Por dentro das FIC - PIBID

FEUC recebe estudantes em evento de educação, ciência e cultura

 

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                Se o educador Paulo Freire (1921-1997) pudesse vislumbrar o presente cenário em que a educação brasileira se encontra, ele constataria que ainda há muito para ser feito. Aliás, o verbo “fazer” se configura quase como um eufemismo, já que a perspectiva atual é de uma batalha, uma luta contra inúmeros fatores que excedem os muros da escola. No entanto, como o próprio pedagogo defendia: a dedicação e, principalmente, o amor devem ser inerentes ao ato de educar.
                Durante todo o dia 7 de novembro, a FEUC sediou o XX Fórum de Educação, Ciência e Cultura. O evento, articulado com o IV Encontro PIBID, realizados com a intenção de construir um diálogo com os diferentes cursos e projetos desenvolvidos pelo programa (PIBID), contou com a presença de alunos do ensino médio de escolas da região e teve em sua programação uma variedade de oficinas, exibições, palestras e arte.
                O PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência) tem como objetivo antecipar o vínculo entre os futuros professores e as salas de aula em escolas da rede pública. Um primeiro contato com o ambiente escolar é fornecido, incluindo todas as mazelas e dificuldades; mas também todos os seus encantos e boas realizações.
                E de acordo com o que foi visto ao longo do fórum, este vínculo obteve êxito em gerar bons frutos. Cerca de cem alunos das escolas de ensino médio da região estiveram presentes para participar das oficinas. Projetos de todos os cursos de licenciatura do PIBID foram expostos e os estudantes envolvidos apresentaram o que têm produzido nas escolas.

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Alunos de escolas do ensino médio da região compareceram ao evento.

 

Pela manhã, houve oficinas de contação de história e leitura, além de apresentações teatrais e esquetes. Uma das peças – desenvolvida pelo Subprojeto Geografia – trouxe o tema “Bullying e racismo”. Já os alunos do C. I. Miécimo da Silva mergulharam na produção cinematográfica e apresentaram um curta-metragem produzido pelos jovens.
                Também houve espaço para discussões de cunho social. A pauta diversidade sexual, por exemplo, proporcionou um debate acerca dos preconceitos ainda vigentes na sociedade, além de discutir sobre o papel vital que a sociologia exerce na manutenção de uma sociedade mais igualitária.
                O Subprojeto Geografia, por outro lado, relatou as lutas quilombolas no Rio de Janeiro, sobretudo o quilombo de Sacopã, que ainda resiste em uma das áreas mais nobres da cidade – o bairro da Lagoa.

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Estudantes apresentaram peça teatral no auditório FEUC.

 

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Oficina com jogos matemáticos também alimentaram a programação do fórum.

 

                Todos os cem alunos, assim como os graduandos da FEUC e demais convidados, tiveram à sua disposição um ambiente repleto de conhecimentos compartilhados de maneira reflexiva e humanizada – exatamente o que Paulo Freire tanto defendia como o exemplo de uma escola produtora de cidadãos autônomos.

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No pátio, oficina voltada à Literatura Africana proporcionou imersão a atividades culturais.

 

                Os alunos do Instituto de Educação Sarah Kubitschek, Raja, Colégio Amazonas e Miécimo da Silva puderam visitar uma exposição de artefatos pedagógicos produzidos por crianças dos anos iniciais (Subprojeto Pedagogia); confeccionar bonecas Abayone (Subprojeto Interdisciplinar); jogar jogos de Matemáticas e constatar que a disciplina pode ser aprendida ao mesmo tempo em que se diverte (Subprojeto Matemática); entre outras atividades.
                Já pela noite, o fórum continuou movimentado. A Professora Doutora Lana Claudia de Souza Fonseca (UFRRJ/CAPES), em palestra, mostrou um balanço sobre os atuais rumos da educação, cada vez mais distantes das influências e pensamentos de Paulo Freire. A agressividade, o bullying, a descaracterização do outro, a privação de conhecimento e o menosprezo foram um dos pontos discutidos no auditório da FEUC, perante uma platéia ávida em participar. Um dos alunos do curso de Letras, Albert Caetano (26), relatou experiências presenciadas em sua última faculdade, onde a atmosfera de disputa e individualidade era constante. “Professores e alunos agiam como se estivessem disputando um campeonato”, relatou.
                A recepção àqueles que chegavam à Instituição ficou a cargo de uma exibição de pôsteres científicos. O lançamento da revista Khóra (revista transdisciplinar dos cursos de Ciências Sociais, Geografia, História e Pedagogia), pela Professora Mestre Débora Rodrigues (FIC), ocorreu no auditório FEUC, acompanhado da palestra do Professor Especialista Jorge Adriham do Nascimento Moraes, “A Pedagogia de Paulo Freire e a Educação Contemporânea: Uma Análise Crítica”.

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A Prof. Dr. Lana Claudia de Souza Fonseca palestrou acerca do atual cenário da educação no país.

 

                Coordenadores de todos os cursos de licenciatura do PIBID avaliaram os objetivos alcançados. Os Professores Jayme Ribeiro (História), Célia Neves e Mauro Lopes (Ciências Sociais), Norma Maria e Janice Souza (Interdisciplinar), Gabriela Barbosa e Alzir Marinhos (Matemática), Erivelto Reis (Português), Claudia Miranda e Luciana Alves (Pedagogia), Rosilaine Araújo e Isaac Gayer (Geografia), asseguraram a importância do programa na vida dos jovens.
O Professor Victor Ramos, coordenador do evento, elogiou o compromisso demonstrado pelos professores, graduandos, alunos e colaboradores, os quais tornaram a realização do Fórum possível. Nas redes sociais, alunos agradeceram o espaço cedido e as experiências proporcionadas.
Ricardo Fernandes, graduando em Letras Português/Inglês, avaliou a sua primeira experiência como monitor. “No começo foi um pouco complicado, confesso”, comenta. “Mas depois as coisas fluíram. Em resumo, participar da monitoria foi uma ótima experiência. Eu gostei muito de poder ajudar a organizar este evento que foi um total sucesso e espero por outras oportunidades”, termina.

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Ricardo (à direita) classificou como ótima a sua primeira experiência como monitor.

 

                Após tantos diálogos e relações estreitadas, o resultado final mostrou uma conquista alcançada – exatamente o termo que buscamos suceder ao verbo “batalhar”. Paulo Freire se dedicou a falar aos que se indignam e lutam por uma educação que liberta e respeita o ser humano, tornando-o autônomo. E eventos como este, ao proporcionar encontros e experiências tais, revolucionam ao propor liberdade e transformação de realidades, conquistando, assim, as pequenas vitórias espalhadas neste vasto terreno cada vez menos promissor.



 

Tags: PIBID; XX Fórum de Educação; Paulo Freire.

Texto: Matheus Machado.

Fotos: Victor Ramos.