FEUC além dos muros

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Evento realizado no Instituto de Educação Sarah Kubitschek levou informações acadêmicas e profissionais aos estudantes e promoveu a troca de saberes entre universidade e escola

Por Tania Neves e Pollyana Lopes

Como parte das atividades do Dia da Responsabilidade Social 2016, a FEUC construiu uma feliz parceria com o Instituto de Educação Sarah Kubitschek (IESK), em Campo Grande, para a realização do “FEUC além dos muros”. Concebido por docentes e graduandos dos cursos da faculdade, o evento levou aos estudantes secundaristas do IESK, no dia 8 de outubro, uma série de atividades voltadas para as áreas de conhecimento acadêmico e os desafios na formação dos futuros profissionais. Foram palestras, oficinas, debates e aulas práticas abordando o conteúdo dos cursos e temas da atualidade, no intuito de compartilhar com os alunos informações que os ajudem a melhor conhecer algumas carreiras profissionais e refletir sobre questões importantes do mundo de hoje.

Estudantes do Sara, após a oficina de Pedagogia, uma das mais concorridas. (Foto: Pollyana Lopes)

Estudantes do Sara, após a oficina de Pedagogia, uma das mais concorridas. (Foto: Pollyana Lopes)

Pedagogia Sob a coordenação das professoras Maria Licia Torres e Cláudia Miranda, os bolsistas do Pibib do curso promoveram duas oficinas, uma sobre o uso das linguagens artísticas como instrumento pedagógico para abordar os gêneros textuais em sala de aula e outra sobre o resgate da tradição oral por meio das cirandas. Apesar de a maior parte dos estudantes que optaram por essas atividades serem do Ensino Médio Regular e não da Formação de Professores, o entusiasmo foi grande.

Na oficina oferecida pelo subprojeto Interdisciplinar do Pibid FEUC, os estudantes conheceram um pouco da literatura africana e confeccionaram pulseiras. (Foto: Pollyana Lopes)

Na oficina oferecida pelo subprojeto Interdisciplinar do Pibid FEUC, os estudantes conheceram um pouco da literatura africana e confeccionaram pulseiras. (Foto: Pollyana Lopes)

“Fiquei encantada com a forma como eles se envolveram com as atividades. Chegaram a pedir um bis da Capoeira”, conta Maria Licia, considerando que o objetivo maior foi alcançado: “Levar os jovens a refletir sobre os processos de ensino e aprendizagem e a reflexão sobre temas sociais e culturais é muito importante, mesmo que eles não pretendam seguir a carreira docente”, avaliou. Professora tanto da FEUC quanto do IESK, Rita Gemino comandou uma oficina de produção de pulseiras, partindo da inspiração de um belíssimo conto africano, que era lido pelos participantes antes de cada um iniciar a montagem de sua pulseira. Também escritora, Rita tem longa experiência no uso do lúdico como meio de abordar os temas literários em sala de aula, e procura munir seus alunos e alunas com essa bagagem: “É importante que o futuro professor conheça a literatura africana para poder quebrar esses estereótipos de um continente que só tem pobreza e coisas negativas. A África tem uma cultura riquíssima, e é plural, são muitas Áfricas”, diz. Matemática Na oficina de Matemática, ministrada por bolsistas do Pibid e professores da FEUC, foram apresentadas aos alunos do IESK métodos de ensino de matemática para crianças que utilizam as mãos, e o chamado material dourado. A atividade foi aprovada pelas alunas do primeiro ano do Ensino Normal do Sara. Andréa Santana de Jesus e Vivian Cristina Barreto dos Santos comentaram:

Na oficina de matemática, os estudantes aprenderam técnicas para utilizar o material dourado, um jogo que facilita o aprendizado de unidades, dezenas e centenas. (Foto: Pollyana Lopes)

Na oficina de matemática, os estudantes aprenderam técnicas para utilizar o material dourado, um jogo que facilita o aprendizado de unidades, dezenas e centenas. (Foto: Pollyana Lopes)

“Eu me interessei pela oficina porque gosto de matemática e eu gostei muito de saber desses métodos mais práticos de se explicar. Quando eu aprendi era mais complexo, então, é bom a gente ficar sabendo de novas formas até para poder ensinar”, contou Vivian. “Eu já conhecia o material dourado, mas não sabia de todas essas formas de usá-lo. É uma coisa mais fácil e dá pra ensinar. E também mexe muito com materiais, com as mãos, é mais didático e a criança se diverte”, reforçou Andréa. Humanas Os cursos da área de Humanas propuseram caminhos bastante instigantes para acessar os conteúdos das disciplinas – como a charge, explorada pelo grupo de Geografia, e as histórias em quadrinhos, abordadas pelo de História. Nas duas salas a atenção e participação dos alunos era intensa. O professor Jayme Ribeiro ia fazendo as conexões entre acontecimentos históricos e os quadrinhos mais em voga naqueles períodos, mostrando como as mensagens políticas são passadas também por meio da cultura e do entretenimento, e os alunos se encantavam com o modo tão saboroso de aprender história. A professora Márcia Vasconcellos, que dividia com ele a apresentação, vibrava: “Ouvi mais de um aluno dizendo ‘puxa, agora já sei o que vou fazer: história!’. Eu, que amo ensinar história, só posso vibrar com isso”, comentou.

Jayme contextualizou histórias em quadrinhos clássicas, como Capitão América, e questionou o papel ideológico e político das imagens. (Foto: Pollyana Lopes)

Jayme contextualizou histórias em quadrinhos clássicas, como Capitão América, e questionou o papel ideológico e político das imagens. (Foto: Pollyana Lopes)

Já na atividade de Ciências Sociais, os alunos tiveram acesso às informações básicas sobre o curso e também conheceram um pouco do trabalho desenvolvido pelo Pibid, na Escola Municipal Amazonas, onde os bolsistas introduzem a Sociologia aos estudantes do 8º e 9º ano. Como forma de exercitar o senso crítico necessário à Sociologia, eles também assistiram um clipe musical e debateram sobre o conteúdo. “A gente também passou o clip da música Minha Alma, do Rappa. O vídeo mostra um pouco do genocídio do povo negro e agora, depois de debate, eles estão fazendo um trabalho expondo no papel o pensamento deles sobre o vídeo e sobre a sociedade em geral, numa forma de manifestação”, explicou Matheus Henrique Vaz, estudante do 3º período de Ciências Sociais e bolsista do Pibid.

Em um dos trabalhos apresentados pelos alunos da oficina de Ciências Sociais os estudantes demonstraram como a televisão pode mascarar a realidade. (Foto: Pollyana Lopes)

Em um dos trabalhos apresentados pelos alunos da oficina de Ciências Sociais os estudantes demonstraram como a televisão pode mascarar a realidade. (Foto: Pollyana Lopes)

Gestão e tecnologia O auditório recebeu palestras de três professores das áreas de gestão e tecnologia da FEUC. Rodrigo Neves, coordenador dos cursos de Informática da FEUC, buscou dar aos alunos um aperitivo do amplo universo que eles poderão encontrar nessa área; Cátia Regina França, coordenadora de Administração, falou sobre o curso mais procurado por estudantes em todo o Brasil, já que o campo de atuação do administrador é muito amplo. E Kattia Eugênia Medeiros, que coordena o tecnólogo em Automação Industrial, abordou características desse curso e também do tecnólogo em Sistemas Elétricos, lembrando que a exploração de novas fontes de energia – como a solar e a eólica – vem revolucionando este mercado e abrindo muitas oportunidades para os formados nessas áreas. “Vimos alunos muito interessados nesses temas, bastante participativos”, disse o professor Rodrigo. “Observamos que eles pouco conhecem sobre a algumas áreas, como sistemas elétricos e automação, e foi muito bom poder esclarecer dúvidas”, completou a professora Káttia. Outros convidados A segunda etapa do evento contou com outros convidados de fora da FEUC, como a graduanda em Biomedicina, Ingrid Verri Pinto, que explicou como proceder nos primeiros socorros em acidentes cotidianos; e da especialista em Literatura, Marcela Guimarães Valle, que falou sobre o fazer pedagógico e o cotidiano do trabalho docente. Também aconteceram palestras sobre temas atuais, educativos e de prevenção, como a discussão sobre os efeitos psicológicos e sociais consequentes do uso de drogas, orientado pela pedagoga e psicopedagoga, Isabella Marques Santos e o debate sobre violência contra a mulher e a Lei Maria da Penha, conduzido pela defensora pública e coordenadora do Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), Arlanza Rebello. Entre outros aspectos, Arlanza apresentou as várias formas de violência contra a mulher além das já conhecidas violência física e sexual, como a violência patrimonial, moral e psicológica. “A violência patrimonial acontece quando a mulher tem seus objetos quebrados, quando ela não tem acesso a nenhum dinheiro porque o companheiro controla tudo; a violência moral, quando ela é caluniada, quando inventam mentiras a respeito dela, chamam de vadia; e a violência psicológica, quando ela é ameaçada, humilhada, quando o homem diz que ninguém gosta dela. E é importante a gente dizer, todas essas são formas de violência e são cobertas pela Lei Maria da Penha, porque elas não são menores”, explicou.

Outro aspecto apresentado por Arlanza foi a compreensão do conceito de mulher pela Lei Maria da Penha, que também abarca mulheres travestis, transexuais, transgêneros. (Foto: Pollyana Lopes)

Outro aspecto apresentado por Arlanza foi a compreensão do conceito de mulher pela Lei Maria da Penha, que também abarca mulheres travestis, transexuais, transgêneros. (Foto: Pollyana Lopes)

Avaliação do evento e da parceria A professora Jane Souza, que atua tanto no IESK quanto na FEUC, e que foi a ponte para esta parceria, mostrou-se eufórica com a participação da garotada: “Tivemos salas cheias em todas as atividades e estudantes empolgadíssimos, muitos pedindo para esticar a atividade, não querendo que acabasse. E professores do IESK também participando, assistindo em várias salas”, disse. A diretora do Instituto, Dayse Duque Estrada, avaliou como positivo o saldo da feira acadêmica e profissional. “Foi um dia diferente, foi uma atividade bastante estimulante que, com certeza, vai ter desdobramentos ao longo do ano com os professores que acompanharam as oficinas”, declarou. Para a FEUC, o dia também foi proveitoso e de aprendizado, como avaliou a professora Célia Neves, coordenadora do curso de Ciências Sociais e uma das organizadoras do evento. “Para nós da FEUC foi uma oportunidade fundamental da gente esclarecer, para os estudantes do Ensino Médio, sobre os cursos universitários. Muitas vezes o estudante chega na universidade e não sabe muito bem o que é aquilo que ele escolheu. Foi um evento muito bacana, uma troca fantástica e eu acho que a gente tem que ampliar essa interlocução entre os diferentes níveis de ensino. Estou muito feliz com isso”, contou.

4 comments on “FEUC além dos muros

  1. Patrick Vieira Furtado disse:

    FEUC ALÉM DOS MUROS. IESK.

    Poder vivenciar essas trocas de experiências com outros alunos, é algo impagável. Muito além do letramento literário ( que também é o nosso objetivo), ter o contato com pessoas que pensam diferente de você, possuem visões de mundo distintas e passar para os que ainda não sabem que conviver com quem é diferente de você é o X da questão, é algo que tem que ser dito em alta voz , e esse é o ponto chave da equipe do PBID.
    Inclusão é a honra de poder conviver com as diferenças seja quais forem. No dia em que a sociedade acordar e perceber que o caminho para uma vida mais justa é o respeito pelas diferenças, muitos dilemas já estariam resolvidos.
    Bem além do que simplesmente nos tornar bons profissionais o PBID nos transforma em novas pessoas, amplia nossas lentes e nos mostra que nós temos que ser a diferença.

  2. Marcus Vinícius dos Santos disse:

    A apresentação do projeto Pibid no IESK dia 08/10, foi um momento de concretização. O projeto nos aproxima da realidade que encontraremos em nossa rotina profissional. Ainda nos prepara para os desafios a serem enfrentados. Essa vivência me tornou capaz de perceber que, com criatividade e dinamismo, podemos reverter o desinteresse , por parte de nossos jovens, pela literatura. Alguns deles têm a impressão equivocada que Literatura é desagradável, o que logo é contestado quando estes nos dão uma oportunidade. Estando em outro ângulo, pude perceber o brilho nos olhos, conseguido com a competência de nossos bolsistas, que trouxeram alegria e descontração ao evento. Hoje creio que trabalho como esse, será capaz de mudar a realidade desses alunos.

  3. Andreia da Silva Neto Passos disse:

    Foi lindo tudo que foi apresentado hoje pelos bolsistas do PIBID,aos alunos e professores do colégio Sara.
    Agradeço as palavras da Professora Arlene que com sua simplicidade consegue refletir através do seu olhar vibrante o prazer em ser professora.
    Parabéns ao professor Erivelto por ser uma referência como pessoa e professor.
    A todos, muito obrigado.

    • Patrick Vieira Furtado disse:

      FEUC ALÉM DOS MUROS. IESK.

      Poder vivenciar essas trocas de experiências com outros alunos, é algo impagável. Muito além do letramento literário ( que também é o nosso objetivo), ter o contato com pessoas que pensam diferente de você, possuem visões de mundo distintas e passar para os que ainda não sabem que conviver com quem é diferente de você é o X da questão, é algo que tem que ser dito em alta voz , e esse é o ponto chave da equipe do PBID.
      Inclusão é a honra de poder conviver com as diferenças seja quais forem. No dia em que a sociedade acordar e perceber que o caminho para uma vida mais justa é o respeito pelas diferenças, muitos dilemas já estariam resolvidos.
      Bem além do que simplesmente nos tornar bons profissionais o PBID nos transforma em novas pessoas, amplia nossas lentes e nos mostra que nós temos que ser a diferença.

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