Saindo de casa para conquistar o mundo!

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Aprovados em seleção de mestrado para diversos programas da Universidade Federal Fluminense (UFF), alunos e egressos de Letras festejam e dividem sucesso com professores

 
Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

Se para um docente de graduação é maravilhoso quando um aluno dá a notícia de que foi aprovado para o mestrado numa universidade de prestígio, imagina quando cinco deles chegam juntos com a mesma novidade? Foi exatamente assim o novembro dourado dos professores de Letras da FEUC ao contabilizarem a aprovação para o mestrado da UFF de três alunos do 7º período e mais dois recém-formados. E isso por enquanto, pois há outros em processos de seleção. “Acho que nós vibramos tanto quanto eles ou até mais”, conta a professora Arlene Fonseca, coordenadora do curso de Letras.

Meire Lucy Cunha, do 7º período de Português-Literaturas, e João Armando Henriques Gonçalves, formado em Português-Inglês em 2013, foram aprovados para o programa de Literatura Africana de Língua Portuguesa; Thiago Rodrigues, do 7º período de Português-Inglês, conquistou vaga no programa de Literatura Inglesa; Joyce Silva dos Santos Monforte, do 7º período de Português-Literaturas, e Thamyres Gonçalves Gomes, formada ano passado em Português-Espanhol e aluna da nossa pós-graduação em Língua Portuguesa, ingressarão no programa de Estudos da Linguagem.

Temas das monografias de fim de curso foram ampliados na elaboração de projetos para o mestrado

Meire conta que o processo de seleção foi tenso: “Os candidatos iam chegando, falando uns com os outros, os professores também conheciam diversos deles pelo nome. Acho que eu era a única desconhecida”, brinca a estudante. A prova tinha 4 questões e o candidato deveria escolher uma para desenvolver no prazo de 4 horas. Ela escolheu falar sobre uma obra literária que acabara de ler, o que certamente influiu em seu bom desempenho e classificação para a etapa final. Na entrevista, foi questionada sobre a escolha de uma obra da autora guineense Odete Costa Semedo para nortear sua pesquisa: “Disseram não ser usual o conhecimento daquela autora na graduação, pois normalmente os estudantes são apresentados a ela na pós. E elogiaram muito meu projeto”, alegra-se Meire, revelando que sua proposta de pesquisa para o mestrado – “Silêncio eloquente: tradições, feminino, silenciamento e retomada de discurso numa narrativa guineense” – foi uma ampliação do escopo de sua monografia de conclusão da graduação, orientada pela professora Norma Jacinto, na qual abordou apenas um dos contos de Odete, enquanto no mestrado analisará cinco.

Thiago e Meire Lucy: tensão durante seleção substituída por alegria da classificação. (Foto:  Pollyana Lopes)

Thiago e Meire Lucy: tensão durante seleção substituída por alegria da classificação. (Foto: Pollyana Lopes)

Thiago teve a mesma sensação de Meire, de que era um estranho no ninho entre os 25 candidatos que disputaram com ele as 5 vagas de Literatura Inglesa, pois a maioria se conhecia. No seu caso, a questão da prova foi sorteada e não escolhida. E o pior: o ponto sorteado foi justamente o que era total novidade e, portanto, não estava entre os assuntos abordados em provas passadas e que ele chegou a estudar. “Após o sorteio, 5 candidatos desistiram imediatamente, nem começaram a prova. No fim, 9 passaram para a entrevista. Fui o último a ser entrevistado, e acho que a segurança com que defendi meu projeto foi uma das razões de ter entrado”, avalia Thiago, atribuindo tal segurança à qualidade do projeto, e dividindo os créditos desta com seu orientador, professor Victor Ramos: “Ele foi fundamental para que eu soubesse exatamente o que estava fazendo”, diz o estudante, que no mestrado vai se debruçar sobre a insuficiência de gênero em “Orlando”, de Virginia Woolf.

Joyce: Atividades acadêmicas, como seminários e PIBID, ajudaram na preparação. (Foto: Gian Cornachini)

Joyce: Atividades acadêmicas, como seminários e PIBID, ajudaram na preparação. (Foto: Gian Cornachini)

Quando pensa na tranquilidade que teve para passar pelo processo seletivo, apesar de toda a dificuldade, Joyce logo se dá conta do tanto que as atividades realizadas no PIBID ajudaram nessa preparação. “Além das atividades em si nas escolas, teve os seminários, as semanas de Letras, a oportunidade de levar nossos trabalhos a outras universidades, a congressos, a interação com outros graduandos. Sempre com muito incentivo dos professores. Tudo isso deu muita força e experiência”, avalia a estudante, que pesquisará no mestrado a relação entre imagem e texto verbal. Sobre a prova, ela conta que chegou a estudar alguma coisa da bibliografia proposta no processo seletivo, mas acabou usando principalmente a base de conhecimentos vistos ao longo da graduação.

João Armando: livro oferecido por professor inspirou projeto de mestrado. (Foto: Gian Cornachini)

João Armando: livro oferecido por professor inspirou projeto de mestrado. (Foto: Gian Cornachini)

Anteriormente graduado em Psicologia, João Armando se formou aqui em Inglês, mas no mestrado da UFF entrou para o programa de Literatura Africana de Língua Portuguesa. O interesse, segundo ele, surgiu numa aula do professor Bruno Ferrari, que o apresentou à literatura de Mia Couto – autor que inspira sua pesquisa de mestrado – e se intensificou com as aulas das professoras Arlene e Norma. “Inclusive, quando me perguntaram na entrevista que sementinha é essa que tem na FEUC, eu logo pensei nelas. E em todos os outros professores, pois a formação que tive aqui foi de excelência. E fiquei muito feliz de ver que a qualidade da FEUC é reconhecida em todo canto”, elogia João Armando.

Thamyres diz que sempre sonhou com o mestrado, desde antes de entrar para a graduação. Por saber que seria muito difícil, vinha estudando há bastante tempo: “Estudei pelos meus cadernos da FEUC e não pelos livros da bibliografia. Cheguei a comprar alguns livros, mas com a falta de tempo, pois estou cursando a pós aqui, preferi

Thamyres: estudo feito a partir dos cadernos da graduação foi suficiente

Thamyres: estudo feito a partir dos cadernos da graduação foi suficiente. (Foto: Gian Cornachini)

estudar pelos meus antigos cadernos, e foi suficiente”, revela. Em sua pesquisa, Thamyres vai analisar o uso dos recursos pragmáticos na aquisição da linguagem por parte das crianças, dando continuidade ao que pesquisou na graduação. Ela agradece a seus professores da FEUC, especialmente à professora Lia, que foi sua orientadora na graduação e repete a parceria na pós em Língua Portuguesa. Diz que esse estímulo constante dos professores é crucial, pois lá fora as pessoas dizem que não vale a pena se esforçar pra fazer um mestrado, diante da situação do país: “Dizem que valorizam pouco, que eu não vou ter um emprego futuramente por conta dessa reforma do ensino médio… Mas eu acho muito interessante, até porque eu não estou estudando para o governo, não estou estudando para outras pessoas, estou estudando para mim”, afirma Thamyres, mandando um recado para quem gostaria de seguir o mesmo rumo, mas tem dúvidas: “Que os alunos confiem mais em si, porque falta essa confiança. Então é ter foco e pensar ‘quero passar’, e vai conseguir. Estuda e se esforça que consegue”.

Gratidão foi o sentimento mais mais expressado pelos alunos e alunas ao se referir a seus professores da graduação. Além dos respectivos orientadores, lembraram muito das aulas do professor Valmir Oliveira: “Quem mergulha com vontade no conteúdo que ele oferece não tem como não fazer um bom projeto”, pontua Meire. E Thiago revela outro grande prazer que teve durante a entrevista com a banca da UFF: “Me perguntaram o que que é FIC, e se a FEUC era uma federal. Aí eu pude falar bastante da nossa faculdade, pois eles viram a qualidade que os candidatos daqui apresentaram”.

2 comments on “Saindo de casa para conquistar o mundo!

  1. Marta Ferreira disse:

    Se fizerem um levantamento detalhado vão encontrar ex-alunxs não só com mestrado e doutorado, mas tb como professores em programas de referência nas instituições públicas.

    • Tania Neves disse:

      Com certeza, Marta. Na própria FEUC temos diversos professores doutores que fizeram graduação conosco e depois se especializaram e hoje brilham na FEUC e também em outras instituições. Essa é apenas uma das muitas vezes que tivemos o prazer de noticiar no nosso site o sucesso de nossos alunos, e esses são apenas alguns dos que foram aprovados para o mestrado neste ano de 2016. Adoraríamos um dia poder fazer um grande levantamento para contabilizar o sucesso de todos os nossos egressos! Quem sabe?

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