatório nas escolas. “Promover a possibilidade das pessoas vivenciarem a história e a diversidade entre os povos é fundamental na formação de um educador, de uma educadora comprometida com um mundo justo e pautado na construção da paz. Nossos estudantes precisam, eles têm sede disso. Sobretudo hoje, pensando de uma certa forma egoísta, mas pensando em nós, que temos a legislação que obriga a educação africana e indígena na educação básica, esses encontros são fundamentais para essa formação”, lembra a professora.

 

XIII Feuctec discute ‘cultura hacker’ com muitas atividades

 

Semana acadêmica dos cursos de Informática das FIC, realizada entre os dias 21 e 25 deste mês, teve programação com 20 palestras, 8 minicursos e olimpíada de programação

Por Gian Cornachini e Tania Neves
emfoco@feuc.br

Com grande participação dos estudantes, a XIII Feuctec, semana dos cursos de computação da FEUC, terminou na noite de sexta-feira, dia 25, com sucesso de público esperado pela coordenação dos cursos e anúncio dos vencedores da olimpíada de programação. Durante cinco dias de evento, alunos, professores e palestrantes debateram a temática “Cultura hacker” em turnos da manhã e da noite. Cerca de 280 estudantes participaram das 20 palestras, 8 minicursos, mesa-redonda, exposição de trabalhos e uma olimpíada de programação que integraram a 13ª edição da semana acadêmica dos cursos de Bacharelado em Sistemas de Informação e Licenciatura em Computação. A programação ocorreu quase conforme planejada, e apenas três palestras não aconteceram: “Clonando dispositivos USB”, de Lucas Teske, que aconteceria na segunda-feira à noite, dia 21; a palestra “Python e Entropia de Arquivos”, da noite de terça-feira, dia 22, que seria ministrada por Wagner Barongello; e “Aspectos da política e da segurança de informática em corporações”, de Márcio Leichsenring, que aconteceu na noite de abertura do evento e seria repetida na quinta-feira, dia 24. As duas primeiras não foram realizadas por problemas logísticos, e a terceira por ausência do palestrante. Ainda assim, as perdas foram minimizadas com a vinda de outros palestrantes no lugar dos que não puderam estar na Feuctec na segunda e terça-feira.

Auditório ficou sempre lotado durante a Feuctec, principalmente nas noites do evento, período em que a frequência de alunos é maior. (Foto: Tania Neves)

Auditório ficou sempre lotado durante a Feuctec, principalmente nas noites do evento, período em que a frequência de alunos é maior. (Foto: Tania Neves)

Noite de abertura

A palestra de abertura da Feuctec, na segunda-feira à noite, foi uma das que sofreram mudanças. Em vez de Lucas Teske falando sobre modos de clonar dispositivos USB, quem deu o pontapé inicial da semana acadêmica foi Felipe Espósito, o Pr0teus, que entusiasmou a plateia com a palestra “How to become a hacker?” (“Como se tornar um hacker?”). Formado em Tecnologia de Sistemas pela Unicamp, com mestrado em Engenharia de Computação pela UFRJ, Felipe trabalha como analista de sistemas no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e procurou desmistificar aquela imagem mais difundida do hacker como um bandido cibernético: “Esqueçam o que diz a mídia, que o hacker é criminoso, aquele cara que rouba senha, que invade o seu computador… a origem do termo está no verbo to hack, que significa cortar, mas também tem o sentido de ‘fuçar’, e é esse que nos importa aqui”, adiantou o analista, afirmando que o hacker é um sujeito que gosta de ‘fuçar’ tudo o que diz respeito a sua atividade e aprender o máximo de coisas sobre os temas de seu interesse.

O palestrante Felipe Espósito entre os professores Rodrigo Neves e Adriana Nogueira (Foto: Tania Neves)

O palestrante Felipe Espósito entre os professores Rodrigo Neves e Adriana Nogueira (Foto: Tania Neves)

Mas por que alguém se torna um hacker? Segundo Felipe, quase sempre para identificar vulnerabilidades (problemas) nos sistemas de informática e encontrar uma solução adequada. Por exemplo, só é possível invadir o sistema de um banco se existir uma falha. Muitos se aproveitarão dessa falha para roubar senhas e cometer crimes, mas outros estarão em busca de tais fragilidades para informar ao banco e ajudar na solução do problema. Nem é preciso dizer que um profissional com tamanhas habilidades teria todas as chances de integrar as equipes de informática das grandes corporações, pois estas precisam monitorar e melhorar a segurança de seus sistemas o tempo todo.

Compartilhar informações faz parte da essência da cultura hacker

E como é possível se tornar um hacker? A receita dada por Felipe é a mais óbvia: estudar, praticar, estudar mais, praticar mais…  “É preciso partir de um background técnico inicial, que a faculdade dá para vocês, e não parar nunca de estudar, sempre buscar novos desafios, aplicar a teoria na prática, registrar em anotações todos os experimentos feitos, compartilhar informações com outras pessoas para crescer mais, e voltar ao começo: estudar mais, buscar outros desafios práticos, testar as novas teorias… Sobretudo, nunca se afastar da ética, respeitar autoria, não dar prejuízo a ninguém, pois é isso que formará seu caráter profissional”, ensinou Felipe.

Felipe Espósito ensinou como se tornar um hacker: muito estudo, prática e cultivo da ética. (Foto: Tania Neves)

Felipe Espósito ensinou como se tornar um hacker: muito estudo, prática e cultivo da ética. (Foto: Tania Neves)

Para quem está disposto a surfar esta onda, o palestrante deu algumas dicas, como se aproximar de alguns dos hackspaces existentes no Brasil, que são ambientes (físicos e/ou virtuais) onde os interessados se encontram para sessões de desafios em desenvolvimentos de projetos de tecnologia e afins. No Rio há o Kernel 40º, do qual Felipe faz parte.

As demais palestras da noite de abertura da XIII Feuctec foram “Basics of malware analysis”, com Charles Lomboni, e “Aspectos da política de segurança de informática das corporações”, com Márcio Leichsenring. Charles, que é bacharel em Sistemas de Informação pela FEUC, cursa pós-graduação em Arquitetura de Software na Infnet e trabalha com análise de desenvolvimentos de sistemas na Radix, apresentou um panorama das principais ameaças virtuais a que estão sujeitos tanto os computadores pessoais quanto as grandes redes de computadores, ensinando a identificar cada tipo e neutralizar seus efeitos. Márcio, que é graduado em Tecnologia em Processamento de Dados e mestrando em Sistemas de Informação pela UFRJ, além de professor da Castelo Branco, da São José e da UFRJ, abordou os aspectos mais relevantes para se implantar um efetivo sistema de segurança de dados nas corporações. “Em primeiro lugar é preciso fazer uma análise de risco, identificando tudo aquilo que precisa ser protegido”, ressaltou Márcio, lembrando que a atividade de quem cuida da segurança de dados de uma empresa deve ser incansável: “Ameaças sempre existirão, cada vez mais sofisticadas. É para isso que se implementa uma política de segurança: para blindar as vulnerabilidades”.

As palestras da noite de abertura da XIII Feuctec contaram com um auditório lotado, o que animou o coordenador dos cursos de Informática das FIC, professor Rodrigo Neves: “A participação dos alunos foi grande, sobretudo demonstrando um enorme respeito pelos palestrantes. Acho que acertamos nas escolhas”, disse Rodrigo.

Olimpíadas e minicurso completaram a programação de abertura

O graduando Vinícius Miranda ministra minicurso de WordPress (Foto: Tania Neves)

O graduando Vinícius Miranda ministra minicurso de WordPress (Foto: Tania Neves)

As atividades paralelas também atraíram interessados na primeira noite: o minicurso “Introdução ao desenvolvimento de sites com ferramenta WordPress”, ministrado pelo graduando de Sistemas de Informação Vinícius Miranda, reuniu uma boa turma no Laboratório C. Já as olimpíadas em equipe tiveram apenas três grupos inscritos, talvez por ser ainda uma novidade na programação da semana acadêmica. Mas o professor Frederico Guilherme, responsável por aplicar o caderno de questões aos alunos, estava entusiasmado: “Esse é um desafio fantástico, pois explora ao máximo a criatividade e a capacidade de resolução de problemas dos alunos. E é democrático, pois em informática sempre há muitos modos de resolver as coisas, a partir de linguagens e complexidades diferentes. Tanto que aqui temos grupos de alunos do segundo período e outro formado por estudantes mais avançados. E todos estão em igualdade de condições para o desafio”, afirmou.

Ciberguerra e o lado oculto da Internet também foram assunto na Feuctec

A XIII semana acadêmica dos cursos de informática das FIC seguiu com uma série de temas extremamente atuais e instigantes, como o abordado pelo professor das FIC Leonardo Cioti: “Ciberguerra: o Brasil está preparado?”. Com uma passagem de 10 anos pelo Exército brasileiro, onde foi um dos oficiais responsáveis pela ampliação da rede de computadores da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e ajudou na implantação e gerenciamento do primeiro evento de jogos de guerra eletrônicos daquela unidade, Leonardo falou com propriedade sobre o tema, ressaltando as diferenças entre a guerra convencional e a guerra cibernética, lembrando que a primeira exige imensos investimentos em dinheiro, equipamentos e tropas, ao tempo que a segunda é feita com poucos recursos materiais e muita inteligência e pesquisa, sem contar que é uma guerra silenciosa e escamoteada.

Professor Leonardo Cioti questionou a preparação do Brasil para uma ciberguerra. (Foto: Tania Neves)

Professor Leonardo Cioti questionou a preparação do Brasil para uma ciberguerra. (Foto: Tania Neves)

“Sabe-se onde ficam as usinas, os galpões, todos os alvos físicos. Mas e as ciberarmas, onde estão? Ninguém sabe”, disse ele, revelando que estas já estão em pleno uso. “Muitos foram os ataques já executados por ciberarmas, mas nenhum governo ou corporação admite, pois significaria reconhecer suas vulnerabilidades, e ninguém está disposto a isso”. Respondendo à pergunta tema de sua palestra, Leonardo registrou que o Brasil está entre os cinco países mais visados em ataques cibernéticos a empresas e órgãos do governo, ao tempo que se encontra entre os menos preparados para responder a essas ameaças, com nota 2,5, ao lado de Índia e Romênia, e à frente apenas do México. Israel, Finlândia e Suécia são as nações mais preparadas, com nota 4,5.

Alfredo Neris: "Se existisse Star Wars no tempo de Dom Pedro II, ele teria a camiseta!" (Foto: Tania Neves)

Alfredo Neris: Dom Pedro II foi o primeiro nerd brasileiro (Foto: Tania Neves)

Alfredo Neris Júnior, professor de informática e consultor de redes e cabeamento estruturado, proferiu a palestra “O lado oculto da internet”, na qual mostrou que é possível encontrar na rede muito mais do que aquilo que a maioria das pessoas acessa em buscas simples pelo Google. Um dos palestrantes mais carismáticos da XIII Feuctec, Alfredo começou sua exposição citando algumas das principais contribuições feitas ao campo da informação por uma série de personalidades ao longo da história. E arrancou gargalhadas da plateia ao revelar que Dom Pedro II foi o primeiro grande nerd brasileiro: “Pode-se dizer que foi ele quem trouxe todo o padrão de tecnologia para o país, com o primeiro telefone, o primeiro cabo submarino. Em sua época, ele ia às feiras internacionais de tecnologia e trazia para cá todas as novidades. Foi também quem criou a UFRJ. Se já tivesse Star Wars naquele tempo, com certeza Pedro II ia ter a camiseta!”

Crimes digitais

O coordenador dos cursos de Informática, professor Rodrigo Neves, também foi um dos palestrantes na XIII Feuctec. Na quinta-feira pela manhã, Rodrigo discutiu com o público “Legislação Internacional: Cybercrimes”. Durante sua apresentação, o professor quis chamar a atenção dos estudantes para o fato de também haver crimes na internet e da possibilidade de todos nós podermos ser um desses agentes criminosos, sem ao menos sabermos: “Tudo o que você fizer na internet e que viole o direito de alguém ou uma lei, coloque uma pessoa física ou jurídica em perigo, mesmo que desconheça determinada regra, não importa, você será punido de acordo com leis internacionais da ONU”, ressaltou o professor.

Rodrigo listou uma série de crimes comuns nos meios digitais mundialmente. Dentre os principais, estão calúnia, difamação, ameaça, divulgação de segredos e violação de direito autoral. No caso do último, os exemplos mais comuns são os downloads ilegais de conteúdos como músicas e filmes. No Brasil, segundo dados de empresas fabricantes de softwares antivírus, as modalidades dos crimes digitais mais cometidos são fraudes bancárias, pedofilia, estelionato, apologia ao crime, furto de dados, disseminação de programas maliciosos e violação de direitos autorais. Mesmo com todos esses problemas, o professor afirmou que o país pouco faz para diminuir os índices de violência digital, que afetaram 22 milhões de brasileiros em 2012: “O Brasil não dá nenhum valor a esses tipos de crimes. A classe dominante não tem interesse. Quem é que faz espionagem industrial pela internet? Quem tem muito dinheiro. Quem é que consegue fazer as grandes lavagens de dinheiro? Quem já tem muito dinheiro”, disse Rodrigo.

Segundo o professor, para o país tentar se modernizar um pouco com a legislação referente aos crimes digitais, foi aprovado no ano passado a Lei 12.737, conhecida como “Lei Carolina Dieckmann”: “Mas essa lei é fraca, pois pune poucas coisas. Ela só fala de três situações: a invasão de dispositivos informáticos, a interrupção e perturbação de serviços informáticos de utilidade pública e a falsificação de documentos e cartões bancários particulares por meios digitais”, explicou Rodrigo.

O palestrante Lincoln Werneck chamou a atenção para a urgente necessidade da educação digital no país. (Foto: Gian Cornachini)

O palestrante Lincoln Werneck chamou a atenção para a urgente necessidade da educação digital no país. (Foto: Gian Cornachini)

Necessidade de educação digital

A resposta sobre como evitar os crescentes novos casos de crimes digitais esteve na palestra “Importância da educação digital no Brasil”, a última da XIII Feuctec e proferida por Lincoln Werneck, profissional há 17 anos na área de Tecnologia da Informação, com nove anos dedicados à área de segurança da informação e comunicação. Lincoln levantou um debate sobre a necessidade urgente de educar digitalmente a população brasileira: “O problema da educação digital é pouco falado no Brasil. Algumas escolas só usam computadores nas aulas de informática. Há muitos professores que mal sabem ligar um computador e ainda são obrigados a dar aula de informática. Nestas aulas, os alunos só aprendem a mexer com os principais programas do pacote Office e a usar a internet. Como esse país será educado digitalmente se a maioria dos professores, e também estudantes, aprende a mexer basicamente sozinha? O ‘aprendeu sozinho’ é a resposta que mais aparece em pesquisas feitas com docentes e alunos. Será que o que eles aprenderam é suficiente para estarem educados digitalmente?”, questionou Lincoln.

Segundo o palestrante, o fato de a maioria dos usuários da internet ter aprendido a utilizar o computador por conta própria já significa problemas que poderão surgir mais à frente, principalmente relacionados aos crimes digitais. Uma pessoa que clica em diversas janelas que aparecem na tela do computador com a mensagem “clique aqui”, certamente será uma das vítimas que terá seus dados roubados. Mais de 20 milhões de computadores com o sistema operacional Windows XP Service Pack 3, somente no Brasil, deixarão de receber atualizações a partir do ano que vem. Lincoln prevê um imenso ataque de criminosos digitais no próximo ano: “Sem a educação digital, a quantidade de problemas com equipamentos desatualizados será imensa. Pessoas vão fazer compras na internet, mas seus computadores estarão desatualizados e abertos para serem utilizados como portais para crimes”, destacou ele.

Para Lincoln, os desafios são grandes: “É preciso capacitar os educadores quanto ao direito informático e à segurança cibernética, difundir a tecnologia informática de maneira educacional nas salas de aula para empoderar os alunos a fim de que eles ganhem mais informações e conhecimento, e não ficarem somente aprendendo como escrever no Word”, indicou.

No site http://www.coaliza.org.br/cartilhas1.html, do Instituto Coaliza, do qual Lincoln é diretor executivo, é possível acessar uma lista de 24 cartilhas sobre atitudes preventivas quanto à segurança na internet.

Resultado da olimpíada de programação

Ao fim da palestra de Lincoln Werneck, o professor Leonardo Cioti anunciou os vencedores da olimpíada de programação realizada durante a semana de atividades. Os estudantes inscritos puderam concorrer em duas modalidades: “Disputa em equipe” e “Disputa individual”. Os vencedores seriam contemplados com bolsas de estudos na Academia de Cursos e Especializações Infoclad, do professor Leonardo.

Os estudantes Renan Seller e Rennan Patrick foram os vencedores da olimpíada de programação em equipe. (Foto: Tania Neves)

Renan Seller e Rennan Patrick foram os vencedores da olimpíada em equipe. (Foto: Tania Neves)

Na categoria “Disputa em equipe”, o primeiro lugar ficou para os estudantes Renan Seller e Rennan Patrick, que levaram um cheque de 70% de desconto no preço final de qualquer curso da Infoclad. No segundo lugar, ficaram os alunos Sérgio Murillo dos Santos Dias, Fabio Magalhães de Souza, Arthur Augusto dos Santos e Carlos Augusto de Carvalho, premiados com um cheque de 50% de desconto.

Já na categoria “Disputa individual”, o panorama foi o seguinte: em primeiro lugar e premiado com um curso gratuito, ficou o aluno Ricardo Vaz Correa. Em segundo, Renan da Silva Seller, com um cheque de 70%; e em terceiro, Carlos Augusto de Carvalho, premiado com um cheque de 50%.

Ricarco Vaz Correa vence olimpíada de programação na categoria 'Disputa individual'. (Foto: Gian Cornachini)

Ricardo Vaz Correa vence olimpíada de programação na categoria ‘Disputa individual’. (Foto: Gian Cornachini)

Coordenador comenta XIII Feuctec

O professor Rodrigo Neves, coordenador dos cursos de Informática das FIC, comemorou o sucesso desta edição da semana acadêmica: “No ano passado, tivemos um público de, mais ou menos, 150 participantes. Neste ano, chegamos a 280 inscrições. A participação em presença dos alunos foi muito boa. Eles foram respeitosos e assistiram às palestras com bastante atenção. Eu vi muitos comentários no Facebook de que o pessoal gostou da Feuctec”, contou o professor.

Como ponto negativo, Rodrigo apontou a baixa procura dos estudantes pela olimpíada de programação: “A olimpíada não teve tanta procura como a gente esperava. Foi pouco aproveitada pelos estudantes. O problema deve ter sido no fato de ela acontecer simultaneamente com as palestras”, observou Rodrigo. “Vamos repensá-la para que ela seja feita na próxima edição em um horário fora das palestras. Possivelmente, será no sábado”, adiantou ele.

20º Octobermática: trabalho de estudantes foi marca do evento

 

Sétimo período de Matemática se organiza para fazer uma semana intensa, que teve também atividades promovidas por alunos de outras turmas do curso

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

Entre 29 de setembro e 4 de outubro, salas e corredores da FEUC estiveram movimentados pelas ações dos estudantes de Matemática: a participação ativa das turmas foi a marca registrada da 20ª edição da Octobermática, que teve como tema a “Matemática em toda parte”. O evento foi organizado inteiramente por estudantes do 7º período do curso, e muitas atividades também foram realizadas por alunos de outras turmas.  Durante a semana, o público pôde conferir a energia e criatividade dos futuros professores, que trabalharão em sala de aula com muito dos conteúdos apresentados na Octobermática deste ano, dentre os quais se destacam as comunicações e uma peça teatral.

Diversos estandes para a atividade de comunicações foram montados no pátio da FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Diversos estandes para a atividade de comunicações foram montados no pátio da FEUC.
(Foto: Gian Cornachini)

Comunicações

A noite de quarta-feira, dia 2, foi bastante agitada na FEUC. O pátio da instituição estava tomado por estandes montados para mais uma atividade da Semana de Matemática. Eram as “Comunicações”, atividades que têm como objetivo compartilhar o conhecimento da disciplina com os visitantes, como explica o coordenador do curso, Alzir Fourny Marinhos: “As comunicações são os estudantes estarem nos informando sobre determinado conteúdo matemático”, esclareceu o professor.

Grupo da matemática na medicina calculou o IMC e batimentos cardíacos do público.(Foto: Gian Cornachini)

Grupo da matemática na medicina calculou o IMC e batimentos cardíacos do público. (Foto: Gian Cornachini)

Os temas apresentados foram sorteados previamente entre estudantes de todos os períodos da licenciatura, que precisaram montar um trabalho em cima do assunto determinado. A diversidade de estandes era grande, e todos conectavam a matemática em alguma área: nas finanças, na música, no cinema, na feira, no sítio, na história, na geografia, no esporte, entre outras.

O grupo de Andrielly de Sant’Anna Barbosa, do 4º período, montou o estande sobre a matemática na medicina. No trabalho, os estudantes explicaram a relação entre a ciência dos números e a nutrição, cálculos do Índice de Massa Corporal (IMC) e de batimentos cardíacos e questões matemáticas ligadas à simetria de um corpo considerado perfeito.

“Quando ‘caímos’ no tema da matemática na medicina, achamos que seria muito difícil fazer um trabalho em cima disso”, revelou Andrielly. “Então, procuramos trabalhar em algo que dinamizasse a apresentação, para não ficar apenas com um conteúdo teórico. E surgiu a ideia de calcular o IMC dos visitantes e medir a pressão sanguínea”, contou a estudante.

O estande da matemática na comunicação procurou alertar o público quanto às jogadas de marketing de propagandas. O grupo de Rodrigo de Oliveira, do 2º período, analisou os anúncios de produtos parcelados em diversas vezes, em que o preço final aparece escrito em uma fonte bem pequena e o destaque fica no valor da parcela.

“O foco deste tipo de propaganda é atingir o pessoal que tem menor poder aquisitivo, para que eles consigam colocar aquele valor pequeno da parcela dentro de suas possibilidades”, disse Rodrigo.

Estande da matemática na comunicação alertou o público sobre as jogadas de marketing em propagandas de produtos parceláveis com juros.(Foto: Gian Cornachini)

Estande da matemática na comunicação alertou o público sobre as jogadas de marketing em propagandas de produtos parceláveis com juros. (Foto: Gian Cornachini)

Com a apresentação, o grupo de Rodrigo tentou alertar os consumidores quanto ao fato de se deixar levar por um valor de parcela que, ao quitar a dívida, o preço final do produto será bem mais alto que o valor do produto à vista: “Isso é uma forma de persuadir o cliente, trazê-lo para efetuar a compra e, assim, obter um lucro maior sobre a mercadoria”, apontou Rodrigo. “A porcentagem de juros é muito alta, mas se a gente olhar bem, vai encontrar o valor final do produto com os juros das parcelas escondido em algum canto do anúncio. Com isso, é mais fácil de resolver se leva a mercadoria ou não”, esclareceu ele.

Jucimar Alves Peixoto, professora do curso de Matemática, explicou a importância dos trabalhos de comunicações para os licenciandos: “A matemática auxilia em todas as áreas do conhecimento e pode ser trabalhada de maneira transversal nas salas de aula do Ensino Regular”, observou Jucimar. “Hoje em dia, o professor tem que se reinventar para que as aulas sejam mais prazerosas, e nossos estudantes podem desenvolver essas mesmas atividades nas escolas, a fim de que os alunos vejam a matemática em diversas áreas”, ressaltou.

A aluna Patrícia Maria Lima de Oliviera, do 4º período de Pedagogia, conferiu os estandes e participou de jogos lúdicos que diversos grupos aplicavam: “Achei super legal a proposta de colocar a matemática em nosso cotidiano. É mais uma forma para nós, pedagogos, ensinarmos esses conteúdos na sala de aula, principalmente para a educação infantil. Brincando com estes joguinhos, a gente encontra a matemática”, analisou Patrícia.

Apresentação teatral

Na quinta-feira, dia 3, estudantes do curso deram mais um show de como podem aplicar a matemática em diversas áreas e superar a barreira da timidez — característica que atrapalha o professor na sala de aula.

Liderados por Adriano Marcelo Leandro, professor de teatro da FEUC, 20 alunos se envolveram na elaboração, montagem e apresentação de um teatro inspirado em “Poesia Matemática”, do escritor Millôr Fernandes. A obra encenada se apropria de conceitos e fórmulas matemáticas para contar a história de Quociente e Hipotenusa, personagens que se apaixonam e constituem uma família. A rotina do casal desgasta o relacionamento e eles acabam se separando. Hipotenusa, que ainda sente saudades de Quociente, conhece o Máximo Divisor Comum e se entrega a um novo amor. No entanto, seu ex-marido decide reatar o relacionamento e os três acabam formando um triângulo amoroso.

Os estudantes Diego Luís Marinho e Eline Quele, ambos do 5º período, interpretaram os personagens Quociente e Hipotenusa em peça teatral. (Foto: Gian Cornachini)

Os estudantes Diego Luís Marinho e Eline Quele, ambos do 5º período, interpretaram os personagens Quociente e Hipotenusa em peça teatral. (Foto: Gian Cornachini)

Ao fim da apresentação, o professor Alzir não se furtou a elogiar o trabalho feito pelos alunos: “Vocês são o que me faz  viver. A minha vida está com vocês”, declarou o professor, emocionado.

Eline Quele, estudante do 5º período, atuou como a personagem Hipotenusa e disse que o teatro vai ajudá-la a superar a timidez e dar aulas mais seguras: “O mais difícil foi saber que eu iria lidar com o público todo me vendo”, disse Eline. “Mas isso é bom, porque o professor também passa por essa experiência. E eu também fico mais preparada”, destacou Eline.

Máximo Divisor Comum, Hipotenusa e Quociente formam um triângulo amoroso.(Foto: Gian Cornachini)

Máximo Divisor Comum, Hipotenusa e Quociente formam um triângulo amoroso. (Foto: Gian Cornachini)

O estudante por trás do personagem Quociente foi Diego Luís da Silva Marinho, do 5º período. A interpretação foi um desafio para o rapaz: “Foi uma experiência nova e diferente, mas bem proveitosa. Serviu para romper com a timidez que eu tinha e mostrar um lado mais extrovertido”, avaliou Diego. “E eu me senti bem no palco e gostei do meu progresso, desde quando comecei os ensaios e como terminei na peça”, afirmou.

De acordo com o professor Alzir, profissionais da área matemática, geralmente, são mais introvertidos. Esta característica também está presente em uma parte dos licenciandos da FEUC, mas pôde ser mais bem trabalhada em quem participou do teatro. O professor de teatro Adriano Marcelo contou como foi a experiência de liderar e ensaiar esses estudantes: “Ensaiamos durante um mês e fizemos oficinas nas manhãs de sábado para estudar técnicas de concentração e improviso”, disse Adriano. “No começo, a maioria estava muito tímida, mas o trabalho de teatro tem um bom resultado para quem se entrega, e eles se entregaram. Foi muito legal de ver”, reconheceu o professor.

Casamento entre Hipotenusa e Quociente foi um dos pontos altos da peça. (Foto: Gian Cornachini)

Casamento entre Hipotenusa e Quociente foi um dos pontos altos da peça. (Foto: Gian Cornachini)

Protagonista sente saudades do marido que a abandonou após desgaste do relacionamento. (Foto: Gian Cornachini)

Protagonista sente saudades do marido que a abandonou após desgaste do relacionamento.
(Foto: Gian Cornachini)

Cerca de 20 estudantes estiveram envolvidos em peça teatral inspirada em "Poesia Matemática", de Millôr Fernandes. (Foto: Gian Cornachini)

Cerca de 20 estudantes estiveram envolvidos em peça teatral inspirada em “Poesia Matemática”, de Millôr Fernandes. (Foto: Gian Cornachini)

Responsabilidade herdada

É uma tradição a Octobermática ser organizada por alunos do curso de Matemática. A cada ano, a turma que está no 7º período fica responsável por fazer com que o evento aconteça. Para isso, é preciso pensar e acertar tarefas como escolha de palestrantes, de salas, da arte da camisa para uniformizar os participantes e o preparo da festa de encerramento — que nesta edição contou com touro mecânico, pula-pula para adultos, DJ e “foto maluca” (fotografia de pessoas fantasiadas).

Elisabete Pires foi uma das organizadoras da 20ª Octobermática e disse que tentou fazer o melhor trabalho para que a responsabilidade herdada continuasse: “A gente se sente na obrigação de não quebrar essa cultura do curso. Utilizamos o que ficou legal das outras edições, e o que não ficou, a gente tenta fazer diferente para sair uma boa Semana Acadêmica”, explicou Elisabete.

Todo o esforço foi muito gratificante para Vera Lucia Vilasboa, que também participou da organização do evento: “Muita gente estava achando que nós não iríamos conseguir fazer a Octobermática. E ela foi maravilhosa, acima do esperado, algo para a gente olhar e falar assim: ‘conseguimos!’”, comemorou a estudante.

Equipe Branca vence Olimpíadas CAEL 2013

 

Com 40 pontos de diferença da equipe Amarela, equipe Branca conquista medalha de ouro

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

A 23º edição das Olimpíadas CAEL 2013 terminou na manhã de segunda-feira, dia  15, e quem levou o título de campeã dessa vez foi a equipe Branca, que marcou 1.840 pontos. Em segundo lugar ficou a equipe Amarela, com 1.800 pontos, seguida da Azul, com 1.390 pontos, e na última posição a equipe Verde, que marcou 1.370 pontos.

As Olimpíadas CAEL aconteceram durante cinco dias e movimentaram estudantes e professores de todo o Colégio. O principal objetivo do evento é promover a prática de esporte e socialização na escola por meio de diversos atividades como futebol, handebol, queimada, xadrez, pingue-pongue e jogos eletrônicos.

Os alunos foram divididos em quatro equipes competidoras – Amarela, Azul, Branca e Verde – e a Equipe de Apoio, responsável por colaborar com a organização do evento. As quatro equipes competidoras se enfrentaram durante a semana para uma ser declarada a vencedora dessa edição. Cada modalidade esportiva rendeu 100 pontos para a equipe vencedora, 70 pontos para o segundo colocado, 50 para o terceiro e 30 para a última posição. A equipe Branca, que marcou 1.840 pontos, venceu com apenas 40 pontos de diferença sobre a segunda colocada, a equipe Amarela.

Para o professor de Educação Física Luis Claudio Bastos, organizador das Olimpíadas CAEL, o evento atendeu a suas expectativas: “Teve um envolvimento de toda a escola e não ocorreu nenhum problema de briga ou expulsão. As equipes souberam se comportar elegantemente e valorizar a vitória e a derrota”, observou Luis. “Foi bem organizado, uma coisa de integração mesmo, de socialização”, completou.

Para 2014, o professor pretende valorizar aspectos que não tiveram tanta atenção neste ano: “Acho que a gente precisa melhorar o encerramento, fazer uma comemoração e uma festinha para os alunos, porque ficou um pouco a desejar dessa vez”, disse.

Luis ainda chamou a atenção para o envolvimento dos estudantes com as atividades. Para ele, isso foi um dos pontos mais importantes do evento: “Todos levaram muito a sério o que estavam fazendo e de uma maneira bem profissional. Cada um deu a sua contribuição para as Olimpíadas. Achei que isso aí foi positivo demais”, concluiu.

 

Veja momentos durante as Olimpíadas CAEL 2013: