Apolítico e apartidário… é tudo igual?

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Termos ditos e repetidos nas manifestações de rua rendem boa discussão

Por Tania Neves
emfoco@feuc.br

Entre outras coisas, as manifestações de rua que começaram em junho pelo país trouxeram para o centro das discussões dois termos que ora apareceram como se fossem sinônimos, ora com suas diferenças marcadas: apolítico e apartidário.  Inicialmente capitaneadas pelo Movimento Passe Livre (MPL), contra os aumentos das passagens de ônibus, as manifestações foram somando novas pautas de reivindicações e sendo engrossadas por outros grupos, muitos dos quais lançavam gritos de ordem e exibiam cartazes de “Fora partidos!”, em alguns casos agredindo militantes e exigindo que recolhessem suas bandeiras. O MPL, que em sua carta de princípios se apresenta como “um movimento horizontal, autônomo, independente e apartidário, mas não antipartidário”, criticou tais atitudes.

Grupos foram às ruas e levantaram bandeiras sem partidos; mas qual é a diferença de apolítico e apartidário? (Foto-ilustração: Gian Cornachini)

Grupos foram às ruas e levantaram bandeiras sem partidos; mas qual é a diferença de apolítico e apartidário? (Foto-ilustração: Gian Cornachini)

Afinal, apolítico e apartidário significam a mesma coisa?

Professor de História no curso de Ciências Sociais das FIC, Mauro Lopes lembra que, do ponto de vista filosófico, dizer-se apolítico é uma contradição em si, pois essa tomada de posição já é uma atitude política. “A própria expulsão dos grupos que levavam bandeiras de partidos, isso não deixa de ser uma atitude política. Então como se dizer apolítico? Não ter vínculo com partido, ok. Dizer-se apartidário, tudo bem. Mas a tentativa de desqualificação geral da política foi outra coisa, eu vi um cunho bem conservador nisso”, destaca o professor, que apesar disso considerou aquele momento muito rico: “Quando os grupos mais conservadores tentaram se apropriar do movimento, buscando determinar a pauta, se aproveitando daquela reação inicial de rejeição à política, aí os grupos de esquerda acordaram e foram para as ruas colocar também suas questões”.

Patrick Silva dos Santos, aluno do 5º período de Ciências Sociais que esteve em algumas dessas manifestações, não gostou das vezes em que viu a associação do termo apolítico ao movimento. Segundo ele — que integra o coletivo de política estudantil Juntos!, ligado ao PSOL — desde o início, entre os grupos que se articularam pelas redes sociais para tomar as ruas, muitos eram de militantes, embora houvesse também os sem filiação. Patrick considera justo que os não filiados quisessem evitar ser confundidos ou ter suas ações apropriadas pelos outros, mas daí a combater a presença ou querer cassar a voz e destruir bandeiras, vai uma grande diferença. “Brigar para não ter nenhuma bandeira é o mesmo que brigar por uma bandeira única, é querer a ditadura”, afirma o estudante.

Doutor em História e professor das FIC, Jayme Fernandes Ribeiro entende que havia entre os manifestantes muitos que rejeitam os atuais partidos, e o recado que estavam dando nas ruas era exatamente esse: que os partidos são aproveitadores e que eles não queriam se vincular a isso. Neste sentido, podem ter ingenuamente empregado o termo apolítico quando queriam dizer apartidário. Mas Jayme acredita que, quando a mídia valorizou isso e passou a martelar o tempo todo a questão da rejeição à política como um todo, já não havia mais ingenuidade: “Eu estive lá e juro que não vi bandeiras do PSDB, do DEM. Vi do PSOL, do PCB, do PT. Se o movimento fosse associado a partidos, seria aos de esquerda, e isso não era interessante para a mídia. Não sei se a confusão do apartidarismo com o apolítico foi intencional, mas que há ganhos políticos para os conservadores com essa confusão, isso há”, opina o professor.

Prestes a se formar em História, o aluno do 7º período Carlos Eduardo Moreira viu no movimento um forte sentimento de descrédito com os políticos. E mesmo compartilhando o pesar — “É difícil querer discutir política tendo os parlamentares que temos” — ele afirma que não existe outra possibilidade fora da política, e até se pergunta se as coisas não chegaram a este ponto exatamente porque muita gente insiste em achar que “política não é coisa minha”. E sugere: “O negócio é se manifestar, participar, se interessar por saber o que nossos eleitos fazem, assistir a sessões na Câmara de Vereadores e na Alerj. Se não tiver tempo pra isso, manda e-mail, entope a caixa deles, usa a Lei de Acesso à Informação. O que não pode é deixar a política só com eles”.

Vale relembrar a frase do economista britânico Arnold Toynbee, que viveu na segunda metade do século XIX: “O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam”.

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2 comments on “Apolítico e apartidário… é tudo igual?

  1. LUIZ C.O.RAMOS disse:

    EU SOU FAVOR DE FAZERMOS UM ABAIXO ASSINADO COLETANDO ASSINATURAS PARA QUE VENHAMOS PROTOCOLAR ENTREGA JUNTO AO TSE( TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORA ) PARA QUE INCLUA NA CEDULA DE VOTAÇAO O VOTO APARTIDARIO , TERIAMOS A URNA COM VOTOS BRANCO – NULOS – PARTIDARIO – APARTIDARIO, PORQUE INCLUIR O VOTO APARTIDARIO PARA QUE POPULAÇAO BRASILEIRA TENHA OPÇAO DE ESCOLHER VOTAR APARTIDARIO E TENHA SEU VOTO VALIDADO E TERMOS NOÇAO DO QUE A POPULAÇAO PENSA E ALMEJA TER UMA FORMA DE OPOSIÇAO AO QUE SIGNIFICA HOJE EM DIA OS PARTIDOS POLITICOS TEMOS 32 SIGLAS PARTIDARIA E SE VOCE FOR LER OS ESTATUTOS DOS PARTIDOS POLITICOS SAO TODOS PARECIDOS EM SUA ESSENCIA DE TEXTO EXTATUTARIO., O APARTIDARIO VEM COM UMA PROPOSTA ONDE TERIAMOS O VOTO POPULAR DE TODAS CLASSES SOCIAIS-A/B/C/D/E . EM TENDO MAIS DE 50% DOS VOTOS DAS URNAS. CRIARIAMOS O ESTATUTO DA (PARTICIPAÇAO INTELIGENCIA POPULAR EXTRATEGIA UNIVERSAL ) OU SEJA O ( PIPÉU ), QUE SERIA LANÇADO EM TODOS MUNICIPIOS BRASILEIROS, COMPOSTO DE ESCOLHAS PESSOAS – 9 MEMBROS DA JUVENTUDE 9 MEMBROS ADULTOS – 9 MEMBROS TERCEIRA IDADE- OU SEJA 9 MEMBROS DE 16 A 25 ANOS 9 MEMBROS DE 26/50 ANOS E 9 MEMBROS DE 51 ATE 75 ANOS TERIAMOS A REPRESENTAÇAO DA JUVENTUDE – ADULTO – TERCEIRA IDADE, ESTAS PESSOAS SERIA OS REPRESENTANTES MUNICIPAIS ISTO PARA CADA 100.000 HABITANTES .OU 25 MIL FAMILIAS DE 4 PESSOAS. A CADA 15 DIAS TERIAMOS REUNIAO COM 25 MIL FAMILIAS – 1 REUNIOES GERAL POR TRIMESTRE SENDO 4 REUNIOES ANUAIS. ONDE CADA FAMILIA NOMEASSE SEU REPRESENTANTE. ( VOTAR SOBRE – EDUCAÇAO-SAUDE-TRANSPORTES-HABITAÇAO-MEIO AMBIENTE- ESPORTE CULTURA LAZER- SEGURANÇA PUBLICA- ADMINISTRAÇAO PUBLICA – OBRAS E URBANISMO.

    • Luis disse:

      Desliga esse Caps Look ai rapaz! Parece que tá falando grintando affs.. Nem perco meu tempo lendo comentario assim.

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