Prêmio FEUC divulga resultado final da edição de 2014

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Na categoria Aluno da FEUC, vencedores são da Pós de Literatura e das graduações de Pedagogia e Letras; na Âmbito Nacional, os premiados são do Rio, de Pernambuco e da Bahia

 
Da redação
emfoco@feuc.br

Os alunos Júlio Correia, da Pós-Graduação em Literatura; Helton Tinoco, de Pedagogia; e Suely Resende Oliveira (Gui Soarrê), de Letras, são os vencedores da edição de 2014 do Prêmio FEUC de Literatura na categoria Aluno da FEUC, respectivamente em 1º, 2º e 3º lugares.

Na Âmbito Nacional, a primeiríssima colocação coube a um campograndense ilustre: o professor e ex-deputado Alcir Pimenta. Em 2º e 3º lugares, respectivamente, ficaram os concorrentes Manoela Frances, de Pernambuco; e Weslley Moreira de Almeida, da Bahia.

O Prêmio FEUC de Literatura 2014 recebeu um total de 571 poemas, sendo 37 de alunos da FEUC e 534 de participantes na categoria Âmbito Nacional.

Coordenador do concurso, ao lado de Rita Gemino, o poeta Américo Mano festejou a extrema qualidade das obras inscritas: “Parabéns a todos os participantes. O talento, a emoção e a criatividade de vocês constituem o verdadeiro troféu deste concurso, que se vê agraciado pela qualidade dos seus trabalhos”, disse ele, acrescentando que, ao ler  o poema do professor Alcir, de imediato se encantou e percebeu que ele poderia ser um dos vencedores. “O professor Alcir Pimenta é um dos mais ilustres moradores de nossa região. Ele já participou algumas vezes do Prêmio FEUC de Literatura. Foi vencedor há alguns anos na modalidade conto. Também já foi premiado com a 3ª colocação em poesia”.

Os vencedores serão informados diretamente pelos coordenadores sobre a data e a forma de recebimento dos prêmios de R$ 500 (1º lugar), R$ 350 (2º lugar) e R$ 250 (3º lugar), uma vez que não haverá cerimônia de premiação.

Conheça os poemas:

 

CATEGORIA ALUNO DA FEUC

 

     1º lugar: Júlio Correia (Pós-Graduação em Literatura)

SUPER-HERÓI EM QUADRINHOS

Reconto os azulejos do banheiro

Perco a conta das gotas

que nascem da torneira prateada

Minhas ideias se confundem

com as idas e vindas das formigas negras

que esbarram nos meus pés

A toalha esticada sobre o basculante

o sabonete amarelo

o papel higiênico

o chuveiro elétrico

Sou a única peça estranha

no quadrado pintado de salmão

A porta não está trancada

mas tenho medo de girar a maçaneta

Deito no chão frio

Abraço o vazio

Beijo a pedra marrom

Sou flor só na pintura

Sou eu só por dentro

Sou super-herói só em quadrinhos.

 

2º lugar: Helton Tinoco (Pedagogia)

RADIOGRAFIA

Bicho-homem, difuso, re-cheio de desejos.

Olho-te de fora como se eu fosse uma estrela.

Olho-te por dentro como se eu fosse uma veia.

Bicho, homem repleto de certezas e ilusões.

Olho-te para além dos olhos com compaixão.

Atravesso membranas, egos, ecos, elos, ímã.

Bicho, homem, triste, gente, carne da alegria.

Bicho-homem, eu vim te ver. Conhecer-te. Amar-te!

Vim como você, nu!

Quase sem limites. Como tu. Sem tirar nem pôr. Vim assim.

Sem temor! Sem morte! Sem sentir nada. Frio. Seco.

Bicho da terra, homem do barro, de eternos brados.

Vim ver-te. Verter meu dom. Vasculhar-te profundo.

Enraizar minhas próprias dores.

Conhecer-te, sendo tu. De carne e osso…

De mil amores, vim “ser-te” agora, hoje, sempre!

Exatamente igual, seu pai, seu filho.

Vim roubar-te o espírito e mostrá-lo às aves.

Vim amar-te e pousar sob o teu coração, tocar-lhe a mão.

Pegar os pesos dos sonhos, os sons de instrumentos.

Dizer-te palavras e desnudar-te a alma.

Vim ser poeta.

Inventar almas, vivas e mortas.

Reinventar a vida numa rima explícita.

Fazer coloridos, criar lágrimas e dar alegrias.

Vim ser artista com acento agudo.

Vim ser apenas uma radiografia que revela o cálcio,

Mas deixa passar o espírito!

 

3º lugar: Gui Soarrê (Letras)

É

 Entre o desespero e o grito

Convivem em afinado desacordo

O mudo discurso caduco,

A eloquência do destempero

E um rosilho que escoiceia

Entre as lâminas de dois punhais.

Certa vez me contaram

Que os duelos sangrentos se dão

No caminho sem curvas,

Entre a pele e o coração.

Hoje eu sei.

 

CATEGORIA ÂMBITO NACIONAL

 

1º lugar: Alcir Pimenta, Rio de Janeiro

UM VERSO DE BANDEIRA

Segue comigo pela vida afora

Uma dor tão grande, tanta tristura,

Que sempre temo nunca vá embora,

Transformando-se em perene amargura.

Lembra-me, então, um verso de Bandeira:

“Só a dor enobrece e é grande e é pura,”

O que parece colossal asneira

Do bardo sempre ao pé da sepultura.

Por que vamos amar um mal sem cura,

Se o mundo não tolera choradeira,

Antes sendo feliz que sofredor?

Quem pensa seja, pois, esse Bandeira:

Um simples vate da fama à procura,

Ou de Cristo na terra sucessor?

 

2º lugar: Manoela Frances (Pernambuco)

EJACULE!

Você não suporta

Quando eu abro a porta

Da sua devassidão

Quando eu tiro a máscara

Que cobre a sua pele áspera

E repleta de simulação

Você me julga

Você me culpa

Mas nunca soube responder

A razão da sua ira

O motivo de eu estar na mira

Da sua constante necessidade de ofender

Mas nada disso realmente importa

Já que eu ainda não estou morta

E sou peça principal nessa perturbação

Porém, por favor, não se anule

Respire fundo e ejacule

A dor de toda essa frustração.

 

3º lugar: Weslley Moreira de Almeida (Bahia)

DO LUTO DAS PEQUENAS COISAS

Visto preto

em

funerais de pequenas coisas.

Perco um poema e me entristeço

por uma semana

e alguns versos.

Assassinei, distraído, uma formiga.

Taciturnei-me

minúsculo

por grandes instantes.

Quando descompassei numa dança

deixei

    desequilibrado

                        o sorriso.

Agora mesmo

valoro o ínfimo

por colossais importâncias.

E lagrimo

de mínimas gotas

todas

enchentes

          de risos.

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