CAEL recebe mostra literária elaborada pelos estudantes

 

Corredor Literário, exposição que acontece anualmente no Colégio, reúne trabalhos de alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Um cenário composto por desenhos, pinturas, colagens, dobraduras e… muita literatura. Isso é o que pode ser visto no corredor principal do CAEL — e é daí que vem o “Corredor Literário”, nome da atividade. A mostra, que acontece anualmente no mês de abril por conta do Dia do Livro (23 de abril), reúne trabalhos realizados pelos estudantes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental em cima de obras literárias.

Atividades estão expostas nas paredes próximas à Secretaria do CAEL. (Foto: Gian Cornachini)

Atividades estão expostas nas paredes próximas à Secretaria do CAEL. (Foto: Gian Cornachini)

Nesta edição, as crianças tiveram o contato com poemas e contos de grandes nomes da Literatura Brasileira, como Vinicius de Moraes, Monteiro Lobato e Ziraldo. A partir desses autores, os pequenos soltaram a imaginação e ajudaram a criar uma exposição com conteúdos relacionados à temática.

Silvia Cezar, supervisora pedagógica do CAEL, explica a ideia por trás do Corredor Literário: “O objetivo com a atividade é que os nossos alunos desenvolvam a imaginação e sentimentos através da literatura infantil, para que criem o hábito de leitura na infância e tenham contato com autores diferentes”, aponta ela.

Crianças da Educação Infantil fazem apresentações diárias durante a Exposição. (Foto: Gian Cornachini)

Crianças da Educação Infantil fazem apresentações diárias durante a Exposição. (Foto: Gian Cornachini)

O Corredor Literário foi montado ontem, dia 25 de abril, em frente à secretaria do CAEL e no pátio da FEUC. Aberto com apresentações de estudantes da Educação Infantil e do Fundamental I, a mostra ficará disponível para o público até o fim da semana. Ainda durante a mostra, os alunos farão leituras de poemas e contação de histórias para os familiares e responsáveis no horário de saída das aulas. Na próxima semana, a partir do dia 2 de maio, é a vez de os estudantes do Ensino Fundamental II montarem sua exposição literária.

Alunos do Fundamental I contam para os familiares e responsáveis histórias de Ziraldo. (Foto: Gian Cornachnini)

Alunos do Fundamental I contam para os familiares e responsáveis histórias de Ziraldo. (Foto: Gian Cornachnini)

Mais fotos do Corredor Literário 2017 estão disponíveis em nossa página no Facebook. Clique aqui para acessá-la.

CAEL: Educação Infantil comemora Dia do Índio

 

Crianças fizeram trabalhos e comeram alimentos típicos da cultura indígena

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

O Dia do Índio é comemorado, anualmente, em 19 de abril. O CAEL não deixou a data passar despercebida e trabalhou, junto com as crianças da Educação Infantil, os saberes e universo por traz dessa população tão importante para o nosso país. Os pequenos tiveram a oportunidade de conhecer um pouco sobre alimentos típicos da cultura indígena, como a batata doce e o aipim, além de hábitos de vida e de transporte, como o uso de canoas.

Alunos aprenderam sobre os hábitos indígenas e degustaram batata doce e aipim.

Alunos aprenderam sobre os hábitos indígenas e degustaram batata doce e aipim.

“Aproveitamos a data para resgatar e valorizar nossas origens”, disse a professora Silvia Cezar, supervisora pedagógica do CAEL. “O objetivo de trabalharmos essa data foi o de fazer com que as crianças pudessem conhecer a beleza e a diversidade da cultura indígena e sua influência em nós”, explicou ela.

Exposição reúne trabalho das crianças sobre o transporte dos índios.

Exposição reúne trabalho das crianças sobre o transporte dos índios.

Para materializar o conhecimento, os pequenos também se vestiram a caráter, fizeram trabalhos de pintura e desenho ilustrando o transporte nos rios e montaram uma pequena exposição próxima ao portão de entrada da Educação Infantil para todos conferirem a tamanha criatividade desde tão pequeninos.

O álbum completo de fotos do Dia do Índio no CAEL está disponível em nossa página no Facebook. Clique aqui para acessá-lo.

Comissão convoca formação de chapas para assumir DCE

Chapa vencedora irá gerir o Diretório pelos próximos dois anos

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

A Comissão Eleitoral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da FEUC realizará amanhã, dia 20 de abril, às 11h30 e às 18h, no Auditório FEUC, uma assembleia geral com o objetivo de formalizar a inscrição das chapas candidatas a gerir o grupo. Além das eleições para o DCE, serão abordados no encontro temas de relevância para a comunidade estudantil e em discussão nacional, como o passe livre universitário, verbas para o FIES e o Prouni.

Para submeter uma chapa ao processo eleitoral do DCE é preciso reunir dez comprovantes de matrícula (que correspondem à quantidade de cargos e membros no grupo) e enviá-los para o e-mail da Comissão: comissaoeleitoralfeuc@gmail.com. O período de votação acontecerá nos dias 26 e 27 de abril, durante o dia todo. Urnas estarão espalhadas pelos espaços da FEUC para facilitar a participação massiva dos alunos nas eleições. O resultado será divulgado no dia 27, à noite, após o encerramento do período de votação. A posse da chapa vencedora está prevista para acontecer no dia 2 de maio, uma segunda-feira, e a permanência do grupo na gestão terá duração de dois anos.

Flávio Bento, da Comissão Eleitoral, já foi presidente do DCE e agora ajuda no processo para uma nova gestão. (Foto: Pollyana Lopes)

Flávio Bento, da Comissão Eleitoral, já foi presidente do DCE e agora ajuda no processo para uma nova gestão. (Foto: Pollyana Lopes)

Flávio Bento, estudante do último período de História nas FIC, membro da Comissão Eleitoral e ex-presidente do DCE da FEUC, explica a importância de manter o Diretório em funcionamento e de os estudantes participarem ativamente do processo eleitoral: “O movimento estudantil tem papel fundamental na organização da nossa universidade, pois é por ele que discutimos a qualidade do nosso ensino. Mas é por ele, também, que debatemos pautas nacionais, junto à UNE, como instrumentos de democratização do acesso à universidade, e lutamos à favor da Educação para conquistar direitos e qualidade de ensino”, ressalta Flávio.

Páscoa no CAEL: além de ovos de chocolate

Alunos da Educação Infantil e do Fundamental I do CAEL fazem apresentação de Páscoa para familiares e responsáveis

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

A Páscoa já passou, mas o aprendizado é para a vida toda. Na quarta-feira da semana passada (dia 12 de abril), estudantes da Educação Infantil e do Fundamental I fizeram uma belíssima apresentação, para os familiares e responsáveis, sobre o sentido da Páscoa. Cada turma ficou responsável por estudar um dos aspectos que envolvem o feriado e a história por trás da data, que celebra a ressurreição de Jesus Cristo, figura importante para o Cristianismo. Por meio de música, dança, jogral e uma peça teatral, os alunos abordaram a importância do amor, da amizade e do ato de compartilhar.

Em clima de amizade, alunos celebram valores da data comemorativa. (Foto: Gian Cornachini)

Em clima de amizade, alunos celebram valores da data comemorativa. (Foto: Gian Cornachini)

“A Páscoa é uma festa cristã, existe um feriado para isso e as crianças ficam em casa. Então, elas precisam saber o porquê de não terem vindo à escola neste dia, a história por trás da data”, disse Esther Bendelack, coordenadora da Educação Infantil do CAEL. “Mas, o principal de nossa atividade foi trabalhar a troca, e que não precisa, necessariamente, ser de ovos, que são muito caros. Não queremos ensinar o consumismo, mas outros valores, como compartilhar o lanche durante o café da manhã”, explicou.

O álbum de foto da atividade está disponível em nossa página no Facebook. Para vê-lo, clique aqui.

 

Professor de História do CAEL é destaque no YouTube

 

Arão Alves, graduado e pós-graduado na FEUC, faz vídeos para a internet e ajuda estudantes de todo o Brasil a passar no vestibular

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

O fluxo de conhecimento compartilhado por um professor, geralmente, é paralisado por uma questão física: as aulas têm horário de início e fim, assim como o expediente da escola. Mas há quem consiga subverter isso de alguma maneira e ultrapassar esses limites físicos e temporais. Estamos falando do professor Arão Alves, que desde 2000 leciona História no CAEL.

Com bastante experiência em sala de aula, Arão está no CAEL desde 2000. (Foto: Gian Cornachini)

Com bastante experiência em sala de aula, Arão está no CAEL desde 2000. (Foto: Gian Cornachini)

Formado em Ciências Sociais e História pela FEUC, e também pós-graduado por nossa instituição, Arão faz parte de um grupo social que muitos não conseguiriam entrar: os desinibidos. Isso mesmo. Os “sem vergonha” — no bom sentido da expressão. Pronto para experimentar novos caminhos além dos tradicionais, o professor decidiu botar a cara na web e expandir suas aulas para a internet, podendo, assim, ajudar estudantes não só do CAEL, mas de todo o Brasil, a compreender melhor temas importantes de sua área do conhecimento.

O Blog do Professor Arão Alves já existia há 6 anos quando o docente ousou dar um passo além e criar conteúdo em vídeo para o YouTube. Primeiramente, em seu canal pessoal e, recentemente, em um espaço mais profissional chamado “História em Gotas: Sua dose de conhecimento”.

Canal do professor Arão no YouTube. (Imagem: Reprodução)

Canal do professor Arão no YouTube. (Imagem: Reprodução)

“Eu comecei a fazer um blog com o objetivo de passar material para os alunos. Aí eu tive a ideia de fazer vídeos mais curtos e mandava o link para os alunos, para complementar a aula”, conta Arão, que abraçou de vez a ideia de se tornar um professor “youtuber”: “O retorno dos alunos foi sendo muito legal, então eu comecei a aprender sobre edição de vídeo, para fazer melhor”.

O bom trabalho do professor tem rendido muitos depoimentos de pessoas elogiando a qualidade do material, que é capaz de ajudar até mesmo quem sonha em passar no vestibular para uma boa universidade.

Estudante relata experiência com o canal. (Imagem: Reprodução/YouTube)

Estudante relata experiência com o canal. (Imagem: Reprodução/YouTube)

“Você vê a felicidade de uma pessoa, e que foi você quem colaborou com isso. É muito emocionante. Quem é professor, sabe o valor de ajudar a realizar sonhos de pessoas, e que sequer você irá conhecê-las”, diz Arão.

Mas nem todo conhecimento compartilhado na internet é tão bom assim. O professor alerta que vivemos em uma sociedade que se preocupa mais com a estética do que com a qualidade do conteúdo. E isso pode ser bastante perigoso.

“As pessoas têm dificuldade em perceber onde tem qualidade e, às vezes, cai dentro de coisas que não são bem seguras. A internet está cheia de informação. Mas até que ponto essa informação é realmente conhecimento, tem base, ou é apenas uma opinião?”, alerta o professor.

Arão: "As pessoas têm dificuldade em perceber onde tem qualidade e, às vezes, cai dentro de coisas que não são bem seguras". (Foto: Gian Cornachini)

Arão: “As pessoas têm dificuldade em perceber onde tem qualidade e, às vezes, cai dentro de coisas que não são bem seguras”. (Foto: Gian Cornachini)

Segundo ele, o ideal na hora de procurar material online para complementar os estudos é verificar se quem compartilhou a informação é um especialista na área, principalmente porque, para Arão, vivemos um momento complicado de nossa História:

“A História no Brasil está sendo colocada para o canto, desvalorizada por interesses políticos. Aos poucos, é apresentada a nós uma História que agrada e que não tem base científica. E aí você constrói uma memória histórica extremamente problemática”, criticou ele.

Quem quiser ficar por dentro de diversos temas de História, e com a chancela de qualidade de um especialista na área, basta seguir o canal História em Gotas no YouTube (clique aqui para acessá-lo), com vídeos novos todos os sábados, às 18h. E a melhor parte: é de graça e está pronto para ser visto e revisto a qualquer momento e de qualquer lugar.

Geografia: Aula Inaugural debate o desastre de Mariana (MG)

 

Curso convida professor da Uerj para detalhar o rompimento das barragens da Samarco e os desdobramentos do maior desastre ambiental do Brasil

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Passados 16 meses após o desastre de Mariana (MG) — quando duas barragens da mineradora Samarco se romperam, causando mortes e destruição ao longo do percurso da lama —, os desdobramentos do caso foram o tema da Aula Inaugural de Geografia, primeiro evento anual realizado pelo curso das FIC, e que aconteceu ontem, dia 22 de março. Convidado a debater o assunto, o professor Luiz Jardim de Moraes Wanderley, da Uerj e pesquisador no grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS), da UFJF, apresentou dados da Samarco e suas controladoras — Vale e BHP Biliton —, além de expor o funcionamento das barragens em Minas Gerais e os danos causados pelos rompimentos.

O professor Luiz Jardim de Moraes Wanderley, da Uerj, expõe dados referentes às barragens da Samarco. (Foto: Gian Cornachini)

O professor Luiz Jardim de Moraes Wanderley, da Uerj, expõe dados referentes às barragens da Samarco. (Foto: Gian Cornachini)

Impactos socioambientais a curto prazo

De acordo com Luiz, é extensa a lista de danos causados imediatamente após o desastre, entre eles:

- Destruição de áreas populacionais;
- Morte e/ou desaparecendo de 19 pessoas;
- 1,4 mil hectares de terras arrasadas;
- 80 km marítimos atingidos pela lama;
- Mudança do pH da água do Rio Doce;
- Comprometimento do abastecimento hídrico;

Impactos socioambientais a médio e longo prazo

Os efeitos do desastre não se encerraram após o rompimento das barreias e, segundo o professor, eles ainda podem ser observados, hoje, tais como:

- Devastação da paisagem e das matas ciliares;
- Rejeito estéril (material resultante do processo de mineração e sem aproveitamento econômico) liberado no solo;
- Assoreamento de rios;
- Contaminação da água por metais pesados;
- Risco para a saúde humana e de animais.

Estudantes lotam auditório durante primeira evento de Geografia da FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Estudantes lotam auditório durante primeira evento de Geografia da FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Sujeitos atingidos

O grupo PoEMAS tem levantado dados e feito estudos nas áreas atingidas para dimensionar o impacto na vida das populações. Luiz apontou que uma característica marcante é o peso do desastre sobre os negros:

“É possível verificar um racismo ambiental. A maior parte das pessoas atingidas é negra. Os engenheiros nos diziam que não escolhem um lugar para instalar uma mineradora de acordo com a cor da pele, mas a gente vê que elas só são instaladas em lugares onde as pessoas não têm força para lutar contra o empreendimento”, explicou o professor.

Outro grupo diretamente impactado, mas, segundo Luiz, pouco comentado na mídia, são os indígenas Krenak, que encaram o Rio Doce não apenas como um recurso hídrico, mas como um ente da família:

“Não adianta dar dinheiro para eles, para indenizá-los. A partir do momento que o rio morre, qual o impacto disso sobre a cultura deles? Eles querem o rio de volta para poder batizar seus filhos, pois isso é um valor intangível e diferente de nossa lógica de pensar a relação da sociedade com a natureza”, ressaltou Luiz.

Alunos fizeram rodadas de perguntas. (Foto: Gian Cornachini)

Alunos fizeram rodadas de perguntas. (Foto: Gian Cornachini)

Durante o debate, em que os estudantes apresentaram dúvidas sobre o futuro das operações da Samarco e da fiscalização de barragens, o professor foi claro em seu posicionamento, transferindo exclusivamente a responsabilidade dos danos para a Samarco, Vale e BHP:

“Os estudos não tinham a real proporção do que poderia ser um rompimento de uma barragem. Deveria ser considerada uma escala mais regional, e essa escala sequer mencionava o Rio Doce, pois ele estava longe demais. Os problemas são infindáveis e a gente tem que evitar que os custos sejam públicos. A culpa é das empresas e são elas que devem pagar a conta”.

O professor Luiz Jardim de Moraes Wanderley responsabiliza as empresas pelo desastre de Mariana. (Foto: Gian Cornachini)

O professor Luiz Jardim de Moraes Wanderley responsabiliza as empresas pelo desastre de Mariana. (Foto: Gian Cornachini)

Saindo de casa para conquistar o mundo!

 

Aprovados em seleção de mestrado para diversos programas da Universidade Federal Fluminense (UFF), alunos e egressos de Letras festejam e dividem sucesso com professores

 
Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

Se para um docente de graduação é maravilhoso quando um aluno dá a notícia de que foi aprovado para o mestrado numa universidade de prestígio, imagina quando cinco deles chegam juntos com a mesma novidade? Foi exatamente assim o novembro dourado dos professores de Letras da FEUC ao contabilizarem a aprovação para o mestrado da UFF de três alunos do 7º período e mais dois recém-formados. E isso por enquanto, pois há outros em processos de seleção. “Acho que nós vibramos tanto quanto eles ou até mais”, conta a professora Arlene Fonseca, coordenadora do curso de Letras.

Meire Lucy Cunha, do 7º período de Português-Literaturas, e João Armando Henriques Gonçalves, formado em Português-Inglês em 2013, foram aprovados para o programa de Literatura Africana de Língua Portuguesa; Thiago Rodrigues, do 7º período de Português-Inglês, conquistou vaga no programa de Literatura Inglesa; Joyce Silva dos Santos Monforte, do 7º período de Português-Literaturas, e Thamyres Gonçalves Gomes, formada ano passado em Português-Espanhol e aluna da nossa pós-graduação em Língua Portuguesa, ingressarão no programa de Estudos da Linguagem.

Temas das monografias de fim de curso foram ampliados na elaboração de projetos para o mestrado

Meire conta que o processo de seleção foi tenso: “Os candidatos iam chegando, falando uns com os outros, os professores também conheciam diversos deles pelo nome. Acho que eu era a única desconhecida”, brinca a estudante. A prova tinha 4 questões e o candidato deveria escolher uma para desenvolver no prazo de 4 horas. Ela escolheu falar sobre uma obra literária que acabara de ler, o que certamente influiu em seu bom desempenho e classificação para a etapa final. Na entrevista, foi questionada sobre a escolha de uma obra da autora guineense Odete Costa Semedo para nortear sua pesquisa: “Disseram não ser usual o conhecimento daquela autora na graduação, pois normalmente os estudantes são apresentados a ela na pós. E elogiaram muito meu projeto”, alegra-se Meire, revelando que sua proposta de pesquisa para o mestrado – “Silêncio eloquente: tradições, feminino, silenciamento e retomada de discurso numa narrativa guineense” – foi uma ampliação do escopo de sua monografia de conclusão da graduação, orientada pela professora Norma Jacinto, na qual abordou apenas um dos contos de Odete, enquanto no mestrado analisará cinco.

Thiago e Meire Lucy: tensão durante seleção substituída por alegria da classificação. (Foto:  Pollyana Lopes)

Thiago e Meire Lucy: tensão durante seleção substituída por alegria da classificação. (Foto: Pollyana Lopes)

Thiago teve a mesma sensação de Meire, de que era um estranho no ninho entre os 25 candidatos que disputaram com ele as 5 vagas de Literatura Inglesa, pois a maioria se conhecia. No seu caso, a questão da prova foi sorteada e não escolhida. E o pior: o ponto sorteado foi justamente o que era total novidade e, portanto, não estava entre os assuntos abordados em provas passadas e que ele chegou a estudar. “Após o sorteio, 5 candidatos desistiram imediatamente, nem começaram a prova. No fim, 9 passaram para a entrevista. Fui o último a ser entrevistado, e acho que a segurança com que defendi meu projeto foi uma das razões de ter entrado”, avalia Thiago, atribuindo tal segurança à qualidade do projeto, e dividindo os créditos desta com seu orientador, professor Victor Ramos: “Ele foi fundamental para que eu soubesse exatamente o que estava fazendo”, diz o estudante, que no mestrado vai se debruçar sobre a insuficiência de gênero em “Orlando”, de Virginia Woolf.

Joyce: Atividades acadêmicas, como seminários e PIBID, ajudaram na preparação. (Foto: Gian Cornachini)

Joyce: Atividades acadêmicas, como seminários e PIBID, ajudaram na preparação. (Foto: Gian Cornachini)

Quando pensa na tranquilidade que teve para passar pelo processo seletivo, apesar de toda a dificuldade, Joyce logo se dá conta do tanto que as atividades realizadas no PIBID ajudaram nessa preparação. “Além das atividades em si nas escolas, teve os seminários, as semanas de Letras, a oportunidade de levar nossos trabalhos a outras universidades, a congressos, a interação com outros graduandos. Sempre com muito incentivo dos professores. Tudo isso deu muita força e experiência”, avalia a estudante, que pesquisará no mestrado a relação entre imagem e texto verbal. Sobre a prova, ela conta que chegou a estudar alguma coisa da bibliografia proposta no processo seletivo, mas acabou usando principalmente a base de conhecimentos vistos ao longo da graduação.

João Armando: livro oferecido por professor inspirou projeto de mestrado. (Foto: Gian Cornachini)

João Armando: livro oferecido por professor inspirou projeto de mestrado. (Foto: Gian Cornachini)

Anteriormente graduado em Psicologia, João Armando se formou aqui em Inglês, mas no mestrado da UFF entrou para o programa de Literatura Africana de Língua Portuguesa. O interesse, segundo ele, surgiu numa aula do professor Bruno Ferrari, que o apresentou à literatura de Mia Couto – autor que inspira sua pesquisa de mestrado – e se intensificou com as aulas das professoras Arlene e Norma. “Inclusive, quando me perguntaram na entrevista que sementinha é essa que tem na FEUC, eu logo pensei nelas. E em todos os outros professores, pois a formação que tive aqui foi de excelência. E fiquei muito feliz de ver que a qualidade da FEUC é reconhecida em todo canto”, elogia João Armando.

Thamyres diz que sempre sonhou com o mestrado, desde antes de entrar para a graduação. Por saber que seria muito difícil, vinha estudando há bastante tempo: “Estudei pelos meus cadernos da FEUC e não pelos livros da bibliografia. Cheguei a comprar alguns livros, mas com a falta de tempo, pois estou cursando a pós aqui, preferi

Thamyres: estudo feito a partir dos cadernos da graduação foi suficiente

Thamyres: estudo feito a partir dos cadernos da graduação foi suficiente. (Foto: Gian Cornachini)

estudar pelos meus antigos cadernos, e foi suficiente”, revela. Em sua pesquisa, Thamyres vai analisar o uso dos recursos pragmáticos na aquisição da linguagem por parte das crianças, dando continuidade ao que pesquisou na graduação. Ela agradece a seus professores da FEUC, especialmente à professora Lia, que foi sua orientadora na graduação e repete a parceria na pós em Língua Portuguesa. Diz que esse estímulo constante dos professores é crucial, pois lá fora as pessoas dizem que não vale a pena se esforçar pra fazer um mestrado, diante da situação do país: “Dizem que valorizam pouco, que eu não vou ter um emprego futuramente por conta dessa reforma do ensino médio… Mas eu acho muito interessante, até porque eu não estou estudando para o governo, não estou estudando para outras pessoas, estou estudando para mim”, afirma Thamyres, mandando um recado para quem gostaria de seguir o mesmo rumo, mas tem dúvidas: “Que os alunos confiem mais em si, porque falta essa confiança. Então é ter foco e pensar ‘quero passar’, e vai conseguir. Estuda e se esforça que consegue”.

Gratidão foi o sentimento mais mais expressado pelos alunos e alunas ao se referir a seus professores da graduação. Além dos respectivos orientadores, lembraram muito das aulas do professor Valmir Oliveira: “Quem mergulha com vontade no conteúdo que ele oferece não tem como não fazer um bom projeto”, pontua Meire. E Thiago revela outro grande prazer que teve durante a entrevista com a banca da UFF: “Me perguntaram o que que é FIC, e se a FEUC era uma federal. Aí eu pude falar bastante da nossa faculdade, pois eles viram a qualidade que os candidatos daqui apresentaram”.

Com Pós na FEUC e encontro anual, Psicopedagogia ganha visibilidade na Zona Oeste

Com Pós na FEUC e encontro anual, Psicopedagogia ganha visibilidade na Zona Oeste

Curso de especialização da instituição mantém projeto de clínica para atendimento a moradores da região e promove eventos voltados para profissionais que atendem no bairro e adjacências

Por Pollyana Lopes

A partir dos conhecimentos da Psicologia, da Psicanálise e da Pedagogia, a Psicopedagogia é um campo de estudos dedicado aos processos de aprendizagem principalmente de crianças, mas também de adultos. A área é relativamente nova, por isso pesquisas, cursos de formação e atuação profissional chegaram ao Brasil apenas na década de 1970. Também por este motivo, os profissionais ainda batalham juridicamente para ter sua atividade regulamentada. Em 2014, o Senado Federal aprovou o texto que regulamenta a profissão, mas a lei aguarda sanção da Presidência da República.

Apesar de já existirem algumas graduações em Psicopedagogia no Brasil, geralmente, a formação de um psicopedagogo acontece em cursos de pós-graduação especializada, como os oferecidos pela FEUC. Aqui, nós ofertamos os cursos de Psicopedagogia Clínica, mais voltado para a atuação em consultórios e atendimentos individuais; e de Psicopedagogia Institucional, com formação mais direcionada para o trabalho em escolas e empresas, por meio de projetos e prevenção. O curso de Psicopedagogia Clínica conta com carga horária de 660 horas/aulas, já o Institucional tem 360 horas/aulas. Ambos são voltados a portadores de diploma de graduação de uma maneira geral, e, em especial, pedagogos, psicólogos, professores, fonoaudiólogos, médicos, terapeutas e psicanalistas.

 Responsabilidade Social e aprendizado na clínica

 Dentre as disciplinas do curso de pós-graduação em Psicopedagogia Clínica, destacam-se quatro Estágios Supervisionados, que podem ser cumpridos externamente, em consultórios particulares, ou aqui na FEUC. Com acompanhamento da professora Leila Queiroz Evaristo da Silva, coordenadora do curso, estudantes matriculados em estágios III e IV fazem atendimentos gratuitos a crianças da região. Quem faz estágio III trabalha o diagnóstico da criança, e quem cursa estágio IV atua na intervenção do processo de aprendizagem.

"O lúdico desenvolve a afetividade e o cognitivo", explicou a professora Leila. (Foto: Pollyana Lopes)

“O lúdico desenvolve a afetividade e o cognitivo”, explicou a professora Leila. (Foto: Pollyana Lopes)

“Quando nós fazemos o trabalho psicopedagógico, nós fazemos uma análise, que é o que chamamos de diagnóstico, para poder entender como aquele aluno aprende, ou o que dificultou a sua aprendizagem. Podem ser questões emocionais, neurológicas, patológicas. E o psicopedagogo tem essa função, de descobrir, de diagnosticar o que o estudante tem e o que interfere na sua aprendizagem. A partir disso, a gente cria estratégias onde nós vamos trabalhar a intervenção dessa aprendizagem. Isso se dá através de jogos e atividades que façam com que ele desenvolva o aprendizado, principalmente da leitura e da escrita”, explica a professora Leila.

 

O atendimento feito pelas estagiárias acontece individualmente com as crianças. Porém, por entender a importância de trabalhar o comportamento das crianças em coletivo, assim como a proximidade afetiva com os pais, a professora Leila organizou oficinas de brincadeiras. Durante uma hora e meia, crianças e mães que são atendidas pelo projeto brincam de jogo da memória, rabo de foguete, dominó e tangram, entre outros.

Estagiárias, mães e crianças atendidas pelo projeto. Todos se divertiram na oficina. (Foto: Pollyana Lopes)

Estagiárias, mães e crianças atendidas pelo projeto. Todos se divertiram na oficina. (Foto: Pollyana Lopes)

 “Para mim foi bom porque eu brinquei com o meu filho de uma forma que eu não brinco em casa. Eu normalmente não tenho esse tempo, eu tenho outra menina também e eles acabam brigando. E aqui brincamos eu e ele. Para mim foi ótimo, foi uma coisa que não acontecia há bastante tempo”, contou Gisele Ramos Viana, mãe do Ryan Alex Viana Diniz.

“O afeto faz a criança se desenvolver, faz até a gente, enquanto adulto, se desenvolver e perceber quem é o nosso filho, quem somos nós nesse dia-a-dia, nesse corre-corre”, explicou, às mães, a professora Leila. “A gente cresce, mas não devemos deixar de brincar, porque o brincar é importante e essencial na nossa vida. Ele estimula, nos traz alegria, faz com que a gente extravase energias, faz a gente ficar mais leve”, acrescentou.

 Encontro Psicopedagógico

 Mais uma atividade desenvolvida pelo curso é o Encontro Psicopedagógico, que este mês realizou sua segunda edição. Voltado não apenas para os estudantes do curso de pós-graduação da FEUC, mas também psicopedagogos já formados, fonoaudiólogos e professores que atuam na região, o evento debateu temas pertinentes à área, projetos que dão certo e também trouxe histórias de profissionais de êxito.

Público do encontro esteve atento foi participativo. (Foto: Pollyana Lopes)

Público do encontro esteve atento e foi participativo. (Foto: Pollyana Lopes)

“O psicopedagogo de Copacabana, Botafogo, da Zona Sul em geral, já tem um nome, é reconhecido, é procurado. Nossa região também tem esses profissionais, mas eles estão quietinhos, escondidos, enquanto fazem um trabalho belíssimo. Eu tive uma preocupação de escolher profissionais da nossa região, que fazem esse trabalho e que muitas vezes não conhecemos”, explicou a professora Leila.

 Neste ano, no sábado inteiro de palestras, foram discutidos temas como educação especial e inclusiva, dislexia, paralisia cerebral, transtorno de conduta, a nova Lei Brasileira de Inclusão e dificuldades da aprendizagem na escrita.

Professora Leila destacou, durante o encontro, a importância de valorizar o profissional da região. (Foto: Pollyana Lopes)

Professora Leila destacou, durante o encontro, a importância de valorizar o profissional da região. (Foto: Pollyana Lopes)

Uma das palestrantes foi a professora da FEUC Maria José Brum, que é especialista em Libras e em Educação Especial e Inclusiva. Ela falou sobre os temas que estuda e ensina, e explicou o papel da escola na construção de uma sociedade mais igualitária.

 “Tudo parte da escola. A escola é o espaço de formação dos cidadãos, de formar os indivíduos, da cidadania. Mas há aquelas escolas que transformam a realidade do indivíduo, e há aquelas escolas que ainda reproduzem o que existe. Mas quem é a escola? A escola somos nós. E quando falamos sociedade, também somos nós”, analisou Maria José.

Professora Maria José explica a diferença entre exclusão, segregação, integração e inclusão. (Foto: Pollyana Lopes)

Professora Maria José explica a diferença entre exclusão, segregação, integração e inclusão. (Foto: Pollyana Lopes)

Outra palestrante foi Carla Silva, psicopedagoga atuante na região, que é especialista em Educação Infantil e em Educação Especial e Inclusiva. Ela falou sobre a dislexia, um transtorno decorrente de uma formação diferenciada de uma parte do cérebro, que dificulta a decodificação de códigos enviados durante o estudo e, assim, causa problemas na aprendizagem escolar, principalmente na leitura, escrita e soletração. Carla começou mostrando uma imagem que questiona o que não é “dislequisia”, que ela prontamente respondeu:

 “Insuficiência pedagógica não é dislexia. Eu recebo muitas crianças no consultório com queixa de alfabetização. E quando a gente vai investigar, na escola, com os pais, o material escolar, a proposta que o professor está trabalhando, é uma proposta que não atende as necessidades daquela criança. E quando você começa a trabalhar de uma forma que alcança a necessidade da criança, ela começa a aprender. E aí somem todos os problemas. O que a gente percebe é que muitas vezes as propostas pedagógicas não são pensadas para alcançar todos e sim a maioria”, explicou.

Carla Silva, que o I Encontro Psicopedagógico falou sobre o método das boquinha, este ano apresentou alguns aspectos pertinentes à dislexia. (Foto: Pollyana Lopes)

Carla Silva, que o I Encontro Psicopedagógico falou sobre o método das boquinha, este ano apresentou alguns aspectos pertinentes à dislexia. (Foto: Pollyana Lopes)

Serviço

 O atendimento psicopedagógico gratuito acontece às quintas e sextas-feiras, de 16h30 às 19h. Já os cursos de pós-graduação em Psicopedagogia Clínica e Psicopedagogia Institucional irão abrir inscrições em dezembro, com previsão de início das aulas para março.

Psicopedagogia - zona oeste (5)

Psicopedagogia - zona oeste (9)Psicopedagogia - zona oeste (8)

 

XXIII Octobermática: evento aborda a história da Matemática

 

Tradicional semana acadêmica do curso de Matemática, este ano a Octobermática trouxe comunicações, palestras e teatro sobre grandes nomes do universo numérico

Por Pollyana Lopes e Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

O curso de Matemática das FIC realiza, há 23 anos, a Octobermática, semana acadêmica que acontece em outubro, sempre com um tema diferente envolvendo aspectos científicos e pedagógicos da licenciatura. Na semana passada, entre os dias 3 e 6, o evento, que nesta edição abordou a história da Matemática, movimentou mais uma vez os estudantes do curso, que participaram ativamente como organizadores, ouvintes, expositores e, inclusive, como atores de uma peça teatral. Confira um resumo de como foi a semana:

Palestra

Em uma das palestras mais importantes, o professor da UFRRJ Pedro Carlos Pereira falou sobre a História da Matemática a partir da perspectiva brasileira e da educação matemática. Sem ignorar o papel essencial de nomes como Einstein, Newton e Galileu para o reconhecimento da importância da Matemática, ele destacou, em sua fala, grandes matemáticos brasileiros e o papel que eles tiveram no estabelecimento da Ciência e da Matemática no Brasil.

Professor Pedro também contou que teve trajetória parecida com os os alunos da FEUC. Ele também cursou graduação em universidade particular e trabalhou durante o dia para bancar estudar. (Foto: Pollyana Lopes)

Professor Pedro contou que teve trajetória parecida com os os alunos da FEUC. Ele também cursou graduação em universidade particular e trabalhou durante o dia para bancar estudar. (Foto: Pollyana Lopes)

O professor também falou, esmiuçadamente, sobre o início e o estabelecimento do ensino de Matemática no Brasil, primeiro a partir das escolas de engenharia, e apresentou argumentos sobre a importância da história da disciplina:

“História da Matemática não é só para contar que Pitágoras nasceu no ano tal, morreu no ano tal fez isso ou fez aquilo. É para entender porque ele pensou daquela maneira. Aí a gente precisa da História, da Filosofia. A gente precisa conhecer a psicologia daquela época para entender porque Pitágoras pensou daquela maneira e escreveu aquele teorema. Aí sim nós estamos formando cidadãos pela Matemática”.

Professor Pedro também contou que teve trajetória parecida com os os alunos da FEUC. Ele também cursou graduação em universidade particular e trabalhou durante o dia para bancar estudar. (Foto: Pollyana Lopes)

Pedro: “História da Matemática não é só para contar que Pitágoras nasceu no ano tal”. (Foto: Pollyana Lopes)

Ao final, a professora Gabriela Barboza agradeceu a participação do professor e destacou o papel do debate na formação dos estudantes:

“Dificilmente a gente vai lembrar de todos os fatos históricos que o Pedro contou aqui, mas uma coisa a gente entendeu: que a nossa profissão tem uma História e que ela foi construída ao longo de anos, ela é fruto de estudos e ela gera ainda muitos estudos futuros”.

Comunicações

Um dos momentos mais importantes do evento, as Comunicações repetiram, este ano, a alegria e criatividade dos alunos. Espaço para apresentar, de forma lúdica, assuntos referentes à temática da Semana, a atividade cumpriu também com outro objetivo: a integração entre os alunos. “A alegria, a confraternização, um ambiente fora de sala de aula, os alunos se abraçando”, assim foi descrita as Comunicações pelo professor Alzir Fourny, coordenador do curso, após assistir a uma apresentação de um funk matemático elaborado por estudantes justamente para o evento.

Estudantes apresentaram trabalhos no pátio da FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Estudantes apresentaram trabalhos no pátio da FEUC. (Foto: Gian Cornachini)

Grupos cumpriram com objetivo das Comunicações: levar conhecimento com alegria e interação. (Foto: Gian Cornachini)

Grupos cumpriram com objetivo das Comunicações: levar conhecimento com alegria e interação. (Foto: Gian Cornachini)

“A Octobermática tem essa leveza, um pouco de ludicidade, de alegria. Há esse trabalho em que a matemática não é profunda, complexa. Pega o mais simples, as ideias, para mostrar a importância de conhecer a história, a origem da Matemática, como surgiu a partir desses gênios”, explicou Alzir.

Alzir:

Alzir: “A Octobermática tem essa leveza, um pouco de ludicidade, de alegria”. (Foto: Pollyana Lopes)

Café, teatro, História da Matemática e muitas risadas

Outro ponto alto da XXIII Octobermática foi a encenação da peça teatral Café com História da Matemática, no último dia do evento. O enredo da apresentação tem como protagonistas um casal, em um café, que discute a formação do conselho de uma entidade fictícia que reúne grandes matemáticos, inclusive eles mesmos. Interrompidos, frequentemente, por garçons que apresentam algum matemático famoso para história da disciplina, o debate fica mais acalorado, o casal se irrita mutuamente e tudo termina em uma grande guerra de comida, cessada apenas pelo professor Alzir Fourny Marinhos, que interpretou ele mesmo na peça. Fazendo várias referências aos professores das FIC, o trabalho apresentado pela turma do 5º período arrancou gargalhadas e conquistou o público.

Em meio a muitas risadas, informações importantes foram apresentadas no texto da peça Café com história da Matemática. (Foto: Pollyana Lopes)

Em meio a muitas risadas, informações importantes foram apresentadas no texto da peça Café com história da Matemática. (Foto: Pollyana Lopes)

Texto da peça de teatro trouxe uma série de referências aos professores do curso de Matemática da FEUC, que estavam presentes e entraram na brincadeira. (Foto: Pollyana Lopes)

Texto da peça de teatro trouxe uma série de referências aos professores do curso de Matemática da FEUC, que estavam presentes e entraram na brincadeira. (Foto: Pollyana Lopes)

 

Guineenses e FEUC se unem para discutir a Guiné-Bissau no dia de sua independência

 

O aniversário de 43 anos da independência do país africano é comemorado no dia 24 de setembro; a data foi marcada por uma manhã de reflexão que integrou a comunidade guineense, alunos das FIC e estudantes da região

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Com o objetivo de pensar a Guiné-Bissau em seu 43º aniversário de independência, a Associação dos Estudantes Guineenses no Estado do Rio de Janeiro (AEG-RJ) realizou hoje, dia 24 de setembro, o encontro “Nô Pensa Guiné-Bissau” (Refletir a Guiné-Bissau). A FEUC, em parceria com o grupo, mais uma vez cedeu espaço para que o evento acontecesse na Zona Oeste e, assim, pudesse promover troca cultural entre brasileiros e alunos e intelectuais do país africano. A atividade contou com uma exposição de roupas e tecidos típicos, além de palestras e debates.

Corredor do Auditório FEUC teve exposição de roupas e tecidos típicos. (Foto: Gian Cornachini)

Corredor do Auditório FEUC teve exposição de roupas e tecidos típicos. (Foto: Gian Cornachini)

O mestrando em Sociologia na UFF Tchinho Kaabunke fez, em sua fala ao público, um panorama histórico da Guiné-Bissau, desmistificando a ideia de que o poder sobre a África aconteceu unicamente com o domínio pelos povos europeus. Kaabunke relembrou elementos da ancestralidade africana e citou a invasão árabe a partir do século VII no continente, ressaltando que o local sempre foi alvo de disputas territoriais.

Tchinho Kaabunke, mestrando em sociologia na UFF, fez panorama histórico da Guiné-Bissau. (Foto: Gian Cornachini)

Tchinho Kaabunke, mestrando em sociologia na UFF, fez panorama histórico da Guiné-Bissau. (Foto: Gian Cornachini)

Já Timótio Saba M’Bunde, mestre em Ciência Política, trouxe para o centro do debate os desafios que a Guiné-Bissau enfrenta, hoje, para se afirmar como um estado democrático de direito: “É um país caracterizado por golpes parlamentares, rupturas do funcionamento normal do Estado, e isso tem dificultado a própria afirmação da democracia, pois, em 43 anos de independência, nunca concluiu um mandato democraticamente eleito pelo povo”, observou M’Bunde.

Timótio Saba M’Bunde, mestre em Ciência Política, falou sobre o estado democrático de direito no país africano. (Foto: Gian Cornachini)

Timótio Saba M’Bunde, mestre em Ciência Política, falou sobre o estado democrático de direito no país africano. (Foto: Gian Cornachini)

Na avaliação da coordenadora do curso de Ciências Sociais das FIC, professora Célia Neves, pensar a realidade política da Guiné-Bissau nos leva também a atentar para os recentes fatos da história política de nosso país, como o impeachment da presidente Dilma Rousseff — também eleita democraticamente pelo povo, mas julgada e deposta por parlamentares sem aprovação unânime da sociedade: “Tudo isso discutido aqui é importante até para nós, em nosso processo democrático, porque a gente é obrigada a pensar os nossos processos de rupturas política que sofremos aqui”, disse ela.

Célia Neves, coordenadora de Ciências Sociais das FIC, relacionou o tema com a atual conjuntura política no Brasil. (Foto: Gian Cornachini)

Célia Neves, coordenadora de Ciências Sociais das FIC, relacionou o tema com a atual conjuntura política no Brasil. (Foto: Gian Cornachini)

Além do âmbito político, o debate também se voltou para o estereótipo negativo que os países ocidentais criam sobre nações do continente africano. Hilenio Silva Monteiro, guineense e membro da organização do evento, foi categórico ao culpar a mídia por grande parte desse preconceito: “O Brasil precisa pesquisar muito sobre a África e não se informar pela mídia. O que a gente aprende por ela é a dominação por dinheiro, a fome, a ideia de que tudo na África é ruim — e quando é bom, pinta-se a imagem para que não seja mérito dos países africanos, mas da Europa…”, apontou ele, completando: “Quem aprende somente pela mídia, é condenado à inocência total”.

Hilenio Silva Monteiro, membro da organização do evento, criticou a mídia por criar esteriótipos negativos sobre a África. (Foto: Gian Cornachini)

Hilenio Silva Monteiro, membro da organização do evento, criticou a mídia por criar esteriótipos negativos sobre a África. (Foto: Gian Cornachini)

A estudante Renata Azevedo, do 1º ano do Ensino Médio do Instituto de Educação Sarah Kubitschek (IESK), reconhece ter uma visão distorcida sobre a África, e também culpa a mídia televisiva por isso: “Vendo pela TV, quando fala da África, a gente só vê criança desnutrida, com fome e sede. E aqui a gente viu uma realidade diferente. Também só é falado do homem europeu como invasor, e eu não sabia que os árabes foram lá antes dos portugueses”, relatou Renata, que aprovou a proposta do evento: “Eu adorei, adorei esse contato com eles. Só não vou ficar para o debate porque tenho reposição de aula no Sarah daqui a pouco”.

Renata Azevedo, aluna do 1º ano no IESK, relatou ter visão distorcida sobre o continente africano, muito pelo o que vê na TV. (Foto: Gian Cornachini)

Renata Azevedo, aluna do 1º ano no IESK, relatou ter visão distorcida sobre o continente africano, muito pelo o que vê na TV. (Foto: Gian Cornachini)