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Arte, emoções e talentos marcam a 26ª Semana de Letras da FEUC

 

Evento tradicional do curso revelou muita criatividade do público interno e externo; livro de poesias foi lançado

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Uma bela edição da Semana de Letras aconteceu entre os dias 31 de maio e 2 de junho, na FEUC, e cumpriu com o propósito de trazer estudantes e visitantes da comunidade para compartilhar conhecimento, arte e emoções. Além das tradicionais palestras e oficinas, o número 26 do evento contou, este ano, com apresentações teatrais, declamações de poesia e dança típica, regados de muita criatividade e sensibilidade de quem foi a público expor seus trabalhos.

A começar por uma das apresentações de trabalhos que mais chamou a atenção dos estudantes. A aluna Marina Monteiro, do curso de Letras da UFRRJ, veio compartilhar com os alunos da FEUC suas análises sobre o funk carioca, que tem se mostrado um exemplo de resistência feminina no cenário artístico-musical.

Marina exibiu algumas letras de cantores homens que, segundo ela, sexualizam e objetificam mulheres, como em “Vem todo mundo“, de MC Catra. Em seguida, apresentou letras de funkeiras que retratam, também a partir de conotações sexuais, a resistência feminina ao machismo, como a música “A P**** da B***** é minha“, da Gaiola das Popozudas.

Estudante da UFRRJ apresenta análise sobre machismo no funk. (Foto: Gian Cornachini)

Estudante da UFRRJ apresenta análise sobre machismo no funk. (Foto: Gian Cornachini)

“O homem trata de uma forma baixa o corpo da mulher, como um objeto. Ele só quer sexo. E a mulher também vem com o mesmo discurso, mas para retratar a forma de liberdade que ela trata com seu corpo”, ressaltou Marina.

No quesito emoção, tanto a educação quanto a arte foram expressadas com angústia, dúvidas e esperança no evento. A professora de Língua Brasileiras de Sinais (Libras) Ana Carla Ziner Nogueira, da UFRRJ, tem uma irmã surda e vivencia a experiência de entender, de perto, os desafios enfrentados pela comunidade surda no Brasil. Na Semana de Letras, ela deu uma palestra sobre a importância da educação de surdos com o objetivo de chamar a atenção dos alunos para um grupo ainda tão excluído das possibilidades de crescimento profissional, intelectual e social.

Professora Ana Carla Ziner, da UFRRJ, chama a atenção para o ensino de surdos. (Foto: Gian Cornachini)

Professora Ana Carla Ziner, da UFRRJ, chama a atenção para o ensino de surdos. (Foto: Gian Cornachini)

“Cerca de 85% a 90% dos surdos nascem em famílias de ouvintes. Eles não aprendem, desde cedo, uma língua primária. Na escola, são expostos à Língua Portuguesa e ensinados fonemas”, apontou Ana Carla. “Língua de Sinais é encarada como recurso pedagógico e não linguístico. E isso é lamentável, porque língua não é um recurso, mas uma necessidade humana”.

E a humanidade, controversa e repleta de dúvidas, foi tema do poema “Ser humano?”, escrito pelo estudante Lucas Hermsdorff, do 3º ano do técnico em Administração do CAEL. O jovem aproveitou um sarau da Semana de Letras para levantar questionamentos por meio da arte das palavras: “Um ser que se denomina racional, mas possui atitudes irracionais, pode se considerar pensante?”, lançou Lucas, interpretando o poema que mantinha bem decorado.

O que é ser humano? Poema de Lucas Hermsdorff, estudante do 3º de Administração do CAEL, levantou questionamentos em sarau. (Foto: Gian Cornachini)

O que é ser humano? Poema de Lucas Hermsdorff, estudante do 3º de Administração do CAEL, levantou questionamentos em sarau. (Foto: Gian Cornachini)

O poema do jovem divide páginas com outros textos no livro “Vozes em Construção”, organizado, escrito e confeccionado por alunos de Literatura Brasileira e Poesia do turno da noite (2017.1) e que conta, também, com textos de convidados, como o de Lucas. Em meio ao sarau, a obra — idealizada e coordenada pelo professor Erivelto Reis — foi lançada sob declamações dos textos que integram a antologia poética.

“Era um sonho muito grande que esse livro acontecesse”, revelou o professor Erivelto. “Foi um grupo que uniu ideais em torno da literatura, ao redor da poesia, com vivências tão diferentes, gente que teve coragem de tirar um poema do fundo da gaveta e colaborar”, destacou ele, emocionado.

Professor Erivelto idealizou livro "Vozes em Construção", lançado na Semana. (Foto: Gian Cornachini)

Professor Erivelto idealizou livro “Vozes em Construção”, lançado na Semana. (Foto: Gian Cornachini)

O livro “Vozes em Construção” esta disponível, gratuitamente, para download. Clique aqui para baixar o e-book.

Inspirando esperança e alegria por uma formação que valoriza as raízes históricas da população, alunos da disciplina de Literaturas Africanas, orientados pela professora Norma Maria, fizeram um jogral a partir do poema “Grito Negro”, do autor moçambicano José Craveirinha e, em seguida, cantaram e dançaram a música zulu “Siyahamba”, todos caracterizados com vestimenta de influência africana.

A aluna Ingra de Assis, do 3º período, explicou a mensagem que Craveirinha quis passar em seu poema: “Ele queria transmitir a angústia e o sofrimento da escravidão na época; a vontade de encerrar algo que ele não queria mais”, disse Ingra.

A estudante Ingra explicou poema moçambicano que inspirou jogral no evento. (Foto: Gian Cornachini)

A estudante Ingra explicou poema moçambicano que inspirou jogral no evento. (Foto: Gian Cornachini)

A professora Norma, visivelmente empolgada com a apresentação, fez questão de elogiar os estudantes: “Vocês me surpreenderam e mostraram quanta capacidade, criatividade e amor pela arte vocês têm. É isso que queremos fazer, mostrar aos alunos a diversidade, mistura do indígena, do português e do africano, porque somos um único povo e não podem existir diferenças e discriminação”, ponderou Norma, pedindo um bis com apoio do público: “Queremos ver de novo, porque é só uma vez ao ano!”. Sob o som de um belo batuque, tudo virou alegria de novo.

Com direito a bis, dança, canto e batuque africano alegraram o público. (Foto: Gian Cornachini)

Com direito a bis, dança, canto e batuque africano alegraram o público. (Foto: Gian Cornachini)

Mulheres de Pedra

 

Coletivo feminino de artistas e artesãs de Pedra de Guaratiba produz encantamento e beleza com o que o mundo joga fora

PorTania Neves
emfoco@feuc.br

A velha casa da Rua Saião Lobato respira arte e cultura. Há mais de 30 anos é ponto de encontro de artistas locais da Pedra de Guaratiba e de “forasteiros” – gente que, cada vez mais, vem de longe para participar do Sarau Poético, uma das várias atividades que marcam a atuação do coletivo Mulheres de Pedra. Formado há cerca de 15 anos, na esteira da efervescência cultural do endereço onde inicialmente morava a pedagoga Leila de Souza Netto e o artista plástico Sérgio Vidal da Rocha, hoje o coletivo conta com 12 a 15 integrantes mais assíduas e pelo menos duas dezenas de mulheres que vão e voltam. A família acabou se mudando para outro lugar, e o coletivo fincou bandeira na simpática casinha de pescador, onde nos dias de reunião e trabalho as artistas e artesãs se espalham em mesas e cadeiras pelos diversos cômodos e até mesmo no terreiro, sob a sombra do arvoredo.

Junto ao painel “Água”, Leila posa com a filha Lívia e Juliana, a mais nova do grupo. (Foto: Tania Neves)

Junto ao painel “Água”, Leila posa com a filha Lívia e Juliana, a mais nova do grupo. (Foto: Tania Neves)

Leila de Souza Netto conta que o trabalho colaborativo começou com uma visita ao ateliê de Dora Romana, onde a artista plástica convidou as mulheres a expressarem sua arte em quadrados de pano, que depois seriam unidos e transformados numa grande colcha. Assim surgiram as colchas de retalhos – ou painéis temáticos, pois se pautam sempre por um assunto – que são a marca registrada das Mulheres de Pedra. “Foi uma descoberta para além do fazer arte, o que muitas de nós já fazia. Foi sobre o que fazer com a arte, porque não é só o trabalho artístico, tem principalmente o sentido da colaboração, de saber trabalhar com os outros, de se despir dos egos”, define.

Formada em Pedagogia pela FEUC em 1997, Leila trabalhou por mais de uma década administrando um curso particular para jovens e adultos em Campo Grande. Hoje, aos 60 anos, define-se como educadora popular. Além de artista e ativista social, claro. E tempera todas essas atividades – educação, arte, ativismo – com solidariedade e sustentabilidade: “A gente defende a economia solidária, o comércio justo. E faz esse trabalho não só porque precisa vender, ter renda, mas para mostrar que é possível reaproveitar coisas, reciclar, deixar menos pegadas no meio ambiente”.

Quando pedi para ver alguma coisa produzida por ela, Leila apareceu com aventais feitos de tecido reaproveitado de sombrinhas, aquelas que entortam em dias de chuva de vento e os donos jogam fora nas ruas. De tão lindos, não resisti e comprei um, rosinha florido, que ainda não tive coragem de sujar na cozinha… “Tirar do ambiente algo que estava lá poluindo e dar um uso, esse é o compromisso”, diz a artista. No coletivo há diversas mulheres que trabalham com peças recicladas e também com material novo, como é o caso de Andréa, conhecida pelas roupas e bijuterias de temática afro, em que mistura o velho e o novo. Juliana, a mais nova integrante, está se iniciando no artesanato com a produção de delicados ímãs de geladeira: bonequinhos feitos com lacre de latinhas de alumínio e massa de biscuit.

As colchas, ou painéis temáticos, reúnem a criação de várias mulheres sobre um tema. (Foto: Facebook/Mulheres de Pedra)

As colchas, ou painéis temáticos, reúnem a criação de várias mulheres sobre um tema. (Foto: Facebook/Mulheres de Pedra)

Fazer intercâmbios com outros coletivos do Brasil e do mundo tem sido importante para as Mulheres de Pedra, que com isso ganharam visibilidade nacional e internacional. Por exemplo, já mostraram seu trabalho no Fórum Social Mundial (em Belém, 2009) e por quatro vezes participaram da Semana da Solidariedade Internacional (em Paris), entre outras parcerias. Quem dá detalhes é Lívia, uma das filhas de Leila: “Já fizemos intercâmbios com coletivos do Rio Grande do Sul, Bahia e outros estados. E agora estamos conversando com o Mijiba, de mulheres negras da periferia de São Paulo, para trazê-lo aqui”.

E como fazer experimentações em novas áreas é com elas mesmas, as Mulheres de Pedra se inscreveram este ano no Festival 72 Horas Rio, em que os concorrentes recebem uma frase em torno da qual devem produzir um filme de 6 minutos em apenas 72 horas – contando desde a concepção, filmagem, edição, sonorização… tudo! Pois elas juntaram suas forças e talentos, atraíram outras parceiras mulheres e deram conta do recado tão bem que faturaram os prêmios de melhor filme, melhor som e melhor ficção com o belíssimo “Elekô”, que pode ser assistido no YouTube. A frase condutora do enredo? “Tudo faz sentido agora”.

O que não faz mais sentido é apenas continuar contando tantas coisas sobre essas guerreiras: está na hora de você ir lá conhecer pessoalmente. O Sarau Poético acontece no segundo sábado de cada mês, de 18h às 23h, sempre com apresentação de algum convidado especial, embora participações improvisadas de visitantes sejam bem recebidas. No último final de semana de setembro terá a Festa da Primavera, com a Rua Saião Lobato fechada para a montagem de mais de 40 barracas onde não somente as mulheres do coletivo, mas também outros artistas da região, vão expor e vender suas peças. Paralelamente será realizada a 1ª Mostra de Arte de Rua, com apresentação de artistas da Zona Oeste. E diversos outros eventos costumam ser marcados ao longo do ano, como o Vidas (Vivências, Interações e Visibilidades de Afro-Brasileiras), exposições, rodas de jongo e outros mais, sempre anunciados na página www.facebook.com/MulheresDePedra. Esse é pra curtir!

Espetáculo ‘Night Blue’ será reapresentado com novidades

 

Nesta nova versão da peça teatral encenada em 2014, o público poderá interferir no enredo e escolher o final

Da Redação
emfoco@feuc.br

Night_blue  - FEUCA Coordenação de Teatro levará ao palco do Auditório FEUC, no dia 28 de março, às 15h, o espetáculo “Night Blue 2” — uma adaptação da primeira versão da peça, que foi apresentada no ano passado. O enredo é marcado pelo sofrimento de um homem após a morte de sua esposa. Alucinado por sua ausência, ele passa a vê-la em todos os lugares, e a relação com os filhos é diretamente afetada. “A peça toca nos sentimentos do público e fala de amor, de cura, de ódio e rancor”, conta o professor de teatro Adriano Marcelo, revelando poucos detalhes, exceto por uma novidade: “Antes das últimas cenas, o público vai poder decidir o destino do personagem”, adiante ele.

O elenco conta com alunos das oficinas de teatro e integrantes da Universidade Aberta à Terceira Idade em Campo Grande Professora Leda Noronha (Unatil). Também faz parte da apresentação um grupo de músicos e cantores que venceram o concurso de canto do Explosarte 2014 — evento promovido pela Coordenação de Teatro para revelar talentos na FEUC. No decorrer da história, a trilha sonora da peça será tocada e cantada ao vivo, e ainda cenas de dança incrementarão o espetáculo.

Os convites para assistir ao “Night Blue 2” custam R$ 7,00 e podem ser adquiridos na tesouraria da FEUC.

Explosão de talentos em uma semana

 

Não há mais desculpas para esconder os dons em casa: Explosarte é o seu palco anual para soltar a voz, o corpo e a criatividade artística

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

Para comemorar o Dia Nacional das Artes — que acontece anualmente em 12 de agosto — a coordenadoria de teatro da FEUC promoveu não apenas um dia, mas uma semana inteira repleta de atividades voltadas para quem ama música, dança, teatro e diversas manifestações artísticas. O evento, que aconteceu entre 11 e 16 de agosto, ganhou um nome bem significativo: Explosarte — Explosão de Artes — e já está incorporado ao calendário anual de atividades fixas da FEUC.

Na primeira edição do Explosarte, Isadora da Rocha, Roberto Silva e Vanessa de Oliveira levam o 1º, 2º e 3º lugar no Concurso de Música. (Foto: Gian Cornachini)

Na primeira edição do Explosarte, Isadora da Rocha, Roberto Silva e Vanessa de Oliveira levam o 1º, 2º e 3º lugar no Concurso de Música. (Foto: Gian Cornachini)

“O objetivo do Explosarte é revelar talentos no canto, na dança, em desenhos e nas artes livres de nossa comunidade”, conta Adriano Marcelo, estudante do curso de Letras das FIC e o responsável pela coordenadoria de teatro.

Talento, obviamente, não faltou durante a semana inteira de apresentações. A principal modalidade foi o Concurso de Música, que teve as primeiras audições ainda em maio e junho. Das 17 pessoas que chegaram à reta final do concurso, apenas três ganharam os troféus de 1º, 2º e 3º lugar. Foram eles, respectivamente, Isadora da Rocha (6º período de Letras), que se destacou na final com a música “At Last”, gravada por Beyoncé; Roberto Silva (2º ano do técnico em Administração), com a canção “Espírito Santo”, do Ministério Sarando a Terra Ferida; e Vanessa de Oliveira (3º ano do técnico em Química), que interpretou a música “Listen”, da Beyoncé. “Foi uma vitória para mim, porque eu nunca participei de nenhum concurso, por medo. Entrei apenas para perder esse medo de ser avaliada e saí ganhando”, comemora Isadora. O 1º e o 2º lugares ganharam, além dos troféus, uma premiação em dinheiro de R$ 100 e R$ 50.

Já no Concurso de Dança, quem saiu vitorioso foi um grupo da Escola de Dança Compasso, de Campo Grande, com a coreografia “As Panteras”. Isaque D’Erick, de 23 anos, foi o dançarino do grupo que mais chamou a atenção por executar passos complexos em cima do salto alto: “Foi muito divertido participar do concurso e uma surpresa ganhar o primeiro lugar. Estaremos aqui de novo no ano que vem”, afirma ele.

Escola de Dança Compasso vence competição de coreografias. (Foto: Gian Cornachini)

Escola de Dança Compasso vence competição de coreografias. (Foto: Gian Cornachini)

Para assistir a vídeos das apresentações da primeira edição do Explosarte, entre no novo canal da revista FEUC em Foco no YouTube: www.youtube.com/user/revistafeuc.

 

Explosarte 2014 promove concurso de música, dança e coreografia [VÍDEO]

 

Explosarte 2014 abre espaço para apresentações diversas [VÍDEO]

 

Finalistas do Concurso de Música do Explosarte 2014 se apresentam [VÍDEO]

 Grupo ‘Sabendo ou não, fazemos arte’, composto por estudantes do CAEL, fica em segundo lugar com a coreografia ‘Talk’. (Foto: Gian Cornachini)

Grupo ‘Sabendo ou não, fazemos arte’, composto por estudantes do CAEL, fica em segundo lugar com a coreografia ‘Talk’. (Foto: Gian Cornachini)

Mariana Teixeira (2° ano Edificações) apresenta monólogo. (Foto: Gian Cornachini)

Arte e cultura como tempero

 

 

Semana acadêmica é enriquecida por atividades que alimentam a alma

Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

Iniciada com um recital em homenagem ao poeta Primitivo Paes e encerrada com sarau de música e poesia, a XXIII Semana de Letras mais uma vez se destacou pela grandiosidade e variedade da programação, que contou com mais de 50 atividades e reuniu um público superior a 400 pessoas nos três dias do evento. Em meio às muitas palestras e apresentações de trabalhos acadêmicos, os participantes puderam também se deliciar com sessões em que o objetivo maior era mexer com as emoções e as sensações.

Sílvia e o filho Matheus Cesar visitam a instalação ‘Projeção de letras em luzes e formas’. (Foto: Tania Neves)

Sílvia e o filho Matheus Cesar visitam a instalação ‘Projeção de letras em luzes e formas’. (Foto: Tania Neves)

Foi o caso da instalação “Projeção das Letras em luzes e formas, sobre um olhar machadiano”, idealizada pelo aluno de Letras Adriano Marcelo com inspiração na obra e no universo de Machado de Assis. Numa sala toda revestida de tecido preto e com iluminação colorida, os visitantes eram convidados a ler pequenos trechos de obras do escritor e interagir com o ambiente. Muitos diziam experimentar uma sensação maior de atenção, que fazia com que os trechos lidos ficassem ressoando na cabeça mesmo depois de sair da sala. Para Adriano, esse efeito poderá fazer com que a pessoa depois busque aquela obra para uma leitura mais aprofundada. “Esse é o objetivo da instalação: propiciar a identificação da pessoa com a obra de Machado, a partir da curiosidade que uma proposta diferente pode provocar”.

A estudante de Letras Sílvia da Silva Ferreira gostou tanto que foi buscar o filho Matheus César, aluno do Pré 2 do CAEL, para ver também. E o que mais encantou o menino foi a máquina de escrever exposta sobre a mesinha no centro da instalação. “Aproveitei para explicar a ele que o computador não existiu desde sempre”, brincou Sílvia.

Grupo encena peça de Roberto Espina sobre contradições da propriedade privada. (Foto:  Ricardo Nielsen)

Grupo encena peça de Roberto Espina sobre contradições da propriedade privada. (Foto: Ricardo Nielsen)

No recital “Primitivo vive”, a presença da família do poeta na plateia foi um incentivo a mais para a performance emocionada de alunos e professores.    As filhas Joelma e Adriana e os netos Tiago, Diego e Derick acompanharam as boas vindas dadas pelo professor Erivelto Reis, a leitura de poemas feita por ele e os alunos Rafael Menezes, Carlos Alberto de Castro, Carlos Alberto Loureiro, Isabelle Brum, Julio Cesar Alves, Ramayana Del’Secchi, Raquel Ladeira, Elba Gaya e, por fim, um discurso emocionado da coordenadora de Letras, Arlene da Fonseca Figueira: “Educação não se faz só com conteúdos, metodologias. A arte também nos ajuda muito a aprender. E desde que o Erivelto trouxe o Primitivo aqui pela primeira vez, não parei de aprender com ele. Ele ensinou e encantou muito a nós todos”, disse Arlene, referindo-se à participação constante do poeta nos eventos acadêmicos e artísticos da FEUC.

O professor Cícero e os DVDs de Chico Buarque: momentos lúdicos durante palestras. 9Foto: Tania Neves)

O professor Cícero e os DVDs de Chico Buarque: momentos lúdicos durante palestras. 9Foto: Tania Neves)

Outro destaque cultural foi a apresentação da peça “O proprietário”, do dramaturgo argentino Roberto Espina, pelo grupo formado pelos alunos de Letras Maurício José da Fonseca e Suely do Carmo Resende, além dos professores do município Cimara Mattos e Will Tom. Segundo Maurício, o grupo é o único autorizado a representar as peças de Espina no Brasil. A obra – que Maurício adota bastante em encenação nas escolas – aborda a questão da propriedade privada, a partir de divertidos diálogos entre um sujeito que é dono de um lugar e outro que chega para usufruir do lugar.

Também nas atividades desenvolvidas durante os três dias de evento pelo professor Cícero Sotero Batista na sala de vídeos da Biblioteca, com base na obra de Chico Buarque (que acaba de completar 70 anos), o componente lúdico esteve em alta, já que Cícero apresentou muitos trechos de DVS de Chico para ilustrar suas explanações sobre as possibilidades de uso da canção popular em atividades de sala de aula. “A canção é um produto singular da cultura brasileira, pois faz uma ponte entre a cultura oral e a cultura escrita”, argumentou o professor, incentivando muito os alunos a explorarem essa peculiaridade quando se tornarem professores.

No encerramento da semana, houve fôlego ainda de parte do público para curtir a apresentação poético-musical “As belas canções de Chico”, no auditório. O sarau contou com a participação de Cícero, Erivelto e Flávio Pimentel, entre outros professores e alunos.

‘Por onde eu passo, todo mundo me conhece’

 

Dotado de um talento artístico que se manifestou desde a infância, Mestre Saul é um destaque da região na pintura e na escultura, e conta aqui um pouquinho de sua caminhada sofrida e vitoriosa

Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

Ainda garoto, ali pelos 7 ou 8 anos, Saul da Silva Pinheiro fazia música batucando em latas de graxa, desenhava com lascas de carvão e repetia em pensamento um desejo: “Quando crescer eu quero ser artista. Famoso, de valor”. Corria a década de 40, e a infância difícil do menino criado em meio a quatro irmãs, com mãe costureira e separada de um PM atormentado por problemas mentais, não dava indicativos de que o sonho se realizaria. Hoje ele é o Mestre Saul, artista plástico com quadros e esculturas espalhados por todo canto do Brasil — incluindo um busto de Zumbi dos Palmares numa praça de Brasília — mas mantendo forte vínculo com a Zona Oeste do Rio, onde nasceu e voltou a morar depois de “andar por aí”.

A arte sempre foi um dom. E era com facilidade que ele conseguia tirar som de qualquer objeto, captar novos ritmos ou mesmo inventar instrumentos musicais, assim como desenhar, pintar e esculpir. “Na escola, eu me sentava na última fila, pra ninguém me incomodar. E ficava lá, desenhando…”, conta Mestre Saul. A admiração e o amor que tinha pelo pai quase o fizeram seguir a carreira militar, mas a consciência do quanto a brutalidade da profissão teve parte nos problemas psicológicos do PM bastou para matar a ideia, embora seu alvo fossem as bandas militares.

Mestre Saul

Nos quadros, construções históricas como o Palacete Princesa Isabel
e a Ponte dos Jesuítas. (Foto: Tania Neves)

Nos anos 50, Saul estudou pintura com o professor Daniel Diniz da Fonseca em Campo Grande — na União Rural de Belas Artes (Urba) — e mais tarde aprendeu escultura na Escola Nacional de Belas Artes. Sempre cavando a oportunidade: “Eu passava pela Urba e admirava aquele professor de boina, com suas cartolinas nas mãos. Um dia perdi a timidez, entrei e perguntei se podia estudar lá. Ele disse: traz bloco de desenho e lápis amanhã. Foi assim que eu comecei a estudar arte”, lembra Mestre Saul, que anos mais tarde aplicou a mesma estratégia na Escola Nacional de Belas Artes.

Conseguir viver da arte, porém, não foi fácil. Ele encarou todo tipo de trabalho para se sustentar (vendedor, ourives, gráfico), enquanto continuava pintando, esculpindo e tocando os ritmos cubanos que o seduziam. Integrou a orquestra Ivo Fontes e seus Melódicos, tocou com o saxofonista Booker Pittman, viveu a boemia ao lado de Adelino Moreira e Nelson Gonçalves… Boemia que hoje lembra com nostalgia, mas também com certa amargura: “Eu bebia demais, e olhando para trás vejo que perdi muito por causa disso”.

Mestre Saul trabalhou na Editora Bloch (primeiro na linha de produção da gráfica, depois restaurando negativos de fotos para a Revista Manchete), transferiu-se para a Abril, em São Paulo, e viveu longo período em Embu das Artes, onde exerceu mais intensamente as atividades de pintor e escultor. Voltou ao Rio nos anos 70, teve ateliê próprio, deu aula de arte em muitas escolas e enveredou por outras carreiras como a de cenógrafo e carnavalesco. Sempre fazendo arte.

Quando pergunto quantos quadros e esculturas assinou, o mestre faz um gesto de “impossível saber”, mas garante que foram centenas. Presenteados ou vendidos por quantias muitas vezes simbólicas: “Nunca fui vendedor de arte, tinha prazer de fazer quando a pessoa pedia. Sou muito mais artista do que comerciante”. Aos 76 anos, o veterano artista vive hoje numa modesta casa em Guaratiba, onde continua pintando: prepara uma série de quadros sobre a história de Campo Grande e Santa Cruz, para uma exposição.

E a fama que tanto buscava? “Fui saber agora que sou famoso. Por onde eu passo, todo mundo me conhece. Acho que só agora vi tudo o que já fiz”, filosofa o artista, admirando um retrato que pintou do botânico Freire Alemão. E revela mais um desejo: quem sabe, um dia, reunir em exposição parte de sua obra que está espalhada por aí, em casas, prédios, coleções particulares?

Peça teatral discute a vida, na próxima quarta

 

“O corpo que fala” pretende emocionar o público com expressões corporais

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

A peça teatral “O corpo que fala”, dirigida pelo professor de teatro da FEUC, Adriano Marcelo Leandro Monte, está a dois dias de acontecer. Na próxima quarta-feira, dia 21, o enredo será apresentado em duas sessões no Auditório FEUC: às 18h30min e às 20h30min. A peça, que tem 1 hora e 10 minutos de duração, irá contar a história do nascimento do homem com expressões corporais e revelar que gestos simples podem se transformar em mensagens completas.

O corpo que fala teatro FEUC

A origem da vida e as diversas fases do homem são o assunto que dá suporte para o principal objetivo da peça: mostrar que nosso corpo se comunica de diversas maneiras. Duas teorias servirão para compor o enredo: o criacionismo e o evolucionismo. A primeira, trata-se da criação da vida por um ser divino — no caso deste enredo, O Deus do cristianismo. Já a segunda teoria é a proposta pelo naturalista britânico Charles Robert Darwin, que sugere que o homem e todas as espécies vivas surgiram (e ainda surgem) a partir de um processo evolutivo, ou seja, da transformação lenta do mundo.

O diretor da peça conta seu desejo em realizar a obra: “Sempre tive vontade de fazer uma peça sobre expressão corporal, pois é possível falar apenas com o semblante, e a gente entende vendo o rosto da pessoa sem que ela diga nada”, ressalta Adriano. A dificuldade em fazer uma apresentação de expressão corporal está no tempo necessário para o ensaio. Segundo Adriano, são necessários seis meses de dedicação dos atores, mas o grupo de teatro da FEUC conseguiu reduzir esse tempo para quatro meses.

O professor deixa uma mensagem para resumir o sentido de “O corpo que fala”, que pretende emocionar o público: “Quero deixar claro que as pessoas precisam acreditar em seus sonhos, porque deixar de sonhar é deixar de acreditar. Falar com palavras é fácil; difícil é falar com o coração!”, garante Adriano.

Ingressos

Os ingressos para “O corpo que fala” custam R$ 5,00 e podem ser adquiridos na tesouraria da FEUC. Os estudantes da instituição podem trocar 1 Kg de alimento não perecível por um ingresso. Os alimentos arrecadados serão destinados às famílias atingidas pelo rompimento da adutora da CEDAE, na Carobinha. A classificação etária da peça é para pessoas a partir de 10 anos, devido a cenas de consumo de drogas.

Grupo de teatro

O grupo de teatro da FEUC é coordenado pelo professor Adriano Marcelo Leandro Monte, que também trabalha como auxiliar de secretaria no CAEL. Alunos do Colégio e das FIC participam do grupo, que está em atividades há seis anos. Os ensaios acontecem nas segundas e quartasfeiras, das 13h30m às 16h. Para o professor Adriano, a atividade contribui para tornar os estudantes pessoas melhores: “Gente tímida, que não consegue falar em público e apresentar trabalhos, é transformada. O teatro ajuda os jovens a se relacionarem”, explica Adriano.

O grupo de teatro da FEUC já apresentou cerca de 10 peças. Dentre elas, estão enredos clássicos infantis como “O pequeno príncipe” e “Pinóquio”, e histórias com temáticas sociais como “Olhos nos olhos”, que levantou o problema do bullying, e “Believe”, um conto de relacionamento familiar.

Para participar do grupo de teatro basta procurar o professor Adriano durante os ensaios no Auditório FEUC. A participação é restrita aos estudantes da FEUC (Colégio e FIC) matriculados a partir do 6º ano do Ensino Fundamental.

Saiba mais

O GLOBO: Expressão corporal é mais eficiente em transmitir emoções extremas
Superinteressante: Três perguntas para entender: Criacionismo
UOL Educação: Evolucionismo: Seleção natural é a ideia central do darwinismo
Agência Brasil: CEDAE faz levantamento de prejuízos com rompimento de adutora

Pela valorização de artistas da Zona Oeste do Rio

 

A tradicional Semana de Letras chegou em sua 22ª edição e se deu a mais um objetivo: promover a cultura de Campo Grande e região

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

Flávio no violão e Umberto no vocal: dupla foi a atração da noite. (Foto: Gian Cornachini)

Flávio no violão e Umberto no vocal: dupla foi a atração da noite. (Foto: Gian Cornachini)

Entre 13 e 15 de maio, o curso de Letras das FIC promoveu a XXII Semana de Letras. Durante as manhãs e noites daqueles três dias, o público interno e externo pôde participar de palestras, minicursos, mesas-redondas e oficinas, em sua maioria voltadas para o tema desta edição da Semana: “O papel da língua e da literatura na formação do indivíduo: uma questão de direitos humanos”. A extensa programação oferecida — foram 55 atividades e 68 palestrantes diferentes — atraiu um número de participantes que chegou a quase 350 pessoas, sem contar os visitantes.

No primeiro dia do evento mais importante do curso, a coordenadora, professora Arlene da Fonseca Figueira, disse a seguinte frase: “Não faz sentido separar a universidade dos artistas de nossa região”. Arlene se referia, principalmente, ao poeta Primitivo Paes, que faleceu em janeiro deste ano. O poeta pernambucano era morador do bairro de Campo Grande há mais de 30 anos e frequentava, nos últimos tempos, todas as atividades do curso, declamava seus poemas e fazia até apresentações teatrais. A XXII Semana de Letras homenageou o poeta em sua abertura e renomeou o Núcleo de Estudos em Linguagem (NEL) para “Núcleo de Estudos em Linguagem poeta Primitivo Paes”.

Professor Evento ‘planta semente’ na FEUC para florescer um espaço ainda maior para a cultura local. (Foto: Gian Cornachini)

Professor Evento ‘planta semente’ na FEUC para florescer um espaço ainda maior para a cultura local. (Foto: Gian Cornachini)

O poeta foi uma das personalidades que a FEUC acolheu, abrindo espaço para que ele, até então pouco conhecido em Campo Grande, pudesse levar o seu trabalho a um público mais amplo, principalmente no ambiente acadêmico. E uma atividade do último dia da Semana de Letras deu uma boa receita de como começar a abrir as portas da FEUC para que a arte trafegue com mais naturalidade e se potencialize em um espaço de disseminação de conhecimento. O sarau poético-musical “Vinícius: a vida que me desculpe, mas a arte é fundamental”, fez uma homenagem ao compositor brasileiro Vinícius de Moraes por meio de apresentações musicais, análises e declamação de poemas. Os artistas da noite foram os quatro professores que conduziram a atividade: Cícerto Batista, Flávio Pimentel e Erivelto Reis, do curso de Letras, e Umberto Eller, do curso de Ciências Sociais. Umberto e Flávio foram a atração do evento: poucos conheciam o lado musical de Eller como cantor e de Pimentel como violonista.

O professor Umberto acredita que os artistas desconhecidos não são visibilizados, de certa maneira, por culpa da mídia: “Por mais que [a FEUC] seja um espaço em que as pessoas estejam ficando esclarecidas, é inegável a influência da mídia ditando aquilo que é bom. As pessoas acham que só há coisas boas naquilo que a mídia passa”, supõe Umberto. Cícero também fez uma crítica à desvalorização da arte regional: “Atualmente, há uma preocupação com a quantificação de tudo, infelizmente. Cultura é flor que demora a pegar. É como uma flor: às vezes pega, às vezes não. Mas em Campo Grande coisas belas podem muito bem florir e merecem ser vistas por um público bem mais amplo”, avalia Cícero.

Para o professor Flávio, abrir espaço para os desconhecidos reforça o papel da instituição na Zona Oeste: “Ela [a FEUC] pode servir de elo e de divulgação. Isso faz as ideias se ventilarem, realizando uma das funções de uma universidade, que é dar voz e acesso à cultura e discuti-la”, aponta o professor.

Em sua 22ª edição, a Semana de Letras plantou mais uma semente da valorização de artistas. O próximo passo é regá-la: “Essa abertura para artistas acontece dentro de uma semana de um curso, mas deve se expandir para toda a instituição e acontecer com mais frequência”, sugere o professor Umberto.

Um outro lado dessa história, apontado pelo professor Erivelto, é a troca que há entre cultura e ciência: “A FEUC tem interesse em dialogar com a comunidade, não só para dar voz a ela, mas para ampliar também o conteúdo científico que é produzido aqui”, diz o professor. “Nosso espaço acadêmico é um local dinâmico e pulsante para os debates e discussões que vão até a comunidade externa e promovem mudança social”, reforça o professor.

Cícero Batista analisou poemas de homenagem a Vinícus de Moraes. (Foto: Gian Cornachini)

Cícero Batista analisou poemas de homenagem a Vinícus de Moraes. (Foto: Gian Cornachini)

Exposição de fotos: alunos de publicidade lançam um olhar amoroso sobre a Zona Oeste

 

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

O curso técnico em Publicidade e Propaganda promoverá, de 26 de abril a 25 de maio, a exposição de fotografias “Zona Oeste – Eu amo”. A mostra reunirá fotografias da Zona Oeste do Rio que retratem o que os estudantes enxergam de mais belo na região. O trabalho tem a coordenação dos professores Luciane de Resende e Rafael Castro, e será montado no corredor principal do CAEL e no pátio da FEUC.

A ideia de fazer a exposição surgiu da coordenadora do curso técnico em Publicidade e Propaganda, Luciane Resende: “Eu estava vendo uma mostra fotográfica que o banco Santander fez para que as pessoas mostrassem o que havia de mais belo no Rio de Janeiro. Percebi que 99% das fotos eram da Zona Sul. As pessoas esqueceram da Zona Oeste!”, conta a professora.

As estudantes Ingrid Monteiro e Rafaela de Sá acompanham os professores Luciane Resende e Rafael Castro na verificação dos lugares registrados nas fotos. A exposição deve conter apenas fotografias da Zona Oeste. (Foto: Gian Cornachini)

Luciane e o professor de fotografia Rafael Castro desenvolveram a atividade com os estudantes dos três anos do curso com o objetivo de explorar a beleza da Zona Oeste e aprimorar capacidades artísticas deles. “É uma boa forma de desenvolver o lado criativo do profissional em Publicidade e Propaganda”, afirma Rafael.

A estudante do 3º ano Rafaela de Sá, de 16 anos, está tendo dificuldades em acompanhar a atividade: “Eu não tive ideia ainda, não consigo pensar em um lugar bonito em Campo Grande”, lamenta a jovem.

Segundo a professora Luciane, é comum ouvir comentários como o da estudante Rafaela: “Os referenciais de beleza que temos são sempre da Zona Sul. Os alunos não usam referências da Zona Oeste”, explica. “Eles chegam em mim e falam assim: ‘Professora, mas o que é que tem de belo em Campo Grande?’ E eu insisto que quero que eles tenham uma visão criativa, que a gente possa ver os olhares desses adolescentes sobre a Zona Oeste”, esclarece ela.

Já o professor Rafael afirma que as paisagens passam despercebidas na rotina diária da população urbana: “De repente, a paisagem está ali todo dia, mas você está cansado no ônibus, pois acordou cedo, trabalhou o dia todo e foi à noite para a faculdade. Então, você não olha para aquela paisagem. Mas se estiver com um olhar mais fresco, você percebe que aquele lugar que está na esquina da sua rua tem sua beleza, mas que passa invisível aos seus olhos”, exemplifica Rafael.

Ingrid Monteiro, de 17 anos, estudante do 3º ano, não terá problemas em trazer o que enxerga de mais bonito para a exposição: “Moro em Barra de Guaratiba e lá tem muitas praias, lugares bonitos para serem fotografados. A professora Luciane me pediu para fazer várias fotos de lá. Vou trazer umas dez!”, garante Ingrid.