Coisa que a gente nem imagina que é, é

 

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Natácia Evilen Queiroz Araújo
Graduanda do 6º período de Letras/Literaturas e bolsista do Pibid/FIC

 

Era uma vez um menino chamado Masala. Ele era pretinho da cor do café. Ele se achava diferente porque os meninos de sua escola eram branquinhos da cor do leite. O cabelo de Masala era duro que nem água entrava, e os dos outros meninos eram molinhos que da água escorria.

Um dia, vó Antônia, sentada na sala, mostrava toda orgulhosa as fotos de família.

— Quem é essa gente toda vestindo esquisito, vó?

Vó Antônia riu e pôs-se a explicar:

— Essa gente pretinha e bonita é nossa família. Todos de um país muito lindo na África: Guiné-Bissau. Sua velha vó aqui veio de lá, sabia?

Masala olhou… Olhou… Olhou…

Até que o olho parou pra olhar um menino na fotografia. O menino que ele via tinha seu tamanho e era tão pretinho como ele, da cor do café. Masala o achou risonho e até parecido. Ele ficou curioso pra saber mais:

— Vó Antônia… E esse aqui?

— Ah, meu brotinho… Esse? Esse é Masala, meu irmão e seu tio-avô.

Masala ficou mais abismado ainda: que diabo! Como podia aquele menino tão pretinho da cor do café ser tão parecido com ele e ainda ter seu nome?

Vó Antônia, que não era boba, percebeu o estranhamento e os dois olhos arregalados do moleque, e começou a contar:

— Seu tio-avô foi um menino muito corajoso como você. Ele era da tribo Fula, toda nossa família veio de lá.

E continuou:

— A noite da África é a mais bonita do mundo, sabia? E veja bem que o mundo é bem grande! Os nossos dentes são brancos como as estrelas e nosso cabelo é forte como as árvores de nossa terra! Um dia, tivemos de sair de lá, viemos para o Brasil, e muitos de nós para outros países para que o nosso povo colorisse os outros povos.

— Igual no arco-íris, vó?

— Sim, filho. Tem um bocadinho da tinta que pintou nossa cor em cada pedacinho desse mundão. Tem fruta nossa, tem músicas, instrumentos, histórias, brincadeiras e muito mais! Até coisa que a gente nem imagina que é, é.

— Vó… Meu cabelo é forte igual de árvore?

— Sim, filho.

— Minha cor é cor da noite?

— Sim, filho. É sim.

— E meus dentes, vó? São as estrelas da minha noite?

— Sim, meu pequeno. E da minha noite também. Seu sorriso “alumeia” que chega a arrepiar minha noite — disse vó Antônia, apontando pra pele.

— Vó…

— Diga, meu pequeno…

— A água que sai do olho da gente é igual à dos brancos porque a gente chora amor, né?!

— Sim, meu filho… É sim. (A essa altura, vó Antônia era puro orgulho).

— E o amor não tem cor, né vó?!

E vó Antônia, emocionada, lavou a noite dela de amor enquanto Masala brincava feliz exibindo suas estrelas branquinhas.

Imprensa e Política: fiscalização do poder público ou autopromoção?*

 

 

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Fabrício Ferreira de Medeiros

Graduando do 7º período de História e bolsista PIBID/FIC

 

A Imprensa é um dos personagens mais presentes em nosso cotidiano. Através de jornais, revistas etc., apreendemos acontecimentos que fogem à nossa experiência pessoal. Por sua vez, os órgãos de comunicação costumam atribuir grande importância a seus serviços prestados à sociedade, enquanto agentes de mediação entre o poder político (agentes e instituições públicas) e o povo. Apresentam-se na condição de fiscalizadores do poder público. Contudo, a Imprensa não se define apenas por informar o cidadão.

Como observou Nelson Werneck Sodré, “a história da imprensa é a própria história do desenvolvimento da sociedade capitalista”. A partir do momento em que o jornal deixa de ser produzido artesanalmente, no decorrer do século XIX, e se torna um produto industrial, seu caráter sofre alterações. O jornal, aponta Francisco Surian, “continua a apresentar-se como legítimo guardião da liberdade de imprensa”, porém passa a ser instrumento de novos interesses. “Na qualidade de empresa, preocupa-se mais com as necessidades da empresa, insere-se no jogo do mercado, necessita gerar lucro e afasta-se da defesa da cidadania e dos direitos do cidadão”. Ainda assim, os grandes jornais de hoje (Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo etc.) se consideram fiéis intérpretes da opinião pública.

Consta nos Princípios Editoriais do Grupo Globo, por exemplo, que “só se divulga informação relevante”. Obviamente, a atividade jornalística é limitada e seletiva, sendo impossível noticiar tudo o que acontece na sociedade. Então, cabe a pergunta: será que os interesses de uma empresa midiática, como o Grupo Globo, que fatura bilhões de reais por ano, são os mesmos do trabalhador assalariado? Dificilmente.

Portanto, os jornais tendem a se afastar do papel de simples fiscalizadores do poder público, na medida em que têm como objetivo maior o lucro. Além disso, a Imprensa não só informa, como também busca influenciar o público leitor/telespectador, enfatizando determinados “princípios de visão e divisão” do mundo social em detrimento de outros, diria Pierre Bourdieu. Ao dizer “conflito” em vez de “massacre”, noticiando a relação estabelecida entre uma determinada categoria profissional (professores, garis etc.) e as forças policiais, em meio a um ato de reivindicação de direitos trabalhistas, o jornal interpreta o acontecimento de acordo com os interesses e valores de seu grupo diretor. Em suma, há uma distância enorme entre a autoimagem da Imprensa e seus noticiários que precisa ser questionada.

*Este artigo é parte de pesquisa (em andamento) para o Trabalho de Conclusão de Curso, sob orientação da professora Nathalia Faria, em que é analisado o posicionamento político e ideológico do jornal O Globo nas eleições presidenciais de 1994 e 1998.

Educar é fazer pensar!

 

Jayme Ribeiro
Jayme Ribeiro
Doutor em História pela UFF e professor das FIC

Durante boa parte do século XX, os livros didáticos assumiram lugar de destaque na relação ensino-aprendizagem. Em muitos momentos, em diversas realidades educacionais do país, ainda é o único instrumento de pesquisa e ensino para alunos e professores.

Objeto padronizado e condicionado por formatos e linguagens, o livro didático não é neutro. Segundo Gimeno Sacristán, por trás do “texto”, há toda uma seleção cultural que apresenta o conhecimento oficial, colaborando de forma decisiva na criação do saber que se considera legítimo e verdadeiro, consolidando os cânones do que é verdade e do que é moralmente aceitável. Desse modo, os livros didáticos tornam-se veículos portadores de um sistema de valores, de ideologias e de uma cultura, visando servir de mediador entre a proposta oficial do poder, por intermédio dos programas curriculares, e o conhecimento escolar ensinado pelo professor.

Por outro lado, é possível pensar no livro didático como lugar de memória, na medida em que contribui para perpetuar uma determinada memória sobre agentes ou fatos históricos. Pode-se verificar também, através de sua análise, uma memória historiográfica, na qual a produção e o discurso historiográfico de uma época podem ser encontrados.

Os estudos acadêmicos produzidos atualmente têm contribuído bastante para relativizar o seu papel de “vilão da História”. Desde o século XIX, ele tem sido utilizado de diversas formas e sob diferentes realidades. Contudo, possui uma função básica que atravessa os tempos: a transposição didática, isto é, a passagem do saber acadêmico ao saber ensinado. No entanto, não se pode pensar o livro didático apenas como mero reprodutor do saber produzido nas universidades. Ele atua na ressignificação do saber acadêmico criando um novo saber: o saber escolar. Além disso, pode auxiliar o domínio da leitura e da escrita em todos os níveis de escolarização, serve para ampliar informações, possui uma linguagem mais acessível, articula outras linguagens que não a da escrita, fornecendo ao estudante maior autonomia frente ao conhecimento e auxilia a aquisição de conceitos básicos do saber acumulado historicamente.

Assim, é possível perceber que o livro didático, mesmo possuindo uma série de limitações técnicas, econômicas e ideológicas, quando utilizado de maneira crítica pelo professor, torna-se um instrumento importante na relação ensino-aprendizagem. Não se pode esquecer jamais que o foco da educação é o educando. Nesse sentido, educar é fazer pensar, pois o professor deve ter uma postura crítica frente aos materiais escolares e estimular a reflexão e o questionamento em suas aulas. Desse modo, não tornará o livro didático o único guia e mestre de suas práticas, principalmente por saber que quem atua no processo transformador da educação, incentivando, auxiliando e mediando os conhecimentos é o professor, e não o livro didático.

A legitimação do desamparo

 

Meire Lucy Cunha Araujo
Por Meire Lucy Cunha Araujo
Graduanda do 4º período de Letras/Literaturas e bolsista PIBID/FIC

Vivemos uma era de discursos inflamados em favor da redução da maioridade penal. Nesta era falamos em dar um basta na “educação marxista”, convocamos panelaço, lamentamos a queda de um avião em São Paulo por três ou quatro dias, mas nos esquecemos dos incidentes do Morro da Serrinha ou do Complexo do Alemão no dia seguinte.

Não me parece absurdo afirmar que esta era revela uma obscuridade devastadora. Criamos estatísticas com a oferta crescente de vagas nas escolas públicas, agredimos os professores que atendem a essa demanda, nos empenhamos em manter baixíssimos os índices de reprovação escolar, transformamos nossas escolas em fábricas com engrenagens enferrujadas e ineficientes, convivemos tranquilamente com o número alarmante de óbitos de jovens e adolescentes (em sua maioria, negros e pobres), desde que no fim do intervalo comercial voltemos a assistir nossa novela ou episódio de reality show sem maiores incômodos. Falamos sobre quase tudo: corrupção, futebol, o reajuste da conta de energia elétrica, propaganda publicitária, olimpíadas, feriados prolongados, copa do mundo, menos no desamparo institucional de uma população que está à mercê da criminalidade ao mesmo tempo em que está sendo criminalizada.

Enquanto futura professora, não consigo ter uma perspectiva que normaliza esse cenário social. Vejo com pessimismo uma postura pública que opta por punir ao invés de educar e uma estrutura social com forte vínculo midiático que culpa as vítimas desse desamparo em suas vulnerabilidades. Refletindo sobre a proposta de lei da redução da maioridade penal, uma indagação me foi feita: quantos de nós ainda precisaremos morrer esfaqueados para que se tome uma atitude rumo à redução dessa estrutura social violenta? Não tenho essa reposta. Não sei se um dia terei essa resposta, e isso me incomoda. Mas é fato que muitos de nós já vêm morrendo nas periferias há muito tempo, e não é de facada. Os agressores de hoje foram as vítimas de ontem. Reduzir a maioridade penal no Brasil hoje é legitimar a negligência estatal, é punir o algoz que também é vítima.

Sou mulher negra, pobre e favelada. Conheço a realidade cruel do desamparo. Minha redenção? Educação. Educação crítica, de qualidade, e não essa de carteiras escolares em esteiras industriais. Fui impactada por professores que, assim como eu, acreditam na essência humanizante da educação. Questionei minha realidade. Questionei meu desempenho ante a minha realidade e a transformei. Aprendi o caminho e estou convicta de que ele está aberto a todos nós. Daqui a pouco tempo, a guia serei eu.

Juntas, trilhando um caminho de longevidade e afetividade

 

O terno olhar da professora Irene Vianna sobre seus quase 50 anos convivendo com a FEUC

 

DSC_0185Por Irene da Silva Vianna da Silva
Graduada em Letras Neolatinas e especialista em Português e Literaturas, é a mais antiga funcionária da FEUC ainda em atividade

Minha atuação como educadora se baseia primordialmente nas palavras de Pestalozzi: “O ensino para ser efetivo tem que ser afetivo”.

Afeição é a palavra chave para o desempenho prazeroso de um propósito. Leva-nos a amar o que fazemos, a nos importar com o outro.

Nestes meus tantos anos de existência, exerci algumas atividades (inspetora de alunos, escriturária), mas só ser educadora me faz feliz. Desde 1958, dedico-me a essa tarefa. Empenho-me em motivar o aluno, mostrando-lhe as diversas maneiras que ele pode usar para avançar e crescer como criatura e cidadão. Avançar é aprender.

Na FEUC, desde 1966, realizo-me plenamente. É minha segunda casa. Aqui me formei em Letras, em 1969. No ano seguinte comecei a lecionar na instituição, junto ao saudoso professor Almo Saturnino. Hoje, em que pese o fato de estar aposentada, continuo na FEUC com muita honra e alegria.

Durante toda essa trajetória, acompanhei o crescimento da FEUC e procuro dar uma parcela de contribuição exercendo minha tarefa educativa.

Nos idos dos anos 60/70, quando meu caminho se cruzou com o da FEUC, tudo era bastante diferente do que vejo hoje. O crescimento da faculdade se deu de forma expressiva. O pequeno prédio sede da instituição se tornou um amplo edifício com muito mais conforto e comodidade. A modernidade chegou e trouxe junto de si a internet, as redes sociais, novas e diversas formas de comunicação causando grande revolução no ensino. E a nossa instituição acompanhou passo a passo todas as transformações.

Vi o crescimento da FEUC no seu aspecto físico, sua modernização, sua pujança. No entanto é o que existe intrinsecamente na FEUC que me encanta e seduz. Formamos uma família com os altos e baixos desse tipo de relacionamento. Juntos, durante toda a trajetória da instituição, enfrentamos e vencemos dificuldades.

Há entre os que aqui trabalham e estudam um elo fraterno, um companheirismo concreto, uma dedicação carinhosa. Esse clima manifesta-se e contagia. Faz com que se estreitem e se fortaleçam os laços que nos unem e o entusiasmo que nos leva sempre a aumentar nosso orgulho de pertencer aos quadros da consagrada casa de ensino.

Muito além do ensino técnico

 

Ana Lúcia Rimes, professora de Língua Portuguesa no CAEL e nas FIC, fala sobre a qualidade do curso de Formação Geral do Colégio e o sucesso de nossos egressos

 

Ana Lucia RimesPor Ana Lúcia de Oliveira Cruz Rimes
Mestre em Letras Vernáculas pela UFRJ e professora de Língua Portuguesa no CAEL e nas FIC

O Colégio de Aplicação Emmanuel Leontsinis, mais conhecido como CAEL, é um divisor de águas em Campo Grande e adjacências. Atuando há mais de 50 anos, conta com uma equipe qualificada, com professores altamente preparados e técnicas de ensino e laboratórios modernos. Já formou inúmeros profissionais de qualidade, reconhecidos no mercado de trabalho. Grande parte atua no Estado do Rio de Janeiro, mas muitos desempenham suas atividades em outros estados. A instituição tem contribuído em diferentes áreas, que vão de cursos voltados para o cuidado, como é o caso de Enfermagem, até Química, Administração, Eletrotécnica, que são clássicos, e Informática, Petróleo e Gás e Turismo, mais modernos, acompanhando a tendência do mercado, só para citar alguns. Nossos alunos têm conseguido excelentes colocações em seus projetos pelo Brasil, em todas as feiras tecnológicas de que participam, e até mesmo no exterior. Já levamos mais de uma vez projetos premiados aos Estados Unidos, o que nos deixa muito satisfeitos, visto que trabalhamos em prol da excelência da formação de profissionais engajados e comprometidos.

No entanto, não é apenas na área técnica que temos nos destacado. O CAEL, hoje, conta com um curso de Formação Geral especialmente criado para quem deseja cursar uma universidade, pública ou particular, ou ainda almeja fazer algum outro concurso para ingressar nas Forças Armadas e afins. Temos, assim, um planejamento e estratégias voltados especificamente para esse público, também crescente em nosso Estado e não menos importante.  Nossos professores têm vasta experiência em cursos preparatórios, elaboração de material didático para concursos e cursinhos; participam também da implantação de novas tecnologias no fazer pedagógico, como é o caso de Física, Química, Biologia e Matemática. Além do mais, contamos com mestres e especialistas em nosso quadro acadêmico, alguns com trabalhos publicados e reconhecidos, e outros atuando no Ensino Superior.

O resultado de tanto empenho não poderia ser diferente: nossos alunos egressos estão em toda parte, aprovados com louvor nos vestibulares mais concorridos, tanto em instituições federais como estaduais. É com orgulho que podemos dizer que já contamos com médicos, advogados, jornalistas, escritores, biólogos, psicólogos, todos formados, e ex-alunos do Colégio de Aplicação Emmanuel Leontsinis. Há pouco tempo recebemos uma visita feliz: a escritora Mariana, que acabara de chegar dos Estados Unidos para lançar seu livro aqui e mereceu uma nota nesta revista. Guilherme Souza, outro escritor, que já conta com dois livros, “Céu” e “A Lista: o Rei de Nova York”, ainda cursa Direito e já pensa em uma segunda faculdade, a de História. Há aqueles que preferiram cursar uma federal em outro estado, como Carlos Neves, e os que optaram pela carreira militar, como Daniel Fernandes, aprovado em concurso dificílimo para a AMAN. Não podemos nos esquecer dos que seguem seus estudos aqui mesmo, nas FIC, ou estão pertinho cursando Engenharia, Arquitetura, Nutrição… São muitos nomes!

Todos os anos, temos agradáveis notícias de aprovação no ENEM e em outros vestibulares. Os alunos sempre voltam para rever seu colégio, seus professores, amigos e funcionários. Nesse momento, a alegria é enorme, e não é possível descrever a satisfação que há em saber que, embora não tenham concluído os cursos escolhidos ainda, estão bem, e encaminhados.

É o CAEL contribuindo com a educação e fazendo a diferença.

Monografia: essa palavra assusta?

 

Victor Ramos da Silva - FEUCPor Victor Ramos da Silva, pesquisador (UFF/GEPEX) e professor de Extensão e
Pós-Graduação nas FIC

Costumo dar cursos sobre preparação de monografias, artigos e projetos, e sempre observo como essa etapa da vida acadêmica – a produção de textos científicos – tem o poder de assombrar o graduando. Do friozinho na barriga ao pânico absoluto, os relatos são variados. Mas, afinal, como evitar tanta preocupação, nervosismo e noites mal dormidas?

Acredito que o fundamental seja a questão da disciplina e da organização. Você deve começar a pesquisar sobre seu tema bem antes do início da produção. Quanto às tantas regras da ABNT, basta ter um modelo de monografia (ou projeto) e digitar por cima. Não é crime, não é pecado, não é errado… Se você já está em fase final e não sabe lidar muito bem com o computador (não deixe isso acontecer!), pode ter ajuda de pessoas da área da informática: pagar por formatação e revisão adequadas não é errado também. O único erro é plagiar ideias. O uso da criatividade alheia, seja quando você “compra” um trabalho, seja quando “copia” páginas de alguém, isso sim é CRIME! E seu orientador, profissional experiente no assunto, tem mecanismos para detectar a fraude.

Se tem dificuldades na redação, a leitura de bibliografias e os conselhos de seu orientador vão ajudá-lo a evoluir, mas você também pode encontrar dicas na internet sobre a produção de textos (inclusive textos acadêmicos). Esmerar-se nessa arte é garantia não apenas de uma bela monografia, mas também de estar pronto(a) para questões discursivas, redação ou projeto que tenha de desenvolver ao longo de sua carreira. As instituições que fomentam pesquisas (CAPES, FAPERJ etc.) abrem editais para financiar pesquisas e sempre exigirão um projeto bem elaborado. Esses financiamentos são altos, além das bolsas ofertadas nos cursos de mestrado (R$ 1.500) e doutorado (R$ 2.200). Ganha bolsa aquele com melhor produtividade e capacidade de relatar seus “feitos” nesse tipo de texto. Você ainda acha que a monografia e o projeto são desnecessários em seu processo de formação?

 

Algumas dicas de ouro:

 

1. As recomendações de seu orientador devem ser seguidas, afinal ele quer o melhor de seu trabalho – que também trará benefícios a ele;

2. Você só terá autonomia para “mandar no seu texto” após o doutorado. Até lá, guarde para si suas “opiniões”; afinal, você está escrevendo um trabalho científico;

3. Salve tudo em vários lugares, preferencialmente online, pois pendrive some, computador quebra, notebook é roubado, papel molha e ideias somem;

4. Tenha um arquivo (ou caderno) chamado “citações” para reunir trechos longos e curtos que pretende usar em seu trabalho, separados por assunto, com nome do autor, obra e página, para não ter que abrir tudo quanto é livro na hora de escrever;

5. Leia tudo o que puder antes de começar a escrever, pois estando por dentro do tema terá mais tranquilidade na hora da escrita;

6. Organize-se e cumpra prazos, reservando horário para pesquisar, coletar dados, analisar e escrever. Eu, por exemplo, na fase de elaboração, cursava 7 disciplinas e dava aula para 27 turmas em 3 cursos e 2 escolas… e não precisei ficar noites sem dormir;

7. Quando estiver sem inspiração para escrever, vá revisando, formatando e cuidando das partes pré-textuais. Revise sempre e tenha um amigo revisor, para que seu orientador preocupe-se apenas com o conteúdo.

 

Se ainda assim precisar de ajuda, o curso “Metodologia do Trabalho Acadêmico: Monografia, Artigo e Projeto” será oferecido a partir do dia 19/09/2014, em dois horários semanais, de manhã e à noite. As inscrições podem ser feitas na Secretaria da Pós. Custa R$ 40 e inclui material didático, certificado e cinco aulas.

 

Um ano para ser lembrado

 

Por Leda Corrêa de Noronha

Diretora Geral da Universidade Aberta à Terceira Idade em Campo Grande (UNATIC)

O ano é 1994. A razão pela qual ele deve ser lembrado é muito simples, mas nem por isto menos importante. Neste ano foi sancionada, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, a Política Nacional do Idoso — primeiro documento a registrar a preocupação dos governantes com a situação desse segmento da população.

A rapidez do processo de envelhecimento da população brasileira, os preconceitos, os comportamentos discriminatórios em relação ao idoso têm sido constantes, ao longo dos anos, em um país onde se valoriza a juventude, a beleza e o dinamismo. Nele não é fácil envelhecer com dignidade, superando a visão social generalizada de incapacidade produtiva e doença — enfim, de um peso para a família e a sociedade.

O processo de envelhecimento, além de biológico, é também uma construção social: ninguém escapa dele a não ser pela morte prematura.

Algumas instituições procuraram e procuram alterar a situação, e a Política Nacional do Idoso sugere a criação da Universidade Aberta para a Terceira Idade — as UNATI.

Fiel ao espírito com que foi criada (em 1960) de servir a comunidade de Campo Grande, a FEUC (Fundação Educacional Unificada Campograndense) mantém desde 04/08/1994 a UNATIC (Universidade Aberta à Terceira Idade em Campo Grande) — primeiro núcleo a oferecer atividades para a terceira idade em Campo Grande.

Hoje, decorridos vinte anos, a UNATIC, que teve início com pouco mais de uma dezena de pessoas, é integrada por mais de 100 (cem) pessoas, sem que tenha havido em todos esses anos qualquer tipo de propaganda; elas chegam por convite, indicação médica ou por verem pessoas com o uniforme nos passeios, nas ruas de Campo Grande ou adjacências.

1994 foi também um ano marcado por uma tragédia, nele morreu o sempre querido e lembrado piloto de fórmula 1 Ayrton Senna, na curva Tamborello, em Imola, Itália; assim é a vida, com altos e baixos, com alegrias e tristezas… O show da vida não pode parar — é inexorável esta lei.

Por último, mas não menos importante neste show, tivemos a conquista do tetracampeonato mundial de futebol — fato que naquela época empolgou os brasileiros como hoje o faz a esperança do hexa.

Orgulho de ser técnico e de formar novos técnicos

 

DSC_4292Por Carlos Vinícius N. Barbosa
Técnico em Eletrônica, Professor e Supervisor Técnico do CAEL

Em décadas passadas, mais precisamente nos anos 90, a economia brasileira não apresentava números tão satisfatórios como nos dias atuais. Naquela época – 1992 – eu iniciava minha formação profissional na área de eletrônica, na Escola Técnica Estadual Visconde de Mauá. Era então a única alternativa que tinha para mudar de vida, pois naquele tempo restava aos estudantes das famílias de baixa renda a Escola Técnica. Os empregos que remuneravam um pouco melhor estavam nas indústrias, mas os postos de trabalho eram escassos e de alta competitividade.  Realidade esta que vem sendo modificada ao longo dos anos, por meio de políticas econômicas que recuperam o poder de compra do salário mínimo e aquecem a indústria de bens e serviços no Estado do Rio de Janeiro.

Em 1994 me formei técnico em Eletrônica. Motivado pela possibilidade de emprego – já que este era o discurso de meus professores da Escola Técnica – candidatei-me a inúmeras vagas de estágio. O que foi frustrante, pois o perfil das tais vagas nunca era o meu. Insisti muito, até que, seis meses depois de formado, fui convidado para estagiar em uma empresa de manutenção de equipamentos de microinformática, ramo então em alta devido à abertura das importações. Foi meu primeiro contato com o mercado de trabalho – um mundo completamente diferente, desafiador, e no qual eu, agora profissional, tinha que tomar decisões e opinar tecnicamente sobre os equipamentos e as rotinas da empresa.

Foi difícil, mas consegui superar com êxito. Em quatro meses de trabalho, o estágio se tornou emprego. Meu primeiro emprego, meu primeiro salário…

Com a empolgação da idade e do momento mágico que estava vivendo, retornei à Escola Técnica para agradecer meus professores pela formação que me deram, pois foi com ela que conquistei trabalho. Para minha surpresa, um dos coordenadores me convidou a dar palestra aos alunos e mostrar-lhes como a formação técnica que recebiam poderia resultar em uma trajetória profissional bem interessante. Aceitei o desafio, e gostei tanto daquele contato, de trocar experiências e passar adiante o que aprendi, que acabei abandonando os estudos de engenharia e ingressei na faculdade de formação de professores para a área de Eletrônica.

Há 17 anos vivo esta realidade de ensinar e transformar vidas. Por meio do trabalho em sala de aula – em especial no curso de Eletrônica do CAEL, no qual lecionei por mais de uma década – pude observar o sucesso de nossos alunos, que hoje estão espalhados por este imenso Brasil, atuando em empresas públicas e privadas. Cabe ressaltar que o país vive hoje um momento bastante promissor para todas as carreiras técnicas. Basta ver o destaque que o Governo Federal tem dado à formação profissional, em diversos programas de incentivo à qualificação e requalificação profissional.

E você, está esperando o quê?

Quem é o dono da gramática?

 

Hudson 030Por Hudson dos Santos Barros
Doutor em Letras (Literatura Comparada), escritor e professor da FAETERJ, da Faculdade Machado de Assis e do Município do Rio

O advento da linguística trouxe nos últimos anos muitas discussões acerca do papel da gramática no ensino da leitura e da escrita. Inúmeros são os linguistas que questionam a natureza prescritiva das gramáticas tradicionais, sendo a principal direcionada ao conjunto de leis e classificações sem tanta ligação com o cotidiano das modalidades orais e escritas do nosso idioma. Para muitos, sejam pesquisadores ou não da língua portuguesa, gramática é sinônimo de opressão ou distanciamento. Tendo em vista essas problematizações, foi proposta no Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa, em Goiânia, em julho passado, uma mesa-redonda que reuniu os principais gramáticos da atualidade. Com o título “Defino minha/nossa gramática como…”, a mesa teve o objetivo de apresentar e discutir os diferentes pressupostos de elaboração das principais gramáticas de circulação nacional, apresentando os pontos de vista de consagrados estudiosos da língua portuguesa da atualidade. O encontro revelou profissionais atentos ao desenvolvimento dos estudos linguísticos: a imagem do gramático como uma autoridade indiscutível e distante cedeu lugar à realidade de profissionais críticos de seu próprio trabalho, de estudiosos que reconhecem suas limitações diante da imensidade das manifestações linguísticas.

Um significativo tema que norteou as falas dos convidados foi a questão da aplicabilidade dos conteúdos gramaticais, isto é, a relação destes com o uso do português no dia a dia. Perini alertou que a gramática deve ter utilidade, deve contribuir para a formação científica dos jovens. José Carlos Azeredo enfatizou que o estudo da gramática deve se associar à funcionalidade da língua para a construção do conhecimento e para o seu compartilhamento. De modo similar argumentou Ataliba Teixeira de Carvalho ao frisar que as gramáticas precisam focalizar os usos básicos da língua, visto que as línguas naturais são o ponto mais alto de nossa identidade. Já Marcos Bagno defendeu a autenticidade do vernáculo brasileiro e sua validade ao lado de uma norma padrão de caráter prático e atuante. Vale destacar finalmente a concepção de Maria Helena de Moura Neves de que a gramática não precisa ser um corpo estranho à língua, ou seja, uma peça pronta e fechada que se resuma a um conjunto de classificações redutoras das potencialidades de uso da língua portuguesa.

Nesse relevante encontro, pôde-se perceber que, apesar das diferentes abordagens e ideologias dos autores, a gramática ainda é considerada um importante instrumento de formação intelectual; não apenas de aprendizagem linguística, mas também de construção do pensamento crítico. Mesmo com profícuas inovações ao longo dos anos, a gramática continua a ser um gênero textual de relativa estabilidade no conteúdo e na forma, uma vez que ainda é um compêndio para o estudo linguístico que traz teorias, definições, classificações e exemplos. Mesmo que não acompanhe a riqueza e a velocidade das transformações de nossa língua, pode ser um meio eficaz para o aprimoramento das práticas de expressão formal e para a edificação de uma consciência dos processos que regem as manifestações linguísticas e a autenticidade do português brasileiro.

Ao fim desse valoroso encontro, algo fundamental foi ensinado aos amantes da língua portuguesa: os verdadeiros donos da gramática não são os gramáticos, mas aqueles que sabem como utilizar nosso idioma de forma crítica no exercício de sua identidade e cidadania.