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XVIII Ciclo de História debate questões de Gênero

 

Evento da graduação acontece nos próximos dias 8 e 10 de maio

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Começa na próxima segunda-feira, dia 8 de maio, o XVIII Ciclo de Debates do Curso de História que, nesta edição, discutirá o tema “Gêneros : Novas Perspectivas e Debates”. Nas manhãs e noites dos dias 8 e 10, os estudantes terão oportunidade de participar de mesas-redondas com palestrantes de outras instituições do Rio de Janeiro, como UFRJ e Colégio Pedro II, que virão compartilhar seus conhecimentos e experiências envolvendo o assunto em questão.

De acordo com a professora Marcia Vasconcellos, vice-coordenadora do curso de História das FIC, abordar a temática de gênero é extremamente relevante, dado o contexto de intolerância em que vivemos: “Consideramos esse tema importante porque o preconceito tem ganhado uma dimensão muito grande. Fala-se sobre a questão da reforma do ensino médio e sobre ideologia de gênero nas escolas, mas este já é um conceito equivocado, pois não é uma ideologia, é uma questão real, concreta”, afirma Marcia sobre a existência inquestionável de múltiplas identidades de gênero.

“A gente só vai conseguir ultrapassar o nível da intolerância se debatermos o tema da violência contra a mulher, lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, e ver como trabalhar isso nas escolas, nos colégios, pois a FEUC é a casa do professor e nossos alunos serão futuros professores”, ressalta.

As inscrições para o curso devem ser feita pela internet, na Área Restrita do aluno, ao custo de R$ 5,00. A presença no evento renderá 20 horas de atividades complementares aos participantes.

PROGRAMAÇÃO DO XXVIII CICLO DE DEBATES DO CURSO DE HISTÓRIA

DIA 8 DE MAIO

Manhã – 8h
Abelardo e Heloisa: considerações sobre o corpo, o pecado e a mulher na Idade Media
Palestrante: Manoela Bernardino da Silva (Graduada em História pela Uerj, especialista em Ensino de História/PPGH – Pedro II e professora das redes Municipal e Estadual do Rio de Janeiro)

Noite – 19h
O escola sem partido e a perseguição às discussões de gênero na escola
Palestrante: Fernanda Pereira de Moura (Especialista em gênero e sexualidade pela Uerj e mestra em Ensino de História pela UFRJ)

DIA 10 DE MAIO

Manhã – 8h
Mulheres e a escravidão: passado e presente
Palestrante: Marcia Vasconcellos (Doutora em História Econômica e professora da FEUC  e Uniabeu) – a confirmar

Noite – 19h
Quem tem medo da ideologia de gênero?
Palestrante: Luciana Lins Rocha (Doutora em Linguística Aplicada pela UFRJ e docente do Departamento de Línguas Anglo-Germânicas do Colégio Pedro II)

Com Pós na FEUC e encontro anual, Psicopedagogia ganha visibilidade na Zona Oeste

Com Pós na FEUC e encontro anual, Psicopedagogia ganha visibilidade na Zona Oeste

Curso de especialização da instituição mantém projeto de clínica para atendimento a moradores da região e promove eventos voltados para profissionais que atendem no bairro e adjacências

Por Pollyana Lopes

A partir dos conhecimentos da Psicologia, da Psicanálise e da Pedagogia, a Psicopedagogia é um campo de estudos dedicado aos processos de aprendizagem principalmente de crianças, mas também de adultos. A área é relativamente nova, por isso pesquisas, cursos de formação e atuação profissional chegaram ao Brasil apenas na década de 1970. Também por este motivo, os profissionais ainda batalham juridicamente para ter sua atividade regulamentada. Em 2014, o Senado Federal aprovou o texto que regulamenta a profissão, mas a lei aguarda sanção da Presidência da República.

Apesar de já existirem algumas graduações em Psicopedagogia no Brasil, geralmente, a formação de um psicopedagogo acontece em cursos de pós-graduação especializada, como os oferecidos pela FEUC. Aqui, nós ofertamos os cursos de Psicopedagogia Clínica, mais voltado para a atuação em consultórios e atendimentos individuais; e de Psicopedagogia Institucional, com formação mais direcionada para o trabalho em escolas e empresas, por meio de projetos e prevenção. O curso de Psicopedagogia Clínica conta com carga horária de 660 horas/aulas, já o Institucional tem 360 horas/aulas. Ambos são voltados a portadores de diploma de graduação de uma maneira geral, e, em especial, pedagogos, psicólogos, professores, fonoaudiólogos, médicos, terapeutas e psicanalistas.

 Responsabilidade Social e aprendizado na clínica

 Dentre as disciplinas do curso de pós-graduação em Psicopedagogia Clínica, destacam-se quatro Estágios Supervisionados, que podem ser cumpridos externamente, em consultórios particulares, ou aqui na FEUC. Com acompanhamento da professora Leila Queiroz Evaristo da Silva, coordenadora do curso, estudantes matriculados em estágios III e IV fazem atendimentos gratuitos a crianças da região. Quem faz estágio III trabalha o diagnóstico da criança, e quem cursa estágio IV atua na intervenção do processo de aprendizagem.

"O lúdico desenvolve a afetividade e o cognitivo", explicou a professora Leila. (Foto: Pollyana Lopes)

“O lúdico desenvolve a afetividade e o cognitivo”, explicou a professora Leila. (Foto: Pollyana Lopes)

“Quando nós fazemos o trabalho psicopedagógico, nós fazemos uma análise, que é o que chamamos de diagnóstico, para poder entender como aquele aluno aprende, ou o que dificultou a sua aprendizagem. Podem ser questões emocionais, neurológicas, patológicas. E o psicopedagogo tem essa função, de descobrir, de diagnosticar o que o estudante tem e o que interfere na sua aprendizagem. A partir disso, a gente cria estratégias onde nós vamos trabalhar a intervenção dessa aprendizagem. Isso se dá através de jogos e atividades que façam com que ele desenvolva o aprendizado, principalmente da leitura e da escrita”, explica a professora Leila.

 

O atendimento feito pelas estagiárias acontece individualmente com as crianças. Porém, por entender a importância de trabalhar o comportamento das crianças em coletivo, assim como a proximidade afetiva com os pais, a professora Leila organizou oficinas de brincadeiras. Durante uma hora e meia, crianças e mães que são atendidas pelo projeto brincam de jogo da memória, rabo de foguete, dominó e tangram, entre outros.

Estagiárias, mães e crianças atendidas pelo projeto. Todos se divertiram na oficina. (Foto: Pollyana Lopes)

Estagiárias, mães e crianças atendidas pelo projeto. Todos se divertiram na oficina. (Foto: Pollyana Lopes)

 “Para mim foi bom porque eu brinquei com o meu filho de uma forma que eu não brinco em casa. Eu normalmente não tenho esse tempo, eu tenho outra menina também e eles acabam brigando. E aqui brincamos eu e ele. Para mim foi ótimo, foi uma coisa que não acontecia há bastante tempo”, contou Gisele Ramos Viana, mãe do Ryan Alex Viana Diniz.

“O afeto faz a criança se desenvolver, faz até a gente, enquanto adulto, se desenvolver e perceber quem é o nosso filho, quem somos nós nesse dia-a-dia, nesse corre-corre”, explicou, às mães, a professora Leila. “A gente cresce, mas não devemos deixar de brincar, porque o brincar é importante e essencial na nossa vida. Ele estimula, nos traz alegria, faz com que a gente extravase energias, faz a gente ficar mais leve”, acrescentou.

 Encontro Psicopedagógico

 Mais uma atividade desenvolvida pelo curso é o Encontro Psicopedagógico, que este mês realizou sua segunda edição. Voltado não apenas para os estudantes do curso de pós-graduação da FEUC, mas também psicopedagogos já formados, fonoaudiólogos e professores que atuam na região, o evento debateu temas pertinentes à área, projetos que dão certo e também trouxe histórias de profissionais de êxito.

Público do encontro esteve atento foi participativo. (Foto: Pollyana Lopes)

Público do encontro esteve atento e foi participativo. (Foto: Pollyana Lopes)

“O psicopedagogo de Copacabana, Botafogo, da Zona Sul em geral, já tem um nome, é reconhecido, é procurado. Nossa região também tem esses profissionais, mas eles estão quietinhos, escondidos, enquanto fazem um trabalho belíssimo. Eu tive uma preocupação de escolher profissionais da nossa região, que fazem esse trabalho e que muitas vezes não conhecemos”, explicou a professora Leila.

 Neste ano, no sábado inteiro de palestras, foram discutidos temas como educação especial e inclusiva, dislexia, paralisia cerebral, transtorno de conduta, a nova Lei Brasileira de Inclusão e dificuldades da aprendizagem na escrita.

Professora Leila destacou, durante o encontro, a importância de valorizar o profissional da região. (Foto: Pollyana Lopes)

Professora Leila destacou, durante o encontro, a importância de valorizar o profissional da região. (Foto: Pollyana Lopes)

Uma das palestrantes foi a professora da FEUC Maria José Brum, que é especialista em Libras e em Educação Especial e Inclusiva. Ela falou sobre os temas que estuda e ensina, e explicou o papel da escola na construção de uma sociedade mais igualitária.

 “Tudo parte da escola. A escola é o espaço de formação dos cidadãos, de formar os indivíduos, da cidadania. Mas há aquelas escolas que transformam a realidade do indivíduo, e há aquelas escolas que ainda reproduzem o que existe. Mas quem é a escola? A escola somos nós. E quando falamos sociedade, também somos nós”, analisou Maria José.

Professora Maria José explica a diferença entre exclusão, segregação, integração e inclusão. (Foto: Pollyana Lopes)

Professora Maria José explica a diferença entre exclusão, segregação, integração e inclusão. (Foto: Pollyana Lopes)

Outra palestrante foi Carla Silva, psicopedagoga atuante na região, que é especialista em Educação Infantil e em Educação Especial e Inclusiva. Ela falou sobre a dislexia, um transtorno decorrente de uma formação diferenciada de uma parte do cérebro, que dificulta a decodificação de códigos enviados durante o estudo e, assim, causa problemas na aprendizagem escolar, principalmente na leitura, escrita e soletração. Carla começou mostrando uma imagem que questiona o que não é “dislequisia”, que ela prontamente respondeu:

 “Insuficiência pedagógica não é dislexia. Eu recebo muitas crianças no consultório com queixa de alfabetização. E quando a gente vai investigar, na escola, com os pais, o material escolar, a proposta que o professor está trabalhando, é uma proposta que não atende as necessidades daquela criança. E quando você começa a trabalhar de uma forma que alcança a necessidade da criança, ela começa a aprender. E aí somem todos os problemas. O que a gente percebe é que muitas vezes as propostas pedagógicas não são pensadas para alcançar todos e sim a maioria”, explicou.

Carla Silva, que o I Encontro Psicopedagógico falou sobre o método das boquinha, este ano apresentou alguns aspectos pertinentes à dislexia. (Foto: Pollyana Lopes)

Carla Silva, que o I Encontro Psicopedagógico falou sobre o método das boquinha, este ano apresentou alguns aspectos pertinentes à dislexia. (Foto: Pollyana Lopes)

Serviço

 O atendimento psicopedagógico gratuito acontece às quintas e sextas-feiras, de 16h30 às 19h. Já os cursos de pós-graduação em Psicopedagogia Clínica e Psicopedagogia Institucional irão abrir inscrições em dezembro, com previsão de início das aulas para março.

Psicopedagogia - zona oeste (5)

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Seletro aproxima estudantes do mercado de trabalho

A 6ª Semana dos cursos Técnicos em Automação Industrial e Eletrotécnica do CAEL trouxe temas relevantes e visão de mercado aos estudantes

Por Pollyana Lopes

Aconteceu, nos dias 13 e 14 deste mês, a 6ª Semana dos cursos Técnicos em Automação Industrial e Eletrotécnica do CAEL, a Seletro VI. O evento é mais uma das atividades desenvolvidas pela escola no sentido de debater temas atuais e relevantes para suas áreas de formação, e de aproximar os estudantes do mercado de trabalho. Nas palestras, foram discutidos temas como Sistemas de Posicionamento Dinâmico Offshore, Energias Alternativas e os Sistemas de Interface Homem Máquina.

Luiz Fernando Freire atualmente trabalha em um empresa de automação e falou sobre softwares de Sistemas de Supervisão e Aquisição de Dados. (Foto: Pollyana Lopes)

Luiz Fernando Freire atualmente trabalha em um empresa de automação e falou sobre softwares de Sistemas de Supervisão e Aquisição de Dados. (Foto: Pollyana Lopes)

O objetivo do evento, como explica o professor e coordenador do Técnico em Eletrotécnica, Diógenes Rocha, é apresentar, aos estudantes, a visão de profissionais experientes sobre o mercado. “O objetivo é justamente orientar, mostrar a vida profissional aos estudantes para que eles tenham uma noção do que eles vão encontrar lá fora, do que realmente faz aquele profissional, do que é exigido dele, quais atribuições ele recebe, e quais qualificações são importantes”.

A iniciativa é enaltecida pelos palestrantes. “Eu acho muito bacana essa troca de conhecimento, e deveria ser uma coisa constante. O aluno não precisa se deslocar para fazer uma orientação profissional com psicólogo se na escola ele tem uma semana em contato com diversos profissionais, de diversas áreas, para poderem orientar os jovens”, comentou Artur Cesar de Oliveira Ribeiro, engenheiro de Automação e Controle, que falou sobre Energias Alternativas.

Artur Cesar trouxe, para mostrar aos estudantes, o protótipo de placa de energia solar, que o professor Diógenes Rocha exibe orgulhoso. (Foto: Pollyana Lopes)

Artur Cesar trouxe, para mostrar aos estudantes, o protótipo de placa de energia solar, que o professor Diógenes Rocha exibe orgulhoso. (Foto: Pollyana Lopes)

Artur também defendeu a importância de sua área justificando que o país precisa diversificar a matriz energética para modos de produção com menos impactos ambientais. O tema despertou o interesse de estudantes como Erickson Rafael Villa de Oliveira, do 3º ano de Informática que, ao final da palestra, foi conversar com o palestrante sobre as placas de energia solar que ele viu em Campo Grande e sobre modos mais eficientes de utilizá-las. “Eu me interesso bastante pelo tema energia alternativa, ainda mais para analisar o aspecto político delas no Brasil”, declarou.

Mais um palestrante que aprova e estimula eventos como a Seletro é Luiz Antônio Pereira de Azevedo, que é engenheiro de Sistemas de Computação e trabalha em uma empresa petrolífera com ênfase em aplicações offshore e só este ano conseguiu um espaço na agenda para, enfim, aceitar o convite da professora Kattia Medeiros, Coordenadora dos Cursos Técnicos em Eletrônica e Automação. “Eu não tive, na minha época, essa oportunidade de alguém vir e fazer uma palestra sobre o mercado de trabalho. Então eu acho muito importante tentar passar um pouco da minha experiência, da minha vivência, para os alunos que estão prestes a entrar nesse mercado”, revelou.

Luiz Antônio destacou, em sua fala, a importância da postura profissional ética e pró-ativa dentro no ambiente corporativo. (Foto: Pollyana Lopes)

Luiz Antônio destacou, em sua fala, a importância da postura profissional ética e pró-ativa dentro no ambiente corporativo. (Foto: Pollyana Lopes)

Luiz Antônio também destacou um aspecto importante para os estudantes do CAEL: “A formação em nível técnico é fundamental. Na minha visão, hoje, o Brasil precisa de mais técnicos, não de muitos engenheiros”, avaliou.

A Seletro VI contou, ainda, com um churrasco de confraternização animado e informal, como encerramento.

Jogos, números e aprendizados

 

A XXII Octobermática trouxe o lúdico para o centro do debate sobre novas metodologias no ensino de Matemática

Por Pollyana Lopes e Gian Cornachini
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emfoco@feuc.br

Os alunos fazem quase tudo: organizam as palestras, ministram oficinas, preparam materiais para serem apresentados nos estandes, enchem bolas de ar e coordenam as presenças. A XXII Octobermática ofereceu aos estudantes de Matemática não apenas palestras com profissionais de renome e temas relevantes, mas também um exercício de protagonismo na própria formação.

Camisa azul do evento destacou-se no auditório e no pátio da FEUC. (Foto: Pollyana Lopes)

Camisa azul do evento destacou-se no auditório e no pátio da FEUC. (Foto: Pollyana Lopes)

Na divisão das tarefas, os afazeres são claros e envolvem os estudantes de todos as turmas: os mais experientes, do 7º período, definem o tema, delegam as funções e controlam a presença dos alunos; os estudantes do 6º período preparam e ministram oficinas; quem está no 5º período fica incumbido de encenar uma peça teatral; e os demais são responsáveis pelos estandes. Com o trabalho partilhado, a participação e a presença de todos se torna ainda mais importante, como ressalta Ana Carla Pimentel de Albuquerque: “Nós, do 7º período, temos o privilégio de estar à frente organizando, mas isso é um trabalho em equipe que envolve todos, porque se um período não compartilhar da mesma ideia, da mesma vontade, já não sai da mesma forma, não sai com aquele brilho”.

Pois foi com brilho e muita alegria que tudo transcorreu. O lúdico não esteve presente apenas nos temas, mas também na descontração dos palestrantes e no trato entre alunos e professores, que se misturavam e se confundiam, todos com a camisa azul do evento deste ano. Um exemplo foi a professora Aline de Queiroz, que é formada em Tecnologia em Processamento de Dados e em Matemática, e dá aulas de Informática Educativa e Educação, Comunicação e Tecnologia. Interessada pelo tema, ela ouvia atentamente as explicações dos alunos sobre os jogos criados por eles: “Eu gosto muito de tudo o que tem a ver com jogo e Matemática, e acho muito interessante porque é esse tema que eu pesquiso no mestrado. Eu criei um jogo de tabuleiro virtual chamado ‘Avançando na Matemática’ – que tem foco nas operações multiplicativas – e apliquei aqui no CAEL. Você pode construir o conhecimento do aluno pelos jogos. O lúdico é prazeroso e é conhecimento!”, reforçou.

Palestras

"A ordem dos tratores não altera o viaduto". Essa e outras frases divertidas deram graça a palestra de Lucinha, como é conhecida Lúcia Villela.

“A ordem dos tratores não altera o viaduto”. Essa e outras frases divertidas deram graça a palestra de Lucinha, como é conhecida Lúcia Villela.

O tema da palestra era sisudo, o nome da palestrante inspirava respeito e seu currículo é de referência, mas a descontração de Lúcia Maria Aversa Villela, professora na UERJ, demonstrou, assim como o tema do evento, que é possível aprender matemática com diversão. Em meio a trocadilhos como “a ordem dos tratores não altera o viaduto”, ela falou sobre “História da Educação Matemática na formação de um professor: para que serve?!”, na qual diferenciou a história da Matemática e a história da educação matemática para apresentar aos futuros professores questões que problematizam o conteúdo que eles ensinarão em sala de aula.

Ela, que se define como Chacrinha – “o que eu quero é levantar questões, e não responder” – reforçou a necessidade de se pensar sobre a própria atuação a partir da história da Matemática: “O que é história da Matemática e como nós podemos utilizá-la? Apenas como alegoria, dando exemplos de tempos remotos, ou como curiosidade? Ou como mote de reflexões sobre a sua prática docente? Quem sabe, ainda, como disparadora para perceber o seu papel na profissão?”. A partir disso, ela explicou que “é importante efetuar um trabalho que atribua sentidos ao passado e ao presente, transformando esses materiais em reflexões sobre muitos aspectos”.

Com canal de vídeos de sucesso, youtuber Rafael Procópio ensina Matemática de forma divertida. (Foto: Gian Cornachini)

Com canal de vídeos de sucesso, youtuber Rafael Procópio ensina Matemática de forma divertida. (Foto: Gian Cornachini)

Matemática além do espaço físico da escola foi assunto central da palestra de Rafael Procópio, criador do canal de vídeos no YouTube “Matemático Rio”, onde posta aulas divertidas e com a finalidade de despertar o interesse do público pela área. Atualmente, o canal conta com cerca de 200 mil seguidores, e os passos para o sucesso foram revelados ao público da Octobermática. Segundo Rafael, o que conta em um canal educacional é o conteúdo: “Se você tem um conteúdo bom e atraente, o canal vai dar certo. Outra coisa é a consistência e a periodicidade das postagens”, atentou Rafael, que também deu dicas sobre técnicas de filmagem: “A primeira coisa é comprar um microfone, e não uma câmera. Você pode usar a câmera que tiver, mas áudio ruim cria incômodo e a galera vai sair do vídeo. Conforme o seu canal for crescendo, você vai investindo em equipamento”.

Mostra de trabalhos

A programação da XXII Octobermática manteve reservadas a manhã e a noite de um dia exclusivamente para os estudantes mostrarem, na prática, como é possível aprender brincando. Na apresentação de trabalhos nos estandes, turmas do 1º, 2º, 3º e 4º períodos exibiram os jogos que eles mesmos produziram. Teve versão fracionada de sudoku, espécie de quebra-cabeça baseado na colocação lógica dos números; explicações sobre o sorobán, ábaco que funciona na base cinco; e até pegadinhas, como na mágica dos números, em que o participante mentaliza um número aleatório, faz um determinado cálculo e o resultado da conta tem um símbolo que é adivinhado.

Grupo de Felipe Braga propôs jogo matemático de cartas. (Foto: Gian Cornachini)

Grupo de Felipe Braga propôs jogo matemático de cartas. (Foto: Gian Cornachini)

O estudante Felipe Braga, do 2º período, propôs com seu grupo um jogo matemático de cartas com a finalidade de ajudar estudantes a assimilarem os conceitos da aritmética básica: “A gente trabalhou conhecimentos sobre adição com alunos do primeiro segmento pelo método da diversão, e foi uma experiência enriquecedora, no sentindo de que eu, como futuro professor, aprendi mais um método de transmitir o conhecimento que eu adquiri”, destacou ele.

Já a aluna Caroline Santana Ferreira, do 4º período, levou com sua equipe tabuleiros de xadrez e dama para extrair desafios e cálculos matemáticos desses jogos: “O tabuleiro é uma forma geométrica dividida em outras formas geométricas. Cada peça se move de maneira diferente, e essas formas se relacionam com fórmulas matemáticas. Isso estimula o aluno e ele aprende a se concentrar com o jogo e aplicar a matemática sem se dar conta”, notou ela.

Segundo a aluna Caroline Santana, os estudantes aprendem matemática com o xadrez sem perceberem. (Foto: Gian Cornachini)

Segundo a aluna Caroline Santana, os estudantes aprendem matemática com o xadrez sem perceberem. (Foto: Gian Cornachini)

Amanda Silva, estudante do 1º ano do técnico em Química do CAEL, visitou os estandes e participou de algumas brincadeiras: “Achei legal, raciocinei bastante. Sempre fui meio lerda para a Matemática, e aqui foi legal. São técnicas que podem ajudar”.

Professor do curso de Matemática das FIC, Leandro Silva Dias explica que o debate sobre os jogos na Matemática é importante por dois motivos: “O tema é relevante porque na educação básica não basta para o aluno ter aula teórica de Matemática, ele tem que ter algo que tenha significado para que ele aprenda as operações matemáticas de forma completa”, afirma o professor. “E para os alunos daqui é importante eles aprenderem sobre isso, porque eles vão ser futuros professores de Matemática, terão que lidar com essas dificuldades e poderão criar os seus próprios jogos que tragam ganho na educação desse aluno”.

Teatro revelou ator inusitado

Como de costume, o público da Octobermática sempre pode contar com uma belíssima peça teatral encenada no encerramento do evento. Os estudantes do 5º período é que ficam responsáveis por criar a história e dar um show de talentos. Este ano, a peça apresentada foi “A Liga da Justiça Matemática”, com um enredo marcado por super-heróis das operações matemáticas em busca da real identidade por trás do vilão que roubou as tabuadas impressas – consideradas relíquias hoje em dia. Como o teatro já foi encenado, e no ano que vem uma nova história irá abrilhantar o palco do Auditório da FEUC, não considere a revelação como “spoiler”: Alzir Fourny, coordenador do curso, foi o culpado pelo sumiço das tabuadas! Estreando nos palcos, o querido professor se emocionou ao fim da peça e revelou a satisfação pelos estudantes darem a oportunidade de ele fazer algo novo em sua vida: “Estou com 63 anos e nunca fiz uma peça. Mas é um aprendizado. E quem proporcionou isso? Vocês, a Octobermática. Foi difícil me empenhar aqui na frente e decorar o texto. Mas vocês e todos que estão aqui vão ficar para sempre na minha mente. E sempre vou lembrar dessa oportunidade de participar desse momento. É o primeiro, e quero estar em todas as peças. Obrigado por tudo, a semana foi maravilhosa!”.

Em sua primeira peça de teatro, professor Alzir estreou como vilão. (Foto: Gian Cornachini)

Em sua primeira peça de teatro, professor Alzir estreou como vilão. (Foto: Gian Cornachini)

Encontro de Ciências Sociais e Geografia traz violações socioambientais no Rio para o centro do debate

 

Evento, que reuniu professores e estudantes da casa e recebeu pesquisadores e militantes, terminou com divulgação de carta em repúdio às intervenções que o Rio vem sofrendo 

Por Gian Cornachini, Pollyana Lopes e Tania Neves
emfoco@feuc.br

Os cursos de Ciências Sociais e de Geografia das FIC mantiveram a parceria na produção de seus eventos em 2015. O XVII Encontro de Ciências Sociais e a XVI Semana de Geografia e Meio Ambiente anconteceram conjuntamente nos dias 1, 2 e 3 de junho, nesta semana. Com o tema “Intervenções e violações socioambientais no estado do Rio de Janeiro no século XXI”, o evento contou com profissionais de diferentes áreas, que trouxeram distintas abordagens sobre a geografia, a política, as questões sociais e econômicas do estado do Rio de Janeiro.

Geotecnologias e espacialidades fluminenses

A primeira palestra foi mais voltada para as questões da Geografia. Com o tema “Geotecnologias e espacialidades fluminenses”, a mesa-redonda teve a participação do professor da UERJ Vinicius da Silva Seabra, do professor da FAETEC Elton Simões Gonçalves e do geógrafo do Instituto Pereira Passos (IPP) João Grand Júnior. Os dois primeiros apresentaram análises sobre a geografia do leste fluminense: Vinícius mostrou diferentes pesquisas sobre a região feitas sob distintos aspectos (hidrográfico, físico, socioeconômico) que utilizam algum tipo de geotecnologia, principalmente o Sistema de Informações Geográficas (SIG); e Elton mostrou um pouco da sua pesquisa para a dissertação de mestrado sobre a Bacia do Rio São João e explicou como o trabalho só foi possível com o uso de determinas geotecnologias. Já João Grand expôs algumas ferramentas geotecnológicas aplicadas nas pesquisas do instituto.

A relação da geografaia rural com as geotecnologias foi o tema do mestrado de Elton Simões Gonçalves, que ele apresentou no evento. (Foto: Pollyana Lopes)

A relação da geografaia rural com as geotecnologias foi o tema do mestrado de Elton Simões Gonçalves, que ele apresentou no evento. (Foto: Pollyana Lopes)

Tratando assuntos diferenciados, sob olhares heterogêneos, os participantes da mesa foram unânimes em defender o uso das geotecnologias, lembrando que estas são facilitadoras do trabalho dos geógrafos e que elas têm aplicação em várias outras áreas do conhecimento. “Eu costumo dizer que as geotecnologias não trazem nenhum tipo de dado novo para as questões que são geográficas, porque essas questões sempre existiram e sempre foram trabalhadas na geografia. O que acontece é que as geotecnologias otimizam os processos mercadológicos utilizados pelas geografia”, explicou o professor Victor.

Marildo pontuou ao longo do século XX o processo de expansão do capitalismo e suas consequências arrasadoras na vida urbana. (Foto: Gian Cornachini)

Marildo pontuou ao longo do século XX o processo de expansão do capitalismo e suas consequências arrasadoras na vida urbana. (Foto: Gian Cornachini)

“Uma cidade em que todos não cabemos não vale a pena”

A noite do primeiro dia do encontro rendeu bastante discussão entre os palestrantes convidados e os estudantes presentes. Pós-doutor em Filosofia e professor da UFRJ, Marildo Menegat iniciou o debate sobre a temática “O papel do Estado e da sociedade civil na atual fase de mercantilização da cidade”. Didaticamente, ele pontuou ao longo do século XX o processo de expansão do capitalismo e suas consequências arrasadoras na vida urbana. De acordo com o professor, esse modelo econômico se apropria das grandes cidades para realizar imensas obras de infraestrutura, tornando o Estado endividado e dependente de financiamentos do capital: “Na medida em que o capitalismo não se torna mais rentável apenas nas quatro paredes de uma fábrica, ele precisa tornar o espaço urbano rentável”, sugeriu Marildo. “Estados Unidos, Japão e Grécia hoje estão com dívidas acima do seu PIB. Eduardo Paes vai deixar o Rio de Janeiro com uma grande dívida. Uma vez que o capital se torna financeirizado, ele vai forçar o Estado a se endividar. O problema não é o dirigente do Estado, mas esse modo de vida social, e que a gente não pode aceitar de forma natural, porque uma cidade em que todos nós não cabemos não vale a pena”, criticou o professor.

Marildo também lembrou que vivemos uma situação de liberdade se comparado ao mundo escravista, mas que ainda continuamos reféns de um sistema segregador: “A reprodução dessa sociedade já não cabe a todos nós. Uma parte significativa está sendo esmagada, e suas vidas não valem nada. No Brasil, morrem de forma violenta 54 mil pessoas por ano: jovens de 15 a 25 anos, do sexo masculino e negros. E a sociedade não se comove porque incorporou a ideia de que a vida dessas pessoas marginalizadas não vale nada”, destacou o professor. “Diante de um mundo em que não cabemos todos, ele produz vários mecanismos inteligentes que fazem uma seleção por meio de assassinatos, moradias… A realidade não é nada razoável, é péssima. E podemos ser pessimistas, porque isso nos deixa lúcidos para percebermos o mundo”, apontou.

Sandra sugeriu que a luta e resistência são as maiores armas para mudar a história. (Foto: Gian Cornachini)

Sandra sugeriu que a luta e resistência são as maiores armas para mudar a história. (Foto: Gian Cornachini)

Diante deste cenário desenhado por Marildo, a economista Sandra Quintela, do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS), sugeriu que a luta e resistência ainda são as maiores armas para tentar mudar os rumos da história: “O grande desafio da gente é a luta nos territórios para fortalecer as resistências que existem e garantir modos de viver diferentes desse imposto pelo capital, que passa por cima de tudo”, lançou ela. O estudante André Germano, do 3º período de Geografia, expôs sua frustração em não conseguir ver em sua região grupos se manifestando: “A gente não consegue reunir essas pessoas para a resistência. Parece que nada vai dar certo. Queria que vocês falassem para a gente o modo como podemos fazer isso, porque para mim é dar um tiro no escuro”, lamentou ele.

Um caminho proposto para driblar o cenário atual foi belamente sugerido pela aluna Rosangela Godinho, do 7º período de Ciências Sociais. Emocionada, ela não quis fazer pergunta aos palestrantes, mas externar a sua esperança na educação como fator de transformação da sociedade: “O capital quer nos amedrontar e dizer que a nossa luta não vai dar em nada, mas temos que nos unir. Tentar ouvir tudo o que foi dito em uma palestra é o começo do começo. Essa oportunidade que a gente tem aqui é de ouro. Somos um curso de licenciatura e a gente vai estar em sala de aula, e é lá que vão começar os primeiros passos de uma modificação, que é possível sim!”, apontou Rosangela. “Se o mundo mais justo se chama ‘loucura’, então celebro essa loucura e digo que sou louca todos os dias”, concluiu a estudante.

Rosangela: "O capital quer nos amedrontar e dizer que a nossa luta não vai dar em nada". (Foto: Gian Cornachini)

Rosangela: “O capital quer nos amedrontar e dizer que a nossa luta não vai dar em nada”. (Foto: Gian Cornachini)

Violações socioambientais: lutas e resistências

Outro momento de destaque durante a Semana de Geografia e Ciências Sociais foi a noite do segundo dia do evento, que trouxe para o debate “Resistências rurais e urbanas aos impactos socioambientais no Estado do Rio de Janeiro”. O palestrante Luiz Otávio Ribas, representante do coletivo nacional de Direitos Humanos do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), chamou a atenção dos estudantes para populações que sofrem com obras arbitrárias do Governo com a promessa de solucionar questões hídricas. Ele destacou a barragem no rio Guapiaçu, no município de Cachoeiras de Macacu (RJ), como um projeto repleto de irregularidades que afetam diretamente a vida e propriedades de 3 mil pessoas, além de 15 mil trabalhadores.

Assista ao curta “Guapiaçu: Um Rio (de Janeiro) Ameaçado”

“As barragens são construídas com escolhas que envolvem uma política pública e de desenvolvimento econômico. Privilegiam áreas do estado que são terras onde o povo trabalha e que ficam bastante afastadas das políticas de incentivo à produção agrícola”, observou Luiz. “O MAB entende que é a luta que transforma, mas ainda assim não há segurança de que a mobilização possa garantir os direitos das pessoas atingidas. Só que a Justiça tem usado dos nossos relatórios para fazer as indenizações, e isso já é motivo para festejar”, destacou ele.

E nada melhor que uma vítima direta dos impactos socioambientais para contar seus dilemas diários de resistência. O pescador Alexandre Anderson, da Associação Homens do Mar da Baía da Guanabara (AHOMAR), apresentou o vídeo “Rio: Baía de todos os perigos!” – que resume a luta de sua comunidade – e relatou os impactos que os pescadores vêm sofrendo com a poluição e industrialização da Baía de Guanabara, e a presença da Petrobras com seus terminais, refinarias e dutos.

Assista ao documentário “Rio: Baía de Todos os Perigos”

Alexandre luta pelo direito de continuar pescando na Baía da Guanabara. (Foto: Gian Cornachini)

Alexandre luta pelo direito de continuar pescando na Baía da Guanabara. (Foto: Gian Cornachini)

“No final dos anos 90, a gente ocupava 70% do espelho d’água da Baía de Guanabara. Depois de 2010, a gente passou a ocupar só 12%. Hoje, pesca-se 80% menos que pescava em 2000. A Baía de Guanabara está sendo tomada por uso industrial, e o que queremos é o direito de continuar fazendo o que os nossos avós e tataravós faziam de maneira digna, em nosso ambiente local”, ressaltou Alexandre.

O pescador mostrou fotos de manifestações da AHOMAR e lembrou da perseguição que sofrem na luta pelo direito a um meio ambiente limpo e um mar próspero para o exercício de sua profissão: “’Só’ fui preso 12 vezes, e absolvido as 12. Tive cinco companheiros assassinados, quatro em militância. Mas a gente não para, e por isso que um dos únicos lugares que não deixo de ir para dar palestra é na academia, porque é daqui que sai a nossa voz”, valorizou ele.

Gratificada com a militância de Alexandre, a estudante Gabriela Barboza da Silva, do 3º período de Geografia, solicitou um espaço para agradecê-lo: “O que seria da sociedade sem um Alexandre? O que seria do mundo sem aquele que grita pela natureza? Eu não tenho a garra de sofrer um tiro como ele, mas tenho de chegar na sala para instruir o meu aluno a não poluir. Na minha vida acadêmica vou falar eternamente sobre você. Meus parabéns!”.

A aluna Gabriela agradeceu ao pescador Alexandre pela resistência de sua comunidade. (Foto: Gian Cornachini)

A aluna Gabriela agradeceu ao pescador Alexandre pela resistência de sua comunidade. (Foto: Gian Cornachini)

Nas sessões dedicadas a trabalho de alunos… o dedicado trabalho de alunos!

A manhã e a noite do último dia ficaram reservadas para as apresentações de trabalhos de alunos – que foram muitos e de extrema qualidade, como frisou a professora Gisele Miranda, que coordenou um dos eixos temáticos na terça à noite: “Vocês estão todos de parabéns. Fizeram uma belíssima participação neste encontro acadêmico. É este mesmo o momento de fazerem suas primeiras apresentações, perderem a timidez. Estou orgulhosa”, disse.

Como não se orgulhar vendo o entusiasmo de estudantes que saíram das salas de aula e foram pesquisar a história e os problemas do entorno de onde vivem, já pensando em como sensibilizar seus futuros alunos para a preservação do meio ambiente e a produção de conhecimento sobre sua região e sua condição? Foi o caso do grupo de Daniele Lourenço, Leyduane Paula, Priscila Ribeiro e Tamiris Sena, graduandos de geografia, que apresentaram o trabalho “Dinâmica fluvial e a escola: o ensino da educação ambiental através da Geomorfologia fluvial”, em que mostraram a situação de degradação do rio Cabuçu e contaram sobre o trabalho desenvolvido com alunos da região, levando-os para observar o rio e entenderem que aquele é o resultado do que as pessoas fazem com a natureza – mas que pode ser diferente.

Pedro e Rosangela apresentam trabalho sobre barra de Guaratiba

Pedro e Rosangela apresentam trabalho sobre barra de Guaratiba. (Foto: Tania Neves)

Pedro Pimenta e Rosangela Goldinho, graduandos de Ciências Sociais, abordaram “Guaratiba – Aspectos urbanos numa região rural”, levantando um pouco da história e mostrando como uma espécie de “urbanização forçada” pode ser a raiz da maior parte dos problemas vistos hoje na região. Na pesquisa, os estudantes observaram lá nos anos 1940, quando foi construído o polígono de tiro e a ponte da Marambaia, o mesmo tipo de discurso que hoje justifica as grandes obras em andamento: “Lá era um discurso sobre proteger o litoral, e com isso construíram a ponte e o polígono e mudaram completamente a cara da região. Antes havia pescadores que trocavam produtos com agricultores. Para realizar essas grandes construções, usaram esses pescadores como mão de obra, e as colônias de pescadores praticamente acabaram, descaracterizando completamente a região. Ao fim das obras, foram abandonados”, relatou Pedro.

Lançamento da Khóra e Carta de Repúdio para as redes

A noite de encerramento XVII Encontro de Ciências Sociais e a XVI Semana de Geografia e Meio Ambiente contou ainda com o lançamento do segundo número da Revista Khóra, que já pode ser acessada no link http://www.site.feuc.br/khora. Os professores Flávio Pimentel (Pedagogia), Mauro Lopes (Ciências Sociais), KhoraRosilaine Silva (Geografia) e Natália Faria (História), citaram os artigos de professores e alunos de seus  cursos incluídos na revista e fizeram um chamamento geral para que todos enviassem propostas de artigos e outras contribuições para o terceiro número, que deve ser lançado durante o Fórum de Educação, Ciência e Cultura, no segundo semestre: “Estamos de braços abertos para receber publicações tanto de professores quanto de alunos”, disse Flávio. “Vamos aproveitar este momento: quem está entregando suas monografias, converse com o orientador sobre a possibilidade de submeter uma parte para publicação na Khóra”, convidou Mauro.

Por fim, a professora Célia Neves, coordenadora do curso de Ciências Sociais, fez um balanço do evento, considerando que o Encontro de Ciências Sociais e a Semana de Geografia mostraram um grande vigor ao mergulhar na produção de conhecimento feito de forma coletiva , ressaltando que esta é a única boa ferramenta para a luta e a militância por um mundo mais justo. “Saímos daqui esperançosos, do verbo esperançar, como Paulo Freire nos ensinou”, disse a professora, que em seguida leu a “Carta em repúdio às intervenções e violações no Rio de Janeiro” (título provisório), escrita a muitas mãos na tarde de quarta-feira, como fruto das intensas discussões realizadas no encontro e tentando refletir o sentimento de indignação coletiva que envolveu todos os que presenciaram os relatos sobre as violações ambientais que o Rio vem sofrendo. A carta será digitada e divulgada nas redes sociais nos próximos dias.

Bolsistas do PIBID-FEUC participam de evento na UFRRJ

Alunos de diversas licenciaturas das FIC apresentaram comunicações sobre as fases iniciais dos projetos que já estão desenvolvendo junto a escolas públicas da região

 

Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

Um animado grupo de estudantes das FIC esteve esta semana na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), nos dias 21 e 22 de outubro, apresentando comunicações sobre os projetos das licenciaturas da faculdade que estão sendo desenvolvidos no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), durante o I SIPIBID – Seminário Institucional do PIBID (Edital 2013), com o tema “Concepções Formativas na Iniciação à Docência”.

Aluno do 5º período de Matémática nas FIC, Alexandre Ferreira apresenta sua comunicação diante do público no Auditório da UFRRJ. Foto de Acervo Pessoal

Observado por colegas que depois também falariam, o aluno do 5º período de Matemática Alexandre Ferreira da Cunha apresenta sua comunicação no Auditório da UFRRJ. Foto de Acervo Pessoal

Segundo a coordenadora do PIBID-FEUC, professora Maria Licia Torres, com exceção de Pedagogia, todas as licenciaturas com projetos no PIBID enviaram alunos para o evento da Rural: “O pessoal de Pedagogia está muito envolvido com um outro evento e que participará fora, então não deu para se preparar para este. Mas os demais cursos levaram trabalhos sobre suas fases iniciais no programa e eu soube que foi um sucesso”, disse Maria Licia.

O coordenador de Matemática, professor Alzir Fourny Marinhos, fez coro com Maria Licia: “Eu estava lá, e foi fantástico ver nossos alunos se apresentando, falando de suas pesquisas com a maior propriedade, seguros, bem preparados. Claro que eu me emocionei vendo a postura deles, a competência deles, a boa fala… Atuando no mesmo nível que os alunos das universidades federais”, atestou Alzir.

Confira o clima do evento lendo  o relato de Alexandre Ferreira, do 5º período de Matemática:

“A experiência foi algo sensacional. Primeiramente fui tomado por um nervosismo muito grande, pois não imaginava o tamanho daquele auditório e nunca havia falado para um grupo tão grande de ouvintes. Havia uma responsabilidade muito grande, pois estava representando a FEUC e éramos a única faculdade privada que participava do evento. Porém, quando o apresentador anunciou meu nome, fui tomado por uma motivação e falei do trabalho que desenvolvemos desde junho com o primeiro grupo de PIBIDMÁTICOS da FEUC, com a orientação do profº Alzir e da Profª Gabriela”, conta Alexandre.

O certificado de participação de Alexandre: certamente o primeiro de muitos que ainda virão.

O certificado de participação de Alexandre: certamente o primeiro de muitos que ainda virão.

O estudante prossegue: “Abordei principalmente os ‘métodos não tradicionais na operação de multiplicação’ que podemos utilizar para incentivar e facilitar os alunos com dificuldades básicas na matemática. Após a apresentação, participei de uma mesa-redonda com outros alunos que apresentaram seus trabalhos, na qual os ouvintes do auditório poderiam fazer pergunta, e fiquei bastante satisfeito com os elogios recebidos e com o interesse dos ouvintes sobre o nosso trabalho, tendo várias perguntas sendo direcionadas ao nosso grupo. Para encerrar o dia maravilhoso, com a sensação de dever cumprido, foi muito legal ouvir a frase da Professora Gabriela: “GENTE, FOI SIMPLESMENTE LINDO”.

20ª Octobermática começou hoje com literatura e história na matemática

 

Tradicional Semana de Matemática está repleta de atividades, que acontecem até a próxima sexta-feira

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

A Octobermática, Semana de Matemática da FEUC, começou hoje, dia 30, e se estenderá até sexta-feira, dia 4 de outubro. “Matemática em toda parte” é a temática desta 20ª edição, com eventos acontecendo todos os dias, das 7h40m às 11h20m, e das 19h às 21h50m. Na programação deste ano estão inclusas palestras, oficinas, minicursos, comunicações e até uma peça teatral montada pelos alunos. A organização está sendo realizada por estudantes do curso, que cobraram uma taxa de R$ 60,00 pela inscrição. O valor financiou camisetas para todos os participantes, brindes para uma olimpíada de matemática e a confraternização de encerramento.

Professor Erivelto Reis, do curso de Letras, discutiu sobre a literatura na matemática. (Foto: Gian Cornachini)

Professor Erivelto Reis, do curso de Letras, discutiu sobre a literatura na matemática. (Foto: Gian Cornachini)

A palestra que abriu a Semana de Matemática foi “Literatura e Matemática: Uma leitura da obra ‘O homem que calculava’, de Malba Tahan”. Quem a ministrou foi Erivelto Reis, professor do curso de Letras da FEUC. Malba Tahan é o heterônimo do escritor e matemático brasileiro Julio César de Melo e Souza (1895-1974), e “O homem que calculava” é um romance infantojuvenil de 1938 que conta as aventuras matemáticas de Beremiz Samir, um calculista persa, na Bagdá do século XIII.

De acordo com Erivelto, o livro é uma das ferramentas do professor de matemática para despertar o interesse do aluno para o campo: “A ideia, com esta obra, é mostrar a literatura brasileira ajudando a aproximar o aluno da ciência matemática”, explicou ele.

Erivelto também fez uma análise a respeito de uma característica pessoal do personagem que, segundo ele, é essencial para os futuros professores: “Beremiz percebe com facilidade a possibilidade de resolver o problema e explica de uma maneira que não ofende nem diminui o outro”, contou o professor. “É uma lição fundamental para nós, professores. Não dá para abrir mão da humildade”, destacou.

O conhecimento matemático da civilização egípcia na Idade Antiga foi abordado pelo coordenador do curso.(Foto: Gian Cornachini)

O conhecimento matemático da civilização egípcia na Idade Antiga foi abordado pelo coordenador do curso.
(Foto: Gian Cornachini)

Às 9h20m, na segunda rodada de atividades pela manhã, foi a vez de o coordenador do curso de Matemática palestrar. Alzir Fourny Marinhos discutiu a temática “História e Matemática: Uma relação interdisciplinar” e apresentou o aperfeiçoamento da ciência dos números no Egito antigo. “A proposta é mostrar que nós, professores, podemos fazer uma interdisciplinaridade entre a história e a matemática, apesar de parecer complicado”, iniciou Alzir. “Lógico que não temos conhecimento aprofundado em história, mas somos capazes de relacionar alguns saberes históricos com a matemática”, completou.

O professor fez um apanhado sobre a civilização egípcia na Idade Antiga (período compreendido entre os anos de 4.000 a.C. e 476 d.C.) até chegar ao ano de 1650 a.C., quando foi escrito o papiro de Rhind. O documento foi feito por um escriba de nome Ahmes e descoberto pelo egiptólogo escocês Alexander Henry Rhind em 1858. O papiro é um dos mais antigos documentos matemáticos e detalha a solução de 85 problemas de aritmética, regra de três simples, frações, cálculo de áreas, entre outros.

Alzir ainda decodificou o sistema de numerais egípcios de potência de dez, que eram escritos por meio de hieróglifos para representar os números “1”, “10”, “100”, “1.000”, “10.000”, “100.000” e “1.000.000”. Segundo o professor, aquela sociedade precisou desenvolver um sistema numérico que facilitasse a contagem: “Havia a necessidade de representar os números com símbolos e sair daquele método de utilizar uma pedra para cada ovelha do rebanho”, afirmou Alzir.

Professor decodificou numerais egípcios escritos por meio de hieróglifos. (Foto: Gian Cornachini)

Professor decodificou numerais egípcios escritos por meio de hieróglifos. (Foto: Gian Cornachini)

Para o professor, conectar a Matemática com a História contribui para o aprendizado do aluno: “Muita coisa do que a gente estuda hoje veio da civilização egípcia. É interessante levar essas histórias para as crianças, porque a gente permite que haja uma aproximação maior delas com a matemática e, assim, ter mais prazer em estudar”, concluiu.

Clique aqui para conferir a programação completa da 20ª Octobermática.

Semana de Pedagogia 2013 foi marcada por grandes relatos de vivências escolares

 

Professores, diretores de colégios e estudantes contaram suas experiências com a educação no cotidiano escolar

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

A XXIV Semana de Pedagogia da FEUC começou na segunda-feira, dia 23, e se encerrou ontem, dia 25. Durante três dias, palestrantes, professores e alunos discutiram o tema “Educação Ambiental e Direitos Humanos: qual o papel do pedagogo neste contexto?”. O objetivo foi debater as ações do pedagogo a partir dos direitos básicos do homem, da responsabilidade de preservação do meio ambiente e do respeito à vida. O evento contou com palestras, oficinas, debates, exibição de filmes, rodas de conversas e apresentação de trabalhos dos estudantes, espalhados por toda a instituição, durante os três turnos do dia.

Abertura

A 24ª edição da Semana de Pedagogia se iniciou no Auditório da FEUC com uma notícia muito positiva. Em suas primeiras palavras, a professora Maria Lícia Torres, coordenadora de Pedagogia, expressou sua satisfação com a reavaliação do MEC, que brindou o curso com a nota 4: “Tenho uma satisfação imensa em abrir esta semana, ainda mais com a nossa nota 4”, disse Maria Lícia. “Temos a responsabilidade de conservá-la e ir além para proporcionar o que esta casa sempre fez: educação de qualidade”, ressaltou.

Em seguida, um grupo de estudantes coordenado pela professora Maria José da Gama Brum fez uma apresentação da música “Maior que as muralhas”, da banda Fresno, na Língua Brasileiras de Sinais (Libras). O auditório esteve todo escuro enquanto uma luz negra fazia brilhar somente as luvas brancas dos alunos vestidos com roupas pretas. O efeito dessa técnica criava uma ilusão de mãos dançantes, que levitavam e expressavam a letra da música em Libras.

A abertura da XXIV Semana de Pedagogia contou com uma apresentação musical em Libras.(Foto: Gian Cornachini)

A abertura da XXIV Semana de Pedagogia contou com uma apresentação musical em Libras.
(Foto: Gian Cornachini)

Depois da apresentação, houve uma breve cerimônia de Ação de Graças em memória do professor Wilson Choei, presidente da FEUC nos últimos 21 anos e que faleceu em agosto passado. Luiza Alves de Oliveira, vice-coordenadora de Pedagogia, leu uma carta escrita por ela e por Maria Lícia. O texto lamentava a morte do professor e o colocava como exemplo a ser seguido: “Mais do que educador, gestor, pesquisador e cientista, Choeri também era um ser humano íntegro e comprometido com valores sociais e humanos como respeito, dignidade, humildade, sabedoria e a crença na esperança para construir uma nova história humana”, afirmou Luiza, reforçando que a comunidade acadêmica deve ter os mesmos sonhos de Choeri: “Esperamos construir uma nova história para nossas vidas e para a história desse país”, concluiu ela.

Vídeo homenageou professor Wilson Choeri.(Foto: Gian Cornachini)

Vídeo homenageou professor Wilson Choeri.
(Foto: Gian Cornachini)

Após a leitura da carta, foi feita uma oração ecumênica e a apresentação de um vídeo com fotos de Choeri, elaborado pela professora Maria Lícia. O vídeo poético descrevia a pessoa de Choeri e fazia uma reflexão sobre a vida. “A carta e o vídeo são nossa singela homenagem para uma pessoa que deixa um legado de sabedoria e ensinamento para nós”, reconheceu Maria Lícia.

O pedagogo bem intencionado

No primeiro dia do evento, a pedagoga Sonia Norberto Gama, uma figura conhecida na FEUC, abriu a XXIV Semana de Pedagogia com a palestra “Infância e Desenvolvimento – uma questão de direito”. Sonia dá aula na pós-graduação em Pedagogia na FEUC e foi coordenadora da graduação até 2009. Durante dez anos, foi diretora da Creche Municipal Sempre Vida Professora Eugenea Maria Veloso Marchese, localizada na comunidade Aguiar Torres, em Inhoaíba, na Zona Oeste. A palestra foi proferida em cima de experiências e lutas diárias que a pedagoga teve na creche.

Sobre a atuação do pedagogo, Sonia fez algumas considerações: “Todas as nossas ações não são neutras. Elas têm intenções. Se o pedagogo tem uma boa formação e sabe das suas intenções, vai formar pessoas melhores e esclarecidas”, afirmou ela, lançando uma pergunta crítica em seguida: “Temos a intenção de transformar ou manter o que está?”, provocou.

Pedagoga Sonia experiências profissionais como diretora de uma creche. (Foto: Gian Cornachini)

Pedagoga Sonia contou suas experiências como diretora de uma creche. (Foto: Gian Cornachini)

Como exemplo prático do educador que transforma as pessoas, Sonia contou a história de uma criança com limitação de movimentos que ela atendeu na creche em que era diretora. O garoto tinha necessidades educativas especiais e a escola não dispunha de vaga para ele. “Aquela criança, como todas, tinha o direito à educação, mas não foi contemplada pelo sorteio entre os inscritos na lista de espera”, relatou Sonia.

A pedagoga, ciente de suas intenções, se esforçou e conseguiu fazer com que o menino entrasse para a creche e recebesse toda a atenção necessária para o seu desenvolvimento: “O conhecimento tem que me tornar melhor para ajudar o outro, se não ele não tem valor. Eu não poderia brigar diretamente com a secretaria de Educação porque eu estava na direção da creche, mas poderia orientar a mãe sobre como agir”, explicou Sonia.

Estudos da mente para a área da Educação

Na terça-feira, uma palestra da manhã se repetiu à noite devido ao teor da temática, que é novidade no campo teórico da Pedagogia: “A neurociência como ferramenta pedagógica na ação do pedagogo”. Quem falou sobre o tema foi o convidado Robson Cavalcante, mestre em Educação, Cultura e Comunicação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisador dos campos do letramento, alfabetização, leitura e escrita.

O pesquisador Robson apresentou chamou a atenção para o estudo da neurociência aplicado às práticas pedagógicas. (Foto: Gian Cornchini)

O pesquisador Robson apresentou chamou a atenção para o estudo da neurociência aplicado às práticas pedagógicas. (Foto: Gian Cornchini)

A neurociência é o estudo científico do sistema nervoso e, segundo Robson, esses estudos ainda são pouco aproveitados pela educação: “Quem aqui se interessar por isso estará em uma vanguarda”, indicou ele. “Nós, professores, estamos mais atrasados que os médicos e psicólogos. Nós não estudamos tanto os comportamentos que envolvem a aprendizagem”, lamentou o pesquisador.

Um dos exemplos ligados à neurociência e aplicados à educação é a postura de elogiar o estudante. Alunos que recebem elogios tornam-se motivados a ampliar e incrementar seu conhecimento, e a crítica em excesso atrapalha o aprendizado. Mas, de acordo com Robson, a escola desqualifica o campo das emoções, que são essenciais para o aprendizado: “O próprio professor que ensina com uma cara de desanimado e sem dar um sorriso passa uma imagem que gera uma emoção aos estudantes. Como é que eles vão aprender melhor com alguém que não passa tranquilidade e motivação?”, questionou o pesquisador. “Por isso, precisamos estudar a neurociência para que a gente possa ensinar mais e de maneira melhor, e promover mudanças na aprendizagem do aluno”, orientou Robson.

Rodas de conversas e experiências

Na noite de encerramento, rodas de conversas estimularam os professores, convidados e o público participante a debater e trocar experiências sobre o dia a dia nas salas de aula.

Aparecida Tiradentes Santos, doutora em Educação e professora há 20 anos na pós-graduação em Pedagogia na FEUC, montou a roda de leitura “A superação do fracasso escolar como Direito Humano fundamental”. Na atividade, Aparecida utilizou seu livro “Listrinho – crônicas para professores” (à venda na Livraria Cultura) para discutir questões ligadas aos problemas com os quais o professor se depara em salas de aula. As crônicas do livro são sobre histórias vividas pela própria autora em escolas de locais carentes na região do bairro de Campo Grande.

Professora montou uma roda de leitura para conversar sobre situações vividas no dia a dia em sala de aula. (Foto: Gian Cornachini)

Professora montou uma roda de leitura para conversar sobre situações vividas no dia a dia em sala de aula. (Foto: Gian Cornachini)

A partir da leitura em grupo de trechos do livro, foi discutido o problema do fracasso escolar, ou seja, alunos que repetem vários anos e ficam por muito tempo nas mesmas séries, tendo que conviver com crianças mais novas que eles e, até mesmo, utilizar carteiras que não são feitas para seus tamanhos.

Para Aparecida, o educador precisa ter olhar sensível sobre essas crianças: “O educador tem que buscar entender qual o problema do seu aluno e ajudá-lo a quebrar o rótulo de que ele é incapaz de aprender”, ressaltou.

Em outra roda de conversa, a professora Janice Rosane Silva Souza trouxe ex-alunos, professores e o diretor do CIEP Major Manoel Gomes Arches, no Jardim Palmares, para exporem suas experiências com o Programa de Educação de Jovens e Adultos (PEJA).

Adenir ficou 52 anos longe das salas de aula e voltou a estudar na escola em que ajudou a construir. (Foto: Gian Cornachini)

Adenir ficou 52 anos longe das salas de aula e voltou a estudar na escola em que ajudou a construir. (Foto: Gian Cornachini)

Adenir Alves da Silva, de 65 anos, se formou recentemente no PEJA e contou como foi voltar aos estudos: “Passei 52 anos sem entrar em uma sala de aula. Trabalhei como pedreiro e ajudei a construir essa escola. Sou velho, mas não quis ficar parado no sofá assistindo televisão. Foi muito bom voltar à escola depois de cinco décadas”, disse, contente, Adenir.

Alguns professores também externaram a satisfação em educar adultos e idosos. Foi o caso de Stanislaw Perezynski, que dá aulas de História e Geografia para o PEJA no CIEP. “A gente tem o aluno mais como um companheiro de trabalho do que como um adversário, que é o caso dos adolescentes no Ensino Regular. Mesmo assim, é um desafio, porque trabalhamos com pessoas que têm mais experiência de vida que a gente. Mas todas as dificuldades são superadas com a boa vontade”, esclareceu o professor.

Francisco Liberato do Nascimento, diretor do colégio, revelou que é mais fácil educar adultos e idosos do que crianças: “A criança vai obrigada para a escola, sem interesse. Muitas vezes não sabe nem por que está indo para lá. Já com a turma do PEJA é diferente. O aluno está lá porque tem interesse em ir à escola, pois tem um sonho a ser realizado. E quando ele chega, o ambiente muda. Se alguém quiser fazer bagunça, os outros chamam a atenção porque são pessoas maduras. O professor fica mais à vontade para ensinar e até mesmo brincar”, avaliou o diretor.

Ao fim do encontro, os ex-alunos do PEJA cantaram o arranjo musical gospel “Oh happy day”, de Edwin Hawkins Singers. Ouça abaixo a apresentação musical:

Ex-alunos do PEJA apresentaram uma canção na noite de encerramento da Semana de Pedagogia. (Foto: Gian Cornachini)

Ex-alunos do PEJA apresentaram uma canção na noite de encerramento da Semana de Pedagogia.
(Foto: Gian Cornachini)

A professora Janice encerrou a roda de conversa reforçando o papel do pedagogo: “Para que serve o nosso conhecimento adquirido na faculdade? Para passar nas provas e fazer concurso?”, provocou ela. “Devemos entender a educação como forma política e de luta pelas camadas mais excluídas. Quando estivermos em sala de aula, seja trabalhando com crianças, adolescentes ou com adultos, temos que perceber qual o nosso papel social, político e como profissionais da educação”, concluiu Janice.

Para fechar a XXIV Semana de Pedagogia com chave de ouro, os professores Umberto Eller, do curso de Ciências Sociais, e Flávio Pimentel, do curso de Letras, presentearam o público com uma performance musical. Umberto no vocal e Flávio no violão apresentaram seis músicas do repertório nacional: “Tocando em frente” (Almir Sater), “As coisas tão mais lindas” (Nando Reis), “O segundo sol” (Cássia Eller), “Partir, andar” (Os Paralamas do Sucesso), “Comportamento geral” (Gonzaguinha) e “Primeiros erros” (Capital Inicial). As canções podem ser ouvidas logo abaixo:






Os professores Umberto Eller e Flávio Pimentel fecharam o evento com canções do repertório nacional.(Foto: Gian Cornachini)

Os professores Umberto Eller e Flávio Pimentel fecharam o evento com canções do repertório nacional.
(Foto: Gian Cornachini)

Organização difícil

Nem tudo ocorreu como o esperado pela coordenadora do curso, a professora Maria Lícia. A comissão de avaliação do MEC visitou recentemente a instituição para reavaliar o curso de Pedagogia e, por conta disso, tanto Maria Lícia quanto a vice-coordenadora, Luiza, precisaram se dedicar ao compromisso com o MEC. A programação foi fechada em cima da hora e os alunos tiveram pouco tempo para se inscrever em cada atividade.

Apesar da correria, Maria Lícia considerou o resultado positivo: “Se os alunos fizerem reclamações, nós iremos assumi-las. Foi difícil organizar tudo com as questões da reavaliação do curso para resolver. Vimos até que não deu muito certo colocar atividades durante a tarde, porque não apareciam mais que cinco alunos. Mas estamos contentes com o resultado, ainda mais com a notícia do nosso merecido 4 na nota do MEC”, comemorou Maria Lícia.

XXIV Semana de Pedagogia começa na próxima segunda

Evento contará com palestras, oficinas, debates, exibições de filmes e muitas outras atividades que exigem inscrição prévia, por isso é importante conferir logo a programação e escolher

Da Redação
emfoco@feuc.br

De segunda a quarta-feira da próxima semana – 23 a 25 de setembro – acontecerá na FEUC a XXIV Semana de Pedagogia, com o tema “Educação Ambiental e Direitos Humanos: qual o papel do pedagogo neste contexto?”. Estão programados para os auditórios e salas de aulas diversas palestras, oficinas, debates, apresentação de filmes, roda de conversa e minicurso, além de exibições nos pátios de trabalhos como pôsteres e banners, mostra de livros, totens poéticos e varal de desenhos, entre outros.

A abertura do evento – às 8h de segunda-feira no Auditório da FEUC – contará com uma celebração de Ação de Graças e a apresentação da música “Maior que as muralhas”, na Língua Brasileira de Sinais (Libras), pela professora especialista Maria José da Gama Brum. Em seguida será exibido um vídeo em homenagem ao professor Wilson Choeri. Esta atividade (que se repete à noite) e o show de música ao vivo do encerramento, na noite de quarta-feira, serão de acesso livre, mas para todos os demais itens da programação será necessário fazer inscrição prévia, no setor de Cursos Livres, devido ao número limitado de vagas.

As palestras e oficinas acontecerão nos turnos da manhã, tarde e noite, sendo que algumas terão apresentação única e outras se repetirão em diferentes turnos.

Para ver a programação completa e escolher as atividades de seu interesse, clique aqui.

XIX Ciclo de Debates em História discutiu questões historiográficas atuais

 
Evento promoveu uma ponte entre os estudos de Thompson e Hobsbawm e a produção historiográfica nacional

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

Na semana passada, o curso de História das FIC promoveu seu XIV Ciclo de Debates. O tema discutido este ano foi “Thompson, Hobsbawm e a Historiografia Inglesa no Brasil”. O evento, que aconteceu entre os dias 10 e 13, debateu a importância dos dois historiadores – Edward Thompson e Eric Hobsbawm – e suas metodologias de pesquisa para a história mundial e, principalmente, a brasileira.

Alunos participam do Ciclo de Debates. Foto de Divulgação.

Alunos participam do Ciclo de Debates. Foto de Divulgação.


Uma história a partir do trabalhador

O Ciclo de Debates foi aberto com a palestra do historiador Marcelo Badaró Mattos, professor titular da Universidade Federal Fluminense (UFF). Em “50 anos de ‘A Formação da Classe Operária Inglesa’”, o historiador abordou o cinquentenário do livro “A Formação da Classe Operária Inglesa”, de Edward Thompson, e sua influência – tanto da obra como do autor – nos movimentos sociais brasileiros.

Badaró estuda as teorias de Thompson e aplica a metodologia do autor em seus estudos sobre sindicatos e trabalhadores no Brasil. Na palestra, o historiador apresentou Thompson enquanto professor que lecionou durante muito tempo para trabalhadores e seus filhos – fato muito pouco comentado na academia. Segundo Badaró, o contato de Thompson com os trabalhadores foi importante para que ele fundamentasse seus estudos sobre a classe operária inglesa.

O historiador também explicou que Thompson foi um autor que escrevia suas obras utilizando fontes que faziam parte do cotidiano de seu objeto de estudo – os trabalhadores. Sua pesquisa não se atinha somente a documentos e atas oficiais, mas incluía as músicas que os trabalhadores ouviam, as poesias, a cultura deles – uma metodologia que torna a história mais social.

Outra questão abordada por Badaró foi a juventude da classe operária livre brasileira. Na palestra, o historiador disse a seguinte frase: “Trabalhadores livres convivendo com os escravizados: valores presentes na formação da classe operária brasileira”. O historiador chamou a atenção para o fato de que ainda está se construindo a experiência de trabalho livre no Brasil. O país passou por quatro séculos de escravidão. Depois, vieram momentos da ditadura do presidente Getúlio Vargas (entre 1937 e 1945) e a ditadura militar (de 1964 e 1985). Para o historiador, esses períodos após a escravidão reprimiram a liberdade do trabalhador brasileiro, que ainda está buscando se entender como um trabalhador livre.

Diálogos sobre a classe das prostitutas

Frederico Guimarães abordou no debate os processos de lutas organizados pelas prostitutas na capital fluminense. Foto de Gian Cornachini

Frederico Guimarães abordou no debate os processos de lutas organizados pelas prostitutas na capital fluminense. Foto de Gian Cornachini

A primeira palestra do segundo dia do evento foi de Frederico Guimarães, mestre em Memória Social e professor da rede pública de ensino. O tema de sua palestra foi “Prostitutas no Rio de Janeiro e ação política – uma discussão entre os conceitos da Classe e Movimento Social”. Frederico debateu os processos de lutas organizados pelas prostitutas na capital fluminense, o reconhecimento de sua cidadania e seus direitos trabalhistas.

Frederico explicou que, desde os anos 70, as prostitutas vêm lutando por direitos e reconhecimento de sua classe trabalhadora. Em 1987, o I Encontro Nacional das Prostitutas debateu essas questões e conseguiu vitórias: reconhecimento como profissional e participação da classe em campanhas de prevenção sexual. Para Frederico, a última conquista é muito emblemática: “É construtivo pensar nisso: em um país com baixos índices de educação, as prostitutas sabem como se prevenir. A própria prostituta, às vezes, acaba tendo que ‘educar’ seu cliente e exigir que ele use preservativo”, observou ele.

Para o professor, a legalização da classe das prostitutas foi uma atitude de avanço do governo: “O Brasil passou por um processo de legalização que vai além da aceitação social. Ele não pergunta à sociedade se ela aceita que se trabalhe a favor dos direitos das prostitutas, mas ele está trabalhando a favor”, explicou ele. “Independente se a gente aceita ou não, o Estado tem trabalhado a favor dessas minorias”, afirmou.

A estudante Cátia Cunha Galdino, do 3º período de História, disse se sentir no dever de contribuir com a discussão quando estiver em sala de aula lecionando: “A gente ainda tem tanto resquício de preconceito e, por isso, é importante participar de debates como esses para entender melhor a realidade da classe trabalhadora das prostitutas. É uma questão para ser levada em sala de aula para os alunos e problematizar o tema com eles”, considerou a estudante.

Rigor metodológico

Marco Pestana: "Se você estuda uma década, tem que entender e articular o processo histórico que desencadeou os acontecimentos daquela época". Foto de Gian Cornachini

Marco Pestana: “Se você estuda uma década, tem que entender e articular o processo histórico que desencadeou os acontecimentos daquela época”. Foto de Gian Cornachini

Uma das palestras do terceiro dia do evento debateu a importância Eric Hobsbawm para o jeito de se fazer História. O professor Marco Pestana, mestre em História Social e professor do Instituto Nacional de Educação de Surdos, fez suas considerações sobre Hobsbawm na palestra intitulada “Política e História na obra de Eric Hobsbawm”.

Entre as primeiras frases ditas pelo professor Pestana estava a seguinte: “A abrangência de sua obra vai fazer com que ele seja lembrando por muitas gerações”. A referência do professor a Eric Hobsbawm já começa por ele reforçar que, só em português, o autor tem mais de 30 livros publicados.

Pestana afirma que Hobsbawm sempre foi preocupado com o rigor metodológico, ou seja, ele não discutia apenas o que foi pesquisado, mas a metodologia utilizada para realizar tal pesquisa: “Se você estuda uma década, tem que entender e articular o processo histórico que desencadeou os acontecimentos daquela época. Não pode dar um recorte em seu objeto de estudo e ignorar os acontecimentos que desencadearam aquela década. Isso Hobsbawm fazia muito bem”, disse.

Nessa mesma linha de raciocínio, a palestrante Nathalia Rodrigues Faria, mestranda em História Política, afirmou no último dia do evento que a história de um determinado tempo, principalmente do tempo presente, não pode ser contada sem olhar para acontecimentos anteriores que a desencadearam. Sua palestra “História do tempo presente: diálogos com Hobsbawm e Thompson” debateu a metodologia que deve ser usada na historiografia da história recente.

Nathalia Rodrigues: "O papel do historiador é reunir informações". Foto de Gian Cornachini

Nathalia Rodrigues: “O papel do historiador é reunir informações”. Foto de Gian Cornachini

Nathalia fez um questionamento em sua apresentação: “Pode o tempo presente ser objeto da História? Para ela, sim. Mas é preciso ter o mesmo rigor metodológico utilizado em qualquer pesquisa, e isso implica em como o historiador vai trabalhar com suas fontes. Para entrevistas orais, por exemplo, Nathalia dá dicas: “Você não pode espremer a sua fonte para ouvir o que você quer. Sua opinião deve ficar de lado. O papel do historiador é reunir informações”.

Poucos dias após o evento, a coordenadora do curso de História das FIC, professora Vivian Zampa, fez uma avaliação do Ciclo de Debates: “O evento proporcionou discussões relevantes, que se mostraram de extrema importância para a formação de nossos alunos e, em certa medida, bem atuais, tendo em vista as manifestações populares multifacetadas que se apresentam e que, certamente, renderiam uma boa análise sob as perspectivas de Thompson e Hobsbawn”, analisou Vivian.