CAEL promove grande feira contra preconceitos

 

Estudantes apresentaram trabalhos de conscientização acerca do respeito às diferenças e participaram de ações sociais fora do Colégio

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

O Projeto Cultural do CAEL, realizado no dia 28 de junho, movimentou estudantes em prol de uma sociedade mais igualitária e que respeita as diferenças. Com o tema “Construindo pontes, não muros — Valores e Virtudes: preconceito e cidadania”, a atividade teve o objetivo de criar no Colégio uma feira com apresentações de trabalhos dos alunos e peças teatrais que expusesse diferentes preconceitos presenciados ainda nos dias de hoje e a importância de combatê-los. De maneira muito criativa, os estudantes abordaram temas como racismo e a herança africana, violência contra a mulher e feminismo, homofobia e igualdade de gênero.

Feira levou diversas apresentações para a quadra esportiva do CAEL. (Foto: Gian Cornachini)

Feira levou diversas apresentações para a quadra esportiva do CAEL. (Foto: Gian Cornachini)

O grupo de Maria Eduarda Lira Villela, do 1º ano do técnico em Enfermagem, trouxe para o CAEL o debate sobre preconceito religioso. Caracterizada como freira, a jovem chamou a atenção para o ódio entre diferentes religiões: “Falamos sobre católicos, muçulmanos, espíritas, para mostrar que existem pessoas diferentes, que se vestem de maneira diferente, e que mesmo que você não gosta, o importante é aceitar”, defendeu ela.

Grupo de Maria Eduarda (segunda, da esquerda para a direita), abordou o preconceito religioso. (Foto: Gian Cornachini)

Grupo de Maria Eduarda (segunda, da esquerda para a direita), abordou o preconceito religioso. (Foto: Gian Cornachini)

O estudante Yan Victor Vidal Bandeira, do 2º ano do técnico em Química, apresentou com seus colegas um trabalho sobre homofobia. Utilizando chifres de unicórnio — apetrecho apropriado pela comunidade LGBT, durante o Carnaval deste ano, com o intuito de representar um ser assexuado, sem definição de gênero —, o estudante foi direto ao opinar sobre a violência contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros: “Aqui, no Brasil, é ruim ser homossexual. O índice de violência contra homossexuais é muito maior. Queremos mostrar que essas pessoas também são gente, têm direitos, tudo o que nós, heterossexuais, temos. Ser gay não é uma doença!”, ressaltou ele.

Yan Victor: "Aqui, no Brasil, é ruim ser homossexual. O índice de violência contra homossexuais é muito maior". (Foto: Gian Cornachini)

Yan Victor: “Aqui, no Brasil, é ruim ser homossexual. O índice de violência contra homossexuais é muito maior”. (Foto: Gian Cornachini)

Atenta ao fato de que as propagandas contribuem positivamente e negativamente para a opinião pública em relação a diversos temas e aspectos sociais, a aluna Anna Paula dos Santos de Souza, do 2º ano do técnico em Publicidade, pesquisou com seus colegas diferentes campanhas publicitárias que evidenciassem preconceitos e estereótipos. Mulheres seminuas em propagandas de cerveja voltadas para homens, publicidade de produtos de limpeza com imagens de mulheres, a pouca utilização de pessoas negras. Tudo isso foi destacado no trabalho.

Anna Paula sobre influência das propagandas: "Às vezes você está vendendo uma ideia que vai machucar outras pessoas". (Foto: Gian Cornachini)

Anna Paula sobre influência das propagandas: “Às vezes você está vendendo uma ideia que vai machucar outras pessoas”. (Foto: Gian Cornachini)

“Dependendo do país ou da cabeça do profissional que está fazendo a propaganda, ele vai colocar as próprias experiências em seu trabalho, e muitas vezes isso pode ser ruim, pois a publicidade faz bastante a cabeça das pessoas, tanto para comprar um produto quanto para vender uma ideia. E às vezes você está vendendo uma ideia que vai machucar outras pessoas”, apontou Anna Paula.

Realidade fora do Colégio

Além de expor os trabalhos na feira cultural, estudantes também participaram de diversas ações sociais fora do Colégio. O grupo do aluno Jhonathan William do Prado, do 3º ano do técnico em Química, responsável por abordar a temática sobre moradores de rua, visitou pessoas que se encontram nessa situação e entregou-lhes sopa em uma noite fria.

Jonnathan e sua colega do  CAEL entregaram sopa para moradores de rua. (Foto: Arquivo pessoal)

Jonnathan e sua colega do CAEL entregaram sopa para moradores de rua. (Foto: Arquivo pessoal)

“Eu vi uma pessoa que já tinha se alimentado negar a sopa dizendo que poderíamos entregar para outro que ainda não tinha comido. Isso mexeu muito comigo, porque vi que, mesmo precisando no mínimo, eles ainda se preocupam com os outros”, contou Jhonathan, defendendo o respeito aos moradores de rua: “Eles não são qualquer coisa. São gente, iguais a nós, e muitos estão na rua por necessidade, por não ter família ou onde morar. Com eles, aprendemos mais sobre amar o próximo, que é algo que falta muito hoje em dia”.

Estudantes de Enfermagem visitaram orfanato e levarem doações. (Foto: Gian Cornachini)

Estudantes de Enfermagem visitaram orfanato e levarem doações. (Foto: Gian Cornachini)

Alunos do curso técnico em Enfermagem também promoveram ação social, levando alimentos e objetos arrecadados para o abrigo A Minha Casa, de Campo Grande. Localizado na Estrada do Moinho, nº 135, o orfanato acolhe, atualmente, cerca de 40 crianças que aguardam por adoção. “Ficamos indignadas com a situação atual, triste por [órfão] ser algo que a maioria das pessoas finge que não existe”, apontou Giovanna Souto, do 3º ano do curso, porém contente pela colaboração que seu grupo teve durante a arrecadação: “De um em um, conseguimos formar uma multidão de pessoas que não vão fechar os olhos. Isso já muda o dia de alguém. Imagina se todos nós fizéssemos”, apontou ela.

Lúcia Piorotti, organizadora do Projeto, sobre os estudantes: "Eles estão saindo daqui mais conscientes". (Foto: Gian Cornachini)

Professora Lúcia Piorotti, organizadora do projeto, sobre os estudantes: “Eles estão saindo daqui mais conscientes”. (Foto: Gian Cornachini)

De acordo com a professora de Língua Portuguesa Lúcia Piorotti, organizadora do Projeto Cultural, o objetivo da feira foi alcançado e os estudantes puderam aprender diversos valores e se tornar cidadãos mais críticos: “Os alunos abraçaram o projeto e a gente viu o quanto ficaram entusiasmados, a alegria durante as apresentações. Isso é o que nos incentiva a continuar esse trabalho, pois eles estão saindo daqui mais conscientes”, destacou a professora.

Alunos do Fundamental apresentaram teatro sobre as heranças do negro africano na cultura brasileira. (Foto: Diógenes Rocha)

Alunos do Fundamental apresentaram teatro sobre as heranças do negro africano na cultura brasileira. (Foto: Diógenes Rocha)

O álbum de fotos completo do Projeto Cultural CAEL 2017 está disponível na página da FEUC, no Facebook. Clique aqui para acessá-lo.

VIII Encontro de Artes e Surdez celebra a cultura e aprendizado de surdos

 

Evento que já faz parte do calendário oficial de atividades da FEUC trouxe, mais uma vez, surdos e ouvintes para trocar experiências e alegrias em atividade cultural

Texto: Colaboração de Fellippe Aragão (Letras, 1º período)
Fotografia: Colaboração de Sthefanie Corrêa e Marcos Neves (Letras, 1º período)
Edição: Gian Cornachini (gian@feuc.br)

A 8ª edição do Encontro de Artes e Surdez, que aconteceu no dia 23 de junho, a partir das 19h, foi marcada, este ano, por muita inspiração, relatos de experiências e palavras de apoio a surdos. Organizado pela professora Maria José Brum, o Encontro teve o objetivo de reunir alunos, ex-alunos, professores, voluntários, familiares e simpatizantes para uma noite de celebração e apresentações artísticas da comunidade surda.

VIII Encontro de Artes e Surdez FEUC 4

A abertura do evento contou com a participação do professor e vice coordenador acadêmico das FIC, Victor Ramos, que não poupou elogios à realização da atividade: “Esse encontro mostra para a gente o quão bonito é a união entre surdos, ouvintes, professores, alunos, que fazem um evento tão bonito e brilhante em todos esses anos”, disse ele, reafirmando, também, um dos sentidos do aprendizado da Língua Brasileira de Sinais (Libras): “Aqui, não aprendemos só Libras, mas o amor e respeito à comunidade surda”.

Após a abertura, iniciaram-se as apresentações culturais, que contaram com a mostra de um vídeo em homenagem aos organizadores do evento e aos surdos; a apresentação musical da canção “O Que Tua Glória Fez Comigo” (Fernanda Brum), cantada pela convidada Rosana e interpretada em Libras por um grupo de dança; outra interpretação em Libras da música “Só o Amor” (The Signs); e uma peça teatral. Houve, ainda, sorteio de brindes.

VIII Encontro de Artes e Surdez FEUC 1

Representando a comunidade surda, Josias Idelfonso de Oliveira subiu ao palco e contou sua experiência de vida, deixando uma mensagem ao público: “Eu espero que todos vocês sejam intérpretes, e amem nossa língua”. Convidada a relatar sobre os desafios e conquistas de seu filho Anderson, que é surdo, SheilaRegina Silva também subiu ao palco e contou as experiências: “Ele foi para uma escola com intérpretes em Seropédica, e isso mudou a mente dele. Às quintas, aqui na FEUC, ele está sendo alfabetizado no curso de Língua Portuguesa para surdos, e ele já está sabendo escrever seu nome. É uma benção muito grande para mim”, destacou Sheila.

VIII Encontro de Artes e Surdez FEUC 2

Para encerrar o evento, a professora Maria José convidou o auditório a se levantar e dançar uma música: “Só existe um Brasil, um só povo: os ouvintes e os surdos. E que Deus abençoe a todos”, finalizou ela.

VIII Encontro de Artes e Surdez FEUC 3

Estudantes de Meio Ambiente do CAEL visitam manguezal

 

Atividade de campo na APA de Guapimirim serviu para alunos verem na prática os impactos ambientais na Baía da Guanabara e as medidas para preservação dos manguezais

Grupo posa em frente à placa da APA de Guapimirim

Grupo posa em frente à placa da APA de Guapimirim. (Foto: Gian Cornachini)

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Das salas de aula para um manguezal em plena Baía de Guanabara. Este foi o destino de estudantes do curso de Meio Ambiente do CAEL, no último dia 14 de junho, em atividade de campo na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim — local que abrange parte dos municípios de Magé, Guapimirim, Itaboraí e São Gonçalo, e que conta com aproximadamente 140 km2, algo como 19,6 mil campos de futebol. Durante um dia todo, os alunos puderam visitar o ecossistema que é considerado, hoje, a área mais conservada de toda a Baía da Guanabara, com nível de preservação próximo ao período anterior à vinda dos portugueses ao Brasil.

Localização da Área de Proteção Ambiental de Guapimirim, na Baía da de Guanabara. (Imagem: ESEC da Guanabara)

Localização da Área de Proteção Ambiental de Guapimirim, na Baía de Guanabara. (Imagem: ESEC da Guanabara)

Pescador Malafaia tira seu sustento a partir de atividades sustentáveis no manguezal, como ecoturismo e palestras de educação ambiental. (Foto: Gian Cornachini)

Pescador Malafaia tira seu sustento a partir de atividades sustentáveis no manguezal, como ecoturismo e palestras de educação ambiental. (Foto: Gian Cornachini)

Recebidos na sede da Estação Ecológica da Guanabara, em Magé, pelo pescador Alaildo Malafaia, os alunos assistiram a vídeos sobre o manguezal da região e a importância de sua preservação. “Toda vez que um grupo vem aqui, é importante, porque sai um soldado da salvação. Nada melhor do que vocês conhecerem esse lugar para respeitá-lo”, disse Malafaia, que preside a Cooperativa Manguezal Fluminense, e que sobrevive, assim como os membros da cooperativa, de atividades econômicas voltadas para o desenvolvimento sustentável da região, como a pesca controlada, o artesanato e o ecoturismo.

Malafaia: "Nada melhor do que vocês conhecerem esse lugar para respeitá-lo". (Foto: Gian Cornachini)

Malafaia: “Nada melhor do que vocês conhecerem esse lugar para respeitá-lo”. (Foto: Gian Cornachini)

Malafaia levou o grupo de estudantes a uma área do manguezal que tem entrada permitida. No local, os alunos puderam materializar o conhecimento que aprenderam na Estação Ecológica, como os diferentes tipos de árvores encontrados somente nos manguezais (mangue branco, preto e vermelho), e entender melhor a importância desse tipo de ecossistema.

Estudantes puderam visitar área de manguezal e ver espécies de perto. (Foto: Gian Cornachini)

Estudantes puderam visitar área de manguezal e ver espécies de perto. (Foto: Gian Cornachini)

Típico de áreas de maré em zonas tropicais e subtropicais, os manguezais são formados em locais onde há a mistura de água doce dos rios com a água salgada do mar, como as saídas de um rio, baías e lagoas costeiras. No Brasil, é considerado um dos mais complexos e importantes ecossistemas devido à característica de desempenhar várias funções, como abrigo para dezenas de espécies de animais — entre as mais famosas, o caranguejo —; como filtro biológico, retendo material poluente e limpando as águas; como filtro do ar, retendo até cinco vezes mais gás carbônico que outras florestas da região; e como fonte de alimento e sustento humano.

Professor Roberto Camello idealizou atividade de campo para completar ainda mais a formação dos alunos. (Foto: Gian Cornachini)

Professor Roberto Camello idealizou atividade de campo para completar ainda mais a formação dos alunos. (Foto: Gian Cornachini)

O professor Roberto Camello, quem ministra aulas de Direito Ambiental para o curso de Meio Ambiente do CAEL, decidiu desenvolver essa atividade de campo com os estudantes com o intuito de analisarem o impacto da ação humana na natureza e as medidas de preservação de áreas ambientais importantes: “O conhecimento que os alunos adquiriram em sala de aula, eles vivenciaram na atividade de campo, e isso facilita muito o aprendizado. Eles puderam ver todas as ações de mobilização para redução dos impactos ambientais e, como técnicos em meio ambiente, entender as atribuições do profissional em áreas de preservação e na educação ambiental”, explicou o professor.

Os manguezais são formados em locais onde há a mistura de água doce dos rios com a água salgada do mar. (Foto: Gian Cornachini)

Os manguezais são formados em locais onde há a mistura de água doce dos rios com a água salgada do mar. (Foto: Gian Cornachini)

Os estudantes Augusto Dias Neto, do 2º ano, e Ana Gabrielle Rocha de Oliveira, do 3º ano, aprovaram a visita técnica: “Foi uma experiência nova. Descobri muitas coisas e vi o quanto as pessoas que estão lá se importam com o meio ambiente”, contou Augusto. “A atividade não acrescentou apenas conhecimento científico, mas social. Vimos o pessoal da região se unindo para cuidar de lá, e também o quanto um pescador, com muito conhecimento, pôde passar informações que não sabíamos. Foi uma atividade que foi além e investiu no social”, ressaltou Ana Gabrielle.

O álbum de fotos completo da atividade de campo está disponível na página da FEUC, no Facebook. Clique aqui para acessá-lo.

CAEL recebe palestra sobre drogas com sargento do Proerd

 

Militar falou por cerca de 2 horas com estudantes do 9º ano do Fundamental e 1º ano do Médio sobre os diferentes tipos de drogas e seus riscos à saúde

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

O 2º Sargento Luciano, da PMERJ, alertou sobre os problemas envolvidos no uso de drogas. (Foto: Gian Cornachini)

O 2º Sargento Luciano, da PMERJ, alertou sobre os problemas envolvidos no uso de drogas. (Foto: Gian Cornachini)

O Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), presente em todos os estados brasileiros desde 2002, atua no esclarecimento e prevenção ao uso de drogas por crianças e adolescentes. A partir de palestras ministradas por um policial militar treinado, os jovens são orientados no Proerd a evitar o contato com os diferentes tipos de droga, com o objetivo de ficar longe do vício, do crime e de acidentes. Foi com este intuito que o 2º Sargento Luciano, da Polícia Militar do Estado do Rio Janeiro (PMERJ) e integrante do Proerd, veio ao CAEL hoje, dia 21 de junho, para conversar com os estudantes. Abaixo, você confere um resumo das informações repassadas aos alunos pelo militar:

O que são drogas?

Todas as substâncias que, não sendo alimento, em contato com o organismo causam alteração na mente e/ou no corpo.

Qual é a pior droga?

Nem o crack, maconha, cigarro ou álcool. De acordo com o 2º Sargento Luciano, “a pior droga que existe é aquela que você experimenta pela primeira vez”, pois, segundo ele, “é a porta de entrada para drogas mais fortes”.

Quais são os tipos de drogas?

Existem drogas lícitas (permitidas por lei) e ilícitas (cuja comercialização é proibida), e elas são divididas em três classificações, de acordo com seu efeito. São elas as estimulantes, como a cafeína, a nicotina e a cocaína, que aumentam a atividade cerebral; as depressoras, como o álcool, os antidepressivos e a morfina, que diminuem as atividades cerebrais, deixando o indivíduo mais devagar; e as perturbadoras, como a maconha, o LSD e o chá de cogumelo, que distorcem as atividades cerebrais e os sentidos, causando alucinações.

Quais são os tipos de drogas?

Há quatro classificações para usuários de drogas. São elas os usuários recreativos, aqueles que consomem de uma maneira muito episódica um produto tóxico, mantendo suas atividades e funções sociais e profissionais sem comprometimento; os usuários ocasionais, aqueles que têm uso de drogas mais repetitivo, mas onde o equilíbrio sócio-familiar e escolar ainda não foram comprometidos; os usuários semi ocasionais, aqueles onde um ou mais sinais alertam fragilidade; e os usuários dependentes, que são aqueles em que seu mundo passa a girar ininterruptamente em torno da droga, tendo todas as outras relações sociais comprometidas.

Quais os efeitos das drogas no organismo?

- Álcool: afeta o fígado, o sistema digestório, cardiovascular e os membros inferiores, causando doenças como hepatite alcoólica, cirrose, gastrite, hipertensão, problemas no coração e problemas circulatórios.

- Cigarro: a fumaça do cigarro contém mais de 4,7 mil substâncias tóxicas que comprometem o sistema respiratório, causando pneumonia, enfisema pulmonar, derrame cerebral e até mesmo câncer, pois 48 substâncias do cigarro são altamente cancerígenas.

- Cocaína: o usuário tem uma sensação de grande prazer, euforia e de poder. Ela gera dependência e altas doses levam à overdose, convulsão e morte.

- Crack: feita de uma mistura da sobra da cocaína com bicarbonato de sódio, pode ser cinco vezes mais forte que a cocaína. Os efeitos começam em torno de cinco segundos e duram até 10 minutos, e seu uso está associado à insônia, depressão, taquicardia e convulsões.

2º Sargento Luciano: "Pode parecer que álcool não é droga, mas é. E é a maior causa de morte no trânsito". (Foto: Gian Cornachini)

2º Sargento Luciano: “Pode parecer que álcool não é droga, mas é. E é a maior causa de morte no trânsito”. (Foto: Gian Cornachini)

Quais os motivos que levam os jovens a usar drogas?

De acordo com o 2º Sargento Luciano, muitos jovens acabam experimentando algum tipo de droga por curiosidade, por sofrer pressão em casa, por achar que muitos fazem o mesmo, para se divertir, para esquecer os problemas, por medo de dizer “não” aos amigos ou por não se sentirem bem consigo mesmos.

No entanto, para ele, um dos grandes estimulantes ao uso são os amigos que já fazem uso de drogas: “Procurem não andar com gente que faz coisa errada. A vida lá fora não é legal. Já presenciei acidente, troca de tiro, assassinato. Fiquem longe disso”, alertou ele, lembrando: “Pode parecer que álcool não é droga, mas é. E é a maior causa de morte no trânsito”.

Estudantes do CAEL arrecadam alimentos para orfanato

 

Grupo também levou sapatos, brinquedos e outros objetos para ajudar as crianças do abrigo A Minha Casa, de Campo Grande

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Alunos do curso técnico em Enfermagem do CAEL levaram hoje, dia 21 de junho, alimentos e objetos arrecadados para o abrigo A Minha Casa, de Campo Grande. A ação social fez parte do Projeto Cultural desenvolvido este ano no Colégio e que tem como tema “Construindo pontes, não muros — Valores e Virtudes: preconceito e cidadania”. Localizado na Estrada do Moinho, nº 135, o orfanato acolhe, atualmente, cerca de 40 crianças que aguardam por adoção.

Alunas posam em sala educacional do abrigo "A Minha Casa", após entrega do material arrecadado. (Foto: Gian Cornachini)

Alunas posam em sala educacional do abrigo “A Minha Casa”, após entrega do material arrecadado. (Foto: Gian Cornachini)

“Estamos fazendo a nossa feira cultural e, este ano, surgiu a ideia de fazer esse trabalho social por conta da discriminação que pessoas de diferentes grupos sofrem, como idosos e órfãos”, explicou a professora de Língua Portuguesa Lúcia Piorotti, que acompanhou o grupo de estudantes até o abrigo para fazer a entrega do material arrecadado. “Vir a esse orfanato é uma forma de mostrar a realidade fora da escola, e num país marcado pela desigualdade social e violência, precisamos implantar projetos para reestruturação social, cultural e educacional. E a gente vê que consegue atingir os objetivos ao ver o brilho no olho dos alunos fazendo esse trabalho”, completou a professora, animada após a entrega.

Ainda no CAEL, estudantes juntam material arrecadado para levar ao orfanato. (Foto: Gian Cornachini)

Ainda no CAEL, estudantes juntam material arrecadado para levar ao orfanato. (Foto: Gian Cornachini)

A aluna Giovanna Souto, do 3º ano do curso, contou sobre a percepção que teve ao ficar mais próxima da realidade de crianças órfãs: “Ficamos indignadas com a situação atual, triste por ser algo que a maioria das pessoas finge que não existe”, apontou ela, porém contente pela colaboração que seu grupo teve durante a arrecadação: “Parece pouco se apenas um de nós doar, ajudar. Mas, de um em um, nós conseguimos formar uma multidão de pessoas que não vão fechar os olhos. Se apenas uma pessoa fizer algo bom ao próximo, isso já muda o dia de alguém. Imagina se todos nós fizéssemos”, ressaltou Giovanna.

As amigas Isabele Santos, Isabelle Brandão e Giovanna Souto posam com faixa do Projeto Cultural, no abrigo A Minha Casa. (Foto: Gian Cornachini)

As amigas Isabele Santos, Isabelle Brandão e Giovanna Souto posam com faixa do Projeto Cultural, no abrigo A Minha Casa. (Foto: Gian Cornachini)

As amigas Isabelle Brandão e Isabele Santos, também do 3º ano, concordaram com a fala de Giovanna e acrescentaram seu ponto de vista: “É importante falar desse assunto, porque as crianças são o nosso futuro. Hoje, estamos fazendo essa ação, mas amanhã serão elas”, disse Isabelle Brandão. “E também aprendemos a ser uma pessoa melhor, ter amor ao próximo, buscando, a cada dia, olhar para as necessidades do outro”, afirmou Isabelle Santos.

Arte, emoções e talentos marcam a 26ª Semana de Letras da FEUC

 

Evento tradicional do curso revelou muita criatividade do público interno e externo; livro de poesias foi lançado

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Uma bela edição da Semana de Letras aconteceu entre os dias 31 de maio e 2 de junho, na FEUC, e cumpriu com o propósito de trazer estudantes e visitantes da comunidade para compartilhar conhecimento, arte e emoções. Além das tradicionais palestras e oficinas, o número 26 do evento contou, este ano, com apresentações teatrais, declamações de poesia e dança típica, regados de muita criatividade e sensibilidade de quem foi a público expor seus trabalhos.

A começar por uma das apresentações de trabalhos que mais chamou a atenção dos estudantes. A aluna Marina Monteiro, do curso de Letras da UFRRJ, veio compartilhar com os alunos da FEUC suas análises sobre o funk carioca, que tem se mostrado um exemplo de resistência feminina no cenário artístico-musical.

Marina exibiu algumas letras de cantores homens que, segundo ela, sexualizam e objetificam mulheres, como em “Vem todo mundo“, de MC Catra. Em seguida, apresentou letras de funkeiras que retratam, também a partir de conotações sexuais, a resistência feminina ao machismo, como a música “A P**** da B***** é minha“, da Gaiola das Popozudas.

Estudante da UFRRJ apresenta análise sobre machismo no funk. (Foto: Gian Cornachini)

Estudante da UFRRJ apresenta análise sobre machismo no funk. (Foto: Gian Cornachini)

“O homem trata de uma forma baixa o corpo da mulher, como um objeto. Ele só quer sexo. E a mulher também vem com o mesmo discurso, mas para retratar a forma de liberdade que ela trata com seu corpo”, ressaltou Marina.

No quesito emoção, tanto a educação quanto a arte foram expressadas com angústia, dúvidas e esperança no evento. A professora de Língua Brasileiras de Sinais (Libras) Ana Carla Ziner Nogueira, da UFRRJ, tem uma irmã surda e vivencia a experiência de entender, de perto, os desafios enfrentados pela comunidade surda no Brasil. Na Semana de Letras, ela deu uma palestra sobre a importância da educação de surdos com o objetivo de chamar a atenção dos alunos para um grupo ainda tão excluído das possibilidades de crescimento profissional, intelectual e social.

Professora Ana Carla Ziner, da UFRRJ, chama a atenção para o ensino de surdos. (Foto: Gian Cornachini)

Professora Ana Carla Ziner, da UFRRJ, chama a atenção para o ensino de surdos. (Foto: Gian Cornachini)

“Cerca de 85% a 90% dos surdos nascem em famílias de ouvintes. Eles não aprendem, desde cedo, uma língua primária. Na escola, são expostos à Língua Portuguesa e ensinados fonemas”, apontou Ana Carla. “Língua de Sinais é encarada como recurso pedagógico e não linguístico. E isso é lamentável, porque língua não é um recurso, mas uma necessidade humana”.

E a humanidade, controversa e repleta de dúvidas, foi tema do poema “Ser humano?”, escrito pelo estudante Lucas Hermsdorff, do 3º ano do técnico em Administração do CAEL. O jovem aproveitou um sarau da Semana de Letras para levantar questionamentos por meio da arte das palavras: “Um ser que se denomina racional, mas possui atitudes irracionais, pode se considerar pensante?”, lançou Lucas, interpretando o poema que mantinha bem decorado.

O que é ser humano? Poema de Lucas Hermsdorff, estudante do 3º de Administração do CAEL, levantou questionamentos em sarau. (Foto: Gian Cornachini)

O que é ser humano? Poema de Lucas Hermsdorff, estudante do 3º de Administração do CAEL, levantou questionamentos em sarau. (Foto: Gian Cornachini)

O poema do jovem divide páginas com outros textos no livro “Vozes em Construção”, organizado, escrito e confeccionado por alunos de Literatura Brasileira e Poesia do turno da noite (2017.1) e que conta, também, com textos de convidados, como o de Lucas. Em meio ao sarau, a obra — idealizada e coordenada pelo professor Erivelto Reis — foi lançada sob declamações dos textos que integram a antologia poética.

“Era um sonho muito grande que esse livro acontecesse”, revelou o professor Erivelto. “Foi um grupo que uniu ideais em torno da literatura, ao redor da poesia, com vivências tão diferentes, gente que teve coragem de tirar um poema do fundo da gaveta e colaborar”, destacou ele, emocionado.

Professor Erivelto idealizou livro "Vozes em Construção", lançado na Semana. (Foto: Gian Cornachini)

Professor Erivelto idealizou livro “Vozes em Construção”, lançado na Semana. (Foto: Gian Cornachini)

O livro “Vozes em Construção” esta disponível, gratuitamente, para download. Clique aqui para baixar o e-book.

Inspirando esperança e alegria por uma formação que valoriza as raízes históricas da população, alunos da disciplina de Literaturas Africanas, orientados pela professora Norma Maria, fizeram um jogral a partir do poema “Grito Negro”, do autor moçambicano José Craveirinha e, em seguida, cantaram e dançaram a música zulu “Siyahamba”, todos caracterizados com vestimenta de influência africana.

A aluna Ingra de Assis, do 3º período, explicou a mensagem que Craveirinha quis passar em seu poema: “Ele queria transmitir a angústia e o sofrimento da escravidão na época; a vontade de encerrar algo que ele não queria mais”, disse Ingra.

A estudante Ingra explicou poema moçambicano que inspirou jogral no evento. (Foto: Gian Cornachini)

A estudante Ingra explicou poema moçambicano que inspirou jogral no evento. (Foto: Gian Cornachini)

A professora Norma, visivelmente empolgada com a apresentação, fez questão de elogiar os estudantes: “Vocês me surpreenderam e mostraram quanta capacidade, criatividade e amor pela arte vocês têm. É isso que queremos fazer, mostrar aos alunos a diversidade, mistura do indígena, do português e do africano, porque somos um único povo e não podem existir diferenças e discriminação”, ponderou Norma, pedindo um bis com apoio do público: “Queremos ver de novo, porque é só uma vez ao ano!”. Sob o som de um belo batuque, tudo virou alegria de novo.

Com direito a bis, dança, canto e batuque africano alegraram o público. (Foto: Gian Cornachini)

Com direito a bis, dança, canto e batuque africano alegraram o público. (Foto: Gian Cornachini)

Semana de Pedagogia revela oportunidades em hospitais, prisões e organizações militares

 

28ª edição do evento mais tradicional do curso mostrou que o pedagogo pode atuar em espaços além de creches e escolas regulares

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Mais uma edição da Semana de Pedagogia aconteceu este ano, trazendo, desta vez, profissionais de diferentes áreas de atuação no mercado para apresentar aos estudantes os diversos rumos de um pedagogo além de salas de aula tradicionais. Com o tema “Aspectos Identitários do Pedagogo: da formação inicial à prática”, a XXVIII Semana de Pedagogia foi realizada entre os dias 15 e 18 de maio, e reuniu 25 atividades, entre mesas-redondas, palestras, oficinas, além de apresentação de trabalhos no pátio da FEUC. Entre as diversas áreas de atuação reveladas na Semana Acadêmica do curso de Pedagogia, destacamos as cinco principais. Confira:

1. Pedagogia empresarial

Vania Matiello Fazolo: "Geralmente, esse profissional atua dentro da área de recursos humanos". (Foto: Gian Cornachini)

Vania Matiello Fazolo: “Geralmente, esse profissional atua dentro da área de recursos humanos”. (Foto: Gian Cornachini)

Convidada a palestrar na primeira noite da Semana Acadêmica, a pedagoga empresarial e ex-aluna da FEUC Vania Matiello Fazolo explicou o papel de um profissional de pedagogia em uma empresa ou indústria: “Geralmente, esse profissional atua dentro da área de recursos humanos, promovendo a interação do funcionário com tudo o que tem na empresa, e entre os diversos níveis hierárquicos”, contou ela. Vania também relatou que trabalhar com pessoas é difícil, uma vez que muitas podem não entender exatamente o papel deste profissional e a mensagem que ele quer falar: “As pessoas confundem o seu trabalho com o de um psicólogo, e a depender do nível de estudo delas, elas acabam levando suas observações para o lado pessoal”, apontou.

2. Pedagogia no terceiro setor

Jaqueline Almeida da Costa: "A gente quer fazer com que eles saiam de lá com o gosto pela leitura, por ir à escola". (Foto: Gian Cornachini)

Jaqueline Almeida da Costa: “A gente quer fazer com que eles saiam de lá com o gosto pela leitura, por ir à escola”. (Foto: Gian Cornachini)

Ainda no primeiro dia do evento, a pedagoga Jaqueline Almeida da Costa, do abrigo A Minha Casa, de Campo Grande, compartilhou a experiência de estar à frente do trabalho pedagógico de um abrigo para crianças e adolescentes. Atualmente, A Minha Casa conta com 43 crianças que passaram por diversos traumas até chegarem lá. E é devido a esse sofrimento prévio que Jaqueline afirmou lutar para transformar os pequenos por meio da educação: “A gente quer fazer com que eles saiam de lá com o gosto pela leitura, por ir à escola, e com a certeza de que são capazes de continuar, de seguir em frente e conseguir”. Para quem deseja trabalhar em um abrigo, Jaqueline recomendou: “Tudo o que você busca de conhecimento é válido, mas é a vivência que vai fazer você sair dos conflitos”.

3. Pedagogia nas organizações militares

1ª Tenente Jaqueline: "Nosso papel é dar sentido a tudo". (Foto: Gian Cornachini)

1ª Tenente Jaqueline: “Nosso papel é dar sentido a tudo”. (Foto: Gian Cornachini)

Uma das palestras que mais chamou a atenção dos estudantes foi a da 1ª Tenente Carla Pereira e da 1ª Tenente Jaqueline, ambas pedagogas na Força Aérea Brasileira (FAB). As militares apresentaram a hierarquia da Universidade da Força Aérea (UNIFA) e os papeis delas dentro da estrutura de ensino acadêmico da FAB, que passam por coordenação de cursos de carreira e estágio, preparação de material didático, planejamento curricular das aulas, formação de instrutores e, inclusive, ministração de aulas. “Nosso papel é dar sentido a tudo, mostrar que a educação é capaz, e que dentro da sala de aula, minha aula é minha aula, e que queremos um aluno reflexivo. Por isso, somos muito valorizadas”, disse a 1ª Tenente Jaqueline.

Para fazer parte da equipe pedagógica da FAB, a 1ª Tenente Carla Pereira orientou os interessados com menos de 32 anos a tentarem o concurso do QOAP (Quadro de Oficiais de Apoio), que é voltado para candidatos com nível superior. Os que passarem no concurso, formam carreira militar até se aposentarem.

1ª Tenente Carla Pereira: "nosso dia a dia de trabalho é muito gostoso, e às vezes não me remete a um quartel". (Foto: Gian Cornachini)

1ª Tenente Carla Pereira: “nosso dia a dia de trabalho é muito gostoso, e às vezes não me remete a um quartel”. (Foto: Gian Cornachini)

Já os interessados com idade entre 33 e 45 anos entram pelo QOCON (Quadro de Oficiais Convocados), por meio de análise curricular, teste psicológico, inspeção de saúde. Têm vantagem aqueles que tiverem mais especialização e produção acadêmica, além de saúde física adequada. No entanto, a carreira tem duração de 8 anos nessa modalidade, porém com as mesmas responsabilidades e exigências de um Oficial de Apoio.

“A gente rala muito, aprende a manusear uma arma, passa por exames rotineiros. A gente entende que isso é necessário porque é uma outra realidade, e a gente precisa ser forjado, aprender a ter disciplina, e mesmo assim nosso dia a dia de trabalho é muito gostoso, e às vezes não me remete a um quartel, à uma hierarquia tão vertical”, afirmou a 1ª Tenente Carla Pereira.

4. Pedagogia em ambiente prisional

Maria de Cassia Mendes Serrano: "Nunca fui, em toda minha vida, tão respeitada e valorizada". (Foto: Gian Cornachini)

Maria de Cassia Mendes Serrano: “Nunca fui, em toda minha vida, tão respeitada e valorizada”. (Foto: Gian Cornachini)

A professora Maria de Cassia Mendes Serrano tem um grande desafio: colaborar com a ressocialização de detentos por meio da educação. Esta missão é realizada diariamente na unidade educacional do Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão, onde a professora ministra aula para aproximadamente 250 prisioneiros.

“A Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que as pessoas têm direito à educação. Quem está preso, perde os direitos políticos, mas não à educação”, já deixou claro Maria, no início da palestra do último dia do evento. “Me perguntam se eu não tenho medo de dar aula para detentos, mas eu nunca fui, em toda minha vida, tão respeitada e valorizada como sou agora”, contou ela.

Segundo a professora, muitos detentos entram para a escola para tentar diminuir a pena, mas acabam se envolvendo de tal maneira que abraçam os projetos educacionais, seguem firme e adiante nos estudos e se formam, chegando até a ter casos de alunos passando no vestibular para universidades públicas.

5. Pedagogia em classes hospitalares

Karla Silva da Cunha Bastos: "Estamos ali para fazer valer o direito dessa criança". (Foto: Gian Cornachini)

Karla Silva da Cunha Bastos: “Estamos ali para fazer valer o direito dessa criança”. (Foto: Gian Cornachini)

As pedagogas Karla Silva da Cunha Bastos, do Hospital Municipal Souza Aguiar, e Rosane Martins dos Santos, do Instituto Nacional do Câncer (INCA), finalizaram a XXVIII Semana de Pedagogia da FEUC apresentando seus trabalhos nas classes hospitalares onde atuam com crianças internadas. “O nosso objetivo é o desenvolvimento da criança que, mesmo internada, não pode parar, pois o acesso à educação é um direito, e estamos ali para fazer valer o direito dessa criança”, relatou a professora Karla.

Rosane Martins dos Santos: "Mesmo em um hospital de câncer, a gente tem vida e tem produção de conhecimento". (Foto: Gian Cornachini)

Rosane Martins dos Santos: “Mesmo em um hospital de câncer, a gente tem vida e tem produção de conhecimento”. (Foto: Gian Cornachini)

Questionando os estudantes sobre a especificidade do pedagogo nesta área, Rosane apontou a flexibilidade que a Pedagogia dá aos alunos para atuarem em diversos lugares e os desafios que encontram em cada um desses espaços: “Precisa ser um especialista? O curso de vocês dá condições de estar em um hospital ou vocês acham que um pedagogo é um pedagogo em qualquer lugar?”, indagou ela, adiantando: “As especificidades do lugar a gente aprende lá, e trabalhar com diferentes níveis de aprendizado em um só ambiente é um grande desafio para mim. Mas, o maior deles ainda é o de lidar com a morte. Porém, mesmo em um hospital de câncer, a gente tem vida e tem produção de conhecimento”, revelou a pedagoga do INCA.

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O álbum de fotos completo, com os diversos momento da XXVIII Semana de Pedagogia da FEUC, está disponível em nossa página no Facebook. Clique aqui para acessá-lo.

JURA: Agricultores defendem direito à terra e à alimentação saudável

 

Encontro fez parte da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária e contra-argumentou crítica do ministro da Justiça

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Mais uma atividade da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA)— evento nacional do qual a FEUC participa anualmente —, aconteceu ontem, dia 10 de maio, trazendo à instituição diversos agricultores da região para esclarecer os estudantes sobre a luta por terras e pela produção de alimentos saudáveis. A partir da crítica do novo ministro da Justiça, Osmar Serraglio, direcionada aos índios em entrevista à Folha de São Paulo, na qual ele declarou que terras “não enchem barriga de ninguém”, o encontro pautou o debate na temática “Terra enche barriga sim: a terra por quem nela trabalha e produz alimento e vida”.

"[Terras] não enchem barriga de ninguém", diz o ministro Osmar Serraglio, em empasse com índios. (Foto: Gian Cornachini)

“[Terras] não enchem barriga de ninguém”, diz o ministro Osmar Serraglio, em empasse com índios. (Foto: Gian Cornachini)

Bernadete Montesano, representante da Rede Carioca de Agricultura Urbana, grupo que agrega produtores em defesa de uma produção e consumo de alimentos de forma ética e responsável, iniciou a mesa-redonda rechaçando a crítica do ministro, que é ligado ao agronegócio: “A luta pela terra não é só para encher barriga, mas para alimentar de forma saudável quem a gente convive. Comer é um ato político, e quando escolhemos o que vamos comer, você está decidindo entre contribuir com o agronegócio ou com a agroecologia”, destaca “Berna”, como é conhecida.

Bernadete: "A luta pela terra não é só para encher barriga, mas para alimentar de forma saudável quem a gente convive". (Foto: Gian Cornachini)

Bernadete: “A luta pela terra não é só para encher barriga, mas para alimentar de forma saudável quem a gente convive”. (Foto: Gian Cornachini)

Produtores ligados ao movimento agroecológico criticam o modelo de produção e de economia do agronegócio, que abusa dos pesticidas e fertilizantes, além de concentrar grandes quantidades de terras nas mãos de poucos e tornar a produção de pequenas famílias cada vez mais difícil.

Luciana Sales, agricultora de 21 anos, moradora de Magé e estudante de licenciatura em Educação do Campo na UFRRJ, contou justamente sobre os desafios que enfrenta sendo jovem e trabalhadora da terra: “A juventude do campo vive em constante processo de territorialização, desterritorialização e reterritorialização. A gente afirma que é agricultor, mas em alguns momentos a gente quer ir para o mercado de trabalho e ter um salário fixo. Mas, então, nos reterritorializamos, pois nossa forma de produção de vida é no campo, é onde a gente resiste e faz luta, enche a barriga de terra, ar limpo e água pura”, ressaltou a agricultora.

JURA - FEUC 2017 - 07

Essa conexão com a terra também foi defendida por Tania Regina Prado das Neves, bióloga ligada à Pastoral da Criança e que colabora com a Horta da Brisa — um espaço de cultivo de alimentos naturais e sem agrotóxicos voltado para crianças carentes, em Guaratiba.

“A nossa terra é tudo isso aqui, e a gente tem que cuidar para poder plantar e colher alimentos saudáveis. Pode ser até dentro de um vasinho, no seu quintal. Não tem essa de não ter tempo”, apontou Tania, que também desmotivou a compra de produtos industrializados: “Temos que ter coragem de não comprar coisas em caixinhas, porque é tudo agrotóxico”.

Tania: "A nossa terra é tudo isso aqui, e a gente tem que cuidar". (Foto: Gian Cornachini)

Tania: “A nossa terra é tudo isso aqui, e a gente tem que cuidar”. (Foto: Gian Cornachini)

Preocupados com a relação harmônica entre alimento, produção e ambientes urbanos, representantes do grupo Permacultura Lab também participaram do evento contando a experiência da agrofloresta coletiva que está sendo cultivada na praça Edgar do Amaral, em Campo Grande, e conhecida como praça do Pistão por possuir uma pista de skate. “A gente quer mostrar o valor do alimento e conscientizar as pessoas sobre isso”, disse Diogo Majerowicz, membro do Permacultura Lab.

A agrofloresta conta com dez espécies frutíferas, flores ornamentais, ervas, temperos e plantas medicinais. A colheita é livre, podendo ser feita por qualquer pessoa, e a manutenção do espaço também é coletiva e de forma colaborativa.

Matheus Rosa, do CIEP Rubem Braga, ajuda a preparar horta em seu Colégio e troca experiências durante o evento. (Foto: Gian Cornachini)

Matheus Rosa, do CIEP Rubem Braga, ajuda a preparar horta em seu Colégio e troca experiências durante o evento. (Foto: Gian Cornachini)

Prestes a finalizar uma horta consciente e livre de pesticidas no colégio, estudantes do CIEP Rubem Braga, em Senador Camará, vieram assistir ao debate sobre o tema e trocar experiências com os participantes. Matheus Reis, 17 anos, do 2º ano do Ensino Médio, contou que sempre gostou do contato com a natureza, e que discutir a sua preservação é fundamental para os jovens:

“Falar sobre agricultura ajuda a conscientizar as pessoas sobre a nossa alimentação. E é muito bom saber que podemos plantar em casa, ter menos custos, mais saúde, além de se divertir em plantar e ver o seu alimento”, comentou Matheus, aproveitando a entrevista para pedir que fosse divulgada a Roda Cultural que ele está organizando na Casa Brasil de Imbairê, em Duque de Caxias, no dia 20 de maio, às 19h: “É uma roda cultural, com rep, para os jovens da Baixada se expressarem contra a violência policial”.

“Ensinar gênero nas escolas é não formar adultos agressores”

 

Frase dita pela professora Cristiane Cerdera, do Colégio Pedro II, durante Ciclo de Debate de História da FEUC, reforça a importância de discutir gênero nas escolas

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

O XVIII Ciclo de Debates de História se encerra hoje, dia 10 de maio, e você ainda pode participar do último encontro, que está marcado para as 19h, no Auditório da FEUC. A palestrante convidada Luciana Lins Rocha, doutora em linguística aplicada e professora do Colégio Pedro II, finalizará o evento discutindo diretamente o tema central Ciclo (“Gênero: Novas perspectivas e debates”) a partir de sua palestra “Quem tem medo da ideologia de gênero?”.

Discussões anteriores

O tema vem sendo abordado desde segunda-feira, dia 8, durante os turnos da manhã e noite, com a participação de professores externos, alunos e ex-alunos, sempre abordando a importância de se discutir questões de gêneros em sala de aula, a fim de formar cidadãos cada vez menos violentos. É o que afirmou, sobre o tema, a professora Cristiane Pereira Cerdera, do Colégio Pedro II, na noite do primeiro dia do evento.

Cristiane vê a escola como peça fundamental no combate à violência de gênero e sexual. (Foto: Gian Cornachini)

Cristiane vê a escola como peça fundamental no combate à violência de gênero e sexual. (Foto: Gian Cornachini)

“A escola é nossa primeira frente de combate. Se a violência é cultivada socialmente, como a gente reverte isso? Na escola!”, enfatizou Cristiane, que vinha discutindo em sua palestra a violência contra a mulher. “Por que precisamos falar de diversidade sexual na escola? Porque ensinar gênero é não formar adultos agressores”, ressaltou.

A ex-aluna Luana Alencar, formada em História pela FEUC em 2014, também opinou sobre o tema durante apresentação de parte de sua pesquisa monográfica sobre as mulheres na obra do escritor Lima Barreto (1881-1922). Segundo a historiadora, há uma personagem na literatura do autor que chega a morrer por não aguentar a pressão social após seu noivo ter abandonado-a, chegando a ser culpabilizada pelo fato.

Luana acredita defende que as denúncias das mulheres não devem ser relativizadas. (Foto: Gian Cornachini)

Luana acredita defende que as denúncias das mulheres não devem ser relativizadas. (Foto: Gian Cornachini)

“As pessoas precisam aprender a parar de relativizarem. Enquanto não alcançarmos esse nível de entendimento, as pessoas irão continuar relativizando nossas dores”, destacou Luana, em referência à deslegitimação que mulheres sofrem ao denunciar as opressões que enfrentam.

XVIII Ciclo de História debate questões de Gênero

 

Evento da graduação acontece nos próximos dias 8 e 10 de maio

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Começa na próxima segunda-feira, dia 8 de maio, o XVIII Ciclo de Debates do Curso de História que, nesta edição, discutirá o tema “Gêneros : Novas Perspectivas e Debates”. Nas manhãs e noites dos dias 8 e 10, os estudantes terão oportunidade de participar de mesas-redondas com palestrantes de outras instituições do Rio de Janeiro, como UFRJ e Colégio Pedro II, que virão compartilhar seus conhecimentos e experiências envolvendo o assunto em questão.

De acordo com a professora Marcia Vasconcellos, vice-coordenadora do curso de História das FIC, abordar a temática de gênero é extremamente relevante, dado o contexto de intolerância em que vivemos: “Consideramos esse tema importante porque o preconceito tem ganhado uma dimensão muito grande. Fala-se sobre a questão da reforma do ensino médio e sobre ideologia de gênero nas escolas, mas este já é um conceito equivocado, pois não é uma ideologia, é uma questão real, concreta”, afirma Marcia sobre a existência inquestionável de múltiplas identidades de gênero.

“A gente só vai conseguir ultrapassar o nível da intolerância se debatermos o tema da violência contra a mulher, lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, e ver como trabalhar isso nas escolas, nos colégios, pois a FEUC é a casa do professor e nossos alunos serão futuros professores”, ressalta.

As inscrições para o curso devem ser feita pela internet, na Área Restrita do aluno, ao custo de R$ 5,00. A presença no evento renderá 20 horas de atividades complementares aos participantes.

PROGRAMAÇÃO DO XXVIII CICLO DE DEBATES DO CURSO DE HISTÓRIA

DIA 8 DE MAIO

Manhã – 8h
Abelardo e Heloisa: considerações sobre o corpo, o pecado e a mulher na Idade Media
Palestrante: Manoela Bernardino da Silva (Graduada em História pela Uerj, especialista em Ensino de História/PPGH – Pedro II e professora das redes Municipal e Estadual do Rio de Janeiro)

Noite – 19h
O escola sem partido e a perseguição às discussões de gênero na escola
Palestrante: Fernanda Pereira de Moura (Especialista em gênero e sexualidade pela Uerj e mestra em Ensino de História pela UFRJ)

DIA 10 DE MAIO

Manhã – 8h
Mulheres e a escravidão: passado e presente
Palestrante: Marcia Vasconcellos (Doutora em História Econômica e professora da FEUC  e Uniabeu) – a confirmar

Noite – 19h
Quem tem medo da ideologia de gênero?
Palestrante: Luciana Lins Rocha (Doutora em Linguística Aplicada pela UFRJ e docente do Departamento de Línguas Anglo-Germânicas do Colégio Pedro II)