Arte, emoções e talentos marcam a 26ª Semana de Letras da FEUC

 

Evento tradicional do curso revelou muita criatividade do público interno e externo; livro de poesias foi lançado

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Uma bela edição da Semana de Letras aconteceu entre os dias 31 de maio e 2 de junho, na FEUC, e cumpriu com o propósito de trazer estudantes e visitantes da comunidade para compartilhar conhecimento, arte e emoções. Além das tradicionais palestras e oficinas, o número 26 do evento contou, este ano, com apresentações teatrais, declamações de poesia e dança típica, regados de muita criatividade e sensibilidade de quem foi a público expor seus trabalhos.

A começar por uma das apresentações de trabalhos que mais chamou a atenção dos estudantes. A aluna Marina Monteiro, do curso de Letras da UFRRJ, veio compartilhar com os alunos da FEUC suas análises sobre o funk carioca, que tem se mostrado um exemplo de resistência feminina no cenário artístico-musical.

Marina exibiu algumas letras de cantores homens que, segundo ela, sexualizam e objetificam mulheres, como em “Vem todo mundo“, de MC Catra. Em seguida, apresentou letras de funkeiras que retratam, também a partir de conotações sexuais, a resistência feminina ao machismo, como a música “A P**** da B***** é minha“, da Gaiola das Popozudas.

Estudante da UFRRJ apresenta análise sobre machismo no funk. (Foto: Gian Cornachini)

Estudante da UFRRJ apresenta análise sobre machismo no funk. (Foto: Gian Cornachini)

“O homem trata de uma forma baixa o corpo da mulher, como um objeto. Ele só quer sexo. E a mulher também vem com o mesmo discurso, mas para retratar a forma de liberdade que ela trata com seu corpo”, ressaltou Marina.

No quesito emoção, tanto a educação quanto a arte foram expressadas com angústia, dúvidas e esperança no evento. A professora de Língua Brasileiras de Sinais (Libras) Ana Carla Ziner Nogueira, da UFRRJ, tem uma irmã surda e vivencia a experiência de entender, de perto, os desafios enfrentados pela comunidade surda no Brasil. Na Semana de Letras, ela deu uma palestra sobre a importância da educação de surdos com o objetivo de chamar a atenção dos alunos para um grupo ainda tão excluído das possibilidades de crescimento profissional, intelectual e social.

Professora Ana Carla Ziner, da UFRRJ, chama a atenção para o ensino de surdos. (Foto: Gian Cornachini)

Professora Ana Carla Ziner, da UFRRJ, chama a atenção para o ensino de surdos. (Foto: Gian Cornachini)

“Cerca de 85% a 90% dos surdos nascem em famílias de ouvintes. Eles não aprendem, desde cedo, uma língua primária. Na escola, são expostos à Língua Portuguesa e ensinados fonemas”, apontou Ana Carla. “Língua de Sinais é encarada como recurso pedagógico e não linguístico. E isso é lamentável, porque língua não é um recurso, mas uma necessidade humana”.

E a humanidade, controversa e repleta de dúvidas, foi tema do poema “Ser humano?”, escrito pelo estudante Lucas Hermsdorff, do 3º ano do técnico em Administração do CAEL. O jovem aproveitou um sarau da Semana de Letras para levantar questionamentos por meio da arte das palavras: “Um ser que se denomina racional, mas possui atitudes irracionais, pode se considerar pensante?”, lançou Lucas, interpretando o poema que mantinha bem decorado.

O que é ser humano? Poema de Lucas Hermsdorff, estudante do 3º de Administração do CAEL, levantou questionamentos em sarau. (Foto: Gian Cornachini)

O que é ser humano? Poema de Lucas Hermsdorff, estudante do 3º de Administração do CAEL, levantou questionamentos em sarau. (Foto: Gian Cornachini)

O poema do jovem divide páginas com outros textos no livro “Vozes em Construção”, organizado, escrito e confeccionado por alunos de Literatura Brasileira e Poesia do turno da noite (2017.1) e que conta, também, com textos de convidados, como o de Lucas. Em meio ao sarau, a obra — idealizada e coordenada pelo professor Erivelto Reis — foi lançada sob declamações dos textos que integram a antologia poética.

“Era um sonho muito grande que esse livro acontecesse”, revelou o professor Erivelto. “Foi um grupo que uniu ideais em torno da literatura, ao redor da poesia, com vivências tão diferentes, gente que teve coragem de tirar um poema do fundo da gaveta e colaborar”, destacou ele, emocionado.

Professor Erivelto idealizou livro "Vozes em Construção", lançado na Semana. (Foto: Gian Cornachini)

Professor Erivelto idealizou livro “Vozes em Construção”, lançado na Semana. (Foto: Gian Cornachini)

O livro “Vozes em Construção” esta disponível, gratuitamente, para download. Clique aqui para baixar o e-book.

Inspirando esperança e alegria por uma formação que valoriza as raízes históricas da população, alunos da disciplina de Literaturas Africanas, orientados pela professora Norma Maria, fizeram um jogral a partir do poema “Grito Negro”, do autor moçambicano José Craveirinha e, em seguida, cantaram e dançaram a música zulu “Siyahamba”, todos caracterizados com vestimenta de influência africana.

A aluna Ingra de Assis, do 3º período, explicou a mensagem que Craveirinha quis passar em seu poema: “Ele queria transmitir a angústia e o sofrimento da escravidão na época; a vontade de encerrar algo que ele não queria mais”, disse Ingra.

A estudante Ingra explicou poema moçambicano que inspirou jogral no evento. (Foto: Gian Cornachini)

A estudante Ingra explicou poema moçambicano que inspirou jogral no evento. (Foto: Gian Cornachini)

A professora Norma, visivelmente empolgada com a apresentação, fez questão de elogiar os estudantes: “Vocês me surpreenderam e mostraram quanta capacidade, criatividade e amor pela arte vocês têm. É isso que queremos fazer, mostrar aos alunos a diversidade, mistura do indígena, do português e do africano, porque somos um único povo e não podem existir diferenças e discriminação”, ponderou Norma, pedindo um bis com apoio do público: “Queremos ver de novo, porque é só uma vez ao ano!”. Sob o som de um belo batuque, tudo virou alegria de novo.

Com direito a bis, dança, canto e batuque africano alegraram o público. (Foto: Gian Cornachini)

Com direito a bis, dança, canto e batuque africano alegraram o público. (Foto: Gian Cornachini)

Semana de Pedagogia revela oportunidades em hospitais, prisões e organizações militares

 

28ª edição do evento mais tradicional do curso mostrou que o pedagogo pode atuar em espaços além de creches e escolas regulares

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Mais uma edição da Semana de Pedagogia aconteceu este ano, trazendo, desta vez, profissionais de diferentes áreas de atuação no mercado para apresentar aos estudantes os diversos rumos de um pedagogo além de salas de aula tradicionais. Com o tema “Aspectos Identitários do Pedagogo: da formação inicial à prática”, a XXVIII Semana de Pedagogia foi realizada entre os dias 15 e 18 de maio, e reuniu 25 atividades, entre mesas-redondas, palestras, oficinas, além de apresentação de trabalhos no pátio da FEUC. Entre as diversas áreas de atuação reveladas na Semana Acadêmica do curso de Pedagogia, destacamos as cinco principais. Confira:

1. Pedagogia empresarial

Vania Matiello Fazolo: "Geralmente, esse profissional atua dentro da área de recursos humanos". (Foto: Gian Cornachini)

Vania Matiello Fazolo: “Geralmente, esse profissional atua dentro da área de recursos humanos”. (Foto: Gian Cornachini)

Convidada a palestrar na primeira noite da Semana Acadêmica, a pedagoga empresarial e ex-aluna da FEUC Vania Matiello Fazolo explicou o papel de um profissional de pedagogia em uma empresa ou indústria: “Geralmente, esse profissional atua dentro da área de recursos humanos, promovendo a interação do funcionário com tudo o que tem na empresa, e entre os diversos níveis hierárquicos”, contou ela. Vania também relatou que trabalhar com pessoas é difícil, uma vez que muitas podem não entender exatamente o papel deste profissional e a mensagem que ele quer falar: “As pessoas confundem o seu trabalho com o de um psicólogo, e a depender do nível de estudo delas, elas acabam levando suas observações para o lado pessoal”, apontou.

2. Pedagogia no terceiro setor

Jaqueline Almeida da Costa: "A gente quer fazer com que eles saiam de lá com o gosto pela leitura, por ir à escola". (Foto: Gian Cornachini)

Jaqueline Almeida da Costa: “A gente quer fazer com que eles saiam de lá com o gosto pela leitura, por ir à escola”. (Foto: Gian Cornachini)

Ainda no primeiro dia do evento, a pedagoga Jaqueline Almeida da Costa, do abrigo A Minha Casa, de Campo Grande, compartilhou a experiência de estar à frente do trabalho pedagógico de um abrigo para crianças e adolescentes. Atualmente, A Minha Casa conta com 43 crianças que passaram por diversos traumas até chegarem lá. E é devido a esse sofrimento prévio que Jaqueline afirmou lutar para transformar os pequenos por meio da educação: “A gente quer fazer com que eles saiam de lá com o gosto pela leitura, por ir à escola, e com a certeza de que são capazes de continuar, de seguir em frente e conseguir”. Para quem deseja trabalhar em um abrigo, Jaqueline recomendou: “Tudo o que você busca de conhecimento é válido, mas é a vivência que vai fazer você sair dos conflitos”.

3. Pedagogia nas organizações militares

1ª Tenente Jaqueline: "Nosso papel é dar sentido a tudo". (Foto: Gian Cornachini)

1ª Tenente Jaqueline: “Nosso papel é dar sentido a tudo”. (Foto: Gian Cornachini)

Uma das palestras que mais chamou a atenção dos estudantes foi a da 1ª Tenente Carla Pereira e da 1ª Tenente Jaqueline, ambas pedagogas na Força Aérea Brasileira (FAB). As militares apresentaram a hierarquia da Universidade da Força Aérea (UNIFA) e os papeis delas dentro da estrutura de ensino acadêmico da FAB, que passam por coordenação de cursos de carreira e estágio, preparação de material didático, planejamento curricular das aulas, formação de instrutores e, inclusive, ministração de aulas. “Nosso papel é dar sentido a tudo, mostrar que a educação é capaz, e que dentro da sala de aula, minha aula é minha aula, e que queremos um aluno reflexivo. Por isso, somos muito valorizadas”, disse a 1ª Tenente Jaqueline.

Para fazer parte da equipe pedagógica da FAB, a 1ª Tenente Carla Pereira orientou os interessados com menos de 32 anos a tentarem o concurso do QOAP (Quadro de Oficiais de Apoio), que é voltado para candidatos com nível superior. Os que passarem no concurso, formam carreira militar até se aposentarem.

1ª Tenente Carla Pereira: "nosso dia a dia de trabalho é muito gostoso, e às vezes não me remete a um quartel". (Foto: Gian Cornachini)

1ª Tenente Carla Pereira: “nosso dia a dia de trabalho é muito gostoso, e às vezes não me remete a um quartel”. (Foto: Gian Cornachini)

Já os interessados com idade entre 33 e 45 anos entram pelo QOCON (Quadro de Oficiais Convocados), por meio de análise curricular, teste psicológico, inspeção de saúde. Têm vantagem aqueles que tiverem mais especialização e produção acadêmica, além de saúde física adequada. No entanto, a carreira tem duração de 8 anos nessa modalidade, porém com as mesmas responsabilidades e exigências de um Oficial de Apoio.

“A gente rala muito, aprende a manusear uma arma, passa por exames rotineiros. A gente entende que isso é necessário porque é uma outra realidade, e a gente precisa ser forjado, aprender a ter disciplina, e mesmo assim nosso dia a dia de trabalho é muito gostoso, e às vezes não me remete a um quartel, à uma hierarquia tão vertical”, afirmou a 1ª Tenente Carla Pereira.

4. Pedagogia em ambiente prisional

Maria de Cassia Mendes Serrano: "Nunca fui, em toda minha vida, tão respeitada e valorizada". (Foto: Gian Cornachini)

Maria de Cassia Mendes Serrano: “Nunca fui, em toda minha vida, tão respeitada e valorizada”. (Foto: Gian Cornachini)

A professora Maria de Cassia Mendes Serrano tem um grande desafio: colaborar com a ressocialização de detentos por meio da educação. Esta missão é realizada diariamente na unidade educacional do Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão, onde a professora ministra aula para aproximadamente 250 prisioneiros.

“A Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que as pessoas têm direito à educação. Quem está preso, perde os direitos políticos, mas não à educação”, já deixou claro Maria, no início da palestra do último dia do evento. “Me perguntam se eu não tenho medo de dar aula para detentos, mas eu nunca fui, em toda minha vida, tão respeitada e valorizada como sou agora”, contou ela.

Segundo a professora, muitos detentos entram para a escola para tentar diminuir a pena, mas acabam se envolvendo de tal maneira que abraçam os projetos educacionais, seguem firme e adiante nos estudos e se formam, chegando até a ter casos de alunos passando no vestibular para universidades públicas.

5. Pedagogia em classes hospitalares

Karla Silva da Cunha Bastos: "Estamos ali para fazer valer o direito dessa criança". (Foto: Gian Cornachini)

Karla Silva da Cunha Bastos: “Estamos ali para fazer valer o direito dessa criança”. (Foto: Gian Cornachini)

As pedagogas Karla Silva da Cunha Bastos, do Hospital Municipal Souza Aguiar, e Rosane Martins dos Santos, do Instituto Nacional do Câncer (INCA), finalizaram a XXVIII Semana de Pedagogia da FEUC apresentando seus trabalhos nas classes hospitalares onde atuam com crianças internadas. “O nosso objetivo é o desenvolvimento da criança que, mesmo internada, não pode parar, pois o acesso à educação é um direito, e estamos ali para fazer valer o direito dessa criança”, relatou a professora Karla.

Rosane Martins dos Santos: "Mesmo em um hospital de câncer, a gente tem vida e tem produção de conhecimento". (Foto: Gian Cornachini)

Rosane Martins dos Santos: “Mesmo em um hospital de câncer, a gente tem vida e tem produção de conhecimento”. (Foto: Gian Cornachini)

Questionando os estudantes sobre a especificidade do pedagogo nesta área, Rosane apontou a flexibilidade que a Pedagogia dá aos alunos para atuarem em diversos lugares e os desafios que encontram em cada um desses espaços: “Precisa ser um especialista? O curso de vocês dá condições de estar em um hospital ou vocês acham que um pedagogo é um pedagogo em qualquer lugar?”, indagou ela, adiantando: “As especificidades do lugar a gente aprende lá, e trabalhar com diferentes níveis de aprendizado em um só ambiente é um grande desafio para mim. Mas, o maior deles ainda é o de lidar com a morte. Porém, mesmo em um hospital de câncer, a gente tem vida e tem produção de conhecimento”, revelou a pedagoga do INCA.

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O álbum de fotos completo, com os diversos momento da XXVIII Semana de Pedagogia da FEUC, está disponível em nossa página no Facebook. Clique aqui para acessá-lo.

JURA: Agricultores defendem direito à terra e à alimentação saudável

 

Encontro fez parte da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária e contra-argumentou crítica do ministro da Justiça

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Mais uma atividade da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA)— evento nacional do qual a FEUC participa anualmente —, aconteceu ontem, dia 10 de maio, trazendo à instituição diversos agricultores da região para esclarecer os estudantes sobre a luta por terras e pela produção de alimentos saudáveis. A partir da crítica do novo ministro da Justiça, Osmar Serraglio, direcionada aos índios em entrevista à Folha de São Paulo, na qual ele declarou que terras “não enchem barriga de ninguém”, o encontro pautou o debate na temática “Terra enche barriga sim: a terra por quem nela trabalha e produz alimento e vida”.

"[Terras] não enchem barriga de ninguém", diz o ministro Osmar Serraglio, em empasse com índios. (Foto: Gian Cornachini)

“[Terras] não enchem barriga de ninguém”, diz o ministro Osmar Serraglio, em empasse com índios. (Foto: Gian Cornachini)

Bernadete Montesano, representante da Rede Carioca de Agricultura Urbana, grupo que agrega produtores em defesa de uma produção e consumo de alimentos de forma ética e responsável, iniciou a mesa-redonda rechaçando a crítica do ministro, que é ligado ao agronegócio: “A luta pela terra não é só para encher barriga, mas para alimentar de forma saudável quem a gente convive. Comer é um ato político, e quando escolhemos o que vamos comer, você está decidindo entre contribuir com o agronegócio ou com a agroecologia”, destaca “Berna”, como é conhecida.

Bernadete: "A luta pela terra não é só para encher barriga, mas para alimentar de forma saudável quem a gente convive". (Foto: Gian Cornachini)

Bernadete: “A luta pela terra não é só para encher barriga, mas para alimentar de forma saudável quem a gente convive”. (Foto: Gian Cornachini)

Produtores ligados ao movimento agroecológico criticam o modelo de produção e de economia do agronegócio, que abusa dos pesticidas e fertilizantes, além de concentrar grandes quantidades de terras nas mãos de poucos e tornar a produção de pequenas famílias cada vez mais difícil.

Luciana Sales, agricultora de 21 anos, moradora de Magé e estudante de licenciatura em Educação do Campo na UFRRJ, contou justamente sobre os desafios que enfrenta sendo jovem e trabalhadora da terra: “A juventude do campo vive em constante processo de territorialização, desterritorialização e reterritorialização. A gente afirma que é agricultor, mas em alguns momentos a gente quer ir para o mercado de trabalho e ter um salário fixo. Mas, então, nos reterritorializamos, pois nossa forma de produção de vida é no campo, é onde a gente resiste e faz luta, enche a barriga de terra, ar limpo e água pura”, ressaltou a agricultora.

JURA - FEUC 2017 - 07

Essa conexão com a terra também foi defendida por Tania Regina Prado das Neves, bióloga ligada à Pastoral da Criança e que colabora com a Horta da Brisa — um espaço de cultivo de alimentos naturais e sem agrotóxicos voltado para crianças carentes, em Guaratiba.

“A nossa terra é tudo isso aqui, e a gente tem que cuidar para poder plantar e colher alimentos saudáveis. Pode ser até dentro de um vasinho, no seu quintal. Não tem essa de não ter tempo”, apontou Tania, que também desmotivou a compra de produtos industrializados: “Temos que ter coragem de não comprar coisas em caixinhas, porque é tudo agrotóxico”.

Tania: "A nossa terra é tudo isso aqui, e a gente tem que cuidar". (Foto: Gian Cornachini)

Tania: “A nossa terra é tudo isso aqui, e a gente tem que cuidar”. (Foto: Gian Cornachini)

Preocupados com a relação harmônica entre alimento, produção e ambientes urbanos, representantes do grupo Permacultura Lab também participaram do evento contando a experiência da agrofloresta coletiva que está sendo cultivada na praça Edgar do Amaral, em Campo Grande, e conhecida como praça do Pistão por possuir uma pista de skate. “A gente quer mostrar o valor do alimento e conscientizar as pessoas sobre isso”, disse Diogo Majerowicz, membro do Permacultura Lab.

A agrofloresta conta com dez espécies frutíferas, flores ornamentais, ervas, temperos e plantas medicinais. A colheita é livre, podendo ser feita por qualquer pessoa, e a manutenção do espaço também é coletiva e de forma colaborativa.

Matheus Rosa, do CIEP Rubem Braga, ajuda a preparar horta em seu Colégio e troca experiências durante o evento. (Foto: Gian Cornachini)

Matheus Rosa, do CIEP Rubem Braga, ajuda a preparar horta em seu Colégio e troca experiências durante o evento. (Foto: Gian Cornachini)

Prestes a finalizar uma horta consciente e livre de pesticidas no colégio, estudantes do CIEP Rubem Braga, em Senador Camará, vieram assistir ao debate sobre o tema e trocar experiências com os participantes. Matheus Reis, 17 anos, do 2º ano do Ensino Médio, contou que sempre gostou do contato com a natureza, e que discutir a sua preservação é fundamental para os jovens:

“Falar sobre agricultura ajuda a conscientizar as pessoas sobre a nossa alimentação. E é muito bom saber que podemos plantar em casa, ter menos custos, mais saúde, além de se divertir em plantar e ver o seu alimento”, comentou Matheus, aproveitando a entrevista para pedir que fosse divulgada a Roda Cultural que ele está organizando na Casa Brasil de Imbairê, em Duque de Caxias, no dia 20 de maio, às 19h: “É uma roda cultural, com rep, para os jovens da Baixada se expressarem contra a violência policial”.

“Ensinar gênero nas escolas é não formar adultos agressores”

 

Frase dita pela professora Cristiane Cerdera, do Colégio Pedro II, durante Ciclo de Debate de História da FEUC, reforça a importância de discutir gênero nas escolas

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

O XVIII Ciclo de Debates de História se encerra hoje, dia 10 de maio, e você ainda pode participar do último encontro, que está marcado para as 19h, no Auditório da FEUC. A palestrante convidada Luciana Lins Rocha, doutora em linguística aplicada e professora do Colégio Pedro II, finalizará o evento discutindo diretamente o tema central Ciclo (“Gênero: Novas perspectivas e debates”) a partir de sua palestra “Quem tem medo da ideologia de gênero?”.

Discussões anteriores

O tema vem sendo abordado desde segunda-feira, dia 8, durante os turnos da manhã e noite, com a participação de professores externos, alunos e ex-alunos, sempre abordando a importância de se discutir questões de gêneros em sala de aula, a fim de formar cidadãos cada vez menos violentos. É o que afirmou, sobre o tema, a professora Cristiane Pereira Cerdera, do Colégio Pedro II, na noite do primeiro dia do evento.

Cristiane vê a escola como peça fundamental no combate à violência de gênero e sexual. (Foto: Gian Cornachini)

Cristiane vê a escola como peça fundamental no combate à violência de gênero e sexual. (Foto: Gian Cornachini)

“A escola é nossa primeira frente de combate. Se a violência é cultivada socialmente, como a gente reverte isso? Na escola!”, enfatizou Cristiane, que vinha discutindo em sua palestra a violência contra a mulher. “Por que precisamos falar de diversidade sexual na escola? Porque ensinar gênero é não formar adultos agressores”, ressaltou.

A ex-aluna Luana Alencar, formada em História pela FEUC em 2014, também opinou sobre o tema durante apresentação de parte de sua pesquisa monográfica sobre as mulheres na obra do escritor Lima Barreto (1881-1922). Segundo a historiadora, há uma personagem na literatura do autor que chega a morrer por não aguentar a pressão social após seu noivo ter abandonado-a, chegando a ser culpabilizada pelo fato.

Luana acredita defende que as denúncias das mulheres não devem ser relativizadas. (Foto: Gian Cornachini)

Luana acredita defende que as denúncias das mulheres não devem ser relativizadas. (Foto: Gian Cornachini)

“As pessoas precisam aprender a parar de relativizarem. Enquanto não alcançarmos esse nível de entendimento, as pessoas irão continuar relativizando nossas dores”, destacou Luana, em referência à deslegitimação que mulheres sofrem ao denunciar as opressões que enfrentam.

XVIII Ciclo de História debate questões de Gênero

 

Evento da graduação acontece nos próximos dias 8 e 10 de maio

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Começa na próxima segunda-feira, dia 8 de maio, o XVIII Ciclo de Debates do Curso de História que, nesta edição, discutirá o tema “Gêneros : Novas Perspectivas e Debates”. Nas manhãs e noites dos dias 8 e 10, os estudantes terão oportunidade de participar de mesas-redondas com palestrantes de outras instituições do Rio de Janeiro, como UFRJ e Colégio Pedro II, que virão compartilhar seus conhecimentos e experiências envolvendo o assunto em questão.

De acordo com a professora Marcia Vasconcellos, vice-coordenadora do curso de História das FIC, abordar a temática de gênero é extremamente relevante, dado o contexto de intolerância em que vivemos: “Consideramos esse tema importante porque o preconceito tem ganhado uma dimensão muito grande. Fala-se sobre a questão da reforma do ensino médio e sobre ideologia de gênero nas escolas, mas este já é um conceito equivocado, pois não é uma ideologia, é uma questão real, concreta”, afirma Marcia sobre a existência inquestionável de múltiplas identidades de gênero.

“A gente só vai conseguir ultrapassar o nível da intolerância se debatermos o tema da violência contra a mulher, lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, e ver como trabalhar isso nas escolas, nos colégios, pois a FEUC é a casa do professor e nossos alunos serão futuros professores”, ressalta.

As inscrições para o curso devem ser feita pela internet, na Área Restrita do aluno, ao custo de R$ 5,00. A presença no evento renderá 20 horas de atividades complementares aos participantes.

PROGRAMAÇÃO DO XXVIII CICLO DE DEBATES DO CURSO DE HISTÓRIA

DIA 8 DE MAIO

Manhã – 8h
Abelardo e Heloisa: considerações sobre o corpo, o pecado e a mulher na Idade Media
Palestrante: Manoela Bernardino da Silva (Graduada em História pela Uerj, especialista em Ensino de História/PPGH – Pedro II e professora das redes Municipal e Estadual do Rio de Janeiro)

Noite – 19h
O escola sem partido e a perseguição às discussões de gênero na escola
Palestrante: Fernanda Pereira de Moura (Especialista em gênero e sexualidade pela Uerj e mestra em Ensino de História pela UFRJ)

DIA 10 DE MAIO

Manhã – 8h
Mulheres e a escravidão: passado e presente
Palestrante: Marcia Vasconcellos (Doutora em História Econômica e professora da FEUC  e Uniabeu) – a confirmar

Noite – 19h
Quem tem medo da ideologia de gênero?
Palestrante: Luciana Lins Rocha (Doutora em Linguística Aplicada pela UFRJ e docente do Departamento de Línguas Anglo-Germânicas do Colégio Pedro II)

Comissão convoca formação de chapas para assumir DCE

Chapa vencedora irá gerir o Diretório pelos próximos dois anos

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

A Comissão Eleitoral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da FEUC realizará amanhã, dia 20 de abril, às 11h30 e às 18h, no Auditório FEUC, uma assembleia geral com o objetivo de formalizar a inscrição das chapas candidatas a gerir o grupo. Além das eleições para o DCE, serão abordados no encontro temas de relevância para a comunidade estudantil e em discussão nacional, como o passe livre universitário, verbas para o FIES e o Prouni.

Para submeter uma chapa ao processo eleitoral do DCE é preciso reunir dez comprovantes de matrícula (que correspondem à quantidade de cargos e membros no grupo) e enviá-los para o e-mail da Comissão: comissaoeleitoralfeuc@gmail.com. O período de votação acontecerá nos dias 26 e 27 de abril, durante o dia todo. Urnas estarão espalhadas pelos espaços da FEUC para facilitar a participação massiva dos alunos nas eleições. O resultado será divulgado no dia 27, à noite, após o encerramento do período de votação. A posse da chapa vencedora está prevista para acontecer no dia 2 de maio, uma segunda-feira, e a permanência do grupo na gestão terá duração de dois anos.

Flávio Bento, da Comissão Eleitoral, já foi presidente do DCE e agora ajuda no processo para uma nova gestão. (Foto: Pollyana Lopes)

Flávio Bento, da Comissão Eleitoral, já foi presidente do DCE e agora ajuda no processo para uma nova gestão. (Foto: Pollyana Lopes)

Flávio Bento, estudante do último período de História nas FIC, membro da Comissão Eleitoral e ex-presidente do DCE da FEUC, explica a importância de manter o Diretório em funcionamento e de os estudantes participarem ativamente do processo eleitoral: “O movimento estudantil tem papel fundamental na organização da nossa universidade, pois é por ele que discutimos a qualidade do nosso ensino. Mas é por ele, também, que debatemos pautas nacionais, junto à UNE, como instrumentos de democratização do acesso à universidade, e lutamos à favor da Educação para conquistar direitos e qualidade de ensino”, ressalta Flávio.

Geografia: Aula Inaugural debate o desastre de Mariana (MG)

 

Curso convida professor da Uerj para detalhar o rompimento das barragens da Samarco e os desdobramentos do maior desastre ambiental do Brasil

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Passados 16 meses após o desastre de Mariana (MG) — quando duas barragens da mineradora Samarco se romperam, causando mortes e destruição ao longo do percurso da lama —, os desdobramentos do caso foram o tema da Aula Inaugural de Geografia, primeiro evento anual realizado pelo curso das FIC, e que aconteceu ontem, dia 22 de março. Convidado a debater o assunto, o professor Luiz Jardim de Moraes Wanderley, da Uerj e pesquisador no grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS), da UFJF, apresentou dados da Samarco e suas controladoras — Vale e BHP Biliton —, além de expor o funcionamento das barragens em Minas Gerais e os danos causados pelos rompimentos.

O professor Luiz Jardim de Moraes Wanderley, da Uerj, expõe dados referentes às barragens da Samarco. (Foto: Gian Cornachini)

O professor Luiz Jardim de Moraes Wanderley, da Uerj, expõe dados referentes às barragens da Samarco. (Foto: Gian Cornachini)

Impactos socioambientais a curto prazo

De acordo com Luiz, é extensa a lista de danos causados imediatamente após o desastre, entre eles:

- Destruição de áreas populacionais;
- Morte e/ou desaparecendo de 19 pessoas;
- 1,4 mil hectares de terras arrasadas;
- 80 km marítimos atingidos pela lama;
- Mudança do pH da água do Rio Doce;
- Comprometimento do abastecimento hídrico;

Impactos socioambientais a médio e longo prazo

Os efeitos do desastre não se encerraram após o rompimento das barreias e, segundo o professor, eles ainda podem ser observados, hoje, tais como:

- Devastação da paisagem e das matas ciliares;
- Rejeito estéril (material resultante do processo de mineração e sem aproveitamento econômico) liberado no solo;
- Assoreamento de rios;
- Contaminação da água por metais pesados;
- Risco para a saúde humana e de animais.

Estudantes lotam auditório durante primeira evento de Geografia da FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Estudantes lotam auditório durante primeira evento de Geografia da FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Sujeitos atingidos

O grupo PoEMAS tem levantado dados e feito estudos nas áreas atingidas para dimensionar o impacto na vida das populações. Luiz apontou que uma característica marcante é o peso do desastre sobre os negros:

“É possível verificar um racismo ambiental. A maior parte das pessoas atingidas é negra. Os engenheiros nos diziam que não escolhem um lugar para instalar uma mineradora de acordo com a cor da pele, mas a gente vê que elas só são instaladas em lugares onde as pessoas não têm força para lutar contra o empreendimento”, explicou o professor.

Outro grupo diretamente impactado, mas, segundo Luiz, pouco comentado na mídia, são os indígenas Krenak, que encaram o Rio Doce não apenas como um recurso hídrico, mas como um ente da família:

“Não adianta dar dinheiro para eles, para indenizá-los. A partir do momento que o rio morre, qual o impacto disso sobre a cultura deles? Eles querem o rio de volta para poder batizar seus filhos, pois isso é um valor intangível e diferente de nossa lógica de pensar a relação da sociedade com a natureza”, ressaltou Luiz.

Alunos fizeram rodadas de perguntas. (Foto: Gian Cornachini)

Alunos fizeram rodadas de perguntas. (Foto: Gian Cornachini)

Durante o debate, em que os estudantes apresentaram dúvidas sobre o futuro das operações da Samarco e da fiscalização de barragens, o professor foi claro em seu posicionamento, transferindo exclusivamente a responsabilidade dos danos para a Samarco, Vale e BHP:

“Os estudos não tinham a real proporção do que poderia ser um rompimento de uma barragem. Deveria ser considerada uma escala mais regional, e essa escala sequer mencionava o Rio Doce, pois ele estava longe demais. Os problemas são infindáveis e a gente tem que evitar que os custos sejam públicos. A culpa é das empresas e são elas que devem pagar a conta”.

O professor Luiz Jardim de Moraes Wanderley responsabiliza as empresas pelo desastre de Mariana. (Foto: Gian Cornachini)

O professor Luiz Jardim de Moraes Wanderley responsabiliza as empresas pelo desastre de Mariana. (Foto: Gian Cornachini)

Saindo de casa para conquistar o mundo!

 

Aprovados em seleção de mestrado para diversos programas da Universidade Federal Fluminense (UFF), alunos e egressos de Letras festejam e dividem sucesso com professores

 
Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

Se para um docente de graduação é maravilhoso quando um aluno dá a notícia de que foi aprovado para o mestrado numa universidade de prestígio, imagina quando cinco deles chegam juntos com a mesma novidade? Foi exatamente assim o novembro dourado dos professores de Letras da FEUC ao contabilizarem a aprovação para o mestrado da UFF de três alunos do 7º período e mais dois recém-formados. E isso por enquanto, pois há outros em processos de seleção. “Acho que nós vibramos tanto quanto eles ou até mais”, conta a professora Arlene Fonseca, coordenadora do curso de Letras.

Meire Lucy Cunha, do 7º período de Português-Literaturas, e João Armando Henriques Gonçalves, formado em Português-Inglês em 2013, foram aprovados para o programa de Literatura Africana de Língua Portuguesa; Thiago Rodrigues, do 7º período de Português-Inglês, conquistou vaga no programa de Literatura Inglesa; Joyce Silva dos Santos Monforte, do 7º período de Português-Literaturas, e Thamyres Gonçalves Gomes, formada ano passado em Português-Espanhol e aluna da nossa pós-graduação em Língua Portuguesa, ingressarão no programa de Estudos da Linguagem.

Temas das monografias de fim de curso foram ampliados na elaboração de projetos para o mestrado

Meire conta que o processo de seleção foi tenso: “Os candidatos iam chegando, falando uns com os outros, os professores também conheciam diversos deles pelo nome. Acho que eu era a única desconhecida”, brinca a estudante. A prova tinha 4 questões e o candidato deveria escolher uma para desenvolver no prazo de 4 horas. Ela escolheu falar sobre uma obra literária que acabara de ler, o que certamente influiu em seu bom desempenho e classificação para a etapa final. Na entrevista, foi questionada sobre a escolha de uma obra da autora guineense Odete Costa Semedo para nortear sua pesquisa: “Disseram não ser usual o conhecimento daquela autora na graduação, pois normalmente os estudantes são apresentados a ela na pós. E elogiaram muito meu projeto”, alegra-se Meire, revelando que sua proposta de pesquisa para o mestrado – “Silêncio eloquente: tradições, feminino, silenciamento e retomada de discurso numa narrativa guineense” – foi uma ampliação do escopo de sua monografia de conclusão da graduação, orientada pela professora Norma Jacinto, na qual abordou apenas um dos contos de Odete, enquanto no mestrado analisará cinco.

Thiago e Meire Lucy: tensão durante seleção substituída por alegria da classificação. (Foto:  Pollyana Lopes)

Thiago e Meire Lucy: tensão durante seleção substituída por alegria da classificação. (Foto: Pollyana Lopes)

Thiago teve a mesma sensação de Meire, de que era um estranho no ninho entre os 25 candidatos que disputaram com ele as 5 vagas de Literatura Inglesa, pois a maioria se conhecia. No seu caso, a questão da prova foi sorteada e não escolhida. E o pior: o ponto sorteado foi justamente o que era total novidade e, portanto, não estava entre os assuntos abordados em provas passadas e que ele chegou a estudar. “Após o sorteio, 5 candidatos desistiram imediatamente, nem começaram a prova. No fim, 9 passaram para a entrevista. Fui o último a ser entrevistado, e acho que a segurança com que defendi meu projeto foi uma das razões de ter entrado”, avalia Thiago, atribuindo tal segurança à qualidade do projeto, e dividindo os créditos desta com seu orientador, professor Victor Ramos: “Ele foi fundamental para que eu soubesse exatamente o que estava fazendo”, diz o estudante, que no mestrado vai se debruçar sobre a insuficiência de gênero em “Orlando”, de Virginia Woolf.

Joyce: Atividades acadêmicas, como seminários e PIBID, ajudaram na preparação. (Foto: Gian Cornachini)

Joyce: Atividades acadêmicas, como seminários e PIBID, ajudaram na preparação. (Foto: Gian Cornachini)

Quando pensa na tranquilidade que teve para passar pelo processo seletivo, apesar de toda a dificuldade, Joyce logo se dá conta do tanto que as atividades realizadas no PIBID ajudaram nessa preparação. “Além das atividades em si nas escolas, teve os seminários, as semanas de Letras, a oportunidade de levar nossos trabalhos a outras universidades, a congressos, a interação com outros graduandos. Sempre com muito incentivo dos professores. Tudo isso deu muita força e experiência”, avalia a estudante, que pesquisará no mestrado a relação entre imagem e texto verbal. Sobre a prova, ela conta que chegou a estudar alguma coisa da bibliografia proposta no processo seletivo, mas acabou usando principalmente a base de conhecimentos vistos ao longo da graduação.

João Armando: livro oferecido por professor inspirou projeto de mestrado. (Foto: Gian Cornachini)

João Armando: livro oferecido por professor inspirou projeto de mestrado. (Foto: Gian Cornachini)

Anteriormente graduado em Psicologia, João Armando se formou aqui em Inglês, mas no mestrado da UFF entrou para o programa de Literatura Africana de Língua Portuguesa. O interesse, segundo ele, surgiu numa aula do professor Bruno Ferrari, que o apresentou à literatura de Mia Couto – autor que inspira sua pesquisa de mestrado – e se intensificou com as aulas das professoras Arlene e Norma. “Inclusive, quando me perguntaram na entrevista que sementinha é essa que tem na FEUC, eu logo pensei nelas. E em todos os outros professores, pois a formação que tive aqui foi de excelência. E fiquei muito feliz de ver que a qualidade da FEUC é reconhecida em todo canto”, elogia João Armando.

Thamyres diz que sempre sonhou com o mestrado, desde antes de entrar para a graduação. Por saber que seria muito difícil, vinha estudando há bastante tempo: “Estudei pelos meus cadernos da FEUC e não pelos livros da bibliografia. Cheguei a comprar alguns livros, mas com a falta de tempo, pois estou cursando a pós aqui, preferi

Thamyres: estudo feito a partir dos cadernos da graduação foi suficiente

Thamyres: estudo feito a partir dos cadernos da graduação foi suficiente. (Foto: Gian Cornachini)

estudar pelos meus antigos cadernos, e foi suficiente”, revela. Em sua pesquisa, Thamyres vai analisar o uso dos recursos pragmáticos na aquisição da linguagem por parte das crianças, dando continuidade ao que pesquisou na graduação. Ela agradece a seus professores da FEUC, especialmente à professora Lia, que foi sua orientadora na graduação e repete a parceria na pós em Língua Portuguesa. Diz que esse estímulo constante dos professores é crucial, pois lá fora as pessoas dizem que não vale a pena se esforçar pra fazer um mestrado, diante da situação do país: “Dizem que valorizam pouco, que eu não vou ter um emprego futuramente por conta dessa reforma do ensino médio… Mas eu acho muito interessante, até porque eu não estou estudando para o governo, não estou estudando para outras pessoas, estou estudando para mim”, afirma Thamyres, mandando um recado para quem gostaria de seguir o mesmo rumo, mas tem dúvidas: “Que os alunos confiem mais em si, porque falta essa confiança. Então é ter foco e pensar ‘quero passar’, e vai conseguir. Estuda e se esforça que consegue”.

Gratidão foi o sentimento mais mais expressado pelos alunos e alunas ao se referir a seus professores da graduação. Além dos respectivos orientadores, lembraram muito das aulas do professor Valmir Oliveira: “Quem mergulha com vontade no conteúdo que ele oferece não tem como não fazer um bom projeto”, pontua Meire. E Thiago revela outro grande prazer que teve durante a entrevista com a banca da UFF: “Me perguntaram o que que é FIC, e se a FEUC era uma federal. Aí eu pude falar bastante da nossa faculdade, pois eles viram a qualidade que os candidatos daqui apresentaram”.

XXIII Octobermática: evento aborda a história da Matemática

 

Tradicional semana acadêmica do curso de Matemática, este ano a Octobermática trouxe comunicações, palestras e teatro sobre grandes nomes do universo numérico

Por Pollyana Lopes e Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

O curso de Matemática das FIC realiza, há 23 anos, a Octobermática, semana acadêmica que acontece em outubro, sempre com um tema diferente envolvendo aspectos científicos e pedagógicos da licenciatura. Na semana passada, entre os dias 3 e 6, o evento, que nesta edição abordou a história da Matemática, movimentou mais uma vez os estudantes do curso, que participaram ativamente como organizadores, ouvintes, expositores e, inclusive, como atores de uma peça teatral. Confira um resumo de como foi a semana:

Palestra

Em uma das palestras mais importantes, o professor da UFRRJ Pedro Carlos Pereira falou sobre a História da Matemática a partir da perspectiva brasileira e da educação matemática. Sem ignorar o papel essencial de nomes como Einstein, Newton e Galileu para o reconhecimento da importância da Matemática, ele destacou, em sua fala, grandes matemáticos brasileiros e o papel que eles tiveram no estabelecimento da Ciência e da Matemática no Brasil.

Professor Pedro também contou que teve trajetória parecida com os os alunos da FEUC. Ele também cursou graduação em universidade particular e trabalhou durante o dia para bancar estudar. (Foto: Pollyana Lopes)

Professor Pedro contou que teve trajetória parecida com os os alunos da FEUC. Ele também cursou graduação em universidade particular e trabalhou durante o dia para bancar estudar. (Foto: Pollyana Lopes)

O professor também falou, esmiuçadamente, sobre o início e o estabelecimento do ensino de Matemática no Brasil, primeiro a partir das escolas de engenharia, e apresentou argumentos sobre a importância da história da disciplina:

“História da Matemática não é só para contar que Pitágoras nasceu no ano tal, morreu no ano tal fez isso ou fez aquilo. É para entender porque ele pensou daquela maneira. Aí a gente precisa da História, da Filosofia. A gente precisa conhecer a psicologia daquela época para entender porque Pitágoras pensou daquela maneira e escreveu aquele teorema. Aí sim nós estamos formando cidadãos pela Matemática”.

Professor Pedro também contou que teve trajetória parecida com os os alunos da FEUC. Ele também cursou graduação em universidade particular e trabalhou durante o dia para bancar estudar. (Foto: Pollyana Lopes)

Pedro: “História da Matemática não é só para contar que Pitágoras nasceu no ano tal”. (Foto: Pollyana Lopes)

Ao final, a professora Gabriela Barboza agradeceu a participação do professor e destacou o papel do debate na formação dos estudantes:

“Dificilmente a gente vai lembrar de todos os fatos históricos que o Pedro contou aqui, mas uma coisa a gente entendeu: que a nossa profissão tem uma História e que ela foi construída ao longo de anos, ela é fruto de estudos e ela gera ainda muitos estudos futuros”.

Comunicações

Um dos momentos mais importantes do evento, as Comunicações repetiram, este ano, a alegria e criatividade dos alunos. Espaço para apresentar, de forma lúdica, assuntos referentes à temática da Semana, a atividade cumpriu também com outro objetivo: a integração entre os alunos. “A alegria, a confraternização, um ambiente fora de sala de aula, os alunos se abraçando”, assim foi descrita as Comunicações pelo professor Alzir Fourny, coordenador do curso, após assistir a uma apresentação de um funk matemático elaborado por estudantes justamente para o evento.

Estudantes apresentaram trabalhos no pátio da FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Estudantes apresentaram trabalhos no pátio da FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Grupos cumpriram com objetivo das Comunicações: levar conhecimento com alegria e interação. (Foto: Gian Cornachini)

Grupos cumpriram com objetivo das Comunicações: levar conhecimento com alegria e interação. (Foto: Gian Cornachini)

“A Octobermática tem essa leveza, um pouco de ludicidade, de alegria. Há esse trabalho em que a matemática não é profunda, complexa. Pega o mais simples, as ideias, para mostrar a importância de conhecer a história, a origem da Matemática, como surgiu a partir desses gênios”, explicou Alzir.

Alzir:

Alzir: “A Octobermática tem essa leveza, um pouco de ludicidade, de alegria”. (Foto: Pollyana Lopes)

Café, teatro, História da Matemática e muitas risadas

Outro ponto alto da XXIII Octobermática foi a encenação da peça teatral Café com História da Matemática, no último dia do evento. O enredo da apresentação tem como protagonistas um casal, em um café, que discute a formação do conselho de uma entidade fictícia que reúne grandes matemáticos, inclusive eles mesmos. Interrompidos, frequentemente, por garçons que apresentam algum matemático famoso para história da disciplina, o debate fica mais acalorado, o casal se irrita mutuamente e tudo termina em uma grande guerra de comida, cessada apenas pelo professor Alzir Fourny Marinhos, que interpretou ele mesmo na peça. Fazendo várias referências aos professores das FIC, o trabalho apresentado pela turma do 5º período arrancou gargalhadas e conquistou o público.

Em meio a muitas risadas, informações importantes foram apresentadas no texto da peça Café com história da Matemática. (Foto: Pollyana Lopes)

Em meio a muitas risadas, informações importantes foram apresentadas no texto da peça Café com história da Matemática. (Foto: Pollyana Lopes)

Texto da peça de teatro trouxe uma série de referências aos professores do curso de Matemática da FEUC, que estavam presentes e entraram na brincadeira. (Foto: Pollyana Lopes)

Texto da peça de teatro trouxe uma série de referências aos professores do curso de Matemática da FEUC, que estavam presentes e entraram na brincadeira. (Foto: Pollyana Lopes)

 

Guineenses e FEUC se unem para discutir a Guiné-Bissau no dia de sua independência

 

O aniversário de 43 anos da independência do país africano é comemorado no dia 24 de setembro; a data foi marcada por uma manhã de reflexão que integrou a comunidade guineense, alunos das FIC e estudantes da região

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Com o objetivo de pensar a Guiné-Bissau em seu 43º aniversário de independência, a Associação dos Estudantes Guineenses no Estado do Rio de Janeiro (AEG-RJ) realizou hoje, dia 24 de setembro, o encontro “Nô Pensa Guiné-Bissau” (Refletir a Guiné-Bissau). A FEUC, em parceria com o grupo, mais uma vez cedeu espaço para que o evento acontecesse na Zona Oeste e, assim, pudesse promover troca cultural entre brasileiros e alunos e intelectuais do país africano. A atividade contou com uma exposição de roupas e tecidos típicos, além de palestras e debates.

Corredor do Auditório FEUC teve exposição de roupas e tecidos típicos. (Foto: Gian Cornachini)

Corredor do Auditório FEUC teve exposição de roupas e tecidos típicos. (Foto: Gian Cornachini)

O mestrando em Sociologia na UFF Tchinho Kaabunke fez, em sua fala ao público, um panorama histórico da Guiné-Bissau, desmistificando a ideia de que o poder sobre a África aconteceu unicamente com o domínio pelos povos europeus. Kaabunke relembrou elementos da ancestralidade africana e citou a invasão árabe a partir do século VII no continente, ressaltando que o local sempre foi alvo de disputas territoriais.

Tchinho Kaabunke, mestrando em sociologia na UFF, fez panorama histórico da Guiné-Bissau. (Foto: Gian Cornachini)

Tchinho Kaabunke, mestrando em sociologia na UFF, fez panorama histórico da Guiné-Bissau. (Foto: Gian Cornachini)

Já Timótio Saba M’Bunde, mestre em Ciência Política, trouxe para o centro do debate os desafios que a Guiné-Bissau enfrenta, hoje, para se afirmar como um estado democrático de direito: “É um país caracterizado por golpes parlamentares, rupturas do funcionamento normal do Estado, e isso tem dificultado a própria afirmação da democracia, pois, em 43 anos de independência, nunca concluiu um mandato democraticamente eleito pelo povo”, observou M’Bunde.

Timótio Saba M’Bunde, mestre em Ciência Política, falou sobre o estado democrático de direito no país africano. (Foto: Gian Cornachini)

Timótio Saba M’Bunde, mestre em Ciência Política, falou sobre o estado democrático de direito no país africano. (Foto: Gian Cornachini)

Na avaliação da coordenadora do curso de Ciências Sociais das FIC, professora Célia Neves, pensar a realidade política da Guiné-Bissau nos leva também a atentar para os recentes fatos da história política de nosso país, como o impeachment da presidente Dilma Rousseff — também eleita democraticamente pelo povo, mas julgada e deposta por parlamentares sem aprovação unânime da sociedade: “Tudo isso discutido aqui é importante até para nós, em nosso processo democrático, porque a gente é obrigada a pensar os nossos processos de rupturas política que sofremos aqui”, disse ela.

Célia Neves, coordenadora de Ciências Sociais das FIC, relacionou o tema com a atual conjuntura política no Brasil. (Foto: Gian Cornachini)

Célia Neves, coordenadora de Ciências Sociais das FIC, relacionou o tema com a atual conjuntura política no Brasil. (Foto: Gian Cornachini)

Além do âmbito político, o debate também se voltou para o estereótipo negativo que os países ocidentais criam sobre nações do continente africano. Hilenio Silva Monteiro, guineense e membro da organização do evento, foi categórico ao culpar a mídia por grande parte desse preconceito: “O Brasil precisa pesquisar muito sobre a África e não se informar pela mídia. O que a gente aprende por ela é a dominação por dinheiro, a fome, a ideia de que tudo na África é ruim — e quando é bom, pinta-se a imagem para que não seja mérito dos países africanos, mas da Europa…”, apontou ele, completando: “Quem aprende somente pela mídia, é condenado à inocência total”.

Hilenio Silva Monteiro, membro da organização do evento, criticou a mídia por criar esteriótipos negativos sobre a África. (Foto: Gian Cornachini)

Hilenio Silva Monteiro, membro da organização do evento, criticou a mídia por criar esteriótipos negativos sobre a África. (Foto: Gian Cornachini)

A estudante Renata Azevedo, do 1º ano do Ensino Médio do Instituto de Educação Sarah Kubitschek (IESK), reconhece ter uma visão distorcida sobre a África, e também culpa a mídia televisiva por isso: “Vendo pela TV, quando fala da África, a gente só vê criança desnutrida, com fome e sede. E aqui a gente viu uma realidade diferente. Também só é falado do homem europeu como invasor, e eu não sabia que os árabes foram lá antes dos portugueses”, relatou Renata, que aprovou a proposta do evento: “Eu adorei, adorei esse contato com eles. Só não vou ficar para o debate porque tenho reposição de aula no Sarah daqui a pouco”.

Renata Azevedo, aluna do 1º ano no IESK, relatou ter visão distorcida sobre o continente africano, muito pelo o que vê na TV. (Foto: Gian Cornachini)

Renata Azevedo, aluna do 1º ano no IESK, relatou ter visão distorcida sobre o continente africano, muito pelo o que vê na TV. (Foto: Gian Cornachini)