Semana de Pedagogia revela oportunidades em hospitais, prisões e organizações militares

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28ª edição do evento mais tradicional do curso mostrou que o pedagogo pode atuar em espaços além de creches e escolas regulares

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Mais uma edição da Semana de Pedagogia aconteceu este ano, trazendo, desta vez, profissionais de diferentes áreas de atuação no mercado para apresentar aos estudantes os diversos rumos de um pedagogo além de salas de aula tradicionais. Com o tema “Aspectos Identitários do Pedagogo: da formação inicial à prática”, a XXVIII Semana de Pedagogia foi realizada entre os dias 15 e 18 de maio, e reuniu 25 atividades, entre mesas-redondas, palestras, oficinas, além de apresentação de trabalhos no pátio da FEUC. Entre as diversas áreas de atuação reveladas na Semana Acadêmica do curso de Pedagogia, destacamos as cinco principais. Confira:

1. Pedagogia empresarial

Vania Matiello Fazolo: "Geralmente, esse profissional atua dentro da área de recursos humanos". (Foto: Gian Cornachini)

Vania Matiello Fazolo: “Geralmente, esse profissional atua dentro da área de recursos humanos”. (Foto: Gian Cornachini)

Convidada a palestrar na primeira noite da Semana Acadêmica, a pedagoga empresarial e ex-aluna da FEUC Vania Matiello Fazolo explicou o papel de um profissional de pedagogia em uma empresa ou indústria: “Geralmente, esse profissional atua dentro da área de recursos humanos, promovendo a interação do funcionário com tudo o que tem na empresa, e entre os diversos níveis hierárquicos”, contou ela. Vania também relatou que trabalhar com pessoas é difícil, uma vez que muitas podem não entender exatamente o papel deste profissional e a mensagem que ele quer falar: “As pessoas confundem o seu trabalho com o de um psicólogo, e a depender do nível de estudo delas, elas acabam levando suas observações para o lado pessoal”, apontou.

2. Pedagogia no terceiro setor

Jaqueline Almeida da Costa: "A gente quer fazer com que eles saiam de lá com o gosto pela leitura, por ir à escola". (Foto: Gian Cornachini)

Jaqueline Almeida da Costa: “A gente quer fazer com que eles saiam de lá com o gosto pela leitura, por ir à escola”. (Foto: Gian Cornachini)

Ainda no primeiro dia do evento, a pedagoga Jaqueline Almeida da Costa, do abrigo A Minha Casa, de Campo Grande, compartilhou a experiência de estar à frente do trabalho pedagógico de um abrigo para crianças e adolescentes. Atualmente, A Minha Casa conta com 43 crianças que passaram por diversos traumas até chegarem lá. E é devido a esse sofrimento prévio que Jaqueline afirmou lutar para transformar os pequenos por meio da educação: “A gente quer fazer com que eles saiam de lá com o gosto pela leitura, por ir à escola, e com a certeza de que são capazes de continuar, de seguir em frente e conseguir”. Para quem deseja trabalhar em um abrigo, Jaqueline recomendou: “Tudo o que você busca de conhecimento é válido, mas é a vivência que vai fazer você sair dos conflitos”.

3. Pedagogia nas organizações militares

1ª Tenente Jaqueline: "Nosso papel é dar sentido a tudo". (Foto: Gian Cornachini)

1ª Tenente Jaqueline: “Nosso papel é dar sentido a tudo”. (Foto: Gian Cornachini)

Uma das palestras que mais chamou a atenção dos estudantes foi a da 1ª Tenente Carla Pereira e da 1ª Tenente Jaqueline, ambas pedagogas na Força Aérea Brasileira (FAB). As militares apresentaram a hierarquia da Universidade da Força Aérea (UNIFA) e os papeis delas dentro da estrutura de ensino acadêmico da FAB, que passam por coordenação de cursos de carreira e estágio, preparação de material didático, planejamento curricular das aulas, formação de instrutores e, inclusive, ministração de aulas. “Nosso papel é dar sentido a tudo, mostrar que a educação é capaz, e que dentro da sala de aula, minha aula é minha aula, e que queremos um aluno reflexivo. Por isso, somos muito valorizadas”, disse a 1ª Tenente Jaqueline.

Para fazer parte da equipe pedagógica da FAB, a 1ª Tenente Carla Pereira orientou os interessados com menos de 32 anos a tentarem o concurso do QOAP (Quadro de Oficiais de Apoio), que é voltado para candidatos com nível superior. Os que passarem no concurso, formam carreira militar até se aposentarem.

1ª Tenente Carla Pereira: "nosso dia a dia de trabalho é muito gostoso, e às vezes não me remete a um quartel". (Foto: Gian Cornachini)

1ª Tenente Carla Pereira: “nosso dia a dia de trabalho é muito gostoso, e às vezes não me remete a um quartel”. (Foto: Gian Cornachini)

Já os interessados com idade entre 33 e 45 anos entram pelo QOCON (Quadro de Oficiais Convocados), por meio de análise curricular, teste psicológico, inspeção de saúde. Têm vantagem aqueles que tiverem mais especialização e produção acadêmica, além de saúde física adequada. No entanto, a carreira tem duração de 8 anos nessa modalidade, porém com as mesmas responsabilidades e exigências de um Oficial de Apoio.

“A gente rala muito, aprende a manusear uma arma, passa por exames rotineiros. A gente entende que isso é necessário porque é uma outra realidade, e a gente precisa ser forjado, aprender a ter disciplina, e mesmo assim nosso dia a dia de trabalho é muito gostoso, e às vezes não me remete a um quartel, à uma hierarquia tão vertical”, afirmou a 1ª Tenente Carla Pereira.

4. Pedagogia em ambiente prisional

Maria de Cassia Mendes Serrano: "Nunca fui, em toda minha vida, tão respeitada e valorizada". (Foto: Gian Cornachini)

Maria de Cassia Mendes Serrano: “Nunca fui, em toda minha vida, tão respeitada e valorizada”. (Foto: Gian Cornachini)

A professora Maria de Cassia Mendes Serrano tem um grande desafio: colaborar com a ressocialização de detentos por meio da educação. Esta missão é realizada diariamente na unidade educacional do Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão, onde a professora ministra aula para aproximadamente 250 prisioneiros.

“A Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que as pessoas têm direito à educação. Quem está preso, perde os direitos políticos, mas não à educação”, já deixou claro Maria, no início da palestra do último dia do evento. “Me perguntam se eu não tenho medo de dar aula para detentos, mas eu nunca fui, em toda minha vida, tão respeitada e valorizada como sou agora”, contou ela.

Segundo a professora, muitos detentos entram para a escola para tentar diminuir a pena, mas acabam se envolvendo de tal maneira que abraçam os projetos educacionais, seguem firme e adiante nos estudos e se formam, chegando até a ter casos de alunos passando no vestibular para universidades públicas.

5. Pedagogia em classes hospitalares

Karla Silva da Cunha Bastos: "Estamos ali para fazer valer o direito dessa criança". (Foto: Gian Cornachini)

Karla Silva da Cunha Bastos: “Estamos ali para fazer valer o direito dessa criança”. (Foto: Gian Cornachini)

As pedagogas Karla Silva da Cunha Bastos, do Hospital Municipal Souza Aguiar, e Rosane Martins dos Santos, do Instituto Nacional do Câncer (INCA), finalizaram a XXVIII Semana de Pedagogia da FEUC apresentando seus trabalhos nas classes hospitalares onde atuam com crianças internadas. “O nosso objetivo é o desenvolvimento da criança que, mesmo internada, não pode parar, pois o acesso à educação é um direito, e estamos ali para fazer valer o direito dessa criança”, relatou a professora Karla.

Rosane Martins dos Santos: "Mesmo em um hospital de câncer, a gente tem vida e tem produção de conhecimento". (Foto: Gian Cornachini)

Rosane Martins dos Santos: “Mesmo em um hospital de câncer, a gente tem vida e tem produção de conhecimento”. (Foto: Gian Cornachini)

Questionando os estudantes sobre a especificidade do pedagogo nesta área, Rosane apontou a flexibilidade que a Pedagogia dá aos alunos para atuarem em diversos lugares e os desafios que encontram em cada um desses espaços: “Precisa ser um especialista? O curso de vocês dá condições de estar em um hospital ou vocês acham que um pedagogo é um pedagogo em qualquer lugar?”, indagou ela, adiantando: “As especificidades do lugar a gente aprende lá, e trabalhar com diferentes níveis de aprendizado em um só ambiente é um grande desafio para mim. Mas, o maior deles ainda é o de lidar com a morte. Porém, mesmo em um hospital de câncer, a gente tem vida e tem produção de conhecimento”, revelou a pedagoga do INCA.

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O álbum de fotos completo, com os diversos momento da XXVIII Semana de Pedagogia da FEUC, está disponível em nossa página no Facebook. Clique aqui para acessá-lo.

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