Guineenses e FEUC se unem para discutir a Guiné-Bissau no dia de sua independência

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O aniversário de 43 anos da independência do país africano é comemorado no dia 24 de setembro; a data foi marcada por uma manhã de reflexão que integrou a comunidade guineense, alunos das FIC e estudantes da região

Por Gian Cornachini
gian@feuc.br

Com o objetivo de pensar a Guiné-Bissau em seu 43º aniversário de independência, a Associação dos Estudantes Guineenses no Estado do Rio de Janeiro (AEG-RJ) realizou hoje, dia 24 de setembro, o encontro “Nô Pensa Guiné-Bissau” (Refletir a Guiné-Bissau). A FEUC, em parceria com o grupo, mais uma vez cedeu espaço para que o evento acontecesse na Zona Oeste e, assim, pudesse promover troca cultural entre brasileiros e alunos e intelectuais do país africano. A atividade contou com uma exposição de roupas e tecidos típicos, além de palestras e debates.

Corredor do Auditório FEUC teve exposição de roupas e tecidos típicos. (Foto: Gian Cornachini)

Corredor do Auditório FEUC teve exposição de roupas e tecidos típicos. (Foto: Gian Cornachini)

O mestrando em Sociologia na UFF Tchinho Kaabunke fez, em sua fala ao público, um panorama histórico da Guiné-Bissau, desmistificando a ideia de que o poder sobre a África aconteceu unicamente com o domínio pelos povos europeus. Kaabunke relembrou elementos da ancestralidade africana e citou a invasão árabe a partir do século VII no continente, ressaltando que o local sempre foi alvo de disputas territoriais.

Tchinho Kaabunke, mestrando em sociologia na UFF, fez panorama histórico da Guiné-Bissau. (Foto: Gian Cornachini)

Tchinho Kaabunke, mestrando em sociologia na UFF, fez panorama histórico da Guiné-Bissau. (Foto: Gian Cornachini)

Já Timótio Saba M’Bunde, mestre em Ciência Política, trouxe para o centro do debate os desafios que a Guiné-Bissau enfrenta, hoje, para se afirmar como um estado democrático de direito: “É um país caracterizado por golpes parlamentares, rupturas do funcionamento normal do Estado, e isso tem dificultado a própria afirmação da democracia, pois, em 43 anos de independência, nunca concluiu um mandato democraticamente eleito pelo povo”, observou M’Bunde.

Timótio Saba M’Bunde, mestre em Ciência Política, falou sobre o estado democrático de direito no país africano. (Foto: Gian Cornachini)

Timótio Saba M’Bunde, mestre em Ciência Política, falou sobre o estado democrático de direito no país africano. (Foto: Gian Cornachini)

Na avaliação da coordenadora do curso de Ciências Sociais das FIC, professora Célia Neves, pensar a realidade política da Guiné-Bissau nos leva também a atentar para os recentes fatos da história política de nosso país, como o impeachment da presidente Dilma Rousseff — também eleita democraticamente pelo povo, mas julgada e deposta por parlamentares sem aprovação unânime da sociedade: “Tudo isso discutido aqui é importante até para nós, em nosso processo democrático, porque a gente é obrigada a pensar os nossos processos de rupturas política que sofremos aqui”, disse ela.

Célia Neves, coordenadora de Ciências Sociais das FIC, relacionou o tema com a atual conjuntura política no Brasil. (Foto: Gian Cornachini)

Célia Neves, coordenadora de Ciências Sociais das FIC, relacionou o tema com a atual conjuntura política no Brasil. (Foto: Gian Cornachini)

Além do âmbito político, o debate também se voltou para o estereótipo negativo que os países ocidentais criam sobre nações do continente africano. Hilenio Silva Monteiro, guineense e membro da organização do evento, foi categórico ao culpar a mídia por grande parte desse preconceito: “O Brasil precisa pesquisar muito sobre a África e não se informar pela mídia. O que a gente aprende por ela é a dominação por dinheiro, a fome, a ideia de que tudo na África é ruim — e quando é bom, pinta-se a imagem para que não seja mérito dos países africanos, mas da Europa…”, apontou ele, completando: “Quem aprende somente pela mídia, é condenado à inocência total”.

Hilenio Silva Monteiro, membro da organização do evento, criticou a mídia por criar esteriótipos negativos sobre a África. (Foto: Gian Cornachini)

Hilenio Silva Monteiro, membro da organização do evento, criticou a mídia por criar esteriótipos negativos sobre a África. (Foto: Gian Cornachini)

A estudante Renata Azevedo, do 1º ano do Ensino Médio do Instituto de Educação Sarah Kubitschek (IESK), reconhece ter uma visão distorcida sobre a África, e também culpa a mídia televisiva por isso: “Vendo pela TV, quando fala da África, a gente só vê criança desnutrida, com fome e sede. E aqui a gente viu uma realidade diferente. Também só é falado do homem europeu como invasor, e eu não sabia que os árabes foram lá antes dos portugueses”, relatou Renata, que aprovou a proposta do evento: “Eu adorei, adorei esse contato com eles. Só não vou ficar para o debate porque tenho reposição de aula no Sarah daqui a pouco”.

Renata Azevedo, aluna do 1º ano no IESK, relatou ter visão distorcida sobre o continente africano, muito pelo o que vê na TV. (Foto: Gian Cornachini)

Renata Azevedo, aluna do 1º ano no IESK, relatou ter visão distorcida sobre o continente africano, muito pelo o que vê na TV. (Foto: Gian Cornachini)

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