Resistências Feministas

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Evento promovido pelo PACS debateu tema das violações socioambientais na Zona Oeste do Rio de Janeiro

Por Pollyana Lopes

Nos dias 16 e 17 de junho, a FEUC recebeu o seminário “Corpo, Conhecimento e Conflitos – Resistências Feministas e Territórios em Disputa”. Organizado pelo Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS), o evento fecha o primeiro ano da pesquisa, promovida pela organização, sobre as ameaças e violações socioambientais na Zona Oeste do Rio de Janeiro e o protagonismo feminino nos movimentos de oposição, e contou com palestras, apresentação teatral e oficinas.

O objetivo do mapeamento é investigar, sistematizar e refletir sobre a realidade da região, na qual o meio ambiente e a população sofrem, cotidianamente, abusos de poder por parte do Estado e de grandes corporações para a implementação de indústrias siderúrgicas, de cimento, de água, além de condomínios de luxo. Como explica Joana Emmerick Seabra, que integra a gestão do PACS, a pesquisa também tem o propósito de fortalecer os grupos de resistências:

“Tem o componente da ação, a investigação não está descolada da ação, dos processos de mobilização, de organização popular que já acontecem. Então, o ideal é que esse processo de mapeamento seja um instrumento para dar mais insumos para fortalecer as lutas que todas nós já estamos inseridas. A pesquisa não é um fim, digamos, ela é um instrumento, ela é um meio”, explica.

Em uma das dinâmicas, os participantes apresentaram objetos que faziam referência ao território onde viviam. (Foto: Pollyana Lopes)

Em uma das dinâmicas, os participantes apresentaram objetos que faziam referência ao território onde viviam. (Foto: Pollyana Lopes)

O primeiro dia do evento foi marcado por palestras que debateram Educação Popular, os conflitos socioambientais no contexto latino-americano e a conjuntura da Zona Oeste. Já o segundo dia, foi marcado pelo debate e a experimentação da cartografia social, um momento em que as pesquisadoras conheceram melhor esta metodologia, que pode vir a ser a escolhida pelo grupo para o mapeamento.

Possibilitar efetivamente a participação de mulheres envolvidas com movimentos sociais da região foi um diferencial do evento. Além de oferecer almoço e o reembolso de passagens para os inscritos nos dois dias do evento, como o seminário foi voltado prioritariamente para o público feminino, já que elas são exclusivamente as pesquisadoras da investigação, também havia uma ciranda para as mães deixarem seus filhos e filhas.

Este talvez tenha sido um dos motivos pelo qual mulheres de diferentes formações e de lugares distantes participaram das mesas e oficinas, algumas contaram que precisam caminhar 8km até o ponto de ônibus mais próximo. Uma das que vieram de longe foi Valéria Santos. A tocantinense de Araguaína, que integra a regional Araguaia Tocantins da Comissão Pastoral da Terra (CPT), fez um panorama da questão da socioambiental e da disputa pela terra na sua região e compartilhou algumas práticas de resistência empregadas pela equipe da qual faz parte.

Uma das iniciativas apresentadas por Valéria foram os Caderno de Conflitos no Campo da CPT, onde a organização publica, anualmente, um levantamento de casos de violações de direitos. (Foto: Pollyana Lopes)

Uma das iniciativas apresentadas por Valéria foram os Caderno de Conflitos no Campo da CPT, onde a organização publica, anualmente, um levantamento de casos de violações de direitos. (Foto: Pollyana Lopes)

A exposição dela no evento, junto do vídeo Agronegócio vs. Povos Da Terra e a participação da plateia durante o debate tornaram evidentes como as violações de direitos contra a terra, o trabalho, a moradia, a água, a saúde das pessoas, são parecidas em todo o Brasil e na América Latina. O seminário, que se dispôs a debater as resistências femininas, e a pesquisa, com o objetivo de mapear as infrações socioambientais na região e também fortalecer os movimentos em defesa dos direitos humanos, cumprem o papel de conectar os grupos para compartilhar o conhecimento adquirido com a experiência cotidiana porque, como afirmou Sandra Quintela, integrante da equipe do PACS, em uma das palestras, “somos filhas e filhos da rebeldia, da resistência histórica” e juntas somos mais fortes.

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