Química do CAEL ganha prêmio em evento científico regional

Estudantes levam trabalho apresentado na EXPO X de 2015 para outros encontros e conquistam reconhecimento

Por Pollyana Lopes

Todos os anos, a EXPO X desafia os alunos do CAEL a colocarem em prática o conhecimento adquirido em sala de aula, e também a criatividade, na produção de trabalhos originais e inovadores. Foi a partir desse incentivo que as alunas Gabriella Lucena, Ana Paula de Oliveira e Beatriz Farias realizaram o trabalho “Obtenção de insumos industriais a partir de alumínio reciclado: economia e sustentabilidade”, que foi classificado em primeiríssimo lugar na EXPO X de 2015. Com isso, conquistou uma vaga na tradicional Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada em São Paulo. Mas as meninas não pararam por aí e inscreveram o projeto – que descreve como extrair um sal inorgânico (o aluminato de sódio) de embalagens de alumínio descartadas, com a finalidade de utilizá-lo como um coagulante em estações de tratamento de água – no XV Encontro da Regional Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Química, que aconteceu na UFRJ, em abril.

As estudantes exibem, orgulhosas, os certificados de participação na Febrace e o prêmio do Encontro Regional da Sociedade Brasileira de Química. (Foto: Pollyana Lopes)

As estudantes exibem, orgulhosas, os certificados de participação na Febrace e o prêmio do Encontro Regional da Sociedade Brasileira de Química. (Foto: Pollyana Lopes)

Empolgadas com o aceite do trabalho, elas participaram da feira nos dois dias, mas não ficaram para a premiação, que aconteceria apenas na parte da noite do último dia. Qual não foi a surpresa quando uma das alunas recebeu, em casa, algumas semanas depois, o Prêmio  ngelo da Cunha Pinto, entregue aos três melhores trabalhos apresentados.

“A gente participou da feira e tudo mais, mas como o evento aconteceu no Fundão, ficaria muito tarde para a gente voltar para Campo Grande. Aí, um mês depois chegou o prêmio na minha casa, do nada, eu nem acreditei. Liguei pra uma, liguei para a outra, a gente começou a gritar dentro de casa”, contou Ana Paula.

“Eu estava dormindo, achei que fosse algum cartaz, não conseguia entender direito o que ela estava falando. Só quando eu abri nosso grupo na internet, li as mensagens e vi as fotos do prêmio que eu entendi”, acrescentou Beatriz.

 O projeto das jovens foi escolhido entre os 279 trabalhos inscritos e foi um incentivo a mais para que elas, que hoje estão no 3º ano do Ensino Médio, investissem na área. Ainda em dúvida sobre qual graduação cursar, elas se dividem entre Química Industrial, Engenharia Química e Biomedicina. Enquanto o momento da escolha não chega, elas se preparam para levar o trabalho para mais um encontro científico, a IV Semana de Pesquisa, Tecnologia e Inovação da Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2016), ainda este mês.

Semana do Índio no CAEL teve muitas atividades

A partir da apresentação de vídeos, leituras, oficinas de produção de objetos  e até um depoimento pessoal de um indígena, o evento teve o objetivo de abordar  e valorizar as diferenças culturais 

Sarapó fala às crianças sobre sua cultura e exibe objetos de várias tribos

Sarapó fala às crianças sobre sua cultura e exibe objetos de várias tribos

Já na abertura da Semana do Índio, no dia 12, em quatro apresentações feitas para alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental do CAEL, o índio Sarapó Wakona – da tribo Xucuru Kariri, de Alagoas – despertou interesse dos pequenos com relação ao modo de vida nas aldeias, mas também provocou polêmicas: “Podem rasgar os livros de vocês que falam sobre os índios”, disse ele, defendendo a tese de que os próprios índios é que devem falar às pessoas sobre sua cultura.  “Os livros falam pouco dos índios e falam coisas erradas, antigas, ultrapassadas. Nossa história é viva e continua sendo reinventada sempre”, disse Sarapó.

Desde criança rodando o Brasil para falar de sua cultura

O índio Sarapó tem 33 anos e desde os 10 anos faz este trabalho de divulgação de sua cultura, viajando pelo Brasil como integrante do Projeto Cultural Cara de Índio. Idealizado por caciques de sua tribo, o projeto tem o intuito de levar aos pequenos estudantes uma visão desmistificada da cultura indígena, contestando versões que chegaram a ser senso comum sobre os povos originais – por exemplo, de que são violentos, canibais, preguiçosos. “A história dos brancos diz que índio era preguiçoso, não servia para o trabalho. O que aconteceu de verdade foi que não nos deixamos escravizar”, afirma Sarapó, que exibiu para as crianças e demonstrou o uso de diversos instrumentos e objetos da vida cotidiana de cerca de 20 etnias indígenas brasileiras.

Nas salas de aula, oficinas e brincadeiras inspiradas na cultura indígena

Turminha do Fundamental posa diante do mural com os textos produzidos sobre a Semana do Índio

Turminha do Fundamental posa diante do mural com os textos produzidos sobre a Semana do Índio

A semana seguiu com uma série de atividades sobre o tema sendo desenvolvidas nas turmas, com pesquisas sobre a cultura indígena e manifestações culturais. Incluindo a leitura de muitas obras da literatura infantil mais recente, que aborda de forma respeitosa e reflexiva não somente a cultura indígena: “Quando criticou os livros, Sarapó se referia a velhos livros didáticos, mas hoje temos uma produção, principalmente em literatura infantil, que aborda as diferenças culturais de forma muito interessante. Junto com as crianças, os professores também levantaram vídeos, histórias de diversas tribos e manifestações como danças, rituais, celebrações. E os assuntos foram trabalhados conforme as idades”, conta a professora Esther Bendelack, que coordena a Educação Infantil e divide com a professora Sônia Folena a coordenação do primeiro segmento do Ensino Fundamental.

Destaque para o uso de mandioca, milho e batata doce na alimentação saudável

Outro ponto forte das atividades da Semana do Índio foi o estudo dos alimentos mais consumidos pelas tribos originais, como a mandioca, o milho e a batata doce. Os pequenos conheceram os alimentos in natura, estudaram suas propriedades, e depois acompanharam a preparação de alguns deles, como um incentivo para adotar hábitos alimentares mais saudáveis. O CAEL já desenvolve com os alunos das primeiras séries um projeto chamado “Descascar mais e desembalar menos”, de incentivo ao consumo de alimentos mais naturais e redução dos alimentos processados no cardápio diário.

Ao fim de cada turno nesta terça-feira, os alunos foram embora paramentados com os enfeites e objetos indígenas que prepararam sob a orientação dos professores, ou simplesmente pintados, conforma a tradição indígena.

Veja abaixo algumas fotos das atividades:

Expo X revela talentos da Química e da Publicidade para Febrace e Mostratec

Feira científica do CAEL reuniu trabalhos de todos os cursos técnicos do Colégio com o objetivo de promover a pesquisa e demonstrar o desenvolvimento dos alunos

Por Pollyana Lopes e Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

Há 16 anos, estudantes do CAEL se encontram assiduamente em uma grande feira no Colégio, com suas tecnologias, projetos e ideias criativas para facilitar a vida das pessoas, reduzir custos de processos ou promover cultura e ações sociais que impactam positivamente na sociedade. De quebra, dois trabalhos são classificados para a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) e a Mostra Técnica de Novo Hamburgo (Mostratec) — prestigiados eventos nacionais de ciência e pesquisa. Entre os dias 26 e 30 de outubro, divididos em dezenas de estandes, os alunos puderam mostrar ao público seus trabalhos. E no último dia do encontro, uma grande surpresa: a presença do curso de Publicidade representando o Colégio na Mostratec de 2016.

Representantes de turmas e professores lotaram o auditório da FEUC na abertura do evento. (Foto: Pollyana Lopes)

Representantes de turmas e professores lotaram o auditório da FEUC na abertura do evento. (Foto: Pollyana Lopes)

Administrações do CAEL e das FIC incentivam os alunos

Na abertura oficial da Expo X, estiveram presentes a diretora do CAEL, Regina Sélia Iápeter; a diretora adjunta, Jane Innocencio da Silva; o coordenador do turno da noite da escola, Paulo Accioly; o coordenador do ensino técnico do CAEL, Carlos Vinícius Nascimento; o diretor das FIC, Hélio Rosa de Araujo; o coordenador acadêmico das FIC, Valdemar Ferreira da Silva; e a represente da Stylus formatura, a maior patrocinadora da feira, Márcia Cristina. Em comum, todos disseram palavras de incentivo e parabenizaram os jovens cientistas.

Professores foram unânimes em parabenizar o esforço e dedicação dos estudantes. (Foto: Pollyana Lopes)

Professores foram unânimes em parabenizar o esforço e dedicação dos estudantes. (Foto: Pollyana Lopes)

A professora Regina destacou o empenho dos estudantes nos trabalhos desenvolvidos: ”Eu tenho certeza que vocês colocaram a alma no trabalho de vocês. A gente pode ver isso na produção de vocês”. Jane reforçou que os frutos do empenho são colhidos ano após ano: “Nós, alunos, professores e coordenadores, formamos uma equipe de muito sucesso. Esse sucesso é tão grande que, a cada ano que passa, a gente tem mais pessoas querendo se juntar a nós. Este ano, talvez, seja o ano em que nós contamos com mais patrocinadores. Isso faz parte do sucesso do trabalho de vocês”.

Como coordenador acadêmico das FIC, Valdemar igualou positivamente a dedicação e o empenho dos estudantes de graduação com o que  viu dos alunos do Ensino Básico. “Vocês não deixam nada a desejar a qualquer aluno do nível superior. Eu acompanho a Expo faz algum tempo e percebo que vocês têm pesquisa, têm estudo. Essa rotina de vocês já é uma vida acadêmica, de alunos que já se apropriam da pesquisa, da investigação, das descobertas”.

Já o coordenador do Ensino Técnico, professor Carlos Vinícius, explicou que a Expo X é filiada a outras feiras técnicas com visibilidade internacional: a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) e a Mostra Técnica de Novo Hamburgo (Mostratec): “A nossa feira tem tanta relevância no mercado científico no Brasil que nós fomos escolhidos, entre várias instituições, para ser uma feira afiliada. Essas instituições estão dizendo para nós que os nossos trabalhos têm relevância e que eles querem a gente como parceiros. Isso, mais uma vez, é fruto do trabalho de vocês. Muito obrigado”.

Exposição

Estudantes de Publicidade montaram uma pequena sala de cinema e preparam jogo com temas musicais de grandes produtoras de cinema animado. (Foto: Pollyana Lopes)

Estudantes de Publicidade montaram uma pequena sala de cinema e preparam jogo com temas musicais de grandes produtoras de cinema animado. (Foto: Pollyana Lopes)

Com tantos estandes, a diversidade de trabalhos apresentados foi grande: cerveja artesanal à base de gengibre e hortelã, produzida por estudantes do técnico em Química; robôs de batalha projetados por integrantes de Automação; uma viagem sensorial de alunos de Turismo; além da história do cinema de animação, feita por estudantes do 3º ano de Publicidade. Neste trabalho, Ana Karolyne Cunha dos Santos, Antônio Pereira da Silva, Larissa Timóteo de Menezes, Letícia Ramos Pereira de Almeida, Luzia Costa Correa e Marcele Santos Bittencourt, fizeram uma pesquisa com crianças da família, comparando versões antigas e atuais de filmes animados como “A Fantástica Fábrica de Chocolate” e “Alice no País das Maravilhas”. Para a feira, eles prepararam o ambiente para uma sessão, com direito a pipoca, na qual eram apresentadas montagens das duas versões dos filmes.

“Primeiro nós pensamos em falar sobre a história do cinema, mas como é muita coisa, nós resolvemos focar na história do cinema para crianças. Em como eles tiveram criatividade para reinventar e continuar prendendo a atenção das crianças assistindo e assistindo. E também tem outras questões, por exemplo, como eles inserem o patriotismo estadunidense, sempre tem uma bandeira dos Estados Unidos nos filmes; e o consumismo: sai um filme novo e já tem vários bonecos personagens para vender”, explica Luzia. “Assistindo o dia todo”, reforça Letícia.

Thalya e Maressa apresentaram projeto sobre doação de sangue. (Foto: Pollyana Lopes)

Thalya e Maressa apresentaram projeto sobre doação de sangue. (Foto: Pollyana Lopes)

Além de críticos, alguns trabalhos também manifestaram interesse no bem-estar social. Como o apresentado por Thalya Fidalgo e Maressa Almeida, que estão no 1º ano do Técnico em Enfermagem. O objetivo do projeto foi o de esclarecer todos os aspectos relacionados à doação de sangue. “Nós resolvemos fazer sobre isso, mesmo parecendo ser algo batido, porque a gente quer incentivar as pessoas a doarem. Esse é o nosso objetivo, incentivar, mostrar que não precisa ter medo, que doar sangue é um ato de salvar vidas”, explica Thalya.

Febrace e Mostratec

Os melhores trabalhos apresentados em cada edição da Expo X podem ser avaliados e classificados para a Febrace e a Mostratec. As vagas são poucas — apenas uma para cada feira — mas a criatividade é grande. As alunas Gabriella Lucena, Ana Paula Oliveira Lopes Inacio e Beatriz Farias Costa de Brito, ainda no 2º ano de Química, conquistaram a tão disputada vaga para a Febrace com o projeto “Obtenção de insumos industriais a partir de alumínio reciclado: economia e sustentabilidade”. O objetivo do trabalho foi extrair um sal inorgânico (o aluminato de sódio) de embalagens de alumínio descartadas com a finalidade de utilizá-lo como um coagulante em estações de tratamento de água. Isso significa obter um material mais barato para ser utilizado no processo de decantação — fase em que as partículas orgânicas se agrupam e se separam da água para deixá-la mais pura.

Gabriella e suas amigas do projeto de Química comemoram classificação para Febrace. (Foto: Gian Cornachini)

Gabriella e suas amigas do projeto de Química comemoram classificação para Febrace. (Foto: Gian Cornachini)

“Além de o nosso produto ser extraído de um material que é descartado incorretamente, como latas de bebidas e embalagens à base de alumínio — que levam 100 anos para se decompor — estamos barateando o custo com a obtenção de um aglutinador em aproximadamente 90%”, destacou Gabriella, contente por prosseguir com a tradição do curso de Química de sempre ter um trabalho selecionado para uma feira externa: “Desde que entramos no Colégio, escutamos o nome Febrace e vemos como um desafio a ser ultrapassado. Além de honrarmos o nome do curso, batalhamos muito para descobrir soluções e desenvolver um projeto sustentável e barato”.

Mas a grande surpresa desta edição da Expo X foi o trabalho selecionado para a Mostratec. Fugindo de tradições, a estudante Thaís Paixão de França, do 3º ano de Publicidade, mostrou que seu curso tem potencial para formar alunos capazes de dar asas a grandes ideias. Com o projeto “Educomídia — Desenvolvimento Midiático de Inclusão Cultural e Educacional”, a aluna encantou os professores avaliadores devido ao viés social de sua proposta, que é criar uma rede colaborativa de voluntários da área de educação e arte com o intuito de levar conhecimento e diversidade cultural a regiões periféricas das cidades, disponibilizando, também, esses conteúdos em um portal para estarem acessíveis e gratuitos para qualquer pessoa.

“Os programas educacionais, culturais e exposições são concentrados na área do Centro, da Zona Sul e da Barra da Tijuca, e muita gente não tem condições financeiras ou tempo para ir a esses lugares. A minha iniciativa é de ajudar as pessoas a terem acesso a esses programas através das mídias e por voluntários, que se inscrevem no portal e a gente seleciona as áreas onde eles podem atuar”, explicou Thaís, que contou como a ideia surgiu: “Fui ao evento Hack Day, no Centro, em um programa que ensinava ciência da computação para meninas, e vi que várias garotas eram de comunidade ou da Zona Sul. Só tinha eu da Zona Oeste. Perguntei para as pessoas aqui se sabiam do evento. Ninguém conhecia e disseram que se soubessem, iriam. Então eu quero que essas coisas aconteçam aqui”, ressaltou ela.

Thaís, finalista da Mostratec, durante a apresentação do trabalho de Publicidade para os avaliadores. (Foto: Gian Cornachini)

Thaís, finalista da Mostratec, durante a apresentação do trabalho de Publicidade para os avaliadores. (Foto: Gian Cornachini)

O professor Carlos Vinicius Nascimento, coordenador do ensino técnico do CAEL, comentou a aprovação do projeto de Publicidade que, segundo ele, é algo inédito até o momento: “O curso de Publicidade nunca participou de uma avaliação da Febrace e Mostratec. É uma grande surpresa e, sem dúvida, gratificante. Esse projeto é relevante e muda esse conceito de que tem que ter protótipo para ganhar. A Thaís mostrou que não fez protótipo e levou”, observou.

A mostra de trabalhos finalistas da Febrace acontece entre 15 e 17 de março de 2016, em São Paulo, e a Mostratec no segundo semestre do próximo ano, em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.

 

Cultura de mãos dadas com o esporte e a alegria

 

Olimpíadas do CAEL trazem conhecimento sobre o Rio de Janeiro e muita diversão

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

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“Eu vou citar quatro palavras: respeito, gentileza, tolerância e solidariedade. Se nós carregarmos conosco o significado dessas quatro palavras, tudo vai ser dez, vai ser mil. Porque o CAEL tem tolerância zero com violência, e esta semana vai ser especial porque você vai respeitar, vai ser gentil, tolerante e solidário”. Regina Sélia Iápeter, diretora do Colégio, resumiu um pouquinho o papel das Olimpíadas do CAEL durante a abertura do evento, em junho passado. Mas quatro palavras não bastam. Esporte. Estudo. Dança. Pesquisa. Cultura. Arte. Integração. A lista do que as Olimpíadas do CAEL promovem todos os anos é imensa, grande como a energia dos alunos em cada edição, comprometidos a dar o melhor de si nos jogos e abusar da criatividade na mostra de trabalhos. Durante uma semana inteira, a escola virou de ponta-cabeça: não se viam estudantes com caderno na mão preocupados com as provas, mas alunos se divertindo, jogando futebol, vôlei, queimada, torcendo. “A importância do evento é a gente trabalhar valores, o autocontrole, aprender a lidar com as diferenças, incentivar a solidariedade. Buscar sempre o seu melhor e se divertir também”, explicou o professor Luis Claudio Bastos, um dos coordenadores das Olimpíadas.

DSC_0411Mas o evento não se encerrou com as vitórias em cada modalidade esportiva. Em vez de acordar tarde no sábado sem aula, a escola toda voltou para a FEUC, com o objetivo de fazer jus à semana inteira especial que Regina Sélia havia previsto. Às 10h do dia 20 de junho, com os grupos de alunos devidamente divididos e prontos para exibir seus belíssimos estandes, a diretora adjunta Jane Innocencio da Silva Teixeira deu a largada do projeto cultural “CAEL passeando pela história dos 450 anos do Rio de Janeiro”, valorizando o empenho das equipes: “Parabéns aos alunos do CAEL, que sabem apresentar os melhores trabalhos do mundo, especialmente em um sábado de manhã, quando poderiam estar dormindo”, encorajou Jane. Os elogios não eram para menos. Isso porque, além de brilharem na parte esportiva das Olimpíadas, agora os estudantes também estão tendo que trabalhar toda a criatividade com a missão de aprender e compartilhar conhecimento e cultura com a escola e visitantes.

O aniversário do Rio de Janeiro foi inspiração para os alunos cumprirem a missão de trazer para a quadra e pátio da FEUC características, destaques e particularidades de 32 bairros da cidade. “Escolhemos falar dos bairros porque foi um ano típico de falar do Rio de Janeiro. A gente fez um sorteio entre as diversas localidades, incluindo não só os bairros turísticos, mas os da Zona Oeste também, e aproveitamos para falar de Campo Grande, da história da FEUC e do CAEL”, conta Jaqueline Cossatis, supervisora do Ensino Médio e idealizadora do projeto. De acordo com Jaqueline, além da troca de conhecimento, um dos principais objetivos do projeto é fortalecer a formação do aluno: “O projeto envolve todas as disciplinas. Pega a parte histórica, a geografia, e faz ele pensar o espaço urbano. O aluno faz pesquisas, conhece a origem da sua cidade e do próprio lugar onde vive”, destaca Jaqueline.

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A estudante Giulia Vianna, do 3° ano do técnico em Meio Ambiente, foi sorteada com seu grupo para abordar o bairro de Jacarepaguá. Além de toda a parte histórica, Giulia montou com as amigas uma pequena banca de doação de livros, onde qualquer pessoa poderia levar um exemplar. “Em Jacarepaguá tem o Maciço da Pedra Branca, a Cidade de Deus, mas também tem a Bienal do Livro. Então a gente decidiu doar livros, porque hoje em dia as pessoas parecem ler menos. A gente trouxe ficção e até livro religioso para quem se interessar. É para estimular a leitura mesmo”, contou Giulia.

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Quem gostou da ideia foi a professora aposentada Cecília Rocha, avó da estudante Ana Gabriele, do 1º ano de Meio Ambiente. Cecília foi à exposição para conferir a mostra de trabalhos dos alunos, acabou levando um livro para a casa e ainda deu algumas dicas para as meninas: “Achei ótima essa ideia. E posso dar uma sugestão? Esse cartaz poderia estar mais no alto, porque está muito escondidinho, então as pessoas podem não saber que vocês estão distribuindo livros”, recomendou ela. Essa troca de ideias faz valer a proposta de mudar para o sábado o projeto cultural, que é dar oportunidade para estudantes, professores, visitantes e familiares também participarem da constante construção do conhecimento.

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Fantasiados ou preparando um prato típico, o fato é que a criatividade rolou solta. No improvisado calçadão de Copacabana, os vendedores de DVDs. Diretamente da Urca, as antigas noites cariocas, com “visita” especial de Carmem Miranda (veja foto ao lado). No estande de Guaratiba, o cheiro de peixe grelhado. De Padre Miguel, o samba. E samba ao vivo com a participação de integrantes da escola mirim Estrelinha da Mocidade! Aliás, os convidados surpresa foram ponto alto do evento, levando muita animação à escola, assim como fez o funkeiro Mc Bob Rum, representando o bairro de Santa Cruz. Já estamos ansiosos pelo próximo ano!

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Pães, livros, músicas e conhecimento

 

Professora de espanhol do CAEL aposta em cafés literários para incentivar os alunos a aprenderem de forma lúdica

Por Pollyana Lopes
emfoco@feuc.br

Com apenas um tempo por semana, as aulas de espanhol são repletas de conteúdo. Para escapar um pouquinho da rotina das aulas formais e se aproximar mais dos alunos, porém, a professora Natália Coelho introduziu em suas turmas uma novidade: o café literário, realizado ao final de cada bimestre. A ideia é que os alunos cantem, leiam poesias, dancem músicas em espanhol e interajam entre si e com a “maestrina”. Além, é claro, de saborearem diferentes tipos de pães, bolos e salgados.

Refrigerantes, misto quente, sucos de caixinha, pães e bolos estão no cardápio dos cafés. (Foto: Pollyana Lopes)

Refrigerantes, misto quente, sucos de caixinha, pães e bolos estão no cardápio dos cafés. (Foto: Pollyana Lopes)

Natália, que estudou nas FIC, conta que conheceu essa metodologia com o professor Adriano Oliveira Santos, que fazia cafés literários depois das provas. “Ele foi meu orientador na graduação e na pós. Um grande amigo e um professor perfeito. Eu me espelho nele para trabalhar e sempre dá certo”, conta. Ela também explica suas motivações para tocar a iniciativa: “Como eu só tenho um tempinho de aula por semana, decidi fazer este projeto para termos um momento de aprendizagem diferenciado do formal. Neste café, além de todas as informações transmitidas, batemos papo, tiramos fotos e é uma forma para eu me aproximar dos meus alunos e eles de mim. Dá super certo! Começamos um bimestre mais relaxados e dispostos para aprender melhor, fora que é uma delícia!”, empolga-se.

Os estudantes, apesar de nem sempre prepararem algo para apresentar no evento, aprovam a iniciativa. Paola Maia, do 1º ano do técnico em Informática, comenta o café: “É legal, dá tempo de conversar e a gente sai da rotina de pegar apostila, ficar quieto e assistir a aula. A última vez foi melhor porque teve dança e duas pessoas cantaram. E também dá mais intimidade com a professora. Ela abre espaço para a gente conversar com ela”, diz.

Apesar de ter gostado da edição do evento que teve mais apresentações, Paola se justifica da mesma maneira que a maioria dos colegas quando questionada sobre o porquê de não ter preparado nenhuma apresentação. “Só lembrei ontem à noite e tinha que fazer outro trabalho, por isso não deu tempo de preparar nada”, alega.

Mesmo assim, isso não é desculpa para cancelar a atividade. Os alunos improvisam, dançam “Macarena”, cantam músicas da novela para adolescentes “Rebelde” e apresentam os times espanhóis. E, mesmo no improviso, alguns se destacam.

Aluno do 2º ano do técnico em Administração, João Pedro Consoli foi instigado pela turma a ler uma de suas poesias. Esquivando-se do espanhol e da exposição de seus escritos próprios, ele entoou um rap crítico e ritmado chamado “O que separa os homens dos meninos”, do rapper Sant: “É minha vida e o beat em cima / Ó, imagina. Eu já passei por cada coisa, mano / Explica o que é divórcio pra uma criança de 3 anos / Sem rumo e sem plano / Minha família é minha coroa, se tu entende o que eu tô falando”.

Alunos do 2º ano de Administração improvisaram com apresentação stand up e cantando “Rebelde”. (Foto: Pollyana Lopes)

Alunos do 2º ano de Administração improvisaram com apresentação stand up e cantando “Rebelde”. (Foto: Pollyana Lopes)

O jovem do rap elogia a iniciativa do sarau e apresenta outra explicação para a tímida adesão dos colegas: “Eu acho que é vergonha. Eu mesmo, a maioria das coisas que eu escrevo, só o meu irmão lê”, revela.

Mas a professora insiste em promover a literatura e o conhecimento em ambientes menos formais. Quando um estudante questiona “se é literário, cadê o livro?”, enfática, ela esclarece: “Desde quando a literatura se prende em papel? Ela não se prende apenas no papel ou em um momento da história”. Literatura não é só papel, e aula não é só “cuspe e giz”. É com esse espírito que Natália continua organizando os cafés literários, para que os alunos aprendam, às vezes, sem perceber.

Capoeira como ferramenta pedagógica e transformadora

 

Ao som do berimbau e regada com histórias da cultura afro-brasileira, mestre Anisio aposta na capoeira para exercitar e integrar seus alunos

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

Mestre Anisio: “Eles sabem o básico e ninguém se machuca”. (Foto: Gian Cornachini)

Mestre Anisio: “Eles sabem o básico e ninguém se machuca”. (Foto: Gian Cornachini)

Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco desde 2014, a roda de capoeira também integra as atividades semanais do maior patrimônio da Educação Infantil do CAEL: as crianças que, num gingado aqui e num movimento ali, respondem disciplinarmente às instruções do mestre Anisio do Nascimento Neto — chamado carinhosamente entre os pequeninos de “Tio Capoeira”.

“A capoeira, no tempo da escravidão, era considerada uma luta. Mas, para ela se manter viva durante todos esses anos, ela foi se tornando uma dança, que já não é lutada, mas jogada”, explica o mestre Anisio, que já dedicou 40 de seus 54 anos de idade à capoeira. Formado em Pedagogia e, atualmente, pós-graduando em Educação Especial nas FIC, mestre Anisio vem cada vez mais se apropriando de seu hobby e tornando-o um trabalho cultural, pedagógico e transformador para as crianças: “A gente desenvolve aqui no CAEL uma capoeira pedagógica, uma ferramenta para socializar e integrar os alunos, e para contar uma história que não foi contada”, diz ele. “Nosso objetivo aqui é fazer exercícios, despertar a lateralidade, a coordenação motora, a flexibilidade. E, também, que as crianças vejam o berimbau e associem à cultura afro-brasileira, floresçam o conhecimento da nossa música e conheçam a história de nossos antepassados”, completa o mestre, revelando a finalidade educadora das rodas de capoeira no Colégio: “Queremos que eles sejam adultos diferentes, sem preconceito, mais solidários e conhecedores de sua própria cultura”.

Quem ainda não viu uma aula de capoeira no CAEL ficará encantado ao notar a disciplina dos pequenos alunos e o respeito que eles têm aos comandos do mestre Anisio. Parados cada um em um ponto pré-determinado do pátio, basta o professor ditar os golpes que todos os colocam em prática simultaneamente. “Eles sabem o básico da capoeira: a ginga, cocorinha, negativa, queda de quatro e roleta. E ninguém se machuca, porque a finalidade não é acertar o adversário, mas de se alongar e ter disciplina”, lembra o mestre, que em seguida forma duplas para jogarem a capoeira ao som de um berimbau tocado ao vivo por Anisio, enquanto cada um espera ansiosamente a sua vez.

Olimpíadas do CAEL agitam escola

 

Logo no primeiro dia, estudantes suam a camisa jogando ou torcendo

Por Pollyana Lopes
emfoco@feuc.br

Começaram hoje as Olimpíadas do CAEL! A animação tomou conta da quadra da FEUC, que recebeu os alunos da Educação Infantil, do Fundamental e do Médio para a abertura do evento. A diretora do Colégio, Regina Sélia Iápeter, destacou o espírito de coletividade propiciado pelas atividades das Olimpíadas: “Eu vou citar quatro palavras: respeito, gentileza, tolerância e solidariedade. Se nós carregarmos conosco o significado dessas quatro palavras, tudo vai ser dez, vai ser mil. Porque o CAEL tem tolerância zero com violência, e esta semana vai ser especial porque você vai respeitar, vai ser gentil, tolerante e solidário”, motivou a professora.

Estudantes de todas as turmas lotaram a quadra na abertura do evento. (Foto: Pollyana Lopes)

Estudantes de todas as turmas lotaram a quadra na abertura do evento. (Foto: Pollyana Lopes)

Após a breve fala de Regina, o estudante do 3º ano do ensino técnico em Química Gustavo Ribeiro Guimarães circulou o espaço carregando a tocha olímpica até acender a pira. Depois, foi a vez de Luísa Almeida de Oliveira Costa, aluna do 3º ano de Turismo, fazer o juramento do atleta, repetido por todos.

Para animar o público presente, a diretora adjunta, Jane Innocencio da Silva Teixeira, narrou, com muitas brincadeiras e torcida, a partida de futebol entre os professores e os alunos do CAEL.  O empate de 1 x 1 deixou transparecer a essência dos jogos, como observou o coordenador da parte esportiva das Olimpíadas, professor Luis Claudio Bastos: “A importância do evento é a gente trabalhar valores, o autocontrole, aprender a lidar com as diferenças, incentivar a solidariedade. Buscar sempre o seu melhor e se divertir também”, disse.

Time dos professores escolheu o professor Miguel Louro (último à direita) como capitão. (Foto: Pollyana Lopes)

Time dos professores escolheu o professor Miguel Louro (último à direita) como capitão. (Foto: Pollyana Lopes)

Os jogos continuam até o dia 24, quarta-feira da próxima semana, com uma programação especial no sábado, dia 20, quando serão apresentados os trabalhos desenvolvidos pelos alunos no projeto “CAEL passeando pela história dos 450 anos do Rio de Janeiro”. Serão retratados os pontos turísticos e os bairros que compõem a cidade. Aberta à comunidade, a exposição ficará disponível para visitação de 10h às 14h, em diferentes espaços da instituição.

Torcidas marcaram presença com bolas de ar e instrumentos musicais. (Foto: Pollyana Lopes)

Torcidas marcaram presença com bolas de ar e instrumentos musicais. (Foto: Pollyana Lopes)

Um corredor de Oportunidades

 

Evento do CEMT trará empresas com vagas de estágio e cursos, além de palestras sobre o mercado de trabalho

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

A Feira de Estágios da FEUC, promovida pela Coordenação de Estágios e Mercado de Trabalho (CEMT), já está se tornando mais um dos grandes eventos anuais da instituição, chegando em sua 5ª edição em 2015. Marcada para os dias 25 e 26 de março, das 9h às 21h, a feira levará ao pátio principal 20 estandes com diversas empresas ofertando vagas de estágio e cursos de capacitação.

Feira de Estágios terá um corredor no pátio da FEUC com diversos estandes de empresas. (Foto: Gian Cornachini)

Feira de Estágios terá um corredor no pátio da FEUC com diversos estandes de empresas. (Foto: Gian Cornachini)

Apenas no último ano o CEMT mediou 1.237 estágios obrigatórios e 546 não obrigatórios, e ainda totalizou 227 convênios com instituições particulares, 20 com instituições públicas, seis com empresas públicas e 85 com empresas privadas. A 5ª Feira de Estágios será mais uma oportunidade — além das vagas ofertadas diretamente pelo CEMT — para o estudante conseguir uma experiência profissional em sua área de aprendizado, como explica Elisabete Boti, responsável pelo setor: “O estágio é importante para se aperfeiçoar naquilo que está sendo estudado, e para ingressar no mercado com uma vivência profissional”, ressalta Elisabete. “E a feira vai concentrar aqui na FEUC diversas empresas ofertando vagas diferentes, todas ao mesmo tempo”, adianta ela.

Até o fechamento desta edição, confirmaram presença empresas como o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), Fundação Mudes e Provedor de Talentos, além de órgãos como a Secretaria de Estado de Trabalho e Renda (Setrab). Essas três grandes parceiras, segundo Elisabete, são essenciais para diversificar as oportunidades na feira: “Elas também funcionam como o CEMT, fazendo a ponte entre centenas de empresas e o estudante. Então, no final das contas, um monte de empresas estará aqui dentro por intermédio desses centros de integração”, ressalta ela. As oportunidades serão destinadas a alunos do Ensino Médio (como jovens aprendizes) e do Ensino Técnico do CAEL, além dos estudantes dos cursos de graduação e, também, de alunos de outras instituições de ensino, visto que a feira será aberta à comunidade local e terá entrada franca.

Diversas empresas estarão fazendo cadastro de estudantes. (Foto: Gian Cornachini)

Diversas empresas estarão fazendo cadastro de estudantes. (Foto: Gian Cornachini)

Os dois dias de evento contarão também com oito palestras relacionadas ao mercado de trabalho em geral, como a de Leonardo Souza, arquiteto de sistemas e soluções e instrutor no InfNet, que abordará “Novas tecnologias e demandas do mercado de TI”. Marcada para o primeiro dia da feira, das 9h às 10h, a fala de Leonardo terá o objetivo de reforçar a importância de os estudantes estarem preparados para um universo profissional cada vez mais tecnológico. Outro palestrante será Marcelo Lopez, professor de disciplinas nas áreas de gestão e didática da Pós-Graduação da FEUC. Marcelo trará a sua vasta experiência profissional para falar sobre “Gerenciamento de Projetos: Conceitos, Carreiras e Certificações”, uma vez que já atuou como gerente de projetos de grandes companhias, como a ExxonMobil, e em auditorias de diversas multinacionais como Braskem, Shell e Petrobras. Sua palestra acontecerá no primeiro dia, das 10h às 11h, e no segundo dia, das 19h às 20h. A participação em cada palestra da Feira de Estágios renderá cinco horas de atividades complementares para os estudantes das FIC.

O evento contará também com empresas oferecendo descontos e bolsas de estudo integrais em cursos de idiomas e profissionalizantes. Entre elas, a WSA Idiomas, a MegaWorks, a Red Zero e, ainda, a rede de escolas de música Elite Musical, que além de ofertar cursos, trará vagas de estágio e um instrumento musical para sorteio.

Programacao-feira-estagio2015

 

Acertando no currículo e na entrevista

 

Assessor da Fundação Mudes tira dúvidas sobre o assunto

Se você está em busca de uma oportunidade no mercado de trabalho, confira as dicas de Rodrigo Pereira, assessor da Fundação Mudes — instituição tradicional na integração entre empresas e vagas de estágio:

FEUC em Foco: Quais as informações básicas que deve conter um currículo e a formatação correta do documento?

Rodrigo: ‘O importanteé não desistir’. (Foto: Arquivo Pessoal)

Rodrigo: ‘O importante
é não desistir’. (Foto: Arquivo Pessoal)

Rodrigo Pereira: Nome, idade, estado civil (com ou sem filhos), bairro onde reside, telefone residencial, telefone celular e um e-mail de contato. Para estágio, também devem constar escolaridade e cursos. Curso de idioma, quando houver, também deve ser mencionado, pois pode ser o diferencial do candidato em um processo seletivo. Na formatação do documento, recomendo utilizar sempre a fonte ‘Times New Roman’, tamanho 12, e folha tamanho A4.

FF: O que não deve conter de jeito nenhum em um currículo?

RP: Erros de português e erros de digitação, número do Registo de Identidade e demais documentos. Fotos retiradas de redes sociais como o Facebook também não é interessante, pois em muitos casos são bem informais.

FF: E sobre as entrevistas, há características padrões observadas pelos avaliadores? Quais são?

RP: Proatividade, comprometimento, responsabilidade, criatividade, comunicação, poder de argumentação. É preciso saber falar na hora certa, evitar falar demais, focando-se em responder aquilo que lhe foi perguntado. Bocejar e manusear o celular enquanto outro candidato se apresenta são atitudes mal vistas.

FF: Para além dessas fórmulas, qual sua recomendação para quem acredita que errou na escolha do emprego e quer uma oportunidade melhor?

RP: Caso a prática não seja aquilo que foi almejado, reveja os conceitos de planos para o futuro. O importante é não desistir, ser focado e conhecer bastante o caminho que pretende seguir. Hoje, a internet fornece bastante informação sobre as carreiras e profissões. Mas é bom também, conversar com profissionais das áreas envolvidas.

 

Instrutora ensina maquiagem leve para o trabalho

 

Maria Izabel Marçal de Souza, Instrutora de penteando e maquiagem na Embelleze de Campo Grande

Instrutora Maria Izabel Marçal de Souza, do Instituto Embelleze, maquia modelo para exemplificar as dicas. (Foto: Gian Cornachini)

Instrutora Maria Izabel Marçal de Souza, do Instituto Embelleze, maquia modelo para exemplificar as dicas. (Foto: Gian Cornachini)

“Muitas mulheres gostam de andar bem maquiadas durante o dia a dia de trabalho, mas a gente mora em uma cidade muito quente e derrete com esse sol. O legal é algo mais leve. Quem tem muita imperfeição no rosto recorre à maquiagem em grande quantidade para cobrir, e exagera.

Os erros mais comuns são corretivos claros demais. A pessoa que tem olheira acaba ficando com o efeito ‘panda invertido’, que é quando em volta dos olhos o tom fica mais claro que o da pele natural. A base, por exemplo, é melhor ser passada com um pincel de topo reto ou dual fiber, em movimentos circulares, para que ela fique bem uniforme. Mas deve ser específica para o tipo de pele (mista, oleosa, seca).

Para a pele negra, os tons cintilantes não ficam muito bem. Geralmente, usa-se tons corais, que dão um ar de mais saúde ao rosto. Um delineado básico, um rímel e um batom (que pode ser um gloss) completa. Já para a pele branca não há muita diferença. Apenas o contorno do rosto, que você pode fazer com um tom um pouco mais escuro que a pele.”

Maria Caroline Lopes, aluna na Embelleze, exibe resultado. (Foto: Gian Cornachini)

Maria Caroline Lopes, aluna na Embelleze, exibe resultado. (Foto: Gian Cornachini)

Histórias de uma educação que forma e transforma

 

Pessoas que passaram por aqui ou ainda estão na FEUC revelam as razões afetivas e educacionais que as fazem se sentir ligadas à instituição

Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

Elizabeth folheia o livrão “História da minha educação”, no qual registrou sua trajetória escolar, e a partir daí percebeu a mudança que a educação estava fazendo em sua vida. (Foto: Gian Cornachini)

Elizabeth folheia o livrão “História da minha educação”, no qual registrou sua trajetória escolar, e a partir daí percebeu a mudança que a educação estava fazendo em sua vida. (Foto: Gian Cornachini)

Hora de preparar a campanha anual de divulgação dos cursos das FIC e do CAEL, e começamos a nos perguntar: o que a FEUC tem de mais importante a dizer àqueles que são potenciais candidatos a se tornarem seus alunos em 2015? Ora, aquilo que esta revista vem ouvindo ao longo dos últimos anos de um sem-número de entrevistados, entre estudantes, pais, ex-alunos, professores, funcionários… – que a qualidade da educação aqui recebida e a convivência afetuosa têm sido fundamentais para transformar e melhorar suas vidas e de suas famílias.

E veio o slogan “Educação para fazer seu mundo melhor”.

Mas quem melhor conta essas histórias são os que viveram e vivem pessoalmente a experiência. Como Elizabeth Ramos da Silva, do 5º período de Pedagogia, que veio em busca de um curso superior apenas para obter status compatível com a função que já exercia, de professora de teologia em sua igreja, mas que aqui se descobriu uma verdadeira educadora: “A transformação começou lá no início do curso, ouvindo as professoras Gilda, Dimarina… Mas a ficha só caiu quando escrevi a ‘História da minha educação’, na disciplina da professora Célia, e me dei conta da minha trajetória. Aí vi crescendo em mim um amor enorme pela profissão, e agora sei que quero lecionar e fazer a diferença”.

Hoje com 57 anos, casada há 35, 4 filhos e 4 netos, Elizabeth conta que não teve boa relação com os estudos no passado. Estudava por obrigação, achava a escola chata, parou no ginásio para trabalhar, depois se casou, engravidou… Uma história comum, mas que ganha ares de superação quando a protagonista completa 50 anos e decide se matricular no Ensino Médio, na mesma turma da filha mais nova, em um Ciep de Vila Kennedy. “Fiz surpresa para todos, até para o marido. Me arrumei de manhã, botei meu uniforme, e minha filha se espantou: ‘onde vai assim?’. Para a escola, e com você! Ela primeiro reclamou que eu ia fazê-la ‘pagar mico’, mas depois se habituou”, lembra Elizabeth.

Trabalhando a autoestima dos colegas

A turma era a 1001, tida como a pior da escola: cadeiras voavam durante brigas, alunos matavam aula, professores lavavam as mãos… “Só o de Matemática conseguia dar aula e ser respeitado, daí percebi que ele sabia o nome de cada um, falava carinhosamente com todos e cobrava aquilo que dava. Ele me inspirou”, conta Elizabeth, que passou a trabalhar a autoestima dos jovens colegas de turma, ressaltando suas qualidades, e ao longo de três anos conseguiu fazer com que acreditassem no próprio potencial: “Eu os convenci a estudarmos juntos para o Enem. Hoje estão cursando Direito, Design, Engenharia… e antes achavam que no máximo iam ter a mesma vida dos pais”, relembra.

Entre leituras de Paulo Freire, Luckesi e outros pensadores, a estudante de pedagogia agora compreende que exerceu ali um papel de educadora, embora sendo apenas colega de classe daqueles jovens. E, sabiamente, conclui que mais aprendeu com eles do que ensinou. “Eles não tinham o que eu também não tive quando criança na escola: estímulo, professores que se importassem. Quando eu me importei com eles, tudo mudou. Agora, na faculdade, meus professores me ajudam a ver isso. Encontrei aqui profissionais tão cheios de vigor e amor pelo magistério que me achei definitivamente nesta profissão.

Reflexões sobre questões sociais levaram Rosilaine encarar docência com outros olhos. (Foto: Gian Cornachini)

Reflexões sobre questões sociais levaram Rosilaine encarar docência com outros olhos. (Foto: Gian Cornachini)

Também foi um professor (de Geografia, formado aqui) que inspirou Rosilaine Souza de Araújo da Silva a vir cursar sua graduação nas FIC. Naquele momento (2000), o que a movia era o firme propósito de romper a realidade em que vivia e mudar o rumo a partir da conquista de um diploma, mas não exatamente ser professora. A única da família a concluir o Ensino Médio, Rosi trabalhava como vendedora de butique para pagar o curso superior, ganhava salário praticamente igual ao valor da mensalidade e usava a carinha de menina para economizar o dinheiro do transporte: ao sair do trabalho, vestia o antigo uniforme da escola pública que lhe franqueava a viagem de ônibus. “Se não fosse assim, eu não teria conseguido fazer a faculdade”, lembra a hoje coordenadora do curso de Geografia.

Após um ano inteiro conciliando butique e faculdade, Rosi conseguiu trocar o comércio pelo trabalho em uma ONG da área de educação. E ali começava a surgir a futura professora: “Foi a FEUC que me proporcionou essa experiência. Associada a todo o envolvimento que eu já tinha com as questões sociais, contribuiu para que eu pudesse ter outro olhar sobre a docência”. Em outras palavras, quando escolheu cursar Geografia, Rosi queria apenas unir o útil ao agradável: avançar profissionalmente com o diploma de curso superior (virar gerente da butique?!) e adquirir conhecimentos para entender melhor o mundo. Mas, no caminho, foi “escolhida” para mudar também a vida de outros: “Além da formação em si, de cursar as disciplinas, a possibilidade de desenvolver projetos, como o Pré-Vestibular Comunitário que criamos aqui, permitiu que eu fizesse muitas reflexões e finalmente enxergasse onde estava aquela mudança de vida que eu almejava”, analisa. Estava no magistério.

O atual coordenador Acadêmico das FIC, Valdemar Ferreira da Silva, foi outro que procurou a faculdade com o estrito propósito de crescer no emprego que já tinha: o de coordenador de Treinamento e Desenvolvimento do Bob’s, posto a que chegou poucos anos depois de começar a vida profissional ainda adolescente, fritando hambúrguer como contratado temporário. Determinado, Valdemar conquistou uma vaga de atendente após o período como extra e foi rumando para o topo: virou assistente de gerente, ganhou prêmio de melhor assistente do ano, foi transferido para a loja mais importante e, finalmente, convidado a coordenar o treinamento de atendentes.

Valdemar: histórias de vida de seus professores mostraram que era possível mudar. (Foto: Gian Cornachini)

Valdemar: histórias de vida de seus professores mostraram que era possível mudar. (Foto: Gian Cornachini)

No novo setor, Valdemar convivia com psicólogos, administradores, pedagogos… mas faltavam-lhe ferramentas que os outros tinham. “Aí pensei: vou fazer faculdade de Pedagogia, preciso ter uma formação superior para continuar crescendo”. Assim ele chegou à FEUC – e você concluirá, no fim da história, que esta instituição é a culpada de o Bob’s hoje ter menos um grande executivo em sua equipe. “Quando comecei a estudar sociologia, filosofia… foi se consolidando o entendimento de que eu não acreditava naquele trabalho que realizava, de treinamento. Aquilo só servia para reforçar a alienação do sujeito, e tudo o que eu estava estudando apontava para a educação libertadora”.

Em conflito, Valdemar foi se aconselhar com a professora Aparecida Tiradentes. Ela foi simples e direta: “Faça o que seu coração pedir”. Ele fez: pediu para sair, e seu chefe na empresa gentilmente o demitiu. Com a indenização, pagou todas as mensalidades até o fim do curso e mergulhou nos estudos e em um estágio. Ao se formar, conquistou ao mesmo tempo uma vaga de mestrado na Fiocruz, sob a orientação de Aparecida, e um convite para lecionar nas FIC. “Devo aos meus professores daqui essa guinada, por eles terem me mostrado que era possível, com suas próprias histórias. Para um menino que cresceu sem estímulo e sem sequer ouvir a palavra faculdade, tenho certeza que a vida só mudou por causa do lugar onde fiz a graduação. Por isso digo sempre aos alunos: aproveitem isso”, completa.

 

‘Bom para mim, melhor ainda para meu filho’

 

No Magali e no CAEL, pais que foram alunos dos colégios em décadas passadas agora levam seus filhos para estudar e repetir o que eles consideram que foi uma experiência positiva em sua infância e adolescência

Lucas e André: pai quis para o filho o mesmo ambiente escolar em que se sentia bem. (Foto: Gian Cornachini)

Lucas e André: pai quis para o filho o mesmo ambiente escolar em que se sentia bem. (Foto: Gian Cornachini)

Quando se trata dos colégios, tanto no CAEL quanto no Magali não é raro encontrar pais que trazem seus filhos para cá animados com a experiência positiva vivida por eles próprios em épocas anteriores. André Luiz Cabral, de 29 anos, foi aluno do Magali em 1995 e 1996, e diz que as lembranças se renovam a cada vez que ele reencontra velhos colegas de escola que são seus amigos até hoje.

Foi pensando nessa riqueza pessoal que há 3 anos ele matriculou o filho Lucas dos Santos Tavares, hoje com 7 anos. “Eu era um aluno bagunceiro, ativo, mas nunca fui incompreendido. Quis para o Lucas esse mesmo ambiente, em que os valores são aqueles mais importantes, mas não se fica parado no tempo. É assim que eu vejo o Magali”, diz André, apontando ainda outra característica que lhe agrada: o fato de as diretoras, os professores e os funcionários conhecerem cada aluno pelo nome. “Essa proximidade é muito boa. Eu gostava disso no meu tempo. Se foi bom para mim, vai ser melhor ainda para o meu filho”.

Do Km 32 a Campo Grande, por amor à escola

Alana e Gisele: longe de casa, mas perto da felicidade. (Foto: Gian Cornachini)

Alana e Gisele: longe de casa, mas perto da felicidade. (Foto: Gian Cornachini)

Gisele de Menezes Bento Silva, de 30 anos, entrou para o Magali aos 3 anos e cursou lá todo o Ensino Fundamental. Considera que teve ótima formação e sempre se sentiu querida e cuidada no ambiente escolar, detalhes fundamentais para o bom desenvolvimento de uma criança. Por isso ela levou a filha, Alana de Menezes Bento Silva, para estudar lá. “Para ela também foi paixão à primeira vista, num instante estava adaptada e se entendendo com todo mundo”. Mas a felicidade durou pouco, e um ano depois Gisele precisou trocar Alana de escola, pois se mudou para o Km 32 da Antiga Rio-São Paulo, em Nova Iguaçu, e o Magali ficou distante. “Ela não gostou, ficou amuada. No começo achei que era só saudade e que ia passar, mas depois vi que minha filha estava regredindo na socialização, se retraindo, não queria mais ir para a escola. Cheguei a pensar que ela pudesse ter dificuldade de aprendizado, pois não ia bem nas atividades. Aí resolvi fazer um sacrifício e voltar para o Magali”, relata Gisele.

A rotina da família se transformou, pois Gisele passou a levar a filha de carro todos os dias, contando com a sogra ou o marido para buscá-la nos dias em que trabalha à tarde. Mas o esforço conjunto logo foi recompensado: “De volta ao Magali, ela recuperou todo o prazer de estudar e o estímulo também. Agora quer ir à escola até no fim de semana! Valeu muito a pena. É tranquilizador quando você pode confiar numa escola e ver que seu filho fica bem”, diz Gisele.

Maria Antônia e Bruna: caso de amor familiar com CAEL. (Foto: Gian Cornachini)

Maria Antônia e Bruna: caso de amor familiar com CAEL. (Foto: Gian Cornachini)

Todos os dias quando entra na FEUC para buscar a pequena Maria Antônia, de 5 anos, Bruna Azevedo Pereira Machado Fonseca revive o que ela mesma classifica de a melhor época de sua vida: 11 anos inteirinhos como aluna do CAEL, de 1990 a 2000. A julgar pelo que acontece no percurso, da portaria até o prédio da Educação Infantil, parece que foi ontem: Bruna vai cumprimentando professores, inspetores, serventes… “O mais legal é isso, ver que um monte de gente da minha época continua aqui. E todos eles se lembram de mim”, diz a ex-aluna de Enfermagem.

E foi a formação no curso técnico que conduziu Bruna ao posto que ocupa hoje no Hospital Rocha Faria, embora tenha feito também faculdades de Enfermagem e Educação Física – esta graduação, aliás, a trouxe de volta ao CAEL em 2006, como estagiária de seu antigo professor, Miguel Louro. A ex-aluna conta que, quando sua filha nasceu, ela nem cogitou outro colégio: “Com três meses ela já estava aqui, na creche. E com certeza vai continuar até se formar, como eu. Só não fiz faculdade na FEUC porque não tinha o que eu queria”, afirma Bruna, torcendo para que a atual expansão de cursos da instituição desemboque num grande leque de opções para Maria Antônia no futuro.

Outra que passou recentemente pelo CAEL e já alça voos mais altos é Larrysa de Morais Alves da Cruz, de 18 anos, formada no técnico em Química e estudante de Farmácia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).  A jovem valoriza a qualidade do ensino do Colégio, que lhe permitiu ingressar em uma universidade pública: “O CAEL me deu toda a base para realizar o sonho de estar hoje na Rural. Muita coisa que aprendi nas matérias do Ensino Técnico e Regular eu estou usando na faculdade”, afirma Larrysa. “Há colégios que focam só no Técnico e esquecem as matérias básicas, então os alunos chegam muito deficientes em algumas disciplinas da universidade. Mas pela base que tive, eu me sinto um pouco em destaque, porque na faculdade consigo entender tudo plenamente”, observa.

Larrysa: destaque na turma da faculdade por conta da boa formação no Ensino Médio. (Foto: Gian Cornachini)

Larrysa: destaque na turma da faculdade por conta da boa formação no Ensino Médio. (Foto: Gian Cornachini)

Durante sua trajetória no CAEL, Larrysa brilhou em 2013 com um projeto da Expo X escolhido para representar o Colégio na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), que acontece anualmente na Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista. A jovem criou um bioplástico com a proposta de identificar a deterioração dos alimentos, alertando as pessoas quando o produto está impróprio para consumo. “Infelizmente, não ganhei nenhum prêmio na Febrace, porque o projeto ainda não está concluído. Mas foi uma experiência muito boa, e eu quero continuar trabalhando na faculdade com descobertas que ajudem as pessoas. Isso sempre foi o meu objetivo: criar algo para ajudar”, revela Larrysa, lembrando da importância da Expo X para fortalecer o aprendizado: “É uma grande oportunidade no Colégio, pois incentiva o aluno a descobrir, a aguçar a criatividade e a curiosidade. A Expo prepara a gente para a vida na universidade, que tem isso de descobrir as coisas e de saber o porquê delas”, ressalta.

 

A vida que muda a vida da gente

 

Conhecedores das dificuldades de conciliar trabalho, estudo e jornadas domésticas, porque também passaram por isso, professores são mais generosos com alunos, sem abrir mão da qualidade da formação

A história do professor de Português Erivelto Reis com a FEUC começou muitos anos antes de ele se tornar aluno da graduação em Letras. Desde garoto apaixonado por literatura e poesia, o jovem sempre frequentou os eventos culturais da instituição, onde tinha a chance de conhecer poetas, escritores e outros artistas. Isso nas horas em que não estava trabalhando como garçom, profissão que exerceu por 18 anos. Quando a esposa, Regina, o incentivou a apertar o orçamento e fazer uma faculdade, os poetas Primitivo Paes, Américo Mano e Rita Gemino lhe asseguraram que o lugar certo era a FEUC, apesar de ele ter a possibilidade de uma bolsa integral em outra instituição.

Erivelto veio, abriu seu coração sobre o desejo imenso de cursar a graduação, lembrou que era assíduo nos saraus da instituição e acabou obtendo um bom desconto. Assim sua vida começou a mudar: “Eu não tinha mais tempo a perder, então a questão que me movia era ter um bom aproveitamento no curso. Todos os professores que tive aqui foram muito generosos comigo, porque me disseram a verdade: o que não estava bom era corrigido, e eu tinha que fazer de novo. E é assim que procuro agir com meus alunos, entendendo as dificuldades que têm como trabalhadores, mas sendo firme ao exigir qualidade, pois essa marca da FEUC já existia antes de mim e continuará depois”.

O professor ressalta também o carinho dos funcionários: “No meu primeiro dia de aula, a Andreia me levou até a sala, porque eu não estava entendendo aquele negócio de bloco. Isso é muito legal: aqui todo mundo ajuda, a gente é preparado para competir fora daqui, mas dentro há cooperação, uma humanidade muito grande”.

Professor Erivelto: paixão por poesia e livros o fez trocar as bandejas pelo quadro e giz. (Foto: Gian Cornachini)

Professor Erivelto: paixão por poesia e livros o fez trocar as bandejas pelo quadro e giz. (Foto: Gian Cornachini)

Erivelto criou para si uma espécie de personagem: o professor de suspensórios. E conta que se tornar docente foi um processo elaborado em sua formação: “Eu assistia aulas pensando em como daria aulas, porque me prometi que só seria garçom até as vésperas da minha formatura. Fui pegando, de cada professor que eu admirava, alguma coisa, e testando à minha maneira quando tinha que apresentar trabalhos lá na frente. Recomendo isso como treinamento”, diz.

A promessa foi cumprida. Com colação de grau marcada para o dia 28 de dezembro de 2009, Erivelto se despediu das bandejas no dia 23 de dezembro. E em 2010 se tornou professor da própria FEUC: “Continuo pensando do mesmo jeito e tendo os mesmos sonhos de quando era garçom, só que agora esta casa me deu ferramenta para realizá-los. Fiz um curso superior para fazer escolhas superiores e não para ser superior a ninguém”.

Alexandra e Maria José: amigas e vizinhas se encontram como aluna e professora na pós

Alexandra e Maria José: amigas e vizinhas se encontram como aluna e professora na pós

E mesmo quem só conheceu a FEUC na hora de fazer a pós-graduação sente um clima diferente. Ainda mais quando é trazida por uma declarada admiradora da instituição. Que o diga a professora de artes Alexandra Fernandes da Silva, que na pós em Libras é aluna de sua vizinha e incentivadora Maria José Brum. Formada no Ensino Normal e em Artes Plásticas, ela passou a se interessar por Libras devido ao convívio com Maria José e sua irmã Lili, que é surda. Alexandra fazia uma pós em Libras a distância, mas não estava muito satisfeita. Quando soube que a FEUC abriu uma, presencial, correu para cá: “Só de saber que a Maria José seria professora, não tive a menor dúvida. Depois conheci o professor Victor Ramos, aí o círculo se fechou. Os dois são maravilhosos, instigam a turma a querer aprender mais”, diz Alexandra.

Formada em Pedagogia pelas FIC, Maria José se especializou em Libras fora daqui e dá aulas da disciplina na graduação e na pós. Ela acabou de concluir mais uma pós sobre o tema na UFRJ (Interpretação e Tradução de Libras) e está se candidatando ao mestrado na UFRJ. E quer fazer do curso de especialização da FEUC uma referência no tema: “O curso aborda mais teoria, mas quero unir com a prática, levar para a proficiência do aluno. Seria um sonho realizar algo grande assim nesta instituição, que eu amo de paixão!”.

Na propaganda, a alma da FEUC

O estudante Renato Paulo Gomes de Souza traçou um paralelo tão interessante entre suas conquistas profissionais e a formação recebida aqui, que uma das frases de sua entrevista foi parar nos outdoors de publicidade da faculdade: “Cada vez que retorno à FEUC, mais portas se abrem para mim, na vida profissional e nas relações humanas”.  Ele se referia à rápida inserção no mercado de trabalho após se formar em Química no CAEL, em 2001, e a recente conquista de um estágio em docência e a participação no PIBID, agora que cursa Ciências Sociais nas FIC.

Após quase 15 anos atuando como técnico em várias indústrias no Rio, numa carreira vitoriosa que o levou ao atual posto de chefe substituto em Bio-Manguinhos, na Fiocruz, Renato decidiu que era hora de voltar aos bancos escolares para dar uma guinada na vida profissional: “A formação de técnico me deu um bom emprego, minha própria casa, uma vida confortável. Mas chega uma hora que você quer outros desafios, e me lembrei de como eu gostava da área de Ciências Humanas, daí decidi fazer faculdade. Para mim, não poderia ser em outro local senão na FEUC”, diz.

Renato: Química no CAEL e Ciências Sociais nas FIC. (Foto: Gian Cornachini)

Renato: Química no CAEL e Ciências Sociais nas FIC. (Foto: Gian Cornachini)

Por ter um bom emprego na Fiocruz, Renato conta que já ouviu críticas sobre sua escolha, gente que lhe diz que jamais ganhará o mesmo como professor. Ele rebate: “Meu projeto é de longo prazo, conciliar as duas coisas por um tempo, até poder viver só do magistério. Vou chegar lá. O que eu não vou é mercantilizar tudo e deixar de fazer o que sei que me realizará”, afirma o estudante, que se vê no futuro trabalhando com educação de jovens e adultos.

Próxima parada: Febrace e Mostratec

 

Dois trabalhos de estudantes do CAEL para a Expo X garantiram espaço em mostras técnicas de feiras em São Paulo e Rio Grande do Sul

Por Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

A Expo X contou com duas novidades este ano: a primeira foi a antecipação do evento de novembro para o final de outubro. Assim, aconteceu simultaneamente e em clima de muita tecnologia e inovação com a FEUCTEC, a semana dos cursos de Licenciatura em Computação e Sistemas de Informação das FIC. A segunda foi a inserção do Colégio não só na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) — como vinha acontecendo nos anos anteriores — mas também na Mostra Brasileira de Ciência e Tecnologia (Mostratec), uma feira internacional que acontece anualmente em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. E isso graças à qualidade dos projetos apresentados pelos estudantes, como explica Carlos Vinícius Nascimento, coordenador do Ensino Técnico do CAEL: “Do ano passado para cá, os níveis dos projetos foram ainda melhores que nos anos anteriores. Teve grupos que estavam há três anos aprimorando seus trabalhos. Isso possibilitou que a gente conseguisse escolher mais de um projeto para participar nas duas feiras”, destaca ele.

A Febrace é da Química

Matheus Calixto, Aymée Ninck e Gabriel Moreira, ambos estudantes do 3º ano de Química, saltaram do 3º lugar do curso na Expo X de 2013 para o 1º nesta edição. E não pararam aí. O projeto “Fármaco à base de urucum” foi escolhido o melhor para representar o CAEL na mostra da   Febrace em março de 2015. O trabalho consiste em utilizar o urucum (fruto que origina o colorau) para fabricar um pesticida que repele os insetos, em vez de matá-los, e um remédio natural para o controle do mau colesterol. O grupo já tinha utilizado o urucum na Expo X do ano anterior para fazer tintas não tóxicas, e desta vez acabou aprimorando os estudos com a planta para a criação de novos produtos.

Aymée, Matheus e Gabriel irão à Febrace apresentar seus fármacos elaborados com urucum

Aymée, Matheus e Gabriel irão à Febrace apresentar seus fármacos elaborados com urucum

“As substâncias extraídas da casca do urucum mostraram-se tóxicas, e com elas nós elaboramos o pesticida. Já com as sementes, conseguimos extrair um líquido e deixá-lo secar até obter um pó, que pode se tornar um comprimido ou ser utilizado como tempero”, detalha Matheus. “Não altera o sabor da comida, só agrega cor e ajuda a reduzir o LDL, que é o mau colesterol”, afirma.

Se vencer na Febrace, o projeto garantirá uma vaga na Intel ISEF, feira internacional de ciências e engenharia realizada pela Intel, nos Estados Unidos, e destinada a estudantes que ainda não chegaram à graduação. Em 2003, 2006 e 2012, alunos do CAEL conseguiram alcançar uma vaga na feira norte-americana com projetos dos cursos de Edificações, Eletrônica e Química.

A Mostratec é da Eletrônica

“O projeto é fantástico e de altíssima relevância”. Assim define Diógenes Rocha, coordenador de Eletrônica, o projeto “Energia Alternativa Seebeck” (E.A.S.) dos estudantes Rodrigo Paiva e Thaylan de Oliveira, do 3º ano do curso. Apesar de a ideia ter sido concebida apenas em julho, em três meses a dupla conseguiu desenvolver um protótipo voltado para a área de energia alternativa e, ainda, garantir uma vaga na Mostratec. O “fantástico” dito pelo professor Rocha se resume na proposta do projeto: gerar energia elétrica a partir do calor dissipado por máquinas como caldeiras e fornos.

Thaylan e Rodrigo tiveram o projeto de energia alternativa escolhido para ir à Mostratec. (Foto: Gian Cornachini)

Thaylan e Rodrigo tiveram o projeto de energia alternativa escolhido para ir à Mostratec. (Foto: Gian Cornachini)

Em testes utilizando quatro pastilhas de conversão de calor submetidas à temperatura de 200º C, Rodrigo e Thaylan conseguiram gerar 7,7 volts — tensão suficiente para ligar pequenas lâmpadas. O próximo passo é submeter as placas a temperaturas ainda mais altas para gerar tensão e armazenar energia que mantenha, por exemplo, salas de indústrias com lâmpadas e ventiladores ligados. “Temos uma sequência de testes a fazer ainda para poder apresentar os resultados na Mostratec. A gente não quer ir para uma feira internacional e fazer feio. Estamos focados em trabalhar para fazer o melhor”, ressalta Rodrigo, que valoriza a dedicação de estudantes aos trabalhos para a Expo X: “Os projetos fazem você se empenhar e estdudar mais. Não é só para passar de ano, mas para aprender, disputar e ganhar”.

Ainda que o CAEL tenha o direito de enviar dois projetos para as feiras por ser associado a elas, alguns estudantes estão competindo por fora. É o caso de Phelipe Lima, Gabriel Freitas e Daniel Ferreira, do 3º ano de Eletrônica, que tentam uma vaga na Febrace com a “Central de Monitoramento de Águas”, protótipo de um sistema que checa o abastecimento hídrico de residências e gera um alerta, inclusive via internet, do nível da água a fim de economizá-la. “Nosso projeto nasceu em 2012 e cresceu bastante este ano. Mandamos o resumo para a Febrace e estamos ansiosos. Queremos representar o CAEL lá e dar visibilidade à nossa ideia”, conta Phelipe, animado e esperançoso.

Daniel, Phelipe e Gabriel esperam aceite da Febrace para projeto de Eletrônica. (Foto: Gian Cornachini)

Daniel, Phelipe e Gabriel esperam aceite da Febrace para projeto de Eletrônica. (Foto: Gian Cornachini)