CAEL promove grande feira contra preconceitos

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Estudantes apresentaram trabalhos de conscientização acerca do respeito às diferenças e participaram de ações sociais fora do Colégio

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

O Projeto Cultural do CAEL, realizado no dia 28 de junho, movimentou estudantes em prol de uma sociedade mais igualitária e que respeita as diferenças. Com o tema “Construindo pontes, não muros — Valores e Virtudes: preconceito e cidadania”, a atividade teve o objetivo de criar no Colégio uma feira com apresentações de trabalhos dos alunos e peças teatrais que expusesse diferentes preconceitos presenciados ainda nos dias de hoje e a importância de combatê-los. De maneira muito criativa, os estudantes abordaram temas como racismo e a herança africana, violência contra a mulher e feminismo, homofobia e igualdade de gênero.

Feira levou diversas apresentações para a quadra esportiva do CAEL. (Foto: Gian Cornachini)

Feira levou diversas apresentações para a quadra esportiva do CAEL. (Foto: Gian Cornachini)

O grupo de Maria Eduarda Lira Villela, do 1º ano do técnico em Enfermagem, trouxe para o CAEL o debate sobre preconceito religioso. Caracterizada como freira, a jovem chamou a atenção para o ódio entre diferentes religiões: “Falamos sobre católicos, muçulmanos, espíritas, para mostrar que existem pessoas diferentes, que se vestem de maneira diferente, e que mesmo que você não gosta, o importante é aceitar”, defendeu ela.

Grupo de Maria Eduarda (segunda, da esquerda para a direita), abordou o preconceito religioso. (Foto: Gian Cornachini)

Grupo de Maria Eduarda (segunda, da esquerda para a direita), abordou o preconceito religioso. (Foto: Gian Cornachini)

O estudante Yan Victor Vidal Bandeira, do 2º ano do técnico em Química, apresentou com seus colegas um trabalho sobre homofobia. Utilizando chifres de unicórnio — apetrecho apropriado pela comunidade LGBT, durante o Carnaval deste ano, com o intuito de representar um ser assexuado, sem definição de gênero —, o estudante foi direto ao opinar sobre a violência contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros: “Aqui, no Brasil, é ruim ser homossexual. O índice de violência contra homossexuais é muito maior. Queremos mostrar que essas pessoas também são gente, têm direitos, tudo o que nós, heterossexuais, temos. Ser gay não é uma doença!”, ressaltou ele.

Yan Victor: "Aqui, no Brasil, é ruim ser homossexual. O índice de violência contra homossexuais é muito maior". (Foto: Gian Cornachini)

Yan Victor: “Aqui, no Brasil, é ruim ser homossexual. O índice de violência contra homossexuais é muito maior”. (Foto: Gian Cornachini)

Atenta ao fato de que as propagandas contribuem positivamente e negativamente para a opinião pública em relação a diversos temas e aspectos sociais, a aluna Anna Paula dos Santos de Souza, do 2º ano do técnico em Publicidade, pesquisou com seus colegas diferentes campanhas publicitárias que evidenciassem preconceitos e estereótipos. Mulheres seminuas em propagandas de cerveja voltadas para homens, publicidade de produtos de limpeza com imagens de mulheres, a pouca utilização de pessoas negras. Tudo isso foi destacado no trabalho.

Anna Paula sobre influência das propagandas: "Às vezes você está vendendo uma ideia que vai machucar outras pessoas". (Foto: Gian Cornachini)

Anna Paula sobre influência das propagandas: “Às vezes você está vendendo uma ideia que vai machucar outras pessoas”. (Foto: Gian Cornachini)

“Dependendo do país ou da cabeça do profissional que está fazendo a propaganda, ele vai colocar as próprias experiências em seu trabalho, e muitas vezes isso pode ser ruim, pois a publicidade faz bastante a cabeça das pessoas, tanto para comprar um produto quanto para vender uma ideia. E às vezes você está vendendo uma ideia que vai machucar outras pessoas”, apontou Anna Paula.

Realidade fora do Colégio

Além de expor os trabalhos na feira cultural, estudantes também participaram de diversas ações sociais fora do Colégio. O grupo do aluno Jhonathan William do Prado, do 3º ano do técnico em Química, responsável por abordar a temática sobre moradores de rua, visitou pessoas que se encontram nessa situação e entregou-lhes sopa em uma noite fria.

Jonnathan e sua colega do  CAEL entregaram sopa para moradores de rua. (Foto: Arquivo pessoal)

Jonnathan e sua colega do CAEL entregaram sopa para moradores de rua. (Foto: Arquivo pessoal)

“Eu vi uma pessoa que já tinha se alimentado negar a sopa dizendo que poderíamos entregar para outro que ainda não tinha comido. Isso mexeu muito comigo, porque vi que, mesmo precisando no mínimo, eles ainda se preocupam com os outros”, contou Jhonathan, defendendo o respeito aos moradores de rua: “Eles não são qualquer coisa. São gente, iguais a nós, e muitos estão na rua por necessidade, por não ter família ou onde morar. Com eles, aprendemos mais sobre amar o próximo, que é algo que falta muito hoje em dia”.

Estudantes de Enfermagem visitaram orfanato e levarem doações. (Foto: Gian Cornachini)

Estudantes de Enfermagem visitaram orfanato e levarem doações. (Foto: Gian Cornachini)

Alunos do curso técnico em Enfermagem também promoveram ação social, levando alimentos e objetos arrecadados para o abrigo A Minha Casa, de Campo Grande. Localizado na Estrada do Moinho, nº 135, o orfanato acolhe, atualmente, cerca de 40 crianças que aguardam por adoção. “Ficamos indignadas com a situação atual, triste por [órfão] ser algo que a maioria das pessoas finge que não existe”, apontou Giovanna Souto, do 3º ano do curso, porém contente pela colaboração que seu grupo teve durante a arrecadação: “De um em um, conseguimos formar uma multidão de pessoas que não vão fechar os olhos. Isso já muda o dia de alguém. Imagina se todos nós fizéssemos”, apontou ela.

Lúcia Piorotti, organizadora do Projeto, sobre os estudantes: "Eles estão saindo daqui mais conscientes". (Foto: Gian Cornachini)

Professora Lúcia Piorotti, organizadora do projeto, sobre os estudantes: “Eles estão saindo daqui mais conscientes”. (Foto: Gian Cornachini)

De acordo com a professora de Língua Portuguesa Lúcia Piorotti, organizadora do Projeto Cultural, o objetivo da feira foi alcançado e os estudantes puderam aprender diversos valores e se tornar cidadãos mais críticos: “Os alunos abraçaram o projeto e a gente viu o quanto ficaram entusiasmados, a alegria durante as apresentações. Isso é o que nos incentiva a continuar esse trabalho, pois eles estão saindo daqui mais conscientes”, destacou a professora.

Alunos do Fundamental apresentaram teatro sobre as heranças do negro africano na cultura brasileira. (Foto: Diógenes Rocha)

Alunos do Fundamental apresentaram teatro sobre as heranças do negro africano na cultura brasileira. (Foto: Diógenes Rocha)

O álbum de fotos completo do Projeto Cultural CAEL 2017 está disponível na página da FEUC, no Facebook. Clique aqui para acessá-lo.

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