Ex-aluno de Geografia publica artigo em revista gaúcha

 

Trabalho aborda relação de música e geografia nas composições de Mano Brown e Chico Science

Tania Neves
emfoco@feuc.br

Demetrius: música com geografia dá samba (Foto: Arquivo Pessoal)

Demetrius: música com geografia dá samba (Foto: Arquivo Pessoal)

O começo de 2013 trouxe boas novas para o professor Demetrius Silva Gomes, que se formou em Geografia nas FIC em 2010: a publicação de um artigo científico de sua autoria na respeitada revista eletrônica “Para Onde!?”, do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (veja a edição atual em http://seer.ufrgs.br/paraonde/issue/current).

O trabalho, intitulado “Música, geografia e ensino: o diálogo local/global nos movimentos mangue beat e hip-hop”, foi um desdobramento da monografia de Demetrius nas FIC, e que ele originalmente submeteu à comissão organizadora do “I Colóquio Geografia, Literatura e Música”, realizado em abril de 2012 na UFRGS. O professor foi selecionado para participar do colóquio, mas não teve condições financeiras de ir a Porto Alegre apresentar sua pesquisa. “Foi uma alegria imensa receber a notícia de que o artigo saiu publicado na edição especial da revista sobre o colóquio”, diz Demetrius: “É o nosso nome, meu e da FEUC, no mapa”.

Ainda em 2010, Demetrius apresentou sua pesquisa no VI Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros, na Uerj, e arrebatou a plateia com a interessante leitura que fez da articulação entre música e geografia no repertório dos compositores Mano Brown e Chico Science, que cantam a sua localidade ao mesmo tempo em que se firmam na globalidade da música e do mundo.

Na época em que deu forma à monografia, Demetrius era estagiário no Colégio Nossa Senhora do Rosário, em Campo Grande. Depois de formado, lecionou no próprio Rosário e passou também por Belisário dos Santos e Monteiro Lobato. Hoje é professor da rede Santa Mônica. E encanta os alunos com seu modo todo especial de ensinar geografia, ancorado numa abordagem cultural que busca identificar na música as marcas do pertencimento das pessoas aos seus lugares. “Os alunos ficam verdadeiramente interessados e se surpreendem de ver que é possível estudar geografia assim”, afirma Demetrius.

Comprovando que geografia com música dá samba, o ex-aluno da FEUC já ensaia as próximas notas: tem um artigo rascunhado sobre a geografia de Minas Gerais e a música dos compositores do Clube da Esquina, anda pesquisando também a relação de Djavan com o local e o global e projeta algo a respeito do Jongo: “A geograficidade desse ritmo me interessa muito”, conclui o professor, que almeja com tais projetos ganhar fôlego para cursar um mestrado nesse alinhamento de música e geografia.

Confira o artigo do professor Demetrius Gomes em http://seer.ufrgs.br/paraonde/article/view/36499/23913.

Professor Choeri dá as boas-vindas aos calouros das FIC em Aula Inaugural

 

Encontro de ambientação tem o objetivo de apresentar a instituição aos novos alunos

Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

Professor Valdermar dá sugestões para orientar a vida acadêmica dos calouros (Foto: Gian Cornachini)

Professor Valdermar dá sugestões para orientar a vida acadêmica dos calouros (Foto: Gian Cornachini)

No último dia 27 de fevereiro aconteceu a Aula Inaugural das novas turmas das FIC. O evento, que reuniu calouros de todos os cursos de graduação no auditório da FEUC, foi conduzido pelo diretor geral das FIC, Hélio Rosa de Araujo, e contou com palestra proferida pelo presidente da FEUC, Wilson Choeri. Participou, também, o professor Valdemar Ferreira da Silva, vice-coordenador acadêmico e responsável pela Comissão Própria de Avaliação.

A Aula Inaugural das FIC é uma tradição na FEUC. Ela acontece sempre nas primeiras semanas de cada período letivo e tem o objetivo de apresentar a instituição aos calouros. Nela são esclarecidas as normas internas, o funcionamento e a estrutura dos cursos e o modo de se conduzir uma vida acadêmica.

O professor Valdemar Ferreira da Silva deu sugestões aos alunos de como fazerem uma boa graduação: “Leiam bastante, devorem os livros porque isso fará muita importância na vida de vocês”, recomendou. Hélio Rosa de Araujo completou a fala do professor: “O curso é feito pelo aluno. Por isso, quando o aluno faz um curso bem feito, ele não precisa se dobrar para nenhum outro concluinte de qualquer instituição”, disse o diretor.

Momento nobre

O momento mais esperado da aula inaugural foi a palestra proferida pelo presidente da FEUC, Wilson Choeri. Anunciado pelo professor Hélio como “a parte nobre” da aula inaugural, Choeri subiu ao palco do auditório e discursou por cerca de 40 minutos.

Wilson Choeri, presidente da FEUC, foi o palestrante da Aula Inaugural (Foto: Gian Cornachini)

Wilson Choeri, presidente da FEUC, foi o palestrante da Aula Inaugural (Foto: Gian Cornachini)

A atenção do presidente esteve voltada à formação de excelência dos futuros professores e ao desafio que os aguarda na educação brasileira: “A escola básica sofre bastante deficiência, e a maior parte dos municípios brasileiros carece de educação”, afirmou ele. “O professor é quem dará capacidade ao seu aluno de entender as transformações do mundo, filtrar informações e ter capacidade crítica de avaliá-las”, ressaltou Choeri.

Ao final da aula, o presidente deixou uma mensagem de apoio aos estudantes: “Não desistam, não abandonem a luta, qualquer que seja o campo, pois lutar é viver, é existir, é não perder o otimismo — essência fundamental do ser humano”, concluiu.

A expectativa pela fala do professor Choeri está ligada à sua bagagem intelectual e cultural, enriquecida ao longo de uma carreira de sucesso na área da educação. Formado em Ciências Sociais e Estatística, ele dedicou sua vida toda ao campo educacional. Seu currículo concentra cargos como os de professor e vice-reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), diretor geral do Colégio Pedro II e criador do Projeto Rondon (coordenado pelo Ministério da Defesa), além de ser um dos fundadores da FEUC e estar há 21 anos à frente do Conselho Diretor da instituição.

Sem perder a ternura (e a paciência) jamais

 

Há 23 anos atrás do guichê da Tesouraria, Antônio Damasceno, o Tonhão, conquista a todos com sua simpatia e dedicação ao trabalho

Tania Neves
emfoco@feuc.br

 

Há quem diga que o atual hit na voz de Roberto Carlos é somente uma adaptação. Os supostos versos originais, de autoria de um tal Antônio Damasceno de Freitas, seriam algo como “O cara que atende você toda hora/Que até corta a multa se você demora/Que está todo o tempo atrás do guichê/Com uma palavra gentil pra você/E mesmo se você reclama/Ele diz que te ama/Esse cara sou eu”. Mas é pura lenda. Embora o Tonhão da Tesouraria seja mesmo O Cara, ele não precisa “cantar” isso: os outros o fazem por ele.

Tonhão no guichê em que trabalha há mais de duas décadas: sempre com um sorriso no rosto e muito bom humor. (Foto: Gian Cornachini)

Tonhão no guichê em que trabalha há mais de duas décadas: sempre com um sorriso no rosto e muito bom humor. (Foto: Gian Cornachini)

“É o cara mais legal com quem eu já trabalhei. Vê-lo em ação é uma verdadeira aula”, opina Érica Motta, auxiliar de tesouraria como Tonhão e há três meses sua companheira do outro lado do guichê. “Desde que cheguei, ele me recebeu muito bem, a mim e a meu filho, que também estuda aqui”, completa a colega, enxugando as lágrimas de emoção.

Damasceno, de 45 anos, ganhou o apelido de Tonhão no ato de sua contratação, há quase 23 anos, da então Diretora Administrativa, dona Arith. “Ela perguntou se eu tinha apelido, respondi que me chamavam de Tuninho. E ela foi enfática: ‘Um homem desse tamanho, Tuninho? Tinha que ser Tonhão’. E aí pegou”, lembra o auxiliar de tesouraria, que sempre atuou nessa mesma função.

Antes de aportar por aqui, porém, ele fez de quase tudo. Trabalhou em loja de tintas, aviário, sapataria, numa petroquímica e até na manutenção de um trio elétrico na Bahia. “Uma vez que resolvi contar, constatei que já fiz 27 coisas diferentes”, diz ele, revelando que de modo geral teve mais sucesso na função de vendedor: “O segredo é ter uma boa conversa, conhecer bem o produto que está vendendo e se interessar de verdade pelo cliente”.

Na Tesouraria da FEUC ele aplica exatamente essa fórmula: conhece como ninguém a instituição e as características do “produto” – no caso, os cursos; interage com alunos e pais a ponto de algumas vezes ser convocado como conselheiro ou ombro amigo; tem um discurso entusiasmado e extremamente respeitoso com todos. Todos mesmo. “Até quem chega às vezes com meia-dúzia de pedras nas mãos ele trata com extrema delicadeza, aí quebra a pessoa”, conta Cláudia Alves, que trabalhou por 2 anos com Tonhão e hoje atua no Financeiro.

O Cara explica: “Tem gente que chega aqui estressada, por causa dos diversos problemas da vida, e fala grosso. Já fui xingado, destratado. Se eu responder na mesma moeda, vira briga. Então procuro entender e aplicar um tom de voz totalmente oposto ao que recebi. Isso sensibiliza e restaura a paz”, ensina.

A fã mirim Isabel Villar e Tonhão, que era Tuninho: estatura inspirou mudança no apelido do auxiliar de tesouraria. (Foto: Gian Cornachini)

A fã mirim Isabel Villar e Tonhão, que era Tuninho: estatura inspirou mudança no apelido do auxiliar de tesouraria. (Foto: Gian Cornachini)

As razões principais de queixas em seu guichê, segundo Tonhão, têm a ver dinheiro, claro. “Há quem reclame que a faculdade está cara, diz que vai se transferir para um concorrente mais barato. Nesses casos, eu convido a uma reflexão: primeiro peço para comparar nossa qualidade com a dos concorrentes, depois lembro casos de alunos que fizeram a besteira de trocar a FEUC por outra instituição e voltaram arrependidos”, conta.

Embora de modo geral as mensalidades sejam pagas diretamente nos bancos, a facilidade de poder quitar na tesouraria num horário mais estendido – entre 8h e 21h – e com cartão de débito é um atrativo. Com a vantagem de que, havendo apenas um dia de atraso, o auxiliar de tesouraria tem o poder de cobrar o valor sem acréscimo, o que não aconteceria no banco. Casos excepcionais ele encaminha à direção para negociação. “Certa vez uma aluna chegou aqui com o formulário de trancamento de matrícula na mão, dizendo que passava por terríveis dificuldades e só lhe restava interromper o curso. Na mesma hora rasguei o formulário e a orientei a pedir parcelamento da dívida. Tempos depois, quando se formou, ela veio me agradecer, disse que se eu não tivesse feito aquilo ela nunca teria concluído a faculdade. Fiquei feliz”.

Casado há 5 anos com Roberta e pai de Rebeca, de 12 anos (do primeiro casamento) e Ana Luiza, de 2 anos, Tonhão fora do trabalho gosta de curtir a família e se dedicar a ações sociais da igreja evangélica que frequenta. “A única coisa que não gosto muito, mas faço sempre, é passear no shopping. Afinal, tenho que agradar minhas meninas”. Ele é ou não é O Cara?

 

E os poetas vencedores de 2012 são…

 

Alunos de Letras e participantes de São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul ficaram com os três primeiros lugares das duas categorias

Tania Neves
emfoco@feuc.br

Uma das marcas registradas da instituição, o Prêmio FEUC de Literatura chegou em 2012 à sua 19ª edição contabilizando a maior participação de todos os tempos: 410 inscritos nas duas categorias (Alunos da FEUC e Âmbito Nacional), revelando novos talentos e confirmando a veia poética de concorrentes habituais. No primeiro caso está Robson Rafael Nascimento, que se formou ano passado em Literaturas e faturou o segundo lugar em sua estreia no certame. No segundo caso estão os alunos de Letras Suely Resende (nome artístico: Gui Soarrê), primeira colocada, e Paulo D’Athayde, terceiro colocado – ela que já prestigiava o concurso antes de estudar nas FIC e ele um colecionador de boas colocações, como o primeiro lugar de 2011 e o segundo de 2010. “Com este terceiro lugar o Paulo acaba de experimentar todas as posições do pódio”, destaca o poeta e professor Américo Mano, coordenador do Prêmio FEUC ao lado da também poeta e professora Rita Gemino.

Américo Mano e Rita Gemino (em primeiro plano) com Robson Rafael, Gui Soarrê e Paulo D’Athayde, vencedores na categoria Alunos da FEUC: um estreante e dois veteranos no concurso. (Foto: Gian Cornachini)

Américo Mano e Rita Gemino (em primeiro plano) com Robson Rafael, Gui Soarrê e Paulo D’Athayde, vencedores na categoria Alunos da FEUC: um estreante e dois veteranos no concurso. (Foto: Gian Cornachini)

Na categoria Âmbito Nacional, os vencedores foram Geórgia Stella (RS), com o poema “Serial killer”; Allan Santana (BA), com “Gênero: amoroso”; e Paulo Franco (SP), com “Infinito”. Assim como os alunos da FEUC, eles receberam medalhas e as premiações de R$ 400, R$ 300 e R$ 200.

Embora eventos esporádicos de poesias tenham ocorrido na década de 80, a história registrada do concurso se inicia em 1993, quando um festival foi organizado pelos professores Célia Neves e Mauro Ferreira em conjunto com o Diretório de Estudantes. Uma aluna de Pedagogia e um aluno de Letras ficaram respectivamente com o primeiro e o segundo lugares: Rita Gemino e Américo Mano. Começava aí o romance entre os dois – hoje casados – e sua história de amor com o Prêmio FEUC. No ano seguinte houve apenas um sarau durante a Semana de Letras, mas em 1995, com a ex-aluna Rita contratada como professora do CAEL e assumindo o Centro Cultural da FEUC com Américo, o concurso foi reeditado e passou a ocorrer todos os anos.

“Há muito que o Prêmio FEUC tem reconhecimento nacional”, diz Rita, hoje professora das FIC, enumerando os detalhes que dão tal prestígio ao concurso: “Não cobra taxa de inscrição, dá premiação em dinheiro e edita antologias com os selecionados na primeira etapa, embora a publicação esteja um pouco atrasada”.

Poetas atuantes nos círculos culturais de Campo Grande e outras localidades do Rio, Rita e Américo costumam trazer importantes nomes da literatura para compor as bancas examinadoras, ao lado de professores da casa.

 

Saiba um pouco mais sobre os poetas premiados da FEUC

“É meu primeiro dinheiro com as Letras, tenho que empregar bem”, brincou Robson Rafael sobre o prêmio de R$ 300. Policial, ele faz planos de seguir a carreira de professor e poder deixar a PM: “Para ter de volta minhas noites de sono”.

Já Gui Soarrê, que cursa Letras por satisfação pessoal, não sabe se irá lecionar, mas a cada dia está mais à vontade na poesia: “Só que tenho um problema: não guardo o que escrevo, depois fico louca procurando”, diz a atriz profissional e maquiadora.

Paulo D’Athayde, iluminador cênico e professor de iluminação, acredita que um dia acabará dando aulas de português: “Sou de uma família de professores, não tem jeito”, avalia o poeta, revelando que sempre se surpreende quando conquista um pódio: “Entro no concurso pensando apenas em conseguir figurar na antologia”.

Poemas Vencedores

1º Lugar: Regresso a Minas (Gui Soarrê)

Quando o cheiro da janta encheu a casa,
Eu saí batendo a porta.
Ganhei mundo, perdi de vista a parede juntada de buganvílias…
Só quando a fome bateu, fiz viagem de volta.
Quando entrei,
O fogão ruiu
O espelho quebrou
O meu pai morreu.
Minha mãe permaneceu bonita
A porta que fechei não vi
E a janta já havia sido servida.

 

2º Lugar: Reportagem (Robson Rafael)

Era só uma preta de favela.
Magra, esquálida, forte que só ela.
Perda sofre dos filhos pela arma:
dois pretos ceifados que não alarma.

Era só uma preta favelada.
Perto do macaco, sua dor é nada.
É delícia, prazer sobremaneira
para as crias da águia carniceira.

Era só uma preta que chorava,
E vale pouco no cotidiano.
Diversão rápida proporcionava.

Era só uma preta, várias/ano,
Vida destruída que não tocava,
dois pretos consumidos,vários/ano.

 

3º Lugar: T P M (Paulo D’Athayde)

Doce framboesa
Lábios de batom vermelho

A carne
Pele
Poros
Pelos
O cheiro

A alma
Lua minguante
Lua nova
Quarto crescente
Lua

Que sangra
Sangra
Sangra

Tudo é Poesia na Mulher

Ano começa com novidades por todos os lados

 

Implantação de Plano de Cargos e Salários dos funcionários administrativos, Programa de Iniciação Científica nas FIC e novos laboratórios no CAEL são algumas das novidades para este ano

Da Redação
emfoco@feuc.br

Firme no compromisso assumido há pouco mais de 20 anos de promover o crescimento da FEUC com sustentabilidade e baseado no tripé aluno respeitado, empregado satisfeito e melhoria da infraestrutura, a atual gestão tem uma série de ações importantes previstas para este ano de 2013. Entre elas destacam-se a implantação do Plano de Cargos e Salários dos funcionários administrativos e de apoio; a ampliação e melhoria das condições de acessibilidade dos prédios; a priorização, nas novas contratações, de candidatos com deficiências ou limitações, mas habilitados ao trabalho.

Evando da Cruz Silva, de 18 anos, que está em período de testes no setor de Suporte de Informática, é um exemplo dessa política. Em seu primeiro emprego com carteira assinada, o jovem, que tem uma deficiência no braço direito, está eufórico com a oportunidade conquistada: “Encho a boca para dizer que trabalho na FEUC. Apesar da deficiência, não há nada que eu não possa fazer, quero crescer nessa área e ser um futuro Vitão”, disse ele, referindo-se ao funcionário Victor Abreu.

Evando em ação na desmontagem de um computador: ‘não há nada que eu não possa fazer’. (Foto: Gian Cornachini)

Evando em ação na desmontagem de um computador: ‘não há nada
que eu não possa fazer’. (Foto: Gian Cornachini)

Iniciação científica, revista de Letras e muito mais

Nas FIC, há várias atividades previstas para movimentar os cursos. A principal delas, abrangendo todas as graduações, é o Programa de Iniciação Científica, que envolverá alunos e professores no desenvolvimento de projetos. Cada professor orientador acompanhará grupos de até quatro alunos, que receberão bolsa de 20% de desconto nas mensalidades para se dedicar a pesquisas relacionadas a suas futuras monografias. “O objetivo é incutir no graduando o espírito da pesquisa”, diz o vice-coordenador Acadêmico, professor Valdemar Silva.

Individualmente, os cursos também planejam novidades. Letras já tem tudo preparado para lançar a revista “Letras na FEUC”, no segundo semestre. A chamada para apresentação de artigos será feita ainda em março ou no máximo em abril. “As edições não terão temas específicos, os artigos poderão abordar qualquer assunto de interesse dos estudos de língua e literaturas”, explica a coordenadora Arlene da Fonseca.

Na História, a coordenadora Vivian Zampa destaca uma nova fase da pesquisa dos documentos sobre a história de Campo Grande feita no Fundo do Conselho Ultramarino: “Vamos partir agora para transcrever os documentos já selecionados e montar um roteiro de fontes para futuras pesquisas. Quem sabe até buscar um patrocínio para a publicação desse roteiro, que seria de grande valia para pesquisadores interessados nesse período da história do bairro”, diz.

“Como estabelecer uma relação com o universo do ensino básico que não seja unicamente a presença do discente que realiza o estágio orientado?” Partindo dessa pergunta, o curso de Ciências Sociais decidiu criar o Laboratório de Pesquisa e Ensino de Sociologia (Lapes), com o objetivo de construir uma interlocução com escolas de Ensino Médio da rede pública da região e desenvolver ferramentas de ensino e pesquisa no campo de Ciências Sociais. “Sobretudo nos grupos que se aproximam da conclusão do curso, percebemos um conjunto de dúvidas, assim como grande disposição e entusiasmo em buscar respostas. O Lapes vem para auxiliar nesse movimento”, diz a coordenadora Célia Neves.

Na Geografia, o coordenador Luiz Mendes informa que dará continuidade na definição do Rio da Prata como área de estudo do curso: “Principalmente nas áreas de Geografia Agrária (ruralidades do urbano), Meio Ambiente, Socioeconomia e Geografia Física, que engloba Geomorfologia, Geologia e Recursos Hídricos”, diz ele, ressaltando que um dos objetivos será verificar as bases de dados socioeconômicos e educacionais existentes para a região.

Já o coordenador Alzir Fourny Marinhos apostará as fichas da Matemática na oferta de mais e melhores cursos de extensão ao longo do ano, assim como na manutenção e ampliação do projeto Desbloqueando, de aulas de reforço para a comunidade, que dá ao graduando sua primeira experiência como professor. “Mas nosso foco em 2013 será mesmo nos cursos de extensão, importantes para incrementar a formação de nossos alunos”.

Preocupados com os resultados ruins no Enade, a coordenadora de Pedagogia, Maria Lícia Torres, e o vice-coordenador de Computação, Rodrigo Neves, voltarão seus esforços primeiramente para uma preparação de longo prazo dos alunos para a prova de 2014. Outras ações virão a seguir, como a reestruturação de disciplinas e promoção de eventos acadêmicos. “Com a reestruturação de nosso Núcleo de Estudos em Sistema de Informação, buscaremos parcerias com empresas para levar atividades de extensão à comunidade”, diz Rodrigo.

Mais laboratórios, viagens e apoio pedagógico às turmas

No CAEL teremos a montagem do laboratório de Alimentos, Bebidas e Hospedagem, do curso de Turismo, e o laboratório de Pneumática, do curso de Automação Industrial. O estúdio de Fotografia já está prontinho para uso do curso de Publicidade. E o programa de Cultura Internacional vai propor nova viagem ao exterior com os alunos em 2013. Na Educação Infantil (a partir do Maternal II) e no primeiro segmento do Ensino Fundamental a novidade é a entrada no Sistema Uno de Ensino, adotado primeiramente nos outros segmentos. “Esse sistema, que apresentou bons resultados nas turmas em que foi aplicado, agora estará à disposição das demais séries”, explica Esther Bendelack, coordenadora da Educação Infantil. “Além do material didático de alto nível, os professores passam a ter à disposição consultores especialistas para dar apoio nas dificuldades pedagógicas que enfrentarem no dia a dia”. No Colégio Magali, o que encantou os pais neste começo de ano foi o perfil no Facebook (www.facebook.com/ColegioMagaliFeuc) criado para que eles acompanhem parte das atividades de seus filhos na escola. “Além de postar fotos das atividades realizadas, também vamos usar o canal para manter a família informada sobre programações futuras. Acredito que ganharemos muito em entrosamento”, avalia Silvia Cezar, diretora adjunta e coordenadora.

Desempenho das FIC na avaliação do MEC segue em trajetória crescente

 

Dois cursos alcançaram nota 4, dois se mantiveram com 2 e os demais ficaram com 3. Ações para sanar os problemas apontados já foram iniciadas

Gian Cornachini e Tania Neves
emfoco@feuc.br

Divulgado em dezembro passado, o resultado final das avaliações do MEC nas instituições de ensino superior relativas ao triênio 2009/2011 nos trouxe muito boas notícias, embora algumas nem tão alvissareiras assim. As FIC confirmaram sua nota 3 no Índice Geral de Cursos (IGC). Entre as graduações, Ciências Sociais e Licenciatura em Computação obtiveram uma inédita nota 4 no Conceito Preliminar de Curso (CPC), enquanto Matemática, Geografia, Letras e História compartilharam o conceito 3. Pedagogia e Bacharelado em Sistemas de Informação, apesar de estarem em trajetória de crescimento, continuaram com nota 2, o que custou à instituição uma medida cautelar que impediu a realização do vestibular de início de ano para ambos os cursos.

As FIC já iniciaram as ações solicitadas pelo MEC para sanar os problemas identificados e enviaram o primeiro relatório com as providências tomadas. Caso a resposta do Ministério seja positiva – e rápida – o vestibular poderia ser realizado ainda em março. “Mas só se tivermos essa resposta até a metade do mês de março, depois disso seria inviável para novos integrantes acompanharem as disciplinas já iniciadas” – explica o professor Valdemar Ferreira da Silva, coordenador da Comissão Própria de Avaliação (CPA) e vice-coordenador Acadêmico das FIC. “Estamos confiantes, porém, de que o mais tardar até o fim do semestre tudo estará normalizado”.

 

Nota de alunos no Enade foi decisiva

As boas notas obtidas pela maioria dos cursos são resultado do sério trabalho desenvolvido pelas coordenações e osInfraestrutura professores nos últimos anos, mas principalmente refletem o empenho de boa parte dos alunos no Enade. “Tivemos o cuidado de apresentar a eles o questionário socioeconômico e discutir as entrelinhas, mostrar que uma pergunta mal interpretada poderia gerar uma resposta que não refletiria a realidade do curso”, diz a professora Vivian Zampa, coordenadora de História, curso que tirou 4 no exame.

Já a professora Célia Neves, coordenadora de Ciências Sociais, optou por convocar os discentes a uma participação mais ativa na construção do curso, o que lhes permitiu observar o empenho e a integração dos professores e a coerência do trabalho realizado: “Isso gerou neles uma vibração muito grande”, destaca. Vice-coordenador de Computação, o professor Rodrigo Neves ressalta o comprometimento dos graduandos da Licenciatura: “A turma era muito boa e estudou bastante. Os alunos levaram as questões a sério, em vez de fazer de qualquer jeito”.

Um dos formandos de Ciências Sociais que fez o Enade em 2011, o policial militar aposentado Wainer Teixeira Souza conta que a turma não tomou a tarefa como mera exigência para colar grau: “Fizemos com a consciência de ser um ato de cidadania. E, ao abrir a prova, constatamos que nosso curso era top de linha: parecia que as questões haviam sido elaboradas por nossos professores”. Dircéa Costa de Sá, que se formou em Letras, também observou esse espírito: “O nosso grupo compreendeu a importância do exame”.

 

‘Escolhi a FEUC após pesquisar os conceitos’

Morador de Piquete, no interior de São Paulo, Joelson da Silva conquistou, com sua nota do Enem em 2008, o direito a uma bolsa do Prouni para cursar Ciências Sociais em uma faculdade privada. Ele decidiu estudar no Rio e

esmiuçou as notas obtidas pelas instituições que ofereciam a graduação aqui. “Na média, a FEUC foi a melhor. Os professores, a ementa e o objetivo do curso também pesaram positivamente na escolha”, conta ele, que se formou em 2011, este ano concluirá o mestrado em Políticas Públicas na FGV-SP e já foi encaminhado por seu orientador para tentar o doutorado em Sociologia na Universidade de Coimbra, em Portugal.

Ao fazer o Enade, Joelson sentiu que era o momento de retribuir: “Eu e meus colegas de turma queríamos que a nota do MEC refletisse o que de fato é esse curso: excelente”, diz ele. “E a boa nota é importante não apenas para o aluno que chega, mas também para o que se forma, pois os empregadores levarão isso em conta”.

 

Joelson na biblioteca da FEUC: mestrado na FGV e indicação para tentar doutorado em Coimbra (Foto: Gian Cornachini)

Joelson na biblioteca da FEUC: mestrado na FGV e indicação para tentar doutorado em Coimbra (Foto: Gian Cornachini)

 

Maior qualificação e tempo de dedicação dos professores

“Saímos de 2 para 3 e na próxima avaliação vamos pleitear uma nota 4”, afirma com entusiasmo a professora Arlene da Fonseca, coordenadora de Letras e nova Diretora de Ensino da FEUC. Ela atribui o bom resultado do curso ao intenso trabalho para que os alunos tivessem sucesso no Enade, mas também aos investimentos feitos na qualificação de professores e a ampliação do tempo de dedicação de parte do corpo docente: “Professores com dedicação maior para poder desenvolver os projetos do curso”, explica.

Já História conquistou um 3 quase chegando no 4: teve conceito 4 no Enade e boas notas na maioria dos quesitos, mas a graduação foi mal avaliada pela quantidade de professores com mestrado – embora a proporção de mestres e doutores esteja acima do mínimo exigido pelo MEC. Isso é possível porque o cálculo considera a média dos cursos de História do país: como o contingente maior de professores está nas universidades públicas, que têm percentual altíssimo de mestres, as FIC perderam na comparação.

Coordenador de Matemática, Alzir Fourny Marinhos diz que o conceito 3 trouxe muita alegria para ele e sua equipe. O professor ressalta que a nota 3 de seus alunos no Enade foi a melhor entre as instituições privadas da região que oferecem o curso: “A Universidade Rural tirou 3, mas outras faculdades privadas de Campo Grande, Santa Cruz, Realengo e Piedade ficaram com 2. Se você olhar a nota de uma avaliação que vai de 0 a 5, a nota 2 é muito pouco. Mas, em nível de Brasil, a nota 3 é muito boa, pois muitos cursos tiraram menos de 3. Então, a gente sobressai”, conclui.

O ponto principal que o coordenador de Geografia, professor Luiz Mendes, ressalta na avaliação é o grande avanço dos alunos com relação às edições anteriores do Enade, de 2005 e 2008: “Há uma clara evolução no aprendizado pelos alunos e a pertinência do conteúdo ministrado pelos professores”, diz Mendes, atribuindo tal desempenho também ao esforço das FIC na contratação de docentes qualificados e no apoio ao desenvolvimento do Projeto Pedagógico do Curso.

 

Degrau após degrau, com firmeza

A conquista do CPC 4 por Licenciatura em Computação e Ciências Sociais e a obtenção do conceito 4 no Enade por História demonstram os acertos das coordenações e dos professores na condução dos cursos. No caso de LIC, o resultado é o melhor entre as quatro instituições que oferecem a graduação no Estado do Rio de Janeiro. Já Ciências Sociais tem a segunda melhor licenciatura, atrás apenas da PUC. E, em História, somente as licenciaturas da federal UNIRIO e da particular La Salle, de Niterói, superaram a nota do curso das FIC no Enade.

Douglas Amancio, formado em Licenciatura da Computação: curso prepara bons profissionais (Foto: Arquivo Pessoal)

Douglas Amancio, formado em Licenciatura da Computação: curso prepara bons profissionais (Foto: Arquivo Pessoal)

Rodrigo Neves, vice-coordenador de Computação, ressalta a competência dos alunos na conquista. “A turma que fez o Enade de 2011 era excelente”, diz. O resultado, segundo ele, dará grande impulso à licenciatura: “O MEC está começando a exigir formados em Licenciatura da Computação para atuarem no Ensino Básico e Médio. Hoje, a maioria dos professores de computação é formada por tecnólogos, e nós preparamos profissionais com as características pedagógicas para trabalhar com alunos”, explica. Douglas Amancio de Oliveira, da turma que se formou em 2011, concorda: “A avaliação comprova que o curso de licenciatura está preparando bons profissionais para atuarem no mercado de trabalho”.

De sua parte, a coordenadora de Ciências Sociais, Célia Neves, atribui os resultados a um projeto cuidadoso que vem sendo construído pela equipe de profissionais em parceria com os graduandos. Segundo ela, uma característica forte do curso é que a maioria dos alunos tem absoluta convicção da escolha da carreira. “Muitos chegam com imensas dificuldades, devido à formação ruim nas etapas anteriores do ensino e por serem jovens trabalhadores que dispõem de poucos horários para o estudo. Mas se superam”, diz a professora.

Quatro com gosto de cinco

A ex-aluna Marina Ribeiro, de 39 anos, formada em 2006, é um exemplo dessa superação. Ela fez pré-vestibular comunitário e optou por Ciências Sociais por buscar numa formação superior os meios de pensar a vida e as questões sociais. Mirava o magistério, mas conquistou uma vaga de estágio no Ibase e hoje é pesquisadora do instituto: “Antes eu questionava a qualidade da formação nas faculdades privadas, mas o que tive na FEUC foi de alto nível”, diz Marina, que faz mestrado em Educação na UNIRIO e é educadora voluntária do mesmo pré-vestibular comunitário que cursou.

A percepção de Marina sobre a qualidade do curso de Ciências Sociais das FIC foi (quase) a mesma do MEC. A graduação foi bem avaliada na maioria dos aspectos, mas caiu no quesito nota do mestrado, como História, também por ser comparada com cursos de universidades públicas, embora tenha o percentual de mestres e doutores exigido pelo Ministério. “Não fosse isso, acredito que estaríamos com 5, igual à PUC”, diz a professora Célia Neves.

 

Problemas já estão sendo resolvidos

Rodrigo: Laboratório de Redes traz melhoria para Bacharelado em Sistema de Informação (Foto: Gian Cornachini)

Rodrigo: Laboratório de Redes traz melhoria para Bacharelado em Sistema de Informação (Foto: Gian Cornachini)

Pedagogia e Bacharelado em Sistemas de Informação foram os dois únicos cursos das FIC que não conseguiram sair do conceito 2 no CPC, apesar de progredir em vários aspectos com relação à avaliação de 2008. Ambos tiveram resultado ruim no Enade de 2011, o que pesou. “Esperávamos no mínimo a mesma nota do exame anterior, que foi 3” – disse a coordenadora de Pedagogia, professora Maria Lícia Torres – “vimos que o problema principal se deu com o questionário socioeconômico, que é longo, e muitos alunos não preencheram completamente”. Rodrigo Neves, vice-coordenador de Computação, admite a falha: “Deveríamos ter trabalhado mais a conscientização do aluno sobre o questionário. Faremos isso para o próximo Enade”.

O preenchimento do questionário, de fato, é problemático, como explica o coordenador da CPA, professor Valdemar Silva: “São mais de 100 questões para responder on line. Além de paciência, é preciso muita atenção, pois algumas perguntas dão margem a interpretações erradas”, analisa. Uma das soluções adotadas por professores foi a de discutir o questionário com os alunos e convidá-los a preencher em grupo, nos laboratórios de informática. “Precisamos generalizar isso”, conclui Valdemar.

Quanto a outras deficiências identificadas, o coordenador da CPA informa que a instituição já começou a corrigi-las e enviou ao MEC um primeiro relatório a respeito. Entre elas estão a revisão do projeto pedagógico de ambos os cursos, a implantação do Programa de Iniciação Científica e, mais especificamente para BSI, elevação do número de docentes com dedicação parcial e integral, recomposição do Núcleo Docente Estruturante (professores que apoiam a coordenação no desenvolvimento de projetos) e melhoria na infraestrutura do curso, como a criação de um Laboratório de Redes.

Estudo, adrenalina e diversão

 

De casa ao CAEL: estudantes escolhem o skate para percorrer o trajeto

Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

Tem gente que vai para a escola a pé, outros são levados pelos pais, e há, também, aqueles que preferem pedalar para encurtar o tempo do trajeto. Agora, usar skate para chegar mais rápido e, de quebra, se divertir no caminho é uma opção para poucos — ou melhor, para corajosos.

Os amigos Felipe Bento e Gabriel Coli aboliram a caminhada: o trajeto da casa deles até o CAEL não passa de 5 minutos com o longboard (Foto: Gian Cornachini)

Os amigos Felipe Bento e Gabriel Coli aboliram a caminhada: o trajeto da casa deles até o CAEL não passa de 5 minutos com o longboard (Foto: Gian Cornachini)

No Colégio de Aplicação Emmanuel Leontsinis, o CAEL, é possível encontrar alguns corajosos que ousam fazer o trajeto de casa à escola em cima de um skate. Até o ano passado, Felipe Bento, formado no Ensino Médio e técnico em Publicidade e Propaganda, era um dos estudantes que trocavam a caminhada pelas quatro rodinhas: “Tentei juntar o que gosto com o lugar em que tinha que ir. Moro perto do CAEL e, ao invés de ir a pé, eu ia de longboard”, conta o jovem. Felipe prefere o skate tipo longboard ao comum, pois, para ele, nesse equipamento é mais fácil de se equilibrar: “No longboard, a base é maior. No skate, eu me sinto mais limitado, não dá para abrir mais a perna senão já sai fora dele”, explica Felipe.

A graça pelo longboard não apareceu da noite para o dia. O desejo pelo objeto veio de alguém que exibia suas manobras para Felipe: era Gabriel Coli, amigo do mesmo condomínio e, também, do CAEL. Gabriel está no terceiro ano do Ensino Médio, cursa técnico em Informática e, assim como seu amigo, aboliu a caminhada: “Às vezes acordo atrasado e, por isso, prefiro ir de longboard. Demora uns dez minutos da minha casa até a escola. De ‘long’, dá só uns quatro minutos”, observa Gabriel.

Trânsito: o maior inimigo

Dividir a rua com carros não é nada fácil para skatistas. É comum ouvir histórias de gente que já se acidentou colocando seu skate para andar, lado a lado, com automóveis no trânsito. Até mesmo Felipe e Gabriel não escaparam de alguns perigos em seus passeios com o longboard. “Certa vez, quando eu atravessava uma rua, meu ‘long’ travou na calçada, eu caí e me ralei todo. Mas o pior foi o carro ter atropelado meu ‘long’. O motorista poderia ter desviado…”, lembra Gabriel. Com Felipe, algo mais sério quase aconteceu: “Eu estava andando na rua e um motorista de uma van me prensou, até que o pneu dela agarrou em meu ‘long’. Eu caí, não me machuquei muito, mas poderia ter sido pior. O motorista jogou o carro em cima de mim, foi de propósito”, conclui o jovem.

No Brasil, não há uma lei de trânsito que enquadre os skates. Por isso, segundo o advogado especialista em direito de trânsito Marcelo Araújo, não é possível ordenar que os skatistas devam andar na rua ou na calçada: “Os skates são objetos que permitem deslocamento terrestre, mas não são classificados como veículos”, explica o advogado. “Até então, esses equipamentos são desportivos e inapropriados para uso na via pública. O recomendado é utilizá-los em ambientes recreativos, fora do trânsito de automóveis”, esclarece Marcelo. Enquanto uma lei não regula o skate, a atenção dos motoristas deve ser constante, conforme sugere o advogado: “Como não há regras para os skatistas, não dá para prever o comportamento deles no trânsito. Cabe ao motorista adotar prudência e atitude defensiva”, recomenda.

Tanto Gabriel como Felipe já viram que andar na rua com longboard não é só diversão. Os estudantes também adotaram medidas preventivas para evitar possíveis acidentes: eles andam na calçada, não correm muito e vão para a rua somente quando o semáforo está fechado. “A gente evita andar na rua quando está muito movimentada. Ficamos mais na calçada, apesar delas serem horríveis. Precisaria ter ciclofaixas em Campo Grande e no caminho para a escola. Seria perfeito!” — sugere Felipe.

Na ausência de espaços mais seguros, a dupla só coloca o longboard na calçada para se locomover: “No condomínio em que moramos tem mais espaço, não passa carro e dá para praticar as manobras”, afirma Gabriel. “Então, a gente prefere dar nossos ‘rolés’ lá mesmo, que é muito mais tranquilo”, garante Felipe.

 

Dois irmãos, um skate, um longboard e um plano

Ao contrário de Felipe Bento e Gabriel Coli, os irmãos Gabriel e Rafael Boti não estão liberados para percorrer o trajeto de casa ao CAEL de skate. Gabriel está no 9º ano do Ensino Fundamental e Rafael no 8º ano. Para completar, a mãe deles, Elisabete Boti, está no 7º período do curso de Pedagogia das FIC e trabalha como auxiliar de Recursos Humanos na Coordenação de Estágios e Mercado de Trabalho (CEMT), na FEUC. Elisabete não deixa seus filhos irem de skate para o colégio. O motivo é o trânsito: “Os motoristas são muito irresponsáveis, não dá para confiar em deixá-los andar na rua de skate. É muito perigoso, e eu tenho medo de que eles sejam atropelados ”, assume a mãe.

Elisabete (ao fundo), mãe de Rafael e Gabriel, descobre a o plano dos garotos (Foto: Gian Cornachini)

Elisabete (ao fundo), mãe de Rafael e Gabriel, descobre a o plano dos garotos (Foto: Gian Cornachini)

Os irmãos já tentaram ‘passar a perna’ em Elisabete — o que rendeu uma boa história: “Os dois aproveitaram que vínhamos juntos para a FEUC e colocaram o skate e o longboard no porta-malas do carro”, conta a mãe. “Era rotina eles saírem da aula e guardarem as mochilas no carro para eu levá-las embora. Nesse dia, quando foram guardá-las, lembrei de falar algo para eles e peguei os dois no flagra: meus filhos estavam retirando o skate e o ‘long’ do porta-malas do carro para voltar com eles para casa”, lembra Elisabete, rindo da história.

Para ajudar a diminuir os riscos no trânsito e os acidentes no desporto, Alex Batista, instrutor e sócio da Guanabara Longboard Escola, oferece algumas dicas: “Equipamentos de segurança nunca são demais. Capacetes e joelheiras são primordiais”, aponta Alex. “Há muitos motoristas mal-educados. Por isso, deve-se evitar a disputa do espaço com automóveis ou frequentar lugares muito movimentados”, aconselha o instrutor.

A fim de prezar pela segurança de seus filhos, Elisabete leva Gabriel e Rafael, frequentemente, para pistas de skate de Campo Grande, Zona Sul e Itaguaí: “Eu não os deixo andar na rua, mas compenso levando-os para as pistas de skate. Tem dias que fico até de madrugada com eles nas pistas. Aproveito até para levar meu tablet e colocar meus e-mails e trabalhos em dia”, diz ela.

Além de diversão para os irmãos, os skates despertam o coração das garotas: “As meninas acham legal ver a gente andar de skate”, garante Rafael. “Com certeza, elas ficam interessadas. Já estão até chegando em nós”, revela o garoto, com um sorriso largo e bochechas vermelhas.

 

Muito além dos livros e cadernos

 

Profissionais como nutricionista, orientadora educacional, enfermeira e fonoaudióloga estão a postos para garantir o bem-estar do aluno na execução de suas atividades diárias

Da redação
emfoco@feuc.br

Um aluno que desmaia com frequência; outro que não consegue acompanhar a fala do professor e se dispersa; um terceiro que até presta atenção, mas retém pouca coisa. Já se foi o tempo em que tudo isso poderia passar despercebido ou ser tratado como preguiça ou mera indisciplina. Com o time de especialistas em atuação também fora das salas de aula no CAEL – como fonoaudióloga, orientadora, enfermeira e nutricionista – esses pequenos problemas são detectados antes que se tornem grandes e atrapalhem a vida de crianças e jovens nos estudos. “E tratados da maneira mais transparente possível, unindo forças da escola, da família e do próprio aluno” diz a diretora Regina Sélia Iápeter.

Regina explica que, além de dar suporte aos estudantes, a função desses profissionais também é a de promover a integração da família com a escola. Cecília Laranjeira, orientadora educacional do Ensino Médio e Técnico, ressalta o papel de sua especialidade: “Embora os professores também estejam voltados para isso, cabe ao orientador fazer a supervisão das questões de relacionamento entre todos na escola e cuidar para que haja um ambiente propício ao crescimento pessoal e profissional, tanto do ponto de vista individual quanto coletivo”.

Casos de atritos entre alunos ou entre eles e professores são as ocorrências mais comuns a demandar a intervenção do orientador, mas Cecília conta que também é feito um trabalho preventivo, para evitar que se chegue ao atrito: “Há a figura do aluno representante e do professor conselheiro em cada turma para justamente incentivar o diálogo”, diz.

Outra frente em que esses profissionais atuam é na detecção antecipada de problemas. A fonoaudióloga Daniele Anjo já observou crianças no berçário com dificuldades auditivas que as famílias ainda não haviam percebido. E já chamou a atenção de pais para razões simples que levam ao mau rendimento escolar, mas que poucos notam: “Uma criança que vive com nariz entupido e respirando pela boca, por exemplo, terá não somente dificuldade de se concentrar, por falta de oxigenação, como pode desenvolver anomalias na fala”, ensina Daniele, que também é dentista e promove campanhas de saúde bucal na escola.

Enfermeira e coordenadora do Centro Médico, dona Armelina Guimarães Oliveira volta e meia recebe estudantes com pequenas dores, ferimentos ou mal-estar. Ela faz o atendimento de sua competência e, quando isso não basta, chama o responsável e/ou encaminha para atendimento médico em uma clínica conveniada do seguro saúde da instituição.

Na creche, os pequenos Luiz Miguel, Maria Roberta e Joaquim observam o preparo de salada de frutas e aprendem com Fernanda sobre as vitaminas (Foto: Gian Cornachini)

Na creche, os pequenos Luiz Miguel, Maria Roberta e Joaquim observam o preparo de salada de frutas e aprendem com Fernanda sobre as vitaminas (Foto: Gian Cornachini)

Em alguns casos, uma “junta de especialistas” chega a se formar para atuar na solução. “Foi o caso de uma menina que desmaiava com frequência”, lembra Suellen Oliveira, orientadora educacional da Educação Infantil e do Fundamental: “A professora observou isso e me passou. Dona Armelina também comentou que a coisa era muito frequente. Os colegas contaram que a estudante não se alimentava, e houve suspeita de bulimia. Conversei com a jovem e com a família e pedi ajuda à nossa nutricionista”, relata. Fernanda Rosa dos Santos, a nutricionista, descobriu que era um hábito da família não tomar o café da manhã. Ela orientou a jovem e os pais sobre a importância dessa primeira refeição e o problema foi resolvido.

Para prevenir casos assim, Fernanda faz um trabalho de avaliação e orientação nutricional desde o berçário. Ela examina as crianças e prescreve os cardápios de acordo com o desenvolvimento e o estado nutricional e de saúde de cada um. Além disso, promove sessões de preparo de alimentos simples – como saladas de frutas e bolos – para estimular a curiosidade e o gosto dos pequenos pelos alimentos saudáveis. Um jeito gostoso de ensinar e aprender.

Adeus ao poeta

 

No Dia de São Sebastião, Campo Grande se despediu de Primitivo Paes, artista que levou a poesia para as escolas e as praças públicas e valorizou a vida cultural da Zona Oeste

Tania Neves
emfoco@feuc.br

O poeta Primitivo Paes criou um lindo vínculo com alunos e professores da FEUC (Foto: Divulgação)

O poeta Primitivo Paes criou um lindo vínculo com alunos e professores da FEUC (Foto: Divulgação)

Lavrador, operário, sindicalista, ator… poeta. Entre a dureza da terra e a delicadeza dos versos, Primitivo Paes viveu 85 anos colecionando experiências de vida, amigos, poesias. Nasceu em Pernambuco, rodou meio mundo e vivia há pelo menos 30 anos do Rio da Prata. Ele morreu no dia 19 de janeiro, deixando as filhas Joelma e Adriana, os genros Cândido e Anderson, os netos Tiago, Diego e Derick.

Em meados da década passada, Primitivo fez uma apresentação na FEUC, numa Semana de Letras, e desde então criou um lindo vínculo com alunos e professores da instituição. “Com seu modo apaixonado de dizer poesia, ele soube cultivar nos alunos essa mesma paixão pela arte”, lembra a coordenadora do curso de Letras, Arlene da Fonseca. A filha Adriana conta que o acolhimento que o poeta teve na FEUC significou para ele um sopro de vida. “Ele tinha muito orgulho de participar dos eventos culturais, sobretudo pelo carinho com que era recebido pelos jovens”.

Poeta e professor de português das FIC, Erivelto Reis nos últimos anos acompanhava Primitivo nas apresentações que o veterano artista fazia em escolas, creches, teatros e outros espaços públicos (ao todo, foram mais de 1.100). “Foi um defensor da infância e da autonomia cultural e intelectual das crianças e dos jovens. Dizia querer ter sido professor”, relata o discípulo.

Primitivo Paes foi enterrado no Jardim da Saudade, em Paciência, no Dia de São Sebastião, padroeiro da cidade que ele escolheu para viver e que aprendeu a amar. Um amplo e emocionante relato sobre sua vida e suas realizações, escrito por Erivelto, pode ser lido em http://poetaprimitivopaes.blogspot.com/.

 

Partida (Primitivo Paes)

Antes de partir sinto saudades
Da mocidade com toda vibração
Da infância com sua ingenuidade
E da velhice com toda gratidão.

Digo “tchau” aos amigos que deixei
Dos poetas, levarei minha paixão
Quem diria que eu não vou sentir saudade
Das batidas desse velho coração.

Pensamento de poeta é mesmo assim
Cheio de sonhos, devaneios e ilusão:
Pensa que vai; fica,
Não vai não.

Pois,
Olha eu aqui, de novo no pedaço,
Cheio de Vida, de Amor e de Paixão.
Vou plantando sementes da saudade
Em cada palmo de terra desse chão!

Professor Choeri à frente da FEUC por mais um mandato

Membros dos Conselhos Estatutários foram escolhidos no final do ano passado

Tania Neves
emfoco@feuc.br

Membros dos Conselhos Estatutários foram escolhidos no final do ano passado (Foto: Gian Cornachini)

Membros dos Conselhos Estatutários foram escolhidos no final do ano passado (Foto: Gian Cornachini)

 

No último dia 12 de dezembro, os instituidores da FEUC reuniram-se para eleger os novos integrantes dos Conselhos Estatutários para o triênio de 2013/2015. No Conselho Diretor, o professor Wilson Choeri foi reeleito para o cumprimento de seu oitavo mandato à frente da instituição. O professor Hélio Rosa de Araujo assumiu a Direção Administrativa, sendo substituído na Direção de Ensino pela professora Arlene da Fonseca. E o professor Durval Neves da Silva foi confirmado como Diretor Superintendente.

Na medida em que os instituidores insistiram pela candidatura do professor Choeri, evocando sua forte liderança e grande prestígio junto a toda comunidade acadêmica e demais empregados, o presidente decidiu aceitar o desafio, apesar de declarar que está à disposição para promover a alternância, pois sempre coloca a FEUC em destaque: “Ela ficará e as pessoas passarão”, destacou o presidente, reconhecido por sua coragem de empreender e disposição de realizar.

Com larga folha de serviços prestados às FIC, a professora Arlene mostrou-se exultante em sua estreia como membro do Conselho Diretor, dizendo-se pronta para servir e contribuir, com seu trabalho na Direção de Ensino, para que as três instituições interligadas – FIC, CAEL e Colégio Magali – dialoguem cada vez mais e, por meio de projetos modernos e bem estruturados, ajudem a pôr sempre mais em evidência o nome da FEUC.

Os conselhos Deliberativo e Fiscal também tiveram seus novos representantes e suplentes eleitos. Figuram entre eles professores do CAEL e das FIC, integrantes da mantenedora e personalidades ilustres da comunidade campo-grandense, todos escolhidos em reconhecimento pelos serviços prestados à instituição e à sociedade.