Pães, livros, músicas e conhecimento

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Professora de espanhol do CAEL aposta em cafés literários para incentivar os alunos a aprenderem de forma lúdica

Por Pollyana Lopes
emfoco@feuc.br

Com apenas um tempo por semana, as aulas de espanhol são repletas de conteúdo. Para escapar um pouquinho da rotina das aulas formais e se aproximar mais dos alunos, porém, a professora Natália Coelho introduziu em suas turmas uma novidade: o café literário, realizado ao final de cada bimestre. A ideia é que os alunos cantem, leiam poesias, dancem músicas em espanhol e interajam entre si e com a “maestrina”. Além, é claro, de saborearem diferentes tipos de pães, bolos e salgados.

Refrigerantes, misto quente, sucos de caixinha, pães e bolos estão no cardápio dos cafés. (Foto: Pollyana Lopes)

Refrigerantes, misto quente, sucos de caixinha, pães e bolos estão no cardápio dos cafés. (Foto: Pollyana Lopes)

Natália, que estudou nas FIC, conta que conheceu essa metodologia com o professor Adriano Oliveira Santos, que fazia cafés literários depois das provas. “Ele foi meu orientador na graduação e na pós. Um grande amigo e um professor perfeito. Eu me espelho nele para trabalhar e sempre dá certo”, conta. Ela também explica suas motivações para tocar a iniciativa: “Como eu só tenho um tempinho de aula por semana, decidi fazer este projeto para termos um momento de aprendizagem diferenciado do formal. Neste café, além de todas as informações transmitidas, batemos papo, tiramos fotos e é uma forma para eu me aproximar dos meus alunos e eles de mim. Dá super certo! Começamos um bimestre mais relaxados e dispostos para aprender melhor, fora que é uma delícia!”, empolga-se.

Os estudantes, apesar de nem sempre prepararem algo para apresentar no evento, aprovam a iniciativa. Paola Maia, do 1º ano do técnico em Informática, comenta o café: “É legal, dá tempo de conversar e a gente sai da rotina de pegar apostila, ficar quieto e assistir a aula. A última vez foi melhor porque teve dança e duas pessoas cantaram. E também dá mais intimidade com a professora. Ela abre espaço para a gente conversar com ela”, diz.

Apesar de ter gostado da edição do evento que teve mais apresentações, Paola se justifica da mesma maneira que a maioria dos colegas quando questionada sobre o porquê de não ter preparado nenhuma apresentação. “Só lembrei ontem à noite e tinha que fazer outro trabalho, por isso não deu tempo de preparar nada”, alega.

Mesmo assim, isso não é desculpa para cancelar a atividade. Os alunos improvisam, dançam “Macarena”, cantam músicas da novela para adolescentes “Rebelde” e apresentam os times espanhóis. E, mesmo no improviso, alguns se destacam.

Aluno do 2º ano do técnico em Administração, João Pedro Consoli foi instigado pela turma a ler uma de suas poesias. Esquivando-se do espanhol e da exposição de seus escritos próprios, ele entoou um rap crítico e ritmado chamado “O que separa os homens dos meninos”, do rapper Sant: “É minha vida e o beat em cima / Ó, imagina. Eu já passei por cada coisa, mano / Explica o que é divórcio pra uma criança de 3 anos / Sem rumo e sem plano / Minha família é minha coroa, se tu entende o que eu tô falando”.

Alunos do 2º ano de Administração improvisaram com apresentação stand up e cantando “Rebelde”. (Foto: Pollyana Lopes)

Alunos do 2º ano de Administração improvisaram com apresentação stand up e cantando “Rebelde”. (Foto: Pollyana Lopes)

O jovem do rap elogia a iniciativa do sarau e apresenta outra explicação para a tímida adesão dos colegas: “Eu acho que é vergonha. Eu mesmo, a maioria das coisas que eu escrevo, só o meu irmão lê”, revela.

Mas a professora insiste em promover a literatura e o conhecimento em ambientes menos formais. Quando um estudante questiona “se é literário, cadê o livro?”, enfática, ela esclarece: “Desde quando a literatura se prende em papel? Ela não se prende apenas no papel ou em um momento da história”. Literatura não é só papel, e aula não é só “cuspe e giz”. É com esse espírito que Natália continua organizando os cafés literários, para que os alunos aprendam, às vezes, sem perceber.

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