Doutora em educação analisa o papel da escola

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Andrea Ramal avalia a escola como formadora de um ser pensante e alerta sobre o desafio de incorporar novas tecnologias em sala de aula

Gian Cornachini
emfoco@feuc.br

Na matéria “Escola: mão de obra ou educação crítica” (nº 12, março de 2013), foram publicadas algumas considerações da doutora em educação Andrea Ramal* a respeito do papel da escola. Agora, trazemos ao site a entrevista completa com a doutora. Além de sugerir que a escola tem função essencial na formação crítica do estudante, Andrea também opina sobre usar novas tecnologias para prender a atenção dos jovens.

"A escola já não se entende simplesmente como uma provedora de conteúdos" — Andrea Ramal, doutora em educação (Foto: Arquivo Pessoal)

“A escola já não se entende simplesmente como uma provedora de conteúdos” — Andrea Ramal, doutora em educação (Foto: Arquivo Pessoal)

FEUC em Foco: Como a senhora vê a educação de hoje em dia: ela está voltada para estimular a competitividade ou propõe uma forma de conhecimento para a vida toda?

Andrea Ramal: Acredito que a educação escolar está se transformando aos poucos para ficar mais integral e, portanto, mais atenta a muitas dimensões. A escola já não se entende simplesmente como uma provedora de conteúdos. Ela assume também o papel — junto com a família — da formação cidadã, da formação ética, além de desenvolver competências ligadas ao mundo do trabalho, como a postura empreendedora, a capacidade de trabalhar em grupo ou de compartilhar conhecimento. Esse movimento é positivo, pois a tendência é que os alunos passem a sair da escola com visões mais globais e, portanto, mais preparados para a vida.

FEUC em Foco: E como fica o papel da escola na formação de um ser pensante?

Andrea Ramal: O papel da escola é fundamental para formar seres pensantes e críticos. Vivemos num mundo em que a tecnologia coloca todo e qualquer conteúdo disponível com muita facilidade, para qualquer pessoa. Mas como as crianças e jovens poderão julgar o que é válido, coerente, atual? Como serão capazes de não simplesmente copiar o que encontram, mas de criar conhecimento novo a partir do que aprendem?

FEUC em Foco: De que maneira a escola busca resolver esse problema?

Andrea Ramal: A escola, junto com a família, ajuda — e precisa ajudar —os jovens a construir um olhar crítico, a avaliar o que aprendem e o que fazem a partir de determinados critérios, a construir o seu próprio projeto de vida de forma responsável, autônoma e solidária.

FEUC em Foco: Hoje em dia, os jovens parecem estar mais dispersos na sala de aula, pois estar conectado, muitas vezes, é mais atraente do que frequentar o ambiente escolar, por exemplo. Como a escola dribla esses entraves?

Andrea Ramal: A escola ainda está se estruturando para atender estas crianças e jovens da geração “Z”, que já nasceu num mundo repleto de tecnologias fascinantes. O desafio é tornar a sala de aula mais interativa, incorporando estas mídias e tecnologias. Mas não por um modismo ou por precisar de atenção dos jovens. As tecnologias são novos ambientes de aprendizagem e a escola precisa se preparar para entendê-las e utilizá-las assim. Isso envolve, entre outras coisas, uma nova formação dos educadores e uma apropriação das redes de conhecimentos no projeto pedagógico escolar.

 

*Andrea Ramal é doutora em educação pela PUC-Rio, educadora e escritora, além de comentarista de educação do programa jornalístico Bom Dia Rio, da TV Globo.

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