Educar é fazer pensar!

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Jayme Ribeiro
Jayme Ribeiro
Doutor em História pela UFF e professor das FIC

Durante boa parte do século XX, os livros didáticos assumiram lugar de destaque na relação ensino-aprendizagem. Em muitos momentos, em diversas realidades educacionais do país, ainda é o único instrumento de pesquisa e ensino para alunos e professores.

Objeto padronizado e condicionado por formatos e linguagens, o livro didático não é neutro. Segundo Gimeno Sacristán, por trás do “texto”, há toda uma seleção cultural que apresenta o conhecimento oficial, colaborando de forma decisiva na criação do saber que se considera legítimo e verdadeiro, consolidando os cânones do que é verdade e do que é moralmente aceitável. Desse modo, os livros didáticos tornam-se veículos portadores de um sistema de valores, de ideologias e de uma cultura, visando servir de mediador entre a proposta oficial do poder, por intermédio dos programas curriculares, e o conhecimento escolar ensinado pelo professor.

Por outro lado, é possível pensar no livro didático como lugar de memória, na medida em que contribui para perpetuar uma determinada memória sobre agentes ou fatos históricos. Pode-se verificar também, através de sua análise, uma memória historiográfica, na qual a produção e o discurso historiográfico de uma época podem ser encontrados.

Os estudos acadêmicos produzidos atualmente têm contribuído bastante para relativizar o seu papel de “vilão da História”. Desde o século XIX, ele tem sido utilizado de diversas formas e sob diferentes realidades. Contudo, possui uma função básica que atravessa os tempos: a transposição didática, isto é, a passagem do saber acadêmico ao saber ensinado. No entanto, não se pode pensar o livro didático apenas como mero reprodutor do saber produzido nas universidades. Ele atua na ressignificação do saber acadêmico criando um novo saber: o saber escolar. Além disso, pode auxiliar o domínio da leitura e da escrita em todos os níveis de escolarização, serve para ampliar informações, possui uma linguagem mais acessível, articula outras linguagens que não a da escrita, fornecendo ao estudante maior autonomia frente ao conhecimento e auxilia a aquisição de conceitos básicos do saber acumulado historicamente.

Assim, é possível perceber que o livro didático, mesmo possuindo uma série de limitações técnicas, econômicas e ideológicas, quando utilizado de maneira crítica pelo professor, torna-se um instrumento importante na relação ensino-aprendizagem. Não se pode esquecer jamais que o foco da educação é o educando. Nesse sentido, educar é fazer pensar, pois o professor deve ter uma postura crítica frente aos materiais escolares e estimular a reflexão e o questionamento em suas aulas. Desse modo, não tornará o livro didático o único guia e mestre de suas práticas, principalmente por saber que quem atua no processo transformador da educação, incentivando, auxiliando e mediando os conhecimentos é o professor, e não o livro didático.

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