Desempenho das FIC na avaliação do MEC segue em trajetória crescente

 

Dois cursos alcançaram nota 4, dois se mantiveram com 2 e os demais ficaram com 3. Ações para sanar os problemas apontados já foram iniciadas

Gian Cornachini e Tania Neves
emfoco@feuc.br

Divulgado em dezembro passado, o resultado final das avaliações do MEC nas instituições de ensino superior relativas ao triênio 2009/2011 nos trouxe muito boas notícias, embora algumas nem tão alvissareiras assim. As FIC confirmaram sua nota 3 no Índice Geral de Cursos (IGC). Entre as graduações, Ciências Sociais e Licenciatura em Computação obtiveram uma inédita nota 4 no Conceito Preliminar de Curso (CPC), enquanto Matemática, Geografia, Letras e História compartilharam o conceito 3. Pedagogia e Bacharelado em Sistemas de Informação, apesar de estarem em trajetória de crescimento, continuaram com nota 2, o que custou à instituição uma medida cautelar que impediu a realização do vestibular de início de ano para ambos os cursos.

As FIC já iniciaram as ações solicitadas pelo MEC para sanar os problemas identificados e enviaram o primeiro relatório com as providências tomadas. Caso a resposta do Ministério seja positiva – e rápida – o vestibular poderia ser realizado ainda em março. “Mas só se tivermos essa resposta até a metade do mês de março, depois disso seria inviável para novos integrantes acompanharem as disciplinas já iniciadas” – explica o professor Valdemar Ferreira da Silva, coordenador da Comissão Própria de Avaliação (CPA) e vice-coordenador Acadêmico das FIC. “Estamos confiantes, porém, de que o mais tardar até o fim do semestre tudo estará normalizado”.

 

Nota de alunos no Enade foi decisiva

As boas notas obtidas pela maioria dos cursos são resultado do sério trabalho desenvolvido pelas coordenações e osInfraestrutura professores nos últimos anos, mas principalmente refletem o empenho de boa parte dos alunos no Enade. “Tivemos o cuidado de apresentar a eles o questionário socioeconômico e discutir as entrelinhas, mostrar que uma pergunta mal interpretada poderia gerar uma resposta que não refletiria a realidade do curso”, diz a professora Vivian Zampa, coordenadora de História, curso que tirou 4 no exame.

Já a professora Célia Neves, coordenadora de Ciências Sociais, optou por convocar os discentes a uma participação mais ativa na construção do curso, o que lhes permitiu observar o empenho e a integração dos professores e a coerência do trabalho realizado: “Isso gerou neles uma vibração muito grande”, destaca. Vice-coordenador de Computação, o professor Rodrigo Neves ressalta o comprometimento dos graduandos da Licenciatura: “A turma era muito boa e estudou bastante. Os alunos levaram as questões a sério, em vez de fazer de qualquer jeito”.

Um dos formandos de Ciências Sociais que fez o Enade em 2011, o policial militar aposentado Wainer Teixeira Souza conta que a turma não tomou a tarefa como mera exigência para colar grau: “Fizemos com a consciência de ser um ato de cidadania. E, ao abrir a prova, constatamos que nosso curso era top de linha: parecia que as questões haviam sido elaboradas por nossos professores”. Dircéa Costa de Sá, que se formou em Letras, também observou esse espírito: “O nosso grupo compreendeu a importância do exame”.

 

‘Escolhi a FEUC após pesquisar os conceitos’

Morador de Piquete, no interior de São Paulo, Joelson da Silva conquistou, com sua nota do Enem em 2008, o direito a uma bolsa do Prouni para cursar Ciências Sociais em uma faculdade privada. Ele decidiu estudar no Rio e

esmiuçou as notas obtidas pelas instituições que ofereciam a graduação aqui. “Na média, a FEUC foi a melhor. Os professores, a ementa e o objetivo do curso também pesaram positivamente na escolha”, conta ele, que se formou em 2011, este ano concluirá o mestrado em Políticas Públicas na FGV-SP e já foi encaminhado por seu orientador para tentar o doutorado em Sociologia na Universidade de Coimbra, em Portugal.

Ao fazer o Enade, Joelson sentiu que era o momento de retribuir: “Eu e meus colegas de turma queríamos que a nota do MEC refletisse o que de fato é esse curso: excelente”, diz ele. “E a boa nota é importante não apenas para o aluno que chega, mas também para o que se forma, pois os empregadores levarão isso em conta”.

 

Joelson na biblioteca da FEUC: mestrado na FGV e indicação para tentar doutorado em Coimbra (Foto: Gian Cornachini)

Joelson na biblioteca da FEUC: mestrado na FGV e indicação para tentar doutorado em Coimbra (Foto: Gian Cornachini)

 

Maior qualificação e tempo de dedicação dos professores

“Saímos de 2 para 3 e na próxima avaliação vamos pleitear uma nota 4”, afirma com entusiasmo a professora Arlene da Fonseca, coordenadora de Letras e nova Diretora de Ensino da FEUC. Ela atribui o bom resultado do curso ao intenso trabalho para que os alunos tivessem sucesso no Enade, mas também aos investimentos feitos na qualificação de professores e a ampliação do tempo de dedicação de parte do corpo docente: “Professores com dedicação maior para poder desenvolver os projetos do curso”, explica.

Já História conquistou um 3 quase chegando no 4: teve conceito 4 no Enade e boas notas na maioria dos quesitos, mas a graduação foi mal avaliada pela quantidade de professores com mestrado – embora a proporção de mestres e doutores esteja acima do mínimo exigido pelo MEC. Isso é possível porque o cálculo considera a média dos cursos de História do país: como o contingente maior de professores está nas universidades públicas, que têm percentual altíssimo de mestres, as FIC perderam na comparação.

Coordenador de Matemática, Alzir Fourny Marinhos diz que o conceito 3 trouxe muita alegria para ele e sua equipe. O professor ressalta que a nota 3 de seus alunos no Enade foi a melhor entre as instituições privadas da região que oferecem o curso: “A Universidade Rural tirou 3, mas outras faculdades privadas de Campo Grande, Santa Cruz, Realengo e Piedade ficaram com 2. Se você olhar a nota de uma avaliação que vai de 0 a 5, a nota 2 é muito pouco. Mas, em nível de Brasil, a nota 3 é muito boa, pois muitos cursos tiraram menos de 3. Então, a gente sobressai”, conclui.

O ponto principal que o coordenador de Geografia, professor Luiz Mendes, ressalta na avaliação é o grande avanço dos alunos com relação às edições anteriores do Enade, de 2005 e 2008: “Há uma clara evolução no aprendizado pelos alunos e a pertinência do conteúdo ministrado pelos professores”, diz Mendes, atribuindo tal desempenho também ao esforço das FIC na contratação de docentes qualificados e no apoio ao desenvolvimento do Projeto Pedagógico do Curso.

 

Degrau após degrau, com firmeza

A conquista do CPC 4 por Licenciatura em Computação e Ciências Sociais e a obtenção do conceito 4 no Enade por História demonstram os acertos das coordenações e dos professores na condução dos cursos. No caso de LIC, o resultado é o melhor entre as quatro instituições que oferecem a graduação no Estado do Rio de Janeiro. Já Ciências Sociais tem a segunda melhor licenciatura, atrás apenas da PUC. E, em História, somente as licenciaturas da federal UNIRIO e da particular La Salle, de Niterói, superaram a nota do curso das FIC no Enade.

Douglas Amancio, formado em Licenciatura da Computação: curso prepara bons profissionais (Foto: Arquivo Pessoal)

Douglas Amancio, formado em Licenciatura da Computação: curso prepara bons profissionais (Foto: Arquivo Pessoal)

Rodrigo Neves, vice-coordenador de Computação, ressalta a competência dos alunos na conquista. “A turma que fez o Enade de 2011 era excelente”, diz. O resultado, segundo ele, dará grande impulso à licenciatura: “O MEC está começando a exigir formados em Licenciatura da Computação para atuarem no Ensino Básico e Médio. Hoje, a maioria dos professores de computação é formada por tecnólogos, e nós preparamos profissionais com as características pedagógicas para trabalhar com alunos”, explica. Douglas Amancio de Oliveira, da turma que se formou em 2011, concorda: “A avaliação comprova que o curso de licenciatura está preparando bons profissionais para atuarem no mercado de trabalho”.

De sua parte, a coordenadora de Ciências Sociais, Célia Neves, atribui os resultados a um projeto cuidadoso que vem sendo construído pela equipe de profissionais em parceria com os graduandos. Segundo ela, uma característica forte do curso é que a maioria dos alunos tem absoluta convicção da escolha da carreira. “Muitos chegam com imensas dificuldades, devido à formação ruim nas etapas anteriores do ensino e por serem jovens trabalhadores que dispõem de poucos horários para o estudo. Mas se superam”, diz a professora.

Quatro com gosto de cinco

A ex-aluna Marina Ribeiro, de 39 anos, formada em 2006, é um exemplo dessa superação. Ela fez pré-vestibular comunitário e optou por Ciências Sociais por buscar numa formação superior os meios de pensar a vida e as questões sociais. Mirava o magistério, mas conquistou uma vaga de estágio no Ibase e hoje é pesquisadora do instituto: “Antes eu questionava a qualidade da formação nas faculdades privadas, mas o que tive na FEUC foi de alto nível”, diz Marina, que faz mestrado em Educação na UNIRIO e é educadora voluntária do mesmo pré-vestibular comunitário que cursou.

A percepção de Marina sobre a qualidade do curso de Ciências Sociais das FIC foi (quase) a mesma do MEC. A graduação foi bem avaliada na maioria dos aspectos, mas caiu no quesito nota do mestrado, como História, também por ser comparada com cursos de universidades públicas, embora tenha o percentual de mestres e doutores exigido pelo Ministério. “Não fosse isso, acredito que estaríamos com 5, igual à PUC”, diz a professora Célia Neves.

 

Problemas já estão sendo resolvidos

Rodrigo: Laboratório de Redes traz melhoria para Bacharelado em Sistema de Informação (Foto: Gian Cornachini)

Rodrigo: Laboratório de Redes traz melhoria para Bacharelado em Sistema de Informação (Foto: Gian Cornachini)

Pedagogia e Bacharelado em Sistemas de Informação foram os dois únicos cursos das FIC que não conseguiram sair do conceito 2 no CPC, apesar de progredir em vários aspectos com relação à avaliação de 2008. Ambos tiveram resultado ruim no Enade de 2011, o que pesou. “Esperávamos no mínimo a mesma nota do exame anterior, que foi 3” – disse a coordenadora de Pedagogia, professora Maria Lícia Torres – “vimos que o problema principal se deu com o questionário socioeconômico, que é longo, e muitos alunos não preencheram completamente”. Rodrigo Neves, vice-coordenador de Computação, admite a falha: “Deveríamos ter trabalhado mais a conscientização do aluno sobre o questionário. Faremos isso para o próximo Enade”.

O preenchimento do questionário, de fato, é problemático, como explica o coordenador da CPA, professor Valdemar Silva: “São mais de 100 questões para responder on line. Além de paciência, é preciso muita atenção, pois algumas perguntas dão margem a interpretações erradas”, analisa. Uma das soluções adotadas por professores foi a de discutir o questionário com os alunos e convidá-los a preencher em grupo, nos laboratórios de informática. “Precisamos generalizar isso”, conclui Valdemar.

Quanto a outras deficiências identificadas, o coordenador da CPA informa que a instituição já começou a corrigi-las e enviou ao MEC um primeiro relatório a respeito. Entre elas estão a revisão do projeto pedagógico de ambos os cursos, a implantação do Programa de Iniciação Científica e, mais especificamente para BSI, elevação do número de docentes com dedicação parcial e integral, recomposição do Núcleo Docente Estruturante (professores que apoiam a coordenação no desenvolvimento de projetos) e melhoria na infraestrutura do curso, como a criação de um Laboratório de Redes.

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