Geografia: Aula Inaugural debate o desastre de Mariana (MG)

 

Curso convida professor da Uerj para detalhar o rompimento das barragens da Samarco e os desdobramentos do maior desastre ambiental do Brasil

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Passados 16 meses após o desastre de Mariana (MG) — quando duas barragens da mineradora Samarco se romperam, causando mortes e destruição ao longo do percurso da lama —, os desdobramentos do caso foram o tema da Aula Inaugural de Geografia, primeiro evento anual realizado pelo curso das FIC, e que aconteceu ontem, dia 22 de março. Convidado a debater o assunto, o professor Luiz Jardim de Moraes Wanderley, da Uerj e pesquisador no grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS), da UFJF, apresentou dados da Samarco e suas controladoras — Vale e BHP Biliton —, além de expor o funcionamento das barragens em Minas Gerais e os danos causados pelos rompimentos.

O professor Luiz Jardim de Moraes Wanderley, da Uerj, expõe dados referentes às barragens da Samarco. (Foto: Gian Cornachini)

O professor Luiz Jardim de Moraes Wanderley, da Uerj, expõe dados referentes às barragens da Samarco. (Foto: Gian Cornachini)

Impactos socioambientais a curto prazo

De acordo com Luiz, é extensa a lista de danos causados imediatamente após o desastre, entre eles:

- Destruição de áreas populacionais;
- Morte e/ou desaparecendo de 19 pessoas;
- 1,4 mil hectares de terras arrasadas;
- 80 km marítimos atingidos pela lama;
- Mudança do pH da água do Rio Doce;
- Comprometimento do abastecimento hídrico;

Impactos socioambientais a médio e longo prazo

Os efeitos do desastre não se encerraram após o rompimento das barreias e, segundo o professor, eles ainda podem ser observados, hoje, tais como:

- Devastação da paisagem e das matas ciliares;
- Rejeito estéril (material resultante do processo de mineração e sem aproveitamento econômico) liberado no solo;
- Assoreamento de rios;
- Contaminação da água por metais pesados;
- Risco para a saúde humana e de animais.

Estudantes lotam auditório durante primeira evento de Geografia da FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Estudantes lotam auditório durante primeira evento de Geografia da FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Sujeitos atingidos

O grupo PoEMAS tem levantado dados e feito estudos nas áreas atingidas para dimensionar o impacto na vida das populações. Luiz apontou que uma característica marcante é o peso do desastre sobre os negros:

“É possível verificar um racismo ambiental. A maior parte das pessoas atingidas é negra. Os engenheiros nos diziam que não escolhem um lugar para instalar uma mineradora de acordo com a cor da pele, mas a gente vê que elas só são instaladas em lugares onde as pessoas não têm força para lutar contra o empreendimento”, explicou o professor.

Outro grupo diretamente impactado, mas, segundo Luiz, pouco comentado na mídia, são os indígenas Krenak, que encaram o Rio Doce não apenas como um recurso hídrico, mas como um ente da família:

“Não adianta dar dinheiro para eles, para indenizá-los. A partir do momento que o rio morre, qual o impacto disso sobre a cultura deles? Eles querem o rio de volta para poder batizar seus filhos, pois isso é um valor intangível e diferente de nossa lógica de pensar a relação da sociedade com a natureza”, ressaltou Luiz.

Alunos fizeram rodadas de perguntas. (Foto: Gian Cornachini)

Alunos fizeram rodadas de perguntas. (Foto: Gian Cornachini)

Durante o debate, em que os estudantes apresentaram dúvidas sobre o futuro das operações da Samarco e da fiscalização de barragens, o professor foi claro em seu posicionamento, transferindo exclusivamente a responsabilidade dos danos para a Samarco, Vale e BHP:

“Os estudos não tinham a real proporção do que poderia ser um rompimento de uma barragem. Deveria ser considerada uma escala mais regional, e essa escala sequer mencionava o Rio Doce, pois ele estava longe demais. Os problemas são infindáveis e a gente tem que evitar que os custos sejam públicos. A culpa é das empresas e são elas que devem pagar a conta”.

O professor Luiz Jardim de Moraes Wanderley responsabiliza as empresas pelo desastre de Mariana. (Foto: Gian Cornachini)

O professor Luiz Jardim de Moraes Wanderley responsabiliza as empresas pelo desastre de Mariana. (Foto: Gian Cornachini)

Saindo de casa para conquistar o mundo!

 

Aprovados em seleção de mestrado para diversos programas da Universidade Federal Fluminense (UFF), alunos e egressos de Letras festejam e dividem sucesso com professores

 
Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

Se para um docente de graduação é maravilhoso quando um aluno dá a notícia de que foi aprovado para o mestrado numa universidade de prestígio, imagina quando cinco deles chegam juntos com a mesma novidade? Foi exatamente assim o novembro dourado dos professores de Letras da FEUC ao contabilizarem a aprovação para o mestrado da UFF de três alunos do 7º período e mais dois recém-formados. E isso por enquanto, pois há outros em processos de seleção. “Acho que nós vibramos tanto quanto eles ou até mais”, conta a professora Arlene Fonseca, coordenadora do curso de Letras.

Meire Lucy Cunha, do 7º período de Português-Literaturas, e João Armando Henriques Gonçalves, formado em Português-Inglês em 2013, foram aprovados para o programa de Literatura Africana de Língua Portuguesa; Thiago Rodrigues, do 7º período de Português-Inglês, conquistou vaga no programa de Literatura Inglesa; Joyce Silva dos Santos Monforte, do 7º período de Português-Literaturas, e Thamyres Gonçalves Gomes, formada ano passado em Português-Espanhol e aluna da nossa pós-graduação em Língua Portuguesa, ingressarão no programa de Estudos da Linguagem.

Temas das monografias de fim de curso foram ampliados na elaboração de projetos para o mestrado

Meire conta que o processo de seleção foi tenso: “Os candidatos iam chegando, falando uns com os outros, os professores também conheciam diversos deles pelo nome. Acho que eu era a única desconhecida”, brinca a estudante. A prova tinha 4 questões e o candidato deveria escolher uma para desenvolver no prazo de 4 horas. Ela escolheu falar sobre uma obra literária que acabara de ler, o que certamente influiu em seu bom desempenho e classificação para a etapa final. Na entrevista, foi questionada sobre a escolha de uma obra da autora guineense Odete Costa Semedo para nortear sua pesquisa: “Disseram não ser usual o conhecimento daquela autora na graduação, pois normalmente os estudantes são apresentados a ela na pós. E elogiaram muito meu projeto”, alegra-se Meire, revelando que sua proposta de pesquisa para o mestrado – “Silêncio eloquente: tradições, feminino, silenciamento e retomada de discurso numa narrativa guineense” – foi uma ampliação do escopo de sua monografia de conclusão da graduação, orientada pela professora Norma Jacinto, na qual abordou apenas um dos contos de Odete, enquanto no mestrado analisará cinco.

Thiago e Meire Lucy: tensão durante seleção substituída por alegria da classificação. (Foto:  Pollyana Lopes)

Thiago e Meire Lucy: tensão durante seleção substituída por alegria da classificação. (Foto: Pollyana Lopes)

Thiago teve a mesma sensação de Meire, de que era um estranho no ninho entre os 25 candidatos que disputaram com ele as 5 vagas de Literatura Inglesa, pois a maioria se conhecia. No seu caso, a questão da prova foi sorteada e não escolhida. E o pior: o ponto sorteado foi justamente o que era total novidade e, portanto, não estava entre os assuntos abordados em provas passadas e que ele chegou a estudar. “Após o sorteio, 5 candidatos desistiram imediatamente, nem começaram a prova. No fim, 9 passaram para a entrevista. Fui o último a ser entrevistado, e acho que a segurança com que defendi meu projeto foi uma das razões de ter entrado”, avalia Thiago, atribuindo tal segurança à qualidade do projeto, e dividindo os créditos desta com seu orientador, professor Victor Ramos: “Ele foi fundamental para que eu soubesse exatamente o que estava fazendo”, diz o estudante, que no mestrado vai se debruçar sobre a insuficiência de gênero em “Orlando”, de Virginia Woolf.

Joyce: Atividades acadêmicas, como seminários e PIBID, ajudaram na preparação. (Foto: Gian Cornachini)

Joyce: Atividades acadêmicas, como seminários e PIBID, ajudaram na preparação. (Foto: Gian Cornachini)

Quando pensa na tranquilidade que teve para passar pelo processo seletivo, apesar de toda a dificuldade, Joyce logo se dá conta do tanto que as atividades realizadas no PIBID ajudaram nessa preparação. “Além das atividades em si nas escolas, teve os seminários, as semanas de Letras, a oportunidade de levar nossos trabalhos a outras universidades, a congressos, a interação com outros graduandos. Sempre com muito incentivo dos professores. Tudo isso deu muita força e experiência”, avalia a estudante, que pesquisará no mestrado a relação entre imagem e texto verbal. Sobre a prova, ela conta que chegou a estudar alguma coisa da bibliografia proposta no processo seletivo, mas acabou usando principalmente a base de conhecimentos vistos ao longo da graduação.

João Armando: livro oferecido por professor inspirou projeto de mestrado. (Foto: Gian Cornachini)

João Armando: livro oferecido por professor inspirou projeto de mestrado. (Foto: Gian Cornachini)

Anteriormente graduado em Psicologia, João Armando se formou aqui em Inglês, mas no mestrado da UFF entrou para o programa de Literatura Africana de Língua Portuguesa. O interesse, segundo ele, surgiu numa aula do professor Bruno Ferrari, que o apresentou à literatura de Mia Couto – autor que inspira sua pesquisa de mestrado – e se intensificou com as aulas das professoras Arlene e Norma. “Inclusive, quando me perguntaram na entrevista que sementinha é essa que tem na FEUC, eu logo pensei nelas. E em todos os outros professores, pois a formação que tive aqui foi de excelência. E fiquei muito feliz de ver que a qualidade da FEUC é reconhecida em todo canto”, elogia João Armando.

Thamyres diz que sempre sonhou com o mestrado, desde antes de entrar para a graduação. Por saber que seria muito difícil, vinha estudando há bastante tempo: “Estudei pelos meus cadernos da FEUC e não pelos livros da bibliografia. Cheguei a comprar alguns livros, mas com a falta de tempo, pois estou cursando a pós aqui, preferi

Thamyres: estudo feito a partir dos cadernos da graduação foi suficiente

Thamyres: estudo feito a partir dos cadernos da graduação foi suficiente. (Foto: Gian Cornachini)

estudar pelos meus antigos cadernos, e foi suficiente”, revela. Em sua pesquisa, Thamyres vai analisar o uso dos recursos pragmáticos na aquisição da linguagem por parte das crianças, dando continuidade ao que pesquisou na graduação. Ela agradece a seus professores da FEUC, especialmente à professora Lia, que foi sua orientadora na graduação e repete a parceria na pós em Língua Portuguesa. Diz que esse estímulo constante dos professores é crucial, pois lá fora as pessoas dizem que não vale a pena se esforçar pra fazer um mestrado, diante da situação do país: “Dizem que valorizam pouco, que eu não vou ter um emprego futuramente por conta dessa reforma do ensino médio… Mas eu acho muito interessante, até porque eu não estou estudando para o governo, não estou estudando para outras pessoas, estou estudando para mim”, afirma Thamyres, mandando um recado para quem gostaria de seguir o mesmo rumo, mas tem dúvidas: “Que os alunos confiem mais em si, porque falta essa confiança. Então é ter foco e pensar ‘quero passar’, e vai conseguir. Estuda e se esforça que consegue”.

Gratidão foi o sentimento mais mais expressado pelos alunos e alunas ao se referir a seus professores da graduação. Além dos respectivos orientadores, lembraram muito das aulas do professor Valmir Oliveira: “Quem mergulha com vontade no conteúdo que ele oferece não tem como não fazer um bom projeto”, pontua Meire. E Thiago revela outro grande prazer que teve durante a entrevista com a banca da UFF: “Me perguntaram o que que é FIC, e se a FEUC era uma federal. Aí eu pude falar bastante da nossa faculdade, pois eles viram a qualidade que os candidatos daqui apresentaram”.

Com Pós na FEUC e encontro anual, Psicopedagogia ganha visibilidade na Zona Oeste

Com Pós na FEUC e encontro anual, Psicopedagogia ganha visibilidade na Zona Oeste

Curso de especialização da instituição mantém projeto de clínica para atendimento a moradores da região e promove eventos voltados para profissionais que atendem no bairro e adjacências

Por Pollyana Lopes

A partir dos conhecimentos da Psicologia, da Psicanálise e da Pedagogia, a Psicopedagogia é um campo de estudos dedicado aos processos de aprendizagem principalmente de crianças, mas também de adultos. A área é relativamente nova, por isso pesquisas, cursos de formação e atuação profissional chegaram ao Brasil apenas na década de 1970. Também por este motivo, os profissionais ainda batalham juridicamente para ter sua atividade regulamentada. Em 2014, o Senado Federal aprovou o texto que regulamenta a profissão, mas a lei aguarda sanção da Presidência da República.

Apesar de já existirem algumas graduações em Psicopedagogia no Brasil, geralmente, a formação de um psicopedagogo acontece em cursos de pós-graduação especializada, como os oferecidos pela FEUC. Aqui, nós ofertamos os cursos de Psicopedagogia Clínica, mais voltado para a atuação em consultórios e atendimentos individuais; e de Psicopedagogia Institucional, com formação mais direcionada para o trabalho em escolas e empresas, por meio de projetos e prevenção. O curso de Psicopedagogia Clínica conta com carga horária de 660 horas/aulas, já o Institucional tem 360 horas/aulas. Ambos são voltados a portadores de diploma de graduação de uma maneira geral, e, em especial, pedagogos, psicólogos, professores, fonoaudiólogos, médicos, terapeutas e psicanalistas.

 Responsabilidade Social e aprendizado na clínica

 Dentre as disciplinas do curso de pós-graduação em Psicopedagogia Clínica, destacam-se quatro Estágios Supervisionados, que podem ser cumpridos externamente, em consultórios particulares, ou aqui na FEUC. Com acompanhamento da professora Leila Queiroz Evaristo da Silva, coordenadora do curso, estudantes matriculados em estágios III e IV fazem atendimentos gratuitos a crianças da região. Quem faz estágio III trabalha o diagnóstico da criança, e quem cursa estágio IV atua na intervenção do processo de aprendizagem.

"O lúdico desenvolve a afetividade e o cognitivo", explicou a professora Leila. (Foto: Pollyana Lopes)

“O lúdico desenvolve a afetividade e o cognitivo”, explicou a professora Leila. (Foto: Pollyana Lopes)

“Quando nós fazemos o trabalho psicopedagógico, nós fazemos uma análise, que é o que chamamos de diagnóstico, para poder entender como aquele aluno aprende, ou o que dificultou a sua aprendizagem. Podem ser questões emocionais, neurológicas, patológicas. E o psicopedagogo tem essa função, de descobrir, de diagnosticar o que o estudante tem e o que interfere na sua aprendizagem. A partir disso, a gente cria estratégias onde nós vamos trabalhar a intervenção dessa aprendizagem. Isso se dá através de jogos e atividades que façam com que ele desenvolva o aprendizado, principalmente da leitura e da escrita”, explica a professora Leila.

 

O atendimento feito pelas estagiárias acontece individualmente com as crianças. Porém, por entender a importância de trabalhar o comportamento das crianças em coletivo, assim como a proximidade afetiva com os pais, a professora Leila organizou oficinas de brincadeiras. Durante uma hora e meia, crianças e mães que são atendidas pelo projeto brincam de jogo da memória, rabo de foguete, dominó e tangram, entre outros.

Estagiárias, mães e crianças atendidas pelo projeto. Todos se divertiram na oficina. (Foto: Pollyana Lopes)

Estagiárias, mães e crianças atendidas pelo projeto. Todos se divertiram na oficina. (Foto: Pollyana Lopes)

 “Para mim foi bom porque eu brinquei com o meu filho de uma forma que eu não brinco em casa. Eu normalmente não tenho esse tempo, eu tenho outra menina também e eles acabam brigando. E aqui brincamos eu e ele. Para mim foi ótimo, foi uma coisa que não acontecia há bastante tempo”, contou Gisele Ramos Viana, mãe do Ryan Alex Viana Diniz.

“O afeto faz a criança se desenvolver, faz até a gente, enquanto adulto, se desenvolver e perceber quem é o nosso filho, quem somos nós nesse dia-a-dia, nesse corre-corre”, explicou, às mães, a professora Leila. “A gente cresce, mas não devemos deixar de brincar, porque o brincar é importante e essencial na nossa vida. Ele estimula, nos traz alegria, faz com que a gente extravase energias, faz a gente ficar mais leve”, acrescentou.

 Encontro Psicopedagógico

 Mais uma atividade desenvolvida pelo curso é o Encontro Psicopedagógico, que este mês realizou sua segunda edição. Voltado não apenas para os estudantes do curso de pós-graduação da FEUC, mas também psicopedagogos já formados, fonoaudiólogos e professores que atuam na região, o evento debateu temas pertinentes à área, projetos que dão certo e também trouxe histórias de profissionais de êxito.

Público do encontro esteve atento foi participativo. (Foto: Pollyana Lopes)

Público do encontro esteve atento e foi participativo. (Foto: Pollyana Lopes)

“O psicopedagogo de Copacabana, Botafogo, da Zona Sul em geral, já tem um nome, é reconhecido, é procurado. Nossa região também tem esses profissionais, mas eles estão quietinhos, escondidos, enquanto fazem um trabalho belíssimo. Eu tive uma preocupação de escolher profissionais da nossa região, que fazem esse trabalho e que muitas vezes não conhecemos”, explicou a professora Leila.

 Neste ano, no sábado inteiro de palestras, foram discutidos temas como educação especial e inclusiva, dislexia, paralisia cerebral, transtorno de conduta, a nova Lei Brasileira de Inclusão e dificuldades da aprendizagem na escrita.

Professora Leila destacou, durante o encontro, a importância de valorizar o profissional da região. (Foto: Pollyana Lopes)

Professora Leila destacou, durante o encontro, a importância de valorizar o profissional da região. (Foto: Pollyana Lopes)

Uma das palestrantes foi a professora da FEUC Maria José Brum, que é especialista em Libras e em Educação Especial e Inclusiva. Ela falou sobre os temas que estuda e ensina, e explicou o papel da escola na construção de uma sociedade mais igualitária.

 “Tudo parte da escola. A escola é o espaço de formação dos cidadãos, de formar os indivíduos, da cidadania. Mas há aquelas escolas que transformam a realidade do indivíduo, e há aquelas escolas que ainda reproduzem o que existe. Mas quem é a escola? A escola somos nós. E quando falamos sociedade, também somos nós”, analisou Maria José.

Professora Maria José explica a diferença entre exclusão, segregação, integração e inclusão. (Foto: Pollyana Lopes)

Professora Maria José explica a diferença entre exclusão, segregação, integração e inclusão. (Foto: Pollyana Lopes)

Outra palestrante foi Carla Silva, psicopedagoga atuante na região, que é especialista em Educação Infantil e em Educação Especial e Inclusiva. Ela falou sobre a dislexia, um transtorno decorrente de uma formação diferenciada de uma parte do cérebro, que dificulta a decodificação de códigos enviados durante o estudo e, assim, causa problemas na aprendizagem escolar, principalmente na leitura, escrita e soletração. Carla começou mostrando uma imagem que questiona o que não é “dislequisia”, que ela prontamente respondeu:

 “Insuficiência pedagógica não é dislexia. Eu recebo muitas crianças no consultório com queixa de alfabetização. E quando a gente vai investigar, na escola, com os pais, o material escolar, a proposta que o professor está trabalhando, é uma proposta que não atende as necessidades daquela criança. E quando você começa a trabalhar de uma forma que alcança a necessidade da criança, ela começa a aprender. E aí somem todos os problemas. O que a gente percebe é que muitas vezes as propostas pedagógicas não são pensadas para alcançar todos e sim a maioria”, explicou.

Carla Silva, que o I Encontro Psicopedagógico falou sobre o método das boquinha, este ano apresentou alguns aspectos pertinentes à dislexia. (Foto: Pollyana Lopes)

Carla Silva, que o I Encontro Psicopedagógico falou sobre o método das boquinha, este ano apresentou alguns aspectos pertinentes à dislexia. (Foto: Pollyana Lopes)

Serviço

 O atendimento psicopedagógico gratuito acontece às quintas e sextas-feiras, de 16h30 às 19h. Já os cursos de pós-graduação em Psicopedagogia Clínica e Psicopedagogia Institucional irão abrir inscrições em dezembro, com previsão de início das aulas para março.

Psicopedagogia - zona oeste (5)

Psicopedagogia - zona oeste (9)Psicopedagogia - zona oeste (8)

 

XXIII Octobermática: evento aborda a história da Matemática

 

Tradicional semana acadêmica do curso de Matemática, este ano a Octobermática trouxe comunicações, palestras e teatro sobre grandes nomes do universo numérico

Por Pollyana Lopes e Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

O curso de Matemática das FIC realiza, há 23 anos, a Octobermática, semana acadêmica que acontece em outubro, sempre com um tema diferente envolvendo aspectos científicos e pedagógicos da licenciatura. Na semana passada, entre os dias 3 e 6, o evento, que nesta edição abordou a história da Matemática, movimentou mais uma vez os estudantes do curso, que participaram ativamente como organizadores, ouvintes, expositores e, inclusive, como atores de uma peça teatral. Confira um resumo de como foi a semana:

Palestra

Em uma das palestras mais importantes, o professor da UFRRJ Pedro Carlos Pereira falou sobre a História da Matemática a partir da perspectiva brasileira e da educação matemática. Sem ignorar o papel essencial de nomes como Einstein, Newton e Galileu para o reconhecimento da importância da Matemática, ele destacou, em sua fala, grandes matemáticos brasileiros e o papel que eles tiveram no estabelecimento da Ciência e da Matemática no Brasil.

Professor Pedro também contou que teve trajetória parecida com os os alunos da FEUC. Ele também cursou graduação em universidade particular e trabalhou durante o dia para bancar estudar. (Foto: Pollyana Lopes)

Professor Pedro contou que teve trajetória parecida com os os alunos da FEUC. Ele também cursou graduação em universidade particular e trabalhou durante o dia para bancar estudar. (Foto: Pollyana Lopes)

O professor também falou, esmiuçadamente, sobre o início e o estabelecimento do ensino de Matemática no Brasil, primeiro a partir das escolas de engenharia, e apresentou argumentos sobre a importância da história da disciplina:

“História da Matemática não é só para contar que Pitágoras nasceu no ano tal, morreu no ano tal fez isso ou fez aquilo. É para entender porque ele pensou daquela maneira. Aí a gente precisa da História, da Filosofia. A gente precisa conhecer a psicologia daquela época para entender porque Pitágoras pensou daquela maneira e escreveu aquele teorema. Aí sim nós estamos formando cidadãos pela Matemática”.

Professor Pedro também contou que teve trajetória parecida com os os alunos da FEUC. Ele também cursou graduação em universidade particular e trabalhou durante o dia para bancar estudar. (Foto: Pollyana Lopes)

Pedro: “História da Matemática não é só para contar que Pitágoras nasceu no ano tal”. (Foto: Pollyana Lopes)

Ao final, a professora Gabriela Barboza agradeceu a participação do professor e destacou o papel do debate na formação dos estudantes:

“Dificilmente a gente vai lembrar de todos os fatos históricos que o Pedro contou aqui, mas uma coisa a gente entendeu: que a nossa profissão tem uma História e que ela foi construída ao longo de anos, ela é fruto de estudos e ela gera ainda muitos estudos futuros”.

Comunicações

Um dos momentos mais importantes do evento, as Comunicações repetiram, este ano, a alegria e criatividade dos alunos. Espaço para apresentar, de forma lúdica, assuntos referentes à temática da Semana, a atividade cumpriu também com outro objetivo: a integração entre os alunos. “A alegria, a confraternização, um ambiente fora de sala de aula, os alunos se abraçando”, assim foi descrita as Comunicações pelo professor Alzir Fourny, coordenador do curso, após assistir a uma apresentação de um funk matemático elaborado por estudantes justamente para o evento.

Estudantes apresentaram trabalhos no pátio da FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Estudantes apresentaram trabalhos no pátio da FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Grupos cumpriram com objetivo das Comunicações: levar conhecimento com alegria e interação. (Foto: Gian Cornachini)

Grupos cumpriram com objetivo das Comunicações: levar conhecimento com alegria e interação. (Foto: Gian Cornachini)

“A Octobermática tem essa leveza, um pouco de ludicidade, de alegria. Há esse trabalho em que a matemática não é profunda, complexa. Pega o mais simples, as ideias, para mostrar a importância de conhecer a história, a origem da Matemática, como surgiu a partir desses gênios”, explicou Alzir.

Alzir:

Alzir: “A Octobermática tem essa leveza, um pouco de ludicidade, de alegria”. (Foto: Pollyana Lopes)

Café, teatro, História da Matemática e muitas risadas

Outro ponto alto da XXIII Octobermática foi a encenação da peça teatral Café com História da Matemática, no último dia do evento. O enredo da apresentação tem como protagonistas um casal, em um café, que discute a formação do conselho de uma entidade fictícia que reúne grandes matemáticos, inclusive eles mesmos. Interrompidos, frequentemente, por garçons que apresentam algum matemático famoso para história da disciplina, o debate fica mais acalorado, o casal se irrita mutuamente e tudo termina em uma grande guerra de comida, cessada apenas pelo professor Alzir Fourny Marinhos, que interpretou ele mesmo na peça. Fazendo várias referências aos professores das FIC, o trabalho apresentado pela turma do 5º período arrancou gargalhadas e conquistou o público.

Em meio a muitas risadas, informações importantes foram apresentadas no texto da peça Café com história da Matemática. (Foto: Pollyana Lopes)

Em meio a muitas risadas, informações importantes foram apresentadas no texto da peça Café com história da Matemática. (Foto: Pollyana Lopes)

Texto da peça de teatro trouxe uma série de referências aos professores do curso de Matemática da FEUC, que estavam presentes e entraram na brincadeira. (Foto: Pollyana Lopes)

Texto da peça de teatro trouxe uma série de referências aos professores do curso de Matemática da FEUC, que estavam presentes e entraram na brincadeira. (Foto: Pollyana Lopes)

 

Guineenses e FEUC se unem para discutir a Guiné-Bissau no dia de sua independência

 

O aniversário de 43 anos da independência do país africano é comemorado no dia 24 de setembro; a data foi marcada por uma manhã de reflexão que integrou a comunidade guineense, alunos das FIC e estudantes da região

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Com o objetivo de pensar a Guiné-Bissau em seu 43º aniversário de independência, a Associação dos Estudantes Guineenses no Estado do Rio de Janeiro (AEG-RJ) realizou hoje, dia 24 de setembro, o encontro “Nô Pensa Guiné-Bissau” (Refletir a Guiné-Bissau). A FEUC, em parceria com o grupo, mais uma vez cedeu espaço para que o evento acontecesse na Zona Oeste e, assim, pudesse promover troca cultural entre brasileiros e alunos e intelectuais do país africano. A atividade contou com uma exposição de roupas e tecidos típicos, além de palestras e debates.

Corredor do Auditório FEUC teve exposição de roupas e tecidos típicos. (Foto: Gian Cornachini)

Corredor do Auditório FEUC teve exposição de roupas e tecidos típicos. (Foto: Gian Cornachini)

O mestrando em Sociologia na UFF Tchinho Kaabunke fez, em sua fala ao público, um panorama histórico da Guiné-Bissau, desmistificando a ideia de que o poder sobre a África aconteceu unicamente com o domínio pelos povos europeus. Kaabunke relembrou elementos da ancestralidade africana e citou a invasão árabe a partir do século VII no continente, ressaltando que o local sempre foi alvo de disputas territoriais.

Tchinho Kaabunke, mestrando em sociologia na UFF, fez panorama histórico da Guiné-Bissau. (Foto: Gian Cornachini)

Tchinho Kaabunke, mestrando em sociologia na UFF, fez panorama histórico da Guiné-Bissau. (Foto: Gian Cornachini)

Já Timótio Saba M’Bunde, mestre em Ciência Política, trouxe para o centro do debate os desafios que a Guiné-Bissau enfrenta, hoje, para se afirmar como um estado democrático de direito: “É um país caracterizado por golpes parlamentares, rupturas do funcionamento normal do Estado, e isso tem dificultado a própria afirmação da democracia, pois, em 43 anos de independência, nunca concluiu um mandato democraticamente eleito pelo povo”, observou M’Bunde.

Timótio Saba M’Bunde, mestre em Ciência Política, falou sobre o estado democrático de direito no país africano. (Foto: Gian Cornachini)

Timótio Saba M’Bunde, mestre em Ciência Política, falou sobre o estado democrático de direito no país africano. (Foto: Gian Cornachini)

Na avaliação da coordenadora do curso de Ciências Sociais das FIC, professora Célia Neves, pensar a realidade política da Guiné-Bissau nos leva também a atentar para os recentes fatos da história política de nosso país, como o impeachment da presidente Dilma Rousseff — também eleita democraticamente pelo povo, mas julgada e deposta por parlamentares sem aprovação unânime da sociedade: “Tudo isso discutido aqui é importante até para nós, em nosso processo democrático, porque a gente é obrigada a pensar os nossos processos de rupturas política que sofremos aqui”, disse ela.

Célia Neves, coordenadora de Ciências Sociais das FIC, relacionou o tema com a atual conjuntura política no Brasil. (Foto: Gian Cornachini)

Célia Neves, coordenadora de Ciências Sociais das FIC, relacionou o tema com a atual conjuntura política no Brasil. (Foto: Gian Cornachini)

Além do âmbito político, o debate também se voltou para o estereótipo negativo que os países ocidentais criam sobre nações do continente africano. Hilenio Silva Monteiro, guineense e membro da organização do evento, foi categórico ao culpar a mídia por grande parte desse preconceito: “O Brasil precisa pesquisar muito sobre a África e não se informar pela mídia. O que a gente aprende por ela é a dominação por dinheiro, a fome, a ideia de que tudo na África é ruim — e quando é bom, pinta-se a imagem para que não seja mérito dos países africanos, mas da Europa…”, apontou ele, completando: “Quem aprende somente pela mídia, é condenado à inocência total”.

Hilenio Silva Monteiro, membro da organização do evento, criticou a mídia por criar esteriótipos negativos sobre a África. (Foto: Gian Cornachini)

Hilenio Silva Monteiro, membro da organização do evento, criticou a mídia por criar esteriótipos negativos sobre a África. (Foto: Gian Cornachini)

A estudante Renata Azevedo, do 1º ano do Ensino Médio do Instituto de Educação Sarah Kubitschek (IESK), reconhece ter uma visão distorcida sobre a África, e também culpa a mídia televisiva por isso: “Vendo pela TV, quando fala da África, a gente só vê criança desnutrida, com fome e sede. E aqui a gente viu uma realidade diferente. Também só é falado do homem europeu como invasor, e eu não sabia que os árabes foram lá antes dos portugueses”, relatou Renata, que aprovou a proposta do evento: “Eu adorei, adorei esse contato com eles. Só não vou ficar para o debate porque tenho reposição de aula no Sarah daqui a pouco”.

Renata Azevedo, aluna do 1º ano no IESK, relatou ter visão distorcida sobre o continente africano, muito pelo o que vê na TV. (Foto: Gian Cornachini)

Renata Azevedo, aluna do 1º ano no IESK, relatou ter visão distorcida sobre o continente africano, muito pelo o que vê na TV. (Foto: Gian Cornachini)

Sistemas de Gestão Empresarial e sucesso profissional são temas de evento de Administração

Especialistas do mercado vêm à FEUC compartilhar conhecimentos e dicas da área

Por Pollyana Lopes e Gian Cornachini

A II Semana do Administrador aconteceu nos dias 8 e 9 de setembro, no Auditório FEUC, trazendo para a instituição palestras com profissionais de vasta experiência de mercado e sólida formação acadêmica. No primeiro dia, o gerente de Tecnologia de Informação da Guaracamp, Alcione Dolavale, falou sobre Gestão Empresarial na Logística e trouxe exemplos de como a implementação de Sistemas Integrados de Gestão Empresarial, ERP, a sigla em inglês para Enterprise Resource Planning, promove o melhor funcionamento das empresas. Ele, que é graduado em Tecnologia da Informação e tem mestrado em Logística pela PUC-Rio e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV, destacou também a importância de estreitar os laços entre o mercado e as faculdades.

Alcione Dolavale destacou a importância da relação entre o mercado e as faculdades e deixou o e-mail do setor de Recursos Humanos da empresa em que trabalha para os alunos enviarem currículos. (Foto: Pollyana Lopes)

Alcione Dolavale destacou a importância da relação entre o mercado e as faculdades e deixou o e-mail do setor de Recursos Humanos da empresa em que trabalha para os alunos enviarem currículos. (Foto: Pollyana Lopes)

“Para nós, que estamos no mercado, é muito valiosa essa oportunidade de ir às faculdades, de encontrar com alunos. Afinal de contas, é aqui que estão sendo formados os futuros profissionais”.

Já na palestra de Paulo Panesi, convidado a participar do encerramento da II Semana de Administração — que aconteceu na sexta-feira, dia 9 de setembro —, o foco da discussão foi “sucesso” e os caminhos para conquistá-lo. Panesi, que tem especialização em Gestão de Pessoas e Gestão de Marketing, além de pós-graduação em Logística, atuou em grandes empresas como Xerox do Brasil e Polaroid, e afirmou que uma das principais chaves para ter uma carreira promissora é trabalhar com o que gosta: “Escolha fazer alguma coisa que você tenha prazer, porque, segundo Aristóteles, quem faz o que gosta, se diverte a cada dia”.

Panesi: "Escolha fazer alguma coisa que você tenha prazer". (Foto: Gian Cornachini)

Panesi: “Escolha fazer alguma coisa que você tenha prazer”. (Foto: Gian Cornachini)

O administrador acredita que o profissional precisa ter atitude e não esperar as oportunidades aparecerem. Segundo Panesi, a postura de quem está interessado em crescer determina, de fato, o que ele quer: “Quantas pessoas vocês conhecem e que estão no Facebook fazendo absolutamente nada? E depois vão dizer que vocês deram sorte? Nada cai do céu. Se vier uma coisa muito de graça, desconfie do custo que vocês vão ter que pagar por aquilo”, ponderou ele.

Tita Parra em palestra musical: debate e encantamento

Evento organizado pela FEUC aconteceu na Lona Cultural Elza Osborne, onde a neta da cantora chilena Violeta Parra tocou, cantou e falou de política, latinidade, vida, lutas, amores…

Por Tania Neves

Uma noite memorável. Assim foi o encontro da cantora, compositora e escritora Tita Parra, neta de Violeta Parra, e um pequeno e emocionado público que teve a honra de recebê-la na última quinta-feira, dia 7 de julho, na Lona Cultural Elza Osborne, em Campo Grande. A atividade foi promovida pela Coordenação de Eventos Especiais da FEUC. A proposta foi uma palestra musical, “Nossa vida é música”, em que a convidada entremeou vídeos históricos com apresentações da Família Parra, relatos sobre a vida de Violeta e das mulheres chilenas, lindas músicas folclóricas do repertório da avó e composições dela própria. E muita, muita conversa boa com a plateia, trocando impressões sobre o momento político da região e frases de força e incentivo para seguir na luta. No fim, Tita autografou seu CD “El camino del medio” para os que quiseram levar para casa uma lembrança do feliz encontro.

Tita Parra na palestra musical "Nossa vida é música", no palco da Lona Cultural Elza Osborne

Tita Parra na palestra musical “Nossa vida é música”, no palco da Lona Cultural Elza Osborne

Por que Campo Grande?
Organizadora da atividade, a professora Célia Neves, de Ciências Sociais, contou que a oportunidade de ter Tita Parra em Campo Grande veio por meio de uma ex-aluna de Pedagogia da FEUC, Marisa Silva, grande amiga de Tita. A artista, que estava em turnê pelo Cerrado brasileiro desde o começo de junho, incluíra em seus planos uma parada na casa da amiga, e esta fez contato com Célia: “Há umas duas semanas, Marisa me ligou e disse: ‘ Tita está chegando aí pelo Rio no início de julho. Você não quer levá-la em Campo Grande?’ Como assim? Claro que eu quis”, contou a professora. E assim surgiu a possibilidade de apresentação, no auditório da FEUC, da palestra “Nossa vida é música”. Entretanto, em busca de um equipamento sonoro com melhores recursos para o show de Tita, Célia fez contato com Ives Macena, da Lona Cultural Elza Osborne, e este gentilmente cedeu espaço para que o encontro fosse realizado lá.

A ex-aluna da FEUC Marisa fala ao lado da professora Célia

A ex-aluna da FEUC Marisa fala ao lado da professora Célia

Marisa fala um pouco ao público
“Eu queria falar sobre essa pessoa aqui: ela foi minha professora, e vai ser sempre minha professora. Porque quem estuda com a Célia sabe bem o que eu estou dizendo. Se hoje estamos aqui, é porque esta sementinha foi plantada lá atrás, no meu curso de formação. Eu estudei na FEUC e tenho muito carinho por aquele espaço, foi muito importante tudo o que eu aprendi na universidade. E o que venho fazendo a partir dali é florescer as sementes que foram plantadas”, disse Marisa, reiterando sua convicção de que a Educação se faz com cultura e pela cultura. Em seguida, convidou o público para chamar em Tita ao palco, em coro.

Com vocês, Tita Parra!
A cantora e compositora chilena iniciou a palestra musical exibindo no telão uma obra rara: um vídeo da Família Parra se apresentando em um show em Genebra, na Suíça, no qual ela aparece ainda criancinha, dançando junto da avó, Violeta Parra, e de outros familiares. E brincou sobre o registro: “É o mais antigo videoclipe da história, eu acho, porque é antigo mesmo!”.

Tita apresenta no telão um vídeo histórico da Família Parra em show na Europa

Tita apresenta no telão um vídeo histórico da Família Parra em show na Europa

Para explicar sua ligação com a música e os temas folclóricos de seu país, Tita contou sobre uma turnê com a família pela Europa, iniciada quando tinha apenas 6 anos, no começo dos anos 60, e que durou três anos, viajando principalmente de navio e trens, e se apresentando em diversas cidades e festivais populares: “Minha avó Violeta aproveitava então para mostrar a cultura popular latina, a cultura popular do Chile, para a Europa. Ela mesma costurava as roupas, fazia a cenografia, bordava, compunha as músicas e nos fazia cantar, tocar… o público europeu ficava muito feliz, e ela ganhava muitos prêmios por apresentar a cultura do Chile para o mundo”, lembrou Tita, atribuindo a essa vivência o prazer que ainda hoje tem de viajar por diversos países, privilegiando sempre as cidades pequenas e os públicos mais intimistas, para apresentar sua música e também relembrar os sucessos da avó.

Uma forte ligação com o Brasil
Dizendo-se admiradora “fanática” da música brasileira, contou sobre antigas amizades de Violeta com artistas daqui – entre eles o poeta amazonense Thiago de Mello – e mostrou-se orgulhosa de hoje repetir turnês como as que a avó fazia. “Eu hoje realizo um sonho, o sonho de viajar com minha música pelo interior do Brasil, cantando, tocando, criando um público que ama a cultura, me envolvendo com as pessoas. Violeta, sempre que lhe perguntavam qual era a arte que preferia, se tivesse que escolher uma entre bordar, pintar, compor, cantar, escrever… ela dizia que gostava de ficar com as pessoas, ela adorava as pessoas. E é disso que eu gosto também”.

Tita convidou o público a visitar, em Santiago, o Museu de Violeta Parra, que reúne o acervo do qual sua mãe sempre cuidou. No museu, contou Tita, há uma espetacular sala de música, batizada de Sala Antar, em homenagem a seu filho, também músico, Antar Parra, falecido em 2010 no Rio de Janeiro, onde morava e estudava violão.

A cantora conversa com o público, contando histórias de família e experiências de latinidade

A cantora conversa com o público, contando histórias de família e experiências de latinidade

Interação com o público: proposta de conversa espontânea
Como era a proposta da palestra musical, Tita passou a palavra à plateia para que lhe fizessem perguntas. Na primeira intervenção, uma espectadora pediu à artista que contasse como se deu a composição de “Nuestra respuesta és la vida”. Tita respondeu que fez a canção durante a ditadura, impressionada ao escutar o discurso de Gabriel García Márquez ao receber o Prêmio Nobel: “Eu peguei umas frases do discurso que falavam algo como que frente a diversas dores que sofríamos na América Latina, nossa resposta era a vida. Eu escrevi a letra e coloquei as frases dele no refrão. Mostrei para minha mãe, que estava no exílio, e a chamei para cantarmos juntas. Cantamos pela primeira em um festival no Peru, onde estavam muitos artistas de toda parte da América Latina: nós, Mercedes Sosa, Silvio Rodríguez”, relembrou.

Após alguns números musicais, a conversa foi retomada com o pedido de outra espectadora – as mulheres eram maioria absoluta na lona – para que ela discorresse sobre o que é ser mulher na Família Parra, e que falasse um pouco sobre as diversas gerações femininas que a antecederam. Tita então fez uma verdadeira análise sociológica, partindo da história de sua bisavó camponesa, Clara, continuando com a da avó Violeta e chegando nas gerações mais jovens: “Clara era uma mulher lutadora, criou seus dez filhos na luta. Ela tinha um marido que bebia. Violeta também teve marido que bebia, e suas filhas também tiveram maridos assim. Chile é um país alcoólico, todos bebemos muito vinho. Para passar a pobreza, para passar as dificuldades, para passar a falta de trabalho, a discriminação… “, disse a cantora, pintando um retrato das dificuldades por que sempre passaram as mulheres no Chile, sobretudo as mais pobres. “É algo que se repete de geração em geração, e Violeta abordou isso em suas canções. É um matriarcado, mulheres que sustentam a família e homens que bebem e vão embora, que desaparecem, ou que morrem cedo porque não se cuidam. E é muito parecido em todos os países da América Latina em desenvolvimento: homens que se vão e mulheres que ficam cuidando da família. Mas agora, com a evolução psicológica e outros elementos, temos também mulheres mais felizes. Estamos hoje em um processo de crescimento diferente, lutando contra os condicionamentos sociais que nos programam para sermos infelizes”, ressaltou.

Pausa para também ouvir

O professor Mauro fala sobre o momento que vivemos

O professor Mauro fala sobre o momento que vivemos

Tita também quis saber do público o que tinha a dizer sobre a vida no Brasil neste momento, e o primeiro a responder foi o professor de espanhol da FEUC Mauro Ferreira, que fez um resumo de alguns tristes acontecimentos recentes, como o assassinato do estudante Diego Vieira Machado na UFRJ, em um provável crime de ódio, os recorrentes casos de violência contra a mulher e a virulência dos julgamentos e ataques entre pessoas nas redes sociais, marcando o que ele definiu como um momento de obscuridade e retrocesso nas liberdades. Mas fechou com otimismo. “Me encantaria que nós recomeçássemos e não nos esquecêssemos que somos latino-americanos. E para mim é uma honra estar aqui esta noite ouvindo a voz latino-americana. Vou seguir falando, e você também é a nossa voz”, disse o professor, ressaltando que atua em oito diferentes escolas para “fechar o orçamento” e que havia se levantado às 5 horas da manhã para trabalhar: “Mas aqui estou para ouvi-la e encantar-me. Muito obrigada”.

O sarau e bate-papo seguiu por diversos outras lindas canções folclóricas e temas instigantes, como as ações dos movimentos sociais contra a escalada do capital privado sobre a vida das populações pobres nas cidades, a resistência cultural de grupos que organizam pequenos encontros – como aquele próprio evento em que ela cantava – relatos sobre a cena musical atual do Chile e muito mais. Tita defendeu que não se pode aceitar a criminalização da política como um todo – o que, segundo ela, tanto no Chile quanto em outros países da América Latina tem sido uma tática empreendida pela direita – mas sim lutar com os bons políticos e o povo em geral por mudanças que restaurem e reforcem a democracia. “Não temos outra alternativa senão lutar. Seja através da música, da arte, da criatividade. Não vamos esperar que os governantes mudem as coisas. Nós temos que mudar. E ter uma vida próspera em nosso interior, nos solidarizando e nos comunicando com o outro. Então, não se deprimam. Porque se a gente se deprimir… fudeu!”, completou, arrancando gargalhadas da plateia.

O fecho que não poderia faltar: Volver a los 17!
Após mais um punhado de músicas e trocas de experiências com seus entusiasmados interlocutores, Tita agradeceu a recepção e o interesse da plateia, e certificou-se de que não poderia encerrar o encontro sem Tita9cantar “Volver a lós 17”, talvez a canção de Violeta Parra mais conhecida por aqui, junto com “Gracias a la vida”. Ela disse: “É uma obrigação? É uma obrigação! Então vamos cantar todos juntos. No coro, todos cantam. Mas vejam que é ‘el musguito en la piedra’ e não ‘el mosquito en la pierna’, está?”, brincou.

Ao fim do show, ela foi cercada no palco por todos que queriam comprar seu CD e levar para casa uma lembrança autografada. E se estendeu por longos minutos autografando e ouvindo pequenas histórias pessoais e elogios a seu trabalho.

Nos resta dizer: até a próxima, Tita!! Obrigada, Marisa!!

“O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê”

Evento na FEUC debate inclusão e acessibilidade para pessoas cegas ou com baixa visão e o papel do professor de português nesse processo

Por Pollyana Lopes

Aconteceu na FEUC, na última quarta-feira, dia 6 de julho, o “I Encontro de Educação, Acessibilidade, Arte e Inclusão”, um evento para oficializar a participação da FEUC na Rede de Leitura Inclusiva, um dos projetos da Fundação Dorina Nowill, e celebrar o primeiro aniversário da Lei Brasileira de Inclusão.

A parceria da FEUC com o projeto é mais um fruto das atividades do PIBID Letras que, por meio da Produção de Acervo de Áudio, aproximou-se da Fundação Dorina, uma instituição que há 70 anos trabalha pela inclusão social de pessoas com deficiência visual. O objetivo era fazer com que as gravações de textos de domínio público lidos por estudantes de escolas públicas, sob a orientação de bolsistas das FIC, chegassem a cegos e portadores de baixa visão. Com a integração da FEUC à Rede, a parceria entre as instituições se fortalece e reforça o compromisso de ambas em promover ações voltadas para pessoas com deficiência visual.

"Não dá para pensar educação sem pensar em amor, em fraternidade. Não dá para pensar em inclusão, em acessibilidade sem também pensar em amor, em fraternidade, em respeito", declarou o professor Erivelto Reis, sobre o tema do debate, "Incluir com Qualidade e Amor". (Foto: Pollyana Lopes)

“Não dá para pensar educação sem pensar em amor, em fraternidade. Não dá para pensar em inclusão, em acessibilidade sem também pensar em amor, em fraternidade, em respeito”, declarou o professor Erivelto Reis, sobre o tema do debate, “Incluir com Qualidade e Amor”. (Foto: Pollyana Lopes)

“Esse encontro faz de todos os presentes cofundadores, testemunhas, parceiros também desse compromisso que a FEUC já vem trabalhando há algum tempo e que, a partir de agora, está assumindo definitivamente, tornando público para a comunidade de estudantes e para a comunidade externa”, frisou o professor Erivelto Reis.

O evento contou com a projeção do documentário “Janela da Alma”, um filme dos diretores João Jardim e Walter Carvalho, com depoimentos de homens e mulheres com diferentes níveis de deficiência visual. E também com falas do professor das FIC e psicólogo Marco Antônio Chaves, da professora da rede estadual Tatiana Reis, e do estudante do 3º ano do Colégio Albert Sabin Jeanderson Baptista, que é cego.

Tatiana falou sobre os desafios dos professores e das escolas em estar atender pessoas com deficiências. (Pollyana Lopes)

Tatiana falou sobre os desafios dos professores e das escolas em estar atender pessoas com deficiências. (Pollyana Lopes)

Tatiana falou sobre o papel de professores de português nos processos de inclusão, e declarou que o objetivo do educador é sensibilizar os estudantes para o texto e desenvolver neles autonomia para o aprendizado. Jeanderson, que foi aluno de Tatiana há dois anos, comentou sobre o seu processo de aprendizagem, alguns métodos e sua experiência como monitor na Sala de Recursos, um espaço, no Colégio Albert Sabin, que conta com materiais e atividades pedagógicas complementares orientadas por um Núcleo de Apoio Pedagógico Especializado, com o objetivo de apoiar estudantes cegos, surdos e portadores de síndromes. O professor e psicólogo Marco Antônio destacou que, na qualidade de psicólogo, a prática de consultório o fez acreditar que uso da palavra deficiência reforça a diferença como algo pejorativo na sociedade e prefere o uso de outros termos, como disfunção.

 

Jeanderson está terminando o Ensino Médio, atua como monitor na Sala de Recursos auxiliando colegas e contou que acabou de passar em um concurso para o INSS. (Foto: Pollyana Lopes)

Jeanderson está terminando o Ensino Médio, atua como monitor na Sala de Recursos auxiliando colegas e contou que acabou de passar em um concurso para o INSS. (Foto: Pollyana Lopes)

Por fim, a fala do poeta Manoel de Barros no documentário “Janela da Alma” poetiza a ação cotidiana de quem atua no sentido de incluir socialmente pessoas com deficiências visuais, principalmente por meio da leitura. Jeanderson e os demais cegos não contam com o olho para ver, mas as palavras faladas podem inspirar as lembranças a serem revistas e, assim, o conhecimento a ser produzido por meio da imaginação, que transvê um mundo mais acessível, inclusivo e justo. Como complementa o poeta, “É preciso transver o mundo”.

Testando a didática com Cambridge

Incentivados por professor, estudantes do curso de Letras se preparam para fazer prova internacional que avalia conhecimentos pedagógicos

Por Pollyana Lopes

Uma avaliação que atesta internacionalmente que o professor é qualificado para dar aulas de inglês: assim é o Teaching Knowledge Test (TKT), um exame aplicado pela Universidade de Cambridge em diversas partes do mundo. Para quem já atua como professor de inglês, o certificado é um reconhecimento das habilidades e experiências do profissional; para quem está prestes a se formar, pode ser um diferencial na hora de disputar uma vaga.

Sabendo disso, o professor Victor Ramos, ao lecionar a disciplina Didática do Ensino de Língua Portuguesa e de Língua Inglesa, incentivou os alunos a fazerem o teste, oferecendo, inclusive, aulas preparatórias aos sábados para os interessados. Quem aceitou o desafio foi liberado de fazer apenas a prova escrita, tendo que cumprir, como avaliação da disciplina, outros instrumentos como fichamentos, resumos críticos e a produção de uma videoaula.

Professor utiliza material didático específico nos encontros de preparação dos alunos, que acontecem aos sábados. (Foto: Pollyana Lopes)

Professor utiliza material didático específico nos encontros de preparação dos alunos, que acontecem aos sábados. (Foto: Pollyana Lopes)

Victor explica que os conteúdos da disciplina estão de acordo com o que é exigido no teste, e por isto este seria um bom momento para os alunos se submeterem ao TKT: “basicamente, tudo o que é cobrado na avaliação, a disciplina foi um preparatório. E não só esta disciplina, como todas as outras. A gente sempre levanta a questão nos nossos encontros ‘Lembra do conteúdo do primeiro período? É cobrado na avaliação! Lembra do conteúdo do terceiro período?’… Quer dizer, as questões que foram trabalhadas ao longo da graduação são recorrentes para a prova TKT”.

Os alunos concordam que a formação que tiveram ofereceu bases sólidas para que eles estivessem preparados para o teste. Mesmo assim, as estudantes se surpreenderam: “Eu achei tão fácil que eu não acreditei. Mas é por isso, toda a bagagem que a gente tem das outras disciplinas desde o início da graduação”, declarou Tainá Souza de Oliveira Tavares, do 5º período. “A prova é muito mais fácil do que eu pensei que seria. Porque quando eu ouço o nome Cambridge eu acho que é uma coisa dificílima, mas vendo e estudando o livro preparatório, dá para ver que é bem possível”, complementou Lorena Stellet de Lima, estudante do 7º período.

Enquanto os demais estudantes inscritos na disciplina fazem a prova escrita e concluem o semestre, o grupo de dez alunos continua tendo aulas, já que a prova será realizada no dia 22 de julho, e os encontros preparatórias continuam aos sábados. Mas, eles acreditam que vale a pena:

“Não está fácil conseguir emprego. Eu fiz várias entrevistas e não passei, pela falta de experiência. Eu acredito que o peso dessa prova no meu currículo vai fazer a diferença, vai fazer com que eu tenha mais oportunidades”, concluiu Nayara Martins de Almeida, do 5º período.

Resistências Feministas

Evento promovido pelo PACS debateu tema das violações socioambientais na Zona Oeste do Rio de Janeiro

Por Pollyana Lopes

Nos dias 16 e 17 de junho, a FEUC recebeu o seminário “Corpo, Conhecimento e Conflitos – Resistências Feministas e Territórios em Disputa”. Organizado pelo Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS), o evento fecha o primeiro ano da pesquisa, promovida pela organização, sobre as ameaças e violações socioambientais na Zona Oeste do Rio de Janeiro e o protagonismo feminino nos movimentos de oposição, e contou com palestras, apresentação teatral e oficinas.

O objetivo do mapeamento é investigar, sistematizar e refletir sobre a realidade da região, na qual o meio ambiente e a população sofrem, cotidianamente, abusos de poder por parte do Estado e de grandes corporações para a implementação de indústrias siderúrgicas, de cimento, de água, além de condomínios de luxo. Como explica Joana Emmerick Seabra, que integra a gestão do PACS, a pesquisa também tem o propósito de fortalecer os grupos de resistências:

“Tem o componente da ação, a investigação não está descolada da ação, dos processos de mobilização, de organização popular que já acontecem. Então, o ideal é que esse processo de mapeamento seja um instrumento para dar mais insumos para fortalecer as lutas que todas nós já estamos inseridas. A pesquisa não é um fim, digamos, ela é um instrumento, ela é um meio”, explica.

Em uma das dinâmicas, os participantes apresentaram objetos que faziam referência ao território onde viviam. (Foto: Pollyana Lopes)

Em uma das dinâmicas, os participantes apresentaram objetos que faziam referência ao território onde viviam. (Foto: Pollyana Lopes)

O primeiro dia do evento foi marcado por palestras que debateram Educação Popular, os conflitos socioambientais no contexto latino-americano e a conjuntura da Zona Oeste. Já o segundo dia, foi marcado pelo debate e a experimentação da cartografia social, um momento em que as pesquisadoras conheceram melhor esta metodologia, que pode vir a ser a escolhida pelo grupo para o mapeamento.

Possibilitar efetivamente a participação de mulheres envolvidas com movimentos sociais da região foi um diferencial do evento. Além de oferecer almoço e o reembolso de passagens para os inscritos nos dois dias do evento, como o seminário foi voltado prioritariamente para o público feminino, já que elas são exclusivamente as pesquisadoras da investigação, também havia uma ciranda para as mães deixarem seus filhos e filhas.

Este talvez tenha sido um dos motivos pelo qual mulheres de diferentes formações e de lugares distantes participaram das mesas e oficinas, algumas contaram que precisam caminhar 8km até o ponto de ônibus mais próximo. Uma das que vieram de longe foi Valéria Santos. A tocantinense de Araguaína, que integra a regional Araguaia Tocantins da Comissão Pastoral da Terra (CPT), fez um panorama da questão da socioambiental e da disputa pela terra na sua região e compartilhou algumas práticas de resistência empregadas pela equipe da qual faz parte.

Uma das iniciativas apresentadas por Valéria foram os Caderno de Conflitos no Campo da CPT, onde a organização publica, anualmente, um levantamento de casos de violações de direitos. (Foto: Pollyana Lopes)

Uma das iniciativas apresentadas por Valéria foram os Caderno de Conflitos no Campo da CPT, onde a organização publica, anualmente, um levantamento de casos de violações de direitos. (Foto: Pollyana Lopes)

A exposição dela no evento, junto do vídeo Agronegócio vs. Povos Da Terra e a participação da plateia durante o debate tornaram evidentes como as violações de direitos contra a terra, o trabalho, a moradia, a água, a saúde das pessoas, são parecidas em todo o Brasil e na América Latina. O seminário, que se dispôs a debater as resistências femininas, e a pesquisa, com o objetivo de mapear as infrações socioambientais na região e também fortalecer os movimentos em defesa dos direitos humanos, cumprem o papel de conectar os grupos para compartilhar o conhecimento adquirido com a experiência cotidiana porque, como afirmou Sandra Quintela, integrante da equipe do PACS, em uma das palestras, “somos filhas e filhos da rebeldia, da resistência histórica” e juntas somos mais fortes.