JURA: Agricultores defendem direito à terra e à alimentação saudável

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Encontro fez parte da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária e contra-argumentou crítica do ministro da Justiça

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Mais uma atividade da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA)— evento nacional do qual a FEUC participa anualmente —, aconteceu ontem, dia 10 de maio, trazendo à instituição diversos agricultores da região para esclarecer os estudantes sobre a luta por terras e pela produção de alimentos saudáveis. A partir da crítica do novo ministro da Justiça, Osmar Serraglio, direcionada aos índios em entrevista à Folha de São Paulo, na qual ele declarou que terras “não enchem barriga de ninguém”, o encontro pautou o debate na temática “Terra enche barriga sim: a terra por quem nela trabalha e produz alimento e vida”.

"[Terras] não enchem barriga de ninguém", diz o ministro Osmar Serraglio, em empasse com índios. (Foto: Gian Cornachini)

“[Terras] não enchem barriga de ninguém”, diz o ministro Osmar Serraglio, em empasse com índios. (Foto: Gian Cornachini)

Bernadete Montesano, representante da Rede Carioca de Agricultura Urbana, grupo que agrega produtores em defesa de uma produção e consumo de alimentos de forma ética e responsável, iniciou a mesa-redonda rechaçando a crítica do ministro, que é ligado ao agronegócio: “A luta pela terra não é só para encher barriga, mas para alimentar de forma saudável quem a gente convive. Comer é um ato político, e quando escolhemos o que vamos comer, você está decidindo entre contribuir com o agronegócio ou com a agroecologia”, destaca “Berna”, como é conhecida.

Bernadete: "A luta pela terra não é só para encher barriga, mas para alimentar de forma saudável quem a gente convive". (Foto: Gian Cornachini)

Bernadete: “A luta pela terra não é só para encher barriga, mas para alimentar de forma saudável quem a gente convive”. (Foto: Gian Cornachini)

Produtores ligados ao movimento agroecológico criticam o modelo de produção e de economia do agronegócio, que abusa dos pesticidas e fertilizantes, além de concentrar grandes quantidades de terras nas mãos de poucos e tornar a produção de pequenas famílias cada vez mais difícil.

Luciana Sales, agricultora de 21 anos, moradora de Magé e estudante de licenciatura em Educação do Campo na UFRRJ, contou justamente sobre os desafios que enfrenta sendo jovem e trabalhadora da terra: “A juventude do campo vive em constante processo de territorialização, desterritorialização e reterritorialização. A gente afirma que é agricultor, mas em alguns momentos a gente quer ir para o mercado de trabalho e ter um salário fixo. Mas, então, nos reterritorializamos, pois nossa forma de produção de vida é no campo, é onde a gente resiste e faz luta, enche a barriga de terra, ar limpo e água pura”, ressaltou a agricultora.

JURA - FEUC 2017 - 07

Essa conexão com a terra também foi defendida por Tania Regina Prado das Neves, bióloga ligada à Pastoral da Criança e que colabora com a Horta da Brisa — um espaço de cultivo de alimentos naturais e sem agrotóxicos voltado para crianças carentes, em Guaratiba.

“A nossa terra é tudo isso aqui, e a gente tem que cuidar para poder plantar e colher alimentos saudáveis. Pode ser até dentro de um vasinho, no seu quintal. Não tem essa de não ter tempo”, apontou Tania, que também desmotivou a compra de produtos industrializados: “Temos que ter coragem de não comprar coisas em caixinhas, porque é tudo agrotóxico”.

Tania: "A nossa terra é tudo isso aqui, e a gente tem que cuidar". (Foto: Gian Cornachini)

Tania: “A nossa terra é tudo isso aqui, e a gente tem que cuidar”. (Foto: Gian Cornachini)

Preocupados com a relação harmônica entre alimento, produção e ambientes urbanos, representantes do grupo Permacultura Lab também participaram do evento contando a experiência da agrofloresta coletiva que está sendo cultivada na praça Edgar do Amaral, em Campo Grande, e conhecida como praça do Pistão por possuir uma pista de skate. “A gente quer mostrar o valor do alimento e conscientizar as pessoas sobre isso”, disse Diogo Majerowicz, membro do Permacultura Lab.

A agrofloresta conta com dez espécies frutíferas, flores ornamentais, ervas, temperos e plantas medicinais. A colheita é livre, podendo ser feita por qualquer pessoa, e a manutenção do espaço também é coletiva e de forma colaborativa.

Matheus Rosa, do CIEP Rubem Braga, ajuda a preparar horta em seu Colégio e troca experiências durante o evento. (Foto: Gian Cornachini)

Matheus Rosa, do CIEP Rubem Braga, ajuda a preparar horta em seu Colégio e troca experiências durante o evento. (Foto: Gian Cornachini)

Prestes a finalizar uma horta consciente e livre de pesticidas no colégio, estudantes do CIEP Rubem Braga, em Senador Camará, vieram assistir ao debate sobre o tema e trocar experiências com os participantes. Matheus Reis, 17 anos, do 2º ano do Ensino Médio, contou que sempre gostou do contato com a natureza, e que discutir a sua preservação é fundamental para os jovens:

“Falar sobre agricultura ajuda a conscientizar as pessoas sobre a nossa alimentação. E é muito bom saber que podemos plantar em casa, ter menos custos, mais saúde, além de se divertir em plantar e ver o seu alimento”, comentou Matheus, aproveitando a entrevista para pedir que fosse divulgada a Roda Cultural que ele está organizando na Casa Brasil de Imbairê, em Duque de Caxias, no dia 20 de maio, às 19h: “É uma roda cultural, com rep, para os jovens da Baixada se expressarem contra a violência policial”.

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